Capítulo 85: Ossos na Velha Mansão
O portão de grades de ferro estremeceu violentamente para dentro sob outro impacto pesado.
Um som metálico e seco veio da fechadura, como um osso sendo quebrado à força. Feixes de luz espremeram-se pelas fendas da porta, cortando a névoa ácida e a poeira que impregnavam o arquivo. Lu Chenzhou não se moveu. Permaneceu onde estava, apertando contra o peito a pasta de arquivo marcada com "96-07-BX-Negativos Originais" e a metade manchada de sangue da foto em grupo. O sangue do corte em sua face já estava semicoagulado, a sensação pegajosa em suas pontas dos dedos persistente.
Passos. Mais de um. Pesados, disciplinados, com um ritmo estável ao tocar o chão.
Não eram policiais. A polícia daria avisos ao arrombar uma porta. Também não eram homens de Shen Moqing — se fossem para uma "limpeza interna", seus movimentos seriam mais furtivos, mais letais. Esses passos carregavam uma pressão burocrática, inquestionável, como máquinas em operação.
Homens de Lei Hu? Ou então... Gu Zhixing?
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou começou a se contrair levemente. Ele inspirou profundamente, o ar ácido queimando sua garganta. As coisas em seu peito pareciam queimar. Shen Jun estava desabado no canto, como um saco de estopa vazio, os olhos semicerrados, as pupilas dilatadas, sua boca ainda se movendo inconscientemente, repetindo o nome inacabado: "...ele pensou que poderia... proteger..."
Uma ordem baixa veio de fora da porta, distorcida em grande parte pelo som metálico, mas algumas palavras escaparam.
"...confirmar alvo..."
"...recuperação prioritária..."
"...eliminar se necessário."
Os músculos de Lu Chenzhou tensionaram-se como a corda de um arco esticada ao máximo. Ele varreu o ambiente com o olhar. As estantes de arquivo estavam tombadas, fragmentos de papel como neve. A poça de ácido ainda soltava uma fumaça branca e fina, o cheiro acre misturado ao mofo de papel velho, pesando sobre seus pulmões. A única saída era aquele portão de ferro prestes a ser arrombado.
Ou talvez, não a única.
Seu olhar pousou atrás da posição onde Shen Jun havia desabado. Havia uma fileira de armários de metal baixos, embutidos na parede, com portas enferrujadas, mas a maçaneta da mais à direita estava visivelmente mais brilhante que as outras — tocada frequentemente recentemente. Abaixo do armário, havia uma ligeira descontinuidade no padrão da poeira, como se algo pesado tivesse sido puxado para fora e depois empurrado de volta.
Outro estrondo veio do portão de grades. As dobradiças deformaram-se completamente, abrindo uma brecha de vinte centímetros para dentro. Uma mão alcançou, tateando a tranca interna.
Lu Chenzhou se moveu.
Ele deslizou como uma sombra, colado à base da parede em direção à fileira de armários de metal. Seus passos eram levíssimos, pisando nas páginas de papel espalhadas, produzindo apenas um leve farfalhar. Ao passar por Shen Jun, ele lançou um olhar. Os lábios do velho ainda se moviam, repetindo silenciosamente algum formato. Lu Chenzhou agachou-se e, com o dedo ensanguentado, traçou rapidamente duas palavras na palma de Shen Jun — "Quem?"
Os globos oculares de Shen Jun viraram-se para ele com extrema lentidão, as pupilas turvas refletindo o rosto severo de Lu Chenzhou. Então, aqueles lábios ressecados finalmente soltaram dois sopros de ar indistintos: "...Qing... Huan..."
Shen Qinghuan?
A respiração de Lu Chenzhou travou por um instante. Mas não havia tempo. Os impactos do lado de fora do portão transformaram-se em alavancagem rítmica, o gemido do metal ficando cada vez mais agudo. Ele se levantou, agarrou a maçaneta mais brilhante do armário e puxou com força —
A porta do armário não estava trancada. Dentro, não havia arquivos.
Era uma entrada estreita e descendente, um corredor de concreto, negro como breu, com uma corrente de ar frio subindo das profundezas, trazendo cheiro de terra
Este era o caminho de fuga que Shen Jun havia reservado para si mesmo. Uma passagem secreta que levava a profundidades ainda maiores sob o solo ou a outras partes do edifício, e que nem mesmo Shen Moqing provavelmente sabia da existência.
"Bang — Crash!"
Lu Chenzhou não hesitou, escolheu uma direção e avançou rapidamente. Os passos produziram um leve eco no espaço confinado. Ele precisava encontrar outra saída o mais rápido possível, ou pelo menos um lugar onde pudesse se esconder temporariamente e organizar as pistas. As últimas palavras de Shen Jun, “Qinghuan”, ficaram cravadas em sua mente como um espinho.
Shen Qinghuan havia fornecido a chave e as pistas para a antiga residência de Shen Bojun. Shen Jun, à beira do colapso, murmurou seu nome. O que isso significava? Shen Qinghuan era uma conhecedora, outra “pessoa que ele pensava poder proteger”, ou… ela própria fazia parte dessa vasta sombra, e talvez até fosse a isca que o levou a cair nessa armadilha?
O corredor se bifurcou à frente. O lado esquerdo continuava descendo, com uma inclinação mais acentuada, e o cheiro de amêndoas amargas parecia mais intenso. O lado direito era relativamente mais suave, com um fluxo de ar um pouco melhor, e dava para ouvir, muito ao longe, um som vago de água corrente – possivelmente o sistema de drenagem subterrâneo.
Lu Chenzhou escolheu o lado direito. Ele precisava voltar à superfície o mais rápido possível, precisava de espaço e tempo para lidar com as evidências que carregava. O círculo de luz da lanterna-tática balançou nas paredes, iluminando alguns grafites descascados e números desbotados. Este lugar parecia ter sido uma instalação subterrânea de uma antiga área industrial ou instituição, posteriormente secretamente reformada e ocupada pela família Shen.
Após caminhar por cerca de cinco minutos, uma porta diferente das outras de ferro apareceu à frente – era de madeira, pesada, e acima da verga havia um emblema metálico desbotado, quase coberto de poeira. Lu Chenzhou se aproximou e limpou a poeira com a mão. O contorno do emblema ficou visível: uma ave de rapina abstrata, com as asas recolhidas.
Uma variante do brasão da família Shen. Mas mais antiga e mais simples.
Esta seria a entrada da câmara secreta subterrânea da antiga residência de Shen Bojun? Não, a julgar pela localização e profundidade, este lugar ainda deveria estar em algum ponto da rede de tubulações subterrâneas da cidade, muito longe da antiga residência de Shen Bojun nos arredores. Então, o que havia atrás desta porta? Outro ponto de transferência? Ou uma das verdadeiras “câmaras secretas” de Shen Bojun?
Ele tentou empurrar a porta. Não estava trancada, e abriu-se para dentro com um rangido seco.
Uma mistura de odores mais complexa surgiu. Madeira velha, poeira, papel envelhecido, um leve cheiro de naftalina e… aquele traço de amêndoas amargas tornou-se claramente discernível aqui, misturado com outro aroma levemente adocicado, como se algum medicamento ou reagente químico tivesse evaporado por muito tempo.
A luz da lanterna varreu o interior.
O cômodo não era grande, cerca de vinte metros quadrados. Contra a parede, havia várias estantes altas de mogno com portas de vidro, repletas de livros com lombadas amareladas. No centro do cômodo, havia uma grande escrivaninha antiga, com uma luminária de mesa de abajur verde, a base de latão enferrujada. Ao lado da luminária, havia um cofre pesado de ferro fundido.
Na cadeira de espaldar alto atrás da escrivaninha, estava sentada uma pessoa.
Ou melhor, um corpo.
Um idoso vestindo um traje tradicional Zhongshan, com a cabeça levemente inclinada para o lado, apoiada no encosto da cadeira. Os cabelos grisalhos estavam penteados com perfeição, as mãos cruzadas sobre o abdômen, a postura até que serena. Mas seu rosto tinha uma coloração cinza-azulada não natural, os lábios levemente arroxeados, e no canto da boca havia um traço escuro e já ressecado. Os olhos estavam fechados, as pálpebras flácidas.
Shen Bojun.
Ele estava morto. E morto há algum tempo. O cadáver não apresentava sinais evidentes de decom
Sobre a mesa, estavam abertas algumas cartas amareladas, escritas com caneta tinta, com letras claras e firmes. Lu Chenzhou pegou a que estava no topo. Era a caligrafia de Shen Bojun.
“Quem quer que seja que veja esta carta, deve ter entrado nesta sala. Eu, Shen Bojun, do clã Shen, estou ciente de meus graves pecados e de que meus dias estão contados. O que está guardado nesta sala é a vergonha da minha vida e também o pecado da família Shen...”
Lu Chenzhou leu rapidamente. A primeira parte da carta era uma confissão, sobre um incidente antigo, um “acidente” que foi encoberto, um “sacrifício necessário” feito em prol dos interesses da família. A carta mencionava um nome, um nome que já havia sido apagado dos registros oficiais e que era um tabu mesmo dentro da família — Gu Zhiyuan.
O irmão mais velho de Gu Zhixing.
As folhas de papel tremeram levemente na mão de Lu Chenzhou. Não era medo, mas uma espécie de confirmação gélida. A suspeita foi confirmada, o contorno vago finalmente recebeu seu primeiro prego de ferro. Gu Zhiyuan, aquele cujo rosto foi apagado da foto de 1996, cujos registros foram todos eliminados, morreu em um “acidente de treinamento”. E Shen Bojun admitia que aquele acidente foi “cuidadosamente planejado”, com o objetivo de garantir que o “controle absoluto” de um determinado projeto não escapasse, para calar uma boca “excessivamente honesta, que poderia vazar segredos”.
Shen Bojun escreveu: “... Zhiyuan era talentoso e excepcional, de caráter puro e reto, poderia ter sido um pilar. No entanto, ele vislumbrou o núcleo do Projeto ‘Íris’ e se recusou a cooperar. Naquela época, eu e mais alguns discutimos e todos concordamos que o risco precisava ser eliminado. Eu assinei pessoalmente o relatório do acidente... Este é um pecado.”
Projeto “Íris”. Outro termo desconhecido.
Lu Chenzhou colocou a primeira folha e pegou a segunda. A caligrafia nesta parte estava um pouco mais desleixada, a tinta estava manchada, como se tivesse sido escrita sob grande agitação emocional.
“... Por muitos anos depois do incidente, fui assombrado por pesadelos. O segundo filho da família Gu, Zhixing, mudou bruscamente de temperamento, ocultando-se e aguardando, sua ambição não é pequena. Aos poucos, comecei a me sentir inquieto, temendo que o incidente daqueles anos pudesse um dia vir à tona. No entanto, a família Shen já estava profundamente envolvida, e a geração de Moqing via isso como a pedra fundamental de sua ascensão, algo que não podia ser abalado. Minha retirada para esta antiga residência foi, na verdade, para evitar problemas, e também para vigiar. A foto original guardada na sala secreta da antiga residência, e parte da correspondência daquela época, são as últimas provas que guardei...”
A foto original!
Lu Chenzhou levantou imediatamente a cabeça, seu olhar fixou-se no pesado cofre de ferro fundido.
Seu olhar finalmente pousou em um local proeminente da escrivaninha — lá, sob um peso de papel, havia algumas páginas de carta, a página superior estava completamente preenchida com escrita a pincel, a tinta densa e preta. Ao lado do papel, havia um antigo envelope de papel pardo, a abertura estava aberta, revelando o canto de uma foto amarelada.
Lu Chenzhou entrou. Seus passos eram leves, como se temesse perturbar os mortos. O ar frio da sala o envolvia, carregando o silêncio pesado e peculiar da morte. Ele primeiro contornou o corpo, verificou rapidamente a artéria carótida e as pupilas de Shen Bojun — confirmando a morte. Não havia sinais de luta, nenhum dano por força externa, tudo condizia com ingestão voluntária de veneno.
Então, ele se dirigiu à escrivaninha.
Seu olhar foi primeiro atraído pela foto. Ele a retirou cuidadosamente do envelope.
Era uma foto colorida em grupo, as bordas já levemente enroladas e amareladas, mas a imagem ainda estava nítida. O fundo parecia ser a sala de reuniões de algum hotel governamental, com uma faixa vermelha pendurada, as palavras borradas. Na foto, estavam de pé sete ou oito homens, todos vestindo ternos ou roupas de quadros típicos dos anos 90, sorrindo. No centro, um pouco à frente, estava um Shen Moqing muito mais jovem, cheio de
**"Quando você encontrou este lugar e viu este velho osso, imagino que já tenha investigado quase tudo o que precisava. É melhor assim, poupa-me o esforço de explicar novamente essas coisas sujas. Sim, eu, Shen Bojun, tive participação na armação contra seu pai e em mandá-lo para a prisão. Não apenas participei, muitos dos detalhes foram com minha anuência, fui eu quem 'coordenou', fui eu quem completou os elos finais daquela 'cadeia de evidências' forjada."**
**"Moqing foi o mentor. Ele queria o que seu pai tinha em mãos, e mais ainda queria eliminar seu pai, uma ameaça que se recusava a conspirar com eles. Mas ele precisava de alguém para fazer o trabalho sujo, precisava de uma faca obediente, afiada, que pudesse ser descartada a qualquer momento depois. Gu Zhiyuan era essa faca. Ele foi promovido por Moqing desde a base, inteligente, cruel, ambicioso, e... suficientemente tolo para achar que, ao fazer esse tipo de trabalho para seu mestre, realmente ascenderia ao núcleo do poder."**
**"A execução específica, o tratamento dos rastros, o 'arranjo' das testemunhas, incluindo o relatório final do 'acidente' que tirou a vida de seu pai, tudo foi orquestrado por Gu Zhiyuan. Ele fez um trabalho limpo e eficiente, até com uma certa loucura artística. Moqing ficou muito satisfeito. Achamos que o assunto estava encerrado."**
**"Até que, três anos atrás, Gu Zhiyuan repentinamente começou a investigar em segredo alguns 'restos' do caso. Parece que ele descobriu algo, começou a ficar inquieto, começou a cobrar um preço. Queria usar o que sabia para trocar por uma posição mais segura, ou... por um suborno para sumir. Ele esqueceu que uma faca, uma vez que desenvolve sua própria mente, deixa de ser uma faca e se torna uma ameaça."**
**"Então ele morreu. Num 'acidente' de carro. Muito parecido com o 'acidente' de seu pai, não é? Que ironia. Arranjado pessoalmente por Moqing. A limpeza foi completa, todos os registros, fotos, arquivos relacionados a ele foram apagados. Como se ele nunca tivesse existido."**
**"Esta é a 'verdade' que você procura. Gu Zhiyuan. Um bode expiatório morto. Uma sombra apagada. Está satisfeito?"**
Neste ponto, a caligrafia muda abruptamente, a pressão aumenta, a tinta até mesmo transborda pelo papel, transmitindo uma raiva e um sarcasmo incontroláveis:
**"Mas, rapaz Lu, você acha que encontrar tudo isso, derrubar um Shen Moqing, vai reabrir o caso? Vai limpar o nome de seu pai? Vai dar sentido aos dez anos que você passou na prisão?"**
**"Você é ingênuo demais!"**
**"O que você encontrou é apenas outro túmulo! Estamos todos em túmulos! Seu pai está, Gu Zhiyuan está, eu estou, e Shen Moqing estará também! Você acha que está buscando justiça? Você está apenas seguindo o caminho fúnebre que nós já pavimentamos, passo a passo em direção à cova reservada para você!"**
**"O pecado da família Shen está profundamente enraizado, há muito tempo fundido com esta terra! Você consegue escavar? Você consegue limpar? A cada centímetro que você cava, mais sangue e sujeira jorram, até submergir você completamente!"**
**"Sua irmã, Lu Chenxing, a cirurgia foi um sucesso, não foi? Graças àquele 'acordo' de anos atrás. Você trocou sua liberdade pela vida dela. Um bom negócio, não é? Mas você já parou para pensar por que, justamente naquela época, ela conseguiu aquele coração compatível? Por que todos os trâmites foram anormalmente rápidos?"**
**"Olhe ao seu redor, rapaz. O ar que você respira, o chão sob seus pés, cada rosto que você vê, qual deles não faz parte desta maldição? Você nos odeia, mas tudo em que você depende para viver está manchado com nosso sangue!"**
**"Você não pode escapar. Você também... não pode se limpar."**
**"Você acabará como nós."**
A última linha foi escrita com força quase total, as marcas da caneta perfurando o papel, os traços fragmentados carregando um tom de maldição histérica.
Lu Chenzhou terminou de ler.
O quarto estava em um silêncio mortal. Apenas o som de
A caligrafia a pincel estava inicialmente bastante ordenada, exibindo o tremor característico da idade avançada, mas com uma força que penetrava o papel. À medida que o texto avançava, a escrita tornava-se cada vez mais descuidada e aguda, como se as emoções de quem escrevia estivessem se acumulando e explodindo.
Gás anestésico? Ou gás venenoso?
Uma armadilha! A carta de despedida em si era o sinal que acionava o mecanismo! Shen Bojun não apenas cometeu suicídio, como usou sua própria morte e suas últimas palavras para armar um último e letal mecanismo, esperando por qualquer "coveiro" que investigasse até ali!
A reação de Lu Chenzhou foi mais rápida que o pensamento. Ele agarrou a carta original da escrivaninha e a foto em grupo, junto com a pasta de arquivos e a meia-foto que já estavam em seu casaco, e enfiou tudo às pressas no bolso interno do paletó. No movimento, ele avistou algo na fresta da gaveta da escrivaninha — a ponta de um cartão fino e rígido.
Não havia tempo para examinar. Ele puxou o cartão. Era outra foto, menor, como um recorte individual de uma foto em grupo. No verso, escrito com caneta esferográfica, havia um endereço e uma pequena linha: **"A pessoa que ele pensou que poderia proteger. Zhou Zhengping sabe."**
Zhou Zhengping!
O gás estava ficando mais denso. A tontura aumentava, a visão começava a ficar levemente embaçada. A placa de aço no teto já havia descido um terço, e era apenas uma questão de tempo até o selamento completo.
Lu Chenzhou arrancou sua gravata, derramou rapidamente um pouco da água do minúsculo reservatório escondido na parte traseira da lanterna-tipo-caneta (um hábito adquirido em seus muitos anos de carreira na investigação criminal), molhou a gravata e a pressionou firmemente sobre o nariz e a boca. O pano úmido filtrou parte do gás, mas não duraria muito.
Ele correu em direção à porta. A placa de aço estava agora a pouco mais de um metro do chão. Agachar-se e correr para fora? Não daria tempo, a velocidade de descida da placa estava aumentando. Além disso, a situação do corredor lá fora era desconhecida; poderia haver outras emboscadas.
Seu olhar percorreu o quarto rapidamente. Estante de livros? Muito pesada, impossível mover rápido. Escrivaninha? Talvez pudesse segurar a placa temporariamente, mas o gás continuava entrando. Saídas de ventilação? Muito pequenas, e eram a fonte do gás.
Espere — sob a cadeira onde o corpo de Shen Bojun estava sentado, a borda do tapete parecia ter uma irregularidade mínima, como se pudesse ser levantada. Lu Chenzhou correu até lá e, sem consideração pela violação ao morto, moveu com força o corpo de Shen Bojun junto com a cadeira. De fato, sob a cadeira, um tapete antigo de cerca de um metro quadrado era independente, com fechos ocultos nas bordas.
Ele levantou o tapete.
Debaixo havia uma placa de ferro enferrujada com uma argola. Não era uma passagem, parecia mais uma abertura de manutenção ou um compartimento de armazenamento. Ele puxou a placa com força — uma corrente de ar ainda mais fria, com forte cheiro de terra úmida e um leve odor de esgoto, subiu. Lá embaixo era escuro como breu, sem fundo visível, mas havia uma escada de ferro enferrujada na parede lateral.
Poderia levar a uma rede de tubulações subterrâneas mais profunda, ou a um poço de ventilação abandonado do antigo edifício. Podia ser um beco sem saída, ou podia ser uma saída.
A placa de aço acima estava agora a menos de meio metro do chão. O gás estava tornando seu raciocínio lento.
Não havia escolha.
Lu Chenzhou apertou a gravata úmida com mais força contra o rosto, inspirou profundamente o ar relativamente "limpo" e pulou no buraco escuro. No instante da queda, ele puxou a placa de ferro de volta para o lugar com a mão contrária, deixando apenas uma fresta.
"Bum."
De cima veio o som surdo da placa de aço se fechando completamente. Em seguida, o som "sibilante" de algum mecanismo de vedação travando. A sala secreta estava completamente selada.
Escuridão. Esc
Seguindo o som da água e a direção do fluxo de ar relativamente fresco, ele avançou penosamente por um tempo incerto. À frente, surgiu um ponto de luz fraca — não era luz natural, parecia mais com a luz de alguma lâmpada de manutenção ou uma claridade distante refletida múltiplas vezes. Ele se arrastou em direção àquela luz.
A luz vinha da base de um poço circular vertical, com cerca de sessenta centímetros de diâmetro, que se estendia para cima. As paredes do poço eram de cimento liso, com uma escada de ferro em forma de U, corroída pela ferrugem, subindo ao longo delas. A abertura do poço era alta demais para ser vista do fundo, mas havia um halo de luz difuso na boca, e dali vinha um som extremamente fraco, como se filtrado por uma espessa camada de solo… o ruído de um motor de carro?
Estava perto da superfície!
A esperança que acabara de acender foi interrompida por outro som.
Acima, através do solo e da estrutura do edifício, chegavam vagamente passos. Mais de uma pessoa. Os passos ecoavam em algum espaço aberto, acompanhados por ordens breves e o som de objetos sendo revirados.
“… Revistem cada cômodo com atenção.”
“Concentrem-se no porão e nos mezaninos.”
“Relatem imediatamente qualquer sinal de vida ou item suspeito.”
As vozes eram abafadas, mas discerníveis. Eram pessoas treinadas vasculhando o interior de um edifício. Já estavam lá em cima. Na antiga casa de Shen Bojun? Ou em outro prédio para onde este poço conduzia?
Lu Chenzhou parou na sombra do fundo do poço, prendendo a respiração. Seus músculos tremiam levemente devido à longa tensão e ao frio. Ele tocou suavemente o envelope rígido com as fotos e a carta no bolso interno. As provas ainda estavam lá. Mas ele estava preso no subterrâneo, com um edifício sendo sistematicamente revistado sobre sua cabeça, ele próprio exausto, coberto de lama, com quase nenhuma capacidade de resistência.
De investigador ativo, tornara-se um fugitivo carregando provas mortais. A presa.
Ele recostou-se lentamente na parede fria e úmida do poço, fechando os olhos, deixando a escuridão envolvê-lo. Mas seus ouvidos permaneciam alertas, capturando cada mínimo ruído de cima. O som dos motores parecia mais próximo agora; veículos haviam parado nas proximidades. Os passos da busca estavam se movendo em direção a esta área.
Não podia ficar aqui por muito tempo. Tinha que subir, tinha que usar a estrutura do edifício para se esquivar, tinha que… antes que a rede de cerco se fechasse completamente, encontrar uma brecha, enviar as provas, ou pelo menos transmitir a informação.
Ele abriu os olhos, seu olhar caindo na escada de ferro do poço. Então começou a subir. Movimentos lentos, leves, como um animal ferido, aproveitando os intervalos entre os passos dos caçadores, arrastando-se penosamente em direção àquela tênue linha de luz.
A cada passo para cima, as provas em seu peito ficavam um pouco mais pesadas.
Aquele halo de luz, cada vez mais próximo. E também, aparentemente, cada vez mais frio.