Capítulo 30: Cinzas e Corpo Remanescente no Mar do Pecado
O sabor enchia sua boca, como ferrugem, denso e espesso. Lin Yi encostou-se a um pilar partido, a superfície fria da pedra pressionando sua coluna, cada tentativa de respirar como um soco brutal sob as costelas. Ele ergueu com esforço a mão direita — a que ainda estava inteira — e pressionou-a firmemente abaixo do ombro esquerdo. Entre os dedos, um líquido morno escorria, encharcando o manto externo dilacerado, pingando no chão de pedras cinzentas e empoeiradas. Ele precisava se mover. Não podia parar ali.
O rosto gentil e sorridente de Xiao Han emergiu novamente da escuridão. A voz clara, cada palavra como um estilete de gelo.
"Consentimento tácito... Ziyuan, seu pai concordou."
A imagem explodiu em seguida — chamas altas, vigas carbonizadas, as silhuetas de membros do clã fugindo em pânico. E antes disso, três anos atrás, na Grande Cerimônia do Dom Celestial, aquele clarão branco que dilacerou tudo, e no fim daquele clarão, os olhos do pai... olhos de alívio.
Não era uma metáfora. Havia algo realmente torcendo em suas entranhas, acompanhado por espasmos intermitentes vindos do braço esquerdo. O braço alterado agora jazia inerte, como um galho seco, frio e rígido que não lhe pertencia, mas os vasos sob a pele pulsavam de vez em quando, trazendo uma dor aguda e ardente, como se inúmeras agulhas incandescentes fossem cravadas nele.
A manga já estava em farrapos, a pele exposta marcada por padrões vermelho-escuros como veias de uma criatura viva, entrelaçadas, espalhando-se do ombro até o dorso da mão. Agora, esses padrões estavam opacos, apenas cintilando com uma luz vermelha quase imperceptível durante os raros espasmos.
Foi assim que Xiao Han o chamou. Um fio de vida, roubado das fendas das regras do Caminho Celestial.
Os dedos de Lin Yi batiam inconscientemente nas pedras sob ele, produzindo um som monótono e sufocante. Era o único ritmo de pensamento que ele ainda conseguia manter em meio à dor lancinante e à confusão.
Vingar-se de quem? Da família Xiao? Ou daquele... pai que concordou?
Ele puxou o canto da boca, sentindo mais sabor de sangue. Aquele clã Lin, uma família que podia sacrificar seu próprio filho em troca de "estabilidade", valia realmente a pena ser recuperado? E depois de recuperá-lo? Assumir o cargo manchado de sangue de patriarca, tornar-se o próximo Lin Zhenyue?
Não era um abismo real. Era a sensação de vazio frio que se espalhava das profundezas do coração quando a percepção desmoronava. Todas as suas lutas nos últimos três anos, toda a paciência, toda a humilhação e ressentimento que ele engoliu com os dentes cerrados no fundo do lago frio... afinal, o que os sustentava era apenas uma torre de areia já consumida por cupins.
A existência de Lin Yi, desde o início, era um "erro" que precisava ser corrigido.
Então, o que ele estava fazendo agora? Arrastando esta vida roubada, este braço alterado que até ele mesmo começava a estranhar, para onde, exatamente, nesta ruína silenciosa?
Provar para quem? Para aquele pai que já o havia abandonado? Ou para este suposto "Caminho Celestial" insensível e impiedoso que determinava sua vida e morte?
As pontas dos dedos da mão direita afundaram-se profundamente na palma, a dor aguda trazendo um breve momento de lucidez. Ele ofegou, o suor frio da testa misturado com sangue escorrendo para seus olhos, ardia.
Não era o vento. Era algo mais pesado, mais regular, fluindo lenta e inexoravelmente. Como a maré, mas mais fria do que a maré, mais... "ordenada". Onde passava, até os sussurros caóticos e os lamentos ilusórios que nunca se dissipavam nas ruínas eram subitamente silenciados, como se apagados por uma mão invisível.
Ele ergueu a cabeça com dificuldade, olhando para a borda das ruínas. À sua vista, os muros desmoronados e os escombros permaneciam, mas a "aura" peculiar do "Vazio Sombrio" no ar — uma mistura de decadência, poeira e fracos fluxos caóticos de energia espiritual — estava sendo rapidamente "alisada". Como um papel amassado, forçado
Mais precisamente, caiu sobre seu braço esquerdo alterado.
Aquele olhar não parecia estar observando uma pessoa, nem mesmo um ser vivo. Era mais como olhar para uma mancha que não deveria existir em um objeto, ou um erro em um volume que precisava ser circulado com tinta vermelha.
Não era medo. Era algo mais fundamental — a sensação de esmagamento que surge da própria essência da vida quando a própria existência é "observada" por uma existência de nível superior. O ar ao redor tornou-se espesso, envolvendo seu corpo com firmeza, tornando cada tentativa de inspirar extremamente difícil. Todos os sons desapareceram, um silêncio absoluto desceu, restando apenas as batidas lentas, pesadas e retumbantes de seu próprio coração dentro do peito.
O ancião pisou no solo dos escombros. Seus passos eram leves, mas traziam uma sensação estranha de peso; onde passava, até mesmo as pedras quebradas no chão pareciam se "organizar" um pouco, não mais caóticas.
A distância era perfeita, nem muito longe nem muito perto, mantendo tanto o olhar de superioridade quanto deixando espaço suficiente para a "purificação".
A voz não era alta, mas ressonante e solene, cada palavra parecia carregar um peso invisível, caindo nesse silêncio forçadamente "ordenado".
Ele fez outra pausa, seu tom agora carregado de uma certeza semelhante a uma sentença.
"O Caminho Celestial tem suas leis, todas as coisas têm sua ordem. Tu carregas a marca do roubo, perturbas o destino, deves sofrer purificação."
Ele entendeu cada palavra, mas quando combinadas, pareciam o delírio mais absurdo. Purificação? Apagá-lo como aquelas sombras ilusórias do Vazio Sombrio? Com que direito?
Ele abriu a boca, tentando falar, mas só saiu um som rouco e ofegante. Sua garganta estava seca como fogo, misturada com o sabor de sangue. Ele engoliu com força, a ponta da língua sentiu mais sabor metálico, então mordeu com força.
Um breve momento de clareza rompeu o entorpecimento causado pela pressão opressiva.
Ele ergueu a cabeça, enfrentando o olhar indiferente do Verdadeiro Xuanyin. Sua voz tremia de dor e de alguma emoção reprimida ao extremo, mas palavra por palavra, ele as lançou com clareza.
"Apagar-me... como apagou essas ilusões?"
O olhar do Verdadeiro Xuanyin não vacilou nem um pouco, como se o questionamento de Lin Yi fosse apenas uma brisa leve tocando a superfície da água. Ele ajustou levemente a gola de sua já impecável vestimenta taoísta, o gesto descontraído, carregando um certo senso de ritual.
A voz ainda calma, mas permeada por uma força de lei inquestionável.
"Teu pai, Lin Zhenyue, para buscar a continuidade do clã e seu próprio avanço, fez um pacto com a Ordem, consentindo tacitamente na eliminação das 'variáveis'."
Embora já tivesse ouvido de Xiao Han, embora seu coração já tivesse suspeitado em setenta ou oitenta por cento, quando as palavras "pacto" foram ditas de forma tão clara, tão "legítima", pela boca do Verdadeiro Xuanyin, a sensação ainda foi como um cinzel de gelo, cravando-se nas ruínas de sua percepção que apenas começavam a desmoronar.
O Verdadeiro Xuanyin continuou, seu tom sem alegria nem tristeza, como se estivesse lendo uma sentença já escrita há muito tempo.
"Tua existência é uma violação do pacto, um desafio à Ordem."
Ele fez uma breve pausa, seu olhar pousando no rosto pálido mas com os dentes cerrados de Lin Yi, como se estivesse observando a reação final dessa "anomalia".
"Submeter-se, e tua alma residual poderá entrar no ciclo de reencarnação, lavar seus pecados, retornar à circulação da Ordem."
Sua voz baixou um pouco, o ar ao redor parecia solidificar ainda mais.
Quatro palavras, leves como penas, mas carregando uma força de dez mil jun, pressionando Lin Yi quase até a falta de ar. A dor pungente e a sensação de "encolhimento" em seu braço esquerdo se intensificaram, os padrões vermelho-escuros até se contorceram levemente, como se estivessem com medo, tremendo.
Então... sua existência era, em si, um erro? Um bug que precisava ser corrigido? Até mesmo o pai que lhe deu vida... concordou naquele pacto gelado?
Lin Yi olhou para aquela mão excessivamente limpa, para aquela centelha de "compaixão" gelada nos olhos do Verdadeiro Mestre Xuan Yin. De repente, todo o tremor, toda a fúria, todo o desespero... recuaram como uma maré.
Uma calma que surge no fundo mais profundo do abismo, quando se pisa em rocha sólida e fria.
Tudo isso, como o fogo mais intenso, irrompeu de uma vez. O que queimou não foi seu corpo, mas os últimos resquícios de fraqueza e confusão em seu coração, que nem ele mesmo havia percebido completamente.
Ele nem precisava mais viver pelo objetivo de "vingança".
Tudo isso era uma prisão. O ódio era uma prisão, o reconhecimento dos outros também era uma prisão. Até mesmo a obsessão de "recuperar tudo o que perdeu" era apenas outra prisão mais refinada.
Depois que o fogo se consumiu, o que ficou exposto foi a camada de rocha mais primitiva e dura, sob as ruínas.
Lentamente, muito lentamente, ele exalou um ar pesado que estava preso em seu peito. Tinha um forte cheiro de sangue e um certo... sabor de poeira assentada.
Esse simples movimento puxou todas as feridas em seu corpo, especialmente sob as costelas e no braço esquerdo. Uma dor aguda o atingiu, fazendo suor frio brotar instantaneamente em suas têmporas. Seu corpo balançou, mas ele se manteve firme. Sua perna direita recuou meio passo, apoiando-se em um pilar quebrado, estabilizando seu centro de gravidade.
Em seu olhar, não havia mais a confusão, a luta, a fúria de antes, nem medo. Restava apenas uma calma pura, quase fria, e, profundamente escondida sob essa calma, uma pequena chama que começava a queimar, fraca, mas incrivelmente firme.
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin pareceu perceber algo. Aquela "compaixão" desapareceu de seus olhos, retornando à completa indiferença, com até mesmo um toque de escrutínio.
A voz de Lin Yi estava rouca, mas excepcionalmente estável, cada palavra clara e distinta, caindo no ar silencioso.
"Você... e todos vocês..."
Ele fez uma pausa, como se quisesse saborear cuidadosamente a palavra.
"Determinaram meu pai como o pacto, determinaram a mim como o erro, determinaram que meu clã deveria ser exterminado."
Ele balançou a cabeça, um movimento leve, mas carregado de um peso imenso.
"Não."
"As regras de vocês, a justiça de vocês, o 'certo' de vocês..."
Ele olhou diretamente para o Verdadeiro Mestre Xuan Yin.
"Para mim, não passam de merda."
As sobrancelhas do Verdadeiro Mestre Xuan Yin franziram-se, quase imperceptivelmente.
Mas Lin Yi sorriu. Não era um sorriso distorcido, nem desesperado. Era um sorriso... quase de alívio, com um leve toque de desdém.
"Você veio aqui, não foi? Para me 'salvar'."
"É para me fazer admitir o erro, me aprisionar, e então desaparecer... com lágrimas de gratidão."
Lentamente, ele moveu a mão direita para longe da ferida sob as costelas. A mão estava cheia de sangue, parecendo escuro sob a luz fraca. Ele a limpou casualmente em suas vestes rasgadas e, então, levantou aquele braço esquerdo que sempre estivera inerte, encolhido, espasmódico.
No braço esquerdo, aqueles padrões vermelho-escuros que antes estavam opacos, mortos, apenas ocasionalmente espasmódicos, de repente... ganharam vida.
Não era a "vida" violenta e descontrolada de antes. Era como uma cobra em hibernação sentindo a primavera, como um rio congelado ouvindo o fluxo subterrâneo. Os padrões começaram a brilhar, não mais com uma luz vermelha piscante e caótica, mas com um brilho estável, profundo, como lava fluindo na escuridão da noite, um halo vermelho-escuro.
O halo se espalhou ao longo dos veios dos padrões, lenta mas firmemente, conectando-se, formando finalmente sob a pele uma "rede" completa, ordenada, como se tivesse seu próprio ritmo de vida.
Uma sensação quente e pulsante, gradualmente sincronizada com as batidas do coração, surgiu das profundezas do braço, substituindo o frio, a picada e o "encolhimento" anteriores. Aquela força não mais tentava rasgá-lo
Os fragmentos de pedra pararam de rolar, a poeira suspensa no ar. O mundo inteiro foi silenciado, restando apenas uma sensação sufocante, como se um punho invisível apertasse o coração.
Uma figura humana desceu lentamente do céu, pisando em degraus invisíveis.
Seu manto taoísta, branco como a lua, estava imaculado, sem um grão de poeira. As mangas e a gola eram bordadas com padrões de nuvens prateadas, simbolizando o ciclo celestial, tudo impecável. O rosto do ancião era inexpressivo como um poço antigo, suas rugas pareciam valas gravadas com uma régua, cada uma exalando uma autoridade e distância inquestionáveis. Seu olhar desceu, não para o rosto de Lin Yi, mas para o braço esquerdo, semi-oculto por roupas rasgadas e coberto por estranhas marcas escuras e sinuosas.
Naquele olhar não havia desprezo, nem raiva, nem mesmo curiosidade.
Havia apenas um exame puro, como se olhasse para uma "mancha" que precisava ser limpa, um "erro" fora de lugar que precisava ser corrigido.
Não era o medo de enfrentar um inimigo poderoso, mas uma esmagadora sensação de diferença nos níveis de vida e na essência da existência. Seu corpo gravemente ferido gemeu sob essa pressão avassaladora, cada ferida gritando. As marcas silenciosas e alteradas em seu braço esquerdo agora transmitiam uma dor ardente e penetrante, como se fossem queimadas por um ferro invisível. A "coisa" sob sua pele encolhia-se, tremia, como se tivesse encontrado um predador natural.
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin pousou no chão, a apenas três zhang de distância de Lin Yi.
Seus pés não fizeram som, nem mesmo perturbaram um grão de poeira. Ele ficou ereto, como uma régua cravada nos escombros, forçando o caos ao redor a se tornar um domínio ordenado e centrado nele.
"Anomalia." Ele falou, sua voz calma, mas carregando uma força de lei inquestionável. Cada palavra parecia ter peso, caindo no ar silencioso e sobre as defesas vacilantes do coração de Lin Yi. "Marca da Transgressão."
Lin Yi cerrou os dentes, a ponta da língua pressionando o céu da boca, tentando resistir à pressão avassaladora que quase esmagava seus ossos. Sua garganta estava cheia do sabor do sangue.
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin continuou, seu tom estável como se estivesse lendo um estatuto já escrito: "O Caminho Celestial tem suas constantes, todas as coisas têm sua ordem. Tu carregas a marca do roubo, perturbando o destino. Deves ser purificado."
As pontas dos dedos de Lin Yi enterraram-se profundamente em suas palmas, a dor aguda trazendo um breve momento de lucidez. Ele levantou a cabeça com dificuldade, os ossos de seu pescoço emitindo um leve rangido, e uma voz rouca escapou por entre seus dentes cerrados: "Purificado? Como apagar essas ilusões... me apagar?"
Ele respirou fundo, a dor aguda sob as costelas fazendo seus olhos escurecerem. "Com que direito?"
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin ajustou as mangas de seu manto, que já não tinham uma única ruga, seu movimento despreocupado e preciso. Seu olhar finalmente se ergueu, encontrando o de Lin Yi. Aqueles olhos não tinham emoção, apenas uma superfície congelada de lago, refletindo a chamada "Verdade Suprema do Caminho Celestial".
"Pelo Caminho Celestial, que é justo." Ele disse. "Teu pai, Lin Zhenyue, para buscar a continuação centenária de seu clã e o avanço de seu próprio caminho, há três anos, na noite da Grande Cerimônia da Dádiva Celestial, fez um pacto com a Ordem. O pacto estipulava que a família Lin ofereceria a causa e efeito do 'Espírito Radicular Inato Pleno' em troca de recursos e proteção, e consentiu tacitamente que a Ordem eliminasse quaisquer 'variáveis' que pudessem surgir dessa ação."
Cada palavra era como um picador de gelo envenenado, cravando-se na percepção já crivada de buracos de Lin Yi.
"Tu, és essa variável." A voz do Verdadeiro Mestre Xuan Yin não tinha inflexão, como se estivesse declarando o fato do sol nascer no leste. "Tua própria existência é uma violação do pacto, um desafio à ordem estabelecida. Portanto, a punição celestial desceu, pretendendo apagar-te junto com a causa e efeito.
O estômago se contorceu como um novelo de fio. Lin Yi sentiu uma forte náusea, o sabor metálico do sangue em sua boca se tornando ainda mais intenso. Ele fitou com ferocidade o rosto inexpressivo do Verdadeiro Xuan Yin, a túnica taoista branca-lunar que representava a "ordem" e o "correto".
Era isso o "Caminho Celestial" que ele uma vez ansiou e reverenciou? Era isso o "grande panorama" que seu pai estava disposto a sacrificar seu próprio filho para proteger?
Uma prisão construída com contratos gélidos, regras impiedosas e a chamada "grande justiça". E ele, desde o início, estava trancado dentro dela, sendo até mesmo esperado que aceitasse de bom grado caminhar para o altar sacrificial.
Vendo seu silêncio, o Verdadeiro Xuan Yin suavizou levemente o tom, mas com um significado de controle mais profundo e inquestionável: "Considerando tua juventude, e que esta marca de rebeldia talvez não tenha sido intencionalmente despertada por ti. O Caminho Celestial é misericordioso, concedendo-te uma linha de esperança."
Ele ergueu a mão direita, palma para cima, e uma luz branca pura e suave, mas contendo um poder aterrorizante de supressão, surgiu lentamente.
"Dispersa o poder anômalo, sela teu espírito divino, e segue-me de volta ao Pagode de Supressão de Demônios do clã. Com cem anos de cultivo puro, purifica as impurezas da tua alma, retornando ao ciclo da ordem. Esta é a última misericórdia que o Caminho Celestial te concede."
A luz branca refletia nos olhos serenos e imperturbáveis do Verdadeiro Xuan Yin, e também no rosto pálido como papel de Lin Yi, onde algo gradualmente desabava e depois se reformava.
Dispersar todo o poder, selar o próprio espírito divino, ser trancado como gado no Pagode de Supressão de Demônios, usar cem anos para "se arrepender" de não dever estar vivo, para "ser grato" por essa suposta misericórdia?
Era esse o "destino final" que ele obteve após lutar contra o céu para mudar seu destino, esforçando-se até aqui, coberto de feridas?
A verdade que seu pai tacitamente permitiu, as regras impiedosas do Caminho Celestial, o "erro" definido de sua própria existência... Tudo isso, ao contrário, era como o mais ardente fogo selvagem, queimando violentamente as últimas dúvidas, fraquezas e o derradeiro vestígio de apego às ilusões de "reconhecimento paterno" e "pertencimento familiar" que restavam em seu coração.
Um abismo se abriu sob seus pés, e ele parou na borda, olhando para baixo. O que via não era devoração, mas sim... liberdade. Uma liberdade de queda.
O riso era rouco, seco, mas carregava uma estranha e quase aliviada calma. Ele não tentou mais resistir àquela pressão avassaladora. Em vez disso, lentamente, com extrema dificuldade, apoiou-se no pilar frio e quebrado atrás de si com a mão, e pouco a pouco, levantou seu corpo gravemente ferido da posição reclinada.
Os ossos gemiam, as feridas se rompiam, e o sangue morno novamente encharcava as roupas rasgadas. Cada movimento causava uma dor lancinante, como se fosse dilacerar sua carne.