Capítulo 33: A Prisão do Coração Manchada de Tinta
O portal de luz parecia um pano amassado.
Lin Yi caiu de lá.
O pé esquerdo tocou o chão primeiro, afundando em uma lama úmida e fria. A frieza subiu pelo tornozelo. Ele balançou, se firmou. A visão ainda não estava completamente clara – os vestígios do espaço de provas ainda grudavam em sua retina, eram runas douradas oscilantes e fumaça preta enquanto o demônio interior se dissipava.
Ele inspirou.
O ar frio tinha cheiro de terra, e de… ferrugem.
Não.
Era cheiro de sangue.
Em seguida, a sensação de tremor veio.
Não vinha de fora, vinha de dentro – das profundezas de sua alma, de algum lugar que acabara de ser marcado. Uma onda fria, pesada, com uma sensação de ser observado, como tinta pingando em água limpa, se espalhando incontrolavelmente de seu corpo para fora.
Seus pelos se arrepiaram.
Quase ao mesmo tempo –
O som do ar sendo rasgado.
Afiado a ponto de ser estridente. Uma corrente envolta em runas douradas disparou das sombras à direita, mirando direto em sua garganta. As runas na corrente explodiram em um brilho dourado ofuscante sob a luz fraca, como ferro em brasa.
Lin Yi se jogou para trás.
O movimento foi um pouco lento. Seu corpo ainda mantinha a sensação de exaustão após a provação, os músculos pesados como chumbo. A corrente passou raspando pela ponta de seu nariz, o vento cortante que ela gerou arranhou seu rosto, uma dor ardente.
Ele viu aquele rosto.
Venerável Xuanyin.
Parado a vinte passos de distância, as vestes taoístas impecáveis, as mangas bordadas com padrões de nuvens e runas de supressão. Mas aquele rosto – aquele rosto sempre hipócrita e cheio de ar de julgamento – agora estava distorcido por uma luz quase de êxtase. Os olhos arregalados, as pupilas refletindo Lin Yi, e também refletindo a marca cinza-claro que acabara de surgir na testa de Lin Yi, visível apenas para cultivadores de alto nível.
“Encontrei!”
A voz do Venerável Xuanyin ecoou como um trovão, explodindo nas áreas abertas ao redor das ruínas. Cada palavra carregada com energia espiritual, vibrando os tímpanos de Lin Yi.
“Ladrão que rouba os céus e desafia o destino!”
A corrente curvou no ar, virou e atacou novamente. Desta vez eram três, bloqueando os caminhos superior, médio e inferior. A luz das runas se fundiu, o ar ecoou com um som fino e crepitante, como gelo se formando.
Lin Yi tentou se mover.
Suas pernas não obedeciam. A pressão espiritual vinda da marca da alma o pressionava como um bloco de chumbo, tornando seu pensamento lento e pesado. Ele viu mais ao longe – a figura de Mo Chen emergindo de uma pilha de pedras caídas, seu rosto magro mostrando uma rara mistura de choque e fúria. Shi Meng, de outro lado, erguendo uma pedra do tamanho de uma mó sobre a cabeça, um rugido bestial saindo de sua garganta.
Mas estavam muito longe.
As correntes chegaram.
A mais próxima mirava direto em seu peito. Lin Yi conseguia até ver as linhas prateadas que fluíam nas runas, representando a regra de “aprisionamento” – elas se contorciam como seres vivos, tecendo uma rede invisível.
O cheiro da morte soprou em seu rosto.
Então, seu braço esquerdo queimou.
Não eram chamas reais. Eram os padrões dourado-escuros – que se estendiam de seu pulso até o ombro, enrolando-se como vinhas em todo seu braço – que de repente ficaram escaldantes. Um “entendimento” estranho forçou seu caminho para sua mente.
Ele “viu”.
Não a corrente, não as runas. Era a linha – aquela linha prateada, representando a regra de “aprisionamento”. Ela fluía no centro das runas, fina como fio de aranha, mas sustentando toda a estrutura do feitiço.
Agarre-a.
Não havia tempo para pensar. Lin Yi rugiu, lançando toda sua vontade – junto com a sensação opressiva da marca da alma – contra seu braço esquerdo. Ele agarrou o ar em direção à corrente mais próxima.
Não para agarrar a corrente.
Para
Lin Yi estava de joelhos no chão, a dor lancinante em seu braço esquerdo ainda persistia. Ele respirava ofegante, o suor frio da testa misturando-se com a lama e pingando. No limite de sua visão, Mo Chen já havia se precipitado para uma posição a três passos à sua frente, seu corpo magro e esquelético parecendo um muro bloqueando o caminho entre ele e o Verdadeiro Mestre Xuan Yin.
Shi Meng também se aproximou, as ataduras em seu braço esquerdo já encharcadas de sangue, mas ele agarrou outra pedra com a mão direita, os nós dos dedos ficando brancos.
"Mestre..." Lin Yi tentou falar, sua garganta cheia de sabor metálico de sangue.
Mo Chen não se virou.
O velho apenas ergueu a mão direita, fazendo um gesto de "pare". Sua mão esquerda pendia ao lado do corpo, pontas dos dedos com uma fina energia espiritual se condensando — não para atacar, mas para desenhar algo no chão. A velocidade era extremamente rápida; Lin Yi só conseguia distinguir alguns símbolos distorcidos.
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin riu.
Aquela risada era suave, mas cortante como um estilete de gelo.
"Mo Chen," ele disse, o tom de voz retomando aquela sensação tranquila de julgamento, "você acha que consegue bloquear?"
Ele deu um passo à frente.
Suas vestes daoístas se moveram sem vento. A pressão da energia espiritual no ar subiu abruptamente, como uma montanha lentamente tombando. Lin Yi sentiu um aperto no peito, sua respiração tornando-se difícil. A sensação gelada da marca da alma ficou mais pesada, como se houvesse um par de olhos observando de um lugar muito alto e distante, registrando tudo.
O último símbolo desenhado por Mo Chen estava completo.
O chão brilhou levemente.
Uma barreira de um cinza pálido, como ondas na água, se expandiu a partir do centro dos símbolos, envolvendo uma área de cinco passos ao redor dos três. A barreira era fina, quase transparente, mas quando a pressão invisível do Verdadeiro Mestre Xuan Yin colidiu com ela, dissipou-se como se tivesse atingido algodão.
"Interdição dos Segredos Celestiais." O Verdadeiro Mestre Xuan Yin ergueu uma sobrancelha, um traço de surpresa em sua voz. "Você até isso lhe ensinou?"
Mo Chen permaneceu em silêncio.
Ele apenas inclinou levemente a cabeça, lançando um olhar de relance para Lin Yi com o canto do olho. Aquele olhar era complexo — havia preocupação, advertência, e um traço de... cansaço? — que Lin Yi não conseguia decifrar.
Shi Meng cuspiu um bocado de saliva ensanguentada.
"Velho careca," ele disse com voz rouca. "Se vai lutar, lute. Tanta conversa fiada."
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin ignorou-o.
Seu olhar pousou sobre Lin Yi, como se examinasse uma raridade preciosa, ou como se inspecionasse uma contaminação que precisava ser eliminada.
"Infrator do Destino," ele começou lentamente, cada palavra soando como a leitura de uma sentença. "Roubando a autoridade do Caminho Celestial, perturbando a ordem estabelecida. Sua própria existência é uma profanação ao 'equilíbrio'."
Lin Yi apoiou-se nos joelhos, levantando-se lentamente.
A dor no braço esquerdo ainda estava lá, mas havia se transformado em uma sensação constante e ardente de dormência. Ele encarou o Verdadeiro Mestre Xuan Yin, deliberadamente desacelerando sua fala.
"E daí?"
A voz estava rouca, mas firme.
"Portanto," o Verdadeiro Mestre Xuan Yin ergueu a mão direita, palma para cima. Uma esfera de relâmpago puramente branco começou a se condensar, crepitando, iluminando cada linha gelada em seu rosto. "Você deve ser eliminado."
O relâmpago explodiu.
Não era um, mas sete — dispostos na forma da Constelação da Ursa Maior, rasgando o ar e desabando sobre a barreira cinza. Cada raio estava entrelaçado com finos padrões prateados — linhas de regras de "purificação" e "aniquilação".
A barreira tremeu violentamente.
O corpo de Mo Chen balançou. A velocidade com que sua mão esquerda desenhava os símbolos aumentou, sangue começando a escorrer de suas pontas dos dedos, misturando-se ao solo. A cor da barreira escureceu um pouco, mas rachaduras já começavam a aparecer nas bordas.
Shi Meng rugiu, arremessando a pedra em suas
“Não se distraia.”
O Verdadeiro Xuan Yin observou aquela cena, e pela primeira vez sua expressão facial mudou.
Não era raiva, nem surpresa.
Era... interesse.
“Usar o próprio corpo como escudo.” Ele murmurou baixinho, como se estivesse comentando uma performance. “Mo Chen, você valoriza essa ‘semente’ ainda mais do que eu imaginava.”
Ele retraiu a mão direita.
O relâmpago se dissipou. A pressão também começou a recuar lentamente. Mas ele não recuou, apenas ficou parado no lugar, seu olhar alternando entre Lin Yi e Mo Chen.
“Uma pena.” Disse ele. “Você não consegue protegê-lo.”
À distância, nas montanhas e florestas, subitamente soou o barulho frenético de asas de pássaros em pânico.
Uma grande nuvem de sombras negras e densas ergueu-se no céu, fugindo em todas as direções. Em seguida, vários espíritos de força variada — alguns frios e investigativos, outros com malícia nua, outros puramente curiosos — como tentáculos invisíveis, varreram o campo de batalha vindos de diferentes direções.
Um calafrio percorreu a espinha de Lin Yi.
Aquela sensação... era como ser lambido por uma cobra venenosa.
O Verdadeiro Xuan Yin sorriu.
Desta vez, um sorriso genuíno.
“Ouviram?” Ele abriu os braços, sua voz subindo abruptamente, não mais direcionada apenas aos três, mas proclamando para toda a ruína, para todas as existências escondidas nas sombras —
“O Contrariador do Destino apareceu!”
“Aquele que rouba a autoridade do Caminho Celestial é inimigo de todos sob o céu!”
“Todo cultivador do caminho correto que o vir deve eliminá-lo!”
Cada palavra estava envolta em uma vasta energia espiritual, ecoando entre as montanhas como badaladas de sino. Assustando mais pássaros, fazendo a neve remanescente nos galhos cair.
Ele olhou para Lin Yi, o fervor em seus olhos acendendo novamente, misturado com uma missão quase sagrada.
“A mensagem já foi enviada.”
“A grande batalha—”
“vai começar.”
Quando a última palavra caiu, à distância soou um longo e agudo toque de trompa.
Não era do lado do Verdadeiro Xuan Yin.
Vinha de uma floresta mais profunda, carregando uma aura antiga, primitiva.
O rosto de Shi Meng empalideceu.
“Droga...” Ele murmurou. “Tem mais gente?”
Mo Chen finalmente virou a cabeça e olhou para Lin Yi.
Não havia nada naquele olhar — nenhuma censura, nenhum medo, nem mesmo dor. Apenis uma calma profunda e insondável. Então, ele ergueu o dedo ensanguentado e traçou mais algumas palavras no ar:
「Vá.」
「Agora.」
Lin Yi olhou para aquelas duas palavras.
Depois olhou para o ferimento no ombro de Mo Chen, que ainda sangrava. Olhou para o braço de Shi Meng encharcado de sangue. Olhou para atrás do Verdadeiro Xuan Yin — lá, várias figuras vestindo uniformes de diferentes seitas estavam saindo lentamente das sombras da floresta.
Algumas empunhavam espadas, outras faziam sinais com as mãos, outras apenas observavam friamente.
De todos os lados.
Ele respirou fundo.
O cheiro de terra no ar, o cheiro de sangue, e aquela sensação de opressão gelada vinda da marca da alma, tudo misturado, enchendo seus pulmões.
Ele balançou a cabeça.
“Não vou mais.”
A voz estava rouca, mas cada palavra era como uma pedra atirada na lama.
A testa de Mo Chen franziu levemente.
Lin Yi não esperou por mais palavras. Ele deu um passo à frente, posicionando-se ao lado de Mo Chen, ombro a ombro com ele. Então virou a cabeça e olhou para Shi Meng.
“Irmão Shi.”
Shi Meng mostrou os dentes em um sorriso, manchados de vermelho.
“Já devia ter dito isso antes.”
Lin Yi virou a cabeça novamente, encarando o Verdadeiro Xuan Yin, encarando as figuras que estavam se fechando ao redor. Os padrões dourado-escuros em seu braço esquerdo começaram a esquentar novamente, uma dor familiar e dilacerante começou a se formar.
Mas ele não recuou.
“Mestre.” Ele disse baixinho, as palavras dirigidas a Mo Chen, mas seus olhos fixos à frente. “Incomodei vocês.”
Uma pausa.
Depois —
“Mas esta batalha que começou por minha causa...”
Ele ergueu a mão esquerda. Os cinco dedos abertos, apontados para a
“A própria regra.” A mão de Mo Chen pressionou seu próprio ombro, sangue escorrendo entre os dedos, mas sua expressão não mudou. “Você roubou a autoridade, rasgando uma fenda na ordem. A fenda precisa ser reparada, ou... marcada como um ‘erro’ que deve ser eliminado.”
Os caracteres se dissiparam, condensando-se em novos.
“A partir de agora, a desgraça o acompanhará, sem lugar para se esconder.”
O som do vento parou subitamente.
Não, não parou — todos os sons foram suprimidos. A voz do Verdadeiro Mestre Xuan Yin rolou como um trovão sobre as ruínas, carregada com a pressão de poder espiritual, fazendo os tímpanos latejarem.
“O Destino Inverso apareceu no mundo, roubando a autoridade do Caminho Celestial, é inimigo de todos sob o céu!”
Lin Yi ergueu a cabeça bruscamente.
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin estava a trinta passos de distância, suas vestes taoístas agitando-se sem vento. Ele havia sido repelido alguns passos pelo “roubo” de Lin Yi momentos antes e agora estava regulando sua respiração, mas o fervor em sua voz não diminuiu em nada. Ele juntou as mãos em um selo, um pilar de luz dourada pálida disparou de suas palmas para o céu, explodindo no alto e se transformando em incontáveis fragmentos de luz que se espalharam em todas as direções.
“Todo cultivador do caminho reto que o avistar deve eliminá-lo!”
Os pontos de luz, como sementes de dente-de-leão, voavam cada vez mais longe.
“A mensagem já foi enviada.” O Verdadeiro Mestre Xuan Yin baixou as mãos, a boca se curvando em um arco frio. “Uma grande batalha está prestes a começar.”
Shi Meng cuspiu um cuspe ensanguentado. “Porra... talismãs de transmissão?”
“Sinal espiritual de amplo alcance.” Mo Chen condensou palavras novamente, desta vez mais pálidas. “Dentro de um raio de trezentos *li*, todos os postos de observação dos clãs, bases de cultivadores errantes, redes de inteligência... receberão.”
A ponta dos dedos de Lin Yi bateu inconscientemente em sua própria coxa.
Uma vez, duas vezes.
O ritmo era lento, como se estivesse contando batimentos cardíacos. Ele olhou para a distância — além das ruínas havia montanhas desoladas contínuas, árvores secas como ossos negros perfurando o céu cinza e branco. Um momento antes, tudo estava morto e silencioso; agora, algo havia despertado.
A leste, um bando de pássaros levantou voo, assustado.
A oeste, veio uma leve flutuação de poder espiritual, muito fraca, mas com um sabor de investigação, como uma língua de cobra lambendo a pele.
Ao norte também. Ao sul também.
De todas as direções.
“Eles estão olhando,” disse Lin Yi, sua voz plana. “Esperando uma oportunidade.”
“Esperando que morramos.” Shi Meng arreganhou os dentes, seu sorriso feroz. “Ou esperando que nos mutilemos, para então virem catar os restos.”
O ombro de Mo Chen afundou mais um pouco. Gotas de sangue pingaram no chão, formando uma pequena poça. Ele olhou para Lin Yi, sua expressão tão complexa que Lin Yi não conseguia decifrar — havia preocupação, culpa, um cansaço quase desesperado, mas no fundo, parecia haver um traço de... alívio?
Como se uma sentença aguardada por muito tempo finalmente tivesse caído.
“Enquanto a marca existir, você sempre será um alvo.” Mo Chen condensou palavras rapidamente, a caligrafia desleixada. “Vá, agora. Posso detê-lo por dez respirações.”
Lin Yi não se moveu.
Ele encarou o sangue no ombro de Mo Chen, encarou aquelas consciências espirituais frias que varriam de todas as direções. O ar estava impregnado do cheiro úmido da terra, do odor metálico do sangue e de algo mais sutil — as ondulações da regra, como círculos se espalhando na superfície da água.
Os padrões em seu braço esquerdo começaram a queimar novamente.
Desta vez não era uma dor aguda, mas uma sensação sutil e persistente de queimação, como se carvão estivesse enterrado sob a pele. Ele conseguia “sentir” aquelas consciências espirituais — não suas posições específicas, mas a “pressão” que traziam. Algumas eram gananciosas, outras cautelosas, outras puramente maliciosas e bisbil
A pressão espiritual no ar era como uma cola pegajosa, mas ele respirava com força, os pulmões dilatando até doer.
"Pelo menos hoje, tenho meu mestre à minha frente e meus irmãos ao meu lado." Sua voz não era alta, mas cada palavra parecia bater no chão. "Esta batalha começou por minha causa, então eu ficarei aqui e lutarei. Se não conseguir vencer, é o destino. Se conseguir..."
Ele não terminou.
Mas Mo Chen entendeu. O tremor nos ombros do velho parou por um instante, então, ele acenou levemente com a cabeça.
Aquele aceno não continha aprovação, nem encorajamento, apenas um reconhecimento pesado, quase melancólico.
Shi Meng riu alto.
"Já era tempo!" Ele cuspiu o último fio de sangue, apertou os punhos, os nós dos dedos estalando. "Vão se foder! Um velho careca, um bando de ratos escondidos — mesmo que eu morra hoje, vou arrancar alguns dentes deles!"
A expressão de Zhenren Xuan Yin escureceu completamente.
Ele não mais regulava sua respiração, juntou as mãos, e a energia espiritual ao redor começou a convergir freneticamente. Um zumbido baixo ecoou no ar, como se uma máquina colossal estivesse aquecendo. Raios dourados emanaram de seu corpo, transformando-se em inúmeros padrões de runas densas, entrelaçando-se no ar para formar uma enorme rede.
"Teimosos e ignorantes." Sua voz era gelada. "Então deixem que vocês... morram compreendendo."
A rede começou a se contrair.
Ao mesmo tempo, as percepções espirituais que espiavam à distância, de repente, ficaram agitadas. A flutuação a leste aumentou abruptamente, do oeste veio o som de roupas cortando o ar, e ao norte, um brilho espiritual de um artefato sendo ativado desapareceu num piscar.
Eles não podiam mais esperar.
A sensação de queimação no braço esquerdo de Lin Yi piorou subitamente. Ele apertou os dentes, forçando-se a ignorar a dor, seu olhar varrendo os arredores — a rede dourada de Zhenren Xuan Yin estava descendo, sua borda já tocando o chão, e por onde passava, a terra e as pedras eram silenciosamente reduzidas a pó.
E mais além, pelo menos quatro ou cinco ondas diferentes de energia espiritual estavam se aproximando rapidamente.
Algumas gélidas, outras violentas, outras carregando uma ganância mal disfarçada.
"Costas contra costas." Mo Chen formou as três últimas palavras.
Lin Yi se virou, e com Shi Meng, um à esquerda, outro à direita, protegeram Mo Chen no meio. As costas dos três se tocaram, podendo sentir os batimentos cardíacos acelerados um do outro, o calor dos corpos, e o sangue úmido que continuava a escorrer do ombro de Mo Chen.
A rede dourada estava a dez zhang acima de suas cabeças.
O zumbido fazia o couro cabeludo arrepiar.
Zhenren Xuan Yin flutuava no ar, suas vestes daoístas esvoaçando, seu olhar como se visse três cadáveres. "Heréticos que desafiam o destino, submetam-se e pereçam—"
"Pereçam sua vó!"
Shi Meng rugiu, socando o chão com o punho. Terra e pedras explodiram, uma onda turva de energia amarelo-terrosa subiu furiosamente, colidindo com força contra a rede dourada. A rede não se moveu, mas a velocidade de contração diminuiu um pouco.
Apenas esse instante.
Lin Yi levantou o braço esquerdo, os cinco dedos abertos, mirando o nó mais denso da rede dourada.
Ele "viu".
Não com os olhos — era aquela percepção estranha trazida pelos padrões em seu braço esquerdo. A rede dourada não era física, era uma tecelagem de regras. Cada linha dourada era uma ordem de "confinamento" e "aniquilação", entrelaçadas numa gaiola inescapável.
Mas mesmo a tecelagem mais perfeita tem nós.
O nó é onde as linhas das regras se encontram, é o ponto mais forte, e também... o mais frágil. Porque ali é onde mais ordens se concentram; uma vez interferido, o equilíbrio de toda a estrutura desmorona.
Como a engrenagem mais precisa de uma máquina.
Trave-a, e toda a máquina para.
"Roubar."
Lin Yi sussurrou roucamente.
Na medula de seu braço esquerdo, aquelas incontáveis agulhas finas espetaram de uma vez. A dor explodiu, sua visão escureceu, mas seus ded
Eram dois, vestindo roupas de seitas diferentes, uma túnica verde e outra cinza. Eles mantinham uma distância um do outro, claramente não estavam juntos, mas tinham o mesmo alvo — os olhos de ambos estavam fixos em Lin Yi, como se estivessem olhando para um tesouro ambulante.
Do norte, chegou uma risada leve.
Uma mulher de vestido rosa, com traços encantadores, surgiu de trás de uma árvore, brincando com uma tábua de jade na mão. Ela não olhou para Lin Yi, mas sim para o Verdadeiro Xuan Yin, com um sorriso nos lábios.
"Verdadeiro Xuan Yin, um barulho tão grande e você não avisa?" Sua voz era doce e melosa. "Quase me fez perder o espetáculo."
O rosto do Verdadeiro Xuan Yin ficou cinza.
"Você é da pessoa de Yun Zhi?" Ele perguntou friamente.
"Ai, ancião, não diga bobagens." A mulher cobriu a boca e riu. "Esta humilde serva apenas estava passando, vendo a movimentação."
Mas sua consciência espiritual já havia silenciosamente se enrolado em volta de Lin Yi.
Como teias de aranha, pegajosas, sombrias e geladas.
Do sul, por enquanto, não havia movimento.
Mas Lin Yi conseguia sentir — havia algo lá. Não era uma pessoa, mas algo mais sutil, como uma sombra no fundo de um lago profundo, aguardando silenciosamente o momento mais caótico.
Nove espadas douradas ainda pairaram sobre suas cabeças.
As bestas do leste, os dois cultivadores do oeste, a mulher de vestido rosa do norte e a ameaça desconhecida do sul.
E diante dele, o Verdadeiro Xuan Yin, cujo desejo de matar fervia.
O sangue de Mo Chen ainda pingava.
A respiração de Shi Meng era pesada como um fole.
A sensação de queimação no braço esquerdo de Lin Yi já havia se espalhado até o ombro, as linhas douradas escuras sob a pele pareciam ter ganhado vida, se contorcendo levemente. Ele conseguia "ouvir" o zumbido das regras, "ver" aquelas intenções assassinas entrelaçadas, "sentir" a malícia fluindo de todos os lados.
Como paredes se fechando.
Não havia mais saída.
Ele inspirou profundamente, reprimindo o sabor metálico na garganta, e parou de bater com os dedos.
"Mestre." Ele sussurrou, sem se virar. "Ainda consegue lutar?"
Mo Chen ficou em silêncio por um segundo.
Então, o velho, com a mão direita não ferida, desenhou rapidamente um padrão no chão. Não eram palavras, mas um padrão de formação complexo, com linhas afiadas e um significado resoluto.
Terminando, ele deu uma palmada nas costas de Lin Yi.
Uma vez.
Forte.
O significado era: consigo.
Shi Meng cuspiu, mostrando um sorriso cheio de ferocidade. "Minha vida hoje está apostada aqui!"
O Verdadeiro Xuan Yin não perdeu mais tempo.
Ele moveu o dedo.
As nove espadas douradas se moveram simultaneamente — três perfuraram em direção a Lin Yi, três cortaram em direção a Shi Meng, três miraram diretamente Mo Chen. A luz das espadas rasgou o ar, emitindo um som agudo, deixando sulcos profundos no solo por onde passaram.
Quase ao mesmo tempo.
As bestas do leste dispararam, flechas azuladas indo direto para as costas de Lin Yi.
Os dois cultivadores do oeste também se moveram, o homem de túnica verde lançou três lâminas de vento, o homem de cinza invocou um espelho de bronze, a luz do espelho se fixou no ponto entre as sobrancelhas de Lin Yi.
A mulher de vestido rosa do norte riu levemente, a tábua de jade saiu de sua mão, transformando-se em uma névoa rosa, espalhando-se silenciosamente.
A sombra do sul finalmente se moveu.
Sem som.
Mas as linhas no braço esquerdo de Lin Yi doeram subitamente — era o cheiro da morte.
Ele sorriu.
Realmente sorriu.
Então, ele deu um passo à frente com o pé esquerdo, ergueu o braço esquerdo, abriu os cinco dedos, não apontando para as espadas douradas, nem para as flechas das bestas, nem para as lâminas de vento, a luz do espelho, a névoa rosa ou a sombra —
Mas para este céu e terra.
Para aquelas linhas de
“A mensagem... já foi enviada.” A voz do Mestre Xuan Yin soou novamente, desta vez com uma solenidade judiciosa. “Dentro de um raio de cem li, todos os clãs e seitas registrados do Caminho Correto receberão a projeção do ‘Decreto de Execução do Caminho Celestial’. Lin Yi, não há mais escapatória para você.”
Shi Meng cuspiu: “Que merda de Caminho Correto! Você—”
“Irmão Shi.” Lin Yi o interrompeu, sua voz anormalmente calma, tão calma que ele mesmo se sentiu estranho. Seu olhar caiu sobre a floresta montanhosa escura atrás do Mestre Xuan Yin. Lá, os pássaros assustados ainda não haviam pousado, e mais ruídos fragmentados vinham de diferentes direções — o estalo de galhos secos quebrando, o farfalhar de roupas esfregando, e uma onda fria de energia espiritual, deliberadamente contida mas ainda assim vazando.
As paredes estavam se fechando.
Isso não era uma metáfora. Lin Yi podia sentir claramente que, à medida que o Mestre Xuan Yin completava seus gestos de mão, certas “paredes” intangíveis, de nível regulatório, estavam lentamente tomando forma. Não eram entidades físicas, mas sim uma “definição” do espaço e da energia espiritual — esta área estava sendo marcada como uma “gaiola” ou, talvez, um “campo de caça”. O ar começou a ficar pesado, cada respiração era como engolir um líquido espesso.
“Ele está montando uma formação.” As palavras de sangue de Mo Chen surgiram novamente. “‘Rede Celestial e Malha Terrestre’, uma formação de aprisionamento e assassinato usada apenas para cercar criminosos de alto nível... Ele está esperando reforços.”
O braço esquerdo de Lin Yi começou a latejar novamente, não a dor agulhada da agulha na medula, mas uma dor surda mais profunda, como se sua alma estivesse sendo apertada por fios invisíveis. Era o aviso da “Marca do Caminho Celestial” e também algum tipo de... orientação? Ele fechou os olhos, forçando-se a ignorar a dor intensa, e direcionou sua percepção para aquelas “paredes” em formação.
Ele “viu”.
Linhas prateadas densas e entrelaçadas, como uma teia de aranha, irradiavam dos pés do Mestre Xuan Yin. Cada linha seguia uma trajetória fria e precisa, tecendo as regras de “confinamento” e “bloqueio”. Elas não eram entidades físicas, mas mais mortais do que qualquer grade de ferro. Uma vez completamente fechadas, esta área se tornaria uma terra desolada, isolada do exterior, com a energia espiritual esgotada, e até mesmo os talismãs de teletransporte falhariam.
Mas Lin Yi também “viu” outra coisa.
Nos pontos de interseção daquelas linhas prateadas, alguns nós brilhavam um pouco menos do que os outros, e sua operação continha uma leve, quase imperceptível, hesitação. Como uma máquina precisa com poeira em uma engrenagem.
Não era um descuido do Mestre Xuan Yin. Lin Yi podia sentir que as direções correspondentes àqueles nós eram justamente as direções de onde vinham as ondas anômalas de energia espiritual — aquelas terceiras forças ocultas. Sua observação, sua interferência energética, involuntariamente deixaram algumas “brechas” minúsculas e quase imperceptíveis nessa “Rede Celestial e Malha Terrestre”.
“Mestre.” Lin Yi não abriu os olhos, sua voz muito baixa. “‘O Direito do Primeiro Roubo’... pode roubar parte das regras de uma formação? Não destruir, apenas... ‘emprestar’ temporariamente uma abertura?”
Mo Chen ficou em silêncio por um instante. As palavras de sangue surgiram: “Custo?”
“O braço esquerdo pode ficar inutilizado.” Disse Lin Yi, sem emoção discernível em seu tom. “Ou a corrosão da marca pode se intensificar.”
“O custo é maior.” As palavras de sangue de Mo Chen surgiram mais rapidamente. “A formação está ligada à mente do conjurador. Se você roubar as regras, é como atacar diretamente sua consciência espiritual. Ele perceberá imediatamente e contra-atacará com tudo. Você não aguentará.”
“Não preciso aguentar por muito tempo.” Lin Yi abriu os olhos, seu olhar varreu as direções distantes daquelas ondas. “Apenas um momento de caos, uma abertura que faça aqueles ‘
Mochen emitiu um grunhido abafado e ergueu a mão abruptamente, seus dedos finos e secos traçando linhas rápidas no ar. Símbolos dourados pálidos surgiram do nada, tentando formar uma barreira. Mas mal se solidificaram, sob a erosão daquela "intenção de morte", rapidamente escureceram e desintegraram-se. O ferimento em seu ombro rompeu-se novamente, sangue tingindo metade de sua vestimenta.
Shi Meng rugiu, arremessando com toda força a enorme pedra em suas mãos. A rocha, envolta em um vento violento e cortante, voou em direção à luz da espada, mas a apenas três pés da ponta da lâmina, silenciosamente transformou-se em pó, dissipando-se no ar.
Lin Yi não se moveu.
Toda sua atenção estava concentrada nos padrões dourados escuros em seu braço esquerdo, nos pontos de interseção daquelas linhas prateadas, naqueles nós "apagados". A espada do Verdadeiro Xuan Yin era um golpe mortal, mas também uma cobertura — no momento em que ele canalizou toda sua força para ativar a "Rede Celestial" e atacar com a "intenção de morte", a operação de toda a formação atingiu um pico, e a estagnação daqueles nós também foi amplificada.
Agora.
A mão esquerda de Lin Yi estendeu-se abruptamente, não para agarrar a luz da espada que se aproximava, mas para um canto discreto e sombreado do chão, trinta passos à sua esquerda. Ali estava a projeção no solo de um nó crucial das linhas prateadas.
"Roubar — a autoridade de 'aprisionamento'!"
Não houve som, não houve luz. Apenas os padrões dourados escuros em seu braço esquerdo explodiram subitamente em um brilho dourado ofuscante. Os padrões contorceram-se e espalharam-se como seres vivos, instantaneamente cobrindo todo seu braço, estendendo-se até seu ombro e pescoço. Dor! Mais intensa do que qualquer outra antes, como se inúmeros ganchos incandescentes estivessem rasgando sua carne, separando seus ossos, e uma força fria, carregando a vontade do "Caminho Celestial", fluía inversamente através dos padrões, corroendo sua alma.
Ele triturou a ponta da língua, o sabor metálico do sangue explodindo em sua boca, usando dor para combater dor, mantendo o último fio de lucidez.
Sucesso? Fracasso?
No instante seguinte, a resposta revelou-se.
Trinta passos à esquerda, no solo coberto por sombras, o ar distorceu-se subitamente. Em seguida, uma linha de regras prateada, originalmente invisível e intangível, conectada a um nó da "Rede Celestial", "rompeu-se" no ar. Não foi destruída, mas... desapareceu. Como se alguém tivesse usado uma borracha para apagar uma linha em uma tela.
No ponto de ruptura, apareceu um "vazio" instável, do tamanho de uma palma. Dentro dele, a paisagem normal da floresta, não aprisionada pela formação, era visível, e até uma leve brisa noturna podia ser sentida saindo de lá.
Embora fosse apenas do tamanho de uma palma, embora fosse extremamente instável, prestes a ser reparado automaticamente pela formação a qualquer momento.
Mas ele existia.
A postura da espada do Verdadeiro Xuan Yin sofreu uma pausa extremamente sutil, quase imperceptível. Suas sobrancelhas franziram-se pela primeira vez de verdade, um lampejo de fúria incrédula cruzando seus olhos. Não por causa daquela abertura insignificante, mas porque — ele sentiu claramente que uma pequena parte de sua mente conectada à formação havia sido "roubada". Como se alguém tivesse usado a faca mais afiada para arrancar um fragmento do tamanho de um grão de arroz de sua consciência completa.
Essa sensação, muito mais do que a destruição da formação, enfureceu-o, fazendo-o... sentir um frio indescritível.
"Ladrão!" ele rosnou, sua voz finalmente perdendo a solenidade despreocupada, adquirindo um tom metálico e áspero. "Como ousa
A "Rede Celestial" que o Verdadeiro Mestre Xuan Yin havia disposto, originalmente destinava-se a aprisionar e matar os três — Lin Yi e seus companheiros — isolando qualquer interferência externa. Mas agora, Lin Yi, de uma maneira quase autodestrutiva, havia rasgado uma pequena abertura na "rede". E as várias forças que se escondiam nas sombras, como tubarões sentindo o cheiro de sangue, imediatamente se lançaram sem hesitação! O que eles queriam roubar? O segredo do "Rebelde do Destino"? O valor de pesquisa da "Marca do Caminho Celestial"? Ou simplesmente aproveitar a confusão para tirar uma parte dos espólios das mãos do Verdadeiro Mestre Xuan Yin, ou... sabotar esta operação de eliminação do "Caminho Celestial"?
Ninguém sabia. Mas o caos era a única chance para os três.
"Qual direção?" Shi Meng perguntou ofegante, apertando os punhos, seu olhar se movendo rapidamente entre os vários pontos de explosão. O lado oeste tinha artefatos estranhos, o leste estava envolto em névoa venenosa, o norte tinha marionetes ferozes... Nenhuma parecia uma boa escolha.
Os caracteres de sangue de Mo Chen riscaram o chão, apenas duas palavras: "Para o leste."
"Névoa venenosa?" Lin Yi franziu a testa.
"Principalmente ilusão." Os caracteres de sangue de Mo Chen explicaram. "Estilo... da Tecelã de Sonhos. Ela pode... estar criando caos, perturbando."
Yun Zhi? A imagem daquela mulher indolente, sedutora, cujo sorriso nunca alcançava os olhos, passou pela mente de Lin Yi. Ela estava aqui? O que ela queria?
Não havia tempo para pensar. O Verdadeiro Mestre Xuan Yin já havia forçado a reprimir sua fúria. A Espada do Castigo Celestial mudou de direção, não mais mirando Lin Yi, mas desferindo um golpe no ar em direção ao primeiro artefato escuro em forma de lança que havia voado! Um raio de relâmpago puramente branco rasgou o céu noturno, atingindo com precisão o artefato em forma de lança.
"Boom—!"
Uma luz ofuscante e uma onda de choque violenta de explosão se espalharam, fragmentos escuros do artefato voando para todos os lados. Mas ao mesmo tempo, a névoa venenosa rosa do lado leste já havia se espalhado para muito perto, um odor doce e enjoativo atingindo-os, fazendo a cabeça girar com apenas uma respiração. As marionetes de pedra do norte também haviam chegado atrás do Verdadeiro Mestre Xuan Yin, seus enormes punhos de pedra desferindo golpes brutais!
O Verdadeiro Mestre Xuan Yin foi forçado a dividir sua atenção. Sua mão esquerda formou um selo, uma barreira de luz amarelo-terrosa surgiu, resistindo ao golpe das marionetes. A barreira balançou violentamente, e seu corpo também estremeceu levemente.
Agora era a hora!
"Vamos!" Lin Yi gritou baixinho. Ele e Shi Meng, um à esquerda, outro à direita, levantaram Mo Chen. Os três, como flechas disparadas, correram em direção à névoa venenosa rosa do lado leste, que parecia a mais perigosa!
A névoa venenosa estava logo à frente, o cheiro doce quase sufocante. Lin Yi prendeu a respiração. A dor aguda em seu braço esquerdo e a friagem que corroía sua alma faziam sua visão escurecer em ondas, mas ele cerrou os dentes com força e entrou.
A corrosão e dor intensa que ele esperava não vieram imediatamente. A névoa era mais fina do que imaginava, a visão obstruída, mas não completamente impossível. Mais estranho ainda, no momento em que ele entrou na névoa, um som feminino extremamente suave, rouco e magnético, de repente soou em seus ouvidos, como se sussurrasse bem próximo