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Lendo
O Pingente da Estrela Partida ardia em sua palma.
Não era o calor do fogo queimando carne, era algo mais profundo – como uma agulha de gelo perfurando a medula, subindo pelo osso do braço, revirando as ruínas silenciosas como um lago morto de sua raiz espiritual, inativas há três anos. As ruínas reagiram. Não era dor, era sede. Uma fome quase gananciosa, direcionada para um ponto específico.
Lin Yi encostou-se à fria parede rochosa do Penhasco da Alma Partida, sua respiração condensando-se em uma linha de névoa branca. Era a terceira vigília, os passos da patrulha haviam acabado de se afastar pela trilha no topo do penhasco, e a próxima troca de guarda seria em menos de meia hora. O tempo não era uma ampulheta, mas uma corda úmida apertando seu pescoço, contraindo-se centímetro por centímetro.
Ele abriu a mão. O Pingente da Estrela Partida repousava ali, seu jade cor de luar emitindo um brilho frio e azul-escuro na noite densa e impenetrável. A luz era fraca, do tamanho da ponta de uma agulha, mas teimosa, apontando para um local específico da parede rochosa – uma camada de musgo verde-escuro, espessa como um tapete de veludo.
O que dizia o fragmento remanescente dos *Registros Proibidos do Clã*?
*‘A entrada do Penhasco da Alma Partida está oculta no olho da Formação Estelar. Sete olhos, deslocando-se de acordo com a Ursa Maior, requerem o despertar sequencial com poder espiritual da linhagem principal…’*
Os registros eram coisas mortas. O penhasco estava vivo.
A ponta do dedo de Lin Yi deslizou sobre o musgo. A sensação era úmida, fria e escorregadia, com o frescor do orvalho noturno. Ele pressionou com força. A rocha sob o musgo era anormalmente lisa, como se tivesse sido polida por mil anos com a mais fina lixa, sem um único veio natural, muito menos qualquer entalhe que pudesse ser um ‘olho da Formação Estelar’.
Estava errado.
O registro estava incorreto, ou a formação havia sido alterada?
À distância, outro som longo de uma tabuinha de vigília ecoou. A luz da lanterna do vigilante balançou na borda da floresta, mais perto. O nó do tempo apertou-se mais uma vez.
Ele fechou os olhos, forçando todo aquele poder espiritual miserável, extraído das rachaduras de sua raiz espiritual danificada, em direção à palma de sua mão. O poder espiritual era tênue como um fio de seda. No momento em que entrou no Pingente da Estrela Partida, o pingente de jade estremeceu violentamente!
O brilho frio explodiu em intensidade.
Não mais uma ponta de agulha, mas uma pequena chama azul-escura, queimando silenciosamente em sua palma. A ponta da chama quase perfurava o musgo, a direção apontada não mudara um milímetro, mas a ‘sede’ emanada do pingente intensificou-se dez vezes. Não estava mais satisfeito em apenas guiar; estava puxando, apressando, carregando até mesmo uma certa antiguidade, uma urgência quase rancorosa.
Lin Yi apertou os dentes com força. O sabor de sangue permeou suas gengivas.
Não havia olho de formação. Nenhuma interface para despertar com poder espiritual. Diante dele, havia apenas uma parede de rocha lisa, devoradora de qualquer investigação, e um Pingente da Estrela Partida que ficava cada vez mais quente, cada vez menos parecido com um ‘objeto guia’ e mais com uma ‘isca’.
As rachaduras em sua compreensão começaram a se espalhar. Os registros do clã, as pistas deixadas por sua mãe, o ‘Pavilhão da Chuva Sussurrante’ mencionado pelo temeroso Shi Meng… Esses fragmentos deveriam se encaixar em um caminho para a verdade, mas agora, diante do silêncio gelado do Penhasco da Alma Partida, revelavam uma terrível desconexão. Não era que estivessem encaixados errado; era a própria base que estava se movendo.
Uma armadilha?
O pensamento caiu como água gelada em sua espinha.
Mas o som da tabuinha estava mais perto. A luz da lanterna já iluminava alguns
Todo o penhasco parecia ter ganhado vida, pulsando levemente sob a luz sangrenta. O musgo murchava e escurecia a olhos vistos, revelando uma fenda profunda, de profundidade incerta, suficientemente estreita para apenas uma pessoa passar de lado. As bordas da fenda eram irregulares, como os dentes de uma fera escancarando sua boca. Do interior não vinha vento, mas um odor estranho, espesso, misturando ferrugem e ozônio apodrecido.
A entrada.
Mas todos os pelos do corpo de Lin Yi se eriçaram.
O Pingente Estrela Quebrada tremia freneticamente em sua mão direita ensanguentada. Aquela chama azul-esverdeada havia se tornado branca-fantasma, não mais apontando para a fenda, mas diretamente para cima, como se alertasse sobre algo no céu. O próprio pingente estava tão quente que sua pele sibilava, exalando um cheiro de queimado.
Ele ergueu a cabeça.
O céu noturno, antes densamente nublado, agora começava a girar acima da fenda, formando um vórtice lento, mas imenso. No centro do vórtice não havia luz estelar, apenas uma escuridão profunda, insondável, que parecia sugar toda a luz. Vindo das alturas, um som sutil — não um trovão, mas um baixo ronco de metal atritando contra metal, de regras esfregando pesadamente contra regras — roía seu crânio, atingindo diretamente sua alma divina.
A formação havia sido ativada.
Mas não era a formação da entrada que ele imaginava.
As linhas sanguíneas no penhasco explodiram repentinamente em uma torrente de luz carmesim, engolindo-o por inteiro. A luz tinha substância, pressionando seus ossos a ranger. Mais terrível ainda era a força de sucção vinda das profundezas da fenda; não mais uma sonda, mas uma mão gigante invisível, agarrando seu corpo, arrastando-o para dentro daquela escuridão.
Armadilha confirmada.
Lin Yi arregalou os olhos dentro da luz sanguínea, sua mão esquerda agarrando-se com todas as forças a uma saliência rochosa fora da fenda. Unhas se quebraram, farelos de pedra misturados com sangue escorriam. O Pingente Estrela Quebrada em sua mão direita já estava incandescente como ferro em brasa, tão quente que ele quase não conseguia segurá-lo. Mas o pingente parecia ter enraizado em sua carne, extraindo freneticamente sua energia espiritual já à beira do esgotamento, e injetando-a de volta na formação sanguínea do penhasco.
Estava usando-o como sacrifício, para abrir algo mais profundo, mais aterrorizante.
"Ugh—!"
Um rugido baixo escapou de sua garganta, não de dor, mas de fúria, de raiva por ter sido calculado, manipulado, usado como chave e depois como lenha. Seu corpo era puxado aos poucos em direção à fenda pela força de sucção, pedregulhos escorregavam sob seus pés, seu corpo ficou suspenso, dependendo apenas dos cinco dedos de sua mão esquerda cravados naquela saliência rochosa.
A luz sanguínea se intensificava, iluminando seu rosto pálido e distorcido pelo esforço extremo. O ronco do vórtice tornou-se uma proclamação clara, em camadas, explodindo diretamente em sua mente:
"Trans... gressor..."
"da Or... dem Celestial..."
"Deve... pere... cer..."
Cada palavra pesava mil jin, esmagando sua alma divina, fazendo sua visão escurecer em ondas. Seu nariz e boca aqueceram, um líquido morno jorrou — não vermelho vivo, mas pontilhado de minúsculos pontos dourados e estranhos.
No instante em que sua consciência estava prestes a ser dilacerada por essa dupla pressão, sua mão esquerda agarrada à saliência, devido à força colossal que o arrastava, escorregou violentamente para baixo!
Seus cinco dedos mergulharam em um monte de pedregulhos soltos na borda da fenda.
As pedras machucavam seus ossos dos dedos com dor aguda, mas no fundo daquele monte, suas pontas dos dedos tocaram algo.
Tecido.
Macio, delicado. Mesmo enterrado sob pedras e poeira por quem sabe quantos anos, ainda era possível sentir sua antiga finura. E... havia um aroma extremamente tênue, mas que instantaneamente perfurou o fedor de sangue e ozônio, atingindo as profundezas de
A autodestruição do Pingente da Estrela Partida pareceu irritar algo. As marcas de sangue no penhasco não se contentaram mais com apenas brilhar, começaram a se contorcer, a se desprender, a "crescer" da superfície rochosa, transformando-se em várias correntes translúcidas de poder espiritual, cobertas de densos e antigos símbolos, que silvavam como cobras venenosas vivas, disparando em sua direção!
Antes mesmo que as correntes chegassem, aquela vontade colossal de que "a própria existência é um erro" já pesava sobre ele como um iceberg.
As pupilas de Lin Yi se contraíram bruscamente.
Ele sabia que não havia despertado apenas as formações de guarda do local proibido da família Lin.
Esta era a retaliação da própria "Regra".
As correntes atravessaram a luz sanguínea, envolvendo instantaneamente seus tornozelos, pulsos, cintura, abdômen... A última, a mais grossa e sólida, com sua ponta apontando diretamente para as ruínas remanescentes de sua raiz espiritual no dantian!
Frio.
Ardor.
Duas sensações diametralmente opostas, mas igualmente mortais, explodiram simultaneamente à medida que as correntes o envolviam. O frio sugou o último vestígio de calor de seu corpo, enquanto o ardor começou a aniquilar todo o poder espiritual remanescente em seus meridianos, e até mesmo... tentou apagar o "vestígio" da existência das ruínas de sua raiz espiritual.
"Arrgh—!!"
Ele finalmente não conseguiu conter um grito rouco, uma dor excruciante de seu corpo e alma espiritual sendo simultaneamente esmagados, apagados. As correntes o arrastaram completamente para longe da borda da fenda, atirando-o com força contra o chão vazio diante do penhasco. Pedras quebradas fraturaram uma costela, a dor intensa fez sua visão escurecer por um momento, quase desmaiando ali mesmo.
O sachet ainda estava em sua mão esquerda, pressionado contra o peito.
Aquela tênue calor resistia teimosamente ao frio absoluto e ao poder de aniquilação trazidos pelas correntes, protegendo uma pequena área central ao redor de seu coração, como o único porto calmo no olho de uma tempestade.
Lin Yi se debateu na poeira e na poça de sangue, olhando com visão turva para sua mão esquerda. O sachet estava deformado pelo aperto, o tecido áspero esfregando as feridas em sua palma. Vaguemente, através de um rasgo no forro interno, ele parecia ver letras dentro.
Letras bordadas.
O fio já havia desbotado, quase se fundindo com o tecido, mas à luz residual do brilho sanguíneo ao redor que ainda não se extinguira, era possível discernir um contorno.
Ele concentrou desesperadamente sua consciência espiritual dispersa para olhar.
Eram algumas pequenas palavras, bordadas com precisão, mas transmitindo uma sensação de pressa, até mesmo... desespero.
"A Re... gra..."
"Tam... bém..."
"Tem... fendas..."
Cada palavra era como um relâmpago fraco, cravando-se em sua mente à beira do caos.
A Regra... também tem fendas?
O que isso significava? Deixado por sua mãe? O que ela descobriu naquela época? Este sachet, ela o deixou aqui de propósito? Para... quem?
Inúmeras dúvidas explodiram em sua mente, mas a pressão das correntes subitamente aumentou!
"Pu—"
Ele cuspiu outro jato de sangue, com mais pontos dourados brilhantes no sangue. Sua visão escureceu rapidamente, e em seus ouvidos, além da proclamação impiedosa da lei, começou a se misturar outro som —
O som do ar sendo rasgado.
Afiado, aproximando-se rapidamente, vindo da direção do topo do penhasco.
Não apenas um.
A patrulha? Não, essa velocidade, essa flutuação de poder espiritual... eram os guardas de elite do local proibido! Eles foram alertados pela agitação aqui!
Lin Yi deitado no chão frio, todos os ossos do corpo como se estivessem desmontados, a área do dantian envolta pelas correntes transmitia uma sensação de vazio, como se algo estivesse sendo permanentemente drenado. A dor excruciante de sua alma espiritual danificada batia em ondas contra as defesas de sua consciência.
Ele não conseguia se mover.
Seus olhos se abriram com dificuldade
Das profundezas da fissura, um zumbido metálico como o atrito de metais ecoou. Não foi ouvido pelos ouvidos, mas ressoou diretamente dentro do crânio. O céu ainda era uma noite densa como tinta, mas uma "observação" tão vasta que era sufocante já havia caído. O ar tornou-se espesso, cada respiração parecia engolir uma lama misturada de ferrugem e cinzas carbonizadas.
"Armadilha..." A ideia mal surgiu, e seu corpo já recuou instintivamente.
O pé esquerdo acabara de se desprender do chão.
Várias correntes translúcidas dispararam da luz sanguínea.
Não eram entidades formadas por energia espiritual, mas sim uma forma monstruosa da "lei" em si, materializada. A superfície das correntes fluía com runas douradas escuras, cada caractere se contorcendo, se reorganizando, emitindo uma vontade fria de "proibir", "apagar", "eliminar os rebeldes". Não tinham temperatura, mas no instante em que tocaram sua pele, trouxeram uma sensação dilacerante de queimação e congelamento simultâneos.
A primeira corrente envolveu seu pulso direito.
*Crack.*
O osso do pulso gemeu sob pressão insuportável. Lin Yi cerrou os dentes, veias salientes pulsando em suas têmporas. Ele tentou mobilizar a miserável energia espiritual dentro de si — três anos atrás, após o castigo celestial, seus meridianos espirituais foram totalmente esmagados, e seu dantian estava repleto apenas de resíduos dispersos como poeira. Normalmente, nem conseguiria acender uma lâmpada, mas agora, tornou-se a primeira isca devorada pelas correntes.
A sensação de ter sua energia espiritual sugada era como se alguém raspasse sua medula óssea com uma faca cega.
A segunda corrente prendeu seu tornozelo esquerdo.
A terceira perfurou diretamente seu dantian.
"Ugh—!" Um rugido quebrado escapou da garganta de Lin Yi. Seu corpo foi puxado com enorme força em direção à fissura, suas costas batendo pesadamente contra a parede rochosa. Estilhaços de pedra caíram, batendo em sua cabeça, ombros. O gosto de sangue subiu de sua garganta; ele sentiu o sabor de ferrugem misturado com um doce estranho.
Eram pontos dourados de luz, resquícios da energia espiritual completamente aniquilada, ainda presos em seus meridianos.
As correntes apertavam.
A cada aperto, a vontade de que "sua própria existência era um erro" se fortalecia. Era irracional, intransigente, como uma montanha invisível pressionando diretamente sua alma espiritual. Sua visão começou a apresentar imagens duplas, e sussurros de incontáveis vozes ecoaram em seus ouvidos — não, não eram vozes humanas, mas a lei proclamando, a ordem julgando.
"...Rebelde contra o céu..."
"...Deve ser eliminado..."
As vozes se sobrepunham, enchendo sua cavidade craniana. As pupilas de Lin Yi começaram a se diluir, sua força de resistência desaparecendo rapidamente como uma maré baixa. Ele viu sua própria mão direita: os vasos sanguíneos sob a pele emitiam a luz dourada escura das runas das correntes, como se ele estivesse sendo reescrito, marcado e finalmente apagado de dentro para fora pela "lei".
Não.
Não podia morrer aqui.
Os fragmentos da carta deixados por sua mãe ainda estavam em seu peito. "Não confie... no Caminho do Céu... contrato... preço..." Aquelas palavras carbonizadas queimavam seu peito como brasas. E ainda havia o olhar de medo de Shi Meng, e o frio token de "Yun Zhi"... Ele ainda não encontrara as respostas, ainda não rasgara essa densa cortina negra envolvendo sua família, seu destino, o chamado "Caminho do Céu".
O instinto de sobrevivência brotou das fendas do desespero como ervas daninhas.
Lin Yi ergueu a cabeça abruptamente, veias salientes em seu pescoço. Ele parou de tentar resistir ao aprisionamento físico das correntes — isso era inútil. Concentrou toda a vontade que restava, toda a indignação esmagada que ainda rugia, em um único ponto: observar.
Observar o padrão de fluxo das runas nas correntes.
Observar os nós de energia da luz sanguínea e da fissura.
Observar se havia... fendas neste espaço suprimido à força pela "lei".
Como
Nas brechas entre as runas que fluíam nas correntes, houve um instante – talvez menos de um décimo de um suspiro – em que a luz douro-escura apresentou uma hesitação extremamente sutil. Como uma engrenagem precisa presa por um grão de areia, como um relógio perfeito atrasado um bilionésimo de segundo.
Fenda.
Uma fenda na regra.
Esse pensamento irrompeu como um relâmpago na consciência de Lin Yi, à beira do caos. Ele fixou o olhar na corrente que envolvia seu pulso direito e, quando as runas fluíram novamente para um ponto específico, usou toda a sua força para torcer a mão bruscamente na direção oposta!
Não para se libertar.
Era para se lançar no "ponto morto" da corrente, onde a força de estrangulamento era mais forte.
*Crack!*
O osso do pulso quebrou completamente. A dor lancinante escureceu sua visão. Mas naquele instante, as runas da corrente de fato apresentaram a hesitação prevista – foram perturbadas pelo programa predeterminado de "aniquilação", como uma lâmina excessivamente afiada que, ao atingir o alvo, perde brevemente o controle devido à inércia.
A hesitação durou apenas um instante.
Mas para Lin Yi, foi o suficiente.
Aproveitando o momento em que a força da corrente afrouxou, seu corpo rolou para o lado como um peixe fora d'água. Cascalhos e galhos quebrados pressionaram suas costelas, a dor quase o fez desmaiar. Mas a direção do rolamento foi em direção ao monte de cascalho ao lado da fenda, que havia sido afrouxado pela ativação da formação.
Sua mão esquerda enfiou-se desordenadamente no cascalho.
As pontas dos dedos sentiram uma picada aguda, cortadas pelas arestas. Mas logo em seguida, ele tocou em algo... diferente.
Tecido.
Um tecido macio, já um pouco embolorado.
Os dedos de Lin Yi se fecharam bruscamente, agarrando-o com força. No instante em que a sensação tátil chegou, um calor extremamente fraco, mas profundamente familiar, infiltrou-se em seus meridianos através da palma da mão. Era tênue, tão tênue quanto uma baforada de ar branco no inverno, mas milagrosamente protegeu o último fio de vitalidade em seu coração, prestes a colapsar.
Ao mesmo tempo, um aroma penetrou suas narinas.
Não era ferrugem, nem cinzas queimadas... era... "Primavera na Neve".
O incenso favorito de sua mãe em vida. Ela sempre dizia que esse aroma era como a primeira flor de ameixeira que desabrocha na neve, uma vitalidade teimosa escondida na frieza. Quando criança, Lin Yi costumava se aconchegar em seu colo para senti-lo. Depois que ela partiu, esse cheiro se tornou o canto da memória que ele mais temia tocar.
Sachê de ervas.
Era o velho sachê de ervas deixado por sua mãe.
Ele o puxou para fora do cascalho. A superfície de seda branca-lunar já estava desbotada e amarelada, as bordas muito desgastadas, e os padrões de lótus entrelaçados bordados estavam desbotados. Mas segurando-o em sua mão, aquele calor fraco era como uma lanterna solitária na escuridão, resistindo firmemente ao frio trazido pelas correntes, que congelava e aniquilava toda existência.
As correntes apertaram novamente.
A hesitação terminou. Uma supressão ainda mais violenta desceu, como se a "regra" tivesse sido provocada. A coluna vertebral de Lin Yi rangia sob a pressão, o sangue que escorria de seu nariz e boca já havia manchado vermelho as roupas sobre seu peito. Sua visão começou a desmoronar, as bordas tomadas por uma névoa negra densa.
Mas antes de perder completamente a consciência, ele usou sua última centelha de força para trazer o sachê diante de seus olhos.
Sob o reflexo da luz sanguínea, uma linha de pequenos caracteres bordados com fios desbotados no forro do sachê surgiu vagamente —
『A... regra... também... tem... fendas...』
A caligrafia era delicada, era a letra de sua mãe.
Cada caractere estava bordado com extrema força, o último traço até rasgou a seda.
As pupilas de Lin Yi se contraíram abruptamente.
Foi então que —
"Lá!
Lin Yi sentiu alguém se agachar, abrindo com força os dedos que ele mantinha cerrados. No instante em que o sachê foi arrancado de sua mão, aquela tênue sensação de calor desapareceu abruptamente, e um frio penetrante o envolveu novamente, quase congelando o que restava de seu espírito.
"É só um sachê velho?" zombou uma voz jovem. "Pensei que fosse algo valioso."
"Não." Uma voz mais calma fez uma pausa. "Esse aroma... é 'Primavera na Neve'. Faz anos que não sinto esse cheiro."
"E daí?"
"Esse incenso... só a Senhora Mestra de antigamente gostava de usar." A voz calma baixou ainda mais, carregada de uma emoção complexa. "Vamos levá-lo primeiro. Ele ainda está vivo?"
Um dedo aproximou-se do nariz de Lin Yi.
"Respiração fraca. O dantian está destruído, o espírito está quase dissipado. Mesmo se sobreviver, será um inútil."
"Inútil é melhor", disse a voz calma, levantando-se. "Morto seria um problema. Levem-no de volta, para que os superiores decidam. Quanto ao que aconteceu esta noite... todos guardem silêncio."
"Entendido."
"Limpe os vestígios no penhasco. Quanto à pulsação da contração da formação, digam que foi o mecanismo de defesa do local proibido, ativado sozinho devido à falta de manutenção."
"Sim."
Lin Yi sentiu-se ser arrastado com brutalidade. Pedras afiadas e galhos quebrados arranhavam as feridas em suas costas, e a dor lancinante fez seu restante de consciência estremecer. Mas ele não tinha forças nem para abrir os olhos, só podia deixar a escuridão avançar como uma maré, engolindo todos os seus sentidos.
Apenas um último pensamento, como uma pedra afundando no fundo do mar, teimava em permanecer no fundo de sua consciência —
O sachê.
A caligrafia da mãe.
As regras... também têm rachaduras.
O arrasto parou subitamente.
"O que foi agora?" perguntou a voz jovem, impaciente.
A voz calma não respondeu imediatamente. Lin Yi sentiu aquele olhar novamente em seu rosto, examinando, até com um toque de... hesitação.
"O rosto dele..." murmurou a voz calma. "Vocês não acham familiar?"
"Familiar? É só um discípulo de serviço, todo sujo, quem vai reconhecer—"
A voz cortou-se.
O ar subitamente silenciou.
Apenas o vento uivava através das fendas do Penhasco da Alma Partida, trazendo o cheiro de ferrugem e cinzas. Lin Yi sentiu os vários olhares focando simultaneamente em seu rosto, como agulhas perfurando sua pele.
Muito tempo depois.
A voz jovem soou novamente, desta vez trêmula de incredulidade:
"Ele... ele não seria..."
"Aquele de três anos atrás", completou a voz calma, o tom completamente sombrio. "O gênio que foi destruído pelo Céu Castigador. Lin Yi."
Silêncio mortal.
As mãos que o arrastavam soltaram-no. O corpo de Lin Yi caiu pesadamente de volta no monte de pedras, e uma dor lancinante brotou de onde os ossos estavam quebrados, mas ele nem conseguia gemer.
"Como pode ser ele?" a voz jovem ficou agitada. "Ele não estava trancado na montanha dos fundos, quase morto? Como veio parar no local proibido?"
"Você me pergunta, e eu pergunto a quem?" a voz calma ficou irritada. "Agora sim temos um problema. Matar não dá, não matar também não."
"Então... o que fazemos?"
"Levem-no de volta primeiro. Lembrem-se, esta noite ninguém viu seu rosto, ninguém sabe quem ele é. Ele é apenas um ladrão que invadiu o local proibido, entendido?"
"Mas e se os superiores descobrirem—"
"Se descobrirem, foi porque agimos conforme as regras!" a voz calma elevou-se abruptamente. "Havia atividade anormal no local proibido, patrulhamos e encontramos uma pessoa suspeita, a subjugamos. Quanto a quem ele é, como saberíamos? Um homem inútil há três anos, o rosto todo coberto de sangue, quem iria reconhecê-lo?"
"...Sim."
"Rápido. O dia vai clarear."
Lin Yi foi arrastado novamente. Desta vez, a brutalidade vinha com pressa. Ele sentiu-se ser puxado pelos braços, os pés arrastando-se pelo chão de pedras, deixando dois rastros sinuosos de sangue.
Antes que
***
Saguão da Vigília Noturna da Família Lin, primeiro subsolo.
Gotas de água condensavam-se nas paredes de pedra úmidas, pingando no chão de pedra azul com um eco monótono. O ar estava impregnado de mofo e um leve odor de sangue, misturado com o amargo residual da fumaça de certas ervas medicinais queimadas.
Lin Yi foi jogado sobre um monte de palha seca no canto.
O impacto do corpo contra o chão fez sua consciência remanescente emergir por um instante da superfície escura da escuridão. Uma dor lancinante inundou seus membros e todo o corpo, como se inúmeras facas cegas estivessem cortando simultaneamente. Ele tentou abrir os olhos, mas as pálpebras pesavam como chumbo.
Vozes de conversa chegaram aos seus ouvidos.
"... O Dantian está completamente destruído, os meridianos estão cheios de marcas de erosão pela força das regras. É um milagre ele ainda estar vivo." Uma voz anciã, seu tom tão plano quanto se estivesse comentando sobre o clima. "O dano à alma é grave. Mesmo que seja salvo, ficará um idiota."
"Idiota é o melhor." Era a voz estável do discípulo da Vigília Noturna. "Se os de cima perguntarem, digam que ele invadiu a área proibida, ativou as formações e sofreu a retribuição. Quando chegamos, ele já estava fora de si."
"E o sachê de ervas?"
"Aqui." O som de tecido sendo manuseado. "Veja você mesmo."
Um breve silêncio.
Quando a voz anciã soou novamente, havia uma leve flutuação quase imperceptível: "'Mensagem de Primavera na Neve'... Realmente é um objeto antigo da Senhora Principal. Este bordado também é obra dela."
"Então este sachê..."
"Fica comigo." A voz anciã foi categórica. "Vocês cuidem do homem. Levarei o sachê. O assunto de hoje acaba aqui."
"Mas, Ancião, e se alguém investigar—"
"Investigar o quê?" A voz anciã subitamente ficou gelada. "Um inútil, que roubou uma relíquia da Senhora Principal, invadiu a área proibida da família e sofreu a retribuição das formações, tornando-se um inútil entre os inúteis. Os fatos são claros, as evidências são irrefutáveis. Quem questionaria a decisão do Saguão da Vigília Noturna por um lixo que a família já havia abandonado há muito tempo?"
"... Sim."
"Dê-lhe uma tigela de 'Pó do Esquecimento' e jogue-o de volta no Lago Gélido do Monte de Trás. Vida ou morte, depende de seu destino."
"'Pó do Esquecimento'?" A voz estável hesitou. "A potência dessa droga é forte, seu corpo atual provavelmente não aguentará..."
"É exatamente para que ele não aguente." A voz anciã permaneceu impassível. "Se aguentar, será um idiota que esqueceu tudo do passado, nunca mais representando uma ameaça. Se não aguentar... então o problema estará resolvido."
Passos se aproximaram, indo na direção de Lin Yi.
Ele sentiu alguém abrir sua boca com força, e um líquido acre e amargo foi despejado dentro. O líquido queimava sua garganta, descia pelo esôfago e chegava ao estômago como se ele tivesse engolido uma bola de fogo. Em seguida, a sensação de calor começou a se espalhar por seus membros e todo o corpo; por onde passava, os meridianos doíam como se tivessem sido queimados por um ferro em brasa.
Mas mais terrível do que a dor lancinante era a confusão que se seguiu.
As memórias começaram a embaçar.
A consciência, como tinta em água, começou a se espalhar, a se dissipar. O rosto da mãe, os caracteres no sachê, os padrões das correntes, o olhar de pavor de Shi Meng... Todas as imagens giravam, se quebravam, afundando em uma escuridão sem fundo.
Não.
Não posso esquecer.
Lin Yi rugiu em seu íntimo, usando toda sua última força de vontade para resistir à erosão da droga. As pontas dos dedos cravaram-se com força nas palmas das mãos, as unhas perfuraram a pele, o sangue escorreu, e a dor o manteve ligeiramente lúcido.
"Tss, ainda resiste bastante", resmungou a