Capítulo 23: O Calor Residual do Pombo Cinza
Lu Chenzhou encostou-se ao armário de distribuição elétrica gelado, seu coração batendo contra as costelas com um eco abafado. Do lado de fora da fenda da porta, os passos haviam desaparecido completamente, junto com o zumbido eletrônico agudo. O silêncio era pior do que a busca – significava que o outro lado havia concluído a primeira varredura e estava se reposicionando, ou já havia isolado uma área específica. A porta lateral estava trancada. A única rota de fuga era o corredor principal, coberto de poeira e cacos de vidro, por onde ele havia vindo. Com certeza havia alguém vigiando lá agora. Ele precisava de outro caminho, ou de um trunfo que pudesse distrair o inimigo. A mão mergulhou no bolso, tocando a pequena caixa de metal fria. A superfície era áspera, retendo um leve calor residual da temperatura corporal do "Pombo Cinza", rapidamente devorado pelo frio úmido e onipresente da oficina. A caixa não era grande, um pouco mais estreita que um maço de cigarros, e pesada. Com as pontas dos dedos, ele apalpou a fechadura – uma fechadura de cilindro antiga, estrutura simples, mas emperrada pela ferrugem. Uma pressão veio de cima. Era o gemido das velhas tábuas de madeira do corredor do segundo andar sob peso. Mais de uma pessoa, passos cuidadosamente silenciosos, movendo-se lentamente. Eles não tinham ido embora. Lu Chenzhou prendeu a respiração, comprimiu o corpo ainda mais para baixo, encolhendo-se na estreita sombra triangular formada entre o armário de distribuição e a parede. Depois que seus olhos se adaptaram ao escuro, ele conseguia ver vagamente ao redor: bobinas de cabos espalhadas, os esqueletos enferrujados de várias máquinas de tear, um monte de peças abandonadas no canto distante, como pequenas montanhas negras e silenciosas. A luz chegou. Não era o balanço rápido da busca, mas uma varredura estável e lenta, como um holofote delimitando uma área. O feixe de luz varreu o chão coberto de poeira, iluminando as partículas de poeira suspensas no ar, formando uma parede de luz clara e móvel. A parede de luz parou diante da porta da sala de distribuição. A mão esquerda de Lu Chenzhou moveu-se inconscientemente em direção à cintura – lá estava preso um conjunto de ferramentas de arrombamento longas e finas, feitas de antena de rádio velha. Quando a ponta dos dedos tocou o metal frio, o canto esquerdo do olho estremeceu levemente.
"Já olhamos aqui?" Uma voz baixa, áspera, com sotaque local.
"Dei uma olhada rápida. Só tem máquinas velhas e cabos por dentro, ninguém pode se esconder aí." Outra voz respondeu, mais jovem, falando rápido. "O chefe disse: vivos ou mortos, temos que encontrar. Vamos dar mais uma olhada."
"Então... separamos? Você vai para a pilha de máquinas lá, eu olho atrás desses armários aqui?" Um breve silêncio. Lu Chenzhou podia imaginar os dois trocando olhares do lado de fora da porta. Então, a voz áspera disse: "Juntos. Não se separe. O sujeito não é nenhum santo."
A porta foi empurrada para dentro. Não uma batida brusca, mas um empurrão lento e cauteloso. As dobradiças enferrujadas emitiram um longo e estridente "creee—", amplificado na oficina absolutamente silenciosa como uma declaração. Os feixes das lanternas cortaram a escuridão como duas facas cruzadas. Lu Chenzhou não recuou; em vez disso, moveu-se para frente – rente ao chão, deslizando como uma cobra para debaixo da máquina de tear antiga mais
Botas se aproximaram da direção do tear. Um passo. Dois passos. Lu Chenzhou conseguia ver as pedrinhas incrustadas no padrão da sola das botas. Sua mão direita se fechou lentamente, segurando a pequena caixa de metal. A mão esquerda tirou a mais fina das agulhas de lockpick, a ponta pressionando contra o orifício da fechadura da caixa. A respiração precisava ser reduzida ao mínimo. O som do coração era alto demais, ele quase suspeitava que o outro podia ouvi-lo. A garganta estava seca, como se tivesse sido esfregada com uma lixa áspera. As botas pararam em frente ao tear. A luz da lanterna baixou, a borda do feixe já tocando a poeira na borda externa da base do tear. "Aqui dentro..." a voz jovem estava hesitante. Lu Chenzhou torceu o corpo ao limite. Ele cobriu a cabeça com a barra do casaco, isolando o último possível reflexo de luz. As fibras ásperas do tecido esfregavam sua bochecha, o cheiro salgado do suor invadindo suas narinas. O mundo se reduziu a uma escuridão, restando apenas o tato e a audição. O dedo indicador e o polegar da mão esquerda apertaram a extremidade da agulha de lockpick, a ponta sondando o orifício enferrujado da fechadura. A resistência era grande. Ele aplicou pressão de forma extremamente lenta, enquanto o pulso girava quase imperceptivelmente para os lados. Metal raspando contra metal, emitindo um som extremamente sutil de "shhh", como um inseto rastejando sobre folhas secas. As botas não se moveram. "Olhando o quê?" a voz áspera perguntou. "Parece... bem fundo aqui embaixo." a voz jovem disse. "Quer iluminar?" "Você vai entrar?" "Eu... deixa. Que sujeira." A agulha de lockpick encontrou o primeiro pino. Lu Chenzhou baixou o pulso, pressionando a ponta da agulha contra a base do pino e erguendo-o suavemente. "Clique." Um som tão leve que quase não existia. Mas em sua audição, era claro como uma agulha caindo no vidro. "Que barulho foi esse?" a voz áspera perguntou imediatamente. Lu Chenzhou congelou. A pequena caixa de metal que segurava na mão direita estava gelada e cortante. "Não ouvi nada." a voz jovem disse. "Deve ser rato."
Lu Chenzhou parou o movimento. A respiração, dentro do casaco que cobria a cabeça, ficou pesada, cada inspiração trazendo o cheiro metálico de ferrugem e poeira. Precisava ser mais rápido. Mas a agulha quebrada estava presa no orifício da fechadura, operar à força só pioraria a situação.
Foi nesse momento de tensão extrema que uma onda de calor, totalmente inesperada, colidiu em sua mente.
Primeiro, a sensação – o que suas pontas dos dedos tocavam não era mais metal frio e enferrujado. Era algo quente, macio, com cheiro de comida. A textura áspera do papel manteiga. A temperatura escaldante de pãezinhos no vapor recém-saídos do vapor, quase queimando as pontas dos dedos geladas que agora pressionavam contra o chão.
Três horas da madrugada de uma noite de inverno, a luz branca e pálida na entrada da loja de conveniência do outro lado do ponto de vigilância. O bafo congelando no ar.
Uma mão vermelha de frio enfiando um pacote de papel manteiga em sua mão. "Chefe, está quente." A voz era jovem, com a inexperiência de quem acabara de sair da academia de polícia, e uma preocupação que não conseguia esconder. Qin Wangshu. Era Qin Wangshu de muitos anos atrás, nos olhos ainda não haviam as sombras complexas que viriam depois, apenas o cansaço após uma noite de vigilância, mas um foco brilhante.
Em seguida, o cheiro. O aroma da massa dos pãezinhos, o cheiro gorduroso do recheio de carne, misturado com o frio cortante da noite de inverno, dissipando o cheiro metálico de ferrugem e poeira que agora estava em suas narinas. Ele conseguia até se lembrar da leve picada do caldo escaldante espirrando na língua ao dar a primeira mordida, e o calor, breve mas sólido, que subia do estômago.
As imagens vieram em
mas o ritmo era ligeiramente diferente. Um feixe de luz varria rapidamente, balançando de um lado para o outro, como se estivesse fazendo uma inspeção rápida seguindo uma rota predeterminada; o outro era muito mais lento, o feixe estável, sua trajetória de movimento carregava uma sensação de pausa deliberada, ocasionalmente iluminando brevemente a direção geral do primeiro feixe.
Eles desconfiavam um do outro.
Essa descoberta foi como um raio de luz, perfurando o impasse diante de seus olhos. As duas forças que o cercavam — ou pelo menos, os dois grupos de executores — não eram um bloco monolítico. Podiam ter um objetivo comum, mas havia desconfiança entre eles, até mesmo vigilância mútua.
Um esboço de plano para escapar aproveitando uma brecha rapidamente tomou forma em sua mente.
Ele precisava criar um som à distância, atrair a atenção deles, de preferência um barulho que pudesse provocar um confronto ou pelo menos uma breve distração. Então, aproveitar aqueles poucos segundos — talvez apenas alguns segundos — para rastejar para fora pelo duto de ventilação danificado no teto da oficina.
A chave enferrujada ainda estava em sua mão, o cheiro metálico forte.
A agulha quebrada ainda estava presa na fechadura.
Mas agora, nada disso era mais um obstáculo, eram pistas que ele tinha que levar consigo. Lu Chenzhou enfiou a pequena caixa de metal e a chave juntas no bolso interno, seus dedos tocando outro objeto duro no bolso — aquele item de evidência que ele havia levado da cena de Wei Ming, cuja conexão ainda não estava clara.
Todos os fragmentos tinham que se encaixar.
Ele expirou lentamente um suspiro pesado, seu corpo se tensionou como uma mola prestes a ser liberada, e começou a avaliar a posição mais próxima que pudesse criar um barulho suficiente sem expô-lo imediatamente. Seu olhar varreu os componentes de tecelagem abandonados empilhados no canto da oficina.
Ali.
Quase simultaneamente ao som da comunicação por rádio, do outro lado da oficina veio a resposta grosseira dos capangas da família Shen, gritando para o walkie-talkie: "Para de gritar! Meus homens estão lá dentro! Vocês aí fora, só cuidem de não deixar ele escapar!"
Duas forças, desconfiando uma da outra, comunicação deficiente. Mas seu objetivo era o mesmo — encontrá-lo.
O ruído do rádio serviu como cobertura temporária. Lu Chenzhou aproveitou essa janela de ruído, enfiou a agulha de arrombamento com gancho na fechadura, prendeu a agulha quebrada, e com força no pulso, torceu-a violentamente para o lado!
O gemido do metal se contorcendo foi abafado pelo ruído eletrostático contínuo. O trinco saltou aberto.
Lu Chenzhou parou imediatamente, prendendo a respiração novamente para ouvir. A transmissão de rádio já havia terminado, e os xingamentos dos capangas Shen também haviam cessado. Na oficina, restava apenas um silêncio morto, tenso, como a calmaria antes da tempestade. Os dois grupos agora sabiam da existência um do outro, e ambos estavam acelerando suas ações.
Uma forte e pungente sensação de ferrugem, com cheiro metálico, atingiu seu rosto. A caixa era forrada com um veludo vermelho que já estava quebradiço, e sobre o veludo repousavam dois objetos.
Lu Chenzhou pegou a foto com dedos trêmulos — ele mesmo não percebera que estavam tremendo. A sensação era fria e lisa, as bordas um pouco enroladas. Ele segurou a lanterna com os dentes, deixando a fraca luz incidir sobre a foto.
Era uma foto de três pessoas, em frente a um cenário de cais. A foto era antiga, as cores estavam desbotadas, os rostos um tanto desfocados, mas ainda assim reconhecíveis.
À esquerda, Shen Moqing em sua juventude. Por volta dos trinta e poucos anos, vestindo uma camisa clara bem passada, o cabelo penteado impecavelmente, seu rosto ostentava um sorriso formal, um tanto reservado, os olhos olhando para a câmera, mas sem calor.
No meio, um homem de meia-idade estranho. Cerca de cinquenta anos, rosto quadrado, sobrancelhas franzidas, olhos sinistros fitando a câmera, os cantos da boca virados para baixo, exalando uma aura impaciente e violenta. Vestia uma jaqueta escura, sua postura um tanto rígida.
À direita... estava uma figura de costas. A pessoa estava de lado para a câmera,
Nesse momento, um som extremamente nítido de botas pisando em uma escada de ferro veio de um lugar muito próximo! "Clac, clac, clac", ritmo constante, descendo do segundo andar, avançando decididamente em direção ao fundo da oficina, em direção a ele!
Não era apenas uma pessoa. Pelo menos duas, talvez três.
Lu Chenzhou se libertou instantaneamente daquele estado de choque e torpor. Ele agarrou a chave enferrujada, a ponta dos dedos tocando a superfície áspera e corroída e o número "047" gravado nela. A sensação gelada e o odor metálico e fétido fizeram um calafrio percorrer seu corpo. Ele enfiou a chave e a foto juntas no bolso interno da roupa. A caixinha de metal foi empurrada para as sombras mais profundas sob o tear com um chute.
A lanterna foi desligada. O casaco foi abaixado. Ele se achatou como uma folha de papel, grudado na placa de ferro gelada sob o tear.
Os passos pararam a menos de cinco metros à frente do tear.
"Este lugar foi verificado?" Uma voz masculina, calma, sem sotaque. Era o grupo do rádio.
"Verificado. Não dá para se esconder embaixo." Uma voz áspera respondeu. Era o chefe dos capangas da família Shen. Os dois grupos haviam se encontrado.
"Tem certeza?" A voz calma carregava ceticismo. "A luz é insuficiente, há pontos cegos visuais. Preciso que seus homens cooperem, verifiquem o fundo dessas máquinas novamente, de forma completa. Agora."
"Quem diabos você pensa que é? Dando ordens para mim?"
"Garantindo a conclusão da missão. Ou você prefere deixar o alvo escapar debaixo do seu nariz e depois explicar isso ao Sr. Shen?"
Silêncio. Respiração pesada. O capanga da família Shen obviamente ficou sem palavras.
"Certo... Zhuzi, Gouzi, vocês dois, deitem-se e deem uma olhada!" A voz áspera deu a ordem com raiva.
As pontas dos dedos de Lu Chenzhou cavaram o pó no chão. Está tudo acabado. No máximo dez segundos, eles o encontrariam.
O desespero, como uma maré gelada, submergiu instantaneamente aquele lampejo de esperança ardente de momentos antes. As quatro paredes pareciam se fechar silenciosamente, espremendo o último sopro de ar. Sua garganta apertou, como se estivesse sendo estrangulada por uma mão invisível.
No exato momento em que essa pressão sufocante atingia seu ápice, sem nenhum aviso, um fragmento de memória irrompeu violentamente em sua mente —
Não era uma imagem contínua, apenas algumas reminiscências sensoriais: uma noite de inverno, três da manhã, dentro do carro velho no ponto de vigilância. Os vidros do carro cobertos por uma grossa camada de geada, a respiração formando nuvens de gelo. Ele olhava fixamente para a entrada escura do prédio do outro lado da rua, os olhos secos e doloridos. Então, um saco plástico ainda fumegante foi enfiado em sua mão.
Através do plástico, transmitindo-se à palma de sua mão, estava um calor tangível, reconfortante.
Ele virou a cabeça e viu o rosto de Qin Wangshu, vermelho de frio, a ponta do nariz também vermelha, os cílios carregando um pouco de geada branca. Ela soltou uma baforada de ar quente, a voz trêmula devido ao frio, mas se esforçando para parecer descontraída:
Dentro do saco plástico estavam dois pãezinhos recheados com legumes, um lanche matinal comum de rua, mas naquela noite de inverno congelante, aquele calor se espalhou da palma da mão, dissipando brevemente o frio que penetrava até os ossos.
A lembrança durou apenas um instante.