Capítulo 48: Assinatura nas Cinzas
A chuva batia no telhado de zinco, como se inúmeros pregos caíssem ao mesmo tempo.
Lu Chenzhou agachava-se atrás de uma lixeira na entrada do beco, seus dedos desmontando mecanicamente um isqueiro — a carcaça, a pederneira, a mola, e depois remontando-o. Seu olhar estava fixo na porta de ferro enferrujada a trinta metros de distância.
O esconderijo seguro de Gu Zhixing. Os registros de pagamento no livro contábil apontavam para este lugar. Durante o período em branco de 4 a 7 de março, alguém, atrás daquela porta, havia destruído sua década de integridade. A próxima vítima na lista de eliminação, Zhou Zhengping, talvez também estivesse escondido neste prédio. Ele precisava obter as provas antes que Shen Moqing agisse, mesmo que isso expusesse que ele havia interceptado secretamente os segredos da família Zhao.
"Três." A voz de Fang Mu veio do fone de ouvido, com um chiado de estática. "A inteligência dizia um, na verdade são três. Totalmente armados, com rádios."
A ferrugem na porta de ferro brilhava de um vermelho escuro sob a chuva, como sangue há muito seco. O cheiro da chuva misturado com o odor metálico da ferrugem invadia suas narinas, e mais profundamente, um leve odor de desinfetante flutuava no ar — alguém tinha estado neste prédio, e partiu há pouco tempo.
Lu Chenzhou guardou o isqueiro no bolso. Movendo-se rente à parede, seus passos foram engolidos pelo som da chuva.
O primeiro sentinela estava de costas para o canto, capuz da capa de chuva puxado para baixo, segurando um cigarro. Lu Chenzhou o imobilizou por trás, seu antebraço pressionando com precisão o seio carotídeo. Oito segundos, o corpo amoleceu e caiu. Ele arrastou o homem para a sombra, revistou-o e desligou o rádio.
O segundo estava dentro da porta. Uma fechadura de cilindro antiga, dois pedaços de arame, três segundos — as técnicas aprendidas na prisão nunca enferrujavam. Ele empurrou a porta, abrindo uma fresta. O homem estava olhando para o celular. Lu Chenzhou deslizou para dentro, joelho na região lombar do homem, mão tapando firmemente sua boca, a outra torcendo seu pulso para desarmá-lo. Nenhum som.
Então ele viu o terceiro.
O homem estava no final do corredor, rádio já levado à boca, polegar pressionando o botão de transmissão.
As pupilas de Lu Chenzhou se contraíram bruscamente.
"Não se mexa."
A voz veio de trás dele. Lu Chenzhou ficou completamente imóvel — aquela voz era muito familiar.
Qin Wangshu estava do lado de fora da porta de ferro, a barra de sua capa de chuva pingando água, a mão direita segurando sua arma de serviço. O cano não estava apontado para ele, mas para o sentinela no final do corredor.
"Departamento de Investigação Criminal Municipal." Sua voz era fria e clara. "Largue o rádio. Mãos atrás da cabeça."
O sentinela hesitou, o rádio escorregou de sua mão e caiu no chão com um baque surdo.
Lu Chenzhou não se virou. Ele passou por cima do segundo sentinela, pisou no rádio caído, curvou-se para pegá-lo e desligou a energia.
"Você me seguiu."
"Ordem de vigilância assinada por Qin Hongyuan." Qin Wangshu guardou a arma no coldre, entrou pela porta de ferro, a água da chuva escorrendo de suas pontas de cabelo para a parede. "Você achou que eu deixaria você vir sozinho arruinar o caso do meu pai?"
"O caso do seu pai foi um acobertamento para a família Zhao." Lu Chenzhou olhou para a exibição de frequência no rádio — não era uma frequência de segurança convencional. "Se você se envolver, estará se opondo à família Zhao."
"Eu me envolvo porque Zhou Zhengping ainda está vivo." Qin Wangshu mordeu o interior do lábio inferior, seu tom de voz rígido. "O próximo na lista de eliminação é ele."
A ponta dos dedos de Lu Chenzhou esfregou a borda áspera do rádio. Zhou Zhengping. A testemunha chave da morte de Zhao Mingcheng. Se Shen Moqing o encontrasse primeiro...
"Canal privado de Gu Zhixing." Ele entregou
"Vou verificar a esquerda." Qin Wangshu já estava abrindo o primeiro armário, chamas lambendo a borda de sua roupa. Ela recuou meio passo, os dedos folheando papéis rapidamente.
As chamas atingiram a base do terceiro armário.
Lu Chenzhou abriu a terceira porta do armário, os dedos percorrendo as etiquetas das pastas de arquivos. Departamento de Vendas, Departamento Jurídico, Administração...
Tinta azul escura.
Uma pasta de arquivo de papel pardo, com duas palavras escritas com pincel na etiqueta: Jingyuan.
Jingyuan. Seu codinome antes de ser preso. Shen Moqing até isso guardara, como se colecionasse troféus.
"Jingyuan?" A voz de Qin Wangshu veio da fumaça. Ela vira a etiqueta. "Seu?"
"Não importa. Procure o Plano Limpeza. Número vermelho."
"Plano Limpeza..." Ela fez uma pausa, o reflexo do fogo iluminando seu perfil. "Meu pai mencionou esse nome. Disse que era trabalho sujo da família Shen, recusou-se a assinar..."
A mão de Lu Chenzhou parou no ar.
Ele se virou para abrir o último armário — trancado. O fogo já alcançara os pés do armário, o metal emitindo um gemido sutil sob o calor intenso, as dobradiças ficando vermelhas de quente.
Ele sacou a arma, usando o cabo para bater na fechadura. Uma vez, duas vezes. Na terceira, a trava quebrou, fragmentos de metal escaldante voando para o dorso de sua mão.
Dentro do armário, apenas três documentos. O de cima tinha um número vermelho impresso na capa, o título com quatro palavras: Plano Limpeza.
Plano Limpeza. Plano de eliminação.
Ele abriu a primeira página. Lista. Doze nomes, doze datas. Alguns já riscados — aquelas pessoas já estavam mortas. Seu olhar percorreu os nomes não riscados, o coração batendo forte em seu peito.
Terceira página. Seção de assinaturas de execução.
Três caracteres, "Shen Moqing", estampados com precisão na posição de aprovação. Ao lado, a assinatura do executor —
Qin Hongyuan.
A mão de Lu Chenzhou congelou no ar.
Chamas subiram da base do armário, atingindo a borda do plano. Ele não se moveu. O canto esquerdo do olho começou a se contrair, mais intensamente do que nunca.
Qin Hongyuan. Qin Hongyuan. O pai de Qin Wangshu. O carrasco que executara assassinatos políticos naquele ano era, na verdade, seu pai. E ela acabara de dizer — ele recusara-se a assinar.
"Lu Chenzhou!" Qin Wangshu deu um passo à frente, sua expressão indistinguível na fumaça. "O que você encontrou?"
Ele ouviu sua própria respiração, pesada, irregular. Os dedos apertando a borda do plano, o papel ficando quebradiço sob o calor intenso.
"Dois minutos! Retirada pelo poço de ventilação leste!" Ele gritou de volta, a voz rouca, diferente da sua, enfiando o plano sob a capa de chuva, colado à pasta "Jingyuan".
Não dava mais tempo. O fogo já atingira a mesa, as pernas emitindo um baque abafado de ruptura.
"Vamos."
Ele subiu as escadas antes dela. Três degraus, o som de seus passos logo atrás. O plano pressionava suas costelas, aquela página com a assinatura de Qin Hongyuan como um ferro em brasa, queimando sua pele através da capa de chuva. Um frio profundo subiu por sua coluna.
Ele não podia deixá-la ver.
O vão da escada era estreito, fumaça densa subindo de baixo. Lu Chenzhou tossiu uma vez, tossiu novamente. Na terceira tosse, sua mão já havia retirado o plano de dentro da capa de chuva, folheando até a terceira página.
Rasgar.
A página se partiu. Aquele pedaço de ferro em brasa foi amassado em uma bola, apertada com força na palma da mão.
O som seco do papel rasgando foi completamente abafado por uma tosse violenta. Lu Chenzhou, com os dedos pálidos, dobrou a página arrancada em um quadrado minúsculo. Qin Hongyuan — a tinta desses caracteres pressionava a polpa de seus dedos. Ele enfiou o bloco de papel em um bolso secreto próximo ao corpo, o zíper deslizando sobre suas costelas. O som metá
"Lu Chenzhou." Sua voz atravessou a cortina de chuva, sem variação, mas como uma lâmina temperada em gelo. "De acordo com o Artigo 84 do Código de Processo Penal, na qualidade de vice-capitã da equipe de investigação criminal municipal, exijo que você entregue imediatamente todas as provas materiais."
Ele não se moveu. A água da chuva escorria de seu queixo, batendo na borda da pasta, a mancha se espalhando rapidamente, transformando a tinta dos caracteres "Jing Yuan" em um azul profundo.
"Você ouviu."
"Ouvi."
"Entregue."
"Quanto você viu?" ele contra-atacou.
"O suficiente." O dedo de Qin Wangshu apontou para a capa da proposta, a ponta dos dedos branca devido à força. "O Projeto Gari. Doze nomes, seis mortos. Esta é a prova irrefutável de uma liquidação sistemática, Lu Chenzhou. Você não tem autoridade para reter."
"Se for entregue ao sistema, virará papel inútil." Lu Chenzhou olhou para ela. "Ou, virará uma sentença de morte."
"Isso é para os procedimentos decidirem, não para você."
"Os procedimentos protegeram aquelas seis pessoas?" Sua velocidade de fala era constante, as palavras precisas, sem emoção desnecessária. "Procedimentos. Os procedimentos não impediram o Gari."
Os músculos da mandíbula de Qin Wangshu ficaram tensos, como se ela tivesse sido encurralada. "O que exatamente você está escondendo?"
"Estou escondendo parte do conteúdo." Ele repetiu a palavra. "Escondendo. O que você pegou não é tudo."
"Onde está o resto?"
"Não está em um lugar seguro."
"Lu Chenzhou!" A voz dela subiu abruptamente, de um comando para algo mais frágil, como o som de seda rasgada. "De quem exatamente você está tentando proteger?"
Sua mão esquerda abriu-se e fechou-se inconscientemente, como se estivesse medindo uma distância invisível. O zíper do bolso secreto pressionava suas costelas, o bloco de papel dobrado cravando-se na carne, cada respiração trazendo uma dor gelada.
Qin Hongyuan. O pai dela.
"Algumas coisas," disse Lu Chenzhou, a voz baixa, "é melhor queimá-las do que guardá-las."
Qin Wangshu o encarou fixamente. A cortina de chuva iluminada pelos faróis tecia uma parede prateada atrás dela, a respiração condensando-se em névoa branca no ar frio. Ela não estendeu a mão para arrancar, nem puxou sua arma. Ela estava apenas avaliando.
Então, ela fez algo que ele não esperava.
Ela abriu a porta traseira, pegou uma toalha seca e a jogou contra seu peito.
O tecido áspero arranhou seu zigomático, trazendo o cheiro de sabão em pó misturado com tabaco barato — seu carro, seu espaço privado.
"Você me deve uma explicação." Ela disse, a voz já recuperando a estabilidade profissional, mas com um leve tremor no final. "Mas não esta noite."
Lu Chenzhou tirou a toalha do rosto. Ele não agradeceu, e ela não esperou.
Qin Wangshu contornou o carro para o lado do motorista, abriu a porta. O motor ligou, o ronco baixo vibrando na água acumulada no chão.
Ele abriu a porta do passageiro e entrou. A pasta encharcada e a proposta foram colocadas em seus joelhos. A água da chuva no vidro era varrida repetidamente pelo limpador de para-brisa, apenas para retornar novamente.
Nenhuma luz estava acesa dentro do carro. O perfil de Qin Wangshu era iluminado pela luz azul do painel, a linha de sua mandíbula tensa como a corda de um arco.
Lu Chenzhou baixou a cabeça e abriu a parte remanescente da proposta. A chuva tinha transformado a tinta das primeiras páginas em lama, o papel molhado adquirindo uma sensação translúcida e frágil, mas a última página com a lista ainda era minimamente legível.
Três nomes não riscados.
O primeiro: Zhou Zheng