Capítulo 52: Trovão na Sala Escura, Jogo Oculto de Morte
A cortina de chuva se rasgou. Lu Chenzhou sacudiu a mão de Shen Qinghuan e a empurrou para a curva do túnel secreto. "Fique quieta." Ele não olhou para trás. O ferimento em seu braço direito latejava na água fria, a carne dilacerada exibindo uma palidez cadavérica. Ele cerrou os dentes, agarrou a grade de ferro retirada do duto de ventilação e avançou em direção à parede traseira do arquivo abandonado. A voz de Qin Wangshu chegava intermitente em seu fone de ouvido: "... dois minutos... a testemunha ainda está lá dentro..." O sinal estava embaralhado pela chuva. Ele não respondeu. As persianas do duto de ventilação já estavam corroídas pela ferrugem. O cheiro de ferro misturado com mofo e umidade atingiu seu rosto; uma luz amarela fraca vinha do fundo do duto — o arquivo ainda tinha energia. Ele se virou de lado e se espremeu para dentro, a chapa de ferro cortou sua omoplata, gotas de sangue rolaram sem som. No fim do duto, sua visão se abriu de repente. No centro do arquivo, Zhou Zhengping estava amarrado a uma cadeira de ferro, a boca coberta por fita adesiva, o rosto todo ensanguentado. Dois homens de preto faziam guarda armados, as bocas de seus canos cruzadas cobrindo a entrada. Uma terceira pessoa, de costas para a saída de ventilação, agachava-se no canto, mexendo em algo — um temporizador, sua luz vermelha piscando. "Dois pontos de fogo, um demolitor." Lu Chenzhou silenciosamente desmontou a grade de ferro que segurava, os nós dos dedos brancos. Ele contou até três. A granada de flash saiu de sua mão. Luz branca explodiu. Um zumbido de alta frequência rasgou seus tímpanos, o cheiro de fumaça de pólvora entrou em seus pulmões. Os homens de preto cobriram os olhos ao mesmo tempo. Lu Chenzhou chutou para quebrar o duto e saltou, a grade de ferro varreu o pescoço do primeiro homem, o som de ossos quebrando. O segundo homem levantou a arma com dificuldade, ele se virou, arrancou a arma, a coronha esmagou o zigoma do oponente. Os dois caíram. Menos de quatro segundos. O demolitor tentou se levantar para fugir, Lu Chenzhou pisou em seu pulso, pegou o temporizador — faltava um minuto e doze segundos. Ele puxou o pavio, chutou o demolitor para baixo e o imobilizou com uma chave no pescoço. "Quem te enviou?" O demolitor arregalou os olhos, os lábios se moveram, mas suas pupilas olharam para trás de Lu Chenzhou. Não para ele. Para a pessoa atrás dele.
Sapatos de couro trituraram cacos de vidro, emitindo um som agudo e lento. Calmo, preciso, como se estivesse passeando em seu próprio escritório. "Do ponto de vista legal, você agora está suspeito de invasão ilegal e lesão corporal dolosa." A voz era suave, a pronúncia clara, cada palavra como um bisturi cortando a pele. A espinha dorsal de Lu Chenzhou congelou. Ele se virou lentamente. Gu Zhixing estava na entrada do arquivo, seus óculos de aros dourados refletindo uma luz fria, o polegar esquerdo esfregando o botão da manga. Não havia mais ninguém atrás dele. Apenas ele. Uma pistola com silenciador pendia em sua mão direita, a boca do cano ainda soltando uma fumaça pálida. "Gu Zhixing." A voz de Lu Chenzhou era extremamente baixa, como se fosse espremida entre os dentes. Gu Zhixing sorriu, levantou a mão — a boca da arma apontou para a testa de Zhou Zhengping. "Solte a grade, Sr. Lu. Caso contrário, o próximo a assinar será o laudo necroscópico deste Sr. Zhou."
A grade de ferro caiu no chão, um baque surdo sobre os cacos de vidro.
Lu Chenzhou ergueu lentamente as mãos, as palmas voltadas para fora.
"Solte-o."
Gu Zhixing não se moveu. A boca da arma ainda pressionava a têmpora de Zhou Zhengping, as rugas no rosto do velho pareciam leitos de rios secos sob a luz fria, suas pupilas dilatadas, os lábios se movendo silenciosamente — não, não aceite.
"Com base nas evid
O mesmo som? Não, não era Gu Zhixing. Mas o gesto era idêntico. Exatamente o mesmo.
O arquivo escorregou de suas mãos.
Os músculos congelaram instantaneamente, os comandos para os membros foram cortados. Os joelhos fraquejaram, a visão começou a se desfocar, uma luz branca ofuscante cobriu tudo diante de seus olhos.
A água jorrava em seu rosto, o frio penetrava até a medula, mas não conseguia trazê-lo de volta à realidade.
Gu Zhixing aproximou-se de seu ouvido, a voz baixa, quase engolida pelo som da água:
"A pessoa que te forçou a assinar naquela época, você realmente acha que foi Shen Moqing?"
Então, a mão se soltou.
O som de sapatos de couro pisando em cacos de vidro se afastou gradualmente, desaparecendo na espessura da fumaça.
Lu Chenzhou ainda estava parado no mesmo lugar, a cortina d'água encharcando seu corpo por completo, a mão direita suspensa no ar — mantendo a postura de segurar o arquivo, mas a palma estava vazia.
A capa azul jazia na poça d'água a seus pés, as páginas encharcadas, a tinta começando a escorrer.
Seus lábios se moviam, mas nenhum som saía.
A sensação de pressão no lado do pescoço havia desaparecido, mas a asfixia continuava.
A água ainda fluía.
Lu Chenzhou estava no centro da cortina d'água, as pupilas dilatadas, a respiração superficial e ofegante. Na pele do lado do pescoço, as marcas dos dedos deixadas por Gu Zhixing começavam a ficar roxas.
A sala de interrogatório de dez anos atrás. O tubo de luz zumbia. Alguém estava atrás dele, a mão prendendo no mesmo lugar, o polegar pressionando a artéria carótida, a voz caindo de cima —
"Assine isso, e sua irmã poderá ir para a mesa de cirurgia."
Suas mãos começaram a tremer. Não era frio, era algo no fundo da coluna vertebral desmoronando. As bordas de sua visão escureciam, a luz branca ofuscante cobria a cortina d'água do arquivo, cobria a capa azul encharcada a seus pés, cobria toda a realidade do momento.
O canto esquerdo do olho começou a contrair.
"Lu Chenzhou!"
A voz de Qin Wangshu veio de muito longe, como através de uma grossa camada de vidro. Ele ouviu-a no abismo do flashback, mas não conseguiu responder. O corpo estava rígido como uma pedra, os músculos não obedeciam mais à vontade, apenas os dedos se contraíam incontrolavelmente — como se estivessem segurando uma caneta que há muito não existia.
Um tiro.
Não era para ele. Era da direção de Qin Wangshu.
Depois, o seu grito de dor — curto, reprimido, um som abafado como de costelas quebrando.
Aquele som perfurou o zumbido do tubo de luz, perfurou as paredes de ferro da sala de interrogatório, perfurou a camada congelada de dez anos.
As pupilas de Lu Chenzhou se contraíram abruptamente.
A ponta da língua mordeu com força — o sabor metálico de sangue explodiu em sua boca, a dor intensa fendeu a consciência nebulosa. O cheiro de sangue invadiu suas narinas, uma dor quente, real, pertencente a este momento.
Não era a sala de interrogatório. Era o arquivo. A água caía de cima, o frio penetrando até a medula. Qin Wangshu estava a quinze passos de distância, o ombro sangrando, lutando com um limpador —
Seu corpo se moveu.
Não era um movimento tático fluido, era um movimento espasmódico, arrastado à força pela vontade. A velha lesão no ombro direito gritava, os dedos ainda tremiam, mas ele se lançou mesmo assim. Pegou um caco de vidro do chão — não, muito lento. O que ele tocou foi a faca tática na cintura.
O som da lâmina sendo desembainhada era quase inaudível na cortina d'água.
O limpador percebeu a anormalidade atrás dele e se virou, erguendo a arma. Era tarde demais. A faca de Lu Chenzhou já estava enterrada em seu pescoço, cortando com precisão a artéria carótida — no mesmo local onde Gu Zhixing o havia imobilizado.
O sangue jorrou, quente, respingando no dorso da mão de Lu Chenzhou.
O limpador caiu
Ele não terminou a frase. O corpo finalmente não aguentou mais, ele tombou para frente, uma das mãos apoiada nos cacos de vidro, a palma cortada, sangue misturado com água escorrendo pelo chão.
O local ficou em silêncio. Restava apenas o som do respingo do cano e o eco distante do alarme de incêndio.
A ameaça foi eliminada. Mas Lu Chenzhou ajoelhado no meio da destruição, tremendo por todo o corpo, parecia uma barragem prestes a desmoronar.
A máquina de vendas automática no canto do arquivo ainda emitia uma fraca luz azul. Qin Wangshu resgatou dela a última lata de chá preto quente, o copo de papel escaldante queimando a palma da mão através da parede fina.
Ela se agachou e estendeu o copo para ele.
Lu Chenzhou não pegou. Ele se encostou à base da parede, o buraco de bala no ombro direito ainda sangrando, todo o corpo parecendo um tronco seco lavado por uma tempestade. Aquele leve tremor incontrolável no canto do olho esquerdo ainda não havia parado, as pontas dos dedos virando e revirando inconscientemente um caco de vidro — desmontando, remontando, desmontando.
"Lu Chenzhou." A voz de Qin Wangshu era dura. "Trate do ferimento primeiro."
"Quantas vezes Zhao Tieshan pressionou?"
"Três vezes." Ela desenroscou a tampa do frasco de álcool medicinal. "Eu disse que o local ainda estava bloqueado, que a preservação de evidências precisava de tempo."
No momento em que o algodão embebido em álcool pressionou a borda do buraco da bala, a escápula dele se contraiu violentamente, o pomo-de-adão moveu-se uma vez, sem emitir som. A dor aguda era como uma agulha incandescente perfurando o solo congelado, gelo e fogo estrangulando-se no mesmo ponto.
"Você há pouco—" Qin Wangshu mordeu a parte interna do lábio inferior, parou por dois segundos antes de falar. "Quando Gu Zhixing o estrangulava, você não estava ali."
Silêncio. Respingos restantes da cortina de água escorriam pelas rachaduras do teto, caindo sobre fragmentos de papel, emitindo sons fracos e úmidos.
"Eu vi." A voz dela de repente ficou baixa. "Seus olhos — aquilo não era dor, nem medo. Era outra coisa."
Lu Chenzhou finalmente ergueu a cabeça. O copo de papel foi enfiado em sua mão, o calor escaldante penetrando através da parede de papel nos nós dos dedos gelados, como uma corrente de âncora, puxando-o de volta à força da beira do abismo.
"Você pretende escrever isso no relatório?" ele perguntou, o tom de voz monótono demais.
"Você quer que eu escreva?"
"Zhao Tieshan quer a reconstituição da cena." Lu Chenzhou repetiu. "Reconstituição da cena." O caco de vidro em suas pontas dos dedos finalmente parou de se mexer. "Eu perdi o controle por quase quarenta segundos. Gu Zhixing aproveitou essa janela para se retirar. Se escrever—"
"Se escrever, seu estado mental será questionado," Qin Wangshu completou por ele. "A família Shen exigirá a substituição do investigador, e você nunca mais terá a chance de se aproximar das evidências centrais."
A luz azul da máquina de vendas projetava uma sombra oscilante no chão encharcado.
"Não vou escrever." Ela disse.
As pupilas de Lu Chenzhou se contraíram levemente.
"Não é para ajudá-lo." Qin Wangshu apertou a tampa do frasco de álcool, o movimento mais forte do que o necessário. "Antes, eu olhava para você como se olhasse para uma pedra. Fria, dura, que não se quebra."
Ela juntou os resíduos do kit de primeiros socorros em uma pilha, de costas para ele, a voz abafada na garganta: "Só hoje eu descobri — você não é que nunca quebrou. É que já se quebrou completamente e depois se colou de volta sozinho, só que as rachaduras ainda estão lá."
O vapor quente do copo de papel subiu, embaçando a visão de Lu Chenzhou. Ele não disse nada, apenas apertou o copo com mais força. Há muito tempo ele não sentia aquela temperatura — escaldante, entregue em suas mãos, uma temperatura que não exigia troca de nada.
"Aquele incidente naquela época," Qin Wangshu se virou. "Você nunca fala. Mas eu verifiquei os autos do processo — no dia em
No topo estava um formulário de transferência de interrogatório de dez anos atrás. A coluna de assinaturas estava manchada por água, apenas meio selo era legível.
Ele virou para a próxima página e seu movimento de repente parou.
De uma camada interna deslizou uma folha A4 dobrada, o papel amarelado, a dobra quase se partindo. Ao desdobrá-la, era uma caligrafia que ele conhecia muito bem — sua própria caligrafia, assinada na última linha de uma confissão.
Confissão falsa. A confissão falsa daquela época.
Ele pensava que o original já havia sido destruído há muito tempo.
Mas o que realmente transformou sua espinha em um pilar de gelo foi o verso —
Uma linha escrita a caneta, a tinta ainda nova, os traços afiados como facas:
"Quando você assinou isso, nem sequer olhou para a segunda página."
O copo de papel escorregou de sua mão, chá quente derramando-se pelo chão. Lu Chenzhou encarou aquela linha, suas pupilas se contraindo violentamente — Segunda página? Naquela época, ao ver aquela confissão, ele só havia olhado a primeira página com a descrição da acusação e assinado, porque a cirurgia de sua irmã não podia esperar mais...
O que exatamente estava escrito na segunda página?