Capítulo 16: A Lanterna Noturna Revela um Segredo
Shen Yanhuan.
Esse nome passou pela mente de Lu Chenzhou pela terceira vez quando ele dobrou a esquina para a rua onde morava. Metade dos postes de luz estavam quebrados, e os poucos que ainda funcionavam lançavam halos amarelados como chá de um dia para o outro, desenhando manchas circulares trêmulas no asfalto. Ao longe, a placa de neon de uma loja de conveniência piscava em azul "24 horas", ofuscante, mas acesa. Ele enfiou as mãos nos bolsos do casaco, as pontas dos dedos encontrando as ranhuras geladas da chave. O cansaço escapava por suas fissuras ósseas, puxando seus ombros para baixo.
Ontem de madrugada, enquanto montava guarda do lado de fora da mansão da família Shen, a janela do segundo andar realmente acendeu. Por três a cinco segundos, uma luz amarelada vazou por uma fenda nas pesadas cortinas antes de se apagar. Na hora, ele pensou que fosse uma ilusão, ou talvez um empregado indo ao banheiro à noite. Agora, refletindo, aquela janela ficava exatamente na posição indicada nos arquivos como o ateliê de Shen Yanhuan. Coincidência? Ou uma resposta – uma resposta à sua quebra da senha da área em "L"?
Seu estômago se apertou. Não era fome, mas um desconforto mais familiar, aquele de estar sendo calculado.
A porta do prédio estava a dez metros à frente. Um prédio antigo de seis andares, com a tinta amarelada da fachada descascada e manchada, revelando o cimento cinza embaixo. As janelas do primeiro andar tinham grades de segurança, a ferrugem tingindo as barras de um vermelho escuro. Um vulto agachava na entrada, curvado, com dois sacos plásticos volumosos ao lado.
Lu Chenzhou não parou de andar. Só quando se aproximou é que reconheceu a Vovó Zhang, que morava no segundo andar. A idosa tinha mais de setenta anos, antiga operária de tear de uma fábrica têxtil, que não conseguia ficar parada depois de aposentada e montou uma barraca na esquina vendendo palmilhas e meias. Ela acabara de voltar da barraca, segurando os joelhos para recuperar o fôlego. Folhas murchas de aipo espremiam-se para fora de um dos sacos plásticos.
"Vovó Zhang." Sua voz saiu mais rouca do que ele esperava.
A idosa ergueu a cabeça e apertou os olhos para enxergar. "Ai, é você, Xiao Lu." Suas rugas se amontoaram. "Só chegando agora? Mas que horas são."
"É, tive uns assuntos." Lu Chenzhou se inclinou para frente e pegou o saco mais pesado. As alças do saco plástico cortaram sua palma, a borda áspera raspando sua pele. O saco estava cheio de batatas e nabos, pesados como pedras. Um cheiro misturado de terra e vegetais no limite da deterioração subiu, com um leve odor de peixe por baixo. "Eu levo para a senhora."
"Ai, não precisa, não precisa..." A Vovó Zhang recusou com palavras, mas soltou o saco. Ela se apoiou na parede para se levantar, seus joelhos emitindo um leve *crac*. "Estou velha, não sirvo mais para nada. Comprei só isso de legumes, e já parei três vezes para descansar antes de chegar à porta."
Lu Chenzhou não respondeu, segurando os sacos enquanto esperava por ela. A luz acionada por som do corredor provavelmente estava quebrada de novo, a escada para cima engolida por uma abertura escura e profunda. Um ônibus noturno passou ao longe, os pneus rolando no asfalto, o rugido gradualmente se afastando. O vento noturno varria rente ao chão, levantando algumas folhas secas com um farfalhar.
A Vovó Zhang bateu levemente nas costas e começou a resmungar. "Essa luz, falei com o síndico na semana passada, e até agora ninguém consertou. Diga-me, no escuro, se alguém cair, o que vamos fazer? Neste prédio só moram velhos como eu..." Ela fez uma pausa e baixou a voz. "Outro dia, na casa do Velho Li do bloco três, entraram ladrões em plena luz do dia! Não é assustador? A segurança hoje em dia, sério mesmo..."
O canto esquerdo do olho de
Vinte e seis anos. Vive recluso. Saúde frágil. No verão de 1996, apareceu na lista de rodízio de pessoal de apoio logístico do projeto piloto "Otimização e Preservação de Arquivos" do Arquivo Municipal, na função de "professor estagiário". Aquela lista não foi arquivada formalmente, estava misturada numa pilha de papéis para destruição. Ele a vira dez anos atrás, por causa de outro caso — envolvendo crime econômico, precisava investigar pessoas relacionadas. Na época, foi apenas uma olhada rápida, o nome nem entrara na cabeça.
Mas agora a memória foi forçadamente despertada. A caixa de lápis de metal, o diagrama plano queimado, a área em forma de "L" delineada de propósito. Não era coincidência. O anônimo sabia que ele se lembraria. Sabia que ele havia tido contato com aquele material dez anos atrás. Sabia como sua memória funcionava.
Isso era mais arrepiante do que uma simples ameaça.
Lu Chenzhou começou a subir. Os passos ecoavam no corredor vazio. Terceiro andar. Quarto andar. O apartamento que ele alugava ficava no extremo leste do quarto andar, 401. Porta antiavelãs antiga, tinta verde-escura descascada, revelando a ferrugem vermelho-escura por baixo. Ele tirou a chave do bolso.
O toque gelado do metal mal chegou às pontas dos dedos.
A sombra atrás dele se moveu.
A chave escapou-lhe da mão, caindo no chão de cimento com um tinido.
A respiração de Lu Chenzhou foi completamente cortada. Tecido áspero — parecia a manga de um agasalho esportivo — apertou-se com força contra a pele do pescoço, enquanto outra mão, usando uma luva tática, cobria-lhe a boca e o nariz, com uma pressão quase suficiente para esmagar os zigomáticos. O campo de visão instantaneamente encolheu até um ponto negro do tamanho de uma agulha, os tímpanos só ouviam o rugido do próprio sangue correndo.
Não se deve lutar contra uma gravata.
Esse julgamento formou-se meio segundo antes que a sensação de asfixia afogasse a razão. Ele chutou para trás com força, o calcanhar do sapato esmagando violentamente o peito do pé do atacante. Ao mesmo tempo, a parte de trás da cabeça bateu para trás com toda a força — não na esperança de atordoar o oponente, mas para usar a reação. O corpo inclinou-se violentamente para frente com o impulso, o laço formado pelo braço e o pescoço afrouxou por um instante.
Agora.
Lu Chenzhou, como um peixe que escapou do anzol, desvencilhou-se meio corpo do aperto do braço. A dor aguda do ar fresco inundando os pulmões ainda não havia chegado, quando o lado esquerdo, abaixo das costelas, recebeu um golpe preciso de cotovelo.
Um baque surdo.
A dor lancinante, como se os ossos tivessem deslocado, explodiu. O estômago contraiu-se, ácido subindo pela garganta. Ele cambaleou contra a parede, o ombro quebrando o vidro do armário de incêndio ao lado. O som de vidro quebrando foi anormalmente estridente no corredor silencioso.
O atacante não hesitou, deu um passo à frente, o tênis escuro pisando na chave caída. O movimento era fluido, como se tivesse sido praticado inúmeras vezes.
Lu Chenzhou encostado na parede, a mão esquerda pressionando firmemente as costelas doloridas, a direita tateando entre os cacos de vidro no chão. A ponta dos dedos tocou em algo frio e pesado de metal — era aquele velho extintor enferrujado, que havia rolado do armário de incêndio quebrado. Ele agarrou a alça, o peso fez o pulso afundar.
O atacante aproximou-se, sua silhueta na fraca luz que entrava pela janela era apenas um contorno mais escuro, usando uma capuz que impedia ver o rosto. O outro estendeu a mão, como se fosse agarrar a gola de sua camisa.
Lu Chenzhou não esperou. Ele girou o extintor, não em direção à cabeça do oponente — o ponto mais fácil de bloquear — mas varrendo-o contra o lado do joelho do atacante. O corpo do cilindro cortou o ar, trazendo o cheiro de ferrugem e poeira de pó químico velho.
Acertou.
Um baque surdo, misturado com
Só havia seu próprio respiro pesado e irregular, e o som quase imperceptível de gotas de sangue pingando na poeira do chão, um leve *ploc* quase inaudível. O local onde o pescoço fora estrangulado ardia, como se estivesse queimando, e ao engolir parecia que engolia cacos de vidro. A ferida sob as costelas latejava a cada respiração, uma dor aguda e persistente.
Ele estava sentado de costas contra a parede, os olhos fixos na janela por onde o agressor havia desaparecido.
O vento noturno continuava a entrar, soprando gelado na testa suada de suor. De vez em quando, ao longe, chegava o som abafado de um ônibus noturno passando, vago como se viesse de outro mundo, separado por várias ruas. O cheiro de poeira acumulada ao longo dos anos e de tinta úmida das paredes no corredor agora se misturava com ferrugem, sangue e o sabor salgado do medo que escorria de seu próprio suor.
"Os arquivos antigos, uma vez queimados, desaparecem."
Aquela frase repetia-se em sua mente. A voz eletrônica eliminava todas as características pessoais, mas a escolha de palavras era precisa. "Arquivos antigos" — não "aqueles papéis", não "os dossiês", era um termo específico. A outra parte sabia que ele havia retornado ao arquivo. Sabia com o que ele havia entrado em contato. Talvez até soubesse o que ele havia encontrado.
"Da próxima vez, será você que queimará."
A ameaça escalou. De um aviso velado, para uma pista criptografada na maçaneta, até a violência física direta desta noite. A próxima vez seria fogo? Como em 87?
Lu Chenzhou inspirou lentamente, a dor nas costelas fazendo suor frio escorrer de suas têmporas. Com a mão esquerda apoiada no chão, tentou se levantar. Na primeira tentativa, não conseguiu; as pernas estavam fracas, sem força. Na segunda, cerrando os dentes, usou o braço direito para se apoiar na parede, levantando o corpo pouco a pouco do chão.
Ao ficar de pé, sua visão escureceu por alguns segundos. Ele fechou os olhos, esperando a tontura passar.
A chave ainda estava no chão. Ele se curvou para pegá-la, o movimento puxando a ferida e fazendo-o gemer baixinho de dor. As pontas dos dedos tocaram o metal gelado e ele o apertou com força. Então, olhou para o antigo cilindro de extintor. A lata vermelha estava manchada de ferrugem, e na alça ainda havia um pouco do suor e sangue de sua palma.
Ele não tocou nela. Deixou-a ali.
Virando-se, arrastou-se passo a passo em direção ao apartamento 401, no final do quarto andar. Seus passos arrastados ecoavam pesadamente no silêncio do corredor. A cada passo, a dor sob as costelas lembrava-o do que acabara de acontecer. A cada passo, o aviso da voz eletrônica repetia-se em sua mente.
Chegou à porta. A porta de segurança verde-escura tinha a tinta descascada, revelando a ferrugem vermelho-escura por baixo. Tirou a chave, a mão ainda tremendo levemente, e precisou de duas tentativas para acertar a fechadura.
*Clique.*
A porta abriu. Lá dentro, era escuridão total.
Lu Chenzhou entrou, fechou a porta atrás de si e trancou-a. O som do ferrolho de metal encaixando foi anormalmente claro no quarto escuro. Não acendeu a luz, apenas deslizou de costas contra a porta até sentar no chão frio de cimento polido.
A escuridão envolveu-o. Apenas uma fresta na cortina deixava passar um fio muito fraco da luz da rua, delineando vagamente o contorno dos móveis simples do quarto. Uma cama, uma mesa, uma cadeira. Nada nas paredes.
Ele sentou-se ali, encostado na porta, ouvindo sua própria respiração pesada que ainda não se acalmara.
A queimação no pescoço. A pontada sob as costelas. A sensação grudenta do sangue na pele. O sabor de sangue na garganta. E a dor surda e latejante que vinha das profundezas dos ossos.
Todos esses fragmentos sensoriais agora se reuniam na escuridão, formando um fato claro e inescapável:
A ameaça não era mais abstrata, não era
"Eu detectei uma interferência anômala de sinal de seis segundos nas câmeras públicas perto do seu prédio, entre 23h47 e 23h53. Não foi uma falha, mas um pulso de bloqueio artificial, muito profissional", a voz de Fang Mu soava tensa. "A área de cobertura coincidia exatamente com o terceiro ao quinto andar do seu prédio. Revisei as imagens antes e depois, não vi ninguém suspeito entrando ou saindo, mas... aqueles seis segundos estão vazios."
Lu Chenzhou esfregou inconscientemente a borda do celular com a ponta dos dedos. O canto esquerdo do olho começou a tremer levemente novamente, e ele pressionou com força.
"E mais", Fang Mu continuou, "aquela escala de turnos que você me pediu para investigar, o projeto-piloto de 'Otimização e Preservação de Arquivos' de 1996 do Arquivo... encontrei um backup. Não é um arquivo oficial, mas uma digitalização de um formulário em papel circulado internamente pelo departamento de logística na época, armazenado em uma partição de servidor abandonada do Arquivo Municipal. O nome de Shen Yanhuan realmente está na lista, na coluna de cargo está escrito 'Estagiária de Organização de Documentos', mas a área de trabalho..."
Fang Mu fez uma pausa.
"Fale", a voz de Lu Chenzhou era plana.
"A área de trabalho não está marcada como 'Zona em L'." A respiração de Fang Mu veio através do receptor. "Está marcada como 'Cofre de Custódia Especial'. Naquela época, a área com o codinome 'L' nos diagramas de estrutura interna era comumente chamada de Cofre de Custódia Especial. O que armazenava era... arquivos e provas sensíveis aguardando destruição."
Lu Chenzhou fechou os olhos. Em sua mente, surgiu a forma deliberadamente delineada pelas marcas de queimadura no diagrama plano carbonizado. E também a marca de pressão no fundo da caixa de estojo de metal: 871103.
"Quem tinha permissão para entrar naquele cofre?", ele perguntou.
"Teoricamente, apenas o responsável pelo projeto e dois guardiões designados. Mas de acordo com a escala de turnos..." o som de batidas no teclado veio de Fang Mu, "os registros de escala de Shen Yanhuan mostram que de setembro a novembro de 1996, ela passava três a quatro tardes por semana no Cofre de Custódia Especial 'auxiliando na contagem'. E esse período coincidia exatamente com os três meses anteriores ao incêndio no Arquivo."
A respiração de Lu Chenzhou tornou-se pesada.
Todas as pistas estavam convergindo na mesma direção. Shen Yanhuan. O Arquivo. O incêndio. E o aviso gelado da noite passada—"Arquivos velhos queimados, acabaram. Da próxima vez, será você."
"Lu Ge", a voz de Fang Mu ficou ainda mais baixa, "descobri mais uma coisa. 3 de novembro de 1996—o dia do incêndio—os registros de acesso do Arquivo mostram que Shen Yanhuan entrou no prédio principal às 15h17 usando o cartão, mas não há registro de saída. O incêndio ocorreu por volta das 23h. Onde ela estava durante essas oito horas?"
"As câmeras?"
"O incêndio queimou a maioria dos circuitos, os registros das câmeras se perderam. Mas..." Fang Mu hesitou, "invadi o backup dos registros de chamadas da delegacia responsável na época. Na noite do incêndio, às 22h05, uma chamada anônima foi feita para a delegacia dizendo que sentia cheiro de queimado no Arquivo. O número registrado pelo atendente, rastreei ao contrário, era de uma cabine telefônica pública localizada na rua dos fundos do Arquivo. E aquela cabine telefônica, nos registros de manutenção da empresa telefônica de setembro a novembro de 1996, constava como 'com defeito, inutilizável'."
Lu Chenzhou cerrou o punho. As unhas cravando-se na palma da mão trouxeram uma dor clara e penetrante.
Uma cabine telefônica pública com defeito não poderia fazer uma chamada.
A menos que o registro fosse falso. Ou a pessoa que fez a ligação usou algum método para fazer aquela cabine telefônica "funcionar temporariamente".
"Fang Mu", Lu Chenzhou falou, sua voz terrivelmente calma, "me ajude com duas coisas."
"Fale."
"Primeiro, verifique todos os registros de comunicação de Shen Yanhuan em 1996, fluxo bancário, trajetórias sociais. Não foque apenas no
O selo de bronze com o padrão de lótus fundido, o caractere "Shen" já deformado, mas seu contorno ainda visível. Era isso que ele havia encontrado nos escombros da passagem do local do incêndio, guardado por tanto tempo sem contar a ninguém, nem mesmo a Zhou Zhengping.
Agora era hora de usá-lo.
Ele colocou o selo de volta em seu lugar e fechou a porta do armário. Então caminhou até a mesa, abriu a gaveta mais inferior. Lá dentro, uma pilha de objetos diversos: um caderno antigo, tubos vazios de caneta, uma caixa de curativos adesivos ainda lacrada. Ele afastou essas coisas e, do fundo mais profundo da gaveta, tirou uma caixa de metal achatada.
Abriu. Dentro, uma fotografia.
A foto já estava amarelada, as bordas encaracoladas. Na imagem, um jovem Lu Chenzhou, vestindo uniforme de polícia, parado em frente ao prédio da delegacia municipal, com um sorriso limpo e radiante. Ao lado dele, Qin Wangshu, na época ainda uma estagiária recém-formada, com o cabelo preso em uma trança, os olhos cheios de admiração.
No verso da foto, uma linha escrita a caneta: 21/03/2009, primeira vez que mestre e aprendiz atenderam a uma ocorrência sozinhos.
Lu Chenzhou encarou aquela linha por um longo tempo. Então virou a foto, colocou-a com a frente para baixo de volta na caixa de metal. Fechou a tampa e empurrou a caixa de volta para o fundo da gaveta.
Algumas coisas precisavam ser enterradas.
Ele vestiu uma camisa social preta de manga longa, o tecido macio para minimizar o atrito com os ferimentos. Abotoou um a um, ergueu a gola para cobrir bem as marcas de estrangulamento no pescoço. Depois vestiu aquela jaqueta cinza-escura, fechou o zíper até a altura do peito.
No espelho, o homem ainda parecia exausto, mas o olhar já era diferente. Aquele choque e confusão pós-agressão haviam desaparecido, substituídos por uma concentração quase gelada. Como um arqueiro com o arco totalmente esticado, a flecha na corda, apenas esperando o alvo aparecer.
Lu Chenzhou fez uma última verificação dos itens que levava consigo: celular, carteira, chaves, e aquela faca de cozinha que pegara da cozinha – a lâmina não era longa, mas suficientemente afiada, com o cabo envolto em fita adesiva, fixada na parte interna da cintura, nas costas. O movimento puxou o ferimento nas costelas, ele gemeu baixinho, um suor fino escorrendo da têmpora.
Suportar.
Ele abriu a porta e saiu do apartamento. O corredor ainda estava escuro, a luz com sensor de som ainda não funcionava. Os vestígios da luta da noite anterior já haviam sido limpos por ele: os cacos de vidro do extintor quebrado varridos, o sangue no chão limpo com alvejante, restando apenas algumas manchas claras de água quase imperceptíveis. Mas no ar ainda persistia um leve cheiro de ferrugem, misturado com poeira e o odor de parede úmida.
Lu Chenzhou não parou, desceu direto as escadas.
Ao chegar à porta do prédio, viu a Vovó Zhang agachada ao lado de um canteiro, regando alguns vasos de rosas murchas. A idosa ergueu a cabeça, viu-o e abriu um sorriso, revelando a falta dos dentes da frente.
"Xiao Lu, saindo tão cedo?"
"É, tenho uns assuntos." Lu Chenzhou assentiu, os passos não parando.
"Ei, espera aí." A Vovó Zhang se levantou, veio trêmula até ele, tirou do bolso do avental dois ovos de chá ainda quentes e os enfiou em suas mãos. "Fiz de manhã, leva para comer. Seu rosto está pálido, precisa se fortalecer."
Lu Chenzhou olhou para os ovos de chá em suas mãos, embrulhados num saco plástico, as cascas tingidas de marrom-escuro, exalando um leve aroma de chá e especiarias. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e disse baixinho: "Obrigado."
"O que é isso de obrigado." A Vovó Zhang acenou com a mão, depois baixou ainda mais a voz. "
Lu Chenzhou não parou e continuou caminhando. Dobrou a esquina e entrou em uma loja de café da manhã. Dentro da loja, o vapor quente subia, o aroma dos *youtiao* misturava-se ao cheiro doce do leite de soja, tudo lhe atingindo o rosto. Ele encontrou um assento perto da janela, sentou-se e pediu uma tigela de mingau branco e dois *youtiao*.
O mingau estava muito quente. Ele lentamente assoprava, tomando pequenos goles. Seu olhar atravessava a janela embaçada pelo vapor e fixava-se na rua do outro lado.
Aquele Volkswagen preto não o seguira.
Mas havia uma pessoa a mais na porta da loja de café da manhã. Vestia um uniforme azul de entregador, capacete pressionado bem baixo, encostado em uma bicicleta elétrica enquanto navegava no celular. Os movimentos eram muito naturais, mas Lu Chenzhou notou que a bicicleta elétrica daquela pessoa não tinha a caixa de entrega aberta, e na traseira não havia identificação de plataforma de entrega.
Além disso, suas luvas eram pretas, táticas, de meia-dedos.
Exatamente iguais às que os atacantes usavam na noite anterior.
Lu Chenzhou largou a colher. O vapor que subia da tigela de mingau embaçou seu rosto. Ele ergueu a mão e limpou o canto da boca, o movimento era natural, mas seus dedos sob a mesa batiam levemente no joelho — três curtos, um longo, três curtos.
Código Morse: SOS.
Não era um pedido de socorro. Era um teste.
Se o outro lado estava atrás dele, se o outro lado o estava vigiando, então essa transmissão súbita e oculta de sinal deveria causar uma reação. Mesmo que fosse apenas uma pausa corporal extremamente sutil ou uma mudança instantânea no olhar.
Do lado de fora da janela, o "entregador" continuava navegando no celular, os dedos deslizavam pela tela numa velocidade uniforme, sem nenhuma anomalia.
Ou ele não era o vigilante. Ou ele tinha treinamento profissional e conseguia controlar perfeitamente todas as microexpressões e linguagem corporal.
Lu Chenzhou terminou o último gole de mingau, pagou, levantou-se e saiu. Ao passar pelo lado do "entregador", ele propositalmente diminuiu o passo, tirando o celular do bolso com um movimento um pouco mais amplo, a barra do casaco levantando-se levemente.
O contorno da faca atrás da cintura ficou vagamente visível.
O "entregador" não levantou a cabeça. Os dedos continuaram deslizando pela tela, a velocidade inalterada. Mas Lu Chenzhou notou que o dedo mindinho da mão esquerda da pessoa se contraiu levemente — quase imperceptível, como um reflexo condicionado sendo reprimido à força.
Lu Chenzhou saiu da loja de café da manhã e entrou no beco ao lado. O som de seus passos ecoava no espaço estreito. Ele contou até dez, parou e virou-se.
A entrada do beco estava vazia.
Mas havia pegadas frescas no chão — padrão de sola de tênis, manchas de lama escura, marcas claras. Naquela posição, ninguém estivera antes. Agora havia.
Lu Chenzhou continuou caminhando para frente, a mão direita pendendo naturalmente ao lado do corpo, os dedos ligeiramente curvados. A ferida sob as costelas latejava com os passos, seu ritmo respiratório permanecia inalterado. No final do beco havia outra rua, o fluxo de carros começava a aumentar. Ele parou um táxi.
"Arquivo Municipal", disse ele.
O motorista olhou para ele pelo retrovisor. "Lá está em reforma, a entrada principal não está aberta."
"Porta lateral." Lu Chenzhou recostou-se no banco de trás e fechou os olhos. "Eu conheço o caminho."
O carro começou a se mover. Ele abriu os olhos e olhou pela janela traseira. Na direção