Capítulo 54: Impressões Digitais e Ecos
Sinal de ocupado.
Pela terceira vez, a linha abriu. Ninguém atendeu.
Lu Chenzhou encarou a tela do celular até ela apagar sozinha, refletindo seu próprio rosto impassível. A dor surda no ombro esquerdo deslocado era como a maré, batendo em ondas contra os diques da razão. Ele apertou aquele negativo de vigilância manchado de sangue, a borda cortando a polpa dos dedos, a picada fresca trazendo, em vez disso, um lampejo de clareza.
O distintivo de Qin Wangshu.
A denúncia de Gu Zhixing quinze minutos antes.
O relatório sobre a escrivaninha de Zhao Tieshan.
Esses três pontos conectaram-se em sua mente, formando uma linha gelada que apontava para uma conclusão que ele, no momento, não queria e nem podia tocar. Mas havia uma quarta linha, mais oculta, mais mortal — aquele fragmento de projétil de liga cobre-níquel serrilhado retirado do ferimento de Shen Yan, era do mesmo lote que a bala que matou seu parceiro dez anos atrás.
Isso não era uma armação. Era um eco.
Ele precisava de provas, provas biológicas definitivas, não dessas sombras interligadas. O escritório de Shen Yan. A Mansão Lánshān. Agora, Shen Yan estava deitado na sala de cirurgia com a vida por um fio, Shen Moqing acabara de ter seu selo de autoridade confiscado e ainda estava em estado de choque, todo o sistema de segurança da Mansão Shen estava no breve vácuo da transição de poder.
Janela de oportunidade. Talvez apenas vinte minutos.
Lu Chenzhou colocou cuidadosamente o negativo ensanguentado em um bolso interno, contra a pele. Ele moveu o braço direito, que estava intacto, e empurrou a porta pela qual Gu Zhixing havia saído. O corredor estava vazio, as luminárias de parede lançando uma luz amarelada, o carpete grosso abafando todos os passos. No ar flutuava um leve cheiro de desinfetante, misturado com o aroma levemente amargo de um caldo de ginseng cozinhando vindo da cozinha ao longe.
Sua mente traçou automaticamente um mapa. Ala leste, terceiro andar da mansão principal, o escritório particular de Shen Yan. As rondas regulares dos guardas se cruzavam a cada trinta minutos, mas havia um ponto cego de sete minutos durante a troca de turno. A matriz de discos rígidos das câmeras internas ficava na sala de controle principal, mas ao entregar o selo, Shen Moqing também entregara a senha temporária de acesso máximo — aquela que Lu Chenzhou o forçara a escrever em um pedaço de papel, a caligrafia desleixada, tremendo de humilhação.
Validade da senha: vinte e quatro horas.
Era o suficiente.
Ele evitou a escadaria principal, deslizando para dentro da passagem dos empregados. O estreito vão da escada estava impregnado com o cheiro de madeira velha e produto de limpeza. Seus passos eram leves, como os de um gato, mas seu coração batia forte, martelando contra o peito como um tambor. Não era medo. Era aquela excitação fria que vinha com o sangue acelerando ao se aproximar do covil da presa.
Terceiro andar. Corredor da ala leste.
A pesada porta dupla de mogno estava bem à frente, as maçanetas esculpidas com intrincados padrões de lótus entrelaçados. Lu Chenzhou parou, inclinando a cabeça para ouvir. Do fundo do corredor vinha o som vago de um programa de TV, a sala de descanso de algum guarda de plantão. Ele calculou o tempo, tirando do bolso aquele pedaço de papel amassado, com uma sequência de doze dígitos alfanuméricos.
Ele pegou seu próprio celular — não o usual, mas um aparelho antigo, grosso, com teclas físicas. A tela acendeu com uma luz azulada. Ele digitou rapidamente alguns comandos, conectando-se à rede interna da Mansão Shen. Verificação de permissão. Aprovada.
A tela exibiu um diagrama simplificado da planta do prédio, um ponto vermelho representando-o a ele, outro ponto verde movendo-se lentamente no lado leste do terceiro andar. Um guarda em patrulha. Quatro minutos até o ponto de cruzamento.
Ele empurrou a porta.
O gonzo emitiu um rangido extremamente leve, ampliado dez vezes no silêncio. Lu Chenzhou congelou por meio
Ele desligou a lâmpada ultravioleta, e o mundo voltou à penumbra. Do compartimento oculto do cinto de ferramentas, ele retirou uma película adesiva eletrostática transparente, mais fina que a asa de uma cigarra. O movimento precisava ser preciso. Ele se inclinou, cobriu suavemente a área fluorescente na parte interna do corrimão com a película e, com a polpa dos dedos, pressionou de forma extremamente lenta e uniforme.
*Tchii.*
Ao descolar, a película emitiu um leve som de aderência, quase inaudível. Feito. Ele rapidamente colocou a película em um saco selado a vácuo de folha de alumínio e o fechou. A amostra do encosto da cadeira foi tratada da mesma forma.
Estante de livros. Ele caminhou rapidamente até ela, e a luz ultravioleta acendeu novamente. O feixe varreu as lombadas douradas a quente, fileira após fileira. Shen Yan preferia história e psicologia criminal; aqueles calhamaços encadernados em capa dura permaneciam em silêncio sob a luz violeta. O olhar de Lu Chenzhou se fixou em alguns livros com marcas evidentes de desgaste nas bordas, especialmente alguns volumes especializados sobre técnicas de perfilamento e estudos de caso de assassinos em série.
Ele tirou um deles. O livro era pesado. Abriu-o, folheando rapidamente as páginas com cantos dobrados. As dobras eram recentes, as bordas do papel tinham uma ligeira aspereza causada por repetidas manipulações. Ele usou a película para coletar amostras no interior da dobra e na junção da lombada. Os movimentos eram rápidos e firmes, mas as pontas dos dedos conseguiam sentir sua própria pulsação, batendo, uma, duas vezes, na borda da película.
O relógio antigo soou subitamente.
*Dong — dong — dong —*
O toque de badaladas, sonoro e grave, explodiu sem aviso, ecoando pelo silêncio do escritório. Os músculos de Lu Chenzhou se tensionaram instantaneamente, e o livro quase escapou de suas mãos. Hora cheia. Nove horas da noite. Os badalados do relógio abafaram muitos sons, mas também poderiam acordar alguém que dormisse leve.
Ele precisava ir embora.
Mal havia recolocado o livro em sua posição original, passos surgiram do corredor.
Não eram os passos regulares e pesados dos seguranças em patrulha. Esses passos eram mais leves, mais hesitantes, parando e recomeçando, como se alguém estivesse inspecionando algo. Estavam se aproximando.
O escritório não tinha outra saída. As janelas eram de vidro à prova de balas, lacradas. O olhar de Lu Chenzhou varreu rapidamente o ambiente — a lareira era pequena demais, sob a mesa seria muito visível. Sua visão se fixou na fileira de grades decorativas de madeira junto à parede, um nicho originalmente destinado a vasos, quase rente à superfície da parede.
Os passos pararam do lado de fora da porta. Uma mão tocou a maçaneta, e um leve ruído de metal foi ouvido, o ferrolho sendo pressionado.
Lu Chenzhou lançou-se em direção às grades de madeira. No instante em que se aproximou, suas pupilas se contraíram: na junção entre a borda da grade e a parede, havia uma diferença de cor extremamente sutil causada por variação de temperatura, e não havia acúmulo de poeira. Ele pressionou a palma da mão contra a parte central inferior da grade, usou o ombro para fazer força e empurrou com força —
A grade deslizou para dentro sem fazer ruído, revelando uma fenda escura que mal permitia a passagem lateral de uma pessoa. Ele se esgueirou para dentro e, com a outra mão, puxou a grade de volta ao lugar.
*Clique.* Um som leve. Ajuste perfeito.
Quase ao mesmo tempo, a porta do escritório foi aberta.
Lu Chenzhou encostou as costas na parede fria do compartimento, prendendo a respiração. O espaço era extremamente apertado, o revestimento áspero da parede arranhando seu paletó, a lesão no ombro esquerdo sendo comprimida, enviando uma dor aguda e penetrante. O ar era viciado, impregnado de poeira de muito tempo sem ventilação, papel velho e um leve cheiro, quase imperceptível, de naftalina.
Os passos entraram no escritório e pararam. Quem entrou não acendeu a luz
O feixe de luz da porta parou perto da escrivaninha. Veio o som sussurrante de papéis sendo revirados. A ponta dos dedos de Lu Chenzhou tocou a capa de plástico gelada da fita de vídeo. Ele retirou a mão, os nós dos dedos ficaram brancos e tensos. O isolamento acústico era muito bom, os sons externos eram indistintos, restando apenas o batimento de seu próprio coração, reprimido ao extremo, batendo pesadamente em seus tímpanos.
Da direção da estante de livros veio um leve ruído, como se um livro tivesse sido recolocado. Os passos se moveram novamente, desta vez, na direção da grade de madeira.
Coleção de Shen Yan. Detector portátil de DNA rápido. Lu Chenzhou estendeu a mão, a ponta dos dedos tocou a capa de plástico gelada da fita de vídeo. A sensação era como um cinzel de gelo, perfurando a polpa do dedo, real ao ponto de causar náusea. Ele a pegou. Por baixo, havia uma pilha grossa de fotocópias. Aproveitando aquela linha de luz cinza e morta sob a fresta da porta, ele examinou. Era o arquivo original do caso "Assassino no Espelho". Mas as páginas estavam cobertas por outra caligrafia. Anotações em vermelho, afiadas, apressadas, delirantes. Análise do modus operandi. Seleção das vítimas. Dedução do perfil psicológico. Algumas frases plagiando diretamente suas anotações de investigação criminal não publicadas daquela época, os termos eram precisos, as numerações das páginas estavam corretas. A caligrafia de Shen Yan. O coração não estava acelerado, mas sim subitamente afundado em uma caverna de gelo, e então puxado para cima por um gancho invisível, batendo contra a garganta. Não era raiva. Era algo mais sujo — sua vergonha, sua profissão, toda sua dignidade como ser humano haviam sido arrancadas, secas e pregadas como um espécime na estante de outro homem. Shen Yan não apenas imitava os crimes. Ele estava imitando Lu Chenzhou, a pessoa. Usando as "obras" e o "arrependimento" de Lu Chenzhou para construir um palco mais "perfeito". Por quê? Para provar que ele, esse herdeiro brilhante, era... superior ao "produto defeituoso" que a família havia descartado naquela época? Os joelhos fraquejaram. Uma sensação de vertigem subiu do estômago. Ele se apoiou na estante de madeira, as pontas dos dedos cravando-se na veia da madeira. Os passos do lado de fora da porta pararam diante da escrivaninha por um momento. Partiram. A fechadura da porta se fechou, o corredor voltou ao silêncio mortal. Ele esperou mais dois minutos. A respiração foi comprimida em um fio fino. Então agiu. A fita de vídeo. As primeiras páginas daquela pilha de cópias das anotações — as de caligrafia mais louca, mais diretamente relacionadas — foram rapidamente enroladas e enfiadas no interior do cinto de ferramentas. A amostra biológica na bolsa de alumínio pressionava a pele do peito, uma sensação gelada. Esses dois itens, um era prova irrefutável, o outro era a raiz da doença. Ele empurrou a grade de madeira e voltou para o escritório banhado pela luz da lua. Os ponteiros do relógio antigo devoravam o tempo.
Ele deslizou até a porta, ouviu, e entrou no corredor. O caminho de volta ao quarto de hóspedes parecia infinitamente alongado. Cada passo pisava na sombra de si mesmo de dez anos atrás. Empurrou a porta, trancou por dentro, deslizou de costas contra a porta até sentar no tapete. Respiração. Funda, mais funda. A bolsa de alumínio. A fita de vídeo. Colocadas lado a lado diante dele. Ele pegou do fundo da mochila o detector portátil modificado por Fangmu, do tamanho de um maço de cigarros, a tela escura. Inseriu o chip de dados com as evidências biológicas da cena do crime, fornecidas secretamente por He Wanqing e não catalogadas. Abriu a bolsa de alumínio, com uma pinça pegou aquela fina película que havia absorvido sebo e a colocou no compartimento da amostra. Fechou a tampa. Um zumbido baixo soou. A luz indicadora começ
A outra era uma foto macro da etiqueta da fita de vídeo, a data e os três caracteres "Lu Chenzhou" claramente visíveis. Antes de enviar, ele anexou um pacote de dados de localização criptografado e uma contagem regressiva — seis horas. Pressionou enviar.
Assim que o aviso de envio bem-sucedido desapareceu, bateram à porta. Três batidas. Nem leves nem pesadas, ritmo constante. A voz de Shen Yan veio do lado de fora, calma e suave, envolta em uma respiração fraca, apropriada para um ferido, mas cada palavra perfurando a porta:
"Sr. Lu, ainda não foi descansar? Há alguns detalhes sobre o meu ataque... gostaria de conversar mais com o senhor. É conveniente?" O olhar de Lu Chenzhou pousou no analisador e na fita de vídeo lado a lado à sua frente. Luz verde, capa preta. Ciência, e vergonha. Ele se levantou lentamente, guardando rapidamente os dois itens no compartimento secreto da mochila. A dor no ombro esquerdo foi comprimida nas profundezas do músculo, seu rosto retornando a uma calma imperturbável. Caminhou até a porta, segurou a maçaneta. As pontas dos dedos estavam geladas. "Um momento." Sua voz atravessou a porta, estável, sem marcas. Ele abriu a porta.
Shen Yan estava parado no halo suave da luz do corredor. Roupão de seda azul escuro, sobreposto por um cardigã de caxemira folgado, rosto pálido, mas os olhos brilhavam estranhamente, com uma clareza até mesmo febril. Segurava uma bengala de ébano na mão esquerda, a direita pendia naturalmente. "Desculpe o incômodo." Shen Yan inclinou levemente a cabeça, com um sorriso educado e um ar de remorso. "Acabei de tomar a injeção para a dor, não consigo dormir. Lembrei-me de algumas coisas, achei que poderiam ser úteis para o senhor."
"Entre." Lu Chenzhou abriu caminho, dando espaço. Shen Yan, apoiado na bengala, entrou no quarto com passos lentos e firmes. Seu olhar pareceu percorrer casualmente a mobília, pousando por um breve instante — talvez 0,1 segundo — no zíper não totalmente fechado da mochila de Lu Chenzhou. Então dirigiu-se à poltrona individual perto da janela, sentando-se com cuidado, apoiando a bengala ao lado do braço.
Lu Chenzhou fechou a porta, não a trancou. Sentou-se na cadeira em frente a Shen Yan, uma pequena mesa de centro entre eles. "Gostaria de beber algo?" perguntou Lu Chenzhou, o tom profissional e plano.
"Não, obrigado." Shen Yan acenou com a mão, dedos longos, unhas limpas. "É que... há algumas imagens na minha cabeça, piscando repetidamente. Alguns segundos antes da explosão, acho que vi a luz de emergência no corredor oeste piscar. Não era a piscada normal, era... três longas e uma curta, muito regulares." Enquanto falava, seus olhos fitavam Lu Chenzhou, o olhar concentrado, como se estivesse se esforçando para lembrar, ou observando cuidadosamente a reação.
"Três longas e uma curta." Lu Chenzhou repetiu, não como uma pergunta, apenas uma afirmação. Pegou a caneta sobre a mesa de centro, girando-a inconscientemente entre os dedos, tirando e recolocando a tampa. "O 'V' no código Morse, ou... algum tipo de sinal."
"O senhor também acha?" Shen Yan inclinou-se ligeiramente para frente, revelando uma excitação contida, como de alguém que encontrou um companheiro de pensamento. "Na hora já achei estranho. Mas foi muito rápido, a explosão veio. Sr. Lu, o senhor acha que isso poderia ter sido o assassino confirmando algo? Ou... dando um sinal para um cúmplice?"
"É possível." A caneta parou nos dedos de Lu Chenzhou. "A perícia no local coletou algumas fibras microscópicas no corredor que não foram produzidas pela explosão. Julgamento preliminar indica que são de tecido sintético de alta densidade, comumente usado em roupas de trabalho especializadas. Se combinado com um sinal... a ação seria mais precisa." Enquanto falava, seu olhar calmamente retribuía o de Shen Yan, como se estivessem apenas discutindo uma questão puramente técnica de investigação criminal.
O sorriso de Shen Yan se aprofundou um pouco, carregando uma intimidade quase de compartilhar um segredo.
Ele fez uma pausa, seu olhar passando por Lu Chenzhou e se fixando na densa noite lá fora. "Sr. Lu, você lidou com tantos casos, houve algum momento em que você quase pôde 'entender' o assassino? Não concordando com suas ações, mas entendendo por que ele chegou àquele ponto, entendendo a... lógica interna do mundo distorcido que ele construiu?"
O ar parou. Ao longe, o canto de um pássaro noturno, breve, solitário.
Lu Chenzhou ficou em silêncio por alguns segundos. A caneta em seus dedos parou completamente.
"Sim." Uma única palavra, suave, mas que ecoou com peso. "Entender é para decifrar. Não é para empatia." Sua voz estava estável. "Mesmo a imitação mais perfeita, a 'compreensão' mais profunda, deixará vestígios. Marcas biológicas únicas, memória muscular habitual, até mesmo... 'correções' presunçosas e inconscientes de alguma imperfeição no 'modelo'. Essas coisas ficarão na cena do crime, como impressões digitais."
Quando disse "marcas biológicas", seu tom era normal. Ao mencionar "impressões digitais", seu olhar pousou calmamente na mão direita de Shen Yan, que repousava naturalmente sobre seu joelho.
O dedo indicador da mão direita de Shen Yan contraiu-se imperceptivelmente. Tão leve que parecia um espasmo nervoso inconsciente.
O sorriso em seu rosto desapareceu lentamente, restando apenas um olhar calmo, quase vazio. Ele olhou para Lu Chenzhou por vários segundos. A luz do corredor refletia em seus olhos, mas não penetrava em suas profundezas.
"É verdade..." ele suspirou baixinho. "Uma maldição."
Apoiando-se no braço do sofá, ele se levantou com certa dificuldade e segurou firme a bengala. "Está tarde, o Sr. Lu também deve descansar. Obrigado pelo seu tempo." Caminhou em direção à porta, seus passos mais pesados do que quando chegou.
Lu Chenzhou levantou-se e acompanhou-o até a porta.
Shen Yan parou na entrada, sem se virar, sua voz baixa mas clara: "Sr. Lu, às vezes saber demais, especialmente... saber coisas que não deveriam ser conhecidas por 'forasteiros', pode ser muito perigoso. Mais perigoso do que enfrentar um assassino... Tome cuidado."
Ele abriu a porta e saiu. A porta se fechou lentamente diante de Lu Chenzhou.
No corredor, o som dos passos de Shen Yan gradualmente se afastou, até ser completamente engolido pelo carpete espesso.
Lu Chenzhou permaneceu onde estava, ouvindo aquele silêncio devorador. Três segundos depois, virou-se e voltou para o quarto, retirando o telefone criptografado do compartimento oculto da mochila.
A tela acendeu. Uma nova mensagem, de um número pré-definido.
Sem texto. Apenas uma coordenada de mapa e um horário:
**【Amanhã de manhã, 05:30】**
**【Estação Hidrológica Abandonada, Subúrbio Oeste, Ribeira do Rio】**
Ele fixou a coordenada, o polegar esfregando repetidamente a borda da tela. A noite lá fora era densa como tinta intransponível. Na direção do portão principal da Mansão Shen, à distância, vários feixes de faróis de repente varreram o muro da propriedade — não era um carro, eram vários, parados em silêncio, como feras adormecidas na escuridão.
Ele caminhou até a janela e ergueu um canto da cortina.
Lá embaixo, ao lado da estrada arborizada fora da via principal da Mansão Shen, estacionadas silenciosamente, havia três sedans pretos. Sem identificação, janelas com película escura. Os motores não estavam desligados, os escapamentos exalando fios de fumaça branca no ar frio da noite.
Não eram carros da família Shen. Os guarda-costas da família Shen não estacionariam ali, nem ficariam