Capítulo 29: Marcas Sangrentas Devorando o Coração, Rastros na Escuridão
Foi como se uma estaca de ferro em brasa tivesse perfurado seu peito.
Lin Yi abriu os olhos de repente, sua visão preenchida apenas por escuridão e alguns segundos de ruído estático, como neve na tela. Ele ofegava, cada inspiração vinha acompanhada de uma sensação dilacerante. O que subia em sua garganta não era sangue, era algo mais espesso, mais escaldante. Instintivamente, sua mão foi ao peito – o que seus dedos encontraram não era pele.
Eram linhas.
Linhas de um vermelho escuro, levemente salientes, que se moviam lentamente como se fossem seres vivos.
Começando no ombro, como uma trepadeira venenosa, já haviam passado pela clavícula e avançavam em direção à área acima do coração. No instante em que seus dedos as tocaram, um leve estalido veio de debaixo da pele, como pequenos vasos sanguíneos estourando. Uma sensação de calor ardente percorreu as linhas, queimando até os ossos.
Ele inspirou bruscamente, tentando circular sua energia espiritual para suprimir a sensação.
Seu braço esquerdo contraiu-se violentamente.
Todo o membro se contorceu incontrolavelmente, os cinco dedos cravando-se com força nas pedras e cascalho sob seu corpo. As linhas brilharam subitamente, o vermelho escuro transformando-se em um escarlate ofuscante, como carvão em brasa. O ar pesado do porão começou a se distorcer, fios tênues de energia espiritual sendo puxados à força em direção ao seu peito – uma sucção incontrolável, voraz.
"Ugh…"
Ele cerrou os dentes, forçando o grito de dor de volta à garganta.
Sua visão finalmente ficou um pouco mais clara.
Era um porão semi-desmoronado, com vigas de madeira quebradas e entrelaçadas, e terra e pedras compactadas sobre sua cabeça. O ar estava impregnado com cheiro de mofo, enxofre e um leve odor metálico e enferrujado que emanava de seu próprio corpo. Um pouco de luz penetrava vindo de uma direção diagonal – não era luz do dia, era um tipo de luz oscilante, alaranjada.
Luz de fogo.
E passos.
O rangido de botas de couro sobre cascalho, aproximando-se, ritmados de uma forma que arrepiou seu couro cabeludo. Mais de um par. Pelo menos três, talvez mais. Os passos pararam não muito longe, e vozes baixas e entrecortadas flutuavam para dentro.
"... manchas de sangue…"
"... ainda não secaram completamente…"
"... revistem com cuidado…"
O coração de Lin Yi apertou-se como se uma mão gelada o tivesse agarrado.
Ele forçou-se a virar o pescoço, olhando na direção de onde a luz penetrava – a única saída do porão, parcialmente bloqueada por trepadeiras e entulho. Uma silhueta esguia estava colada à fenda, imóvel.
Su Wanqing.
Seu rosto estava de lado, a orelha pressionada contra a abertura na vegetação, seu corpo todo tenso como um arco esticado ao máximo. A luz do fogo lá fora atravessava a fenda, projetando sombras oscilantes em seu rosto, iluminando as gotas de suor finas em sua têmpora e os olhos que fitavam intensamente o exterior.
Medo.
Mas não apenas medo. Havia algo mais duro, mais firme, pressionado no fundo de seus olhos.
Lin Yi abriu a boca, sua garganta seca como lixa.
"Wanqing?"
Sua voz estava tão rouca que mal era audível.
Su Wanqing virou-se de repente.
Ao vê-lo com os olhos abertos, um lampejo de alívio cruzou seu rosto, imediatamente substituído por uma ansiedade mais profunda. Ela quase rastejou até ele, seus movimentos tão leves que não faziam o menor som. Seus dedos tocaram seu pulso. Estavam gelados.
"Fique quieto", ela sussurrou próximo ao seu ouvido, seu hálito quente e ofegante na pele. "Lá fora… pelo menos três. Bem treinados, revistando estas ruínas."
Enquanto falava, seus olhos permaneceram fixos nas linhas escarlates em seu peito.
Suas pupilas se contraíram.
Mas ela forçou algo para baixo, sua fala rápida e baixa: "A saída está vigiada. Eles… estão verificando cada lugar que possa esconder alguém. Tempo…" Ela fez uma pausa, sua voz ainda mais rouca
"Detone-a." Lin Yi continuou, cada palavra parecia ter sido espremida entre os dentes. "Crie o caos... e fuja no meio da confusão."
O silêncio na adega foi absoluto por um instante.
Só havia os passos distantes, cada vez mais próximos, do lado de fora.
O rosto de Su Wanqing estava branco como papel. Ela abriu a boca, a voz trêmula: "Detonar... a veia espiritual? Você está louco? Isso vai—"
"Vai desabar." Lin Yi a interrompeu, o olhar fixo nos olhos dela. "Ou pode... explodir antes. Mais provável..." Ele fez uma pausa, o braço esquerdo contraindo-se incontrolavelmente, "...é me fazer perder completamente o controle."
Ele ergueu a mão direita, apontando para o vermelho intenso em seu peito: "Essa coisa... quando se aproxima de uma veia espiritual, fica com fome."
A respiração de Su Wanqing parou.
Ela olhou para aqueles padrões, vendo-os se contorcer como algo vivo sob a pele, viu o suor frio rolando incessantemente da têmpora de Lin Yi, viu a determinação quase cruel em seus olhos. A luz das tochas balançava lá fora, e as sombras nas paredes internas da adega oscilavam junto, como uma espécie de contagem regressiva.
O tempo estava correndo.
De fora, veio o som de pedras sendo chutadas.
Muito perto.
Em seguida, uma voz masculina baixa, desta vez clara o suficiente para arrepiar a espinha: "Há sangue aqui, ainda não secou completamente. Revistem com cuidado—" A voz fez uma pausa, "—podem estar escondidos embaixo."
A luz das tochas aumentou bruscamente.
Uma luz alaranjada penetrou pelas fendas dos cipós, como uma faca cortando a escuridão da adega, projetando sombras oscilantes e distorcidas nas paredes internas.
O corpo de Su Wanqing congelou.
Lin Yi olhou para ela, a voz baixa ao máximo, mas carregando um peso inquestionável: "Não há mais tempo. Você escolhe — arriscar, ou esperar para morrer."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "E arrastar você junto."
Su Wanqing fechou os olhos.
Apenas por um instante.
Quando os abriu novamente, todo o medo em seus olhos havia sido esmagado por algo mais duro. Ela assentiu com força, sem dizer uma palavra, mas a determinação em seu olhar era como aço temperado ao fogo.
"Como dividimos as tarefas?" Ela perguntou, a voz já estável.
Lin Yi examinou rapidamente a estrutura da adega.
"No lado interno da entrada, espalhe o pó que interfere com a aura — você tem." Ele se lembrava dos itens em sua pequena bolsa. "Prepare uma armadilha simples, pedras soltas servem, conecte com um fio fino, como alerta."
Su Wanqing assentiu, a mão já se movendo em direção à pequena bolsa na cintura.
"Depois recue para lá." Lin Yi apontou para um canto da adega — uma reentrância na parede rochosa, com uma viga grossa de madeira acima, um ponto de apoio. "O canto mais resistente. Antes da detonação, você precisa estar lá dentro."
"E você?"
Lin Yi olhou para o fundo da escuridão, na direção do brilho fosforescente.
"Vou acender o pavio."
Dito isso, sua mão direita foi até a cintura — onde pendia um saco de pano esfarrapado. Ele desamarrou o cordão, tirou algo de dentro e enfiou na mão de Su Wanqing.
Era um pingente de jade.
De textura áspera, as bordas muito desgastadas, mas com padrões extremamente simples, quase ilegíveis, gravados na frente — uma matriz de proteção básica, provavelmente só capaz de bloquear o impacto de algumas pedras soltas uma vez.
"Segure." Disse Lin Yi, sem emoção na voz. "Se desabar... proteja a cabeça."
Os dedos de Su Wanqing se fecharam, o jade pressionando sua palma.
Ela olhou para ele, os lábios se moveram, como se quisesse dizer algo.
Mas Lin Yi já havia desviado o olhar.
Ele respirou fundo o ar pesado e sulfuroso, apoiou as mãos no chão e começou a rastejar para o fundo da adega. Seus movimentos eram difíceis, como se arrastasse um fardo de mil *jin*. A cada deslocamento, os padrões em seu braço esquerdo brilhavam mais intensamente, a luz vermelha até iluminava um pequeno trecho de rocha à frente, coberto de musgo e escor
O ar começou a ficar espesso, com um doce rançoso e fétido. Era o odor característico de uma veia espiritual abandonada — o produto da putrefação da energia espiritual fermentada com minerais do subsolo. Ele ergueu os olhos. Três *zhang* à frente, uma fenda sinistra se abria na parede rochosa.
Dentro da fenda, uma fosforescência se contorcia.
Não era uma luz uniforme, mas incontáveis pontos de luz minúsculos lutando, colidindo, aniquilando-se na escuridão. Aqueles fluxos de energia espiritual moribundos se enroscavam como serpentes agonizantes, espasmódicos, ocasionalmente explodindo em faíscas cegantes. A fenda inteira parecia uma boca abrindo e fechando incessantemente, cada respiração expelindo ondas de desordem sufocantes.
Lin Yi parou de rastejar, ofegante.
Sua mão esquerda começou a tremer incontrolavelmente.
Não era fadiga, era fome — aquela força parasita em seu braço farejou o cheiro da veia espiritual. Os padrões, como se tivessem ganhado vida, as veias vermelho-escuro que se estendiam do cotovelo ao ombro começaram a inchar, a pulsar. Ele conseguia sentir algo se contorcendo sob a pele, algo minúsculo e afiado, como inúmeros vermes roendo dentro de seus vasos sanguíneos.
E então começou a sugar em sentido inverso.
Não foi por sua própria vontade. Era aquela força estendendo seus tentáculos de forma espontânea, gananciosa. A energia espiritual impura no ar foi puxada, formando correntes de ar fracas que fluíam em direção ao seu braço esquerdo. Cada influxo era como despejar areia escaldante em uma ferida.
"Ugh..."
Sua testa pressionou-se contra o chão, suor frio misturado com terra pingando.
Não podia parar.
Ele se apoiou, usando o cotovelo direito contra o chão, continuando a se arrastar para frente. A cada *cun* que se aproximava, a sensação de queimação em seu braço esquerdo intensificava. Os padrões já haviam se espalhado para abaixo da clavícula; ele conseguia sentir aquelas veias se expandindo sob a pele, como raízes de árvores penetrando em seu peito.
Seu coração batia rápido.
Muito rápido. Tão rápido que não parecia o batimento de seu próprio coração, mas algo parasitando seu peito batendo como um tambor.
Faltavam dois *zhang* para a fenda.
Um *zhang* e meio.
Ele ouviu um som fragmentado vindo de trás — era Su Wanqing se movendo. Ela provavelmente já havia terminado de armar as armadilhas de alerta e estava retornando para o canto relativamente mais sólido. Seus movimentos eram leves, mas naquele silêncio mortal, cada fricção do tecido era clara como uma lâmina raspando o tímpano.
Lin Yi fechou os olhos, inspirou profundamente o ar pesado com cheiro de enxofre.
Então abriu-os.
A mão esquerda se ergueu, pairando três *cun* acima da fenda.
Os padrões instantaneamente explodiram em uma luz vermelha ofuscante!
Não foi ele quem ativou; foi a energia espiritual desordenada da veia espiritual ressoando com aquela força estranha. A fosforescência dentro da fenda subitamente brilhou intensamente, aqueles fluxos de energia espiritual moribundos, como uma ninhada de serpentes despertadas, começaram a se contorcer freneticamente. O ar começou a tremer, emitindo um zumbido baixo.
Lin Yi mordeu a ponta da língua até sangrar.
O sabor do sangue explodiu em sua boca, a dor mantendo-o no último fio de lucidez. Ele forçou-se a concentrar sua vontade, guiando cuidadosamente aquela força gananciosa, que queria devorar tudo, para o fundo da fenda.
Não era absorção.
Era estimulação.
Como usar uma agulha incandescente para cutucar um abscesso cheio de pólvora.
Sua mão esquerda começou a tremer violentamente. A contorção sob a pele tornou-se frenética, os padrões vermelho-escuros como trepadeiras vivas subindo do ombro em direção ao pescoço. Ele conseguia sentir aquelas veias se expandindo, rasgando músculos, penetrando nos ossos.
O que subiu em sua garganta não era sangue.
Era algo mais espesso, mais escaldante.
Ele engoliu e continuou.
O zumbido dentro da fenda começou a aumentar em tom.
Deixou de tentar controlar com precisão, de reprimir aquela força gananciosa. Soltou todas as amarras, empurrou para dentro de uma só vez todos os resquícios de poder espiritual que ainda conseguia controlar — aqueles restos que pertenciam a "Lin Yi" como pessoa — junto com aquela força estranha e inquieta do "Sinal do Roubo" em seu braço esquerdo.
Não foi uma condução.
Foi um despejo.
Como derramar ferro fundido incandescente em um barril de pólvora prestes a explodir.
A luz dentro da fenda solidificou abruptamente.
O tempo pareceu parar por um instante.
E então —
"BOOM!!!!!!"
Não foi o som que veio primeiro.
Foi a luz.
Uma luz branca ofuscante e pura explodiu da fenda, como um sol nascendo nas profundezas da terra. A retina de Lin Yi foi instantaneamente queimada, sua visão restando apenas um branco sem fim. Só então veio o som — um estrondo ensurdecedor, que não entrou pelos ouvidos, mas explodiu de dentro dos ossos, das vísceras, de cada célula.
A onda de choque como uma parede, batendo com força em suas costas.
Lin Yi ouviu o som seco de suas costelas quebrando. A dor aguda ainda não tinha tempo de se espalhar, seu corpo já estava sendo arremessado. Ele girou no ar, usando a última réstia de força para ajustar a direção, lançando-se em direção ao canto onde, na memória, Su Wanqing estava.
A visão, um borrão.
Mas ele viu aquela figura encolhida sob a parede rochosa.
"Wanqing—!"
Ele gritou, sua voz engolida pelo rugido da explosão.
Caiu sobre ela.
Cobriu-a com seu corpo.
Quase ao mesmo tempo, o nó da veia espiritual atrás dele entrou em erupção total.
A luz branca devorou tudo.
Depois, uma tempestade de energia espiritual ainda mais violenta. Como uma enxurrada rompendo diques, um vulcão em erupção, uma fera selvagem aprisionada por milênios arrebentando seus grilhões. Os fluxos turbulentos de energia espiritual eram como lâminas tangíveis, cortando o ar, rasgando a rocha, desmoronando toda a estrutura.
A profundidade do porão desabou completamente.
As paredes rochosas foram rasgadas como papel. A porta do porão foi arremessada, os perseguidores próximos engolidos pela luz branca e pela onda de choque antes mesmo de poderem gritar. Detritos de pedra caíram como chuva torrencial, rochas maiores desabando de cima.
Lin Yi protegeu firmemente a pessoa sob ele.
Uma enorme pedra atingiu seu ombro esquerdo.
Ele ouviu o som abafado de ossos se quebrando. A dor aguda atravessou seu corpo como um relâmpago, mas ainda mais terrível foi o braço esquerdo — aqueles padrões vermelho-escuros, sob o impacto da explosão, como fogo selvagem regado a óleo, espalharam-se loucamente!
Do ombro até o pescoço.
Do pescoço rastejando para o lado direito do peito.
A sensação de algo se contorcendo sob a pele tornou-se violenta, como se inúmeras serpentes estivessem perfurando, mordendo, expandindo-se dentro de sua carne e sangue. Ele conseguia sentir aqueles canais rastejando em direção ao coração, perfurando os pulmões, infiltrando-se em cada vaso sanguíneo.
Perdeu o controle.
Perdeu o controle completamente.
Ele abriu a boca, tentando dizer algo, mas o que saiu não foi som.
Foi um jorro de sangue vermelho-escuro, fosforescente.
As gotas caíram no rosto pálido de Su Wanqing, como ferro em brasa, fazendo-a estremecer por inteiro.
Então, a escuridão desceu.
Não um desmaio, mas os detritos de pedra desabando, soterrando completamente aquele canto. Rochas enormes, fragmentos, terra, selando-os dentro como um túmulo. O último fio de luz desapareceu, restando apenas a escuridão absoluta, e o rugido contínuo, incessante, de rochas rangendo e desmoronando.
Não se sabia por quanto tempo.
Talvez muito, talvez apenas um instante.
O rugido gradualmente se acalmou.
Substituído por gritos distantes, confusos, e sons caóticos. E ainda mais longe — as ondas de choque da explosão ainda se espalhavam, ele conseguia sentir o chão tremendo continuamente, camadas rochosas mais distantes desabando em cadeia.
Mas ali perto, um silêncio mortal.
Apenas
"Os perseguidores..." ela ofegou, "lá fora... não há mais som."
Lin Yi inclinou a orelha para escutar.
Era verdade. Os passos apressados, os gritos de antes, todos haviam desaparecido. Restavam apenas os desabamentos distantes e vagos, e mais longe ainda — talvez novos tumultos atraídos pela explosão.
Mas ali perto, apenas um silêncio mortal.
E o cheiro denso, inconfundível, de poeira e sangue que impregnava o ar.
"Por enquanto... estamos seguros." Ele cuspiu essas palavras, cada uma carregada de espuma sanguinolenta.
Su Wanqing não disse nada.
Ela apenas olhava para os padrões luminosos em seu peito. Eles ainda se contorciam, como seres vivos, expandindo-se lentamente, firmemente, sob a pele. Rastejando do lado esquerdo para o direito, do peito em direção ao abdômen. Sob a luz vermelha, os contornos desses vasos eram terrivelmente claros — não eram simples tatuagens, mas algo mais profundo, como raízes que se fincavam na carne e no sangue, podendo-se até ver ramificações minúsculas e pulsantes.
Ela estendeu a mão.
Os dedos, gelados, tremiam, pairando a um centímetro acima de seu peito.
Não tocou.
Apenas pairou.
"Isso..." sua voz estava ainda mais rouca, "não para?"
Lin Yi fechou os olhos.
"Não para mais."
Ele ouviu-se dizer. A voz era aterrorizantemente calma, como se estivesse declarando um fato alheio a si mesmo.
"Detonar a veia espiritual... estimulou isso. Agora... está com fome."
Os dedos de Su Wanqing congelaram no ar.
Então desceram lentamente, não para tocar os padrões, mas para segurar sua mão direita, que ainda podia se mover. Seus dedos estavam gelados, mas o aperto era forte, tão forte que as unhas cravavam-se na pele de seu dorso.
"O que fazer então?"
Lin Yi abriu os olhos.
Na alternância entre escuridão e luz vermelha, ele olhou para seus olhos.
"Esperar."
"Esperar o quê?"
"Esperar... que ele se sacie." Ele puxou o canto da boca, tentando sorrir, mas não conseguiu. "Ou esperar... que ele me devore por completo."
Do lado de fora das fendas de pedra, novos sons vinham de longe.
Não eram perseguidores.
Eram passos mais organizados, mais pesados. E ordens vagas, carregadas de autoridade, que atravessavam o caos residual da explosão.
"Revistem!"
"Vivos ou mortos, tragam-nos!"
"A explosão da veia espiritual é suspeita, cavem três metros no chão se for preciso!"
As vozes eram desconhecidas.
Mas aquele tom, aquela sensação de autoridade inquestionável —
As pupilas de Lin Yi contraíram-se abruptamente.
Não eram os homens de Xiao Han.
Era o Verdadeiro Mestre Xuan Yin.
Ele havia vindo pessoalmente.
Su Wanqing obviamente também percebeu. Seus dedos apertaram com força, as unhas afundando profundamente no dorso de sua mão. A respiração parou por um instante, como se tivesse sido banhada por água gelada invisível.
Na escuridão, os dois se encararam.
A luz vermelha continuava a se espalhar.
Lá fora, os passos se aproximavam.
Os padrões no braço esquerdo de Lin Yi emitiam uma luz vermelha ofuscante na escuridão, como um ferro de marcar em brasa.
A dor já estava embaçada.
Restava apenas uma sensação fria, mecânica, de funcionamento. Ele mordeu a ponta da língua, usando a dor fresca para manter a lucidez. O sangue da língua misturava-se ao ar com cheiro de enxofre, criando um sabor estranho de ferrugem e amêndoas amargas na boca.
A mão esquerda pairava sobre a fenda da veia espiritual, os cinco dedos abertos, tremendo levemente.
Os fluxos de energia espiritual fracos e desordenados dentro da fenda, agora como serpentes perturbadas, começaram a se contorcer freneticamente. Não estavam mais em estado moribundo, mas haviam sido "seduzidos" por alguma força a liberar sua ferocidade final. A fosforescência tornou-se ofuscante, a concentração de enxofre no ar tão alta que cada respiração parecia engolir fogo.
Pior ainda era o "Poder da Apropriação" dentro dele.
Estava com fome.
O que vinha dos padrões em seu braço esquerdo não era dor, mas uma sensação gananciosa, fria, de sucção. Era como uma boca faminta, começando a
A outra extremidade do pavio era o núcleo de energia espiritual nas profundezas da veia espiritual, cada vez mais violento e instável.
Ele começou a emitir som.
Primeiro, um zumbido baixo, como se uma enorme engrenagem nas profundezas da terra estivesse girando à força sob a ferrugem. Em seguida, o zumbido aumentou, transformando-se num sibilo agudo e arrepiante. O ar começou a tremer, pequenos fragmentos de pedra caíam do teto da adega, batendo em seus ombros e costas.
A luz dos padrões em seu braço esquerdo piscava intermitentemente, formando uma ressonância sinistra com o brilho fosforescente e selvagem que cintilava na fenda.
O tempo esticava-se como fios de açúcar, cada instante claro e longo.
Foi então que —
Da direção da entrada, veio um som claro e agudo de "crack!"
Era o som de pedras caindo. Imediatamente depois, veio o baixo e trêmulo suspiro de Su Wanqing: "Eles tocaram!"
Lá fora, uma voz áspera e urgente de homem gritou imediatamente: "Há movimento lá embaixo!"
Passos.
Não mais aquela busca errante de antes, mas uma corrida rápida e decidida em direção ao alvo. Botas de couro pisando pesadamente sobre os fragmentos de pedra no chão, produzindo um som denso e esmagador de rangidos, cada vez mais perto, cada vez mais alto.
O coração de Lin Yi parecia ter parado de bater naquele instante.
Não era medo.
Era algo ainda mais frio — aquele tipo de calma absoluta que um general sente no campo de batalha ao ver a cavalaria inimiga invadindo uma brecha na formação, sabendo que a vitória ou derrota será decidida nos próximos três suspiros.
À sua frente, a fenda da veia espiritual já cintilava numa frequência tão rápida que formava uma auréola ofuscante de luz contínua. O sibilo transformara-se num rugido baixo, as bordas rochosas da fenda começavam a rachar, pequenos fragmentos caindo em sussurros. O ar estava tão quente que distorcia a visão.
Ponto crítico.
Chegou.
Não havia tempo para controle preciso, para pesar prós e contras, nem mesmo para pensar se Su Wanqing já havia recuado para um canto suficientemente seguro.
O último vestígio de hesitação "humana" nos olhos de Lin Yi desapareceu. Em seu lugar, surgiu uma determinação quase cruel.
Ele não tentou mais controlar a ganância do "Poder do Furto"; pelo contrário, ativamente soltou o último fio de contenção.
Então, reuniu todos os vestígios de energia espiritual que ainda podiam ser chamados de "controláveis" em seu corpo, misturando-os com aquela força estranha em seu braço esquerdo que agora estava completamente descontrolada e faminta por devorar, formando uma torrente caótica e violenta —
E empurrou-a com força para dentro!
Não era "conexão", nem "estímulo".
Era "injeção". Era "detonação".
Naquele instante, os padrões em seu braço esquerdo explodiram com um brilho vermelho incandescente como nunca antes, iluminando claramente os ossos de todo seu braço e até metade de seu torso, os vasos sanguíneos sob a pele inchando proeminentemente, assumindo uma cor roxa-escura sinistra. Os padrões pareciam lava viva, fluindo e expandindo freneticamente sob sua pele, subindo instantaneamente pelo pescoço, rastejando pela linha do maxilar.
A dor aguda chegou um instante depois, como um tsunami.
Mas Lin Yi já não se importava.
No momento em que injetou a força, ele girou violentamente o corpo, usando toda a força remanescente para se lançar na direção do canto onde lembrava que Su Wanqing estava! O movimento puxou todas as feridas em seu corpo, e do local da fratura em seu ombro esquerdo, recentemente recolocado, veio um som claro e arrepiante de deslocamento.
Ele não se importou.
Ao se lançar, ele gritou, sua voz completamente distorcida pela dor aguda e pelo esgotamento da força, rouca e quebrada, mas com uma agudeza inquestionável:
"Wanqing! Abaixe-se!"
O campo de visão girava rapidamente.
Ele viu a figura indistinta de Su Wanqing encolhida no recesso da parede rochosa do canto, seu rosto pálido como papel, mas os olhos arregalados, fixos na direção de onde ele se lançava. Ela ouvira, seu corpo já se abaixara instintivamente.
Ele também viu a direção da entrada da adega — a trepadeira e os fragmentos de pedra
bateram nos tímpanos.
Bateram no corpo.
Lin Yi ainda estava no ar quando sentiu uma força indescritível atingir suas costas. Não era vento, era uma parede sólida, composta de energia espiritual e fragmentos de pedra. Ele ouviu o som nítido de suas costelas quebrando, o som abafado de seus órgãos internos sendo esmagados e deslocados. Um sabor doce encheu sua garganta, sangue misturado com fragmentos de vísceras jorrou, traçando um breve arco vermelho-escuro na luz branca e ofuscante.
A força o acelerou, arremessando-o como um trapo em direção ao canto onde Su Wanqing estava.
No último instante, ele conseguiu torcer seu corpo, direcionando suas costas já feridas para a direção da onda de choque, e então abriu os braços, envolvendo o corpo encolhido de Su Wanqing, que se agachava no chão, protegendo-a firmemente no espaço triangular estreito formado por seu próprio corpo e a parede rochosa.
Quase ao mesmo tempo.
A onda de choque e os fragmentos de pedra chegaram.
"BANG——!!!"
Seu corpo bateu pesadamente contra a parede rochosa. A visão de Lin Yi escureceu completamente, todos os sons desapareceram instantaneamente, o mundo mergulhou em um silêncio estranho e zumbido. Apenas a dor ardente em seu peito e a sensação de golpes surdos por toda parte provavam que ele ainda estava vivo.
Fragmentos de pedra caíram como uma tempestade.
Grandes, pequenos, afiados, angulares. Bateram em suas costas, pernas, na cabeça, pescoço e braços que protegiam Su Wanqing. Cada impacto trazia uma força pesada, causando novos hematomas e fraturas. Poeira subiu em nuvens espessas, sufocante, entrando em seus pulmões como se engolisse cascalho.
A adega gemeu, desabou.
De cima, veio o som arrepiante de rochas se rasgando, seguido pelo estrondo de pedras maiores desmoronando. O chão tremeu violentamente, como se toda a camada do Abismo Sombrio tivesse se soltado com a explosão. A luz foi completamente bloqueada pelas rochas desmoronadas e pela densa fumaça, a escuridão retornou, mas desta vez era uma escuridão quente, cheia do cheiro da morte.
O caos de estrondos durou mais de uma dúzia de respirações antes de gradualmente diminuir.
Não, não diminuiu, transformou-se em sons mais distantes e abafados de desmoronamentos em cadeia, e alguns gritos e exclamações abafados, enterrados sob os escombros — pertencentes aos perseguidores.
Dentro da adega, restavam apenas os sons ocasionais de fragmentos deslizando, e...
Uma respiração ofegante, suprimida e dolorosa, bem próxima.
Era Su Wanqing.
Lin Yi ainda estava sobre ela, seu corpo e braços formando um frágil abrigo. Ele tentou se mover, mal levantou o braço e sentiu uma sensação de rastejamento completamente descontrolada e frenética em seu braço esquerdo.
Não, não apenas o braço esquerdo.
No lado do pescoço, na borda da face, até no ombro direito... em todos os lugares onde os padrões se espalhavam, sob a pele, havia uma sensação clara, como se algo estranho estivesse se arrastando. Os padrões não estavam apenas quentes, estavam inchando, penetrando mais profundamente na pele, nos músculos, até nos ossos. Um "apetite" e "desejo de destruição" frios, que não lhe pertenciam, estavam erodindo sua consciência, fio por fio, ao longo desses padrões.
Sua visão começou a apresentar flashes de imagens alucinatórias distorcidas. Em seus ouvidos, além do zumbido, começaram a surgir murmúrios insanos e sem sentido.
À beira da perda de controle.
Não, já havia dado um pé dentro.
"Lin... Yi?" A voz trêmula de Su Wanqing veio de baixo dele, fraca como um fio, com tosse sufocada pela poeira. "Você... você está bem?"
Lin Yi abriu a boca, tentou falar, mas só emitiu um som rouco e ofegante. Ele tossiu, e mais espuma de sangue saiu.
Com esforço, ele moveu o corpo um pouco, tentando aliviar o peso sobre ela. O movimento puxou inúmeras feridas, a dor fez sua visão escurecer novamente.
A maior parte da adega havia desmoronado.
A direção da entrada original estava agora completamente bloqueada por enormes pedras e terra, apenas ar extremamente fino, com cheiro de fumaça, penetrava com dificuldade
“Vamos sair.” A voz de Su Wanqing era excepcionalmente firme. No escuro, ela pareceu balançar a cabeça. “A explosão… derrubou a entrada, mas também pode ter afrouxado outros lugares. Além disso, o Sr. Mochen, ou Shi Meng… se sentirem um barulho tão grande, certamente virão procurar.”
Ela fez uma pausa, os dedos pressionando levemente a pele escaldante ao lado do pescoço dele. Sua voz baixou, carregando uma ordem gentil, porém inquestionável: “Até lá, você precisa aguentar. Lin Yi, está ouvindo? Você precisa aguentar.”
Lin Yi não respondeu.
Na escuridão densa e nos delírios de loucura cada vez mais claros, ele lutava para manter o último fio de lucidez.
Aguentar?
Com o que aguentar?
Seu corpo era como um saco de pano velho, esmagado e depois colado à força com magia maligna, dentro do qual agora habitava uma fera faminta e crescente. A cada respiração, ele sentia a fera se espreguiçar dentro de seu peito, lambendo seus ossos e órgãos.
E lá fora…
O barulho da explosão foi grande demais. Isso definitivamente não poderia ser abafado pelo desaparecimento de alguns perseguidores de baixo nível. O Verdadeiro Xuan Yin? Xiao Han? Seja qual fosse o lado, os verdadeiros caçadores agora certamente estavam alertados, aproximando-se dessas ruínas.
Eles estavam presos neste túmulo de pedra escuro.
Ele estava se tornando a primeira parte a apodrecer dentro do túmulo.
A mão de Su Wanqing ainda estava pressionada ao lado de seu pescoço. Aquele ponto frio era a única âncora neste inferno escaldante.
E também… o maior fardo.
Lentamente, ele ergueu a mão direita, que ainda podia controlar com dificuldade, e tateou na escuridão até agarrar o pulso de Su Wanqing, aquele que estava pressionado contra seu pescoço. Seu pulso era fino, a pele gelada, e ele podia sentir a pulsação rápida e fraca.
Ele usou força para puxar a mão dela para longe dos padrões repulsivos em seu pescoço.
Então, com todo o esforço, ele pressionou a mão dela contra sua própria cintura — onde estava presa uma adaga curta que ele sempre carregava, originalmente para autodefesa. A bainha de metal fria tocou a palma de sua mão.
O corpo de Su Wanqing congelou.
Na escuridão, Lin Yi não conseguia ver sua expressão, mas ele podia sentir sua respiração prendendo instantaneamente e o tremor violento que vinha de seu pulso.
Ele falou, a voz rouca, mas excepcionalmente clara, cada palavra como se fosse raspada com vidro quebrado:
“Se… eu não parecer mais eu mesmo.”
“Se esses padrões… subirem até os olhos.”
“Se eu começar… a querer mordê-la.”