Capítulo 94: Rompendo os Grilhões
Lu Chenzhou segurava o telefone, seus nós dos dedos brancos de tensão. Dentro do carro, aquela última palavra suspensa de Zhou Zhengping soou como uma agulha de gelo, perfurando diretamente seus tímpanos. Do outro lado da linha, veio o farfalhar de páginas sendo viradas, seguido pela respiração contida de Zhou Zhengping. "O líder técnico do projeto 'Segurança de Dados Médicos' do Departamento Provincial de Saúde naquela época." Ele fez uma pausa, baixando ainda mais a voz. "Aquele projeto... mais tarde se tornou a infraestrutura básica do projeto-piloto de medicina inteligente de Beishan. Ele foi eliminado em 1997. O projeto de Beishan foi estabelecido em 1998. Gu Zhixing foi transferido do departamento provincial para o escritório municipal, especificamente responsável pela 'segurança complementar'." O reflexo do rio era ofuscante. Lu Chenzhou fechou os olhos, manchas de luz saltitantes persistentes em sua retina. Consultor técnico-chefe, colega de faculdade, eliminação, morte por doença, cremação sem deixar rastros... e então o projeto de Beishan, a transferência de Gu Zhixing. O pistão começou a funcionar, componentes metálicos frios se encaixando, emitindo um rugido silencioso. "O nome," ele disse.
"Lin Shouye." Zhou Zhengping proferiu um nome, seguido por uma sequência de números. "Vou enviar o número do RG pelo canal criptografado. A esposa dele se chama Wang Xiuqin, ex-enfermeira-chefe do Terceiro Hospital Municipal, aposentada por invalidez em 1999. Tinha um filho, Lin Xiaofeng, nascido em 1988, formado na faculdade de medicina, atualmente..." Ele fez uma pausa. "Desaparecido. Os arquivos mostram que ele saiu do país em 2015, mas a imigração não tem registro de saída."
"Entendi."
"Chenzhou." A voz de Zhou Zhengping carregava uma tensão rara. "Neste ponto, os fios já levam ao nível provincial. Gu Zhixing foi o executor na época, mas quem assinou... pense bem."
"Estou pensando muito bem." Lu Chenzhou abriu os olhos, seu olhar pousando na fotografia de Gu Zhixing mais jovem, trazida da sede de comando de Beishan, que estava no banco do passageiro. As palavras de advertência escritas no verso refletiam levemente à luz do sol. "Tio Zhou, obrigado." Ele desligou a ligação.
O motor não estava desligado, o ar-condicionado soprava um vento seco. Lu Chenzhou encarou a tela escurecida do telefone, que refletia seu próprio rosto inexpressivo. Então, ele engatou a marcha, soltou o freio de mão e o carro se afastou da margem do rio. No espelho retrovisor, o Buick cinza que o seguia desde a porta do tribunal já havia desaparecido há muito tempo. O carro dado por Qin Wangshu estava limpo; ele o havia verificado por dentro e por fora, não havia bugigangas extras. Mas algumas coisas eram mais difíceis de escapar do que rastreadores.
***
Prédio do Esquadrão de Investigação Criminal do Departamento Municipal, terceiro andar. O corredor estava impregnado do cheiro misto de desinfetante e da ferrugem de antigos armários de arquivo. Alguns policiais jovens passavam apressadamente com dossiês, suas passadas hesitando ligeiramente ao vê-lo, seus olhares mesclando curiosidade e uma espécie de evasão deliberada. Lu Chenzhou olhou fixamente para frente, seus sapatos de couro batendo contra o piso de terrazzo, emitindo um som constante e leve. Um som que ele não ouvira há sete anos.
A porta do escritório do chefe do esquadrão estava aberta. Zhao Tieshan estava sentado atrás da ampla escrivaninha, inclinado sobre um documento. A luz do sol, atravessando as persianas, cortava listras alternadas de claro e esc
O aroma fresco do chá misturava-se ao odor empoeirado peculiar dos papéis antigos, penetrando nas narinas. Lu Chenzhou levantou os olhos e olhou para Zhao Tieshan. O rosto do chefe da equipe exibia uma sinceridade de quem segue os procedimentos, com rugas profundas, bolsas sob os olhos inchadas, mas o olhar era firme. Como uma pedra lavada pelo rio por muitos anos, as arestas foram desgastadas, mas o interior ainda era duro. "Chefe Zhao," Lu Chenzhou começou, a voz não alta, as palavras claras, "aceito a compensação, agradeço a intenção. Mas retornar ao serviço, entrar no grupo de investigação especial..." Ele fez uma pausa, o canto esquerdo do olho contraiu-se quase imperceptivelmente por um instante — era uma reação da antiga ferida sob certas condições de luz. "Isso é pedir que eu use um novo número de policial para investigar possivelmente as mesmas forças que me enviaram para a prisão anos atrás?"
O escritório ficou em silêncio por alguns segundos. Apenas o zumbido baixo e contínuo da saída de ar-condicionado e o som distante do tráfego vindo da janela. Zhao Tieshan recostou-se na cadeira, os dedos esfregando inconscientemente o distintivo de polícia antigo e desbotado sobre a mesa. A borda metálica estava polida e lisa, brilhando com um lustre escuro e suave sob a luz. Atrás dele, a maçaneta metálica do armário de arquivos refletia um ponto de luz branca e fria.
"Eu sei o que você está pensando," ele disse, o tom sem variações. "Você acha que o sistema está podre, que não é confiável. Acha que voltar é colocar um novo par de grilhões, e ainda ter que saudar as pessoas que o trancaram. Não é?"
Lu Chenzhou não respondeu. A polpa do polegar esfregou inconscientemente o lado do dedo indicador — um pequeno hábito, como se estivesse tocando algo que não existia. A sensação áspera do tabuleiro de pedra na prisão, mesmo após sete anos, ainda estava gravada na memória da pele.
"Trabalhei como investigador criminal por trinta e um anos," Zhao Tieshan continuou, o olhar fixo na janela. "Vi o preto, vi o cinza, vi o branco ser tingido de outras cores. Mas Chenzhou, você precisa entender uma coisa — algumas batalhas não podem ser vencidas sozinho. Quão profunda é a água do caso Shen Yan? Você deve saber melhor do que ninguém agora."
"Quem é Gu Zhixing? Quem está por trás dele? Sozinho, com o que você vai mexer com eles?" Ele virou a cabeça, encarando Lu Chenzhou, o olhar pesado como um peso de balança. "Você precisa de uma identidade. Precisa de autorização legal para investigar. Precisa acessar arquivos sem ter que rastejar pela janela dos fundos do arquivo." Ele estendeu o dedo, apontando para o documento com cabeçalho vermelho. A junta do dedo bateu no papel, produzindo um som firme. "A autoridade do grupo de investigação especial pode chegar diretamente ao departamento provincial. A foto de grupo de 1996, os registros apagados, os antecedentes das pessoas que lidaram com o caso naquela época... Esses documentos que você sozinho nunca conseguiria acessar, após retornar ao serviço, podem ser consultados através do processo regular."
Zhao Tieshan inclinou-se para frente novamente, baixando a voz. "Incluindo Lin Shouye."
Ele pronunciou as três últimas palavras muito suavemente, mas cada uma era clara. O ritmo respiratório de Lu Chenzhou não mudou, mas a corda tensionada dentro de seu peito vibrou silenciosamente. O telefonema de Zhou Zhengping havia terminado há menos de duas horas. A informação vazou? Ou isso em si era um teste?
"Quais são as condições?" ele perguntou.
"Não há condições por escrito." Zhao Tieshan recostou-se, cruzando as mãos sobre o abdômen. "Apenas uma instrução verbal: o grupo de investigação especial investiga apenas o caso Shen Yan. Assuntos antigos não relacionados a este caso," ele fez uma pausa, o olhar permanecendo no rosto de Lu Chenzhou por um segundo, "não é recomendado cavar fundo. É para o seu bem, e para o bem do caso."
O aroma fresco do chá de repente tornou-se um pouco amargo. Lu Chenzhou olhou para a xícara de chá, as folhas verde-jade já haviam afundado no fundo.
Os dedos de Lu Chenzhou pararam sobre o tet
O tom cobre do rio estava desaparecendo, transformando-se em um cinza de ferro opaco. As luzes das fábricas do outro lado se acenderam, alguns pontos amarelados refletindo na água suja, balançando de forma fragmentada.
Lu Chenzhou jogou a ponta do cigarro no chão e a apagou com a sola do sapato. Aquele ponto de luz vermelha se extinguiu completamente.
"Zhao Tieshan disse que o grupo de trabalho especial pode acessar os arquivos originais de 1996", ele falou.
"Pode", Qin Wangshu assentiu. "Mas o processo de acesso requer três níveis de aprovação, levando pelo menos duas semanas. Além disso, todos os arquivos que você consultar serão registrados e copiados em tempo real." Ela olhou para ele. "O que você está procurando? Aquela pessoa apagada da foto em grupo? Professor Lu, quando você completar o processo e conseguir os arquivos, essa pessoa já pode ter 'falecido por doença' ou 'imigrado para o exterior'. O arquivo ficará apenas com um registro atualizado e 'completo'."
Uma rajada de vento mais forte do rio passou, carregando um odor forte de peixe e umidade. A barra do casaco de Qin Wangshu voou, e ela instintivamente a segurou.
"O carro que você me deu", Lu Chenzhou disse de repente, "até onde ele pode ir?"
Qin Wangshu hesitou por um momento. Ela olhou para ele, algo em seus olhos rapidamente esfriando e solidificando.
"O tanque está cheio", ela finalmente disse, a voz muito baixa. "No porta-malas há um conjunto de placas reserva. Não há dispositivos de rastreamento no carro — verifiquei três vezes. Mas sua placa está registrada no sistema; se usarem autorização de alto nível para rastrear, ainda podem encontrá-lo."
"É o suficiente", disse Lu Chenzhou.
Ele abriu a porta do carro e sentou no banco do motorista. O som da partida do motor parecia especialmente abrupto no cais vazio. A luz azul do painel se acendeu, refletindo em seu rosto sem expressão.
Qin Wangshu ainda estava do lado de fora do carro. Ela olhou para a janela, mas o vidro refletia, impedindo-a de ver a expressão dentro.
"Lu Chenzhou", ela chamou pelo nome dele, não "Professor Lu".
Ele abaixou a janela.
"Se você escolher este caminho", ela disse, "não nos veremos novamente. Pelo menos, não de uma forma 'conhecida'. Todas as informações que eu puder fornecer serão enviadas por canal criptografado de forma unilateral. Você não pode entrar em contato comigo, não pode mencionar meu nome em qualquer lugar público." Ela fez uma pausa, seu pomo de adão moveu-se levemente. "Este é o limite do que posso fazer."
Lu Chenzhou assentiu. Seus dedos repousavam no volante, as juntas levemente brancas pela força aplicada.
"Aquele cartão SIM", ele disse, "vou usá-lo uma vez e depois destruí-lo."
"Certo."
Entre os dois, havia a porta do carro, o crepúsculo que gradualmente se intensificava, e uma linha invisível, porém inquebrável. As chaminés das fábricas do outro lado do rio ainda soltavam fumaça, colunas cinzentas subindo retas, desaparecendo no céu cada vez mais escuro.
"Uma última pergunta", disse Lu Chenzhou, seu olhar fixo no pequeno pedaço de concreto iluminado pelos faróis à frente. "Wu Guohua — Lao Wu. Para onde ele foi depois de se aposentar 'por doença' naquela época?"
Qin Wangshu ficou em silêncio por muito tempo. Tanto que Lu Chenzhou achou que ela não responderia.
"Casa de repouso", ela finalmente disse, a voz quase levada pelo vento do rio. "'Centro de Convalescença Jing'an', nos arredores da cidade. Há três anos, hemorragia cerebral, faleceu." Ela acrescentou, "Sem parentes diretos. Os arranjos funerários foram tratados pela unidade de trabalho."
Os dedos de Lu Chenzhou apertaram o volante.
"Entendi", ele disse.
Ele levantou a janela. O vidro isolou o som do vento, da água lá fora, e as últimas palavras de Qin Wangshu, quebradas pelo vento: "Cuide-se".
Os faróis cortaram a penumbra, os pneus passaram sobre o solo de concreto irregular, e o carro partiu do cais abandonado. No espelho retrovisor, a figura de Qin Wangshu ficou cada vez menor, eventualmente tornando-se um ponto cinza escuro, fundindo-se ao crepúsculo denso da margem
Qin Wangshu ficou parada por um momento, o hálito exalado condensando-se em uma pequena nuvem branca no ar frio. Lu Chenzhou olhou para ela, seu olhar tão calmo quanto a superfície congelada de um lago. "Obrigado pela sua linha de base, Qin Wangshu", ele disse, usando seu nome completo, cada palavra pronunciada com clareza. "E obrigado pela sua... ajuda." Ele se virou, abriu a porta do carro, entrou no banco do motorista. O motor rugiu baixinho ao dar partida, os faróis cortaram o crepúsculo cada vez mais denso, levando aquele "carro limpo" para longe do cais. Qin Wangshu permaneceu no mesmo lugar, imóvel. Só quando a luz traseira vermelha desapareceu completamente na curva, ela lentamente soltou o punho cerrado. A palma da mão estava marcada com uma impressão vermelha profunda das chaves, latejando dolorosamente. Ela ergueu a cabeça e olhou para a superfície escura do rio. Uma névoa fria subiu das profundezas do peito, bloqueando a respiração.
***
A casa segura ficava no último andar de um prédio residencial de seis andares no centro antigo. Não havia elevador, a luz acionada por voz no vão da escada estava quebrada. Lu Chenzhou subiu no escuro, degrau por degrau. O som de seus passos ecoava no corredor vazio, com uma ressonância solitária, cada passo parecendo medir a distância entre ele e sua antiga identidade. A chave entrou na fechadura, girou. A porta se abriu, uma sensação mofada e empoeirada misturada com um leve cheiro de mofo veio ao seu encontro. O quarto era pequeno, um dormitório com sala. A mobília consistia apenas em uma cama de tábuas, uma escrivaninha velha e uma cadeira. A torneira do banheiro pingava um pouco, o som *drip-drip* era especialmente claro no silêncio, como uma contagem regressiva. Lu Chenzhou fechou a porta, não acendeu a luz, foi direto até a janela. Lá fora estava a paisagem noturna da cidade. Ao longe, as luzes de néon do distrito comercial formavam um mar borrado de luz; mais perto, havia uma grande extensão de prédios residenciais antigos, com janelas emitindo luzes amarelas esparsas e fracas, como feijões opacos espalhados sobre um pano de veludo preto. Mais distante, na direção da Montanha Norte, havia apenas uma escuridão pesada e devoradora. Ele ficou em pé por muito tempo, até as pernas começarem a formigar. Então ele foi até a escrivaninha, puxou a cadeira e sentou-se, as pernas de madeira rangendo contra o chão com um som áspero. Ele tirou o celular do bolso. A tela acendeu, a luz branca e fria iluminando metade de seu rosto, também revelando a fina camada de poeira sobre a mesa. Na lista de contatos, o número de Zhao Tieshan estava entre os primeiros. Ele tocou nele, o dedo pairando sobre o botão verde de discar, hesitando. O coração batia estável, sem acelerar. A respiração era tranquila. Mas havia uma corda em sua mente, esticada ao máximo, emitindo um zumbido constante e contínuo que só ele conseguia ouvir. Ele voltou, deslizou o dedo para baixo, a ponta do dedo deixando uma leve marca de suor na tela. Encontrou outro nome, discou. O telefone tocou cinco vezes antes de ser atendido. Do outro lado veio a voz embolada e pesada de sono de Zhou Zhengping: "...Quem é? Que horas são essas."
"Velho Zhou, sou eu, Chenzhou." Um ruído de farfalhar, como se Zhou Zhengping tivesse se sentado na cama, tecido raspando. "O que foi?" A voz instantaneamente ficou muito mais alerta. "Aconteceu algo?"
"Não." Lu Chenzhou olhou para a escuridão lá fora. "Decidi. Não vou voltar."
Houve alguns segundos de silêncio do outro lado da linha. Então Zhou Zhengping soltou um longo e lento suspi
“Pare com essa conversa.” A voz de Zhou Zhengping carregava uma raiva contida e um cansaço ainda mais profundo. “E agora, como você planeja prosseguir? Sozinho, de mãos vazias, invadir o covil de dragões e tigres de Shen Moqing, Gu Zhixing e sua turma? O que você acha que é? Um herói solitário?” Lu Chenzhou não respondeu imediatamente. Ele enfiou a mão no bolso e tirou a peça de xadrez de pedra que polira na prisão – áspera, irregular, com bordas até cortantes, feita com a ponta afiada do cabo de uma escova de dentes, desgastada pouco a pouco, noites sem fim. Representava o “general”, e também a lápide que ele mesmo havia esculpido para si. Ele colocou a peça sobre a mesa. A pedra tocando a madeira emitiu um leve, porém nítido, “toc”.
“Tenho um carro”, disse ele, a voz baixa, mas cada palavra cravada no ar. “Um carro ‘limpo’, dado por Qin Wangshu. Tenho a ajuda ‘invisível’ que ela prometeu. Tenho esta linha quebrada, Lin Shouye. E ainda”, ele fez uma pausa, o pomo de adão moveu-se, a voz baixou ainda mais, mais grave, “sete anos de tempo, e uma vida que ainda não foi quitada.”
Do outro lado da linha, Zhou Zhengping praguejou baixinho. Lu Chenzhou ouviu. Havia pouca raiva naquilo, mais uma sensação de impotência. “Maluco”, disse Zhou Zhengping, o final da frase trêmulo. “Igual ao seu pai na época. Uma vez decidido, nem dez bois conseguem puxar de volta. Batendo de frente no muro sul e nem sequer olhando para trás.”
Lu Chenzhou não respondeu. Desligou o telefone. A luz da tela apagou-se, e o quarto foi novamente engolido pela escuridão. Apenas as luzes esparsas lá fora, ao longe, delineavam vagamente os móveis, contornos indistintos como sombras de fantasmas. Ele sentou-se no escuro, imóvel, como uma estátua de pedra. A sensação fria e dura da peça de xadrez de pedra em sua palma foi gradualmente aquecida pela temperatura do corpo, mas aquele calor não penetrava em seu coração.
Então ele levantou-se, as articulações estalando levemente, caminhou até o canto e pegou a velha mala de viagem quase vazia, abrindo-a.
Dentro havia apenas algumas peças de roupa para trocar, dobradas com cuidado; um conjunto de artigos de higiene; e um power bank totalmente carregado. Ele jogou a peça de pedra áspera lá dentro. Ela caiu sobre as roupas com um baque surdo. Ele fechou a mala. O som do zíper correndo foi especialmente agudo no silêncio mortal, como se rasgasse uma abertura.
O próximo passo, em sua mente, já estava claro. Frio e duro.
Luo Jia Wan.
A favela urbana que já havia desaparecido dos mapas. O último lugar onde Lin Xiaofeng fora visto. E também o local onde Lin Shouye – o engenheiro-chefe tecnicamente apagado da foto de 1996, o velho parceiro de Wu Guohua – poderia ter deixado seus últimos vestígios. Um lugar aplainado, sob o qual algo poderia estar enterrado.
Ele pegou a mala. Era leve, leve demais, a ponto de parecer irreal. Ao chegar à porta, sua mão agarrou a maçaneta de metal gelada, e o movimento parou por um instante. Todos os músculos do corpo tensionaram-se num piscar de olhos.
No corredor, vinham passos extremamente leves, quase abafados pela respiração e pelo batimento cardíaco. Não eram os passos arrastados e cotidianos dos moradores do prédio. Eram passos deliberadamente suavizados, ritmados, cada um controlado no ponto de apoio e na força. Passos treinados.
Mais de uma pessoa.
Os