Capítulo 67: Agitação sob a Geada
A luz fria da tela cobria o rosto de Lu Chenzhou como uma fina camada de geada.
Ele estava recostado na poltrona individual do quarto de hóspedes, a coluna ereta, a mão esquerda pressionando a dor surda sob as costelas. O polegar direito deslizava pela borda do tablet, as unhas ficando brancas nas pontas. Na tela, uma explosão silenciosa — uma foto borrada de Shen Yan, o rosto ensanguentado, sendo carregado para uma ambulância, acompanhada por um título escarlate: "Herdeiro do Clã Shen atacado à noite, disputa interna entre famílias poderosas acrescenta caso sangrento".
O dedo deslizou para cima.
"Investiguem o Clã Shen a fundo!" O primeiro comentário, o número de curtidas crescendo como uma bola de neve.
"A polícia precisa dar explicações!" O segundo, seguido por três emojis de fogo.
"Ouvi dizer que há um consultor que acabou de cumprir pena? Tem algo errado aí?" O terceiro.
O olhar de Lu Chenzhou pousou sobre esse comentário por dois segundos. Uma veia na têmpora pulsava levemente. Ele silenciou o som, buscando informações apenas pelo texto. O canto dos pássaros do lado de fora flutuava do jardim, claro e longo, formando um contraste estranho com as imagens horrendas na tela. Seu dedo deslizou sobre a tela de vidro, emitindo um leve som de atrito, como uma lâmina raspando no gelo.
Ele abriu a lista de tópicos em alta.
#Herdeiro do Clã Shen Atacado#, seguido por um caractere "explosão".
#Caso Sangrento de Família Poderosa# em terceiro lugar.
#Polícia Intervém# em sétimo, mas a seta era vermelha e apontava para cima.
O fluxo de informações era como uma enchente transbordante, carregando raiva, especulações, teorias da conspiração e fragmentos dispersos da verdade, derrubando o dique que o Clã Shen tentara erguer. Lu Chenzhou deslizou rapidamente, seu olhar varrendo comentários carregados de emoção, artigos sensacionalistas de mídias independentes, e questionamentos cautelosos mas direcionados da mídia tradicional. Seu rosto permanecia impassível, mas o canto esquerdo do olho começou a contrair-se levemente — um hábito deixado por uma lesão antiga, que sempre surgia sob pressão.
A bateria do tablet estava em apenas dezessete por cento.
Ele precisava ser rápido.
Seus dedos pausaram brevemente sobre as palavras-chave "intervenção policial", "verdade", "escândalo". O foco da opinião pública estava se inclinando de "disputa interna do Clã Shen" para "inércia policial" e "verdade sendo encoberta". Isso era bom, e também ruim. Bom porque a pressão começava a se voltar para Shen Moqing e o sistema; ruim porque — ele mesmo, aquele "consultor que cumpriu pena", estava se tornando um alvo vivo no olho do furacão.
A porta foi batida.
Não era a batida suave de uma empregada, mas três batidas secas e firmes. Lu Chenzhou deslizou o polegar, a tela se apagou. Ele enfiou o tablet na fresta entre o assento e o braço do sofá, o movimento calmo, sem ruídos desnecessários.
"Entre."
A porta se abriu. Era Lei Hu. O ex-soldado de forças especiais parado na porta, como um muro móvel. Ele vestia um terno preto, a gola bem fechada, as mãos pendentes ao lado do corpo, mas a linha dos ombros estava tensa como um arco esticado ao máximo.
"Sr. Lu." A voz de Lei Hu era grave, quase sem entonação, "O Sr. Shen me pediu para informá-lo que, dentro de uma hora, a polícia estará na sede do Grupo Shen para um interrogatório público. O senhor precisa comparecer na qualidade de consultor de segurança da família."
Lu Chenzhou olhou para ele.
"Interrogatório público?"
"Sim. A mídia também estará presente." Lei Hu fez uma pausa e acrescentou, "O Sr. Shen espera que o senhor possa 'lidar adequadamente' com a situação."
As palavras "lidar adequadamente" foram ditas lentamente. Cada uma como um pedaço de gelo caindo no chão.
Lu Chenzhou levantou-se do sofá. A dor sob as costelas fez seu movimento congelar por um instante, mas ele se controlou bem, apenas pressionando o local com a mão esquerda
As manchas roxas sob as costelas ficaram expostas, uma cor púrpura-escura que se destacava de forma especialmente gritante sobre a pele pálida. Ele fixou o olhar naquelas marcas por dois segundos, virou-se e entrou no banheiro. A torneira foi aberta, e a água fria bateu-lhe no rosto. Ele ergueu a cabeça e olhou para o rosto no espelho — olhos fundos, maçãs do rosto salientes, o canto do olho esquerdo ainda tremendo.
Ele puxou a toalha e secou o rosto.
De volta ao quarto, vestiu o terno cinza-escuro. A sensação do tecido friccionando a pele era estranha, como uma camada de armadura. Ajustou a gravata com movimentos precisos, sem um traço de agitação. Por fim, tirou de uma gaveta da mesa de cabeceira uma caneta — uma caneta esferográfica preta comum, capa de plástico, já mais da metade usada.
Ele colocou a caneta no bolso interno do paletó.
Em seguida, foi até a janela e olhou novamente para o jardim. O carro preto já estava estacionado lá embaixo, e Lei Hu estava ao lado do veículo, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo, como uma estátua.
A mão direita de Lu Chenzhou entrou no bolso e segurou a caneta.
A polpa dos dedos esfregou os sulcos na tampa da caneta, uma vez, duas vezes. Em sua mente, ele rapidamente revisou as informações conhecidas: os detalhes do ataque a Shen Yan (perda excessiva de sangue, inconsciência, em tratamento intensivo); o aviso em linguagem de sinais dado pela Sra. Wu quando foi levada ("perigo", "não procure"); a "morte acidental do médico legista Zhou" mencionada por Gu Zhixing no telefone; e a tempestade de opinião pública que se desenrolava neste momento.
E Qin Wangshu.
Ele teria que enfrentar, em uma hora, sob a dupla vigilância das lentes da mídia e dos informantes da família Shen, aquela mulher que um dia foi sua discípula e agora era sua "investigadora". Ele teria que responder às perguntas dela, enquanto enterrava, como minas terrestres, as duas informações letais — "a Sra. Wu sendo acusada" e "a morte do médico legista Zhou" — em meio a respostas aparentemente irrelevantes.
A tampa da caneta girou entre seus dedos.
Ele soltou a mão, e a caneta caiu de volta no fundo do bolso.
Então, ele se virou e caminhou em direção à porta. No instante em que sua mão segurou a maçaneta, ele hesitou por um momento. A dor sob as costelas ainda estava lá, mas ele já a havia empurrado para as profundezas de sua consciência. Ele puxou a porta, e a luz do corredor invadiu, ofuscante.
Lei Hu ergueu o olhar para ele.
"Vamos," disse Lu Chenzhou.
Sua voz era estável, sem nenhum traço de emoção discernível.
***
Quando o carro saiu pelos portões da mansão Shen, Lu Chenzhou fechou os olhos.
A luz do lado de fora da janela foi isolada, e o mundo se reduziu a um beco estreito. O cheiro de couro — aquele odor curtido, levemente frio, tratado de forma especial — envolveu-o. O carro estava tão estável que quase não se sentia vibração, apenas o zumbido baixo do motor, como a respiração de algum animal grande. A respiração dos dois guarda-costas no banco da frente era suave, mas sua presença era nítida. Um no banco do motorista, outro no do passageiro. O ângulo do espelho retrovisor cobria perfeitamente todo o seu rosto.
Ele precisava pensar. O tempo, como a areia em uma ampulheta, caía em segundos.
O carro seguia suavemente, a paisagem urbana do lado de fora da janela retrocedia em velocidade constante, desfocando-se em uma faixa fluida de luz. Lu Chenzhou, de olhos fechados, inclinou levemente a cabeça para trás, apoiando-a no apoio de cabeça de couro frio. A respiração era calma, o ritmo da elevação de seu peito quase em sincronia com o zumbido baixo do motor. Uma postura perfeita, de fadiga, de submissão.
Só ele sabia que, dentro de seu crânio, uma tempestade varria cada neurônio.
Os detalhes do ataque a Shen Yan não se reconstruíam como imagens, mas como um
Dez anos. A garota que costumava seguir atrás dele, com olhos brilhantes e perguntando incansavelmente: "Mestre, como se distingue o padrão de salpicos de baixa velocidade do de alta velocidade?", agora era vice-capitã da brigada de investigação criminal municipal. Ela liderara a busca em seu quarto de hotel, examinando seus pertences pessoais com um olhar profissional, inexpressivo, centímetro por centímetro. Ela conhecia todo o seu "histórico criminal", sabia como, na época, para salvar a vida da irmã, ao assinar aquela confissão, suas unhas se enterraram profundamente nas palmas das mãos, e o sangue que escorreu manchou as fibras do papel.
Ela ainda acreditava nele?
Ou, diante da enorme pressão da opinião pública, das leis de ferro do sistema e da "mancha" inapagável em sua própria pessoa, até que ponto ela poderia ir contra tudo aquilo a que servia, para acreditar em um antigo mentor que fora oficialmente rotulado como "falsificador"?
O carro fez uma curva, a força centrífuga pressionando-o levemente contra o encosto do banco. O coração batia pesado atrás das costelas, *tum, tum, tum*. Ele conseguia sentir claramente o local sob as costelas onde o atacante o atingira com o cotovelo; o hematoma sob a pele estava se formando, latejando de dor a cada pulsação. A dor era uma âncora, mantendo-o lúcido.
Ele não podia contar com a confiança de Qin Wangshu. Era um luxo excessivo e muito perigoso. Depositar esperanças na consciência não extinta ou em laços antigos de outra pessoa, num jogo deste nível, equivalia a suicídio.
Mas ele precisava transmitir uma mensagem. Wu Ma e a legista Zhou — esses dois nomes eram os elos mais frágeis, e até então os únicos conhecidos, conectando o ataque a Shen Yan ao caso antigo de dez anos atrás. O que Wu Ma vira que não deveria ter visto? O que a legista Zhou, na época, no laudo necroscópico da mãe de Shen Qinghuan, omitira ou fora forçada a alterar em detalhes cruciais? Ambas haviam se tornado riscos que precisavam ser "eliminados". Se a polícia — se Qin Wangshu — conseguisse investigar seguindo esses dois fios quase cortados...
Mas como transmitir?
Sob os olhares de todos, sob a vigilância aguçada de Gu Zhixing e dos advogados da família Shen, diante das lentes silenciosas mas ávidas dos repórteres. Cada palavra seria registrada, analisada, distorcida, amplificada. Ele não podia dizer diretamente: "Wu Ma foi controlada, a legista Zhou morreu, Shen Moqing está eliminando testemunhas". Isso não só provocaria imediatamente uma retaliação total da família Shen, como também bloquearia completamente qualquer possível ação de investigação discreta que Qin Wangshu pudesse tentar.
Ele precisava codificar. Tecer a informação crucial em declarações aparentemente irrelevantes e plausíveis, como envolver um veneno mortal em camadas de um revestimento inofensivo de açúcar.
"Recentemente, alguns funcionários antigos se desligaram por motivos de saúde ou familiares..."
"Incluindo uma empregada surda e muda, com mais de quinze anos de serviço, com dificuldades de comunicação..."
"Pode haver alguma confusão na transição, precisamos de tempo para organizar."
Isso. Exatamente assim. Mencionar "desligamento", sugerindo uma saída anormal. Enfatizar "quinze anos", destacando sua antiguidade e o volume de informações que poderia dominar. "Dificuldades de comunicação" — surda e muda. Essa era a característica mais marcante e impossível de disfarçar de Wu Ma, e também sua condição natural que a impedia de falar por si mesma. Qin Wangshu, com um mínimo de atenção aos registros de mudanças recentes de pessoal da família Shen, poderia identificar o alvo instantaneamente.
Quanto à legista Zhou...
Não podia mencionar o nome ativamente. Seria muito abrupto, a intenção seria óbvia demais. Mas, ao falar de "velhos conhecidos" ou "o que ouviu", poderia mostrar uma pena adequada, de alguém de fora. "Ouvi dizer recentemente que um velho conhecido, um médico de sobrenome Zhou, faleceu num acidente. A vida é imprevisível." O tom precisava ser plano, até com um ar de distanciamento reflexivo, como ao comentar uma notícia qualquer. Qin Wangshu entenderia. "Médico Zhou" somado a "acidente", mais a sensível posição e situação atual dele, Lu Chenzhou, seria suficiente para montar um claro sinal de alerta em sua mente.
A estratégia estava definida. Cooperação limitada, marcos de referência secret
"Chegamos, Sr. Lu." O motorista falou, sua voz tão estável que não traía a menor flutuação.
Lu Chenzhou abriu lentamente os olhos.
Todos os pensamentos turbulentos, cálculos e hesitações no fundo de seus olhos foram instantaneamente suprimidos nas profundezas de um lago gélido e insondável. Seu rosto não mostrava nenhuma expressão supérflua. Ele apenas ergueu a mão e ajustou com extrema naturalidade a manga de sua camisa, já impecavelmente alinhada, antes de empurrar a porta pesada do carro.
O ar frio e duro, carregado da umidade característica de espaços subterrâneos, atingiu seu rosto. A garagem era vasta, e os passos ecoavam com clareza. À distância, a luz indicadora do elevador brilhava com um verde espectral, como um olho silencioso e observador.
Ele seguiu em frente, a coluna vertebral ereta.
Os saltos dos sapatos de couro batiam no piso de concreto, produzindo um som claro e solitário. Tac, tac, tac. Cada passo o aproximava mais daquele palco público de execução, iluminado por luzes ofuscantes, repleto de lentes, onde mentiras e verdades se entrelaçavam, e era difícil distinguir amigos de inimigos.
A porta do carro atrás dele foi fechada, o som da tranca sendo acionada era seco e decisivo, provocando um breve eco na garagem vazia.
O mundo se fechou perfeitamente atrás dele. À frente, estavam os holofotes cortantes como lâminas e, sob aquela luz, aquele que ele teria que enfrentar, negociar e tentar transformar em aliado em meio ao desespero — seu antigo aprendiz.
A luz branca do teto da sala de reuniões era ofuscante. A superfície lisa e polida da longa mesa de madeira refletia as silhuetas, como um lago escuro. Lu Chenzhou estava sentado de um lado; em frente, Qin Wangshu e dois investigadores criminais, enquanto a caneta do relator raspava suavemente contra o papel. Atrás, jornalistas de alguns veículos de mídia autorizados a entrar montavam seus equipamentos, as lentes silenciosamente apontadas para ele.
Gu Zhixing estava sentado na diagonal atrás de Lu Chenzhou, seu olhar por trás dos óculos de aro dourado era calmo, mas parecia uma cerca invisível.
"Sr. Lu," Qin Wangshu abriu uma pasta, sua voz clara e estável, "por favor, confirme novamente: na noite em que o Sr. Shen Yan foi atacado, qual foi a última vez que o viu, e onde?"
As perguntas começaram. Cada palavra seguia uma trilha pré-estabelecida.
A fala de Lu Chenzhou era moderada: "Por volta das 21h40, no corredor fora do escritório no segundo andar da mansão. Ele estava prestes a se retirar para seu quarto para descansar; trocamos algumas palavras breves."
"O conteúdo da conversa?"
"Sobre a agenda da reunião do conselho no dia seguinte. Ele mencionou que um relatório de ativos no exterior precisava ser revisado."
"Qual era seu estado mental naquele momento? Havia algo anormal?"
"Não." Lu Chenzhou fez uma pausa de meio segundo. "Ele parecia um pouco cansado, mas nada fora do comum."
A caneta de Qin Wangshu parou por um instante. Ela ergueu os olhos, seu olhar encontrando o de Lu Chenzhou antes de rapidamente baixá-los novamente. "De acordo com os registros de segurança, entre 22h e 23h daquela noite, houve uma interrupção anormal de três minutos nas câmeras do lado leste da mansão. O senhor tem conhecimento disso?"
"Não tenho." Lu Chenzhou respondeu. "A segurança é de responsabilidade direta do Advogado Gu."
Gu Zhixing interveio no momento apropriado, sua voz suave: "Foi uma falha técnica. Um relatório detalhado já foi submetido. A polícia pode consultá-lo a qualquer momento."
Qin Wangshu não olhou para ele, continuando a questionar Lu Chenzhou: "O Sr. Shen Yan teve recentemente algum conflito ou desentendimento com membros da família?"
"Pelo que sei, não." A ponta dos dedos de Lu Chenzhou pressionou levemente a palma da mão sob a mesa. "O Sr. Shen Yan sempre foi gentil e compreensivo com os outros. Os assuntos familiares são atualmente conduzidos principalmente pelo Sr. Shen Moqing; não há divergências públicas entre os irmãos."
Ele mencionou o nome de Shen Moqing. Cada sílaba, clara e distinta.
O olhar de Gu Zh
"Dr. Zhou Zhengping," disse Lu Chenzhou. "Muitos anos atrás, tive alguns encontros com ele devido ao trabalho. Ouvi dizer que faleceu subitamente de uma doença aguda em casa. A vida é imprevisível."
Dr. Zhou. Morte por doença aguda.
Os olhos de Qin Wangshu congelaram. Foi uma paralisia extremamente breve, como rachaduras no gelo, rapidamente coberta por uma calma profissional. Mas ela não perguntou imediatamente. Em vez disso, fechou a pasta e recostou-se levemente.
Esse gesto significava o fim temporário da linha atual de questionamento.
E também significava que ela havia entendido.
Nesse momento, um telefone fixo no canto da sala de reuniões, usado para backup de gravação, tocou estridentemente.
O som agudo do sino rasgou o silêncio tenso. Todos estremeceram. Qin Wangshu franziu a testa e fez um sinal para o policial ao seu lado. O jovem policial levantou-se para atender, mas assim que sua mão tocou o receptor, o toque cessou abruptamente.
Em seguida, das caixas de som embutidas na parede da sala de reuniões, ecoou uma voz eletrônica, claramente distorcida por um modificador de voz, rouca e distorcida:
"Lu Chenzhou."
A voz não era alta, mas reverberou na sala de reuniões vazia. As lentes dos repórteres giraram instantaneamente na direção da fonte do som e depois de volta para o rosto de Lu Chenzhou.
A voz eletrônica continuou, palavra por palavra, como engrenagens enferrujadas se arrastando:
"Pessoas que falam demais geralmente morrem rápido. O Dr. Zhou é um exemplo. Quem será o próximo?"
Após as palavras, um silêncio mortal.
Um silêncio prolongado. As câmeras dos celulares dos repórteres se voltaram em uníssono para Lu Chenzhou. Os flashes começaram a disparar, a luz branca como punhais perfurando-o. A mão de Lu Chenzhou sob a mesa fechou-se instantaneamente, as unhas cravando-se na palma. Uma dor aguda surgiu na antiga ferida sob suas costelas, como se o prego estivesse girando sob sua pele.
Mas em seu rosto havia apenas um choque e perplexidade moderados. Ele virou-se para Qin Wangshu, com uma tensão perfeitamente medida em sua voz: "Isso é..."
"Claramente uma intimidação grosseira," interrompeu Gu Zhixing, sua voz recuperando a estabilidade. Ele se dirigiu às câmeras com postura descontraída. "O Grupo Shen condena veementemente este comportamento e cooperará plenamente com a polícia na investigação. Isso apenas prova que alguém está tentando interferir na investigação e confundir o público."
Qin Wangshu levantou-se. Seu movimento era lento, como se reprimindo uma emoção prestes a explodir. "O interrogatório está suspenso," disse, sua voz fria e dura. "Técnicos, rastreiem a fonte do áudio. Todos, coloquem os celulares no silencioso. Gravações ou filmagens sem permissão são proibidas."
A sala de reuniões entrou em agitação. Repórteres sussurravam, policiais agiam rapidamente.
Lu Chenzhou também se levantou. Seu olhar encontrou o de Qin Wangshu brevemente — apenas uma fração de segundo — mas ele viu aquele lampejo familiar de agudez no fundo de seus olhos, como uma lâmina sob o gelo. Então ela desviou o olhar e começou a comandar a equipe para controlar a cena.
No meio do caos, Qin Wangshu "acidentalmente" derrubou a meia xícara de café ao seu lado.
O líquido marrom derramou-se, transbordou da borda da mesa e caiu no carpete escuro, formando uma mancha. A caixa de lenços de papel foi derrubada e rolou até a mão de Lu Chenzhou. Ela se curvou para pegá-la, seus movimentos um pouco apressados.
Lu Chenzhou também se inclinou, pegando alguns lenços para limpar os respingos em sua manga. Seus dedos pausaram por um instante entre os lenços, tocando aquele mais interno — dobrado de forma anormalmente ordenada, as bordas secas, completamente diferente dos lenços úmidos ao redor.
Ele o pegou na palma da mão.
O movimento foi fluido e natural, como se tivesse apenas pegado um lenço a mais. Endireitou-se, jogou os lenços molhados no lixo, e aquele papel seco e dobrado deslizou silenciosamente para o bolso interno de seu pal
O carro saiu do estacionamento subterrâneo e se fundiu ao fluxo de veículos da tarde. A luz do sol atravessava a janela, projetando manchas claras e escuras alternadas em seu rosto. Ele mantinha os olhos fechados, a respiração estável, como se estivesse realmente descansando.
Até que o carro entrou em um túnel.
No instante em que a escuridão engoliu o interior do veículo, Lu Chenzhou abriu os olhos. As luzes no teto do túnel passavam em uma frequência fixa, como um batimento cardíaco regular e gelado. Aproveitando essa luz intermitente, ele tirou do bolso interno aquele pedaço de papel.
Desdobrou-o.
Na camada interna do lenço de papel, escrita com lápis de forma extremamente suave, havia uma linha de letras, com uma caligrafia tão meticulosa que beirava a rigidez:
«Sanatório Jing'an (77 Rua Longquan, Subúrbio Norte). Este local pode estar relacionado. Não entre em contato direto. Cuide-se.»
As duas últimas palavras estavam escritas com uma pressão especialmente forte, a ponta do lápis quase rasgando a superfície do papel.
Lu Chenzhou encarou aquela linha de palavras. As luzes do túnel passavam repetidamente, as letras surgindo e desaparecendo entre a claridade e a escuridão. Sanatório Jing'an... Tia Wu foi enviada para "recuperação" lá? Ou será que algo mais estava escondido naquele lugar? A verdade por trás da morte de Zhou Zhengping? Ou talvez — a fonte real da podridão que começou por trás daquela "confissão" de anos atrás?
Ele se lembrou do último olhar de Qin Wangshu. A lâmina sob a camada de gelo.
Cuide-se.
Essas duas palavras não tinham poder real algum. Não podiam bloquear balas, nem provar inocência. Mas depois de passar pela humilhação pública, pela ameaça de morte exposta, e pelo confronto gelado como uma lâmina com seu antigo aprendiz, essas duas palavras, vindas do campo oposto, da pessoa que ele mais conhecia e mais desconhecia, transmitidas sob enorme risco, eram como uma minúscula faísca, caindo sobre as cinzas de sua vontade quase congelada.
Sem calor, sem promessas.
Apenas uma confirmação fria — nessa estrada escura e solitária, ele não estava cem por cento sozinho. Pelo menos, ainda havia alguém que se lembrava que seu nome era Lu Chenzhou, e não "aquele falsificador".
Lu Chenzhou dobrou o lenço de papel novamente e o apertou na palma da mão. A borda do papel pressionava sua pele, trazendo uma dor sutil e persistente.
O carro saiu do túnel, a luz do sol irrompendo novamente. Ele fechou os olhos, mas aquela pontada na palma da mão se espalhou, subindo pelos vasos sanguíneos, queimando até o fundo do coração.
Sanatório Jing'an.
77 Rua Longquan, Subúrbio Norte.
O próximo campo de batalha já estava iluminado no mapa. E a pessoa que entregou o mapa, afinal, lhe deu um caminho para a sobrevivência, ou a entrada para outra armadilha mais requintada?
Ele não sabia.
Ele só sabia que a mão que segurava a lâmina não podia mais tremer.