Capítulo 13: A Tinta Ainda Não Secou ao Caminho do Cadafalso
O celular vibrou sobre a mesa às quatro da madrugada, a luz fria da tela cortando a escuridão, iluminando o dorso da mão de Lu Chenzhou sobre seu joelho. Ele não se moveu, seu olhar ainda fixo no caderno aberto — sete nomes anotados em código, a tinta ainda não completamente seca no papel. Sete nomes possivelmente relacionados à área em "L" e a "87.11.3".
A vibração parou. Três segundos depois, começou novamente.
Desta vez, ele pegou o celular. Na tela, apenas três caracteres: Gu Zhixing. Sem prefixo, sem cargo. Lu Chenzhou atendeu, pressionou o aparelho contra a orelha e não emitiu som.
"Sr. Lu." A voz de Gu Zhixing veio através da linha, tão estável quanto um bisturi cortando um curativo. "Amanhã às dez, mansão Shen. O serviço memorial da família do Sr. Zhao Mingcheng. O Sr. Shen exige sua presença obrigatória."
Não era um convite, era uma ordem. Nem mesmo Shen Moqing ligou pessoalmente — a própria forma de transmissão já era uma postura.
O olhar de Lu Chenzhou pousou em um dos nomes no caderno. Shen Qinghuan. O nome estava circulado pela ponta de sua caneta, a pressão da tinta ligeiramente mais forte.
"Serviço memorial", ele repetiu, sua voz sem filtro de emoção. "Qual é o meu papel?"
"Comparecer, expressar condolências, aceitar os pêsames." Gu Zhixing fez uma pausa de meio segundo e acrescentou: "É claro, se o Sr. Shen perguntar sobre o progresso do caso, você precisará dar uma resposta... que possa tranquilizar todos os presentes."
"Uma resposta tranquilizadora." Um nervo no canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente, como se um fio elétrico intermitente estivesse enterrado sob a pele. Ele controlou a respiração. "Entendido."
"O carro estará no prédio às nove e quarenta." Gu Zhixing disse isso e, sem esperar resposta, desligou.
O sinal de ocupação martelava em seu tímpano. Lu Chenzhou colocou o celular de volta, e seus dedos começaram inconscientemente a desmontar a caneta esferográfica barata sobre a mesa. Tampa, mola, refil, corpo de plástico — as peças se desmontavam, organizavam e remontavam sob suas pontas dos dedos. *Click. Click. Click.* O som sutil ampliava-se no silêncio.
Ele olhou pela janela. Os néons da cidade borravam um halo de luz na linha do horizonte, ainda longe do amanhecer.
Mas o cadafalso já havia sido preparado com antecedência.
A mansão da família Shen estava situada na encosta oeste da cidade, um estilo de mansão da era republicana com tijolos cinza e telhas, um pátio profundo e pesado. Hoje, essa propriedade estava engolfada por uma solenidade ritualística.
Quando o carro preto passou pelo portão de ferro, Lu Chenzhou viu, pela janela, os carros de luxo alinhados em ambos os lados da entrada. Seguranças vestidos de preto ficavam de pé como estátuas, seus olhos varrendo cada veículo que entrava como scanners. Havia uma atmosfera tensa, de espera pelo início, no ar.
O carro parou na calçada circular em frente ao prédio principal. Gu Zhixing já estava lá, esperando, com um terno preto bem cortado, seu olhar por trás dos óculos de aro dourado calmo e sem ondulações. Ele abriu a porta do carro para Lu Chenzhou, movimentos padrão como um porteiro de hotel.
"Sr. Lu, por favor, siga-me."
Lu Chenzhou saiu do carro. Ele vestia um terno preto comprado às pressas, tecido comum, corte apenas aceitável. De pé entre aqueles enlutados cuidadosamente preparados, ele parecia uma rocha áspera chocando-se contra um leito de seixos polidos. Ele podia sentir aqueles olhares — examinadores, curiosos, carregando avaliação sem disfarce e um leve desdém. Quem era ele? Um ex-policial com antecedentes criminais, uma "ferramenta" contratada pela família Shen para investigar a morte de seu próprio aliado. Essa identidade em si era a nota mais dissonante nessa ocasião.
Gu Zhixing o conduziu através do saguão de pé-direito alto. O local havia sido preparado como uma sala de velório. À frente, pendia uma enorme fotografia de Zhao Mingcheng, a moldura envolta por um véu pre
Ela vestia um vestido preto de estilo simples, com os cabelos longos soltos e levemente presos, revelando um pescoço fino e frágil. Segurava um copo de vinho tinto quase intocado, o olhar vazio fixo na direção do retrato fúnebre. Comparada às expressões de pesar cuidadosamente encenadas ao redor, sua expressão distante, quase insensível, parecia mais genuína. Ou, talvez, mais complexa.
Lu Chenzhou a observava. Ela também parecia sentir aquele olhar, as pálpebras tremendo levemente, o olhar desviando-se, encontrando brevemente o dele no ar.
Apenas um instante.
Shen Qinghuan logo desviou o olhar, baixou a cabeça e balançou suavemente o copo na mão. O líquido vermelho-escuro escorreu pela parede do copo, deixando um rastro temporário. Então, como se sentindo sufocada, ela se virou e caminhou silenciosamente em direção à porta de vidro deslizante que levava ao jardim lateral.
A porta abriu e fechou. Sua figura desapareceu na luz mais brilhante do lado de fora.
Lu Chenzhou retirou o olhar, o coração batendo de forma estável em seu peito, mas um fio de intuição foi levemente tocado. Não foi um encontro de olhares acidental. Era um sinal, um convite extremamente sutil.
Foi nesse momento que os sussurros no salão de repente diminuíram.
Shen Moqing terminou sua conversa com o idoso e caminhou lentamente até a frente do retrato fúnebre. Ele se virou, de frente para todos. Seus olhos, normalmente gentis e eruditos, agora percorriam o salão, como uma águia sobrevoando seu território: preciso, frio, carregando uma autoridade inquestionável.
Todos os olhares se concentraram nele.
"Agradeço a todos por tirarem um tempo para comparecer hoje e darem o último adeus ao irmão Zhao", Shen Moqing começou, a voz não alta, mas clara o suficiente para alcançar cada canto do salão, abafando os últimos ruídos residuais. "O irmão Zhao e eu fomos amigos por décadas, próximos como irmãos. Sua partida repentina, tanto no âmbito público quanto privado, é uma perda inestimável."
Ele fez uma pausa, seu olhar parecendo, sem querer, passar por sobre as fileiras de convidados e pousar em Lu Chenzhou, que estava na periferia.
Aquele olhar era como uma agulha tangível, perfurando a pele.
"Os que partiram já se foram, os vivos seguem em frente", Shen Moqing continuou, o tom ainda calmo, mas cada palavra como uma pedra polida com cuidado, lisa, dura, carregando um peso substancial. "O que podemos fazer, além de lembrar, é esclarecer a verdade, consolar a alma do falecido, e também permitir que os vivos... possam descansar em paz."
O salão ficou em silêncio absoluto. Apenas o leve estalido do incenso queimando e o farfalhar da roupa de alguém.
O olhar de Shen Moqing permaneceu firmemente fixado em Lu Chenzhou.
"Sr. Lu", ele chamou diretamente.
Todos os olhares, instantaneamente como holofotes, convergiram para Lu Chenzhou. Havia curiosidade, escrutínio, uma superioridade descarada e um toque de divertimento aguardando o espetáculo começar. O castigo público começara.
Lu Chenzhou ergueu a cabeça, encontrando o olhar de Shen Moqing. Ele podia sentir suas costas se tensionarem, o tecido do terno esfregando contra a pele, trazendo uma leve coceira. Mas seu rosto não mostrava nenhuma expressão, apenas um leve aceno de cabeça. "Sr. Shen."
"Os contratos têm prazos", Shen Moqing disse lentamente, o anel de jade no polegar parando de ser esfregado, repousando quieto contra a pele. "O coração humano não tem preço, mas a paciência tem limites. A verdade por trás da morte do irmão Zhao, todos estamos esperando. A família Shen... está esperando."
Ele pronunciou as palavras "família Shen" com uma clareza especial.
A pressão, como uma maré tangível, vinha de todos os lados, espremendo seu peito. Lu Chenzhou podia ouvir seu próprio coração batendo em seus ouvidos, e também sentir o olhar calmo mas onipresente de Gu Zhixing atrás dele, ao lado. Ele estava ali, no território da família Shen, no centro das atenções de tantos com interesses ligados aos Shen, como um prisioneiro despido e exibido, cujo único "valor" eram as pistas ainda
Lu Chenzhou sentiu o tremor no canto do olho esquerdo se intensificar. Ele forçou-se a relaxar a mandíbula e encarou aqueles olhos profundos como um lago. "Entendo."
Nenhuma explicação extra, nenhuma justificativa fraca. Apenas essas duas palavras. Mas naquele contexto, sob aquela pressão, essas duas palavras por si só eram uma forma de submissão, uma inclinação de cabeça pública, testemunhada por todos.
Shen Moqing pareceu satisfeito. Ele acenou levemente e desviou o olhar, voltando-se novamente para o retrato do falecido, como se aquele interlúdio nunca tivesse acontecido. "Irmão Zhao, descanse em paz."
O serviço memorial prosseguiu. Algumas pessoas começaram a se aproximar para depositar flores, e os sussurros recomeçaram. Mas Lu Chenzhou conseguia sentir que aqueles olhares que pousavam sobre ele não haviam se dissipado completamente. A curiosidade transformara-se em pena, o escrutínio transformara-se na avaliação de uma ferramenta, pesando se ela ainda era útil.
Ele permaneceu no mesmo lugar, como uma estátua rígida. As marcas que suas unhas haviam deixado nas palmas das mãos foram lentamente se alisando, mas aquela sensação gelada de humilhação sedimentou-se em seu estômago, pesada, com um gosto de ferrugem.
Seu olhar, involuntariamente, voltou a pairar em direção àquela porta de vidro que levava ao jardim.
Shen Qinghuan ainda não havia retornado.
O ar no jardim estava impregnado da umidade da terra e do aroma enjoativamente doce das damas-da-noite, misturado ao cheiro da seiva da grama recém-cortada no gramado ao longe. A luz da lua era fraca, filtrada pelas nuvens, projetando apenas sombras indistintas no chão. A luz das lâmpadas da mansão, atravessando as janelas de sacada, espalhava manchas amarelo-quentes sobre o caminho de pedra, cujas bordas eram rapidamente devoradas pela escuridão.
Lu Chenzhou parou na sombra do alpendre, não se dirigindo imediatamente para o interior.
Seu olhar percorreu rapidamente o local. À esquerda, arbustos de azevinho bem podados; à direita, uma árvore de osmanthus de folhagem densa. Mais adiante, o caminho desviava em direção a uma fonte europeia, cujo som de água corrente era particularmente claro no silêncio. No banco ao lado da fonte, uma figura esbelta estava sentada contra a luz, segurando uma taça de vinho vazia.
Era Shen Qinghuan.
Ela não respondeu imediatamente. O som da água da fonte fluía entre eles. A música do piano mudou para outra, mais alegre, mas dissonante com a atmosfera do momento. Lu Chenzhou sentiu o aroma doce das damas-da-noite, misturado ao cheiro de tabaco não aceso em seus dedos, e um traço muito sutil de cinzas de incenso, trazido pela brisa noturna.
"Risco?" Shen Qinghuan finalmente falou, a voz leve como um suspiro. "Sr. Lu, desde o momento em que você pisou na porta da família Shen, você já estava dentro do risco. A diferença está apenas em se você está pisando de olhos vendados, ou... pelo menos vendo claramente o que está sob seus pés."
Ela aproximou o cigarro do nariz, inalando profundamente seu aroma, sem acendê-lo.
"Eles — aqueles que deixaram a 'prova'", ela retomou o assunto, cada palavra clara e lenta, "não são uma pessoa. Também não são uma... organização."
Ela fez uma pausa. A luz da lua deslocou-se, iluminando metade de seu pescoço. Lu Chenzhou viu uma cicatriz muito tênue, antiga, como se tivesse sido marcada por um fio fino.
"São 'credores'." Shen Qinghuan ergueu os olhos. "A dívida da família Shen não é apenas de dinheiro. É de vidas. São... muitas vidas."
A respiração de Lu Chenzhou parou por um instante.
"Três de novembro de oitenta e sete," ela continuou, o olhar fixo nele, "o que aconteceu naquele dia, você sabe?"
"Incêndio." Lu Chenzhou disse, a voz áspera. Era informação pública: o antigo armazém da família Shen pegou fogo, causando mortes e feridos entre os funcionários de plantão. O relatório do acidente já havia sido arquivado há muito tempo, classificado como causado por
"Meu irmão Shen Yan, ele viu." Ela disse, cada palavra como se tivesse sido temperada no gelo. "Por isso ele morreu. Tio Zhao... ele provavelmente também viu o que não devia. Agora, é a sua vez, Sr. Lu. Você vai entregar uma prova em branco, ou... vai tentar responder?"
A melodia do piano parou abruptamente naquele momento.
Da mansão veio um ruído vago de algazarra — alguém derrubou uma taça de vinho, um breve grito de surpresa, risadas contidas. O som repentino fez o silêncio do jardim parecer ainda mais opressivo.
Lu Chenzhou rapidamente olhou para as janelas iluminadas. Ninguém se aproximava.
O tempo estava se esgotando.
"Você quer que eu investigue as pistas financeiras deixadas por Shen Yan," ele retornou ao cerne do acordo, acelerando o ritmo mas mantendo a voz estável, "e, em troca, você me dá informações específicas sobre os 'credores'? Identidade? Meios de contato?"
"Não posso lhe dar a identidade." Shen Qinghuan balançou a cabeça, recostando-se novamente na cadeira, abrindo distância. "Eles são muito cautelosos. Mas posso lhe dar uma... forma de verificação. Um canal que eles usam para transmitir informações, para confirmar se o 'candidato' passou ou não."
Ela tirou do outro bolso do casaco um bilhete dobrado ao meio, segurando-o entre os dedos, sem entregá-lo.
"Quanto às pistas do meu irmão," ela continuou, "preciso que você investigue três contas. Nos últimos cinco anos, todos os registros de transações únicas acima de quinhentos mil com essas três contas, cujas observações estavam em branco ou usavam códigos específicos. A origem dos fundos e o destino final."
"Quais são os códigos?"
Shen Qinghuan pronunciou três palavras: "'Porcelana Azul', 'Taxa de Reparo', 'Fundo Semente'."
Comuns, até deliberadamente banais. Exatamente por isso, mais adequados para se esconder no fluxo inumerável de transações diárias.
A mente de Lu Chenzhou girava rapidamente. Acessar esses registros estava dentro de sua autoridade, mas a operação deixaria rastros. Shen Moqing ou Gu Zhixing estariam monitorando suas consultas? Risco extremamente alto. Mas a "forma de verificação" que Shen Qinghuan oferecia... se realmente pudesse acessar a parte anônima, talvez abrisse uma nova brecha, uma fenda que contornasse a vigilância da família Shen e levasse direto ao centro do caso.
"Como posso confiar em você?" Ele fitou o bilhete em sua mão. "Você pode ser mais uma armadilha enviada por Shen Moqing. Ou até mesmo enviada por 'eles', para me levar na direção errada."
"Você não pode confiar completamente." Shen Qinghuan admitiu francamente, seu rosto sob a luz da lua anormalmente calmo. "Essa é a aposta, Sr. Lu. Você pode escolher não apostar. Continuar investigando seu caso passo a passo, girando dentro do círculo traçado pela família Shen, até... eles acharem que você não é mais útil, ou você tocar em alguma linha que não deveria."
Ela fez uma pausa, a voz ainda mais baixa.
"Como meu irmão."
Passos vieram de longe — sapatos de couro batendo na calçada de pedra, vindos da porta lateral da mansão em direção ao jardim. Mais de uma pessoa.
Os olhos de Shen Qinghuan afiaram-se, e ela rapidamente enfiou o bilhete na fenda entre a base da taça de vinho e o banco de pedra, um movimento tão rápido que mal se via.
"O tempo para considerar é curto." Ela se levantou, alisou a saia, e instantaneamente seu rosto retomou aquele sorriso superficial habitual, levemente dengoso, a voz também elevando-se. "O vento está forte à noite, Sr. Lu, volte mais cedo também, cuidado para não se resfriar."
Ela pegou a taça vazia e virou-se para ir.
"Srta. Shen." Lu Chenzhou a chamou.
Ela parou, virando meio rosto.
"O que está no bilhete?"
Shen Qinghuan não se virou, apenas inclinou levemente a cabeça, deixando a voz flutuar de volta pelo vento.
"Uma sequência de números. Parece uma data." Ela disse. "Mas não é oitenta e sete."
Os passos estavam mais perto, já se podia ouvir vozes conversando baixinho.
Ela não permaneceu mais, segurando a taça, caminhou com passos leves ao longo da trilha em direção à entrada da ala lateral da mansão, sua figura
enquanto as palavras de Shen Qinghuan sobre "credor" e "prova" eram como uma sonda fria, penetrando nas fissuras de todo o seu raciocínio anterior. Se a parte anônima fosse realmente a família das vítimas do incêndio daquele ano, então a natureza de todo o caso, os motivos, e até mesmo a possível ligação com a morte de Shen Yan seriam completamente subvertidos.
Isto não era uma investigação. Era um julgamento.
E agora, ele tinha em mãos um "cartão de inscrição" de veracidade desconhecida, e um segredo ainda mais perigoso.
Os passos se afastavam atrás dele, as luzes da mansão eram quentes e amareladas, as vozes humanas eram ruidosas. Ele empurrou a porta de vidro, e o ar quente, impregnado com o cheiro de comida, bebida e incenso, envolveu seu rosto.
Gu Zhixing estava parado não muito longe, sob um lustre de cristal, conversando com um diretor mais velho, mas seu olhar parecia pairar levemente sobre a entrada, encontrando o de Lu Chenzhou por um instante, antes de se desviar naturalmente.
Lu Chenzhou inclinou levemente a cabeça e entrou nesse calor falso.
A borda do papel em seu bolso interno o machucava.
"Risco?" Shen Qinghuan repetiu a palavra, e um tom de sarcasmo agudo surgiu subitamente em sua voz. "Senhor Lu, você acha que a situação em que se encontra agora ainda não é perigosa o suficiente? Meu pai o humilhou publicamente, tratando-o como um cachorro que pode ser comandado à vontade. A parte anônima está te observando nas sombras, entregando a você essa 'prova' de uma maneira... de uma maneira manchada de sangue. Sua irmã, Lu Chenxing, sua recuperação pós-operatória, você realmente acha que a família Shen não sabe?"
A respiração de Lu Chenzhou parou por um instante.
Shen Qinghuan viu sua reação. Seus olhos suavizaram um pouco, mas seu tom permanecia firme.
"Não estou ameaçando você," disse ela. "Estou apenas declarando fatos. Neste jogo, você não tem opções seguras. A única diferença é: você escolhe por quem será usado, e... depois de ser usado, se conseguirá ou não o que deseja."
Ela fez uma pausa, e sua voz ficou mais suave.
"Você quer reabrir o caso, não é? Quer saber quem forjou aquela 'confissão falsa' há dez anos e o colocou na prisão. Quer saber a verdade sobre o 'Caso Faísca'."
Lu Chenzhou não disse nada. Ele não precisava dizer. Shen Qinghuan sabia a resposta.
"Posso dar-lhe pistas," disse ela. "Sobre a parte anônima, sobre '87.11.3', sobre aquele incêndio na época... Sei algumas coisas. Coisas que meu pai nunca quer que ninguém saiba."
Ela se inclinou para frente, o cigarro escorregou de seus dedos e caiu no chão de pedra.
"Mas em troca," disse ela, "quero que você me ajude a descobrir exatamente o que meu irmão estava investigando. Para onde aquele fluxo de fundos foi, quem estava envolvido, por que... por que ele morreu quando estava investigando até a metade."
As últimas palavras foram quase sussurradas.
Lu Chenzhou a observou. Sob a luz da lua, seus olhos estavam um pouco vermelhos, mas as lágrimas não caíam. Ela estava se segurando com força.
Esta garota não era uma atriz. Pelo menos não agora. Sua dor era muito real, tão real que fez Lu Chenzhou se lembrar de sua própria irmã — os olhos de Lu Chenxing segurando sua mão no leito do hospital, dizendo "Irmão, não se preocupe mais comigo, vá embora".
Aquele olhar misturado de amor, culpa e desespero.
"A parte anônima," Lu Chenzhou finalmente falou, voltando à questão inicial. "Quem são eles?"
Shen Qinghuan inspirou profundamente e depois expirou lentamente. Ela se recostou novamente na cadeira, como se a explosão emocional daquele instante tivesse esgotado suas forças.
"Não sei sua identidade específica," disse ela. "Mas ouvi alguns... rumores. Rumores sobre o incêndio no Arquivo de 1987."
Ela fez uma pausa, como se estivesse organizando as palavras.
"Nos registros oficiais, três pessoas morreram naquele incêndio. Um arquivista, dois guardas de plantão. Mas alguns dizem... que foram mais."
O coração de Lu Chenzhou deu um salto pesado.
"Mais?" ele repetiu.
Shen Qinghuan acenou com a cabeça, o movimento era suave
"Pode ter sido ela," Shen Qinghuan continuou sua fala, "ou alguém que ela encontrou. Ou... outras pessoas que também perderam entes queridos naquele incêndio, mas nunca obtiveram respostas."
Ela fez uma pausa.
"Eles deixaram '87.11.3', deixaram a planta baixa queimada, não para assustá-lo, Sr. Lu. Eles estavam testando você. Queriam saber se você, contratado pela família Shen, se tornaria um cúmplice deles, ou... se seria como eles, disposto a desenterrar a verdade que foi sepultada."
Ela se levantou, tirou do bolso do casaco um pequeno pedaço de papel bem dobrado e o colocou no banco.
"É uma sequência de números. Parece uma data, mas não é. Se quiser continuar, ligue para este número. Diga apenas: 'As flores de osmanto da Escola Yucai estão desabrochando'."
Dito isso, sem esperar pela resposta de Lu Chenzhou, ela se virou e saiu. Seus passos eram rápidos, quase uma corrida, desaparecendo entre as sombras das árvores do outro lado do jardim.
Lu Chenzhou ficou parado, olhando para o pequeno pedaço de papel branco no banco. O vento noturno passou, fazendo as bordas do papel tremerem levemente.
Ele não o pegou imediatamente.
* * *
O som dos pneus raspando no asfalto molhado foi, a princípio, muito suave.
Lu Chenzhou segurava o volante, a ponta dos dedos ainda sentindo o frio da balaustrada de pedra do jardim. As últimas palavras de Shen Qinghuan eram como uma agulha fina, cravada em seu tímpano e nunca retirada — "a prova ensanguentada que eles entregaram". Fora da janela do carro, as luzes da mansão da família Shen se encolhiam no retrovisor em algumas manchas turvas, gradualmente engolidas pela escuridão.
Ele precisava organizar.
Precisava espalhar todos os fragmentos desta noite — o ritmo com que Shen Moqing mexeu no rosário enquanto exercia pressão publicamente, o sorriso formal sempre nos lábios de Gu Zhixing, o rosto de Shen Qinghuan meio claro, meio sombreado sob a luz da lua — e reorganizá-los. Mas o que ele mais precisava era confirmar imediatamente uma coisa: o quão perigosa era exatamente a "nuvem de suspeita sobre fundos internos da família" que Shen Qinghuan mencionou.
O volante esquentava levemente em sua palma.
Algo estava errado.
Não era impressão sua. Era o volante em si que estava esquentando, como se algo estivesse se atritando internamente, gerando calor. Lu Chenzhou franziu a testa, tirou a mão esquerda do volante para tocar a saída de ar do ar-condicionado — o ar frio estava normal. Ao retirar a mão, seu olhar captou, por acaso, o painel de instrumentos.
A agulha do conta-giros tremia levemente.
Não era a vibração regular do motor, era um tremor espasmódico, caótico, sem ritmo. O velocímetro marcava sessenta e cinco quilômetros por hora, mas a agulha ocasionalmente saltava para oitenta, para depois cair para cinquenta. A respiração de Lu Chenzhou parou por meio segundo. Ele pisou no freio, testando uma desaceleração.
A sensação ao pisar no pedal do freio... estava frouxa.
Não estava completamente falho, mas o primeiro terço do curso do pedal era quase vazio, como pisar em um punhado de algodão. Só quando o pedal passava da metade do curso é que a força de frenagem aparecia, relutante, e com um atraso perturbador. A velocidade diminuía muito devagar, devagar demais. À frente havia uma curva em descida, com poucos postes de luz.
A mão esquerda de Lu Chenzhou voou em direção ao freio de mão.
Nesse exato instante —
O volante puxou violentamente para a direita!
Não era uma derrapagem. Era um desvio brutal, como se uma falha mecânica o travasse. Os músculos do braço direito de Lu Chenzhou se tensionaram instantaneamente, contra-atacando aquela força bruta. O carro emitiu um guincho agudo de pneus, a carroceria toda inclinando-se para o lado direito
No tubo de borracha perto da roda dianteira direita, havia um corte extremamente fino, quase invisível. Não era uma ruptura grosseira causada por detritos na estrada, as bordas do corte eram limpas, como se tivessem sido feitas com uma lâmina muito fina, rasgando levemente a superfície, permitindo que o fluido de freio vazasse lentamente sob pressão. A velocidade do vazamento foi calculada — não falharia imediatamente, mas após dirigir por um tempo, no momento exato em que fosse necessário frear com força total, falharia completamente.
A proteção da barra de direção também foi cortada, permitindo que grãos de areia e umidade penetrassem, travando a caixa de direção em algum momento.
Trabalho profissional.
Não era fatal, mas suficiente para causar um "acidente de trânsito" capaz de mandar alguém para o hospital. Se ele não tivesse conseguido controlar o carro, colidindo com o guard-rail ou capotando na descida, o pior resultado seria fraturas, concussão. Hospitalizado, a investigação interrompida, mas não a morte.
Um aviso?
Lu Chenzhou endireitou-se, varrendo o interior do carro com a luz da lanterna. No banco do passageiro, algo refletiu a luz.
Ele abriu a porta.
Era um fragmento de foto, do tamanho de meio palmo, jogado casualmente no assento. O papel estava bastante amarelado, as bordas desfiadas, como se tivesse sido rasgado de uma foto maior. No fragmento, havia um menino, de cerca de oito ou nove anos, vestindo um uniforme de ginástica azul escuro comum no final dos anos 80, parado na entrada de uma escola primária. O menino sorria timidamente, faltando um dente da frente. No fundo, na porta da escola, pendia uma placa de madeira, com palavras desbotadas, mas ainda legíveis: "Yucai".
A foto parecia ter sido tirada por volta de 1987. A roupa, o estilo da escola, o grau de desbotamento da foto, tudo batia.
Lu Chenzhou pegou o fragmento com a ponta dos dedos.
Virou-o.
No verso, escrito a caneta, havia um caractere: "Investigar".
A tinta era azul-preta, já oxidada e marrom, a caligrafia forte, quase rasgando o papel. Esse caractere "Investigar" foi escrito às pressas, o último traço alongado, carregando uma urgência reprimida. Não era novo. O estado de infiltração da tinta nas fibras do papel correspondia basicamente ao nível de envelhecimento da própria foto.
Ele encarou o caractere.
A voz de Shen Qinghuan ecoou novamente em seus ouvidos: "... Isso não foi um aviso para você, Sr. Lu. Foi o exame ensanguentado que eles entregaram."
Exame.
Primeira questão: o diagrama do arquivo incendiado, apontando para a área em "L". Ele resolveu, encontrou Shen Qinghuan.
Segunda questão: a sugestão no jardim, sobre "familiares das vítimas" e "transmissão de pistas". Ele ouviu, mas não acreditou completamente.
Agora, a terceira questão: um "acidente" cuidadosamente calculado e um fragmento de foto antiga de 1987. A questão mais perigosa, o custo mais direto. Mas quem propôs ainda não queria sua vida. Até escreveram "Investigar" no verso da foto — não "Morra", não "Pare", mas "Investigue".
Incentivando-o a continuar.
Testando se ele foi assustado, se recuou por causa do aviso de Shen Moqing e do complexo acordo com Shen Qinghuan.
Lu Chenzhou voltou ao banco do motorista, colocando o fragmento da foto no painel. O carro ainda funcionava, o vazamento do fluido de freio não era tão rápido, com cuidado daria para chegar à cidade. Ele ligou a ignição novamente, o motor roncando cansado. O espelho retrovisor direito estava faltando, ele teria que olhar para trás virando a cabeça.
O carro voltou lentamente à pista.
Seu olhar pousou no rosto do menino sem o dente da frente na foto. 1987. Escola Primária Yucai. Quem era aquele menino? Que relação tinha com o incêndio do arquivo? E com a família Shen? A parte anônima — se a interpretação de Shen Qinghuan estivesse correta, se eles realmente fossem familiares das vítimas do incêndio daquela época — por que enfiaram a foto desse menino para ele?
Uma pista, ou outra armadilha?
O tabuleiro se desdobrava diante
E todas essas verificações exigiam que ele continuasse se aprofundando — mergulhando no núcleo da família Shen, penetrando nos perigosos testes dispostos pelo anônimo, adentrando tudo o que foi carbonizado pelo incêndio daquele ano.
O preço já havia sido pago adiantado. O "acidente" de hoje à noite era apenas os juros. O principal poderia ser sua vida, a segurança de sua irmã Lu Chenxing, ou a chance de reverter o caso pela qual ele esperou amargamente por dez anos.
O volante vibrava levemente na palma de sua mão.
Lu Chenzhou olhou para a estrada iluminada pelos faróis à sua frente, e os cantos de sua boca lentamente se curvaram em um arco extremamente tênue e frio.
O jogo havia entrado em uma nova rodada.
As apostas estavam subindo silenciosamente. E agora ele via claramente: na mesa de jogo, havia mais de um banqueiro.
Ele pisou fundo no acelerador, o carro ganhou velocidade e seguiu rumo às trevas mais profundas da cidade. No painel, aquele fragmento da foto antiga foi agitado pelo vento e virou. No verso, o desgastado caractere "Investigar" piscava intermitentemente sob a luz ocasional dos postes ao longo da estrada.
Como um olho.
Urgindo, e também examinando.