Capítulo 35: Rastros em Velhos Dossiês
Lu Chenzhou sacudiu o último seguidor na esquina do beco e entrou naquele prédio de tijolos vermelhos dos anos noventa. A luz acionada por voz no corredor estava quebrada. Ele subiu até o terceiro andar no escuro, inseriu a chave na fechadura e girou.
A porta abriu.
Um cheiro de mofo misturado com a umidade fresca do orvalho da noite o atingiu. Ele não acendeu a luz, foi direto até a janela e levantou um canto da cortina.
O carro prateado na esquina ainda estava lá. A janela do passageiro abaixou uma fresta, o reflexo de uma lente brilhou por um instante.
Ainda lá.
Ele puxou todas as cortinas, o quarto mergulhou em completa escuridão. Apenas a luz indicadora de modo de espera do computador emitia um ponto vermelho no canto. Ele ligou a lâmpada fluorescente de baixa potência, a luz amarelada mal conseguia abrir um pequeno espaço na escuridão. Tirou o pen drive de metal do compartimento secreto da mochila.
Frio. Pesado.
Quando Gu Zhixing o entregou, disse: "Dentro há materiais filtrados, alguns são elementos de distração, você precisará julgar por si mesmo." O tom era plano, como se estivesse passando uma tarefa comum.
Lu Chenzhou inseriu o pen drive no computador.
O ventilador acelerou imediatamente, emitindo um zumbido baixo. A tela acendeu, a unidade criptografada apareceu. Ele executou o programa de descriptografia que escreveu, a janela de linha de comando surgiu, caracteres rolando rapidamente.
Criptografia de terceira camada, RSA híbrido de nível comercial... O limite do programa de autodestruição estava definido para após três tentativas erradas.
Seus dedos bateram no teclado.
Contorne-o.
Lá fora, o ponto de luz vermelho piscou novamente. A luz indicadora do gravador do carro, distância de cerca de oitenta metros, ângulo um pouco alto. Ele dedicou metade da atenção para ouvir os sons externos — uma moto partindo lá embaixo, a televisão do vizinho passando o noticiário da meia-noite, a torneira no fim do corredor pingando ritmicamente.
O teclado fazia *tac tac tac*, nítido, denso. A luz azul da tela refletia em seu rosto, delineando seus traços com certa dureza. O canto esquerdo do olho começou a contrair levemente, ele ergueu a mão e pressionou.
O programa quebrou a última barreira.
O conteúdo do pen drive surgiu.
Uma pasta, nomeada "Auditoria - Qingliu". Dentro, dois arquivos: um PDF, intitulado "Relatório Final de Auditoria do Projeto Qingliu (versão interna)". E um pacote compactado criptografado, nome do arquivo "Fragmentos de Registro de Comunicação_2023".
Lu Chenzhou deu um duplo clique no PDF.
O arquivo era grande, carregou por três ou quatro segundos. A primeira página era a capa, o logo do Grupo Shen, abaixo escrito "Ultra Secreto · Acesso Restrito a Membros do Conselho". Ele rolou o mouse.
Resumo.
"... Auditoria especial realizada sobre os projetos de investimento no exterior da série 'Qingliu' (códigos QL-001 a QL-007) sob responsabilidade da Sra. Shen Qinghuan. Foram descobertos os seguintes problemas: 1. Transações fictícias com fornecedores, envolvendo aproximadamente vinte e três milhões de dólares americanos; 2. Uso de empresas offshore para transferência de benefícios, fluxo de fundos complexo, eventualmente associado a empresas de fachada controladas pessoalmente pela Sra. Shen Qinghuan; 3. Relatórios de progresso do projeto gravemente inconsistentes com a situação real, existindo falsificação sistemática..."
Seu sangue esfriou instantaneamente.
Não era um elemento de distração.
Era uma prova concreta suficiente para mandar alguém para a prisão. Tabelas de dados, capturas de tela de extratos bancários, digitalizações de contratos, até mesmo uma carta de confirmação assinada por Shen Qinghuan — a assinatura, ele conhecia muito bem.
Ele im
A luz azul da tela cortava o perfil tenso de Lu Chenzhou no escuro. Ele reabriu os olhos, seu olhar deslizando como um bisturi sobre aquelas planilhas, documentos digitalizados, capturas de tela de extratos bancários. O volume de dados era assustadoramente vasto. A cadeia de falsificações começava com a primeira empresa offshore há três anos, estendendo-se até a última transferência transfronteiriça do mês anterior. Cada transação vinha acompanhada de contratos, assinaturas, selos oficiais, e até mesmo algumas capturas de tela de câmeras de segurança desfocadas, apontando para um cenário onde Shen Qinghuan encontrava-se com um agente estrangeiro no café de um hotel.
Forjado de forma profissional. Tão profissional que seria suficiente para colocá-la atrás das grades por dez anos.
A assinatura "Shen Qinghuan" na "Carta de Confirmação do Fornecedor" e a assinatura da "Testemunha" naquela falsa "Transcrição de Interrogatório de Testemunha" de anos atrás compartilhavam uma mesma característica: um corte ou interrupção não natural na ponta final do traço descendente para a direita. Era uma falha deixada subconscientemente por quem estava imitando, tão única quanto uma impressão digital.
Como se a ponta da caneta tivesse sido repentinamente travada por algo ao chegar ali.
Seu estômago torceu-se como um novelo.
Ele se recostou na cadeira.
Exatamente a mesma.
Até o defeito disfarçado era idêntico.
A sala agora só tinha o zumbido baixo do ventilador do computador e o som do seu próprio sangue pulsando em seus tímpanos. *Tum. Tum. Tum.* A palma de sua mão segurando o mouse ficou úmida de suor frio, a capa de metal tornando-se escorregadia. Ele encarou as duas imagens lado a lado, manchas escuras da queimadura da luz azul persistindo em sua retina.
A secretária Sun.
Não. Era Gu Zhixing.
Gu Zhixing esteve envolvido desde o início. Esta "prova irrefutável"... não era para incriminar Shen Qinghuan. Pelo menos, não totalmente.
Era *para mim*.
Lu Chenzhou recostou-se na cadeira. A sensação fria do couro penetrou sua camisa e tocou sua coluna. Ele fechou os olhos, pressionando a ponte do nariz com força, tentando suprimir aquela onda ascendente de algo que misturava raiva e um medo gelado. A dor da velha cicatriz sendo rasgada era clara e afiada, carregando a memória da temperatura da lâmpada fluorescente da sala de interrogatório.
O ponto de luz vermelha lá fora piscou novamente. Ainda estava lá.
Agora ele entendia. O que estava no pen drive dado por Gu Zhixing não era, de forma alguma, "material filtrado e enganoso". Era um "teste de lealdade" meticulosamente preparado.
O conteúdo do teste era simples e fatal: Lu Chenzhou, como você lidaria com esta "prova irrefutável" suficiente para destruir Shen Qinghuan?
Escolha "justiça" — submeter as evidências conforme o procedimento, ou pelo menos reportar a Gu Zhixing — Shen Qinghuan cai. Ele provaria ser "diligente", capaz de sacrificar seu único aliado para "descobrir a verdade". Ele passaria no teste, tornando-se um peão mais qualificado. O preço seria o rompimento completo da linha de Shen Qinghuan, as pistas do antigo caso afundando em uma escuridão ainda mais profunda. Simultaneamente, ele pessoalmente enviaria uma pessoa para a prisão, baseado em evidências que ele sabia serem falsas.
Escolha "ocultar" — suprimir o relatório, ou adulterá-lo — ele exporia sua "injustiça" e parcialidade. Ao escolher proteger Shen Qinghuan, estaria admitindo uma aliança com ela que ia além do escopo da investigação. Gu Zhixing saberia imediatamente. Então, acusações de "má conduta", "proteção", "conluio" cairiam como uma lâmina.
Ambos os caminhos levavam à morte.
Mas ao lado do cadáver no segundo caminho, talvez ainda restasse uma arma para revidar.
A mão esquerda de Lu Chenzhou desmontou inconscientemente a caneta esferográfica na borda da mesa. Tampa, mola, tubo de tinta, plugue traseiro. As peças metálicas faziam um leve som de clique entre seus dedos. Sua mente funcion
Lu Chenzhou soltou as mãos, e as peças desmontadas da caneta esferográfica se espalharam sobre a mesa. Ele respirou fundo, o ar girando pesadamente em seu peito, carregando o leve frescor do orvalho noturno e o cheiro de poeira. Então, sentou-se direito e colocou os dedos de volta no teclado.
Primeiro, suprimir as evidências.
Ganhar tempo.
A decisão foi tomada rapidamente, quase no instante em que o raciocínio lógico terminou. Mas assim que o martelo caiu, uma sensação gelada de vazio imediatamente o agarrou. Não era medo ou hesitação, mas algo mais profundo — o veneno da autodúvida, brotando das rachaduras de cicatrizes antigas, começando a se espalhar silenciosamente.
Para reabrir o caso, ele protegeria uma "evidência"? Mesmo sabendo que era falsificada.
Ele estava protegendo Shen Qinghuan porque ela era inocente, ou apenas porque ela tinha valor utilitário?
Se um dia, para reabrir o caso, ele precisasse fabricar pessoalmente evidências falsas para incriminar outra pessoa? Onde estaria esse limite?
Não havia respostas. Apenas a luz azul da tela refletindo em seu rosto impassível.
Ele moveu o mouse e começou a operar. Primeiro, fez uma cópia do PDF do "Relatório de Auditoria", criptografou-o e o escondeu em pastas aninhadas profundas no disco rígido. Limpou o histórico do software de descriptografia, forjou alguns registros de erro. Em seguida, criou um novo documento, digitando no título "Relatório Preliminar de Análise do Pen Drive (Rascunho)".
Lá fora, na rua distante, veio o som agudo de um pneu raspando no asfalto, rompendo brevemente o silêncio.
Lu Chenzhou não ergueu a cabeça. Seus dedos bateram no teclado, forjando um "relatório de progresso" suficiente para lidar com a primeira rodada de questionamentos de Gu Zhixing. A redação era cautelosa, deixando ampla margem. Quando o relatório estava um terço completo, ele parou.
Precisava contatar Shen Qinghuan.
Tinha que avisá-la. E, além disso, precisava obter informações cruciais dela — sobre as falhas no processo de auditoria interna do grupo, sobre o que mais o secretário Sun era bom, além de caligrafia.
Ele precisava saber por quais elos Gu Zhixing poderia ter "conformemente" inserido esse relatório falsificado no sistema. Também precisava confirmar se a habilidade do secretário Sun com computação gráfica era suficiente para completar os documentos digitalizados precisos e as adulterações de imagem no relatório.
Essa ligação era de altíssimo risco. Poderia ser interceptada, rastreada, expondo diretamente sua conexão com Shen Qinghuan.
Mas não havia escolha.
Lu Chenzhou fechou o documento, pegou o novo celular pré-pago da gaveta. A capa de plástico era barata e fina. Ele se levantou, foi até o canto do cômodo com o pior sinal — o corredor estreito entre o banheiro e o quarto. A poeira acumulada no canto flutuava lentamente na luz extremamente fraca do amanhecer que vazava pelas frestas da cortina.
Ele discou o número. Pressionou a tecla de chamada.
O fone transmitiu um longo tom de espera, cada *tu* prolongado. Atendeu.
O ruído de fundo era silencioso, apenas um leve chiado de estática. Então, uma voz feminina, carregada de sono, mas que instantaneamente se tensionou, veio baixa e um pouco trêmula:
"... Alô?"
Lu Chenzhou também baixou a voz, seu tom soando excepcionalmente rouco no silêncio:
"Senhorita Shen, sou eu."
Uma pausa de meio segundo, para que ela confirmasse.
"Ouça com atenção, não faça perguntas desnecessárias." Seu ritmo de fala era calmo, mas cada palavra era como um prego: "Gu Zhixing está preparando um relatório de auditoria sobre você, as evidências parecerão muito sólidas. A origem pode envolver o falecido secretário
A sensação do couro da cadeira era gelada, penetrando através da camisa até a coluna. Lu Chenzhou observou as partículas de poeira flutuando na escuridão do canto, que brilhavam e desapareciam sob a luz ocasional dos faróis dos carros que passavam pela janela. O silêncio mortal dentro do quarto ampliava cada som de sua respiração, cada batida pesada do seu coração. Ele quase conseguia ouvir o som do sangue correndo em seus ouvidos.
Entregar essas "provas": uma performance de justiça processual. Talvez pudesse comprar segurança temporária, ou um controle mais profundo. Shen Qinghuan cairia, perdendo uma fonte interna de informações, e os fios do caso antigo seriam completamente cortados. Gu Zhixing ficaria satisfeito, o teste seria aprovado. Ele se tornaria uma peça mais qualificada, mais dócil.
Suprimir essas "provas": exporia "injustiça" e motivos pessoais, tornando-o imediatamente um alvo. Mas Shen Qinghuan ficaria temporariamente segura, a aliança poderia continuar. Ele ganharia tempo, poderia investigar em sentido inverso a cadeia de falsificações, indo direto ao cerne do caso antigo.
Três horas e sete minutos da madrugada.
Lu Chenzhou discou o número que havia memorizado. O receptor de plástico do celular pré-pago pressionava sua orelha, transmitindo um tom de espera oco, cada som parecendo medir a profundidade do silêncio. O sutil chiado da corrente elétrica inerente ao circuito barato sibilava.
A quarta chamada estava na metade quando atendeu.
Nenhum "alô", apenas uma respiração reprimida, ligeiramente ofegante, vinha do outro lado do receptor, carregada com a tensão de ter sido acordada no meio da noite.
"Senhorita Shen, sou eu." A voz de Lu Chenzhou estava muito baixa, sua garganta um tanto seca, soando mais rouca que o normal. "Ouça com atenção, não faça perguntas desnecessárias. Tempo de ligação limitado."
A respiração do outro lado parou por um instante, seguida por um leve farfalhar de roupas, como se ela tivesse se sentado na cama. "Senhor Lu?" A voz de Shen Qinghuan também estava muito baixa, carregada de sonolência não dissipada e de uma vigilância repentinamente tensa. "A esta hora—"
"Gu Zhixing está preparando um relatório de auditoria sobre você." Lu Chenzhou interrompeu-a, a velocidade de sua fala era estável, mas cada palavra era clara. "As evidências parecerão muito sólidas. A origem pode envolver o falecido Secretário Sun."
Do receptor veio um som muito suave de inspiração.
"Preciso saber duas coisas." Lu Chenzhou continuou, seu olhar fixado nas sombras flutuantes da poeira no canto. "Primeiro, o relatório de auditoria interna do grupo, antes da versão final ser aprovada, além de Gu Zhixing, quem mais precisa manuseá-lo obrigatoriamente? Quais são os pontos do processo? Segundo, além de caligrafia, o Secretário Sun, em vida, teve contato com processamento de documentos eletrônicos e edição de imagens? Em que nível específico?"
Silêncio. Apenas o chiado da corrente e a respiração reprimida.
Três segundos depois, a voz de Shen Qinghuan voltou, sem vestígios de sono, cada palavra parecendo espremida entre seus dentes: "O relatório... a versão final precisa obrigatoriamente da assinatura do Velho Wang do Comitê de Auditoria. Mas antes da versão final ser aprovada, o administrador de backup do sistema do Centro Financeiro faz uma imagem completa do disco, com timestamp bloqueado. É um mecanismo de segurança para evitar adulterações posteriores." Ela fez uma pausa de meio segundo, sua respiração ficou ainda mais leve. "Tio Sun... antes de se aposentar, ele ajudou meu pai a processar a arquivagem de todos os documentos eletrônicos. No final dos anos 90, ele já sabia usar Photoshop, versão 3.0. Ele era responsável por processar todos os documentos escaneados que precisavam de 'embelezamento'."
Um músculo no canto do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente.
"Por que pergunta isso?" Shen Qinghuan insistiu, o tremor em sua voz já não podia mais ser contido. "Aquele relatório... qual é o conteúdo?"
"O conteúdo não importa." Lu Chenzhou disse. "O importante é que ele aparecerá e parecerá perfeito. O Velho Wang e o administrador de backup — em qual desses pontos Gu Zhixing precisa atuar para que o relatório entre em vigor?"
"... Precisa dos dois." A voz de Shen Qinghuan esfriou. "A assinatura do Velho Wang é a justiça process
A escuridão fora da janela era densa como tinta, e à distância, faróis de carros ocasionalmente riscavam o céu, desaparecendo em um instante. Ele apertou o telefone, a borda de plástico da capa pressionando sua palma.
"Eu estou do lado de que 'as coisas não deveriam ter acontecido assim'", ele finalmente disse, sua voz calma sem uma única ondulação. "Fim da chamada. Cuide-se, Senhorita Shen."
Ele não esperou pela resposta dela. Seu polegar pressionou o botão para desligar.
O sinal de ocupação soou, como uma faca cega cortando o último e fraco sussurro da corrente elétrica.
O mundo retornou a um silêncio ainda mais profundo.
Lu Chenzhou segurava o telefone, sua palma exalando suor frio, tornando a capa de plástico escorregadia. O receptor parecia ainda reter o calor residual da última pergunta de Shen Qinghuan, e sob aquela pergunta, a camada mais profunda de medo que não foi dita em voz alta — você escolhe ficar do meu lado?
Ele não sabia.
Ele só sabia que a escolha havia sido feita. Já havia pisado no arame.
Abrindo a capa traseira, sua unha entrou na fenda, o plástico emitindo um leve som de "clique". O compartimento do cartão SIM saltou para fora, e dentro, aquele cartão novo, não registrado, brilhava com um brilho metálico frio e duro sob a luz fraca da tela. Ele o pegou com o polegar e o indicador e foi até o banheiro. Sem acender a luz, apenas a luz mutante do painel publicitário do prédio do outro lado da rua, passando pelo vidro fosco, projetando sombras difusas vermelhas e azuis nos azulejos.
Isqueiro.
*Chispa.*
A chama surgiu, a luz laranja-amarelada instantaneamente abrindo um pequeno círculo na escuridão, iluminando a metade inferior de seu rosto sem expressão. Ele aproximou a área do chip do cartão SIM da chama. O cheiro acre de plástico queimado e enrolando-se com o calor, misturado com o leve e quase imperceptível odor metálico característico do metal superaquecido, invadiu suas narinas. Os minúsculos circuitos no chip rapidamente escureceram e carbonizaram sob o calor intenso.
Três segundos.
Apagou a chama.
Dobrou o cartão ao meio, a parte frágil do chip quebrando com um estalo. Ele foi até a privada e apertou o botão de descarga. A água rugiu, formando um redemoinho que engoliu os dois fragmentos, girando-os e fazendo-os desaparecer na escuridão do esgoto. O corpo do telefone foi enfiado em um saco plástico preto preparado antecipadamente, a abertura amarrada com um nó cego. Na manhã seguinte, ele apareceria em um ponto central de coleta de lixo no subsolo de um grande shopping a três quarteirões de distância, misturado com milhares de outros semelhantes, aguardando para ser comprimido, enterrado e finalmente transformado em lixo eletrônico irreconhecível.
Tendo feito tudo isso, ele voltou para o computador.
A tela ainda estava acesa, a luz azul fria sendo a única fonte de iluminação no quarto. As duas imagens lado a lado das assinaturas para comparação ainda ocupavam o centro, aquela falha única, a pausa não natural no final do traço "na", como um olho silencioso, encarando-o. Dez anos. Ela havia rastejado para fora dos arquivos do caso antigo, infiltrado-se nas "provas" de Shen Qinghuan, e agora, estava postada entre ele e Gu Zhixing, tornando-se um abismo que ele tinha que cruzar, mas que também poderia devorá-lo completamente.
Ele moveu o mouse e fechou a janela da imagem.
Abriu um novo documento em branco.
Na barra de título, ele digitou: "Relatório Preliminar sobre Descriptografia e Análise dos Dados Criptografados do Pen Drive (Apresentado ao Advogado Gu)".
Fonte, Song Ti, tamanho pequeno quatro. Padrão, normativo, completamente sem personalidade.
Ele começou a escrever. O som das teclas sendo pressionadas por seus dedos ressurgiu no silêncio, mais lento e mais estável do que antes, cada palavra parecendo cair após uma medição precisa. Ele descreveu as "dificuldades técnicas" encontradas no processo de descriptografia (algoritmo híbrido RSA de nível comercial, com armadilhas anti-quebra), enfatizou
Ele escrevia com total concentração. Tentava suprimir completamente, esmagar e dissolver nas palavras frias, secas e sem emoção diante de seus olhos aquela leve oscilação emocional trazida pela chamada telefônica de momentos atrás — aquele leve tremor na voz de Shen Qinghuan, aquela frase: "Por que você está me contando isso?". No vão das cortinas grossas que não estavam totalmente fechadas, uma teimosa faixa de cinza-claro transparecia no céu lá fora. Como tinta diluída, infiltrando-se lentamente no azul-escuro da noite.
Madrugada. A parte mais profunda da noite estava passando, mas o amanhecer ainda estava longe.
O relatório estava escrito em cerca de dois terços, e ele acabara de concluir um trecho sobre "recomendar a extração dos logs originais do servidor para verificação de timestamp". Ele parou, esfregou o canto dos olhos doloridos. O músculo no canto esquerdo do olho contraiu-se quase imperceptivelmente, uma sensação sutil de espasmo.
Exatamente quando ele se preparava para digitar o próximo parágrafo —
No canto inferior direito da tela, o ícone do cliente de e-mail criptografado que ele costumava usar, de repente e sem aviso, piscou uma vez. Não foi o som de notificação de novo e-mail nem a animação de pop-up, mas o próprio ícone, como uma lâmpada com mau contato, acendendo e apagando rapidamente.
Em seguida, uma janela de notificação de novo e-mail, longa e estreita, sem nenhum tipo de ornamentação, deslizou silenciosamente para fora.
Sem nome do remetente.
Na barra do endereço do remetente, havia uma sequência de caracteres sem sentido, como um código embaralhado: x7j#kL9*pQ@mxsrv.****.onion (a segunda parte foi ocultada automaticamente pelo cliente). Um endereço de retransmissão da dark web.
O título continha apenas dois caracteres chineses, em negrito:
「Progresso?」
Sem pontuação. Apenas um ponto de interrogação frio, pairando no final da barra de título.
A respiração de Lu Chenzhou parou.
Seus olhos desceram para o timestamp do envio.
03:14.
Seu cérebro recuperou instantaneamente uma memória precisa do tempo: desligar a chamada de Shen Qinghuan, destruir o cartão SIM, voltar para o computador... O momento em que ele sentou e começou a forjar o relatório foi por volta das 03:11. E o horário de envio deste e-mail era 03:14.
Exatamente cerca de três minutos após ele encerrar a ligação e tomar a "decisão" de suprimir as evidências e começar a forjar o relatório.
Não era coincidência.
Absolutamente não podia ser coincidência.
Uma onda de frio, mais aguda e mais completa do que quando viu a assinatura forjada, subiu abruptamente do cóccix, percorreu a coluna vertebral num instante, espalhando-se por toda as costas, e finalmente explodiu em finos pontos de formigamento no couro cabeludo. O sangue parecia realmente ter congelado em seus tímpanos, o som latejante tornou-se distante e abafado.
Eles não estavam apenas monitorando sua residência, monitorando o ponto vermelho do carro lá fora.
Eles poderiam estar monitorando seu computador. Não fisicamente, olhando para a tela, mas algo mais profundo — monitoramento de processos? Análise de tráfego de rede? Algum sinal oculto de retorno ativado quando a ferramenta de descriptografia estava em execução? Ou mesmo... eles já haviam plantado algo nos dispositivos de rede desta sua residência temporária?
Ou, pior.
O que eles estavam monitorando era seu "ponto de decisão no tempo". Eles sabiam o que havia no pen drive, calcularam quando ele "deveria" descobrir o conteúdo crucial, e poderiam até ter estimado as várias reações possíveis após ele "descobrir a verdade" e as janelas de tempo correspondentes. Este e-mail foi um "lembrete" enviado após