Capítulo 12: O Registro do Osso Quebrado e da Jade Fragmentada
A porta de pedra fechou-se com um estrondo, cortando o último sopro de vento da montanha e todos os sons do mundo exterior. No Salão da Disciplina, a luz de algumas lâmpadas de chama perpétua estava cravada nas paredes, arrastando sombras longas e rígidas, como se estivessem sendo torturadas. No ar, o aroma do sândalo e do papel envelhecido misturavam-se de forma espessa, mas sob eles pressionava um cheiro mais frio e mais duro — como ferro bruto, ou como a terra úmida acumulada nas profundezas de uma adega, penetrando diretamente nos pulmões.
Os dois discípulos do Salão da Disciplina soltaram suas mãos.
Lin Yi cambaleou um passo, seu braço direito pendendo, a dor aguda nas costelas fazendo seus olhos escurecerem. Ele cerrou os dentes, usando o pé esquerdo para sustentar o centro de gravidade do corpo. Seus joelhos tremiam, sutilmente, incontrolavelmente. Suor frio escorria pela sua coluna.
"Sente-se."
A voz veio de trás da mesa de pedra, rouca, como lixa raspando sobre rocha.
A cadeira de pedra era gelada, perfurando sua pele através do fino uniforme de discípulo. Lin Yi sentou-se, o movimento lento, tentando ao máximo não deixar seu braço direito ferido tocar em nada. Ele ergueu a cabeça.
Atrás da longa mesa de pedra estavam sentados dois homens.
À esquerda, um ancião, rosto emaciado, pálpebras caídas, mas a luz que emanava das fendas de seus olhos era como agulhas. Sua mão direita repousava sobre a mesa, o dedo indicador e o médio batendo alternadamente na superfície — *toc, toc, toc*. Um ritmo monótono, mas cada batida se encaixava nos intervalos entre os batimentos cardíacos.
À direita, um homem de cerca de trinta anos, rosto pálido e sem barba, expressão tão pálida quanto um punhado de cinzas. Diante dele estava aberto um rolo de pergaminho de pele de animal, e em sua mão segurava um pincel fino, a ponta suspensa, sem tinta.
"Nome." O ancião falou.
"Lin Yi." Sua voz estava rouca, mas as palavras eram claras.
"No teste do Pódio de Polir Ossos hoje, na luta contra Shi Yong, a força que você usou no final, qual é sua origem?"
A pergunta veio direta, sem dar margem para rodeios.
A ponta dos dedos de Lin Yi bateu levemente em seu joelho. Era um hábito seu ao pensar, mas neste momento esse gesto precisava ser contido — os olhos do interrogador eram muito venenosos. Ele inspirou, a dor aguda nas costelas fazendo sua respiração tremer.
"Este discípulo... não sabe os detalhes."
Ele começou, a velocidade da fala deliberadamente lenta. Cada palavra era repassada em sua mente.
"Parece ser uma relíquia familiar, um fragmento de jade negra, usado desde a infância." Lin Yi baixou os olhos, fitando sua mão esquerda repousada sobre a perna. "Hoje, no pódio, encurralado por Shi Yong, à beira da vida e da morte, ela de repente ficou quente. Então aquela força... jorrou, incontrolável."
*Toc.*
O dedo do ancião parou sobre a mesa.
"Onde está o fragmento de jade?"
"Após a explosão de força," Lin Yi ergueu a cabeça, seu olhar encontrando o do outro, "transformou-se em pó."
A ponta do pincel do jovem interrogador moveu-se, traçando uma linha no pergaminho de pele. O som da ponta raspando a superfície do couro era suave, mas na sala morta era como uma lâmina raspando osso.
"Que tipo de arte maligna você pratica?" O ancião perguntou novamente.
"Não é uma arte maligna." Lin Yi balançou a cabeça, o movimento puxando a ferida nas costelas, ele gemeu baixinho, uma gota de suor rolando de sua têmpora. "Este discípulo nunca a praticou ativamente. Aquela força... era incontrolável."
"Incontrolável?" O jovem interrogador falou pela primeira vez, voz plana, sem inflexão. "No terceiro nível do Refinamento do Qi, capaz de desencadear força suficiente para ferir gravemente alguém do quinto nível do Refinamento do Corpo, e você diz que foi incontrolável?"
A temperatura
“Este discípulo também gostaria de saber.” Ele falou, a voz carregada de um fogo contido, mas mantido sob controle, sem queimar a razão. “Se o teste do clã é apenas para a ascensão dos fortes, por que tais ‘arranjos’ são necessários?”
O dedo do velho, que batia na mesa, parou.
“Você está questionando a justiça do sorteio?”
“Este discípulo não ousa.” Lin Yi baixou a cabeça, mas sua voz não amoleceu. “Apenas... antes de Shi Yong subir ao palco, o irmão mais velho Xiao Han sussurrou com ele lá embaixo. Este discípulo estava longe, não ouvi claramente, mas viu o irmão mais velho Xiao Han sorrir.”
Ele ergueu os olhos, o olhar percorrendo os rostos dos dois interrogadores.
“Um sorriso... muito frio.”
Essas palavras caíram, e o ar na sala congelou por um instante.
A caneta do interrogador jovem parou completamente. Ele ergueu a cabeça, trocando um olhar com o velho. Foi breve, mas Lin Yi captou — não era surpresa, mas algo mais profundo, como confirmação, ou talvez desgosto.
Desgosto pela luta interna do clã.
E cansaço.
“Xiao Han.” O velho repetiu o nome, a voz ainda mais rouca. “Você está dizendo que ele manipulou o teste, tentando usar as regras para eliminá-lo?”
“Este discípulo não tem provas.” Lin Yi respondeu imediatamente, suavizando o tom, mas com as palavras claras. “Apenas o que vi com meus próprios olhos, o que ouvi com meus próprios ouvidos. Se não tivesse sido forçado à beira do ringue, num instante de vida ou morte, como a força da relíquia teria descontrolado e explodido?”
Ele fez uma pausa, deixando as palavras afundarem no ar.
“Este discípulo está disposto a aceitar a punição por usar uma força desconhecida. Mas a injustiça do teste, o fato de alguém querer me eliminar rapidamente usando as regras — isso também é um fato.”
Terminando, ele baixou a cabeça, os ombros subindo e descendo levemente com a respiração. A sensação de dormência em seu braço direito estava se espalhando para cima; abaixo da articulação do cotovelo, já não havia sensação alguma. A dor nas costelas vinha em ondas, como uma faca cega revirando por dentro. Ele cerrou os dentes, não deixando escapar um gemido.
O tempo se alongou.
O halo da lâmpada de chama eterna tremulava na parede de pedra, as sombras se contorcendo junto. O cheiro de sândalo misturava-se ao odor de sangue que emanava dele, formando uma doçura enjoativa. Os dedos do interrogador jovem deslizavam inconscientemente sobre o livro, produzindo um leve som de atrito. O velho permanecia imóvel, os olhos turvos fixos em Lin Yi, como se avaliando um cadáver.
Finalmente.
O interrogador jovem fechou o livro.
“Este assunto será investigado pelo Salão da Disciplina.” Ele falou, a voz ainda plana. “Mas a origem de sua força é desconhecida, sua natureza bizarra, e viola o terceiro preceito do clã — não praticar ou usar forças estranhas ou métodos malignos não autorizados.”
O coração de Lin Yi afundou um pouco mais.
“De acordo com a lei,” o velho continuou, o dedo batendo na mesa pela última vez, “deve-se eliminar o cultivo e expulsar da montanha.”
Eliminar o cultivo.
Essas quatro palavras entraram nos ouvidos de Lin Yi como um punhal de gelo. Mas ele não se moveu, nem mudou a expressão. Ele esperava — esperava o “porém”.
“Porém—” o interrogador jovem de fato continuou, “considerando que existem pontos questionáveis no processo do teste, e que o cenário que você descreveu — ‘ativação da relíquia’ e ‘defesa forçada’ — ainda deixa uma margem para argumentação.”
Ele se levantou, caminhou até um armário ao lado da mesa de pedra e abriu uma gaveta.
Um leve som de metal rangendo.
O olhar de Lin Yi seguiu-o. O interrogador jovem tirou algo da gaveta — um anel de metal escuro e sem brilho, com cerca de dois dedos de largura, sem padrões na superfície, apenas uma fileira de ranhuras extremamente finas, quase invisíveis, na borda.
Anel de Restrição.
A respiração de Lin Yi travou por um inst
A Caverna do Vento Negro. Era um lugar sinistro que fazia os discípulos externos empalidecerem. Os Lobos Corrosivos, no mínimo, eram bestas demoníacas do quarto nível de Refinamento do Qi, e o Rei Lobo se aproximava do sexto nível. E eles nunca agiam sozinhos, sempre se moviam em bandos de dezenas.
Enviar ele, um discípulo do terceiro nível de Refinamento do Qi, gravemente ferido, para lá sozinho?
Isso não era uma missão.
Era uma sentença de morte.
"Conclua a missão," o jovem interrogador acrescentou, seu tom ainda plano, "e a punição poderá ser atenuada conforme o caso. Se falhar na missão, ou tentar fugir—"
Ele olhou para o Anel de Restrição.
"—o anel explodirá."
O silêncio desceu novamente, mas desta vez com um peso que quase sufocou Lin Yi. Ele encarou o ponto negro no mapa, sua mente passando rapidamente por todas as informações conhecidas: Caverna do Vento Negro, Lobos Corrosivos, presa do Rei Lobo, prazo de cinco dias.
E o Anel de Restrição.
Era uma armadilha aberta. Quer ele completasse a missão ou não, ele poderia morrer lá. Se fugisse, o anel o mataria. Se fosse, a matilha o mataria.
A única saída era encontrar uma fresta de esperança dentro do desespero.
"Este discípulo..." Lin Yi falou, sua voz rouca, "...aceita a ordem."
Ele ergueu a mão esquerda não ferida e estendeu-a em direção ao anel de metal sobre a mesa de pedra. No instante em que seus dedos tocaram a superfície, uma onda de frio penetrante subiu pelo dedo, correndo direto para o braço. A textura do metal era gelada e dura, como segurar um bloco de gelo.
O jovem interrogador o observou e disse uma última coisa.
"Lembre-se," sua voz era baixa, mas cada palavra era clara, "só poderá falar se voltar vivo."
Os dedos de Lin Yi se fecharam, segurando o Anel de Restrição.
O frio do metal penetrou sua palma.
O frio que emanava da parede de pedra subia pela coluna como agulhas finas.
Lin Yi estava sentado sozinho na cadeira de pedra. O tecido de suas costas, encharcado de suor frio, colava-se à pele, trazendo uma sensação úmida e gelada. Ele encarava a mesa de pedra vazia à sua frente, os dedos batendo levemente e inconscientemente nos joelhos — *tap, tap, tap* — um ritmo constante, como se estivesse medindo o tempo.
O som do eixo da porta girando era seco e áspero.
Os dois interrogadores retornaram. O mais velho vinha na frente, segurando um rolo de papel de pergaminho amarelo-escuro. O mais jovem seguia atrás, seu olhar pousando no rosto de Lin Yi por um instante antes de se desviar.
O ar estava parado como ferro.
O interrogador mais velho sentou-se atrás da mesa de pedra e desenrolou o pergaminho. As bordas do papel estavam muito desgastadas, brilhando com um lustre antigo. Ele não falou imediatamente, mas passou os dedos magros e secos lentamente sobre a superfície do papel, como se estivesse confirmando algo.
O coração de Lin Yi afundou.
Seus músculos se prepararam.
"Lin Yi." A voz do mais velho estava mais rouca do que antes, como lixa raspando pedra. "Sua declaração foi verificada preliminarmente pelo Salão da Disciplina."
Uma pausa.
O jovem interrogador virou-se ligeiramente, seu olhar caindo sobre as sombras na parede. Seus dedos se contraíram dentro das mangas.
"Quanto às anomalias no sorteio da prova, e à discrepância entre a força real de Shi Yong e os registros..." O interrogador mais velho ergueu os olhos turvos. "...existem de fato pontos questionáveis. O Salão da Supervisão recuperou os registros das placas de jade do sorteio daquele dia e descobriu vestígios de interferência artificial nos rastros de energia espiritual."
A respiração de Lin Yi travou por um instante.
"Mas—" O tom do mais velho subitamente se tornou gélido. "—isso não explica completamente a origem e natureza daquela força dentro de você. A alegação de 'ativação acidental de uma herança familiar' carece de evidência concreta. O fragmento de jade está destruído, morto sem testemunho."
A temperatura na sala caiu mais alguns graus.
O pavio da lamparina soltou uma
A garganta de Lin Yi apertou. Ele engoliu, uma dor seca se espalhando da traqueia até o peito.
"Qual tarefa?" Sua voz estava mais estável do que imaginava.
O interrogador mais velho empurrou o pergaminho de couro para frente. A superfície do papel traçava o contorno de uma cordilheira com cinábrio, com um local circulado e anotações em letras pequenas ao lado.
O olhar de Lin Yi caiu sobre aquelas palavras.
Caverna do Vento Negro.
O sangue em suas veias congelou.
"Na periferia da Cordilheira do Vento Negro, recentemente, a 'Alcatéia de Ossos Corroídos' tem se movimentado com frequência anormal, já atacando e matando três discípulos colhedores de ervas." O dedo do interrogador mais velho bateu no círculo vermelho. "Sua tarefa: em cinco dias, penetre na área periférica da Caverna do Vento Negro, elimine a alcateia e traga de volta pelo menos dez 'presas do Rei Lobo' como prova."
Seu braço direito latejou com uma dor entorpecida. O braço inutilizado pendia ao lado do corpo, como um pedaço de madeira que não lhe pertencia.
Caverna do Vento Negro.
Um local sinistro que os discípulos externos sussurravam em particular. Ventos gélidos sopravam perenemente dentro da caverna, capazes de corroer ossos e dissipar almas. Discípulos comuns do estágio médio de Refinamento de Qi não ousavam se aprofundar mesmo em equipe, quanto mais sozinhos.
E ainda trazer dez presas do Rei Lobo?
Os Lobos Ossos Corroídos eram bestas demoníacas que viviam em matilhas. O Rei Lobo era pelo menos equivalente ao sexto nível de Refinamento de Qi, e sempre tinha a matilha como guarda-costas.
Isso era uma tarefa.
Era também uma sentença de morte.
"Este discípulo..." Lin Yi ergueu a mão esquerda, não ferida, a ponta dos dedos tremendo levemente. "Está gravemente ferido, o braço direito inutilizado. Uma tarefa como esta, temo que..."
"Esta é sua única escolha." O interrogador mais jovem o interrompeu. Seu olhar caiu verdadeiramente no rosto de Lin Yi pela primeira vez; algo brilhou naqueles olhos, rápido demais para ser capturado. "Ou você pode recusar agora. O Salão da Disciplina tratará isso como 'Resistência à Execução da Lei', destruindo seu cultivo no local e expulsando-o do clã."
Ele fez uma pausa, baixando um pouco a voz.
"Em seu estado atual, quantos dias você sobreviveria, expulso dos portões da montanha?"
Os punhos de Lin Yi se cerraram.
As unhas enterraram-se nas palmas das mãos.
A sala ficou tão silenciosa que se podia ouvir o leve estalar do óleo queimando na lamparina. O aroma do sândalo misturava-se ao mofo dos rolos de papel antigos, e aquele frio metálico e enferrujado sob tudo ficava cada vez mais forte.
Ele encarou o anel de restrição.
A superfície metálica cinza refletia as sombras dançantes da lamparina, como se algo vivo respirasse lentamente.
"Este discípulo..." Lin Yi ouviu sua própria voz vindo de um lugar muito distante. "Aceita a ordem."
O interrogador mais velho acenou com a cabeça, sem expressão alguma no rosto. Ele pegou o anel de restrição e caminhou até Lin Yi.
Quando o anel metálico tocou a pele de seu pulso esquerdo, era frio como gelo.
*Clique.*
Um som suave.
O corpo do anel se contraiu automaticamente, encaixando-se perfeitamente ao redor do osso do pulso. Em seguida, o cinza fosco da superfície começou a fluir, a clarear, até desaparecer completamente, deixando apenas uma leve marca cinza, como uma mancha de nascença.
Mas Lin Yi conseguia sentir.
Um fio de energia espiritual, frio, fino, mas incrivelmente resistente, estendeu-se do interior do anel, perfurando silenciosamente a pele e subindo pelos meridianos, conectando-se finalmente ao seu Dantian.
Os símbolos do contrato doaram novamente.
Desta vez, mais claramente.
"Lembre-se." O interrogador mais jovem estava parado perto da porta, de costas para a luz, sua silhueta alongada em uma sombra magra. "Cinco dias. Dez presas do Rei Lobo. Se faltar uma, será considerado falha na tarefa."
Ele se virou e empurrou a pesada porta de pedra.
A luz do corredor do lado de fora vazou, faz
O discípulo do Salão da Disciplina encostado na parede bocejou e virou o rosto na direção do depósito de mantimentos.
Foi nesse exato instante.
O jovem discípulo da Inspeção, escondido nas sombras, agiu. Deslizou como uma folha ao vento, posicionando-se exatamente para bloquear a linha de visão do discípulo do Salão da Disciplina. Seus lábios mal se moveram, a voz tão baixa quanto um sopro passando pela orelha:
"Fogo."
As pupilas de Lin Yi se contraíram levemente.
"Pó de Pedra Yangyan." A fala do jovem discípulo era rápida, cada palavra como um prego cravado. "Os Lobos Corroedores temem o fogo, especialmente o fogo que contém pó de Pedra Yangyan. Os covis ficam geralmente em fendas rochosas sombreadas, mas o Rei Lobo..."
Ele fez uma pausa, sua respiração um pouco instável.
"... recentemente, alguém o viu rondando perto da entrada da Caverna do Vento Negro. O pelo dele tem um brilho prateado. Não está normal."
Os dedos de Lin Yi se contraíram levemente ao seu lado.
"Além disso." A voz do jovem discípulo ficou ainda mais baixa, quase apenas um sussurro. "Os homens de Xiao Han... provavelmente também 'observarão' sua missão."
Dito isso, ele tirou do peito uma pequena bolsa de couro e um pedaço de pano grosso dobrado em um quadrado perfeito, passando-os rapidamente para os braços de Lin Yi, por baixo de sua axila. A bolsa de couro era áspera, e dava para sentir o contorno dos biscoitos duros dentro. O pano estava seco, trazendo uma tênue sensação de calor, como se tivesse sido secado ao sol.
Lin Yi não baixou o olhar.
Ele apenas inclinou levemente a cabeça, seus lábios se movendo.
"Agradeço."
O jovem discípulo já havia recuado dois passos, elevando o volume da voz para um tom normal: "Esta lanterna está bem, o óleo ainda é suficiente."
Ele se virou e partiu pelo corredor. Sua silhueta cinza-azulada logo desapareceu na curva.
O discípulo do Salão da Disciplina encostado na parede voltou a cabeça, lançando um olhar rápido para Lin Yi. "O que está esperando? Vamos."
O outro discípulo retornou do depósito, segurando uma bolsa menor, que jogou casualmente para Lin Yi.
"Seus suprimentos. Três biscoitos de grãos grossos, um cantil de água." Seu tom era impaciente. "Vamos logo, ainda temos que levá-lo até o portão da montanha."
Lin Yi pegou a bolsa com a mão esquerda. Era muito leve.
Segurando a bolsa de couro e o pano contra o peito, ele seguiu os dois discípulos pelo corredor que ficava cada vez mais escuro. O som de seus passos ecoava entre as paredes de pedra, como o pêndulo de um relógio fazendo uma contagem regressiva.
O Anel de Restrição em seu pulso esquerdo permanecia em silêncio, emitindo um frio constante.
Eles finalmente pararam diante de uma porta lateral discreta. A porta era de madeira-ferro pesada, as bordas já rachadas, as dobradiças severamente enferrujadas.
Um dos discípulos empurrou a porta.
Do lado de fora, havia uma trilha estreita e coberta de ervas daninhas, serpenteando em direção à distância. Mais adiante, erguiam-se as silhuetas contínuas das montanhas, envoltas em uma névoa cinza-escura. A névoa fluía lentamente, como se alguma criatura viva estivesse respirando.
"Lá, é o Pico do Vento Negro." O discípulo apontou para a direção onde a névoa era mais densa. "A caverna fica no interior, você terá que encontrá-la sozinho."
Ele fez uma pausa, acrescentando:
"Cinco dias. Lembre-se."
A porta se fechou atrás dele com um estrondo.
O som da madeira-ferro batendo contra o batente era abafado e decisivo.
Lin Yi ficou sozinho na trilha.
Seu braço direito pendia, seu pulso esquerdo pesado. A bolsa de couro e o pano contra seu peito transmitiam uma sensação de calor insignificante. Mais adiante, a sombra do Pico do Vento Negro emergia e desaparecia na névoa cinza, como uma besta gigantesca rastejando.
Ele levantou a mão esquerda, olhando para a marca cinza-claro em seu pulso.
O Anel de Rest
Lin Yi respirou fundo.
A névoa entrou em seus pulmões, trazendo um cheiro doce de putrefação e um leve odor de sangue. Ele deu um passo, continuando a subir. Pedregulhos rolaram sob seus pés, emitindo um som fino, quase como de uma delação. Cada passo puxava a dor em suas costelas, o suor escorria de suas têmporas, misturando-se ao sangue e à sujeira em seu rosto, pingando dentro da gola de sua roupa.
A encosta ficava cada vez mais íngreme.
A névoa ficava cada vez mais densa, como uma gaze úmida e fria envolvendo seu corpo todo. Sua visão foi comprimida a apenas alguns passos à frente, mas seus ouvidos ficaram anormalmente aguçados — o lamento do vento passando por fendas nas rochas, o fluxo surdo de um riacho distante, e... um som sutil, de garras arranhando pedra.
À frente, à esquerda.
Lin Yi parou, segurando o galho seco diante de si. Embora soubesse que era inútil.
O som parou.
A névoa fluía lentamente, nada era visível. Mas aquela sensação de estar sendo observado, como agulhas fincadas na nuca. Ele virou o olhar lentamente, varrendo com o canto do olho o amontoado de pedras à esquerda. Algumas rochas negras empilhadas, com musgo vermelho-escuro crescendo nas fendas, parecendo sangue coagulado na névoa.
No fundo de uma fenda, dois pontos de luz verde-fantasma piscaram e desapareceram.
As costas de Lin Yi ficaram rígidas como uma tábua.
Ele manteve a postura de avanço lento, mas seus músculos já estavam tensionados ao limite. Os dedos de sua mão direita se contraíram involuntariamente — ainda sem sensação, mas a dormência e a picada residual no centro da palma, após usar o poder da runa, agora eram anormalmente claras.
Não podia correr.
Fugir desencadearia o instinto do predador. Ele continuou a subir, o ritmo de seus passos inalterado, apenas a força com que a mão esquerda apertava o galho seco deixava seus nós dos dedos brancos.
Os dois pontos verdes não reapareceram.
Mas o som de arranhões voltou, desta vez à direita e atrás, mais perto. Acompanhado por um rosnado baixo, rolando do fundo da garganta. O odor fétido no ar subitamente se intensificou, misturado ao fedor característico de podridão da boca de um carnívoro.
Não era apenas um.
Eles estavam testando, cercando.
O coração de Lin Yi batia pesadamente dentro de seu peito. Cada batida puxava a dor nas costelas, fazendo-o cerrar os dentes. Mas ele não acelerou o passo; pelo contrário, ficou ainda mais lento. Seu olhar varreu rapidamente o terreno ao redor — encosta de pedras soltas, inclinada, muitos cascalhos, desfavorável para um bando de lobos lançar uma carga. Mas também desfavorável para sua fuga.
Dez passos à frente, havia uma rocha plana com meio homem de altura, colada à parede da montanha.
Poderia servir de apoio para as costas.
Ele ajustou a direção, movendo-se em direção à rocha. Passos firmes, o som do galho seco tocando o chão deliberadamente suavizado. O rosnado à direita e atrás se aproximou, a distância diminuindo. Cinco passos. Três passos.
Lin Yi acelerou subitamente, correndo em direção à rocha!
Quase ao mesmo tempo, uma sombra cinza irrompeu da névoa à direita e atrás!
Velocidade extrema, apenas um contorno borrado e dois pontos verdes. Lin Yi desviou bruscamente para a esquerda, a sombra cinza passou raspando seu ombro direito, as garras arranhando a rocha, faíscas saltando. Um vento fétido soprou em seu rosto.
Ele cambaleou até a beira da rocha, encostou as costas na parede de pedra, virou-se, galho seco erguido diante de si.
A sombra cinza aterrissou, virou-se.
Era um Lobo Corrói-ossos. Maior que um lobo comum, a altura do ombro chegava à sua cintura, pelagem cinza e preta, músculos nodosos. Os olhos verdes-fantasma fitavam Lin Yi fixamente, a boca aberta babando, presas amareladas com pontas manchadas de sangue vermelho-escuro.
Não atacou imediatamente, mas abaixou os membros dianteiros, um rosnado ameaçador rolando
A trouxa se abriu no ar, espalhando mantimentos, cantil, isqueiro de fricção, tudo caindo com um barulho.
O lobo à esquerda, perturbado pelos objetos inesperados, instintivamente virou a cabeça para se esquivar. O cerco apresentou uma brecha momentânea.
Lin Yi não correu em direção à brecha.
Em vez disso, deu um passo à frente, varrendo com o galho seco para afastar o lobo à sua frente que acabara de se firmar, enquanto seu corpo girava bruscamente para a direita, arremetendo contra o lobo do lado direito — dos três, era o mais distante, posicionado mais para fora.
O lobo da direita claramente não esperava que a presa se lançasse contra ele, hesitou por um instante.
Foi o bastante.
Lin Yi já estava diante dele, o galho seco espetando com força em direção aos seus olhos! O lobo desviou a cabeça, o galho raspou sua orelha, arrancando um tufo de pelo cinza. Lin Yi aproveitou o impulso para se agachar, rolando por baixo da barriga do lobo!
Os cascalhos pressionaram seus ferimentos, a dor tão intensa que sua visão escureceu. Mas ele cerrou os dentes, se levantou e correu ladeira abaixo sem olhar para trás — não na direção do caminho de grama seca, mas para o lado, em direção a um amontoado de pedras mais íngreme e acidentado.
Atrás dele, ouviu-se um uivo furioso e o som de garras arranhando o solo em disparada.
Os três lobos o perseguiram.
Lin Yi saltou e rolou entre as pedras soltas, cada aterrissagem sentida como uma facada nas costelas. Seu braço direito balançava loucamente com a corrida, puxando os ferimentos, o suor frio encharcando todo o seu corpo. Mas ele não ousava parar, seus pulmões sibilavam como um fole furado, cada respiração carregada de um sabor metálico de sangue.
Despencando por uma ladeira íngreme, à sua frente surgiu uma depressão relativamente plana, coberta de artemísia seca e amarelada, com altura até a cintura.
Ele entrou sem hesitar.
A artemísia raspou seu corpo, produzindo um ruído denso e sibilante, ocultando temporariamente sua forma. Os uivos atrás se aproximavam, mas ao entrarem no matagal de artemísia, sua velocidade claramente diminuiu — a vegetação densa obstruía sua visão e impedia sua investida.
Lin Yi serpenteou pela vegetação, mudando constantemente de direção. O cheiro forte e amargo da artemísia mascarou o odor de sangue que ele exalava.
Não sabia por quanto tempo correu, mas os uivos atrás gradualmente se afastaram, transformando-se em ganidos relutantes e intermitentes.
Ele não ousou parar, continuou avançando por mais um trecho, até que a artemísia começou a rarear, e à sua frente surgiu um bosque escuro de criptomérias. Na borda da floresta, havia uma concavidade natural formada por um desmoronamento de rochas, não grande, mas suficiente para esconder uma pessoa.
Lin Yi cambaleou e se atirou na concavidade, encostou as costas na parede fria de pedra e desabou sentado.
Dor aguda, sufocamento, vertigem — tudo subiu de uma vez. Ele abriu a boca, ofegando silenciosamente, sua visão escurecendo em ondas. A mão direita pendia ao lado do corpo, a esquerda pressionava firmemente as costelas, os dedos sentindo o calor do sangue que ainda escorria dos arranhões.
Fora da toca, o vento uivava através das fendas do bosque de criptomérias, emitindo lamentos. À distância, ainda havia uivos vagos, mas já muito longe.
Ele sobrevivera ao primeiro encontro.
O preço foi perder todos os suprimentos, ganhar um novo ferimento no ombro direito, e sua força física beirando o limite.
Lin Yi encostou-se à parede de pedra, fechou os olhos, esperando a escuridão diante deles se dissipar. O suor pingava de seu queixo, manchando o tecido grosso de sua roupa com marcas escuras. A bolsa de couro em seu peito ainda estava lá