Capítulo 69: A Caçada Silenciosa
Na sala segura adaptada da fábrica abandonada, só o som distante do vento vinha das profundezas dos dutos de ventilação. Lu Chenzhou estava cruzando fragmentos de dados da empresa "Escudo Negro" com a linha do tempo do caso Shen Yan. Quando a ponta da caneta traçou a terceira linha de conexão no papel, o canto esquerdo do seu olho estremeceu subitamente. Não era um aviso, era fisiológico. Ele largou a caneta; ao rosquear a tampa de metal, um leve *clique* soou.
O som do vento parou.
Não foi um esmorecimento gradual, foi um corte abrupto. O miado dos gatos selvagens do lado de fora da janela, o ruído de fundo do tráfego da ponte elevada ao longe — todos os sons de fundo desapareceram simultaneamente, como se uma mão gigante os tivesse abafado. Lu Chenzhou levantou a cabeça. Nos seis monitores de vigilância na parede, pontos de interferência começavam a surgir das bordas, manchas cinzentas e brancas se espalhavam rapidamente como mofo, devorando todas as imagens em três segundos.
Silêncio.
Então, o tablet criptografado no canto da mesa vibrou. Não era uma chamada, era o canal de emergência unidirecional que apenas Shen Qinghuan conhecia. A tela acendeu, uma mensagem surgiu, com apenas três palavras:
**Eles chegaram.**
Lu Chenzhou agarrou o tablet, passou o polegar pela tela para acessar a lista de contatos. O número de Zhou Zhengping era o primeiro. Ele pressionou a tecla de discagem e colocou o telefone no ouvido.
*Truu — truu —*
Cada toque era prolongado, como uma espécie de contagem regressiva. No sétimo toque, o sinal de ocupado cortou a linha. Monótono, repetitivo, sem transferência, sem mensagem de voz. Ele desligou, discou novamente. O mesmo sinal de ocupado.
Ele se levantou, o movimento era firme, mas no instante em que se ergueu, já havia agarrado a mochila no canto da mesa. Abriu a gaveta, pegou a pistola, verificou o carregador, engatilhou-a. O som *claque* do ferrolho de metal retornando à posição era estranhamente nítido no silêncio mortal.
O canto esquerdo do seu olho estremeceu novamente.
Não foi um estrondo, foi um *rugido* abafado, envolto. A onda de choque chegou, poeira caiu das vigas de aço sobre sua cabeça, a caneta sobre a mesa rolou para o chão. Lu Chenzhou não se virou; ele já estava correndo em direção à saída de emergência do outro lado da sala — uma passagem planejada que levava ao poço do elevador de carga atrás da fábrica.
A segunda explosão foi mais próxima, na direção do corredor logo após a saída de emergência. Luzes de fogo penetraram por baixo da fresta da porta, um lampejo alaranjado que desapareceu num instante. A onda de calor empurrou a porta para dentro, fazendo-a inchar, as dobradiças de metal gemeram. Lu Chenzhou freou bruscamente diante da porta, virou-se e se lançou em direção à tampa do duto de ventilação no canto.
A tampa era móvel, apenas dois dos quatro parafusos estavam apertados. Ele arrancou a tampa, poeira atingiu seu rosto, trazendo um cheiro metálico de ferrugem antiga.
O som de botas táticas pisando em escadas de metal veio do corredor.
Não era uma corrida desordenada, eram passos rítmicos, de avanço coordenado e cobertura mútua. *Bang, bang, bang*, cada passo firme, cada vez mais perto. Pelo menos três pessoas. Lu Chenzhou enfiou a mochila primeiro no duto de ventilação e entrou atrás dela. O duto era estreito, um adulto só conseguiria rastejar. Ele puxou a tampa de volta ao lugar com a mão por trás, encaixando a trava simples por dentro.
Botas entraram na sala, pisando na poeira e nos pedaços de papel espalhados pelo chão.
Lu Chenzhou prendeu a respiração, movendo-se lentamente para trás dentro do duto. A superfície interna do duto era fria e áspera, partículas de ferrugem arranhavam seus cotovelos e joelhos. Vozes baixas vieram de baixo:
"Sala vazia."
Um breve ruído de interferência de rádio, então uma voz masculina mais firme veio
O ramal era ainda mais baixo, ele precisava se arrastar completamente para passar. A mochila ficou presa, ele puxou com força, o tecido rasgou. A ferida na perna bateu na emenda do duto, a dor aguda escureceu sua visão por um instante. A respiração era pesada, rouca com bolhas de sangue, amplificada no espaço estreito em um arfar bestial.
Não era uma retirada, era uma pausa tática. Eles estavam se reposicionando.
Lu Chenzhou sabia que, no máximo, em trinta segundos, eles encontrariam outra entrada para o sistema de ventilação, ou simplesmente explodiriam este trecho do duto com explosivos. Ele rastejou até o final do ramal, onde de fato havia um exaustor enferrujado, as pás já haviam sumido há muito tempo, restando apenas uma abertura circular.
Do lado de fora da abertura estava a área de escritórios abandonados do segundo andar da fábrica.
A luz da lua entrava pelas janelas quebradas, projetando sombras distorcidas dos caixilhos no chão. O ar estava impregnado com cheiro de poeira e mofo, misturado com o aroma de fumaça de pólvora que flutuava de longe. Lu Chenzhou se esgueirou pela abertura, ao tocar o chão a perna ferida fraquejou, quase o fez cair de joelhos. Ele se apoiou em uma mesa de escritório tombada, a superfície coberta por uma espessa camada de poeira, onde sua mão deixou cinco marcas claras de dedos.
Esta área tinha uma estrutura complexa, muitos cubículos, móveis abandonados empilhados, adequada para manobras. Mas as saídas eram poucas — além do duto de ventilação por onde ele veio, havia apenas duas direções: a escada de emergência a leste, e a passarela a oeste que levava ao viaduto.
E da direção da escada leste, já vinham passos claros, de várias pessoas subindo rapidamente.
Eles dividiram as forças. Um grupo perseguia por baixo, outro flanqueava diretamente o andar superior.
Lu Chenzhou tirou duas granadas de fumaça do bolso lateral da mochila. Não eram militares, eram modificadas por ele mesmo, misturando pó de magnésio e agentes de odor irritante. O pino de segurança estava preso em seu dedo indicador, o toque do metal frio. Ele respirou fundo, suprimindo mais uma vez o tremor no canto esquerdo do olho.
Entre os passos, misturavam-se ordens baixas, transmitidas vagamente através das paredes:
"... O chefe está pressionando, o ponto C já está sob controle, o ponto B ainda está sendo revistado..."
"... Sem deixar sobreviventes, incluindo a mulher..."
Os dedos de Lu Chenzhou se apertaram.
O pino foi puxado, a lingueta de segurança voou para longe, caindo na poeira sem fazer som. Ele esperou dois segundos, então rolou as duas granadas de fumaça em direção à entrada da escada leste e à passarela oeste, respectivamente.
Uma densa fumaça cinza-branca explodiu instantaneamente, como dois monstros em expansão, rapidamente engolindo a visão do corredor. Um odor acre se espalhou, misturado com o cheiro queimado da combustão do pó de magnésio. Quase ao mesmo tempo, do lado leste vieram tosses violentas e xingamentos, do lado oeste soou o ruído cauteloso de ferrolhos de armas sendo puxados.
Ele se virou e se atirou em direção à fileira de armários de arquivos no fundo da área de escritórios. Atrás dos armários, havia uma porta de inspeção que ele havia marcado antes, que levava aos dutos de ar-condicionado — não era uma saída convencional, então provavelmente não estava bloqueada. A porta era de chapa de ferro, enferrujada e travada. Ele ergueu a perna ferida e chutou com toda a força na posição da fechadura.
A porta de ferro emitiu um som agudo de metal se contorcendo, amassando-se para dentro em um ponto, mas não abriu.
Segundo chute. Terceiro chute. A ferida na perna se abriu, sangue morno encharcou a barra da calça, pingando no chão. Quarto chute, as dobradiças finalmente se romperam, a porta inteira caiu para dentro, levantando mais poeira.
Atrás da porta estava o espaço escuro dos dutos, ainda mais estreito, mas que levava ao edifício anexo do outro lado da fábrica.
Antes de se esgueirar para dentro, Lu Chenzhou olhou para trás uma vez.
A fumaça densa estava se dissipando, a luz
Lembrou-se da frase no canal criptografado: "O chefe exige uma conclusão rápida."
Lu Chenzhou fechou os olhos, deixando a escuridão engolir sua visão por um segundo. Quando os abriu novamente, não havia nenhuma emoção em seus olhos, apenas um cálculo frio e mecânico. Apoiando-se na caixa de distribuição, ele se levantou. A perna ferida tremia, mas aguentou. Olhou para a porta do outro lado da sala de distribuição, que estava entreaberta. Fora dela estava o beco dos fundos da fábrica, que levava aos becos mais complexos do bairro antigo.
Ele tirou da mochila seu último equipamento — um repetidor de sinal do tamanho de uma caixa de fósforos, de baixa potência, mas capaz de penetrar parcialmente a interferência a curta distância. Ligou-o. Uma luz verde piscou fracamente uma vez e começou a piscar regularmente. Ele esperou. Por uma resposta que talvez nunca viesse.
Não foi uma conexão de comunicação, mas sim a recepção de um pulso de localização extremamente curto e criptografado. A direção de origem do pulso não era a do abrigo temporário onde Shen Qinghuan estivera antes, nem a direção do apartamento de aposentadoria de Zhou Zhengping. Era mais distante, ao norte da cidade, perto da área do cais de carga.
Mas Lu Chenzhou memorizou aquelas coordenadas. E também a simples mensagem oculta na codificação do pulso — era o sinal combinado que ele e Shen Qinghuan haviam acordado para usar apenas na situação mais urgente.
O significado do sinal era: "Estou vivo, mas preso."
Lu Chenzhou desligou o repetidor e o guardou de volta na mochila. Engatilhou a pistola e a enfiou atrás da cintura. Então, empurrou a porta entreaberta da sala de distribuição.
Fora estava o beco dos fundos, cheio de lixo e pneus velhos. A luz da lua não alcançava ali, apenas um tênue brilho amarelado de um poste distante. O ar estava úmido, com o cheiro azedo de lixo apodrecendo. Ambos os lados do beco estavam vazios, anormalmente silenciosos.
Quando Lu Chenzhou deu o primeiro passo, um zumbido extremamente suave veio de cima de sua cabeça.
No céu noturno, um objeto negro do tamanho de um punho pairou a vinte metros acima do beco. Quatro rotores, câmera de infravermelho, luz indicadora vermelha piscando regularmente — um drone. Não era um modelo civil, mas um de reconhecimento profissional com pequena carga útil modificada.
Lu Chenzhou não correu. Permaneceu onde estava, levantou a mão e ergueu o dedo médio para o drone.
A respiração de Lu Chenzhou se tornou um fio naquele instante. Ele pressionou o atalho — aquele era o canal criptografado que se conectava diretamente ao celular oculto de Zhou Zhengping. Mas a rasgadura no avental, o olhar da Sra. Wu, o horário de partida do carro reserva de Gu Zhixing... Todos esses pontos agora se conectavam automaticamente em sua mente, formando uma trajetória que apontava para um desfecho inevitável. O brilho frio da baioneta traçou um arco curto no galpão escuro, mirando diretamente sua garganta. Ele inclinou-se para trás; a lâmina passou raspando a pele sob seu queixo, trazendo uma picada gelada. A ferida em sua perna esquerda explodiu com uma sensação de rasgo sob o movimento violento; ele quase podia ouvir o som minúsculo das fibras musculares se rompendo. Não podia recuar. Seu pé direito empurrou o chão, seu corpo arremessou-se para frente, usando a omoplata para se chocar contra o peito do oponente. O baque surdo do impacto e o som de atrito ósseo explodiram simultaneamente. O atacante gemeu, a baioneta escapando de sua mão,
Ele deliberadamente deixou a voz entrecortada, misturada com suspiros de dor. Um breve silêncio. Em seguida, a voz fria no canal de comando: "Restante do Grupo D, cerquem o lado oeste do galpão de embalagem. Grupo A, ataquem do segundo andar. Grupo B, protejam a saída do canal de drenagem. O alvo está ferido, não irá longe." "Entendido." "Entendido." Lu Chenzhou tirou o fone de ouvido, arrastou o atacante inconsciente para as profundezas da sombra do estante, amarrou suas mãos para trás com braçadeiras de cabo, e tampou sua boca. Ele revistou rapidamente o corpo: dois carregadores reservas, uma lanterna tática, e — um telefone satelital. Ele pressionou o botão de ligar, a tela acendeu, exigindo impressão digital ou senha. Não havia tempo. Ele enfiou todo o equipamento na mochila, pegou o comunicador que ainda funcionava, e rastejou ao longo da borda do estante em direção ao oeste.
O lado oeste do galpão tinha uma porta de ferro enferrujada, fora dela uma plataforma de carga ao ar livre, e mais abaixo, uma rampa de concreto que levava ao canal de drenagem. Mas agora, silhuetas já apareciam na borda da plataforma — pelo menos duas pessoas, avançando em formação tática. Ele recuou para dentro da porta, encostou-se na parede, sua mente trabalhando rapidamente. Um confronto direto era impossível; a lesão na perna o tornaria um alvo fácil. Ele precisava criar confusão. Uma nova instrução veio pelo comunicador: "Grupo A chegou à janela do segundo andar, visão cobre a plataforma de carga. Alvo não avistado." "Grupo D reportando, passagem oeste limpa, alvo não avistado." "O alvo pode ainda estar dentro do galpão. Varram área por área, atenção para armadilhas."
O olhar de Lu Chenzhou caiu sobre o velho guindaste de ponte no centro do galpão. Cabos de aço enferrujados pendiam, conectados a uma enorme garra eletromagnética no final — equipamento usado antigamente para mover chapas de aço. Ele se lembrava da localização da caixa de distribuição, ao lado do painel de controle do guindaste. Ele se abaixou, movendo-se em direção ao painel de controle sob a cobertura dos estantes. Cada passo fazia sua perna esquerda tremer, o suor encharcando o tecido de suas costas. Ao chegar ao painel de controle, ele se agachou e usou a faca para arrombar a caixa da distribuição.
Os fios estavam bagunçados, mas o interruptor principal ainda tinha uma luz indicadora vermelha acesa. Os passos do andar de cima estavam cada vez mais próximos. O som de botas táticas nos degraus de metal, rítmico e opressivo, como o ponteiro de segundos de uma contagem regressiva. Lu Chenzhou encontrou o cabo de alimentação da garra eletromagnética, cortou a camada isolante e torceu os fios de cobre expostos juntos. Então, ele apertou o interruptor principal. Zumbido —
Um som baixo de corrente elétrica encheu instantaneamente o galpão. O guindaste de ponte estremeceu violentamente, a garra eletromagnética energizou-se, explodindo com uma força magnética poderosa. Peças de metal espalhadas nas proximidades, ferramentas, até mesmo alguns produtos de ferro nos estantes, todos foram sugados em direção à garra, emitindo um som denso e estridente de colisão. "Que barulho é esse?!" "Ali! No painel de controle!" Lu Chenzhou já havia rolado na direção oposta no momento em que a garra foi energizada. Ele agarrou o comunicador, pressionou o botão de transmissão e rosnou com uma voz rouca e apressada: "Alvo avistado! Área do painel de controle! Solicitando supressão de fogo!" Quase simultaneamente, tiros irromperam da janela do segundo andar. Balas caíram como uma tempestade ao redor do painel de controle, faíscas voando. Os atacantes no primeiro andar também foram atraídos pelos tiros, convergindo em direção ao painel de controle. Lu Chenzhou aproveitou a oportunidade para correr em direção à porta de ferro. Ele arrombou a porta e rolou para a plataforma de carga. O vento noturno atingiu seu rosto, trazendo um cheiro pútrido de água do rio.
Os dois atacantes na borda da
Um tremor veio de cima. Fragmentos de terra caíram das juntas. Era o som de um veículo passando. Acima deste canal de drenagem havia uma via auxiliar, ocasionalmente usada por caminhões. Ele ergueu o olhar, fixando-o numa tampa de inspeção acima de sua cabeça. Um leve brilho penetrava pelas bordas enferrujadas da tampa de ferro, indicando que ela não estava completamente selada. Altura: cerca de três metros, sem pontos de apoio para escalar. O som de alguém se movendo na água atrás dele estava cada vez mais próximo, e o feixe da lanterna já iluminava as ondulações na superfície da água. Lu Chenzhou respirou fundo, colocou o rifle nas costas, flexionou levemente as pernas e saltou para cima com toda a força. No momento do impulso, o ferimento em sua perna esquerda explodiu numa dor dilacerante; ele quase ouviu o som das fibras musculares se rompendo. Seus dedos mal conseguiram agarrar a borda da tampa, as unhas se quebraram e o sangue jorrou. Ele gemeu abafadamente, colocou a outra mão também e, usando a força dos braços, puxou o corpo para cima. A tampa se abriu numa fenda. O vento noturno entrou. Vozes vieram de baixo: "Lá em cima! Ele vai sair!" Tiros soaram. Balas atingiram a parede interna de concreto, lançando estilhaços. Uma bala raspou a canela de Lu Chenzhou, arrancando um pedaço de pele e carne. Ele cerrou os dentes, usou os ombros e as costas para empurrar a tampa e rolou para a superfície da rua. Um caminhão pesado se aproximava à distância, seus faróis eram ofuscantes. Lu Chenzhou se levantou cambaleante e correu em direção ao canteiro de grama na beira da estrada. O motorista do caminhão, claramente vendo essa figura surgindo subitamente do subsolo, buzinou freneticamente e pisou fundo no freio. Os pneus guincharam estridentemente contra o asfalto. Os perseguidores já haviam saído da saída do canal de drenagem, erguendo suas armas e mirando. Lu Chenzhou mergulhou nos arbustos do canteiro, encolhendo o corpo. Balas varriam folhas e galhos, fragmentos de folhagem voavam por todos os lados.
Sob a cobertura dos faróis do caminhão, ele rolou para o outro lado da via auxiliar. Ali havia uma fileira de lojas de rua abandonadas, com janelas e portas danificadas, escuras por dentro. Ele arrombou uma porta de madeira e rolou para dentro da loja. Poeira se levantou, entrando em suas narinas. O interior estava cheio de móveis e materiais de construção abandonados, o ar impregnado com cheiro de mofo e fezes de roedores. Ele se moveu rapidamente para o fundo da loja, encostou-se a um pilar de sustentação e verificou seus ferimentos. O novo ferimento de bala na canela não era profundo, mas o sangue não parava de escorrer. Ele arrancou a barra de sua camisa e a amarrou com força acima do ferimento. Uma nova instrução veio pelo comunicador: "Alvo fugiu para a área das lojas de rua. Iniciar varredura por imagem térmica com drone." O coração de Lu Chenzhou afundou. Ele olhou para o teto — estrutura de madeira, velha e mal conservada, incapaz de bloquear sinais infravermelhos. O zumbido de drones já vinha da distância, se aproximando rapidamente. Ele precisava deixar aquela área imediatamente. A porta dos fundos da loja estava pregada com tábuas. Ele chutou as tábuas, arrombando-as, e correu para o quintal dos fundos. O quintal estava cheio de entulho de construção. O muro tinha cerca de dois metros e meio de altura, com cacos de vidro encrustados no topo. Ele trouxe um barril de óleo abandonado, subiu nele e agarrou o topo do muro. Os cacos de vidro perfuraram suas palmas; ele gemeu abafadamente, virou-se e saltou para o outro lado. Fora do muro havia um beco estreito, cheio de lixeiras. Um fedor pútrido o atingiu. O drone já sobrevoava a loja, o som de suas hélices ecoando pelo beco. Lu Chenzhou se moveu rente à base do muro, tentando minimizar sua assinatura térmica. Mas o ferimento na perna continuava a sangrar,
Arcos elétricos estalaram. A subestação inteira perdeu energia instantaneamente, e o transformador emitiu um último zumbido baixo antes de silenciar. Um poderoso pulso eletromagnético se espalhou da subestação para todas as direções. O drone no ar...
O espaço entre as prateleiras era muito estreito para movimentos amplos. Os dois lutavam quase colados, a respiração de um batendo no rosto do outro, e era possível sentir o cheiro da borracha das máscaras antigás. O ferimento de Lu Chenzhou se abriu novamente com o movimento violento, sangue morno escorrendo pela perna da calça e pingando no chão de concreto. Ele sentiu uma vertigem — a perda de sangue começava a afetar sua condição física.
Ele propositalmente abriu uma brecha, a adaga errou o alvo e seu corpo cambaleou para frente. O atacante realmente caiu na armadilha, a baioneta militar apontando direto para suas costas. No último instante, Lu Chenzhou torceu o corpo, a baioneta passou raspando pelas costelas, cortando o casaco e o colete antiesfaqueamento por baixo. Ao mesmo tempo, sua mão esquerda já havia agarrado o pulso da mão que segurava a faca do oponente, sua mão direita com a adaga girou, e o cabo da adaga atingiu com força o lado do pescoço do homem.
Lu Chenzhou ajoelhou-se no chão, ofegando profundamente. Uma dor aguda vinha das costelas, possivelmente uma fratura. Ele não teve tempo de verificar, vasculhando rapidamente os espólios: a pistola do oponente (Glock 19, com silenciador acoplado), dois carregadores de reposição e, mais importante — o comunicador caído, e os óculos táticos com câmera miniatura pendurados no peito do homem.
Ele pegou o comunicador, a tela ainda acesa, mostrando a interface de chamada em tempo real de um canal criptografado. Bateria restante: 23%. Ele colocou os óculos táticos, e imediatamente um pequino HUD apareceu no canto superior direito do campo de visão, mostrando sinais vitais (offline), uma bússola e um sinal vermelho piscando constantemente — era o marcador de rastreamento do drone.
Lu Chenzhou olhou para cima, através da janela quebrada da oficina, e viu um pequeno ponto vermelho no céu noturno, girando lentamente. Imagem térmica? Ou rastreamento óptico comum? De qualquer forma, ele não podia mais ficar ali.
Ele falou no comunicador, mais uma vez imitando a voz do comandante, mas desta vez mais apressada, até com um toque de pânico:
"Situação de emergência! O alvo está carregando explosivos! Repito, o alvo está carregando explosivos! Movendo-se em direção ao prédio da fábrica principal! Todas as equipes, concentrem-se imediatamente no prédio da fábrica principal, bloqueiem todas as saídas! Rápido!"
Desta vez, a reação que veio pelo fone de ouvido foi ainda mais caótica. Passos, gritos, comandos táticos se misturavam, claramente a maioria dos atacantes estava sendo atraída para a direção errada por essa informação falsa. Lu Chenzhou aproveitou a oportunidade, arrastando a perna ferida, correu em direção a uma pequena porta no fundo da oficina — aquela porta levava à piscina de tratamento de efluentes da fábrica, e a entrada do canal de drenagem ficava logo ao lado da piscina.
Ele deu dois passos para trás, apontou a pistola para o miolo da fechadura e disparou duas vezes. O silenciador tornou o som dos tiros abafado, como bater com força em um cobertor molhado. O miolo da fechadura voou, e ele chutou a porta.
Lá fora era uma plataforma ao ar livre, abaixo dela a enorme piscina de concreto para efluentes. A água da piscina já havia secado há muito tempo, restando apenas lama escura e lixo. A entrada circular do canal de drenagem ficava na base da parede da piscina, com um metro de diâmetro, escura como breu, como uma boca esperando para devorar.
O ponto vermelho se aproximou rapidamente, o zumbido do motor chegando de cima. Lu Chenzhou olhou para trás — era um drone quadricóptero, com uma plataforma de dois eixos pendurada embaixo, muito provavelmente um modelo policial ou militar com
Ele saiu do canal de drenagem e rolou para dentro do denso caniçal. A água gelada do rio encharcou suas roupas, um frio penetrante que chegava aos ossos. Encostou-se no barranco do rio, ofegando violentamente. O ferimento na perna esquerda, encharcado por água suja, começou a latejar com uma dor ardente — o risco de infecção aumentou drasticamente. A dor nas costelas também se intensificava, cada respiração era como se uma lâmina estivesse raspando.
Além disso, ele tinha troféus nas mãos: um comunicador criptografado do inimigo, um par de óculos táticos com câmera e um prisioneiro — o agressor que ele havia nocauteado, amarrado de pés e mãos com zip ties, amordaçado, arrastado por todo o caminho, agora estava caído no caniçal, soltando gemidos abafados.
Lu Chenzhou examinou o comunicador. A bateria estava em apenas 11%. Ele rapidamente percorreu os registros armazenados: log de chamadas recentes, códigos de acesso para vários canais criptografados e uma mensagem de texto não enviada, cujo conteúdo era: "Alvo do Ponto A escapou, movendo-se em direção ao ponto de segurança secundário. Sugere-se ativar o plano de contingência."
Lu Chenzhou ergueu a cabeça, olhando para a margem oposta do rio. Cerca de um quilômetro de distância, havia uma antiga zona industrial na periferia da cidade; no porão de um armazém abandonado ali, ficava seu ponto de segurança secundário pré-estabelecido — um abrigo temporário reformado a partir de uma garagem subterrânea. Lá havia remédios, comida, equipamentos de comunicação de reserva e uma motocicleta modificada.
Ele precisava ir. Porque a situação de Shen Yanhuan e Zhou Zhengping ainda era desconhecida; ele precisava daquele equipamento de comunicação para entrar em contato com o mundo exterior, tratar seus ferimentos e interrogar este prisioneiro.
Rasgou a barra de sua camisa e reapertou o curativo no ferimento da perna. O movimento foi brutal, a dor fez suor frio escorrer de sua testa. Então, puxou o prisioneiro, pressionando a arma contra a região lombar dele.
"Ande." Sua voz estava tão rouca que não parecia a dele. "Não faça barulho, não olhe para trás. Se cooperar, talvez viva até o amanhecer."
O prisioneiro debateu-se por um instante, mas ao ver o olhar de Lu Chenzhou, finalmente cambaleou e levantou-se.
Os dois, um à frente e outro atrás, atravessaram o caniçal, dirigindo-se à zona industrial do outro lado do rio, envolta pela noite.
Acima, o céu noturno começava a mostrar um cinza muito pálido.
Mas Lu Chenzhou sabia que os momentos mais sombrios frequentemente vêm pouco antes do amanhecer.
No ar da garagem subterrânea, o cheiro de ferrugem e óleo de motor misturava-se, como sangue coagulado e estagnado. A única lâmpada de emergência pendia de uma coluna a mais de dez metros de distância, sua luz pálida e sinistra piscando a cada poucos segundos, alongando e encurtando suas sombras, como uma batida de mau agouro.
Lu Chenzhou sentou-se encostado a uma fria coluna de concreto. O ferimento em sua perna esquerda havia sido tratado de forma básica com um kit de primeiros socorros retirado do agressor. Quando o pó hemostático foi aplicado, ele cerrou os dentes, as têmporas latejando. A dor era aguda, mas clara. Clareza era bom. Ele precisava se manter lúcido.
O prisioneiro estava amarrado à base de outra coluna à sua frente, mãos atadas nas costas, o ferimento de bala na perna direita também enfaixado de forma improvisada da mesma maneira. Era um homem de cerca de trinta anos, cabelo curto, linha do maxilar tensa. Mesmo sob a luz pálida e intermitente, dava para ver que seu rosto não mostrava muita expressão — não era indiferença, era controle adquirido por treinamento. Lu Chenzhou já vira esse tipo de olhar, na prisão, nos rostos de certas pessoas que executavam missões especiais.
O comunicador estava no chão de concreto entre os dois, a tela ainda acesa, mostrando o registro do último canal criptografado. A bateria estava em apenas dezessete por cento.
Lu Chen
"Você sabe," Lu Chenzhou disse. Ele se levantou lentamente, a ferida na perna esquerda sendo puxada, uma dor aguda fez o canto do seu olho esquerdo estremecer. Ele não parou, caminhou até o prisioneiro e se agachou. A distância entre os dois era muito próxima, tão próxima que podia ver as luzes de emergência piscando refletidas nas pupilas do outro. "Se você não falar, vou entregá-lo à polícia. Você tem ferimentos de bala, equipamento personalizado do 'Escudo Negro', registros de comunicação criptografada. A polícia ficará muito feliz — finalmente há uma brecha no caso de Shen Yan."
"Mas se você falar," a voz de Lu Chenzhou ficou ainda mais baixa, como um sussurro, mas carregada de estilhaços de gelo, "'o chefe' vai silenciá-lo. Você sabe melhor do que eu qual é o destino, aos olhos do 'Escudo Negro', de alguém que falha em uma missão."
A respiração do prisioneiro ficou completamente desordenada. Sua testa exsudava um suor frio e fino, uma gota escorreu pela têmpora e caiu no chão de concreto, emitindo um som quase imperceptível de "ploc".
"Escolha," Lu Chenzhou se levantou novamente, olhando para ele de cima, "morrer agora, ou apostar em uma possível sobrevivência."
Apenas o piscar rítmico das luzes de emergência e a respiração cada vez mais ofegante do prisioneiro. Ao longe, chegava o som vago de um carro passando, como se estivesse através de uma camada grossa de algodão.
"Eu..." o prisioneiro finalmente forçou um som, tremendo, "se eu disser... você pode garantir?"
"Não posso," Lu Chenzhou respondeu secamente, "mas posso fazer com que você seja uma testemunha colaboradora no tribunal. Seu depoimento, mais as evidências físicas que tenho em mãos, são suficientes para arrastar 'o chefe' e Gu Zhixing para o abismo. Nessa hora, a polícia lhe dará custódia protetiva. E o 'Escudo Negro'... estará ocupado demais consigo mesmo."
Ele fez uma pausa, olhando nos olhos do prisioneiro: "Esta é sua única chance de sobreviver."
O prisioneiro fechou os olhos. Alguns segundos depois, ele os abriu, algo em seu olhar desmoronou.
"É... é o chefe Shen," sua voz tremia violentamente, cada palavra parecia ser espremida entre os dentes, "Shen Yanqing. A ordem era 'limpeza'... os alvos eram Lu Chenzhou, Shen Yanhuan, e aquele policial velho de sobrenome Zhou. O comando direto era do senhor Gu... Gu Zhixing."
O punho de Lu Chenzhou se apertou ao lado do corpo, as unhas enterrando-se na palma da mão. Mas seu rosto não mostrava nenhuma expressão.
"O ponto A era você... a fábrica abandonada, ataque explosivo, pelo menos seis pessoas, equipadas com rifles de assalto e imagem térmica. O ponto B era Shen Yanhuan... ela estava na casa segura temporária no oeste da cidade, nossa gente primeiro cortou a rede e a energia, depois infiltrou-se pela janela, o plano era injetar sedativo e levá-la, se resistisse então..." o prisioneiro engoliu saliva, "então eliminá-la. O ponto C era Zhou Zhengping... o apartamento de aposentados onde ele se escondeu, duas pessoas, disfarçadas de assalto à residência, para criar uma morte acidental."
"O retransmissor criptografado descartável... distribuído antes de cada missão, autodestrói-se automaticamente após o término da missão. O código deste retransmissor era..." o prisioneiro recitou uma sequência de números e letras misturadas, "mas agora já é inútil. O senhor Gu... ele reportaria ao chefe Shen após o fim da operação, usando outro número seguro."
Lu Chenzhou anotou aquela sequência de códigos. Ele pegou o gravador e o desligou. A luz indicadora vermelha se apagou.
Quase ao mesmo tempo, outro celular em seu bolso da calça vibrou — aquele celular reserva dado por Shen Yanhuan, processado com criptografia por Fang Mu. Ele o tirou, a tela acendeu, duas mensagens saltaram quase simultaneamente.
A primeira era de Zhou Zhengping, apenas uma linha: «Baleado, ombro esquerdo, não fatal. Bandidos, um morto um fugiu. Já tratei o ferimento, temporariamente seguro.»
A segunda era de Shen Yanhuan, um pouco mais longa: «Casa segura invadida, escondi-me no compartimento secreto como você ensinou. E
"Lu Chenzhou." Ela falou, a voz chegando através do canal criptografado, carregando um leve ruído eletrônico. "Recebi o que você enviou. A equipe médica e a de extração já estão a caminho. Localizamos a posição do velho Zhou e de Shen Yanhuan, daremos suporte em dez minutos."
Lu Chenzhou assentiu com a cabeça. Quis dizer obrigado, mas a garganta estava seca, nenhum som saiu.
"As evidências que você forneceu são cruciais." Qin Wangshu continuou, falando rapidamente. "Depoimento do prisioneiro, registros de comunicação, códigos de operação, lista de alvos... Isso já é suficiente para solicitar medidas coercitivas contra Shen Yanqing e Gu Zhixing. O Comandante Zhao já está redigindo o relatório, eu vou impulsionar com toda força."
Ela fez uma pausa, inclinou-se para frente, aproximando o rosto da câmera.
"Mas," disse ela, pronunciando cada palavra com clareza, "Lu Chenzhou, isso ainda não é 'inquestionável'."
"A equipe de advogados de Shen Yanqing vai questionar o método de obtenção do depoimento do prisioneiro — interrogatório sob tortura, indução à confissão, até mesmo sua vingança pessoal. Eles vão dizer que os registros de comunicação podem ser forjados, que os códigos de retransmissão não apontam diretamente para o próprio Shen Yanqing. A empresa 'Escudo Negro' pode empurrar alguns gerentes de nível médio como bodes expiatórios, Gu Zhixing pode alegar que estava apenas executando ordens da empresa, sem conhecimento." A voz de Qin Wangshu transparecia uma ansiedade reprimida. "Precisamos de evidências materiais mais diretas. Ou..."
"Ou o quê?" Lu Chenzhou finalmente falou, a voz rouca como lixa esfregando.
"Ou uma cena que ele não possa negar." Qin Wangshu disse, os olhos fixos na tela. "Uma transação onde ele pessoalmente precise estar presente. Uma gravação de uma ordem dada por ele próprio. Um elo irrefutável que o prenda diretamente à operação 'Limpeza'."
A luz de emergência da garagem piscou mais uma vez. A luz branca e pálida varreu o rosto lívido do prisioneiro, o sangue seco no chão de cimento, as próprias mãos de Lu Chenzhou cobertas de poeira e fuligem de pólvora.
"Por quanto tempo você consegue manter sua posição atual?" Qin Wangshu perguntou.
"Incerteza. Os drones ainda podem estar fazendo buscas nas proximidades, esta garagem também não é absolutamente segura." Lu Chenzhou olhou para o prisioneiro. "Ele precisa de atendimento médico, eu também. Os ferimentos podem infeccionar."
"Aguente firme. A equipe que vai resgatá-lo também está a caminho, mas para evitar possíveis monitoramentos, eles vão dar uma volta, podem levar uns vinte minutos." Qin Wangshu olhou para o lado. "Preciso desligar, há uma situação aqui. Mantenha a comunicação aberta."
A tela escureceu, refletindo o próprio rosto de Lu Chenzhou — pálido, exausto, o canto esquerdo do olho ainda tremendo levemente. Ele encarou aquele rosto por alguns segundos, depois desligou o computador.
A garagem mergulhou novamente na penumbra, apenas aquela teimosa luz de emergência ainda piscando ritmicamente.
O prisioneiro gemeu baixo, provavelmente a ferida na perna doía muito. Lu Chenzhou não olhou para ele. Em vez disso, vasculhou a mochila e tirou a última meia garrafa de água, destampou e bebeu um gole devagar. A água gelada desceu pela garganta, trazendo um breve momento de lucidez.
A capa de plástico estava levemente aquecida pela temperatura de seu corpo. O indicador vermelho já estava apagado, mas lá dentro estava gravado tudo — o depoimento trêmulo do prisioneiro, o nome de Shen Yanqing, a operação "Limpeza", os códigos dos três alvos.