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O grupo se movia com uma lentidão desesperadora.
O chão de pedra azulada estava polido e brilhante por incontáveis solados. A névoa matinal, misturada a uma aura espiritual rarefeita, infiltrava-se fria e úmida pelo colo da grosseira túnica de linho de Lin Yi. Ele mantinha a mão direita recolhida dentro da manga, onde o símbolo azul-sombrio em sua palma transmitia uma dor ardente e nítida – quanto mais se aproximava das imensas colunas cobertas de padrões de formação no interior do portão da montanha, mais profunda se tornava a dor, como se agulhas incandescentes se revirassem lentamente sob sua pele.
Havia ainda uma dezena de pessoas à sua frente. A maioria eram jovens, alguns com roupas reluzentes, outros com remendos sobre remendos, amontoados em frente a algumas mesas de madeira toscas. Atrás das mesas, discípulos da seita externa erguiam os olhos, examinando-os com um olhar que parecia pesar gado.
Lin Yi respirava suavemente. A cada inspiração, a antiga ferida abaixo das costelas, corroída pelas "Correntes do Caminho Celestial", latejava de forma ácida. A fraqueza trazida pelo símbolo do contrato ainda não havia recuado, seus membros pesados como se encharcados de chumbo. Mas ele se mantinha ereto, a coluna sem um único arqueio.
Esta era a oportunidade que Mo Chen havia obtido com sua "dívida de favor". E também o contrato que ele próprio selara com seu próprio sangue.
Não podia cair aqui.
"Próximo!"
A voz veio da mesa mais à direita. O responsável por aquela mesa era um discípulo vestido de azul, com cerca de vinte e sete ou vinte e oito anos, postura reta, dedos longos e finos. Ele estava usando um lenço branco para limpar meticulosamente uma mancha vermelho-escura no canto da mesa – não se sabia se era sangue de alguém, ou tinta vermelha seca.
Lin Yi se aproximou.
Ele tirou do peito a placa de ferro gelada. A superfície era áspera, as bordas enferrujadas, e no centro estavam gravadas cinco caracteres tortos: "Recomendação para Servente de Tianyan". Ele colocou a placa sobre a mesa.
O discípulo de azul não a pegou imediatamente.
Primeiro, ergueu os olhos, seu olhar deslizando do rosto pálido de Lin Yi para a túnica de linho grosseira e desbotada, e então para os sapatos de pano encharcados de lama, com as solas quase gastas. Seu olhar era calmo, até mesmo com um toque de sorriso gentil.
A pele de Lin Yi se contraiu.
Como um sapo encarado por uma cobra venenosa.
"Recomendação para Servente?" O discípulo de azul finalmente falou, sua voz clara e melodiosa, como o fluxo de um riacho na montanha. Ele estendeu dois dedos, pegou a placa de ferro, e as pontas dos dedos esfregaram sua superfície. "Esta coisa... há quanto tempo não via uma."
Enquanto falava, o polegar esquerdo girava inconscientemente um anel de jade na base do dedo. A cor do jade era suave e morna.
Lin Yi mantinha os olhos baixos, sua visão fixa na superfície da mesa. A mesa de pedra era gelada, o frio penetrando através da manga fina. Ao redor, o barulho era intenso: vozes de discussão, pressa, risadas ocasionais, tudo misturado em um zumbido de fundo. Mas ele conseguia sentir – alguns olhares pousavam em suas costas. Com escrutínio. Com um desprezo que não se dava ao trabalho de disfarçar.
"Nome?"
"Lin Yi."
"Onde obteve esta placa?"
"Oferecida por um ancião."
"Um ancião?" O discípulo de azul deu uma risada leve, tão suave, mas que penetrou os ouvidos como um picador de gelo. "Que tipo de ancião ofereceria algo assim a você?"
Lin Yi ergueu os olhos.
Os olhares dos dois se encontraram pela primeira vez. Os olhos do discípulo de azul eram brilhantes, mas nas profundezas de suas pupilas parecia haver uma fina camada de gelo. Ele sorria, a curva de seus lábios perfeita, mas aquele sorriso não alcançava de forma alguma o fundo de seus
A respiração de Lin Yi estava um pouco desordenada. A dor aguda em seu dantian ainda não havia se acalmado, e os padrões do contrato ainda queimavam fracamente. Ele conseguia sentir que a força dos padrões, naquele momento de resistência, havia consumido muito — seu corpo já debilitado agora estava ainda mais pesado.
Mas ele ergueu a cabeça e olhou diretamente para o outro.
“A placa é verdadeira.”
O discípulo de vestes verdes o encarou por dois segundos.
Então, ele sorriu. Desta vez, o riso continha um traço de desdém que não tentava disfarçar.
“Claro que é verdadeira.” Ele soltou os dedos que seguravam a placa de ferro, deixando-a cair de volta sobre a mesa com um “toc”. “Uma indicação para servente, por mais velha que seja, ainda é uma placa.”
Ele tirou uma placa de madeira áspera de debaixo da mesa e a jogou casualmente. A placa girou no ar, e Lin Yi estendeu a mão para pegá-la. A superfície era áspera, as bordas tinham farpas, e no centro estavam gravadas duas palavras tortas:
Ding Mo.
“Grupo Ding Mo,” disse o discípulo de vestes verdes, sua voz retomando a clareza suave e gentil de antes, como se estivesse declarando um fato perfeitamente comum. “A última categoria. O local da prova fica no extremo oeste, sigam as bandeiras.”
Ele fez uma pausa, inclinou-se ligeiramente para frente e baixou a voz.
O som era como uma cobra a rastejar pelo ouvido.
“Boa sorte, do Grupo Ding Mo…” Ele curvou os cantos da boca e soltou as duas últimas palavras, “lixo.”
Lin Yi apertou a placa de madeira em sua mão.
As farpas de madeira perfuraram sua palma, misturando-se à dor ardente dos padrões. Ele não disse nada, apenas guardou a placa Ding Mo, virou-se e saiu.
Após alguns passos, ele ainda conseguia sentir aquele olhar gelado, como um prego cravado em suas costas.
No final da praça, várias bandeiras amarelas gastas tremulavam ao vento. Debaixo delas, já se reuniam mais de dez pessoas, todas com roupas esfarrapadas, rostos amarelados e magros. Alguns agachavam-se no chão, roendo rações secas, outros olhavam perdidos para os outros grupos mais reluzentes e bem-vestidos à distância, seus olhos cheios de inveja e medo.
Grupo Ding Mo.
A última categoria.
Lin Yi caminhou até a bandeira, encontrou um canto e sentou-se encostado na parede. Fechou os olhos, ajustou a respiração, tentando reprimir a dor lancinante que fervia em seu dantian. O calor dos padrões na palma de sua mão direita estava lentamente diminuindo, mas aquela sensação de esvaziamento, de fraqueza, ficava cada vez mais clara.
O contrato de Mo Chen teve um preço maior do que ele imaginava.
E aquele discípulo de vestes verdes de pouco antes…
Lin Yi abriu os olhos e olhou para a mesa de madeira do outro lado da praça. O discípulo de vestes verdes já havia retomado sua aparência gentil e descontraída de antes, sorrindo enquanto atendia o próximo inscrito. Ao falar, seu polegar esquerdo ainda girava suavemente o anel de jade.
Xiao Han.
Lin Yi lembraria desse nome.
“Dang—!”
Um som grave de sino ecoou subitamente das profundezas do portão da montanha. O som do sino era profundo, carregando uma certa pressão que penetrava os tímpanos, instantaneamente suprimindo todo o barulho da praça.
Todos se levantaram.
Vários discípulos supervisores vestindo mantos cinzas saíram de dentro do portão da montanha, olhando impassivelmente para a multidão na praça.
“A prova começa.” A voz do líder era seca, como duas pedras raspando uma na outra. “Formem filas por grupo, entrem no ‘Caminho do Demônio do Coração’.”
As filas começaram a se mover para frente.
Lin Yi seguiu a bandeira gastada do Grupo Ding Mo, caminhando em direção a uma entrada de vale envolta em névoa branco-acinzentada no lado oeste da praça. Quanto mais se aproximava, mais intensa ficava a dor ardente dos padrões em sua palma, quase queimando através da pele e da carne. A maioria dos membros do Grupo Ding Mo ao redor andava de cabeça baixa, passos vacilantes, ninguém falava.
Apenas respirações pes
O som penetrou diretamente no crânio, moendo a medula óssea. As ilusões das correntes surgiram nas chamas, cada uma grossa como o braço de uma criança, a superfície coberta de espinhos sinistros, perfurando, centímetro a centímetro, a partir da posição do seu dantian, agitando, arrastando órgãos internos invisíveis.
"Ugh..."
Lin Yi ajoelhou-se com um joelho, os dedos cravando-se profundamente no chão. O que as pontas dos dedos tocaram não foi rocha, mas terra queimada, escaldante e cheia de cinzas.
A ilusão estava crescendo.
Era como uma trepadeira viva, enrolando-se em sua consciência, encontrando com precisão cada cicatriz antiga, rasgando-a com força. A dor excruciante, fria e escaldante sobreposta, quando as correntes o perfuraram durante a punição celestial três anos atrás. As figuras dos membros do clã caindo, o sangue que era dele, manchando a roupa do pai quando ele se virou. E ainda mais antigo, nebuloso, os dedos gentis da mãe cantando canções de ninar, que por fim se tornaram pulsos frios, que nunca mais se moveriam.
Cada tipo de dor era ampliado, repetido em ciclo.
"Não está certo..."
Lin Yi cerrou os dentes, sangue escorrendo entre as fendas, o sabor salgado e metálico explodindo na ponta da língua. Ele tentou mobilizar o mantra de acalmar a mente, aquele básico que todos que tentavam cruzar o limiar do cultivo memorizavam. Mas assim que a intenção surgiu, a dor ilusória da corrente no dantian intensificou-se abruptamente, como uma cobra venenosa despertada, mordendo com força.
O símbolo do contrato queimou em sua palma.
Um brilho azul escuro lutou sob a pele, tentando resistir à ilusão invasora. Mas essa luz, diante das chamas e correntes avassaladoras, era fraca como uma vela prestes a apagar no vento. Pior ainda, a cada vez que o símbolo resistia, ele podia sentir claramente — algo dentro de seu corpo sendo sugado.
Energia espiritual? Ele já não tinha mais energia espiritual.
Era algo mais fundamental. Quente, fluído, algo que sustentava as batidas do coração.
Vitalidade.
"Desafiador do Céu... afunda... para sempre..."
O zumbido das correntes convergiu em frases indistintas, enchendo seus ouvidos. Os gritos dos outros candidatos vinham das profundezas da névoa, ora próximos, ora distantes, como um coro em decomposição ao fundo. Alguém gargalhava, alguém chorava, alguém murmurava repetidamente confissões.
Lin Yi apoiou-se no chão, tentando levantar-se.
Os joelhos estavam fracos. As bordas de sua visão começaram a escurecer. As ilusões das chamas e correntes tornavam-se cada vez mais claras, os gritos da mãe cada vez mais urgentes, quase gritando em seus ouvidos.
Foi então que —
A dor ardente do símbolo na palma, de repente, mudou.
De uma queimadura pura, tornou-se uma pulsação rítmica. *Thump. Thump. Thump.* Lenta, pesada, como um coração que não era seu.
A dor ilusória das chamas queimando a pele tornava-se cada vez mais real, ele até conseguia cheirar o odor de carne queimada. A força das correntes agitando aumentava, como se a qualquer momento fossem esmagar completamente seu dantian.
Métodos convencionais não funcionavam. O mantra de acalmar a mente era uma piada. Resistir? Sua consciência já começava a se dissipar, o rosto ensanguentado da mãe e as costas frias do pai piscando alternadamente, cada vez fazendo seu coração sentir como se tivesse sido atingido por um martelo.
Ele precisava quebrar a situação.
Romper essa jaula feita sob medida para ele.
Lin Yi fechou os olhos, inspirou profundamente — inspirando uma boca cheia de fumaça escaldante e cheiro de sangue. Ele não resistiu mais à dor ilusória, não tentou mais afastar a consciência. Pelo contrário, forçou o último fragmento de lucidez remanescente a afundar.
A afundar na raiz da dor.
No profundo do dantian.
Lá já não era mais ruína. Quando o símbolo do contrato foi gravado, ele havia "visto" — os resquícios negros da erosão das correntes, como um leito de rio seco, ocupando as raízes espirituais quebradas. Os padrões azul escuro do símbolo se estendiam da palma,
No zumbido das correntes, misturava-se um som agudo e dissonante.
_"Me dá..."_
A vontade de Lin Yi rugiu, usando a última força para pressionar toda a dor, todo o medo, toda a raiva gelada espremida do desespero, contra o ponto de conexão prestes a desabar.
_"... Abre!"_
Nas profundezas da consciência, soou um estalido nítido, como vidro se quebrando.
A base do mundo percebido rachou, abrindo uma fissura.
A cena infinita de chamas e correntes diante de seus olhos, como uma pintura violentamente rasgada, desabou ao meio, abrindo uma fenda negra, distorcida, coberta por rachaduras radiais. Através da fenda, ele viu o que estava atrás — rochas ásperas e cinzas, neblina úmida e fluida, esbranquiçada e cinzenta.
O caminho real de pedra.
A fenda era instável, suas bordas se contorcendo e se fechando constantemente.
Lin Yi abriu os olhos abruptamente — ainda estava de joelhos, mas sob ele havia rochas frias e úmidas da montanha. O cheiro de sangue no nariz e na boca era tão denso que parecia intransponível, sangue morno ainda fluía para fora. Na palma da mão direita, a luz do símbolo do contrato havia se apagado completamente, restando apenas a dormência após a queimadura sob a pele e um esgotamento profundo e sem fundo.
Ele se levantou cambaleante, cada músculo gritando de dor. A visão embaçada, zumbido incessante nos ouvidos. Mas ele conseguiu ver à frente, onde a névoa se dissipava um pouco, uma trilha estreita e íngreme da montanha se estendendo para cima, desaparecendo na névoa mais densa.
Ele tropeçou em direção àquela fenda e, antes que ela se fechasse completamente, se espremeu para fora.
Rochas frias da montanha bateram em seu ombro, ele cambaleou alguns passos e caiu de bruços no chão, sem forças, a face pressionada contra a superfície áspera e úmida da rocha, respirando ofegantemente. Cada respiração trazia o sabor de sangue e ferrugem. A consciência era como um barril esvaziado e depois recheado desordenadamente, cheio de rachaduras.
Ele ergueu a cabeça com dificuldade.
Atrás dele, a fenda que ele havia rasgado à força estava se contraindo e se fechando rapidamente, até restar apenas uma leve ondulação distorcida no ar, logo engolida completamente pela névoa que fluía.
E nas profundezas daquela ondulação prestes a desaparecer, entre os redemoinhos de névoa, ele pareceu vislumbrar —
Um par de olhos.
Frios, sem emoção, como olhos observando uma presa através da superfície da água, bem distante. Desapareceram num piscar de olhos.
A respiração de Lin Yi parou subitamente.
Não foi uma alucinação. A sensação daquele olhar, idêntica ao exame frio que Xiao Han lhe lançara ao verificar a placa de ferro.
Ele se apoiou na parede rochosa, as unhas cravando nas fendas, tentando estabilizar a visão que oscilava. A névoa revolvia atrás dele. Sua pele subitamente se tensionou. Um frio penetrou pelas fendas de sua coluna vertebral, entrelaçando-se com a dor residual e contorcida em seu Dantian.
Ele se forçou a desviar o olhar, voltando-se para a frente. A névoa se dissipou um pouco, revelando à frente uma trilha estreita e íngreme da montanha, rochas cinza-azuladas cobertas por musgo escorregadio, estendendo-se para cima e desaparecendo nas profundezas de nuvens e névoa mais densas. De ambos os lados da trilha havia desfiladeiros profundos e insondáveis, o vento subindo do fundo dos vales, trazendo o fedor de vegetação apodrecida e de tocas de animais selvagens.
Este era o caminho real da "Trilha do Demônio do Coração".
E os outros participantes da prova? Ele inclinou o ouvido.
Apenas o som do vento, e de longe, gritos e choros distorcidos pela névoa. Cada um estava preso em sua própria jaula de ilusão. A abertura que ele havia rasgado era apenas a sua própria.
O símbolo do contrato pulsava fracamente em sua palma, como um coração cansado. A luz azul profunda estava tão fraca que mal se via, substituída por uma marca profunda, quase
Um baque surdo. Não foi o som de osso quebrando, foi o som abafado e úmido de algo atingindo carne. O homem nem chegou a gritar, apenas cobriu o rosto e tombou para trás, sangue escuro jorrando entre seus dedos. A vara de madeira escapou de sua mão, caindo com um tinido.
Os outros dois já estavam erguendo suas varas novamente.
Lin Yi rolou no chão, os seixos ásperos do solo machucando seus ossos. Ele rolou até a base da parede rochosa, encostando as costas na pedra fria, respirando ofegante. Seu olhar varreu os três homens.
Roupas de tecido grosseiro, rostos rústicos, olhos cheios de uma fúria turva e um pânico quase imperceptível. Não eram discípulos do clã. Eram como ele, participantes do "Grupo D" que haviam entrado com placas de ferro. Talvez tivessem caído na ilusão antes, talvez nunca tivessem entrado, esperando aqui o tempo todo.
"Entregue... entregue tudo o que tem!" o homem com o rosto coberto gritou roucamente, sangue pingando entre seus dedos. "Pílulas! Talismãs! Rápido!"
"Para que perder tempo falando com ele!" cuspiu o homem baixo e robusto à esquerda, apontando sua vara para Lin Yi. "Olhe para ele, acabado de sair da ilusão, esgotado até o último fôlego! Acabe com ele, e tudo será nosso!"
"O clã... o clã não permite lutas ou mortes entre participantes..." a voz do terceiro homem tremia, suas mãos segurando a vara estavam trêmulas.
"Bobagem! Neste lugar maldito, quem saberá se alguém morrer? A névoa cobre tudo, jogue o corpo no penhasco, nem os ossos serão encontrados!" o homem baixo e robusto tinha um olhar feroz. "Se não agirmos, quando ele se recuperar, seremos nós quem morrerá!"
A pressão mudou. De um roubo, tornou-se uma luta de vida ou morte.
Lin Yi, encostado na parede rochosa, endireitou-se lentamente. O arranhão nas costelas doía como fogo, seu dantian estava vazio, os selos silenciosos. Mas ao olhar para os três homens à sua frente, seus olhos não mostravam medo, apenas uma avaliação fria.
"Há quanto tempo vocês estão esperando." Ele falou, a voz rouca, mas anormalmente estável.
Os três homens hesitaram.
"Não é da sua conta!" o homem baixo e robusto rosnou, mas seus pés pararam instintivamente.
"As ilusões do Caminho do Demônio do Coração variam de pessoa para pessoa." Lin Yi falou devagar, seu olhar varrendo as mãos que seguravam as varas, os calos na base dos polegares, o desgaste nas bordas das roupas. "Ou vocês nem desencadearam uma ilusão decente, ou... escaparam muito rapidamente. Isso significa que seus apegos não são profundos, ou que sua dor não foi suficiente."
Ele fez uma pausa, os cantos da boca puxando-se em um sorriso sem calor.
"Então, vocês estão com medo. Medo de não conseguirem passar pelas provas mais difíceis que virão, medo de morrer. Por isso ficam aqui esperando, roubando os suprimentos dos que vêm depois, e até... matando e saqueando, usando a vida dos outros para pavimentar seu próprio caminho."
O rosto do homem baixo e robusto ficou vermelho, os olhos dos outros dois piscaram.
"E daí!" o homem baixo e robusto rugiu baixinho. "O forte devora o fraco, é a lei da natureza! Se quiser culpar alguém, culpe sua própria má sorte!"
"Eu não os culpo." Lin Yi disse, a voz ainda mais suave, mas como um picador de gelo perfurando o ar. "Só faço uma pergunta — quem lhes disse que matar aqui não seria descoberto?"
Os três homens congelaram simultaneamente.
"A névoa pode esconder um corpo, mas não pode esconder os vestígios." O olhar de Lin Yi caiu sobre as gotas de sangue que pingavam do rosto do homem ferido. "E também não pode esconder... os olhos de certas pessoas."
Ele virou a cabeça levemente, seu olhar parecendo passar casualmente pela névoa densa em uma certa direção atrás dele.
Aqueles olhos gelados. Os olhos de Xiao Han. Ou, os olhos de outros observadores.
O pânico, como uma videira venenosa, envolveu instantaneamente os corações dos três homens.
"Você... você está mentindo!" a voz do terceiro homem
Os outros dois homens claramente não esperavam que esse "inútil do Grupo D" reagisse tão rápido e atacasse com tanta ferocidade. Seus movimentos ficaram meio passo atrasados.
Lin Yi já havia rolado até o corpo caído, agarrando o pedaço de madeira que escapou da mão do homem — não, não era um pedaço de madeira. Era pesado ao toque, gelado, a superfície áspera, com um forte cheiro de ferrugem. Era uma picareta de mineração enferrujada quebrada ao meio, o cabo de madeira partido, restando apenas a cabeça enferrujada e um pequeno pedaço do punho.
O peso era desconfortável, o centro de gravidade ficava muito à frente.
Mas era duro o suficiente.
A segunda madeira desceu em direção à sua cabeça. Lin Yi não bloqueou. Ele se agachou, a cabeça da picareta subindo de baixo para cima em um movimento oblíquo, mirando o pulso da mão que segurava a arma do oponente.
"Quer me aleijar?" O outro deu uma risada cruel, o movimento da madeira inalterado, contando com a vantagem de alcance para descer direto no topo do crânio de Lin Yi.
Lin Yi não se esquivou. A lâmina enferrujada da picareta rasgou a manga do oponente, arranhando a pele e a carne.
"Ah!" Um grito curto de dor, a madeira desviou de direção, atingindo o ombro esquerdo de Lin Yi.
O osso emitiu um gemido de sobrecarga. A dor aguda deixou metade de seu corpo instantaneamente entorpecido.
Lin Yi soltou um grunhido abafado, os dentes cerrados, aproveitando a força do golpe no ombro para impulsionar seu corpo para a frente, a cabeça enferrujada da picareta cravar-se com força no peito do oponente.
"Crack."
Desta vez foi o som nítido e seco de um osso se quebrando, transmitido através da pele, carne e roupas, breve e aterrorizante.
Os olhos do homem se arregalaram, espuma de sangue brotando de sua boca. Ele caiu para trás, desmoronando.
O terceiro homem finalmente sentiu medo. Ele segurava sua madeira, mas não ousava mais atacar, olhando com horror para os dois companheiros no chão — um cobrindo o rosto e rolando, gritando silenciosamente; o outro com o peito afundado, apenas expirando sem conseguir inspirar. Ele então olhou para Lin Yi.
Lin Yi, apoiado na picareta enferrujada, conseguiu se levantar com dificuldade. O ombro esquerdo estava caído, as costelas doíam agudamente a cada respiração, como se tivessem cacos de osso se movendo dentro dele. O suor frio da testa misturado com sangue escorria para o canto dos olhos, sua visão uma mancha vermelha e turva. Ele ergueu a mão e limpou o rosto, olhando para o último homem.
Seu olhar era gelado, sem raiva, sem medo, apenas uma concentração quase mecânica, avaliando a ameaça remanescente da presa.
"Valioso..." ele começou, a voz terrivelmente rouca, com o som de sangue e espuma raspando sua garganta, "só a vida."
Ele ofegava, a cabeça da picareta ligeiramente erguida, o fio enferrujado apontado para o oponente.
"Quer?"
O pomo-de-adão do bandido rolou violentamente. Ele olhou para Lin Yi, para os companheiros no chão cuja condição era incerta, e para a picareta enferrujada ainda pingando sangue na mão de Lin Yi.
"Louco..." seus lábios tremiam, ele deu um passo para trás, depois outro, "Você é um maldito louco!"
Ele se virou bruscamente, rastejando e se arrastando para dentro da névoa lateral, desaparecendo rapidamente.
A trilha da montanha retornou ao silêncio.
Apenas o som do vento, e a respiração pesada e rouca de Lin Yi, como um fole furado. Ele manteve aquela postura, esperou mais alguns momentos, confirmando que o outro realmente havia fugido para longe, sem emboscada.
Então, suas pernas fraquejaram, e ele deslizou para baixo, apoiando-se na parede rochosa gelada.
A picareta enferrujada escapou de sua mão, caindo com um tilintar ao seu lado.
A dor aguda então o atingiu como um tsunami. O ombro esquerdo estava completamente imóvel, as costelas pareciam ter várias fac
O símbolo azul-escuro na palma da mão estava mais pálido do que antes, enquanto as manchas negras se espalhavam ainda mais, como uma teia de aranha, penetrando profundamente sob a pele. No centro do símbolo, parecia haver uma fissura extremamente fina.
Usá-lo tinha um preço.
Ele cerrou o punho, as unhas cravando-se na carne onde a fissura estava.
Acima do caminho da montanha, de repente, uma voz fria e sem emoção ecoou através da névoa:
“Grupo Ding Wei, Lin Yi, passou no primeiro teste: ‘Caminho da Obsessão’.”
A voz fez uma pausa.
“Descanso de meia-hora. Quando o tempo acabar, siga para o segundo teste — ‘Plataforma de Polir Ossos’.”
Lin Yi ergueu a cabeça.
Através da névoa que ainda não se dissipara completamente, ele olhou para cima. Nas profundezas das nuvens, a silhueta de uma plataforma rochosa íngreme era visível, como uma fera adormecida, as bordas irregulares das rochas cortando a luz cinzenta do céu. Na borda da plataforma, pareciam já estar várias figuras, observando em silêncio o caminho da montanha manchado de sangue abaixo.
Plataforma de Polir Ossos.
O nome carregava uma malícia descarada — um lugar para polir ossos.
Meia-hora. Esse tempo mal era suficiente para estabilizar os ferimentos.
Ele retirou o olhar, voltando-se para o local onde acabara de travar uma batalha sangrenta. Dois bandidos, um morto, outro gravemente ferido. Quem os enviou? Xiao Han? Ou outras pessoas dentro do clã que o desprezavam ou temiam o “segredo” dentro dele?
As regras do teste haviam se tornado uma ferramenta para matar.
E ele, nessa ferramenta, era a falha destinada a ser “racionalmente” eliminada.
Lin Yi engoliu o último pedaço de carne seca, lavando-a com a água condensada da parede rochosa. O fluxo de calor em seu estômago ainda era fraco, mas estava lá. Apoiando-se na parede rochosa, suportando a dor aguda, ele lentamente se endireitou. O ombro esquerdo pendia inerte, a pontada nas costelas intensificando-se com o movimento.
Ele se curvou, pegando a picareta enferrujada no chão. O cabo ainda estava manchado com sangue morno, que lentamente esfriava e coagulava. O cheiro de ferrugem e sangue misturavam-se.
Ele segurou a picareta com força.
Então, ergueu a cabeça novamente, olhando para a Plataforma de Polir Ossos que pairava nas profundezas das nuvens.
A comissura de seus lábios contraiu-se levemente — não era um sorriso, apenas um arco frio, quase de autodesprezo.
Meia-hora.
Ele precisava sobreviver.
O sangue nas rochas ainda não secara completamente. O vento da montanha passou, trazendo o segundo aviso indiferente dos discípulos supervisores à distância:
“Início da contagem do descanso —”
A voz alongou-se, desaparecendo no vento.
Lin Yi encostou-se na parede rochosa, fechando lentamente os olhos. Não era para descansar, mas para forçar-se a calcular nos intervalos entre a dor e a tontura — calcular quanto sua mobilidade poderia ter sido afetada pelas costelas feridas, calcular quanto tempo levaria para o ombro esquerdo deslocado ou fraturado conseguir exercer força mínima, calcular por quanto tempo ele ainda resistiria quando a fissura em sua palma se manifestasse novamente.
Ele abriu a mão direita.
O símbolo azul-escuro na palma, sob a luz fraca do céu, parecia um olho moribundo, observando-o friamente.