Capítulo 43: Louva-a-Deus no Beco Escuro, Papa-Figo à Luz da Lanterna
A luz da tela do celular, no beco escuro, parecia um pedaço de ferro em brasa.
Lu Chenzhou encarava aquela foto. A rua. O correio. O triciclo. Hora da captura: sete e quarenta e cinco — exatamente antes de ele sair do esconderijo de Zhou Zhengping e ir para o Parque Xishan. O outro lado já estava de olho, só esperou até agora para mostrar as presas.
Seu polegar deslizou sobre aquela linha de texto, a polpa do dedo conseguia sentir o frio do vidro da tela. O cheiro de podridão do fundo do beco invadia, misturado ao odor úmido e pútrido característico do tecido da ferida em seu braço esquerdo depois de encharcado. O estômago se torcia como um novelo, uma sensação ácida e ardente subia do fundo da garganta.
A provocação daqueles dois no Parque Xishan foi muito direta, muito parecida com um aviso explícito. E essa mensagem de texto… gélida, precisa, com o sadismo de um gato brincando com um rato. Era outra força. Ou então, era a faca ainda mais sombria nas mãos de Shen Moqing.
Lu Chenzhou apagou a tela. A escuridão novamente engoliu o beco. Ao longe, o som abafado de um ônibus noturno passando, pneus rolando sobre o asfalto molhado.
Zhou Zhengping não podia mais ficar no lugar original. Mas ir buscá-lo diretamente seria cair na armadilha — o outro lado podia estar esperando justamente por ele aparecer. Ele precisava de um novo local, um lugar que pudesse isolar temporariamente os olhares e ainda permitir completar a avaliação. O próprio Zhou Zhengping havia mencionado antes que, nos primeiros anos, alugou particularmente um estúdio, nem a família sabia.
Lu Chenzhou tirou do bolso aquele velho Nokia, ligou-o. A luz azul da tela era ofuscante. Ele navegou até o número de Zhou Zhengping, discou.
Toquei três vezes, atendeu. Sem "alô", apenas o som reprimido da respiração.
"Velho Zhou." A voz de Lu Chenzhou era muito baixa, mas o ritmo era estável, "Aquela chave do estúdio que o senhor mencionou, ainda está?"
Silêncio por alguns segundos do outro lado da linha. Dava para ouvir o som do velho engolindo saliva. "Está… na camada oculta da caixa de ferramentas. Mas lá faz muito tempo que não vou, muita poeira, o equipamento também está velho—"
"Me envie o endereço. Agora." Lu Chenzhou o interrompeu, "Daqui a vinte minutos, estou no prédio do senhor para buscá-lo. Leve apenas a caixa de ferramentas, não mexa em mais nada. Mantenha as cortinas como estão, não apague a luz."
"Aconteceu algo?" A voz de Zhou Zhengping começou a tremer.
"Alguém tirou uma foto do prédio do senhor." Lu Chenzhou fez uma pausa, "Precisamos mudar de lugar para trabalhar."
Um silêncio mais longo. Então, Zhou Zhengping disse com voz rouca: "Está bem."
A ligação foi encerrada. Lu Chenzhou enfiou o Nokia de volta no bolso interno, virou-se e saiu do beco. O poste de luz alongou muito sua sombra, projetando-a obliquamente na parede de tijolos úmida. O arranhão no braço esquerdo doía como fogo, mas seus passos não pararam.
O carro era roubado, um Jetta prateado cheio de poeira, estacionado num bairro residencial velho. Lu Chenzhou arrombou a porta com um arame, conectou os fios, o motor tossiu abafadamente duas vezes e pegou.
Ele dirigiu devagar, deu três voltas nas ruas, confirmando que não havia cauda. Duas e quarenta e sete da madrugada, a cidade parecia uma besta adormecida, apenas algumas janelas esparsas ainda com luz acesa. A chuva já tinha parado, mas o ar ainda estava impregnado de umidade, o para-brisas coberto por uma fina névoa.
O prédio onde Zhou Zhengping morava apareceu no campo de visão. A entrada da unidade três estava iluminada por uma luz amarela acionada por som. Lu Chenzhou estacionou o carro na sombra do canto da rua em frente, desligou o motor.
Nenhum veículo
A placa do parque cultural já havia desbotado, o portão de ferro estava entreaberto. Lu Chenzhou entrou com o carro, passando sobre o cimento esburacado. O parque estava em um silêncio mortal, apenas alguns postes de luz remanescentes emitiam uma luz pálida e branca, iluminando os grafites descascados nas paredes.
O prédio mais ao fundo tinha apenas três andares, os tijolos vermelhos da fachada já estavam escurecidos. Zhou Zhengping apontou para uma porta de ferro enferrujada na lateral. "Ali... subindo as escadas, o último à direita no terceiro andar."
Lu Chenzhou estacionou o carro, desligou o motor. Ele desceu primeiro, olhou ao redor. Nenhuma câmera — pelo menos nenhuma com luz vermelha acesa. De longe vinha o estrondo de um trem passando, o som das vibrações dos trilhos chegava abafado.
Ele abriu a porta do passageiro. Zhou Zhengping desceu segurando a caixa de ferramentas, as pernas um pouco fracas, tropeçou levemente. Lu Chenzhou segurou seu braço. O braço do velho tremia, a pele gelada.
Zhou Zhengping, trêmulo, abriu o compartimento oculto da caixa de ferramentas, tirou uma chave de cobre já coberta de ferrugem verde. Lu Chenzhou pegou, caminhou até a porta de ferro. A fechadura estava dura, ele girou várias vezes até abrir. Os gonzos emitiram um rangido agudo, especialmente penetrante no silêncio da noite.
O corredor estava em completa escuridão, um cheiro de poeira invadiu as narinas. Lu Chenzhou ligou a lanterna do celular, o feixe de luz cortou a escuridão. O corrimão da escada estava coberto por uma grossa camada de poeira, as pegadas no chão eram claramente visíveis — apenas as deles.
Terceiro andar. A porta no final do corredor, verde-escura, a tinta descascando. A chave entrou, girou. Do interior da fechadura veio um clique abafado.
Uma corrente de ar antiga, misturada com cheiro de papel, poeira e metal, jorrou para fora. Lu Chenzhou iluminou com a lanterna para dentro. A sala não era grande, cerca de vinte metros quadrados. Encostadas na parede, duas velhas mesas de madeira, cobertas por panos protetores amarelados. No canto, empilhadas algumas caixas de papelão, as bordas já cedidas. A janela estava completamente coberta por cortinas pesadas.
Ele entrou, sob seus pés levantaram-se minúsculas partículas de poeira, dançando no feixe da lanterna. Zhou Zhengping entrou atrás dele, fechou a porta por dentro. Isolado do exterior, o silêncio dentro da sala ganhou peso, era quase possível ouvir o próprio batimento cardíaco.
Lu Chenzhou foi até a janela, afastou um canto da cortina. Do lado de fora do vidro havia grades de ferro, e mais além, o parque vazio e as luzes da cidade distante. A visão era ampla, se alguém se aproximasse, seria fácil de detectar.
Ele soltou a cortina, virou-se. "Dá para acender a luz?"
Zhou Zhengping tateou até a parede, apertou um interruptor. Do teto veio um zumbido, dois tubos fluorescentes antigos piscaram algumas vezes, uma luz pálida e branca iluminou fracamente a sala. A luz era instável, tremia levemente, emitindo um ruído de baixa frequência contínuo e irritante.
"Voltagem instável." Zhou Zhengping sussurrou, como se estivesse explicando, ou falando consigo mesmo. Ele foi até uma das mesas, levantou o pano protetor. A poeira levantou, ele tossiu duas vezes.
Sobre a mesa estavam alguns instrumentos: um projetor de comparação antigo, a lente coberta; várias lupas de diferentes aumentos, os aros de metal já sem brilho; ainda pinças, uma régua, uma caixa de filtros de luz desbotados. Zhou Zhengping limpou a mesa com a manga, os movimentos lentos, muito cuidadosos.
Lu Chenzhou tirou de sua mochila uma pasta, abriu-a. Dentro havia impressões ampliadas em alta definição de dois documentos — uma era a assinatura da "secretária Sun" do arquivo do caso de dez anos atrás, a outra era a caligrafia da carta de am
A ponta da pinça apontou para o traço inicial do caractere "Sun" no documento ampliado. "Veja aqui. O traço original é muito leve, com uma pequena pausa sutil — esse é um hábito causado pela antiga lesão no pulso da secretária Sun, ela inconscientemente alivia a força naquela direção." A pinça se moveu para a mesma posição no outro documento. "Mas neste, o início do traço é direto, uniforme, sem pausa. O falsificador sabia da lesão antiga, então deliberadamente imitou a 'leveza', mas ele imitou o resultado, não a causa. Ele não sabia que aquela pausa era uma memória muscular causada pela dor."
Lu Chenzhou se aproximou um pouco. A superfície do papel brilhava com uma luz fria sob a lâmpada circular, as minúsculas diferenças na tinta ampliadas até parecerem quase grotescas. "Pode quantificar?"
"Precisa do medidor." Zhou Zhengping puxou uma caixa de papel de debaixo da mesa, abriu-a. Dentro havia um medidor eletrônico do tamanho de uma mão, conectado a um cabo de dados. Ele ligou na tomada, ligou o aparelho, a tela acendeu com uma luz azul. Com a pinça, pegou uma sonda extremamente fina, calibrou, então tocou levemente no ponto da pausa no original.
Uma série de números saltou na tela. "Pico de pressão 0,3 newtons, duração 0,08 segundos," disse Zhou Zhengping. A sonda se moveu para a mesma posição no documento falsificado. "Aqui... 0,15 newtons, duração 0,15 segundos. A força caiu pela metade, mas se arrastou mais. Esse é um erro comum ao imitar 'leveza' — pensar que desacelerar é o mesmo que ser leve."
A mão esquerda de Lu Chenzhou moveu-se inconscientemente em direção ao bolso, onde havia uma caneta. Ele a tirou, girou-a entre os dedos, removeu a tampa, depois a recolocou. A mola da caneta emitiu um leve clique.
Zhou Zhengping não respondeu. Ele moveu a lupa, focando na ligação entre os dois caracteres "secretária". Olhou por muito tempo. Tanto tempo que Lu Chenzhou pensou que ele havia mergulhado novamente em algum tipo de emoção.
Então, de repente, o velho homem inspirou fundo, de forma abrupta, como se tivesse engasgado com algo.
"Aqui..." A voz de Zhou Zhengping começou a tremer, "esta curva... a curvatura no original é formada pela rotação natural do pulso, com um leve achatamento no topo — o dedo mindinho da secretária Sun pressionava inconscientemente o papel ao escrever, e no ponto mais alto da curva ele pressionava levemente. Mas este..."
A ponta da pinça tocou o documento falsificado. Sua mão tremia, a ponta metálica riscando leves, quase imperceptíveis marcas na superfície do papel.
"Esta curva é perfeita demais. Como se fosse desenhada com um compasso." Zhou Zhengping ergueu a cabeça, seus olhos por trás dos óculos para leitura cheios de veias vermelhas, olhando diretamente para Lu Chenzhou. "O falsificador... ele buscou demais a 'semelhança'. Ele usou ferramentas auxiliares. Uma pessoa real não conseguiria desenhar uma curva assim."
O ar na sala pareceu solidificar-se. O zumbido da lâmpada fluorescente tornou-se estridente.
Lu Chenzhou parou de girar a caneta. O corpo da caneta pressionava profundamente na palma de sua mão. "Então, a conclusão é?"
Zhou Zhengping abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ele tirou os óculos para leitura, limpou as lentes com a manga, os movimentos lentos e pesados. Depois de recolocá-los, ele finalmente falou: "As duas assinaturas não foram escritas pela mesma pessoa. O falsificador tem um nível muito alto, conhece os hábitos de escrita da secretária Sun dos primeiros anos, até sabe de sua lesão antiga. Mas ele depende demais de assistência técnica e, por isso, deixou escapar uma falha. E além disso..."
Ele fez uma pausa, a garganta se movendo. "E além disso, ele está imitando as características da caligrafia da secretária Sun anteriores a 1996. Depois de 1996, a lesão antiga da secretária Sun piorou, e aquela pausa na verdade se tornou mais pronunciada. Mas o falsificador não sabia — ou, a amostra que ele obteve vai apenas até 1996."
Lu Chenzhou encarou-o. "O relatório de perícia
"Eu mudei..." ele murmurou, para o ar, para a poeira que enchia o cômodo. "Eu mudei, porra... só para... para poder me aposentar em paz... para..."
Lu Chenzhou não se moveu. Ele observou as costas trêmulas do velho, os dois documentos sobre a mesa que, sob a luz fria, pareciam evidências de um crime. O canto esquerdo de seu olho começou a contrair levemente, uma vez, e outra, como se um nervo estivesse pulsando sob a pele.
Ele esperou alguns segundos, até que a respiração de Zhou Zhengping se acalmasse um pouco, para então falar. Sua voz era plana, sem acusação, sem consolo, apenas uma afirmação:
"A pessoa que mandou você alterar o relatório naquela época, e a que quer silenciá-lo agora, podem ser as mesmas."
"Se você não disser, nós sempre estaremos nas sombras." Lu Chenzhou deu um passo à frente, parando ao lado da mesa. Ele pegou a cópia ampliada com a assinatura falsificada e a ergueu contra a luz. "Mas agora, temos isso. Você tem a chance de escrever claramente a conclusão que não incluiu na época. Escrever em um novo relatório."
Zhou Zhengping lentamente se virou. Havia marcas de lágrimas em seu rosto, misturadas com poeira, riscando sulcos sujos na pele envelhecida. Mas o desespero em seus olhos estava sendo substituído por algo diferente — algo turvo, pesado, mas incrivelmente afiado.
"Caneta." Ele disse, a voz rouca, mas clara.
Lu Chenzhou tirou um envelope de papel pardo de sua mochila, retirou um formulário de relatório pericial em branco e o estendeu sobre a mesa. Em seguida, entregou uma caneta esferográfica preta.
Zhou Zhengping pegou a caneta. Sua mão ainda tremia, a ponta da caneta pairando sobre o papel, hesitando em descer. Ele encarava o espaço em branco como se estivesse encarando um abismo.
Lu Chenzhou não o pressionou. Ele foi até a janela e ergueu novamente uma ponta da cortina. Lá fora, ainda estava aquele complexo vazio, as luzes da cidade ao longe ainda esparsas. Mas no horizonte, a escuridão mais profunda já começava a desvanecer, revelando uma linha tênue, quase imperceptível, de um cinza esbranquiçado.
Foi então que o celular antigo de Zhou Zhengping, colocado sobre a caixa de ferramentas, tocou abruptamente.
O toque era o "trim-trim" clássico de um telefone antigo, agudo, estridente, perfurando o silêncio do quarto como uma facada. Zhou Zhengping estremeceu por inteiro, a caneta caindo sobre a mesa e rolando até a beirada.
Lu Chenzhou se virou bruscamente. Ele viu Zhou Zhengping encarando a tela do celular, seu rosto instantaneamente ficando cinza como cinza, os lábios perdendo todo o sangue.
Zhou Zhengping, tremendo, estendeu a mão, atendeu a chamada e ativou o viva-voz.
Um choro feminino irrompeu imediatamente, rouco, quebrado, carregado de um desespero dilacerante:
"Lao Zhou... Lao Zhou... Lao Li ele... ele se foi... caiu ontem à noite descendo as escadas... a luz do corredor estava quebrada... ele... ele simplesmente... a polícia diz que foi acidente... acidente..."
O corpo de Zhou Zhengping balançou. Ele estendeu a mão para se apoiar na beirada da mesa, as unhas cravando-se na madeira, emitindo um rangido.
Lu Chenzhou já havia dado um passo à frente, tomando o celular da mão rígida de Zhou Zhengping. Sua voz era assustadoramente calma: "Sogra Li, sou um antigo colega do velho Zhou. Pode me dizer a hora exata do ocorrido? O local? Houve testemunhas? O legista Li mencionou algo especial recentemente, ou viu alguém?"
O choro do outro lado da linha parou por um instante, transformando-se em soluços reprimidos. "Ontem à noite... depois das dez... no prédio dele... na curva entre o quarto e o terceiro andar... ninguém viu... ele ultimamente... ultimamente vivia remoendo o passado... dizia que não dormia bem... que alguém... que alguém estava vigiando..."
Ele colocou o celular de volta sobre a mesa. O leve ruído do plástico tocando a madeira foi anormalmente claro no quarto mortalmente silencioso.
Zhou Zheng
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente. Ele não se moveu, seu olhar passou do perfil rígido de Zhou Zhengping para a bolsa de lona. O toque continuava, insistente, abafando o zumbido baixo do tubo de luz fluorescente. O cheiro frio e misturado de papel velho e instrumentos metálicos no ar parecia ter sido agitado pelo som, tornando-se espesso e opressivo.
"Atenda", disse Lu Chenzhou. Sua voz era plana, sem pressa, apenas uma declaração.
A mão de Zhou Zhengping tremia ainda mais. A ponta da pinça produziu um leve *ting* ao tocar a borda da bancada de metal. Ele se endireitou lentamente, seus movimentos como os de uma máquina enferrujada, virou-se, curvou-se, enfiou a mão no fundo da bolsa de lona para procurar. O que tirou foi um celular preto flip, de tela pequena, que agora brilhava, mostrando um número não salvo na agenda.
Ele encarou a tela, seu pomo de adão subindo e descendo, engolindo em seco. Então, seu polegar pressionou o botão de atender, o movimento muito lento, como se lutasse contra alguma resistência invisível. Ele levou o telefone ao ouvido.
A voz do outro lado da linha vazou imediatamente — mesmo a alguns passos de distância, Lu Chenzhou conseguia ouvir o choro e a respiração reprimidos e fragmentados, a voz de uma idosa, incoerente, dilacerada por uma imensa dor e medo.
"... Velho Zhou... Velho Zhou... Aconteceu algo... O Velho Li ele... ele se foi..."
O rosto de Zhou Zhengping empalideceu instantaneamente. Seus lábios se abriram, mas nenhum som saiu. Seus olhos arregalaram, as pupilas se dilatando dentro dos globos oculares turvos, perdendo o foco, fitando fixamente a superfície fria de metal da bancada. Os nós dos dedos que seguravam o telefone ficaram brancos de tão apertados, as veias do dorso da mão saltaram, todo o braço começou a tremer incontrolavelmente.
"Você diz... o quê?" Sua voz era áspera como lixa se esfregando, "Velho Li... Li Jianguo? Qual Velho Li?"
"Que outro Velho Li poderia ser!" O choro ao telefone subiu abruptamente, com uma agudez desesperada, "Ontem à noite... ontem à noite ele disse que ia descer para jogar o lixo... e não voltou... os vizinhos o encontraram de manhã... na curva da escada... caiu... bateu a cabeça no degrau de concreto... sangrou muito... a polícia veio, disseram que foi... foi um acidente, um tropeço..."
O corpo de Zhou Zhengping balançou. Sua outra mão agarrou a borda da bancada com força, impedindo-o de cair. A bolsa de lona foi derrubada por seu movimento, caindo no chão com um *clang*, as ferramentas de dentro se espalhando, réguas de metal, lupa, pinças rolando por toda parte, colidindo no piso de cimento com um ruído desordenado e estridente. A poeira no ar foi levantada, dançando loucamente sob a luz.
Ele deu dois passos à frente, não para segurar o Zhou Zhengping cambaleante, mas para arrancar diretamente da mão rígida do velho o celular flip que ainda vazava som. O movimento foi limpo e decisivo, sem hesitação. Ele levou o telefone ao próprio ouvido.
"Sou amigo de Zhou Zhengping", disse, sua fala rápida e clara, sobrepondo-se ao choro contínuo do outro lado da linha, "Fale devagar, hora, local específico, o que a polícia disse, havia mais alguém presente?"
A idosa do outro lado pareceu estar chocada com aquela voz masculina repentina, fria e quase cruel, seu choro engasgou por um momento, então ela respondeu entrecortadamente: "Ontem à noite... por volta das nove e pouco... foi no prédio velho dele, unidade três... na curva entre o quarto e o quinto andar... a polícia disse que não viu sinais de luta, nada mais nas escadas... disseram que foi um tropeço acidental... mas o Velho Li ele... suas pernas sempre foram ágeis... como poderia..."
"Ele mencionou algo especial recentemente? Algo sobre o trabalho antigo, ou encontrou alguém?" Lu Chenzhou perguntou, mas seu olhar varreu Zhou Zhengping. O velho agora estava desabado na cadeira,
O silêncio voltou a preencher o espaço, mas agora era completamente diferente. O silêncio anterior era um vácuo concentrado, cheio de possibilidades; o silêncio atual era um acúmulo pesado e pegajoso, deixado pela morte que se infiltrou. A poeira assentava lentamente. O tubo fluorescente continuava a emitir um zumbido baixo e irritante.
Lu Chenzhou jogou o celular de plástico gelado de volta para dentro da bolsa de lona ao lado da perna de Zhou Zhengping. O aparelho bateu nas ferramentas espalhadas, produzindo um som oco. Ele se virou, encarando Zhou Zhengping.
Zhou Zhengping ergueu a cabeça, seus olhos turvos transbordando de um medo e desorientação imensos, infantis. Ele olhou para Lu Chenzhou, seus lábios tremiam, mas nenhuma palavra saía. Gotas de suor na testa se uniram em filetes finos, escorrendo pelas faces trêmulas.
"Não foi um acidente," disse Lu Chenzhou. Sua voz não era alta, mas na sala morta, cada palavra cravava-se no ar como um prego, clara, gelada, com uma qualidade metálica. "Li Jianguo. O legista que participou da comparação periférica de características de escrita no caso antigo, aposentado há três anos. Correto?"
Zhou Zhengping inspirou bruscamente, o som parecido com o de um fole estragado sendo puxado, rouco e doloroso. Ele acenou com a cabeça, o movimento era pequeno, mas usou toda a força do corpo.
"Eles estão atrás de todos que sabem os detalhes daquela época," Lu Chenzhou continuou, o ritmo de sua fala constante, mas seu olhar como um bisturi percorrendo cada contração e tremor minúsculo no rosto de Zhou Zhengping. "Limpeza. Sistemática. Começando pela periferia, eliminando todas as possíveis brechas. Você," ele inclinou-se ligeiramente para frente, sua sombra envolvendo o rosto pálido de Zhou Zhengping, "quase foi o próximo."
Um som gutural "huh-huh" escapou da garganta de Zhou Zhengping, como se sua traqueia estivesse sendo estrangulada. A mão que ele mantinha na bancada começou a espasmodar violentamente, os dedos se contraindo e se abrindo, as unhas arranhando a superfície metálica da bancada, produzindo um rangido "zhi-zhi" que fazia os dentes doerem. Lágrimas jorraram de seus olhos turvos sem aviso, misturando-se ao suor, rolando pelas bochechas sulcadas por rugas. Não eram lágrimas de tristeza, eram o colapso fisiológico espontâneo e incontrolável do corpo quando o medo ultrapassa seu limite.
"Eu... naquela época..." sua voz estava quebrada, cada palavra parecia espuma ensanguentada sendo espremida entre os dentes, "aquele relatório... aquele telefonema... era... era Zhao..."