Capítulo 13: A Sombra que Devora o Lago Gélido
Lin Yi, apoiado no galho, acabara de contornar um desfiladeiro.
A névoa cinza-escura de repente se tornou densa, quase bloqueando o caminho à frente. Ele parou para recuperar o fôlego, e o anel de restrição em seu pulso esquerdo emitiu uma leve e fina ondulação de energia espiritual, como agulhas perfurando.
Antes que pudesse reagir.
A sombra de uma árvore seca atrás dele ondulou como água, e uma mão fria e magricela pousou silenciosamente em seu ombro esquerdo intacto.
A sensação era como ferro.
Como ferro congelado por três invernos, totalmente sem a temperatura de um ser vivo. Todos os músculos do corpo de Lin Yi se contraíram instantaneamente — a mão direita estava inutilizada, a esquerda era a única que podia se mover. Por instinto, ele tentou se livrar, baixando o ombro e golpeando para trás com o cotovelo.
A mão sobre seu ombro não se moveu um milímetro.
Uma energia espiritual fria e morta invadiu seus meridianos através daquela mão, como raízes de inverno penetrando o solo congelado. A respiração de Lin Yi travou na garganta. Onde a energia espiritual passava, os vasos sanguíneos congelavam, os músculos enrijeciam como madeira. Ele tentou virar a cabeça, mas sua visão foi coberta por uma sombra sinuosa.
O som desapareceu.
Restou apenas o violento bater de seu próprio coração e a respiração ofegante colidindo dentro de seu peito.
**Não se mexa.**
A voz soou diretamente em sua mente, seca e lisa, como seixos se atritando.
**Se não quer que seu Dantian exploda agora, obedeça.**
A garganta de Lin Yi foi comprimida por uma força invisível. Ele só conseguia emitir sons roucos, os globos oculares virando para trás do ombro. Na sombra, o rosto de Mo Chen parecia uma pintura antiga desbotada, as rugas escondendo a letargia. Aqueles olhos não tinham foco, mas perfuravam a pele e a carne de Lin Yi como facas, indo direto às profundezas de seu Dantian.
O anel de restrição de repente ficou escaldante.
Uma dor aguda disparou do osso do pulso até a omoplata, como um arame incandescente marcando o osso. Lin Yi cerrou os dentes, as veias da têmpora saltando. Ele tentou mobilizar o pouco de energia espiritual residual em seu Dantian — mesmo que fosse apenas um tremor, para dar um sinal a Mo Chen: ainda estou vivo, ainda posso resistir.
Assim que a energia espiritual se moveu.
A energia espiritual fria que invadira seus meridianos de repente se apertou.
*Crunch.*
Lin Yi ouviu o gemido de suas próprias costelas. A lesão antiga se rasgou, o gosto de sangue subindo à garganta. Ele tossiu uma espuma de sangue, que respingou no musgo cinza-escuro, congelando rapidamente em cristais de gelo vermelho-escuros.
A mão de Mo Chen não se moveu.
Aquela mão começou a aplicar pressão, não para baixo, mas para dentro — como se quisesse pressionar Lin Yi inteiro para dentro da sombra. A névoa ao redor começou a girar, os contornos das árvores secas se distorcendo. O chão sob seus pés ficou pegajoso, como pisar em um pântano.
O pé esquerdo de Lin Yi afundou.
Não era lama. Era sombra. Sua própria sombra, como alcatrão negro, engoliu seu tornozelo, subindo. Frio cortante, carregando a sensação letárgica de todas as coisas murchando. Ele lutou, o braço direito dormente como um pedaço de madeira, os cinco dedos da mão esquerda cravando-se nas fendas úmidas da rocha.
As unhas quebraram.
Sangue misturado com lama deixou cinco arranhões vermelho-escuros nas rachaduras da rocha.
**Economize suas forças.**
A voz de Mo Chen ainda era tão plana, como se estivesse comentando sobre o clima.
**Os lobos da Caverna do Vento Negro não comerão menos de sua carne porque você respirar algumas vezes a mais.**
A visão de Lin Yi começou a ficar embaçada. Sombras vieram de todos os lados, envolvendo seu corpo, espremendo seu peito. Ele estava como um inseto envolto em um casulo
A temperatura despencou. Um frio penetrante atravessou as roupas finas e se infiltrou até os ossos. Os dentes de Lin Yi começaram a bater, e a respiração exalada formava uma névoa branca que se condensava em geada diante de seus olhos, apenas para ser rapidamente dilacerada pela corrente de ar em alta velocidade. Ele ouviu um som de estalidos finos vindo de seus pés —
Ossadas.
Humanas, de bestas, misturadas, cobrindo o chão da caverna. A sombra o arrastou por cima desses ossos, como se fossem folhas de outono. Costelas quebradas, crânios esmagados, espirravam envoltos pela sombra e eram rapidamente engolidos pela escuridão.
As paredes de rocha recuavam.
Havia runas desgastadas nas paredes, entalhes profundos como valas, incrustados com algum tipo de mineral luminoso. A luz era instável, às vezes fraca como vaga-lumes, às vezes brilhante como um relâmpago. Cada vez que brilhava, iluminava mais detalhes distorcidos nas profundezas da caverna — plantas negras congeladas em estalactites de gelo, como formas humanas em agonia; estalactites penduradas no teto abobadado, cujas pontas não pingavam água, mas gotas espessas e vermelho-escuras de gelo.
Mo Chen caminhava à frente.
Sua silhueta aparecia e desaparecia na luz fraca das runas, como um fantasma. Nenhum som de passos. Apenas o som dos ossos se quebrando quando a sombra arrastava Lin Yi, e o sibilo do gelo raspando contra a rocha.
Não se sabia quanto tempo havia passado.
Talvez o tempo de um incenso, talvez uma hora. O tempo perdeu o significado na escuridão e no frio. A consciência de Lin Yi começou a flutuar, como um homem se afogando, afundando nas profundezas geladas do mar. A dormência em seu braço direito se espalhou para o ombro, as pontas dos dedos da mão esquerda congeladas e sem sensação.
Então, a sombra soltou.
Lin Yi foi jogado com força contra a rocha.
O impacto dissipou o último vestígio de calor em seu peito. Ele tossiu uma grande quantidade de espuma sanguínea, que respingou na superfície úmida da rocha sob ele. A rocha era escorregadia, coberta por uma fina película translúcida de gelo, sob a qual se espalhavam veias escuras, quase negras, como vasos sanguíneos.
Ele se apoiou.
A palma da mão esquerda pressionou a superfície gelada, e um frio penetrante atravessou instantaneamente a pele, atingindo os ossos do pulso. Tremendo, ele ergueu a cabeça e viu uma abertura à frente.
Era um lago gelado.
A água era negra como tinta, sem uma única ondulação na superfície, mas emanando um frio extremo. Uma névoa gelada, cinza e branca, pairou nas margens, mais densa do que em qualquer outro lugar da caverna, densa como algodão sólido. Uma figura se ergueu na névoe.
Mo Chen estava parado à beira do lago.
Seu rosto estava voltado para Lin Yi, aparecendo e desaparecendo na névoa gelada. Sua voz era áspera como pedras se raspando, cada palavra como um estilete de gelo perfurando os tímpanos:
**Entre.**
Pausa.
**Ou, eu detono aquela coisa no seu pulso agora, para poupá-lo de ser devorado por lobos na Caverna do Vento Negro.**
Lin Yi não se moveu.
Ele encarou a plataforma de pedra, encarou aqueles caracteres borrados, quase como se estivessem se contorcendo, e sua garganta ficou seca. Os dedos de sua mão esquerda tremeram levemente.
Mo Chen ainda estava de costas para ele, sua figura magra e seca em pé à beira do lago gelado, como um pedaço de madeira podre cravado no gelo. A água do lago era tão negra que sugava a luz; até mesmo o brilho fraco das runas nas paredes de rocha, ao cair sobre ela, afundava e desaparecia.
"Com medo?" A voz de Mo Chen flutuou até ele, plana, indistinguível se era uma pergunta ou uma afirmação.
Lin Yi inspirou profundamente. O ar gelado foi como uma lâmina, raspando sua garganta, perfurando seus pulmões. Ele tossiu duas vezes, expelindo um pouco de saliva com sabor metálico.
"Sim,"
A coluna de Lin Yi ficou rígida. Os ombros subiram até as orelhas, cada músculo gritava, alertando-o para se afastar da plataforma de pedra, do lago negro, do velho esquelético como um fantasma. Mas ele não se moveu. O ferimento em seu braço direito pulsava, lembrando-o de que o tempo era curto, os lobos da Caverna do Vento Negro não o esperariam, a contagem regressiva do anel de restrição não o esperaria.
Ele se curvou lentamente, apoiando a mão esquerda na borda da plataforma de pedra. A sensação gelada atravessou instantaneamente sua palma. Então, ele sentou-se nela.
O frio da pedra penetrou imediatamente através das roupas finas, infiltrou-se na pele e nos músculos, adentrou os ossos. Ele estremeceu, os dentes bateram um no outro, emitindo um leve som de "clac". Após se acomodar, ergueu a cabeça e olhou para Mo Chen.
"Como se faz?"
Mo Chen não respondeu.
Ele caminhou até o outro lado da plataforma, ficando de frente para Lin Yi através dela. A mão esquelética saiu da manga, palma para cima, os cinco dedos ligeiramente abertos. Não havia flutuação de energia espiritual, nem encantamentos recitados, mas o ar na câmara da caverna subitamente paralisou.
Os glifos fragmentados nas paredes rochosas brilharam simultaneamente.
Um halo azul-esverdeado se espalhou como ondas na água, varrendo a câmara da caverna, varrendo o lago frio, e finalmente convergindo acima da plataforma de pedra. Os halos se entrelaçaram, distorceram, gradualmente condensando-se em uma cortina de luz turva e trêmula. Dentro da cortina de luz, sombras se agitavam.
A respiração de Lin Yi parou.
Os lábios de Mo Chen não se moveram, mas sua voz soou diretamente na mente de Lin Yi, áspera, lisa, como lixa raspando sobre laje de pedra.
**Feche os olhos.**
Lin Yi não fechou. Ele encarou aquela cortina de luz, encarou as sombras que se agitavam dentro dela, os dedos cravando-se na borda da plataforma de pedra.
**Feche.** A voz de Mo Chen carregou um tom mais pesado, com uma pressão inquestionável. **A 'Ilusão do Coração Interrogado' não se vê com os olhos. Vê-se com isto—**
Seu dedo esquelético apontou para o espaço entre as sobrancelhas de Lin Yi.
**—aqui.**
O pomo de adão de Lin Yi se moveu. Ele fechou os olhos.
No instante em que a escuridão desceu, as sombras na cortina de luz lançaram-se sobre ele violentamente.
Não era visão. Era algo mais direto, mais brutal — uma sensação gelada, viscosa, com cheiro de ferrugem e queimado, que invadiu arrogantemente suas narinas, irrompendo em sua mente. Imediatamente após, os sons explodiram.
Gritos. Gritos de muitas pessoas. De homens, mulheres, velhos, crianças. Misturados, dilacerantes, como facas cegas raspando os tímpanos. Entremeados com o estalido "crack" de madeira queimando, o estrondo "crash" de telhas caindo, e... o som abafado de lâminas cortando carne.
O corpo de Lin Yi estremeceu violentamente.
Ele quis abrir os olhos, mas as pálpebras pareciam congeladas, imóveis. Quis tapar os ouvidos, mas as mãos não se levantavam. Aqueles sons, aqueles cheiros, ocuparam arrogantemente seus sentidos, arrastando-o para um turbilhão caótico, sangrento e escaldante.
Então, o tato chegou.
Uma mão. Fria, trêmula, mas excepcionalmente forte, agarrou seu braço, enfiando-o em uma fenda estreita e úmida. Aquela mão era familiar, a palma tinha calos finos de anos de trabalho duro, a articulação do dedo indicador tinha uma pequena cicatriz antiga — a mão de sua mãe.
"Yi'er... não faça um som... não faça nenhum som..."
A voz de sua mãe soou em seu ouvido, um sussurro, trêmula e descontrolada. Seus dedos apertaram seu braço com força, as unhas quase cravando-se em sua carne. Então, ela soltou. Fora da fenda, as chamas subitamente br
A voz não tinha origem, preenchendo todo o céu e a terra. Acompanhando o som, uma vaga silhueta de luz flutuava no ar, emitindo uma pressão opressiva que sufocava. A figura luminosa era muito tênue, não era possível distinguir o rosto, mas Lin Yi "viu" — o contorno da silhueta, o estilo da túnica taoísta, os intrincados padrões de nuvens e trovões nas mangas, e aquele ar de superioridade, tratando todos os seres como formigas.
O Verdadeiro Mestre Xuanyin.
A ilusão continuava. Mais fragmentos surgiam: o pai, Lin Zhenyue, segurando a espada e bloqueando o caminho diante do salão ancestral, sendo engolfado por várias sombras negras; os anciãos do clã formando uma formação para resistir, o escudo luminoso da matriz se fragmentando sob a chuva de raios dourados que caía do céu; os gritos das crianças cessando abruptamente... Caos, desespero, morte.
Então, todos os sons, imagens e cheiros repentinamente se contraíram, condensando-se em uma pergunta gelada, diretamente lançada nas profundezas da consciência de Lin Yi:
**Odeia?**
Odeia. Os dentes de Lin Yi rangiam, o sabor de sangue espalhando-se em sua boca.
**Quer se vingar?**
Quer. Quer despedaçar todos eles.
**Com o seu estado atual?**
...
**Se lhe derem poder, você os mataria? Até mesmo as mulheres e crianças que não sabiam de nada? Até mesmo os lacaios que apenas seguiam ordens?**
...
**E depois? Tornar-se outro 'deles'? Preencher-se com ódio, e finalmente...** A voz da ilusão fez uma pausa, o cenário mudou, tornando-se este lago morto e silencioso diante dele, aquela plataforma de pedra gelada, **congelar até a morte à beira deste lago, como aquele rapaz trezentos anos atrás?**
A consciência de Lin Yi gritava.
Ele via a si mesmo — na ilusão, sentado na plataforma de pedra, envolto por uma aura negra tão densa que parecia indissolúvel. Seu rosto estava distorcido, feroz, mas os cantos da boca exibiam um sorriso de satisfação. Os olhos refletidos na água do lago, vazios, cruéis, não eram diferentes... dos donos daquelas botas.
"Não..."
Lin Yi, na realidade, soltou um gemido. Ele arqueou o corpo, depois caiu pesadamente de volta na plataforma de pedra. O suor frio instantaneamente encharcou suas roupas, rapidamente tornando-se pegajoso e gelado no frio. O calor escaldante das chamas na ilusão e o frio glacial do lago na realidade travavam uma batalha dentro dele, uma dupla agonia de fogo e gelo, dilacerando cada nervo.
Lágrimas misturadas com suor frio escorriam por suas faces.
Ele cerrou os dentes, um rugido baixo de fera encurralada saindo de sua garganta, mas ele o reprimiu com força, não permitindo que o choro escapasse.
Não se sabia quanto tempo havia passado.
Talvez apenas um instante, talvez várias horas.
O peso que esmagava seu espírito desapareceu subitamente.
Lin Yi desabou na plataforma de pedra, como um saco de pele esvaziado de ossos. Ele respirava ofegante, cada inspiração trazendo uma dor dilacerante nos pulmões. Sua visão estava turva e dispersa, conseguindo apenas ver o contorno indistinto da parede rochosa acima, e a luz fria e fraca emitida pelos símbolos arruinados.
Mo Chen estava de pé à beira do lago, de costas para ele.
A figura do velho parecia especialmente magra na névoa fria que se espalhava, mas era como um rochedo imutável desde os tempos antigos.
"Entendeu agora?"
A voz de Mo Chen chegou, ainda plana, como se estivesse afirmando que o tempo estava frio hoje.
"Não foi uma vingança pessoal."
Ele fez uma pausa, cada palavra como uma pequena pedra, caindo uma a uma nas águas mortas do lago.
"Foi uma purga."
"A família Lin era apenas um nome pouco notável em uma lista."
Lin Yi desabou na plataforma de pedra, sua respiração como um fole estragado.
Cada inspiração trazia estilhaços de gelo do lago frio perfurando seus pulmões. O suor frio misturado com as lágrimas que ele não conseguira conter havia formado uma fina camada de gelo em seu rosto, esticando a pele. Ele encarava a parede rochosa acima, negra o suficiente para engolir a
"Só porque eu... nasci um pouco especial?"
"Só porque você tem a capacidade de enxergar 'coisas que não deveriam ser vistas'." Mo Chen corrigiu. "O Corpo de Nove Orifícios Iluminados, segundo os rumores, pode vislumbrar as fissuras do Caminho Celestial, e até... modificar os fundamentos das regras. Para o Departamento de Purificação do Mundo, essa possibilidade em si já é uma fagulha que precisa ser extinta."
"Então eles enviaram o Clã Xiao..." Lin Yi cerrou os dentes, a dormência em seu braço direito subindo pelo ombro. "Para matar todos?"
"O Clã Xiao são os executores e também os beneficiários." O tom de Mo Chen era como se estivesse falando do tempo. "Após eliminar o Clã Lin, eles assumiram trinta por cento das minas de Qingzhou, sete campos de espírito, e a posição do Clã Lin no Templo da Deriva Celestial. Quanto a quem realmente deu a ordem—"
Ele ergueu a mão, traçando um gesto no ar da névoa fria.
O nevoeiro cinza-esbranquiçado condensou-se em uma silhueta luminosa e indistinta. A figura humana pairou no ar, vestindo amplas vestes daoístas, seu rosto envolto em uma auréola majestosa e indiferente, impossível de distinguir. Mas aquela sensação de superioridade, de ver todas as coisas como meros objetos, Lin Yi a havia sentido na ilusão.
"Verdadeiro Mestre Xuan Yin." Ele pronunciou o nome, cada palavra parecendo ser moída entre os dentes. "Ele é do Departamento de Purificação do Mundo?"
"Ele é um dos administradores do ramo de Yunzhou do Departamento de Purificação do Mundo." Mo Chen dissipou a imagem luminosa. "Quando você o viu anteriormente no Salão da Disciplina, ele provavelmente já havia reconhecido as 'Correntes do Caminho Celestial' em você — aquela é uma restrição usada pelo Departamento para marcar alvos de alto risco. Ele não o matou na hora, mas sim o enviou para a Caverna do Vento Negro..."
Mo Chen fez uma pausa, um lampejo de ironia extremamente sutil passando por seus olhos cinzentos.
"Ou ele queria usar a matilha para resolver o problema, ou... nas profundezas da Caverna do Vento Negro, há algo que ele não quer que as pessoas se aproximem. E um 'rebelde contra o Céu' prestes a morrer é justamente a pedra de sondagem mais adequada."
A sensação gelada da plataforma de pedra penetrava através das roupas finas, infiltrando-se na medula.
Lin Yi lentamente ergueu o tronco. O braço esquerdo tremia, mas ainda funcionava. Ele usou o dorso da mão esquerda para limpar o rosto, pedaços de gelo misturados com sangue formando pequenas picadas na pele.
"Contar-me tudo isso," ele ergueu os olhos, olhando para Mo Chen, "o que você quer que eu faça?"
Mo Chen não respondeu imediatamente.
Ele caminhou até a beira do lago gelado, inclinou-se e pegou da água negra uma pedra do tamanho de um punho. A superfície da pedra estava coberta de buracos alveolares, dentro dos quais cristais de gelo azul-escuro haviam se formado. Segurando a pedra, ele esfregou levemente os cristais com os dedos.
"Você tem dois caminhos."
A voz era plana, como se estivesse declarando um fato.
"Primeiro: ocultação total. Abandone a vingança, apague o passado, encontre um canto onde ninguém possa encontrá-lo e sobreviva. A lista do Departamento de Purificação do Mundo é longa; contanto que você não revele mais anormalidades, com o tempo, eles podem considerar seu caso arquivado e não investigar mais. Você pode sobreviver — sobreviver como um rato num esgoto."
A respiração de Lin Yi travou por um instante.
"Segundo: imediatamente bater com o ovo na pedra. Pegue as informações que lhe dei, vá ao Salão da Disciplina do Templo da Deriva Celestial, e exponha Xuan Yin e o Departamento de Purificação do Mundo diante de todos. Você morrerá, morrerá terrivelmente, mas antes poderá gritar seus nomes. Intenso, limpo, como um mártir."
Mo Chen virou-se e colocou suavemente a pedra na borda da plataforma de pedra.
"Escolha."
O lago gelado estava silencioso como a morte.
Somente das profundezas mais extremas da água, ocasionalmente vinha um som de "crack" de gelo se comprimindo, como
“Vou sobreviver.” Ele disse, palavra por palavra. “Vou me tornar mais forte que Xiao Han, que Xuan Yin, mais forte que todos vocês. E então... de acordo com minhas próprias regras, vou acertar as contas com eles.”
Ele fez uma pausa e acrescentou:
“E como essa conta será acertada, eu decido.”
A caverna ficou novamente em silêncio, exceto pelo som de compressão do gelo nas profundezas do lago frio.
Mo Chen permaneceu onde estava, sua túnica cinza imóvel na névoa fria. Ele olhou fixamente para Lin Yi, e naquelas órbitas profundas, o olhar afiado como estalactite de gelo apresentou pela primeira vez uma sutil oscilação — não era aprovação, nem zombaria, mas mais como a observação de uma variável inesperada, porém interessante.
Muito tempo depois.
Ele emitiu um som muito leve, quase um riso abafado.
“Interessante.”
Mo Chen se virou, tirou um objeto da manga e o jogou casualmente. O objeto descreveu um arco no ar e caiu na plataforma de pedra com um leve ‘tum’.
Era um pequeno frasco preto. Não era de metal nem de jade, sua superfície era fria e lisa ao toque, parecendo o osso de alguma criatura das profundezas do mar.
“‘Erva da Congelação Sombria’ do fundo do Lago Frio.” A voz de Mo Chen voltou ao tom monótono. “Mastigue e aplique no ferimento do seu braço direito. Pode selar temporariamente a ‘aura da morte’ corrosiva, permitindo que sua mão esquerda se mova. A aplicação vai doer, como enfiar o braço inteiro num poço de gelo e quebrá-lo aos poucos — aguente.”
Lin Yi olhou para o frasco, sem se mover.
“Quanto à Caverna do Vento Negro...” Mo Chen fez uma pausa. “As presas do Rei Lobo talvez não sejam a única coisa que sirva para cumprir a tarefa.”
Lin Yi ergueu a cabeça bruscamente.
A figura de Mo Chen já começava a desvanecer, como tinta dissolvendo-se na água. A névoa fria envolvia-o, borrando seus contornos.
“Nas profundezas da caverna, há ‘coisas antigas’ que ‘eles’ não querem que sejam vistas.” As últimas palavras chegaram flutuando, leves como um suspiro. “Pese você mesmo.”
A sombra cinza dissipou-se completamente.
A antiga caverna do lago frio retornou ao silêncio mortal.
Lin Yi ficou sozinho ao lado da plataforma de pedra, segurando o pequeno frasco preto com a mão esquerda. A sensação gelada que emanava do frasco deixou seus dedos levemente dormentes. Ele olhou para baixo, para seu braço direito pendente — sob a manga, a pele já apresentava uma cor azulada e negra sinistra, e a sensação de dormência se espalhava lenta mas firmemente em direção ao ombro.
Ele lembrou-se das palavras de Mo Chen.
“Como enfiar o braço inteiro num poço de gelo e quebrá-lo aos poucos.”
Lin Yi puxou o canto da boca.
Ele destampou o frasco. Dentro havia algumas folhas de erva encolhidas, quase transparentes, com bordas cobertas por cristais de gelo finos, exalando um frio extremo, como se pudesse congelar a alma.
Sem hesitar.
Ele derramou uma folha na boca e mastigou com força.
No instante em que a folha se partiu, um frio extremo explodiu. Não era um frio gustativo, mas um conceito puro de “congelamento” que perfurava diretamente os nervos. A mucosa bucal perdeu a sensação instantaneamente, a língua ficou rígida como uma pedra. Ele forçou-se a continuar mastigando, até que a folha se transformasse numa pasta de fragmentos de gelo misturados com suco da erva.
Então, ele puxou a manga do braço direito.
O ferimento foi exposto à névoa fria — três arranhões profundos que chegavam ao osso, com as bordas da carne reviradas, de um cinza mortiço. Mais profundamente, podia-se ver fios finos azulados e negros se contorcendo entre a carne e o sangue, como trepadeiras vivas.
Lin Yi aplicou a pasta mastigada.
“Ugh—!”
Um gemido escapou por entre seus dentes cerrados.
Não era dor. Era algo pior que a dor — “desaparecimento”.
O braço direito começou a perder a sens
Embora ainda estivesse tremendo, os cinco dedos conseguiam se curvar, conseguiam fechar um punho. Ele se apoiou no corpo, encostou-se na plataforma de pedra, olhou para a mão esquerda que recuperava a sensibilidade, e depois para aquela camada de película de gelo azul-escura no braço direito.
Mo Chen não o havia enganado.
A Erva Yin Ning havia selado temporariamente a aura da morte.
O preço era que todo o braço direito agora parecia um picolé, completamente sem sensibilidade e capacidade de movimento. Mas pelo menos, a mão esquerda podia ser usada. Pelo menos, ele não ficaria completamente inutilizado por aquela aura da morte corrosiva, por ora.
Lin Yi levantou-se lentamente.
Ele apanhou o pequeno frasco preto do chão, guardou cuidadosamente o restante da Erva Yin Ning. Então, olhou para o fundo da caverna — aquele caminho acidentado, envolto em névoa fria, que levava na direção do Buraco do Vento Negro.
As últimas palavras de Mo Chen ecoavam em seus ouvidos.
"No fundo da caverna, há 'coisas velhas' que 'eles' não querem que as pessoas vejam."
"Pese você mesmo."
Lin Yi apertou a mão esquerda.
Ele já havia pesado.
As presas do Rei Lobo do Buraco do Vento Negro talvez não fossem a única coisa que pudesse servir como entrega. Mas aquelas "coisas velhas" no fundo da caverna, muito provavelmente, tinham conexões intrincadas com a "purificação" de sua família Lin, com o Departamento da Pureza Mundial, com o Verdadeiro Xuan Yin...
Dos cinco dias de prazo, um já havia passado.
Ele torceu a barra da roupa encharcada, enfiou o frasco da Erva Yin Ning no peito do casaco, e deu mais um passo adiante.
A névoa à frente parecia ainda mais densa.