Capítulo 9: Sob o Martelo do Mestre Silencioso
O crachá do Salão de Servidores brilhava com uma cor fria de ferro sob a luz fraca da manhã. Lin Yi segurava-o, os nós dos dedos brancos. No anverso estava gravado "Portão Externo · Serviços Gerais", e no verso, uma nova inscrição a tinta — "Mentor: Mo Chen (Mestre Silencioso)". A tinta ainda não estava completamente seca, as bordas ligeiramente borradas, como um presságio sinistro. Ele inspirou profundamente; o nevoeiro da manhã nas montanhas, misturado com o aroma fresco de grama e folhas, encheu seus pulmões, mas não conseguiu aliviar o nó estagnado em seu peito. As palavras do Verdadeiro Mestre Xuan Yin, *"No primeiro dia de cada mês, compareça ao Salão de Execução para registro"*, ainda ecoavam em seus ouvidos, como uma corrente invisível cortando sua carne. E agora, havia mais uma.
A localização da oficina de forja no sopé da montanha era remota, escondida atrás de alguns pinheiros velhos e retorcidos. Os degraus de pedra, cobertos de musgo, eram úmidos e escorregadios sob seus pés. Lin Yi caminhava lentamente, cada passo deliberadamente cuidadoso. A ferida em seu ombro direito havia se rompido sob a pressão do Salão da Inquirição, e embora agora estivesse enfaixada, uma dor surda ainda emanava por baixo das ataduras. Ele precisava manter a clareza. Precisava avaliar. Precisava saber o que Mo Chen — o Mestre Silencioso que no Salão da Inquirição usara as "Leis do Clã" para protegê-lo de um interrogatório mais profundo do Verdadeiro Mestre Xuan Yin — realmente queria.
No final dos degraus, sua visão se abriu. Não era uma construção como ele imaginara, mas uma enorme caverna semi-encravada na encosta da montanha. A entrada da caverna estava aberta, sem porta, apenas uma viga de pedra pesada e escurecida pela fumaça e fuligem cruzava o topo. Ondas de calor fluíam de dentro, batendo em seu rosto, carregando o odor acre de metal queimado e um certo... aroma metálico adocicado, como ferrugem.
Lin Yi parou na entrada. Seus joelhos fraquejaram levemente, como se a qualquer momento pudessem ceder. Não era medo. Era um instinto corporal, resistindo a este ambiente saturado de calor intenso, ruído e caóticas flutuações de energia espiritual. Ele cerrou os punhos, as unhas cravando-se nas palmas das mãos, usando a dor clara para suprimir aquela fraqueza. Então, deu um passo para dentro.
A luz repentinamente escureceu. O interior da caverna era mais profundo do que parecia de fora. Vários fornos de forja, com meio homem de altura, estavam alinhados ao longo da parede rochosa, suas fornalhas ardendo em chamas que projetavam sombras fantasmagóricas nas paredes de pedra. O calor distorcia o ar, tudo o que se via tremulava levemente.
No fundo, uma pessoa estava de costas para a entrada, agachada ao lado de um forno frio. Mo Chen. Ele segurava um martelo de cobre do tamanho de uma palma da mão, batendo-o repetidamente em um pedaço de metal vermelho-escuro sobre a bancada do forno. O som dos golpes não era alto, mas anormalmente surdo, cada um como se atingisse um poste de madeira maciço, *tum, tum, tum...* O ritmo era estável, quase cruel. O metal se deformava levemente sob os golpes, faíscas esparsas saltavam das bordas, caindo sobre a superfície de pedra da bancada e sibilando em fumaça branca.
Lin Yi parou a cerca de três *zhang* de distância dele. O calor, envolto em umidade de suor, instantaneamente encharcou sua túnica externa. Gotas de suor rolaram de suas têmporas, escorrendo pelos ossos da sobrancelha e pingando em seus olhos, fazendo-o piscar. Ele não se moveu, nem limpou. Esperou cerca de dez respirações.
Mo Chen não se virou, nem mesmo fez uma pausa. O martelo de cobre levantava, caía, levantava, caía. O pedaço de metal vermelho-escuro mudava lentamente de forma sob suas mãos, como uma criatura viva sendo domada.
Lin Yi elevou a voz.
"Discípulo Lin Yi, por ordem do Salão de Servidores, vim me reportar ao Ancião Mo Chen."
Sua
Sobre a Câmara do Abismo Profundo, sobre "objetos mortos falando", sobre a intervenção de Mo Chen no Salão da Interrogação do Coração, sobre aquele pedaço de metal vermelho-escuro, sobre as fissuras em seu pulso, sobre qual propósito realmente se escondia por trás de tudo isso. Mas ele não perguntou uma única palavra. Perguntar não traria respostas. A atitude de Mo Chen já dizia tudo — isso não era ensino, nem mesmo um teste. Era uma seleção unilateral e implacável. Ou passar, ou sumir. E agora, ele não tinha o "privilégio" de sumir. Os olhos do Verdadeiro Mestre Xuan Yin ainda o observavam nas sombras. Os relatórios mensais no primeiro dia de cada lua nova, a proibição de deixar o portão da montanha, esses grilhões o apertavam, forçando-o a agarrar qualquer palha que pudesse mudar sua situação — mesmo que essa palha em si pudesse ser um cipó venenoso. Lin Yi se virou e caminhou em direção à porta de pedra no canto. Quanto mais se aproximava, mais a temperatura caía. A onda de calor da forja cessava perto da porta de pedra, como se houvesse uma linha invisível. Da porta de pedra emanava uma umidade fria, misturada com um cheiro rançoso e metálico de ferrugem antiga. Ele estendeu a mão e empurrou a porta. A porta de pedra era mais pesada do que ele esperava. Ao toque, era gelada, a superfície áspera, com uma umidade escorregadia peculiar das profundezas da terra. Usando a força do ombro, as dobradiças emitiram um rangido abafado, e a porta se abriu lentamente para dentro.
A escuridão jorrou para fora. Não era uma escuridão pura, mas uma escuridão espessa, que parecia absorver a luz. Com a fraca luz da forja que penetrava pela entrada, dava para ver vagamente que se tratava de uma enorme caverna, muito mais profunda e ampla do que a oficina de forja lá fora. E, amontoada até o teto. Restos de metal de várias formas, lâminas quebradas, fragmentos de armaduras, estruturas distorcidas de artefatos mágicos... Camadas sobre camadas, do chão até o teto da caverna, como uma montanha silenciosa feita de morte e abandono. Eles exalavam flutuações caóticas, decadentes e até um tanto maliciosas de energia espiritual, colidindo e se anulando mutuamente, formando um "campo" caótico no ar.
A respiração de Lin Yi parou por um instante. Ele olhou para trás. Mo Chen ainda estava de costas para ele, o martelo de cobre subindo e descendo, indiferente a tudo atrás dele.
"Ancião." Lin Yi perguntou uma última vez, a voz muito baixa, "Como este discípulo deve..."
Antes que pudesse terminar. Uma força invisível veio de trás, não forte, mas extremamente precisa, atingindo-o nas costas. Lin Yi cambaleou um passo e caiu na escuridão. Imediatamente depois, a pesada porta de pedra fechou-se com um estrondo atrás dele. O último fio de luz da forja foi cortado.
Escuridão absoluta.
Silêncio.
Não, não um silêncio completo. Quando a visão é privada, os outros sentidos se intensificam. Ele ouviu sua própria respiração um pouco acelerada, ecoando na caverna vazia. Ouviu o fraco zumbido do sangue fluindo através dos tímpanos. Ouviu... um zumbido extremamente sutil e contínuo. Como inúmeras agulhas finas arranhando uma superfície metálica. Como um sussurro.
Lin Yi permaneceu parado, sem se mover. A escuridão era como uma maré gelada, envolvendo-o por todos os lados, encharcando suas roupas, penetrando sua pele. A temperatura na caverna era muito mais baixa do que lá fora, o ar frio do subsolo subia de seus pés, rastejando pelos ossos de suas pernas. Ele fechou os olhos, depois os abriu, tentando deixar as pupilas se adaptarem, mas a escuridão era muito densa, quase não fazia diferença. Apenas à distância, ocasionalmente, havia um brilho extremamente fraco e multicolorido de luz espiritual. Eram os fracos brilhos emitidos espontaneamente pelos restos dos artefatos mágicos abandonados, verdes, roxos, pálidos... como fogo-fátuo em um cemitério abandonado, piscando e desaparecendo.
Ele levantou a mão lentamente, tateando na escuridão, tocando o objeto mais próximo
Ele puxou aquele fio de energia espiritual das profundezas de seu dantian, deixando-o fluir pelos meridianos até a ponta dos dedos, e então tocou suavemente o cabo da espada que havia encontrado antes. No instante em que a energia espiritual tocou a superfície metálica —
Desapareceu. Não se dispersou, não foi neutralizada, mas sim como uma gota d’água caindo em areia seca, foi “engolida” sem nenhum aviso. Nem mesmo uma única onda se formou. A ponta dos dedos de Lin Yi formigou. Não era dor, mas uma sensação estranha de “esvaziamento”, como se aquele pequeno fio de energia espiritual nunca tivesse existido. Ao mesmo tempo, uma sensação de calor extremamente fraca, quase imperceptível, surgiu em sua palma. Era a marca do contrato. Os padrões azul-petróleo não se manifestaram na escuridão, mas aquela sensação familiar, a dor ardente de ser puxado, ele a reconheceu. Imediatamente retirou a mão e recuou meio passo. Seu coração acelerou algumas batidas. Energia espiritual sendo devorada... a marca do contrato sendo ativada... esses artefatos abandonados na Sala do Abismo Profundo realmente não eram simples. Eles não eram objetos mortos, pelo menos não completamente mortos. Ainda restava neles algo, algo capaz de “devorar”, capaz de ressoar com a marca do contrato.
Lin Yi ficou parado na escuridão por um longo tempo. Até que sua respiração se acalmou novamente, o formigamento nas pontas dos dedos desapareceu e o calor em sua palma se dissipou. Ele se virou, mudou de direção e continuou explorando.
O tempo perdeu todo significado na escuridão absoluta. Talvez tivesse passado um quarto de hora, talvez meia hora. Lin Yi tentou vários métodos: tocar levemente diferentes destroços com as pontas dos dedos, sussurrar perguntas, até mesmo tentar “ouvir” para perceber aqueles zumbidos sutis. Nenhum teve sucesso. A maioria dos toques não produziu reação alguma, apenas o frio e a aspereza do metal. Em algumas poucas ocasiões, uma pequena quantidade de energia espiritual foi novamente “devorada”, acompanhada por uma leve dor ardente da marca do contrato em sua palma. E uma vez, ao tocar um fragmento de escudo parcialmente derretido, uma dor aguda e penetrante atingiu seus dedos, seguida imediatamente por uma imagem turva que surgiu em sua mente — um enorme escudo se contorcendo e derretendo em chamas intensas, uma figura segurando o escudo emitindo um grito silencioso por trás das chamas.
A imagem durou apenas um instante. Mas o impacto fez suor escorrer pela testa de Lin Yi, suas têmporas latejando. Aquilo não era uma memória, pelo menos não uma memória completa. Era algum tipo de fragmento emocional, “desespero” e “dor ardente” intensos, como uma agulha incandescente penetrando sua consciência.
Ofegante, ele deslizou para baixo, apoiando-se numa pilha de destroços, e sentou-se no chão. O cansaço esgueirou-se para fora das fendas de seus ossos. A ferida no ombro começou a doer no ambiente úmido e frio, latejando e puxando seus nervos. O esgotamento mental era ainda maior — a escuridão constante, o campo caótico de energia espiritual, as tentativas fracassadas repetidas vezes, e aqueles fragmentos de emoções negativas que ocasionalmente surgiam, tudo isso estava desgastando sua vontade.
Ele fechou os olhos e enterrou o rosto em suas mãos. Sob a pele de sua palma, o contorno dos padrões azul-petróleo emergia vagamente, ainda quentes. “Abra a boca…” ele murmurou para si mesmo. Como exatamente ele deveria fazer isso? As palavras de Mo Chen, “pense por si mesmo”, não eram uma resposta evasiva, mas a única pista. Essa pessoa não daria a resposta, apenas as condições. As condições já haviam sido dadas: a Sala do Abismo Profundo, os artefatos abandonados, três dias. O resto, ele teria que descobrir o método sozinho.
Mas qual era o método? Lin Yi lembrou-se dos momentos em que sua energia espiritual havia sido devorada. Devorar... a marca do contrato sendo ativada... Havia alguma conexão entre os dois? A marca foi gravada por Mo Chen, relacionada às “Correntes do Caminho Celestial”, capaz de devorar memórias como preço. E esses artefatos abandonados também podiam devorar energia espiritual. Devorar. Falta. As coisas que ele havia perdido...
Lin Yi abriu os olhos bruscamente. Na escuridão, suas pupil
Feche os olhos. Deixe a consciência mergulhar completamente na "falta", amplie aquela sensação de "fome" até que ela se torne o único canal de percepção. No início, não havia nada. Apenas o frio do metal e o calor sutil e instintivo do símbolo na palma da mão. Então —
Uma "picada" extremamente fraca veio da ponta dos dedos. Não uma picada física, mas emocional, como se uma agulha minúscula tivesse perfurado a superfície da consciência. Imediatamente depois, uma imagem vaga e fragmentada invadiu sua mente. Sem cor, sem som, apenas uma forte "sensação". Um cultivador, rosto indistinto, manipulava esta espada voadora, golpeando algo colossal. A luz da espada era afiada, indomável. Mas a criatura era forte demais, e a espada voadora se partiu ao meio no instante do impacto. O cultivador não recuou; em vez disso, canalizou toda a energia espiritual restante de seu corpo, sem reservas, para a espada quebrada, para um último ataque. Resolução. Descontentamento. E... uma espécie de "combustão" quase martirial. A imagem cessou abruptamente. Lin Yi retirou a mão bruscamente, ofegando. A testa estava coberta de suor frio, e as roupas nas costas estavam encharcadas. Não era cansaço, mas o impacto dos fragmentos emocionais era forte demais, como levar um soco no peito, fazendo as vísceras tremerem. Mas o que o deixou mais apreensivo foi outra sensação que se seguiu. Aquele fio tênue de energia espiritual dentro dele, já escasso, havia diminuído um pouco. Não foi "devorada", mas sim como se tivesse sido "absorvida" por algo, silenciosamente, só percebida agora. Ao mesmo tempo, a sensação de queimação do símbolo na palma tornou-se clara, queimando de forma contínua e baixa, como um ferro em brasa esfriando lentamente sob a pele.
Ele conseguira. Ele "ouvira". O que permanecia naquela espada quebrada não eram palavras, mas a "resolução" e o "descontentamento" do último momento. Era a obsessão que o cultivador infundira no momento da morte, presa no ponto onde a lâmina se partira, tornando-se um "reverberar" que nunca se dissiparia. Esta era a "abertura". Era isso que Mo Chen queria.
Lin Yi encostou-se na parede de pedra fria e deslizou lentamente até o chão. Levantou a mão, encarando a palma na escuridão absoluta. Embora não pudesse ver, ele conseguia sentir: o símbolo azul-escuro estava levemente quente, como uma criatura despertada. O preço fora pago. A energia espiritual fora sugada, o símbolo fora ativado, a mente fora abalada. E tudo isso era apenas o começo. A "primeira lição" de Mo Chen não era ensino, mas um experimento perigoso. Um experimento para ver se ele podia perceber o "reverberar", para testar a ressonância entre o símbolo do contrato e esses artefatos abandonados, para sondar quantas anomalias ainda estavam escondidas neste corpo seu, corroído pelas "Correntes do Caminho Celestial".
Lin Yi fechou os olhos, os cantos da boca puxados em um arco muito leve, quase de autodepreciação. Então era isso. Ele não era um discípulo, nem mesmo uma ferramenta. Ele era uma cobaia.
Na escuridão, à distância, outro ponto fraco de luz espiritual cintilou, azul-esverdeado, como um olho espiando. Lin Yi não se moveu. Apenas sentou-se em silêncio, sentindo a fadiga inundar seus membros como uma maré, sentindo a dor surda do ferimento no ombro, sentindo o calor do símbolo na palma, sentindo a flutuação vazia dentro dele após aquele fio de energia espiritual ter sido drenado. E também, uma estranha calma. O medo ainda estava lá, as dúvidas eram mais profundas, a situação era mais perigosa. Mas pelo menos, ele sabia. Sabia o objetivo de Mo Chen, sabia sua própria "capacidade", sabia a forma do preço. Era o suficiente. Suficiente para ele continuar. Suficiente para encontrar o próximo ponto de apoio neste mundo cheio de malícia e provocações.
Ele ajustou a postura, encostando as costas de forma mais confortável, então fechou os olhos e começou a regular a respiração. Não era cultivar, apenas a respiração mais simples, deixando o qi perturbado
Não era luz, era algo mais sutil — nas pilhas de destroços de artefatos à distância, ocasionalmente brilhava um ponto de azul profundo ou vermelho escuro, como a última respiração de um vaga-lume moribundo. Um brilho, e então se apagava. Em outro lugar, surgia um ponto de cinza azulado. Subindo e descendo, sem qualquer padrão.
O ar estava impregnado com o cheiro misto de poeira antiga e ferrugem de metal. Havia algo mais profundo — energia espiritual, mas não viva, fluida. Eram fragmentos de energia espiritual quebrados, caóticos, com arestas afiadas, como incontáveis estilhaços de vidro suspensos na escuridão, prontos para cortar qualquer coisa que se aproximasse.
Os dedos de Lin Yi batiam inconscientemente na lateral de sua coxa.
Ele ruminava essas palavras. Absurdas, mas no tom de Mo Chen não havia brincadeira. Era uma declaração fria, quase cruel. Se não conseguir, caia fora. Três palavras, cortando todos os caminhos de retirada.
Ele respirou fundo. O ar frio e úmido encheu seus pulmões, trazendo um leve dulçor de ferrugem metálica e um certo... sabor residual de queimado. Ele começou a se mover.
Seu pé pisou em algo. Um objeto duro, com uma curvatura. Ele se agachou e apalpou. Era um cabo de espada quebrado, a madeira já apodrecida, a parte metálica gelada e cortante. Ele tentou injetar um fio de energia espiritual.
A energia espiritual foi como uma gota d'água caindo em areia seca, desaparecendo instantaneamente. Nenhuma resposta, nenhuma oscilação, apenas uma sensação pura e gananciosa de "deglutir". Ele cortou a conexão imediatamente, uma leve dormência chegando às pontas dos dedos.
Ele mudou de direção, encontrando um escudo redondo danificado. A superfície do escudo estava marcada, as bordas enroladas. Desta vez, foi mais cauteloso, separando apenas um fio de consciência tão fino quanto um cabelo, tocando levemente a superfície do escudo.
Do interior do escudo veio um som extremamente sutil, como o tremor de uma lâmina de metal. O espírito de Lin Yi se animou. Mas no instante seguinte, aquele fio de consciência foi como se algo o mordesse com força, puxando-o para as profundezas do escudo. Ele gemeu baixinho, arrancando a conexão à força. Uma dor aguda e penetrante surgiu em sua cabeça, como se tivesse sido espetado por uma agulha.
Custo. Cada tentativa tinha seu custo.
O tempo perdeu sua medida na escuridão absoluta. Poderia ter passado um quarto de hora, ou talvez meia hora. Lin Yi tentou sete vezes. Uma espada quebrada, uma bandeira danificada, uma metade de um pente de jade, um espelho protetor de coração estragado... Cada vez, sua energia espiritual ou consciência era devorada sem piedade. Alguns artefatos não respondiam, outros emitiam breves zumbidos ou flashes caóticos, mas logo silenciavam, deixando apenas um vazio e um desgaste mais profundos.
Sua camisa começou a ficar úmida com suor frio nas costas. Não por calor; a Câmara do Abismo Profundo era fria e úmida como uma adega. Era por ansiedade. O tempo passava, e ele não tinha conseguido nada. O rosto de Mo Chen surgiu na escuridão — aquele rosto sempre calmo, impenetrável. Ele estava observando? Do outro lado daquela porta de pedra, esperando em silêncio, vendo como ele lutava, como falhava?
Lin Yi deslizou para baixo, apoiando-se em uma pilha de fragmentos frios de armadura. O cansaço subiu como uma maré. O interrogatório no Salão do Coração Questionador, a pressão aplicada pelo Venerável Xuan Yin, os ferimentos ainda não totalmente curados... Tudo se acumulava, pesando sobre seus ombros. Ele fechou os olhos, ajustou a respiração. Não podia se descontrolar. Descontrole significava derrota.
Objetos mortos. Esses artefatos estavam realmente "mortos". Sua espiritualidade perdida, os padrões de sigilo desintegrados,
Não era luz visual, mas um "contorno" perceptivo. Ele "viu" — não com os olhos — o momento em que a lâmina se partiu: um cultivador, cujo rosto não era visível, banhado em sangue, despejando freneticamente todo o seu poder espiritual, toda a sua vitalidade, toda sua determinação inacabada na espada voadora que segurava. A lâmina brilhou com uma luz branca ofuscante, cortando em direção a uma entidade colossal indescritível que obscurecia metade do céu. Então, o metal gemeu, a espada quebrou. A luz branca estilhaçou-se em milhões de fragmentos e, junto com a vida do cultivador, foi devorada pela escuridão.
Apenas aquela "indignação" permaneceu, como um último suspiro, obstinadamente presa na superfície fraturada da lâmina.
Esta era a "abertura". Não era linguagem, era a obsessão congelada no instante da morte, a forma final antes do poder espiritual se dissipar. Ele a tocou.
Sob a ferrugem daquela espada partida, um brilho extremamente tênue pareceu fluir por um instante. E Lin Yi sentiu um frio dentro de seu corpo — um fluxo de poder espiritual puro, incontrolavelmente extraído de seu Dantian, fluindo silenciosamente através do ponto de contato em sua palma para o corpo da espada.
Não, não era uma bebida. Era uma devoração. Do corpo da espada emanava uma sensação de sucção gananciosa, instintiva. Lin Yi tentou retirar a mão, mas descobriu que seu braço estava um tanto rígido. Pior ainda, o padrão de contrato azul-escuro em sua palma começou a arder sem aviso prévio.
Não era uma dor intensa, mas um calor claro, de advertência. Como se uma cobra venenosa adormecida tivesse sido perturbada, levantando a cabeça e farejando o ar.
Ele retirou a mão bruscamente, o movimento tão repentino que derrubou algumas placas de armadura danificadas ao lado, produzindo um ruído estridente. Na escuridão, ele respirava ofegante, olhando para baixo para sua mão direita.
Na palma, as linhas do padrão azul-escuro estavam um pouco mais nítidas que o normal, emitindo um calor tão fraco que era quase imperceptível. Em seu corpo, o fio de poder espiritual que fora drenado deixou uma sensação real de vazio, como se um pequeno pedaço tivesse sido arrancado de seu estômago. Sua mente também ficou momentaneamente turva, a escuridão diante de seus olhos parecendo girar meio círculo.