Capítulo 22: Sombra Como Vespas, Vigilância Silenciosa
O frio subiu pela espinha dorsal como uma película invisível, envolvendo rapidamente seus membros. Lu Chenzhou estava encostado na porta fechada, o "clique" do trinco antigo ainda ecoando em seus tímpanos. A informação deixada por Qin Wangshu — a carta anônima, o nome de Gu Mingyuan — agitava seus pensamentos como lascas de gelo. Ele precisava entender, mas mais do que isso, precisava verificar. E o primeiro passo para a verificação estava naquele pen drive. Ele entrou no escritório sem acender a luz. A luz da cidade do lado de fora delineava vagamente o contorno da mesa.
Ele foi até a mesa, ligou o laptop e inseriu o pen drive prateado que encontrara no casaco. O sistema o reconheceu, uma pasta apareceu na tela, contendo alguns arquivos antigos digitalizados e desfocados. Ele estava prestes a abri-los quando o celular na mesa vibrou duas vezes.
Duas novas mensagens, de um número desconhecido.
«O zumbido soou bem?»
«Você tem certeza de que o que está no pen drive é o que você procura, ou é o que alguém quer que você encontre?»
O carimbo de data e hora era preciso até o segundo, exatamente o momento em que ele se curvara para pegar o casaco, o pé direito pisara no chão e sentira o canto duro do pen drive contra seu tornozelo. Dentro desta mesma sala.
Alguém estava observando. Observando o tempo todo.
Ele ergueu a cabeça bruscamente, o olhar varrendo o quarto silencioso, finalmente pousando na janela com suas cortinas pesadas. Ele agarrou o celular e o casaco e saiu rapidamente de casa.
As ruas às quatro da madrugada estavam vazias e brilhantes. Lu Chenzhou parou sob a luz da entrada da conveniência, a luz da tela do celular refletindo em seus nós dos dedos brancos. A porta de vidro deslizou para abrir e fechar, o "Bem-vindo" mecânico repetido três vezes. O copo de papel de café quente que ele segurava com a mão esquerda perdia calor pela palma da mão. Nos reflexos molhados do chão, podia-se ver a imagem invertida da placa da loja e sua própria sombra alongada e imóvel. A geladeira atrás dele emitia um zumbido baixo e contínuo.
Ele respirou fundo e voltou para a loja de conveniência.
"Obrigado." Lu Chenzhou pegou o cigarro oferecido e acendeu. O cheiro de alcatrão da queima do tabaco instantaneamente suplantou o aroma do café. Ele tragou profundamente, a fumaça circulando em seus pulmões antes de escapar lentamente pelas narinas. Ele observou o atendente através da fumaça — o homem já havia baixado a cabeça novamente, os dedos deslizando rapidamente na tela do celular, como se estivesse jogando um jogo.
Mas o ritmo dos deslizes estava errado. Muito rápido, muito regular, como se estivesse digitando algum tipo de código.
Lu Chenzhou se virou e saiu. A porta de vidro deslizou novamente. Desta vez, ele não parou, indo direto para a entrada da estação de metrô na esquina. Seus passos não eram apressados nem lentos, a ponta vermelha do cigarro brilhando e desaparecendo na neblina escura do amanhecer.
A escada rolante da entrada do metrô já estava desligada. Ele desceu os degraus, o som de seus passos ecoando no corredor vazio. No final do corredor, um faxineiro arrastava vagarosamente um pano de chão, a água suja no balde exalando um cheiro misto de alvejante e sujeira. Quando Lu Chenzhou passou, o faxineiro ergueu a cabeça e olhou para ele.
O contato visual durou menos de meio segundo.
Mas foi o suficiente. Lu Chenzhou reconheceu aquele rosto — três dias atrás, perto do estacionamento no sul da cidade, ele tinha visto essa pessoa. Na época, o homem usava um colete laranja de trabalhador de limpeza pública, empurrando um carrinho de lixo, e o cadarço do sapato esquerdo estava solto quando passou por ele.
Hoje, os cadarços estavam bem amarrados.
Lu Chenzhou não parou, continuando a andar. Desceu o segundo lance de escadas e entrou no saguão da estação. O primeiro metrô do dia ainda não havia começado a circular, o saguão estava vazio, apenas alguns bancos de aço inoxidável refletiam a luz branca e pálida. Ele foi até o canto, ao lado de uma lixeira, apagou o cigarro que ainda estava pela
"Quem viu?"
"O informante."
"Confiável?"
"Era confiável." Qin Wangshu disse. "Agora... não sei."
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente. Ele ergueu a mão e pressionou o canto do olho com a junta do dedo indicador. "Você também está investigando Gu Mingyuan."
"É o meu caso."
"Também é meu." Lu Chenzhou disse. "O momento da carta anônima foi muito coincidente. Gu Mingyuan retorna ao país, a carta anônima aparece, o atestado de óbito do Velho K tem problemas... Essas coisas todas juntas não são coincidência."
"Então você suspeita de mim?" A voz de Qin Wangshu ganhou um tom de tensão. "Suspeita que eu deliberadamente o levei a investigar Gu Mingyuan, para que você esbarrasse em algo?"
"Estou verificando." Lu Chenzhou disse. "Verificando informações, verificando riscos, verificando... você."
Do outro lado da linha veio um som curto de exalação, como se estivesse reprimindo algo.
"Dez minutos." Qin Wangshu repetiu. "Área de comida rápida do convenience store. Espero apenas cinco minutos, se passar do tempo, não espero."
"Entendido."
"E mais, Lu Chenzhou." O tom dela subitamente ficou gelado. "Não espere que eu vá recolher seu cadáver. Se hoje isso for uma armadilha, se entre aqueles que estão de olho em você houver um grupo que eu arranjei — eu não vou salvá-lo. Entende?"
Os dedos de Lu Chenzhou que seguravam o telefone apertaram. A capa de plástico emitiu um leve rangido.
"Entendo." Ele disse.
A ligação caiu.
Ele guardou o Nokia, virou-se e caminhou em direção à saída do outro lado do saguão da estação. Os passos ainda estavam firmes, mas o ritmo da respiração havia mudado — mais superficial, mais rápido, como se estivesse reprimindo algo. Ao sair da estação de metrô, o horizonte já começava a ganhar uma camada cinza-clara. A névoa matinal começava a dissipar, os contornos das ruas gradualmente ficando mais nítidos.
O carro preto do outro lado da rua ainda estava lá.
Lu Chenzhou atravessou a rua, caminhando direto em direção ao convenience store. A porta de vidro deslizou aberta, o zumbido do refrigerador atingindo-o de frente. Ele foi até a área de comida rápida, sentou-se na cadeira de plástico perto da janela. Do lado de fora, a janela do carro preto desceu lentamente, deixando uma fresta.
Ele olhou uma vez, retirou o olhar.
Tirou da bolsa interna do casaco aquele maço de Hongtashan, tirou mais um cigarro. O isqueiro girou uma vez entre seus dedos, um clique o acendeu. A fumaça subiu, borrando o reflexo no vidro da janela.
Cinco minutos.
Ele fitou o relógio digital na parede do convenience store. O ponteiro dos segundos pulava de um traço para outro, o som engolido pelo zumbido do refrigerador. Gotas de água condensadas na porta de vidro do refrigerador escorriam, deixando um rastro úmido e sinuoso. No ar havia o amargo queimado do café, o salgado do oden, e o leve cheiro de tabaco que vinha de si mesmo.
E também... o cheiro de desinfetante.
Muito leve, misturado ao cheiro da comida, quase imperceptível.
Mas Lu Chenzhou sentiu. Ele ergueu a cabeça.
Qin Wangshu saiu de trás das prateleiras, segurando uma garrafa de água mineral. Ela vestia uma jaqueta cinza-escuro e jeans, o cabelo preso em uma raba de cavalo baixa, o rosto sem expressão. Ela foi até a área de comida rápida, sentou-se na cadeira em frente a Lu Chenzhou, abriu a tampa da garrafa, tomou um gole.
Entre eles havia uma mesa de plástico gordurosa.
"Estacionei o carro a duas ruas daqui." Qin Wangshu falou primeiro, os olhos na janela. "Levei três minutos para vir andando. Não vi ninguém me seguindo pelo caminho, mas não tenho certeza se alguma câmera me flagrou."
"Há um carro do outro lado da rua." Lu Chenzhou disse. "Volkswagen preto, final da placa 37. Está parado há pelo menos vinte minutos."
"Gente do Shen Yan." Qin Wangshu disse. "Reconheço aquele carro. Me seg
"A menos que." Qin Wangshu repetiu, sua voz carregada de um cansaço. "Mas eu verifiquei. O legista que tratou do caso do Velho K na época, os funcionários da funerária, o administrador do cemitério... os depoimentos de todos se alinham. Nenhuma falha."
"Nenhuma falha é a maior falha de todas." Lu Chenzhou disse. "Tão perfeito, perfeito como se tivesse sido ensaiado."
Qin Wangshu não respondeu. Ela apertou a tampa da garrafa e a colocou sobre a mesa. O fundo de plástico bateu na superfície com um baque surdo.
"Você planeja ir para o subúrbio oeste?" ela perguntou.
"A mensagem criptografada tinha uma foto." Lu Chenzhou tirou o smartphone — não era aquele Nokia, era o que ele usava no dia a dia — desbloqueou e abriu a mensagem do número desconhecido. A foto estava desfocada, como se tivesse sido tirada às pressas de um carro em movimento. A paisagem urbana passava rápido, mas no canto, uma silhueta de perfil usando um casaco bege estava congelada. Ao fundo, uma placa de ferro enferrujada deixava entrever os caracteres "Fiação do Subúrbio Oeste".
Qin Wangshu pegou o telefone e ampliou a foto. Seus dedos deslizaram pela tela, lentamente, com cuidado.
"A foto foi enviada há meia hora." Lu Chenzhou disse. "O horário de envio coincide exatamente com quando eu estava lendo a mensagem na frente da loja de conveniência."
"Alguém está monitorando sua localização em tempo real." Qin Wangshu abaixou o telefone e o empurrou de volta para ele. "E então te manda uma pista — ou uma isca."
"Eu sei."
"E mesmo assim você vai?"
"Vou." Lu Chenzhou disse. "Se for uma isca, significa que eles querem que eu veja algo. Se for uma pista..." Ele fez uma pausa. "Significa que alguém quer me ajudar, mas não ousa se revelar."
"Ajudar você?" Qin Wangshu riu, um riso frio. "Lu Chenzhou, ninguém nesse mundo vai te ajudar. Não dez anos atrás, e muito menos agora. Todos estão te usando. Incluindo eu."
O ar paralisou por alguns segundos.
O zumbido do freezer mudou de tom subitamente, como se o compressor tivesse ligado, o ronco subitamente ficou mais pesado. As gotas de água na porta de vidro da geladeira aceleraram sua descida, pingando com um *ploft* no canal de metal embaixo.
"Incluindo você?" Lu Chenzhou repetiu.
Qin Wangshu enfrentou seu olhar. Suas pupilas sob a luz branca e crua da loja de conveniência pareciam muito escuras, muito profundas, como dois poços.
"Sim." Ela disse. "Eu pedi para você investigar Gu Mingyuan porque queria saber se ele tinha alguma relação com a morte de Shen Yan. Eu te contei sobre a área industrial do subúrbio oeste porque queria usar seus olhos para ver o que eu não posso ver. Eu estou sentada aqui falando com você porque preciso obter informações de você, para julgar se aquele pen drive que você tem vale o risco que eu estou correndo."
Ela falava lentamente, cada palavra como uma pedra, batendo uma a uma sobre a mesa.
"Então não espere que eu vá recolher seu corpo." Ela finalizou. "Se você morrer na área industrial hoje, eu vou escrever um relatório dizendo que você agiu por conta própria, saiu da vigilância e morreu acidentalmente. Vou trazer seu corpo de volta, fazer a autópsia, arquivar, e continuar investigando meu caso. Entendeu?"
Lu Chenzhou olhou para ela.
Olhou por um longo tempo.
Então, ele acenou com a cabeça.
"Entendo." ele disse.
Qin Wangshu se levantou. As pernas da cadeira rangeram no chão, emitindo um som agudo. Ela pegou a garrafa de água não terminada e se virou para ir embora.
"Qin Wangshu." Lu Chenzhou a chamou.
Ela parou, mas não se virou.
"O atestado de óbito do Velho K naquela época," Lu Chenzhou disse, "quando você acessou o arquivo, você notou a caligrafia da assinatura?"
As costas de Qin Wangshu ficaram rígidas por um instante.
"O que há com a caligrafia?"
"Era muito arrumada." Lu Chenzhou disse. "Arrumada como se fosse impressa. O Velho K era canhoto, seu hábito de escrever era inclinado para a direita. Mas a assinatura naquele atestado de óbito era reta, ereta,
A foto estava muito mais nítida do que a anterior. O ângulo da captura era de cima para baixo, como se tivesse sido tirada do telhado ou de uma janela de algum prédio. No centro da imagem, o portão do galpão número três da antiga fábrica têxtil nos subúrbios ocidentais estava escancarado. Um carro prateado estacionado em frente, a porta aberta, um homem vestindo um sobretudo bege se curvava para sair do veículo — era Gu Mingyuan.
E no fundo do galpão, nas sombras, estava outra pessoa.
Um casaco cinza com capuz, o capuz puxado bem baixo.
A mão esquerda pendia ao lado do corpo, na base do polegar, uma cicatriz branca que se destacava agudamente na penumbra.
O carimbo de data e hora da foto mostrava: três minutos atrás.
Lu Chenzhou encarou aquela cicatriz. Encarnou por um longo tempo. Então, desligou a tela, enfiou o celular de volta no bolso. Levantou-se, as pernas da cadeira arrastando um som curto e áspero no chão. Ele caminhou até o caixa, devolveu o isqueiro descartável ao atendente.
"Obrigado," disse.
O atendente levantou a cabeça, olhou para ele, pegou o isqueiro, jogou-o de volta debaixo do balcão. A cicatriz no dedo mínimo da mão direita brilhou por um instante sob a luz.
Lu Chenzhou virou-se e saiu da conveniência. Quando a porta de vidro deslizou para abrir, ele lançou um último olhar para o outro lado da rua.
A janela do Volkswagen preto já estava levantada.
Mas o carro não tinha saído.
Ele entrou na névoa matinal, acelerando o passo. Fang Mu não estava indo para casa, nem para a estação de metrô. Ele entrou em um beco estreito nos fundos, o chão do beco escorregadio e úmido, coberto de musgo. Nas laterais, as paredes traseiras de prédios residenciais antigos, janelas fechadas, cortinas bem cerradas.
Quando chegou no meio do beco, parou, tirou uma moeda do bolso interno do casaco. Agachou-se, fingindo amarrar o cadarço do sapato. A moeda escorregou de seus dedos, tilintando enquanto rolava para o fundo do beco.
Ele manteve a postura de amarrar o cadarço, cabeça baixa, usando o canto do olho para escanear a entrada do beco.
Ninguém havia entrado.
Mas ele sabia que isso era temporário. Mais cedo ou mais tarde, a pessoa dentro do carro do outro lado da rua se moveria, o faxineiro que desapareceu na entrada do metrô poderia estar esperando em alguma esquina. E mais profundamente, a pessoa que enviou a mensagem criptografada — fosse ela amiga ou inimiga — certamente estava em algum lugar, observando-o agora.
Lu Chenzhou amarrou o cadarço, levantou-se. Nem se deu ao trabalho de pegar a moeda, continuou andando. O fim do beco dava para uma rua mais larga, os ônibus do turno da manhã já estavam circulando. Ele caminhou até o ponto de ônibus, misturou-se a alguns idosos que esperavam.
O ônibus chegou. Ele foi o último a embarcar, depositou a moeda, foi até o último banco perto da janela e sentou-se.
Quando o ônibus começou a se mover, ele tirou o smartphone, abriu novamente aquela foto.
Ampliou, ampliou mais.
A silhueta do casaco cinza com capuz ficou borrada nos pixels, mas aquela cicatriz na base do polegar permanecia nítida.
Como uma marca gravada na memória.
Como a ferida ainda sangrando na base do polegar esquerdo do Velho K, naquela noite chuvosa há dez anos, quando ele entregou a ele aquela confissão forjada.
Lu Chenzhou fechou os olhos.
O ônibus balançava em direção aos subúrbios ocidentais da cidade. A paisagem urbana fora da janela começou a ficar desolada, arranha-céus gradualmente substituídos por galpões e armazéns baixos. O cheiro de poeira no ar ficava cada vez mais forte, misturado com o odor tênue e distante de corantes têxteis.
Ele sabia que estava caminhando para uma armadilha.
Ou para uma verdade.
Ou para ambos.
O celular vibrou no bolso. Ele o tirou, desbloqueou.
A terceira mensagem.
Desta vez, apenas uma linha:
「Galpão três, duto
A porta automática deslizou novamente, o som mecânico de "Bem-vindo" soando como um tipo de zombaria. O atendente cochilava atrás do caixa, o tubo fluorescente acima de sua cabeça zumbindo. Lu Chenzhou caminhou até a prateleira mais interna, pegou um pacote de lenços de papel dos mais baratos, pagou, recebeu o troco. Durante todo o processo, seu olhar varreu continuamente a porta de vidro — o quiosque de jornais do outro lado da rua estava fechado, sob o poste de luz não havia ninguém, à distância um carro preto estacionado na sombra de uma árvore, os vidros com película escura.
Nada anormal.
Isso era o mais anormal.
Lu Chenzhou saiu da loja de conveniência, não foi direto para casa. Ele entrou no beco ao lado, a viela era estreita, ladeada pelos muros traseiros de prédios residenciais antigos, a base dos muros amontoava móveis velhos e caixas de papelão mofadas. Ele caminhou rapidamente, o som de seus passos rebatendo entre as paredes, formando ecos sobrepostos. No meio do caminho, ele parou abruptamente, encostou-se lateralmente à parede, prendeu a respiração.
Cinco segundos.
Dez segundos.
Da entrada do beco veio um som de passos extremamente leve — não eram sapatos de couro, eram tênis de sola macia, quase inaudíveis pisando no cimento úmido. Mas Lu Chenzhou ouviu. Ouviu aqueles passos pausarem na entrada do beco, hesitarem, e então continuarem para frente, ritmo estável, nem rápido nem lento.
Não era um transeunte.
Lu Chenzhou tirou do bolso aquele celular Nokia básico, ligou, pressionou uma tecla de atalho. A tela exibiu a interface de mensagens criptografadas pré-configurada por Fang Mu, ele digitou rapidamente: "Confirmada cauda, pelo menos uma. Gente de Shen Yan?"
Enviou.
Ele continuou andando, não olhou para trás. O fim do beco era uma intersecção em T, à esquerda levava à avenida principal, à direita era um beco ainda mais estreito. Lu Chenzhou escolheu a direita. O chão do beco era pavimentado com lajes de pedra azul, as fendas cheias de musgo escorregadio, o ar com um leve cheiro de mofo e o aroma oleoso de uma barraca de café da manhã ao longe. Ele acelerou o passo, quase uma corrida, e então na terceira bifurcação virou bruscamente à esquerda, entrando na porta de um prédio residencial.
O corredor estava escuro, a luz acionada por som estava quebrada. Lu Chenzhou encostou-se atrás da porta, espiando pela fresta.
Trinta segundos depois, um homem de jaqueta cinza apareceu na entrada do beco. Estatura média, boné de beisebol, aba bem baixa. O homem parou na bifurcação, olhou para os lados, então tirou o celular e deu uma olhada. A luz da tela iluminou a parte inferior de seu rosto — um sinal na comissura dos lábios.
Lu Chenzhou memorizou aquele sinal.
O homem seguiu na direção da avenida principal, o passo claramente mais rápido. Lu Chenzhou não saiu imediatamente. Ele esperou mais cinco minutos na escuridão, até que o motor de um ônibus do turno da manhã soasse ao longe, então empurrou a porta e seguiu na direção oposta — subúrbio oeste.
***
O túnel do metrô estava úmido e abafado.
O horário de pico da manhã ainda não começara, na plataforma algumas pessoas dispersas que haviam acordado cedo para trabalhar, carregando bolsas de ferramentas, olhares vazios. Lu Chenzhou misturou-se à multidão, passou o celular na catraca para entrar, embarcou no trem com destino ao subúrbio oeste. O vagão estava vazio, ele escolheu o assento mais interno e sentou-se, de costas para a
E eu," ele fez uma pausa, o olhar finalmente erguendo-se para encontrar os olhos de Lu Chenzhou, "preciso sair antes que a terceira força entre em cena."
Terceira força. O coração de Lu Chenzhou contraiu-se violentamente. Sua mão esquerda agarrou a borda do duto de ventilação, lascas de ferrugem caindo em sussurros. A mão direita ainda segurava a pequena caixa de metal, os nós dos dedos brancos de tanto pressionar. Ele entendeu instantaneamente — o homem de moletom que amarrava o cadarço no metrô era os olhos da família Shen. Mas naquele momento, havia outro olhar, mais distante, mais frio, como observar um espécime através de um vidro. Não era o jeito da polícia. Agora, aquela terceira força também estava chegando perto.
"A coisa que Gu Mingyuan te deu," o Velho K continuou, o ritmo não era rápido, mas cada palavra era como um prego, "não é evidência. É isca. Shen Yan usou ela para fisgar você, e então usa você para fisgar a mim. Muito clichê, mas eficaz." Ele chutou levemente as fotos aos seus pés. "Olhe. Veja e depois decida se acredita ou não."
Lu Chenzhou soltou a mão e desceu ao chão. O movimento foi leve, mas uma dor surda surgiu em seu joelho — havia batido ao se espremer entre as máquinas na fábrica têxtil mais cedo. Ele se agachou e pegou uma foto.
Imagem em preto e branco, borrada. O ângulo era de alguém escondido, na imagem, duas pessoas paradas à beira do cais. Uma com as costas curvadas, era Gu Mingyuan. A outra de perfil, usando boné, a cicatriz no dorso da mão esquerda claramente visível. Carimbo de data no canto inferior direito da foto: 23 de agosto de 2014. O quarto ano após a "morte" do Velho K.
Lu Chenzhou virou uma por uma. 2015, encontro em uma casa de chá. 2016, entrando em um prédio comercial um atrás do outro. 2017... 2018... A foto mais recente, de três meses atrás, mostrava Gu Mingyuan entregando aquela pequena caixa de metal nas mãos do outro — exatamente a cena que aconteceu no galpão da fábrica têxtil naquela manhã. Na borda de cada foto, coordenadas de latitude e longitude e horários eram anotados com caneta muito fina, precisos até o segundo. Eram marcas de vigilância profissional, não de amadores.
"Vigiando Gu Mingyuan por dez anos," a voz do Velho K veio da direção da bancada de trabalho, ecoando com o som das teclas metálicas, "não foi para protegê-lo. Foi para esperar que ele entrasse em contato com 'mim' novamente." Ele bateu no teclado, o fluxo de dados na tela pausou, congelando em um endereço criptografado. "Hoje ele entrou em contato. Na gíria de vocês, policiais, isso se chama 'recolher a rede'."
Lu Chenzhou ergueu a cabeça, seu olhar varrendo a fileira de janelas basculantes empoeiradas no alto do galpão. Lá fora, o céu estava cinza e pálido, ao longe, o portão de ferro enferrujado da fábrica têxtil balançava ao vento, um rangido regular — o som de batida chegava vagamente. Aquele som agora parecia uma contagem regressiva.
"Então por que você apareceu?"
"Porque a rede de Shen Yan está mais larga do que você imagina." O Velho K desligou o computador, puxou o pen drive, movimentos precisos. Ele o guardou no bolso interno do casaco, fechando o zíper até o fim. "Gu Mingyuan é apenas a isca na linha visível. Na linha oculta, Shen Yan está investigando o registro de circulação do selo de lacre de dezessete anos atrás —
Ele parou. Lu Chenzhou se levantou, a borda da foto cortando a ponta dos dedos. "Quem mais?" O Velho K não respondeu. Ele caminhou até a parede, pressionou um interruptor oculto e uma porta secreta disfarçada de caixa de distribuição deslizou silenciosamente, revelando uma passagem estreita atrás dela. Uma brisa fria e úmida irrompeu, carregando o cheiro mofado e úmido característico do sistema de drenagem subterrâneo, diluindo instantaneamente o odor de óleo na oficina. "Mais sete minutos." O Velho K olhou para o velho relógio digital no pulso, a tela emitindo uma luz verde. "Esta passagem leva ao duto principal do esgoto. Caminhe trezentos metros para leste, há um poço de inspeção. Suba e você estará na rua dos fundos do mercado de artigos usados. O carro do Fang Mu já deve estar esperando por perto — se ele for inteligente o suficiente." Lu Chenzhou não se moveu. A mão que segurava a foto pendeu ao lado do corpo, a outra ainda segurando a pequena caixa metálica. O frio da caixa penetrava pela pele até os ossos. "Você ainda não respondeu minha pergunta." O Velho K já tinha meio pé dentro da passagem. Ele olhou para trás, a sombra cobrindo a maior parte do rosto, apenas os olhos brilhando de forma assustadora na penumbra. "A terceira pessoa, você conhece." Sua voz ficou ainda mais baixa, quase dissipada pelo vento. "E ele está lá fora agora. Pelo menos dois carros, três direções. Os Shen bloquearam a entrada sul, outro grupo ocupa o ponto alto ao norte. Os rastros que você deixou ao entrar são suficientes para eles trancarem este quarteirão." Ele fez uma pausa, a última frase cortando o ar como uma lâmina. "Detetive Lu, agora você não é o caçador. Você é a presa encurralada no meio. Escolha — venha comigo pela passagem secreta, ou fique aqui, espere eles entrarem e perguntarem sobre o selo de lacre. Como você acha que vão perguntar?" O vento da porta secreta continuou a soprar, fazendo as fotos no chão se mexerem levemente. Aqueles rostos congelados encaravam o teto sobre a sujeira. Lu Chenzhou ouviu o baixo ronco distante de motores de carro em marcha lenta, mais de um. A pressão era como uma maré gelada, fechando-se de todos os lados. Ele apertou a caixinha de metal, as pontas dos dedos tocando os pequenos arranhões — quando Gu Mingyuan a entregou, seus dedos haviam esfregado repetidamente o mesmo local. O que havia escondido ali embaixo? Ele inspirou uma baforada de ar úmido e fétido, deu um passo e caminhou em direção à porta secreta.
"O terceiro responsável," o Velho K virou-se de lado, metade do rosto enterrada na sombra da passagem, "codinome 'Pombo Cinza'. Dezessete anos atrás, ele era o administrador do turno da noite no arquivo. O selo de lacre foi roubado na véspera do encerramento do caso, foi ele quem assinou o relatório de perda." Ele fez uma pausa, a voz ainda mais baixa. "Três dias atrás, o corpo do 'Pombo Cinzo' foi encontrado no reservatório do subúrbio oeste. A causa da morte foi afogamento, mas não havia diatomáceas nos pulmões — o que significa que ele foi jogado na água depois de morto."
Lu Chenzhou sentiu um calafrio subir pela coluna.
"Shen Yan está eliminando testemunhas." O Velho K deu uma última olhada na direção da oficina. "Limpando todos os que sabiam algo sobre o selo. Gu Mingyuan é o próximo. E você," seu olhar caiu sobre a caixinha de metal na mão de Lu Chenzhou, "você está segurando a isca, é um alvo móvel."
De longe, veio o som abafado de uma porta de metal sendo golpeada — os homens de Shen Yan começavam a tentar arrombar a porta.
"Vai ou não?" O Velho K já estava dentro da passagem.
Lu Chenzhou deu uma última olhada nas fotos espalhadas no chão, pegou todas e enfiou no bolso interno do casaco. A caixinha de metal pressionava contra o peito, o contorno do botão apertando as
“037 está morto.” O Velho K corrigiu. “Aquele que sobreviveu é alguém que precisa se esconder.” Ele continuou a caminhar. “Agora, precisamos nos esconder ainda mais fundo. Porque Shen Yan não é o único caçador.”
Mais à frente, o túnel se bifurcou. O Velho K, sem hesitar, escolheu o caminho à esquerda, mais escuro. O cheiro de podridão no ar ficou mais forte, e um leve som de água corrente podia ser ouvido.
“A terceira força,” Lu Chenzhou o alcançou, “quem é?”
“Não sei.” O Velho K respondeu de forma direta. “Mas aquele homem de moletom preto que te seguiu esta manhã não era do Shen Yan. Seu padrão de movimento era mais… militar. E,” ele parou novamente, tirando do bolso um dispositivo eletrônico do tamanho de uma mão, a tela mostrando formas de onda de sinal pulsantes, “ele deixou um rastreador em você. Frequência não civil, nível de criptografia muito alto. Eu bloqueei o sinal, mas só posso interferir temporariamente. Assim que sairmos do alcance do bloqueio, ele saberá sua localização imediatamente.”
Lu Chenzhou instintivamente revistou todos os bolsos. Celular, chaves, documentos… Finalmente, na camada interna do bolso interno, ele sentiu um objeto duro do tamanho de um botão. Muito fino, capa metálica, com um leve magnetismo na parte de trás.
Ele o arrancou e segurou entre os dedos.
“Quando…” Ele lembrou-se do transeunte que o esbarrou na porta da loja de conveniência de manhã cedo. O movimento foi leve, o pedido de desculpas rápido, na hora ele pensou ter sido apenas um acidente.
“Pelo menos duas horas atrás.” O Velho K olhou para o dispositivo eletrônico. “A fonte do sinal está estável, o que significa que a bateria dura pelo menos vinte e quatro horas. Coisa de nível profissional.” Ele pegou o rastreador e o esmagou com força, a placa de circuito microeletrônica interna emitindo um leve som de quebra. “Mas destruí-lo fará com que o outro lado perceba a anomalia imediatamente. Temos que acelerar.”
O som da água corrente ficou cada vez mais alto. No final do túnel, apareceu uma grade de ferro. Do lado de fora da grade estava o canal principal do esgoto, largo, com águas turvas correndo rapidamente, lixo e espuma flutuando na superfície. Um cadeado enferrujado pendia na grade. O Velho K tirou uma chave especial de seu cinto, inseriu-a e girou.
O cadeado abriu.
“Siga pela borda do canal, trezentos metros, há uma escada de ferro para subir.” O Velho K empurrou a grade, a umidade do ar atingindo-os. “Depois de subir, vire à esquerda, atravesse o mercado de produtos usados. O carro do Fang Mu está estacionado atrás da ‘Loja de Ferragens do Velho Wang’. Placa final 347.”
Lu Chenzhou saiu da grade, seus pés sobre o aterro de concreto úmido e escorregadio. Ele olhou para trás; o Velho K ainda estava dentro do túnel, sem intenção de seguir.
“Você não vem?”
“Tenho meu próprio caminho.” O Velho K disse. “Lembre-se, o botão na caixinha de metal não é o ‘Y’ da YKK. É a letra grega ‘Υ’ — na física, representa a ‘função de onda’. O que Gu Mingyuan queria te dizer não era uma marca de zíper, mas um local: o antigo local do Instituto da Função de Onda, nos subúrbios do norte, abandonado há anos.”
Ele fez uma pausa, olhando pela última vez para Lu Chenzhou.
“E, cuidado com o Fang Mu.”
A grade se fechou diante de Lu Chenzhou. O cadeado caiu, um leve ‘clique’ quase inaudível sob o som das águas correndo. A figura do Velho K desapareceu nas profundezas do túnel escuro.
Lu Chenzhou permaneceu no lugar, segurando a pequena caixa de metal agora vazia. O som das águas do canal encheu seus ouvidos, o ar úmido e fétido entrou em suas narinas. Ele olhou para o relógio no pulso —
Falta um minuto para o bloqueio expirar.
Ele se virou e correu desesperadamente ao longo da borda do canal.
“Claro, você também pode me chamar de ‘Pomba Cinzenta’.” O operário acrescentou, os cantos da boca se contorcendo novamente. “Foi assim que Gu Mingyuan me chamou na entrega hoje. Embora eu ache o nome bem idiota — pomba? Não voa
Lu Chenzhou abriu a cerca e pulou para baixo.
Ao aterrissar, seus joelhos flexionaram levemente, amortecendo o impacto. Poeira levantou-se sob seus pés, revolvendo-se na luz cintilante das lâmpadas fluorescentes. Ele endireitou-se, seu olhar varrendo rapidamente todo o espaço: cerca de cinquenta metros quadrados, o chão de concreto apresentava manchas de água de lavagens repetidas; nas prateleiras encostadas na parede estavam empilhadas pelo menos trinta caixas metálicas acabadas, de especificações uniformes; a prensa já havia esfriado, um pedaço de cobre semiacabado ainda preso no molde; sobre a bancada de trabalho, além de um laptop, havia um osciloscópio antigo, sua onda pulsando de forma estável.
E, no ar, além do aroma de colofônia e solda, havia um traço muito tênue... de cheiro de sangue.
Muito tênue, misturado ao odor de óleo de máquina e poeira, quase imperceptível. Mas Lu Chenzhou o sentiu. Seu olhar pousou sobre o dorso da mão direita do trabalhador — ali, uma bandagem adesiva, com exsudação escura e avermelhada nas bordas.
"Sente-se." O trabalhador apontou para a cadeira dobrável.
Lu Chenzhou não se sentou. Permaneceu do outro lado da bancada, mantendo uma distância de dois metros. Desse ângulo, ele conseguia ver parte do conteúdo na tela do laptop: nos registros do log criptografado, repetia-se um codinome, "Rouxinol", e um conjunto de códigos de data de seis dígitos, o mais recente sendo "231015" — dez dias atrás.
"O que havia na caixa que Gu Mingyuan lhe deu?" perguntou Lu Chenzhou, sua voz retomando a suavidade.
"Melhor você perguntar primeiro," o trabalhador tirou um maço de cigarros amassado da gaveta da bancada, acendeu um, a fumaça espiralando na luz branca e pálida, "de quem Gu Mingyuan é homem."
"Shen Yan," disse Lu Chenzhou.
"Shen Moqing?" O trabalhador riu, um riso seco. "Se Shen Moqing pudesse controlar Gu Mingyuan, naquela reunião do conselho há três anos, a família Gu não teria perdido tanto a ponto de hipotecar a casa ancestral."
Ele tragou o cigarro, a fumaça escapando lentamente de suas narinas.
"Gu Mingyuan é homem do 'Rouxinol'," disse o trabalhador, seu olhar fixo no rosto de Lu Chenzhou, como se observasse sua reação. "Ou melhor, é uma peça que o 'Rouxinol' ainda consegue mover atualmente. Quanto a quem é o 'Rouxinol'... a caixa que está no seu bolso, abra-a e saberá."
Lu Chenzhou não puxou a caixa do bolso.
"Por que você está me ajudando?" ele perguntou.
"Ajudando?" O trabalhador ergueu uma sobrancelha. "Quando foi que o ajudei? Deixei você se esconder aqui porque estava sendo perseguido por dois grupos, o alvoroço era grande demais, poderia expor meu esconderijo. Quanto a lhe contar essas coisas..." ele bateu a cinza do cigarro, "é apenas uma transação."
"Que tipo de transação?"
"A caixa que você tem nas mãos," disse o trabalhador. "Abra-a, leia o que está dentro. Depois, me conte o conteúdo."
"Por que você mesmo não a abre?"
"Porque o bloqueio de criptografia da caixa é biométrico." O trabalhador levantou a mão direita, balançando o dorso com a bandagem adesiva. "Precisa de uma sequência específica de DNA para ativar. A minha não serve. A de Gu Mingyuan também não. Mas a sua..." ele fez uma pausa, "aquela confissão há dez anos, a caneta que você usou para assinar, no cartucho havia uma agulha para coleta de sangue. Lembra?"
A respiração de Lu Chenzhou parou.
A memória atravessou o tempo como um furador de gelo — a luz branca e pálida da sala de interrogatório, aquela caneta preta entregue a ele, o corpo gelado, ele a segurou, assinou seu nome no final da página. Uma picada minúscula na ponta do dedo, ele pensou ter sido uma ilusão causada pelo nervosismo.
"Eles coletaram sua amostra de sangue," a voz do trabalhador flutuava na fumaça. "Não tudo, apenas fluido tecidual da epid
A foto no passaporte mostrava um olhar estranho, como se fosse outra pessoa. De repente, ele lembrou-se da irmã, Lu Chenxing — se ele desaparecesse agora, o que aconteceria com ela? Shen Moqing a deixaria em paz? E Qin Wangshu, aquela mulher que deixou a impressão digital na borda da xícara de café na conveniência, ela seria arrastada para dentro por seu desaparecimento?
“Minha irmã…” Lu Chenzhou começou, a voz um pouco rouca.
“Lu Chenxing.” O trabalhador respondeu rapidamente. “Ela recebeu alta ontem, está se recuperando bem. Agora está morando no apartamento de reabilitação no leste da cidade, endereço: Rua Songtao, número 17, quarto 304. Há duas pessoas de Shen Yan fazendo guarda rotativa na porta, sob o belo pretexto de ‘proteção’.”
Ele fez uma pausa, deu mais uma tragada no cigarro.
“Você pode levá-la com você.” O trabalhador disse. “Planejei a rota, em dois grupos, com intervalo de quatro horas entre eles. Ela sai primeiro, você depois. Encontrem-se fora do país. A mão de Shen Moqing não alcança tão longe.”
“Por quê?” Lu Chenzhou ergueu a cabeça, encarando os olhos do trabalhador. “Por que você está fazendo tudo isso? Dez anos atrás, você me entregou aquela confissão, me fez passar dez anos na prisão. Agora você me dá um caminho de fuga. Qual é a razão?”
O trabalhador ficou em silêncio por um longo tempo.
O cigarro queimou até o filtro, queimando seus dedos, e só então ele o soltou abruptamente. A bituca caiu no chão, salpicando algumas faíscas. Ele a pisou, depois soltou um longo suspiro.
“Porque aquela confissão, dez anos atrás,” o trabalhador disse, a voz tão baixa que era quase inaudível, “não foi preparada por mim.”
Lu Chenzhou congelou.
“Naquela noite, recebi instruções para ir ao local de sempre buscar um ‘material’ — aquele que mais tarde…”
O frio da pequena caixa de metal atravessou a palma da mão e atingiu a medula óssea. Lu Chenzhou enfiou-a no bolso interno do casaco, puxou o zíper até o topo, a sensação do tecido esticado era como um selo frágil.
Os passos ainda se aproximavam.
Não era apenas um grupo. Ele prendeu a respiração, deixando sua audição se espalhar na escuridão — à esquerda, cerca de trinta metros de distância, duas solas de sapato pisando em cascalho, ritmo solto, com uma hesitação arrastada. À direita, mais distante, mas os passos mais leves, mais densos, pelo menos três pessoas, movendo-se em padrões entrelaçados, mantendo espaçamento tático.
Pessoas de Shen Yan, e outro grupo.
Ele se encolheu sob o tear, o cheiro misto de óleo de máquina e poeira bloqueando suas narinas. O canto do olho esquerdo começou a tremer, sutilmente, um tremor incontrolável. Ele pressionou os dedos nas têmporas, com força, tentando usar a dor para suprimir aquele maldito espasmo.
“Já olharam aqui?”
Uma voz rouca veio da esquerda. Era um capanga de Shen Yan, daqueles que vivem de força bruta.
“Não. Puta merda, tá escuro demais.”
“Procura de novo. O chefe disse que aquela coisa não pode se perder.”
“Que coisa?”
“Pergunte menos.”
A conversa cessou. Os passos continuaram se movendo.
As pontas dos dedos de Lu Chenzhou tatearam no escuro, encontrando a estrutura metálica na base do tear. Bordas enferrujadas, ranhuras oleosas. Ele moveu o corpo lentamente, como uma cobra trocando de pele, centímetro por centímetro, deslizando para fora de debaixo da máquina.
O canto do olho direito capturou luz — feixes de lanterna, varrendo do corredor à direita, brancos e brilhantes, cortando a poeira suspensa. Aqueles pontos de luz giravam loucamente, como insetos presos em um pote de vidro.
Ele encostou-se na parede, as costas pressionadas contra o concreto gelado. A parede exalava umidade, gotas se condensando nas pontas dos dedos.
Precisava sair dali.
O ponto de entrega ficava a menos de dez metros dali. Quando o pombo-cinzento partiu, aquele olhar fugaz — era um aviso, ou uma confirmação? A pequena caixa de metal era uma isca deixada
O grupo à direita permanecia em silêncio. Não exibiram documentos, não fizeram mais nenhum alerta. Eles sabiam esperar.
Um impasse. O ar estava tenso como a corda de um arco esticado.
Lu Chenzhou já se deslocara para atrás da máquina de engomar. Dali, ainda havia vinte metros até a porta lateral da oficina. Aquela porta — ele havia verificado ao chegar, estava entreaberta, a corrente pendurada por fora, mas não travada. E agora?
Ele precisava dar uma olhada.
Agachou-se e olhou através da vão na base da máquina de engomar. O ângulo era limitado, só conseguia ver a metade inferior da porta. Na penumbra, algo refletia luz — uma corrente nova, grossa e pesada, enrolada na maçaneta, com um cadeado novíssimo pendurado.
Trancada.
Não foram os homens de Shen Yan que a trancaram. Eles haviam acabado de chegar, e seu objetivo era claro: encontrar algo, não bloquear pessoas. Seria o grupo à direita? Mas eles também estavam presos aqui.
Havia uma terceira força.
A garganta de Lu Chenzhou secou. O medo desabou como uma avalanche, pressionando seus joelhos a ponto de amolecerem. Ele apertou os punhos, as unhas cravando-se nas palmas, usando a dor aguda para puxar a razão de volta.
Não podia parar. Parar significava morte.
À esquerda, os capangas de Shen Yan e os "policiais" ainda estavam em confronto. A voz rouca de repente soltou um palavrão, seguido por um som metálico — o detector foi arremessado no chão.
"Corram!"
O caos explodiu. Passos estouraram, disparando em direçõ