Capítulo 35: Névoa e Lâmpada da Alma
Assim que Shi Meng, carregando Mo Chen e arrastando Lin Yi, rompeu a barreira de névoa ilusória que Su Wanqing havia erguido, o clamor dos perseguidores atrás deles subitamente enfraqueceu, como se estivesse separado por uma cortina densa de água.
No entanto, antes que os três pudessem recuperar o fôlego, a névoa começou a agitar-se violentamente.
Uma voz gelada perfurou a barreira, soando com clareza: «Tecelã dos Sonhos, você vai se opor a mim, ao 'Tribunal da Lei', por causa desses rebeldes?»
Ele não teve tempo para a dor. Apoiando as mãos no chão, virou a cabeça para olhar a pessoa nos braços de Shi Meng. O rosto de Mo Chen estava cinza e murcho, como coberto por uma camada de geada, e seu peito quase não se movia. O braço de Shi Meng tremia, sangue escorrendo pelo braço e pingando na túnica de Mo Chen, manchando-a com marcas úmidas de um vermelho escuro.
Shi Meng cerrou os dentes, colocando Mo Chen no chão com extrema cautela. Lin Yi ajoelhou-se e rastejou até ele, dedos pairando sobre a ponta do nariz de Mo Chen — a respiração era tão fraca que quase não se sentia. Ele levantou a pálpebra de Mo Chen; a pupila estava dilatada, e o brilho espiritual em seu interior estava se apagando rapidamente.
A respiração de Lin Yi tornou-se pesada. Ele forçou-se a concentrar sua última centelha de espírito, percebendo o entorno. A névoa ilusória trazia um leve aroma, semelhante a livros antigos e sândalo frio, que isolava, com dificuldade, a pressão avassaladora do exterior. Mas a própria névoa tremia, e em suas bordas surgiam ondulações finas e densas, como se pudesse ser rasgada a qualquer momento.
Su Wanqing estava parada a cerca de dez metros de distância, as mãos formando um selo, a luz ilusória azul-clara fluindo em suas pontas dos dedos, brilhando e escurecendo intermitentemente.
«Não vai aguentar por muito tempo», ela disse, sem olhar para Lin Yi, a voz muito baixa e carregada de um fôlego cansado. «A 'Corrente da Ordem' de Xiao Han está corroendo a barreira... no máximo, meio incenso.»
A pele do mestre estava fria ao toque, como segurar um pedaço de jade que estava perdendo seu calor. Ele se lembrava de quão firmes essas mãos já foram — cada traço ao gravar caracteres era preciso como uma régua e compasso, as linhas espirituais guiadas pelas pontas dos dedos ao dispor uma formação eram mais finas que um fio de cabelo. Agora essas mãos pendiam moles, as articulações dos dedos tingidas de um cinza cadavérico.
«Tecelã dos Sonhos...», Lin Yi começou, a garganta como se tivesse sido lixada, «meu mestre... ele ainda tem salvação?»
«A chama da alma está prestes a se extinguir», ela finalmente disse, cada palavra parecendo espremida entre os dentes. «Não consigo detê-la.»
Shi Meng ergueu a cabeça bruscamente: «O que quer dizer com não consegue detê-la?! Você não domina as artes ilusórias? Crie uma falsa—»
«Uma falsa não engana a marca do Caminho Celestial», Su Wanqing o interrompeu, a luz azul em suas pontas dos dedos escurecendo mais um grau. «Mo Chen queimou sua essência primordial para romper à força a 'Corrente da Ordem'. Sua alma já... rachou. Agora, a cada respiração, a chama da alma enfraquece um pouco mais.»
Ela fez uma pausa, acrescentando: «O 'Tribunal da Lei' que Xiao Han mencionou... são os carrascos que mantêm o 'Pacto'.»
«Pacto», ele repetiu a palavra, a voz baixa como um murmúrio para si mesmo. «Que pacto?»
*Toc, toc, toc.*
Um som ritmado, como se alguém batesse com os nós dos dedos em um tambor invisível. A cada batida, a névoa ilusória recuava uma polegada para dentro, e o rosto de Su Wanqing ficava mais pálido. Ela mordeu o lábio inferior, um fio de sangue escorrendo do canto da boca.
«Na era antiga...
A luz ilusória azul-clara foi agarrada por uma mão invisível e contraiu-se violentamente para dentro. Su Wanqing soltou um gemido abafado, e o sangue no canto de sua boca fluía mais intensamente. Na borda da barreira, uma fenda se abriu, revelando a luz cinzenta do lado de fora.
Xiao Han estava parado do lado de fora da fenda, segurando na mão esquerda uma chama fraca e pulsante.
Aquela luz emanava uma aura familiar, pertencente a Mo Chen, quente a ponto de ofuscar. Cada vez que pulsava, ficava mais fraca, como uma vela prestes a se apagar ao vento.
«Terminaram de conversar?» A voz de Xiao Han permanecia calma, até mesmo com um toque de preocupação. «Tecelã dos Sonhos, você está se esforçando muito. Por quê?»
Ela acelerou o ritmo de seus selos com as mãos, tentando reparar a fenda. Mas mais rachaduras se espalharam a partir do ponto onde os dedos de Xiao Han tocaram, como gelo atingido por um martelo pesado. A névoa ilusória emitia um som fino e frágil de estilhaçamento, como porcelana se desintegrando sob baixas temperaturas.
«O que você quer?» ele perguntou, sua voz inesperadamente estável.
Xiao Han girou levemente o anel de jade no polegar esquerdo.
«Simples», disse ele. «Você entrega voluntariamente o selo central do "Poder do Primeiro Roubo", eu devolvo esta chama da alma e envio Mo Chen para a roda da reencarnação. Embora sua base do Caminho esteja destruída, pelo menos sua alma estará intacta. Talvez haja uma chance na próxima vida.»
Ele fez uma pausa e acrescentou: «Caso contrário, a chama da alma se extinguirá, e Mo Chen será aniquilado em corpo e alma. Escolha, aquele que desafia o destino.»
Aquela mão estava firme como uma pinça de ferro, agarrando o braço ensanguentado de Shi Meng. Shi Meng lutou por um momento, mas não conseguiu se soltar. Ele virou a cabeça e encarou Lin Yi, mas encontrou um par de olhos profundos e insondáveis.
Apenas uma razão fria e calculista em funcionamento.
«Dez respirações.» Xiao Han começou a contar, seu tom descontraído como se estivesse recitando poesia. «Dez.»
A respiração do mestre já era tão fraca que quase desaparecia. Cada pulsação da chama da alma levava embora um pouco mais de sua vida. O tempo era como uma faca cega, serrando lentamente os ossos.
A barreira ilusória de Su Wanqing se abriu em outra fenda. O vento frio entrou, trazendo o cheiro de poeira selvagem e sangue. Seus dedos tremiam, a luz azul piscando, como um vaga-lume prestes a se apagar.
O braço de Shi Meng tensionou sob a palma de Lin Yi, os músculos se contraindo. O sangue jorrava da ferida, quente e pegajoso, escorrendo pelos dedos de Lin Yi. O homem tremia — não de medo, mas da reação fisiológica de uma raiva extrema.
A canção de ninar embaçada que sua mãe cantava. O frio penetrante do lago gelado atrás da montanha. O primeiro caractere que Mo Chen gravou na laje de pedra. Os olhos calmos de Su Wanqing escondidos sob as roupas de servente. A carne de fera carbonizada que Shi Meng lhe entregou.
E a silhueta resoluta de seu pai ao se virar.
Xiao Han parou de contar, ergueu levemente a sobrancelha e esperou pelo que viria a seguir.
Lin Yi levantou-se lentamente. O selo em seu braço esquerdo transmitia uma coceira fria e sinistra, como se inúmeros vermes minúsculos se contorcessem sob sua pele. Ele ignorou a sensação, seu olhar fixado na chama da alma nas mãos de Xiao Han.
«Como sei que é real?» ele perguntou. «E se o que você esmagar for apenas uma ilusão?»
«Você pode apostar», disse ele. «Mas o preço de perder é algo que você não pode pagar.»
No instante em que as palavras caíram, uma onda sutil, quase imperceptível, perfurou a mente de Lin Yi.
A voz de Yun Zhi soou diretamente em sua consciência, rouca e magnética, com uma velocidade assustadora.
«Acredite em mim desta vez. Posso arrancar um fragmento de alma e colocá-lo na "Âmbar da Alma". Mas depois disso, sua
"Pare!" ele gritou roucamente, cada palavra saindo como se fosse arrancada de uma garganta dilacerada. "Eu o selo! Faço este pacto, em troca da chama da alma do meu mestre!"
Ele parou de contar, seu olhar caindo sobre o braço esquerdo de Lin Yi. Sob a pele, padrões sinistros de um dourado escuro emergiam rapidamente, como correntes vivas, enrolando-se, apertando-se, até finalmente se enterrarem profundamente na carne.
"... Ridículo", disse Xiao Han, mas o canto de sua boca curvou-se em um sorriso extremamente sutil, quase de admiração. "Mas, conforme o pacto."
Shi Meng emitiu um lamento bestial. Su Wanqing fechou os olhos. Os joelhos de Lin Yi fraquejaram, quase o fazendo cair de joelhos —
Mas no instante seguinte, ele percebeu um fio de conexão espiritual, tão fraco que quase não existia, mas que ainda lutava teimosamente.
Arrancada, puxada por alguma força invisível, selada dentro de um recipiente frio e duro.
Xiao Han soltou a mão, sua palma agora vazia. Ele olhou para Lin Yi, seus olhos recuperando uma calma absoluta.
"O contrato está estabelecido", disse ele. "As algemas continuarão a corroer seu poder espiritual, seu corpo físico, até mesmo sua alma. Até que você se torne completamente um mortal, ou... morra."
"Valorize o tempo que você conquistou, Destruidor do Destino. Na próxima vez que nos encontrarmos, completarei a limpeza pessoalmente."
A névoa se dissipou, revelando a noite feroz do deserto. Um vento frio uivou, levantando poeira e o cheiro de sangue. O corpo de Mo Chen jazia no chão frio, seu peito sem mais movimento.
Shi Meng ajoelhou-se ao lado de Mo Chen, sua mão grande tremendo ao se aproximar do nariz. Parado. Ele então pressionou contra o peito. O coração também parado. Os ombros do homem começaram a tremer violentamente, um soluço reprimido e quebrado saindo de sua garganta.
Su Wanqing cambaleou até lá, a ponta de seus dedos brilhando com uma fraca luz espiritual de cura, pressionando-a contra o peito de Mo Chen.
Lin Yi ainda estava de pé. Os padrões dourados escuros em seu braço esquerdo se contorciam lentamente sob a pele, trazendo uma coceira fria e uma dor sutil e constante de corrosão. Ele podia sentir — seu poder estava sendo drenado pouco a pouco pelas correntes. O Direito do Primeiro Roubo estava silencioso, como uma pedra enterrada no fundo do mar.
Os lábios de Su Wanqing se moveram, como se ela quisesse dizer algo. Mas, no final, ela apenas perguntou baixinho: "Você sentiu? A alma dele..."
Ele caminhou até Mo Chen, agachou-se e, com a mão direita que ainda podia mover, fechou os olhos do mestre. O movimento foi suave, como se temesse perturbar um sonho ainda não despertado. Então ele levantou a cabeça, olhando na direção para onde a aura de Yun Zhi havia desaparecido.
"Ela arrancou um fio", Lin Yi continuou, sua voz assustadoramente calma. "Selou-o dentro da Âmbar da Alma. O preço foi... eu lhe devo uma pequena coisa."
"Uma pequena coisa?!" Seus olhos estavam vermelhos. "Uma 'pequena coisa' dita por alguém como ela—"
Ele se levantou, apoiando-se nos joelhos. O braço esquerdo pendia ao seu lado, sem sensação, como um membro morto que não lhe pertencia. Os padrões dourados escuros já haviam se espalhado até a escápula, como uma trepadeira parasita em crescimento.
"Mas agora, pelo menos temos algo para lutar."
"A alma remanescente de Mo Chen. Minha dívida. E..."
Su Wanqing olhou para suas costas e de repente estremeceu. Não era medo — era um calafrio mais profundo, quase premonitório. Ela viu os padrões no braço esquerdo de Lin Yi emitindo um brilho fraco e sinistro de ouro na escuridão da noite.
"Para onde vamos agora?" perguntou Shi Meng com voz rouca, seus punhos cerrados com força.
"Encontrar Yun Zhi", disse ele. "Antes que ela decida o que é essa 'pequena coisa', precisamos primeiro saber... o que exatamente é a Âmbar da Alma."
A perna esquerda pesava como se estivesse cheia de chumbo, mas cada passo era firme. Os padrões dourados escuros brilhavam levemente com seus passos, como se respirassem.
Su Wanqing e Shi Meng trocaram
As pupilas de Lin Yi contraíram-se até o tamanho de agulhas. O estrondo dos batimentos cardíacos selvagens abafou todos os sons ao redor; o sangue subiu à cabeça, para depois esfriar rapidamente nas extremidades dos membros. Ele viu a chama da alma nas mãos de Xiao Han; no fraco halo de luz, parecia ainda restar o último olhar que Mo Chen lhe lançara — calmo, compreensivo, carregando um tipo de confiança quase cruel.
Entregar o "Poder da Primeira Usurpação"? Entregar a única garantia que permitia espiar as brechas nas regras, a única possibilidade de desafiar o céu, mudar o destino e buscar vingança contra todos os traidores?
Assistir, impotente, ao último vestígio de existência de seu mestre, dissipar-se completamente diante de seus olhos?
Xiao Han começou a contar. A voz não era alta, mas penetrava nos tímpanos de todos como uma estaca de gelo.
"Vou lutar com você até a morte—!" Shi Meng rugiu, tentando avançar. A ferida em seu braço direito se rompeu novamente pelo esforço, e o sangue encharcou o curativo grosseiro. Mas mal deu meio passo para frente, foi agarrado com força pela mão esquerda que Lin Yi estendeu.
A mão de Lin Yi estava gelada, as juntas pálidas pela força, as unhas quase cravando-se na carne do braço de Shi Meng. Ele não olhou para Shi Meng, os olhos ainda fixos naquela chama da alma. Seus lábios tremiam, mas as palavras que saíram eram anormalmente claras: "...Espera."
"Espera o quê!" As veias da testa de Shi Meng saltaram, a voz rouca. "Esperar ele esmagar a alma do Mestre Mudo?!"
A respiração de Lin Yi tornou-se pesada. Não era calma, mas um silêncio morto, algo forçadamente tensionado após ser pressionado ao limite. Sua mente estava em branco, apenas duas opções se dilacerando e colidindo loucamente. Cada uma delas carregava farpas ensanguentadas; escolher qualquer uma rasgaria a metade restante de sua alma.
Entregar o poder equivalia a desistir de toda a paciência e sofrimento dos últimos três anos, desistir da vingança contra a Família Lin, contra seu pai, contra a chamada "Vontade Celestial". Viver, então, não passaria de mais um zumbi domesticado pelas regras.
O velho que, em seu momento mais desesperado, abrira uma janela para ele com silêncio e gravação de caracteres. O "Mestre Mudo" que carregava segredos mais pesados que os seus. Aquele que queimara a si mesmo, arrastando-o à força da supressão das regras de Xiao Han... Mo Chen.
Su Wanqing se moveu. As pontas dos dedos que mantinham a barreira de névoa ilusória tremiam levemente, a luz ilusória azulada cintilando instável. Ela inspirou fundo, olhou para Xiao Han, a voz esforçando-se para manter a estabilidade: "Executor Xiao... seria possível..."
"Tecelã de Sonhos." Xiao Han a interrompeu, o olhar nem sequer se desviando. "Você já ultrapassou os limites. Intervir mais seria declarar inimizade com a Corte dos Executores. A 'Secta das Mil Faces' por trás de você, consegue arcar com as consequências?"
O rosto de Su Wanqing empalideceu instantaneamente. Ela mordeu o lábio inferior, a luz ilusória em suas pontas dos dedos oscilou violentamente por um momento, mas no fim, ela não prosseguiu. Fora da barreira de névoa ilusória, aquela pressão fria, meticulosamente ordenada, continuava a impactar como uma maré tangível. A superfície da barreira já apresentava finas rachaduras como teias de aranha, emitindo um som de ruptura quase inaudível, como se estivesse à beira do colapso.
O tempo parecia um elástico esticado, cada instante prolongando-se sufocantemente. Lin Yi conseguia ouvir o estrondo do sangue em seus próprios tímpanos, sentir a sensação de formigamento frio e sombrio proveniente do local do selo em seu braço esquerdo, espalhando-se em direção ao ombro. Era o sinal da retaliação do poder das regras após o "Poder da Primeira Usurpação" ser suprimido. A garganta apertou, o ato de engolir tornou-se anormalmente difícil.
Justo quando ele estava quase enlouquecido por essa contagem regressiva desesperadora—
Uma voz s
Entregar o poder? Não. Isso seria equivalente a admitir a derrota, a reconhecer que as regras do "Caminho Celestial" não podem ser desafiadas, seria enterrar com as próprias mãos a "possibilidade" que o mestre conquistou com sua vida.
Não entregar? Ficar de braços cruzados assistindo ao Espírito da Alma se extinguir? Ele não conseguiria.
O plano de Yun Zhi... roubar um fio de alma residual? Selá-lo na "Âmbar da Atração da Alma"? O preço seria um "pequeno favor" desconhecido, e também transformar a alma residual do mestre em um alvo perseguido pelo "Caminho Celestial". A taxa de sucesso era desconhecida, o risco extremamente alto. Mas... pelo menos havia uma fagulha de esperança. Pelo menos, não seria um "nada" completo.