Capítulo 25: Lua Fria Como Navalha, Suspeitas na Velha Fábrica
Aquela luz da lua era como uma lâmina de cortar papel gelada, cortando obliquamente o chão, imóvel.
Lu Chenzhou a encarou até que as bordas de sua retina começaram a arder.
Na sala, a respiração de Gu Zhixing permanecia estável, como uma máquina programada, com um ritmo precisamente desconfortável. Mas Lu Chenzhou sabia que aquela máquina estava acordada. Desde o momento em que ele abriu os olhos, a respiração vinda do sofá havia desacelerado quase imperceptivelmente por uma fração de segundo — Gu Zhixing também estava ouvindo.
Ele se sentou na cama, e as molas do colchão emitiram um leve gemido.
"Senhor Lu?" Veio a voz da sala, com uma rouquidão adequada de quem acabou de acordar, sem falhas. "Ainda não amanheceu."
"Não consigo dormir", disse Lu Chenzhou. Ele saiu da cama, pés descalços no chão frio, a sensação gelada subindo pelas solas. Caminhou até a janela e abriu a cortina.
Quatro e vinte e sete da manhã. A cidade ainda dormia, os postes de luz se dissolviam em manchas amareladas na névoa fina. A rua estava vazia, apenas um gato vadio atravessou a rua rapidamente e desapareceu na boca de um beco.
Gu Zhixing também se levantou, parado na sombra do corredor entre a sala e o quarto, como uma estátua silenciosa. Já estava de camisa, gola impecável, até os punhos estavam perfeitamente abotoados. Como se estivesse sempre pronto para partir, ou para executar uma ordem.
"A agenda marca nove horas", disse Gu Zhixing, tom suave, como se estivesse lembrando um colega esquecido. "Oeste da cidade, número 127 da Guangming Road, antigo local da Fábrica de Impressão Xinhua. Ainda temos tempo para descansar."
Lu Chenzhou não se virou. Seu olhar pousou na distância, além da janela, onde um contorno mais denso que a noite se delineava — uma área contínua de antigas fábricas, como uma fera gigante rastejante. "A fábrica de impressão", repetiu ele, ritmo constante, "há quantos anos parou de funcionar?"
"Foi completamente fechada em 2008", respondeu Gu Zhixing rapidamente, dados precisos. "Agosto de 2008. A liquidação dos ativos arrastou-se por dois anos, foi colocada à venda em 2010, mas nunca houve comprador. A propriedade do terreno é complexa, há questões históricas pendentes."
"Você já foi lá?"
"Não", disse Gu Zhixing. "Mas os materiais fornecidos por Shen Yansheng são muito detalhados. Planta da área fabril, histórico, até a lista dos principais equipamentos da época, tudo está anexado no arquivo." Ele fez uma pausa e acrescentou: "Shen Yansheng espera que o senhor possa trabalhar com eficiência, sem perder tempo verificando informações básicas."
Muito atencioso.
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se quase imperceptivelmente. Ele se virou e olhou para Gu Zhixing. Na sombra, o contorno do rosto do outro homem era indistinto, apenas as lentes de seus óculos refletiam a fraca luz da janela, como duas estrelas geladas.
"Os materiais mencionam", perguntou Lu Chenzhou, voz baixa, mas cada palavra clara, "o que foi a última coisa impressa pela fábrica antes do fechamento?"
Gu Zhixing ficou em silêncio.
O silêncio foi breve, durou talvez o intervalo de uma respiração. Mas Lu Chenzhou o capturou — uma estagnação sutil, como uma engrenagem de repente presa em um encaixe inesperado.
"Devem ter sido... alguns recibos comerciais esporádicos e panfletos promocionais", disse Gu Zhixing, tom recuperando a estabilidade. "É coisa de muito tempo atrás, o conteúdo específico é difícil de verificar."
"É mesmo", disse Lu Chenzhou. Ele não insistiu, dirigiu-se ao banheiro. Abriu a torneira, água fria respingou em seu rosto, o frio penetrante o despertou completamente. No espelho, o homem tinha sombras leves sob os olhos, mas o olhar era como o fio de uma lâmina temperada.
Ele secou o rosto, voltou ao quart
Gu Zhixing dirigia um Passat preto, com placa comum e interior absurdamente limpo — até o cinzeiro não tinha uma partícula de cinzas. Lu Chenzhou sentou-se no banco do passageiro, e ao afivelar o cinto de segurança, a ponta dos dedos esbarrou inadvertidamente no lado do assento — a textura do couro era fina e uniforme, mas próximo à emenda junto à porta, havia uma pequena área um pouco mais escura, como se tivesse sido repetidamente limpa com algum solvente.
Ele retirou a mão e olhou pela janela.
O carro saiu do condomínio e se juntou ao tráfego esparso da manhã. Gu Zhixing dirigia com extrema suavidade, quase nunca ultrapassando, sempre sinalizando ao mudar de faixa, como um motorista modelo. O rádio do carro estava sintonizado na frequência de trânsito, onde uma locutora com voz melosa relatava as condições das vias.
"Vire à direita à frente, para a elevada", disse Gu Zhixing.
"Vá pela via de baixo", disse Lu Chenzhou.
"A elevada é mais rápida."
"Quero ver o caminho pelo caminho." O tom de Lu Chenzhou não deixava espaço para negociação. "Especialmente o trecho próximo à gráfica."
Gu Zhixing olhou para ele pelo retrovisor, mas não insistiu. Girando o volante, o carro entrou na via auxiliar.
Quanto mais se dirigiam para o oeste da cidade, mais decadentes as ruas pareciam. Os prédios residenciais antigos dos anos 90 tinham fachadas manchadas, grades de proteção enferrujadas, e varandas abarrotadas de tralha. Os fogareiros das barracas de café da manhã soltavam fumaça branca no ar frio da manhã, e o aroma de *youtiao* misturava-se ao cheiro de fumaça de carvão que entrava no carro.
Lu Chenzhou abaixou a janela, deixando os odores invadirem.
Ele estava cheirando.
Poeira, fumaça de carvão, comida, e um leve odor ácido, semelhante a matéria-prima química, vindo de longe. Era o cheiro da antiga zona industrial.
Às sete e dez, o carro virou para a Rua Guangming. A rua era estreita, ladeada por altas árvores *wutong*, com folhagem densa que bloqueava a luz do sol, dando a toda a rua uma atmosfera sombria e deprimente. O número 127 não tinha placa de identificação, apenas um grande portão de ferro ornamentado, severamente corroído, embutido obliquamente em um muro de tijolos vermelhos coberto de trepadeiras.
O cadeado de corrente que deveria estar no portão havia desaparecido.
No ponto de ruptura, o brilho metálico novo refletia levemente sob a luz da manhã, como uma ferida recém-cicatrizada. A corrente caía no chão, a grama ao redor estava pisoteada e amassada — havia marcas claras de pegadas, não de uma só pessoa, desordenadas, mas todas apontando na mesma direção: para dentro do portão.
O tempo era recente, não mais que vinte e quatro horas.
Gu Zhixing estacionou o carro e desceu primeiro. Ele se aproximou do portão e empurrou. O portão de ferro emitiu um rangido pesado e estridente — "creeeek" — e abriu lentamente uma fenda para dentro. Os gonzos, carentes de óleo, rangiam de forma seca e desagradável.
"Parece que alguém chegou antes de nós", disse Gu Zhixing, voltando-se com uma expressão de surpresa perfeitamente medida. "Será que foram catadores? Ou moradores de rua da região?"
Lu Chenzhou não respondeu. Ele se aproximou do portão, agachou-se e varreu o chão com o olhar.
As pegadas eram muito variadas, com padrões de sola diferentes. Mas ele notou que, nas bordas daqueles rastros desordenados, havia alguns pontos particularmente nítidos — a parte dianteira da sola estava funda, o calcanhar raso, com passadas largas. Estas eram deixadas por alguém se movendo rapidamente, e a pessoa tinha o centro de gravidade estável, não era um morador de rua andando sem rumo.
Ele pegou o celular, abriu a câmera, ajustou para o modo macro e pressionou o botão do obturador
O mundo dentro do portão parecia ter sido pausado pelo tempo. Grama alta até a cintura afogava o antigo caminho de concreto. As enormes fábricas abandonadas pareciam bestas de aço mortas, agachadas em silêncio no crepúsculo da manhã. Quase todos os vidros das janelas estavam quebrados, as aberturas escuras como inúmeros olhos cegos. O ar estava impregnado de um cheiro complexo — o odor terroso da poeira acumulada por anos, o azedume mofado de papel apodrecido e um cheiro metálico, extremamente fraco mas inegavelmente presente, semelhante ao de óleo de máquina evaporado.
Esse cheiro estava errado.
Numa gráfica totalmente abandonada há mais de uma década, mesmo que houvesse óleo residual, ele já teria evaporado há muito tempo. Esse odor fresco e ligeiramente irritante só poderia ter sido trazido por atividade recente.
A respiração de Lu Chenzhou ficou pesada. Ele nivelou os ombros, assumindo uma postura de combate.
Ele seguiu cautelosamente ao longo de um rastro de passos achatados. Gu Zhixing seguiu a meio passo atrás dele, seus passos leves, mas sempre mantendo aquela distância, como uma sombra impossível de se livrar.
Após caminhar cerca de cinquenta metros, os grandes portões da fábrica principal apareceram à frente. Eram dois portões pesados de metal que se abriam para os lados, um deles entreaberto. Na fenda do portão, havia uma escuridão profunda e impenetrável.
"Deve ser aqui", disse Gu Zhixing, acelerando o passo para ultrapassar Lu Chenzhou e estendendo a mão para empurrar o portão entreaberto. "A área central marcada no cronograma, a oficina principal de impressão daquela época..."
Sua mão parou no ar.
A voz de Lu Chenzhou veio de trás, gelada, calma, como se estivesse declarando uma lei da física.
"Não toque."
A mão de Gu Zhixing congelou.
"A maçaneta", disse Lu Chenzhou, apontando a lanterna para a parte inferior do portão de metal. "Meio metro abaixo, no lado direito, perto do eixo da porta. Vê o reflexo?"
Gu Zhixing apertou os olhos. Sob o feixe concentrado da lanterna, no chão perto do eixo da porta, havia um fio de nylon extremamente fino, quase transparente. Uma extremidade estava amarrada a um parafuso discreto na base do eixo da porta, a outra desaparecia na vegetação rasteira na entrada. A linha estava posicionada muito baixa, uma pessoa normal empurrando a porta nunca a notaria. Mas se a força fosse um pouco maior, movendo o eixo...
"Fio armadilha", disse Gu Zhixing, retirando a mão, sua voz sem emoção. "Primitivo, mas eficaz."
"Não só isso", disse Lu Chenzhou, movendo a luz da lanterna para cima, iluminando a parte interna superior da moldura da porta. Lá, a distribuição da poeira mostrava uma descontinuidade não natural, uma pequena área estava anormalmente limpa, como se tivesse sido esfregada repetidamente por algo. "Pode haver um dispositivo de alerta conectado acima, ou algo mais simples — um balde de sujeira colocado no topo da porta. Empurre a porta, o fio se rompe, a coisa cai." Ele fez uma pausa. "Não é para matar, é para fazer barulho, sujar as roupas, ou... deixar uma marca."
Ele virou a cabeça e olhou para Gu Zhixing.
A luz da manhã incidiu obliquamente no rosto de Gu Zhixing. As lentes de seus óculos refletiam a luz, obscurecendo seus olhos. Mas Lu Chenzhou notou que seu pomo de Adão se moveu, extremamente levemente.
"Parece", disse Gu Zhixing lentamente, seu tom retomando aquela suavidade profissional, "que realmente há alguém que não quer que investiguemos em silêncio. Sr. Lu, seu julgamento foi preciso. Este lugar é uma armadilha."
"É mesmo?", disse Lu Chenzhou. Ele não olhou mais para o portão, nem para Gu Zhixing, em vez disso, direcionou seu olhar para uma janela quebrada na lateral da fábrica. "Já que a porta da frente tem uma 'cerimônia de boas-vindas', vamos entrar de outra maneira."
Ele caminhou em direção àquela janela, seus movimentos decisivos, sem a menor hesitação.
Gu Zhixing ficou parado, observando suas costas. Alguns segundos depois, finalmente levantou o pé e seguiu-o. Seus passos ainda eram firmes, mas sua mão direita, instintivamente, tocou o local do bolso interno do paletó.
Lá
“A distribuição da poeira aqui não está correta.” A voz de Lu Chenzhou era calma, como se estivesse afirmando um fato objetivo. “A poeira naturalmente acumulada teria variações de espessura, ficando mais grossa perto das paredes e da base das máquinas. Mas olhe para aquela área—”
Ele varreu o chão com o feixe de sua lanterna.
Onde a luz atingia, a espessura da poeira era quase uniforme, como um tapete cinza cuidadosamente estendido. Mais crucial ainda, perto do canto da parede, havia alguns rastros de arrasto muito superficiais, quase cobertos por poeira nova — não eram sulcos profundos deixados por algo pesado, mas pareciam mais com alguém que tivesse alisado suavemente algo com uma vassoura.
A respiração do assistente tornou-se mais audível no silêncio.
“Talvez... os trabalhadores da fábrica tenham limpado antes?” O tom do assistente carregava uma ponta de incerteza. “Afinal, está abandonada há tantos anos, é normal que alguns lugares estejam mais limpos.”
“Limpar?” Lu Chenzhou repetiu a palavra, um leve tremor no canto do olho esquerdo. “Quem se daria ao trabalho de limpar especificamente um canto de uma fábrica abandonada, mas deixaria o resto coberto de poeira?”
Ele não esperou pela resposta do assistente. Em vez disso, agachou-se, fingindo amarrar o cadarço do sapato.
O movimento era natural, como um ajuste que qualquer um faria após uma longa caminhada. Mas no instante em que se agachou, o celular já havia deslizado do bolso, a câmera frontal silenciosamente apontada para aquele canto. A imagem na tela estava um pouco turva sob a luz fraca, mas era o suficiente para ele discernir os detalhes —
Na sombra do monte de máquinas abandonadas no canto, havia um reflexo muito tênue.
Não era a luz natural refletida por uma lasca de metal enferrujado, mas algo mais regular, mais intencional. Podia ser um fio de armadilha, ou a lente de uma microcâmera. A posição do reflexo era baixa, quase rente ao chão. Desse ângulo, era impossível não notar.
Lu Chenzhou levantou-se, espanando o pó da perna da calça.
“Vamos primeiro verificar a caixa de distribuição elétrica,” ele disse, seu tom não revelando nada de anormal. “O layout elétrico dessas fábricas antigas geralmente reflete o fluxo de produção da época. Talvez possamos encontrar uma pista.”
“Mas aquele canto...” o assistente começou, sem terminar.
“Sem pressa.” Lu Chenzhou já havia se virado e caminhava em direção ao outro lado da fábrica, seus passos firmes. “Seguindo o procedimento, primeiro o macro, depois o micro.”
Ele ouviu atrás de si um suspiro muito leve, quase absorvido pela poeira.
A caixa de distribuição ficava na parede leste da fábrica, um gabinete de metal severamente corroído, com a porta entreaberta. Os fios expostos dentro se entrelaçavam como videiras secas. Lu Chenzhou, com luvas, iluminou cuidadosamente o interior do gabinete com a lanterna — poeira, teias de aranha, alguns insetos ressequidos.
Mas no fundo do gabinete, um tijolo solto chamou sua atenção.
A poeira nas bordas do tijolo mostrava sinais de ter sido mexida — recentes —, e na junta do tijolo ainda restavam alguns grânulos finos de cimento. Ele pressionou a superfície do tijolo com o feixe da lanterna e pôde ver um arranhão superficial, deixado por alguma ferramenta.
“O Sr. Lu encontrou algo?” A voz do assistente soou de repente perto de seu ouvido.
Ele estava muito perto.
Tão perto que Lu Chenzhou podia sentir o cheiro do detergente de roupa excessivamente limpo que ele usava, em desarmonia com o ar mofado da fábrica. Tão perto que podia sentir a corrente de ar de sua respiração — quente, ofegante.
“Um tijolo solto,” Lu Chenzhou não se virou, sua voz ainda calma. “Pode ter sido roedores, ou outra coisa.”
Com a ponta do dedo enluvado, ele pressionou levemente a borda do tijolo, sem força, apenas sondando. O tijolo balançou, e de baixo veio um eco oco.
A respiração do assistente ficou mais pesada.
“Vamos... vamos tirar para ver?” Sua voz carregava uma excitação deliberada. “Quem sabe não há algo escondido embaixo!”
Lu Chenzhou não se move
Ele apontou a luz da lanterna de lado, deixando-a penetrar o plástico e iluminar o conteúdo interno. O papel era comum, folha A4 impressa, contendo tabelas e dados, com o cabeçalho escrito "Fluxo de Fundos do Projeto do Terceiro Trimestre de 2007 do Grupo Zhao". E aquela foto—
Sua respiração parou por um instante.
A foto era colorida, mas a resolução não era alta, parecia ter sido capturada de uma gravação de vigilância e ampliada para impressão. A imagem mostrava as costas de um homem, usando uma jaqueta escura, caminhando rapidamente por um beco. A estrutura corporal do homem, sua postura ao andar, até mesmo o leve arqueamento dos ombros…
Era idêntico ao informante "Old K" de dez anos atrás.
"O que é isso?" O assistente se aproximou, sua voz carregada de uma surpresa exagerada. "A pessoa nesta foto… não teria relação com o caso de Zhao Mingcheng? E esses registros de fluxo de fundos, Sr. Lu, isso pode ser uma descoberta importante!"
Enquanto falava, sua mão se estendeu em direção ao saco selado.
"Não toque." A voz de Lu Chenzhou ficou fria.
A mão do assistente parou no ar.
"Isso é uma falsificação." Disse Lu Chenzhou, movendo lentamente o feixe de luz da lanterna sobre o saco selado. "As letras na fita adesiva da vedação são dos suprimentos de escritório mais comuns do mercado, que podem ser comprados em qualquer papelaria. Mas a fita de vedação de evidências usada pela polícia é de uma versão especial, com códigos antifalsificação e abreviações da unidade."
Ele fez uma pausa, o feixe de luz parando sobre os papéis dentro do saco.
"Olhe para esses 'registros de fluxo de fundos'. Em 2007, o Grupo Zhao ainda usava impressoras de agulha antigas para relatórios financeiros, a fonte era de matriz de pontos, com bordas irregulares. Mas estas—" Sob a luz, o brilho da tinta impressa era excessivamente suave e uniforme, "—foram impressas a laser, e com um modelo de alta resolução que só se popularizou nos últimos cinco anos."
Os lábios do assistente se moveram, mas nenhum som saiu.
"Quanto a esta foto." A luz da lanterna de Lu Chenzhou pressionou a borda da foto. "A pixelização borrada não é um problema da gravação de vigilância; foi um desfoque gaussiano aplicado intencionalmente, sobreposto com uma camada de filtro de ruído. O objetivo é esconder os traços de montagem — veja o ângulo da luz entre a silhueta da pessoa e o fundo, a direção da sombra de Fang Mu difere em pelo menos quinze graus."
A fábrica ficou tão silenciosa que se podia ouvir a poeira assentando.
Alguns segundos depois, o assistente deu uma risada seca: "O Sr. Lu é realmente… observador. Mas, e se tudo isso for apenas uma coincidência? Talvez alguém realmente tenha escondido essas coisas aqui, esperando que as encontrássemos…"
"Coincidência?" Lu Chenzhou finalmente virou a cabeça e olhou para ele.
O feixe de luz da lanterna vinha de baixo, projetando sombras profundas em seu rosto. Seus olhos brilhavam intensamente na escuridão, como os de um animal noturno.
"As pegadas ao redor do tijolo, tamanho 42, passo de 65 centímetros, centro de gravidade na parte frontal do pé — características de alguém que trabalha há muito tempo em ambientes internos e tem o hábito de se mover rapidamente. As pegadas são recentes, a poeira ainda não teve tempo de se reassentar." A voz de Lu Chenzhou era medida, cada sílaba como um prego sendo cravado. "E seus sapatos são exatamente do tamanho 42."
O sorriso no rosto do assistente congelou.
"E mais." Lu Chenzhou continuou, o feixe de luz varrendo a pilha de máquinas no canto. "A poeira naquele canto está uniforme demais, porque alguém a varreu cuidadosamente com uma vassoura de cerdas macias, para esconder os rastros deixados ao instalar armadilhas ou dispositivos de monitoramento. Mas quem varreu esqueceu que a distribuição das partículas de poeira natural e da poeira varrida artificialmente é diferente — a poeira natural se estratifica pela gravidade, partículas grossas embaixo, finas em cima; já a poeira varrida tem partículas grossas e finas misturadas."
Ele deu um passo à frente.
Instintivamente, o assistente recuou, seu calcanhar
“Você não pode tirar fotos!” Ele subitamente elevou o tom, estendendo a mão para tentar arrancar o celular. “Este é um local de investigação, fotografar sem permissão é uma violação das regras—”
“Violação das regras?” Lu Chenzhou desviou o corpo, evitando sua mão, e já havia guardado o celular no bolso. “E quanto a forjar evidências, preparar armadilhas, com a intenção de incriminar investigadores, isso conta como o quê?”
Ele se virou, o feixe da lanterna varrendo o rosto do assistente como um holofote.
“De acordo com o Artigo 307 do Código Penal, forjar evidências em circunstâncias graves resulta em pena de prisão de até três anos. Se causar consequências graves — como levar a casos de injustiça, falsas acusações ou erros judiciais — a sentença pode chegar a sete anos.” A voz de Lu Chenzhou era fria como se estivesse lendo uma sentença judicial. “E você, como executor direto, é cúmplice.”
A respiração do assistente parou.
Alguns segundos de silêncio mortal. Do fundo do galpão veio um som leve, como um *clique* de metal enferrujado descascando, mas naquele silêncio tenso, soava como algum tipo de sinal.
Então, o assistente riu.
Não era aquele riso anterior, fingido de entusiasmo ou agitação, mas um riso frio, após despir todas as máscaras. Sua postura se endireitou, o brilho vacilante em seus olhos desapareceu, substituído por uma calma quase mecânica.
“O senhor Lu realmente vive à altura de sua reputação.” Ele disse, sem nenhuma flutuação no tom. “Mas o senhor já pensou que, se eu consegui atraí-lo até aqui, naturalmente também tenho meios para impedi-lo de levar essas ‘evidências’?”
Lu Chenzhou não respondeu.
Sua mão já havia tocado a parte inferior das costas — lá estava presa uma lanterna de alta potência, a carcaça de metal gelada. A outra mão deslizou silenciosamente para o bolso e pressionou o botão de gravação de emergência do celular.
“Você pode tentar.” Ele disse.
Os dois se encararam no galpão escuro. A poeira girava lentamente dentro do feixe de luz, como uma nevasca silenciosa. Nas sombras da pilha de máquinas abandonadas ao longe, aquele reflexo extremamente fino ainda estava lá, como um olho gelado, observando tudo.
Então, de um local ainda mais profundo do galpão, veio um segundo ruído anormal.
Desta vez não era metal enferrujado, mas algo mais pesado — como uma tábua sendo pisada e quebrada, ou um objeto pesado caindo. O som era abafado, com eco, vindo das profundezas mais escuras do galpão.
O rosto do assistente mudou ligeiramente.
Apesar de seu esforço para controlar, Lu Chenzhou capturou aquele instante de rigidez — não era um som planejado.
“Parece,” Lu Chenzhou disse lentamente, seu olhar voltado para a direção de onde o som vinha, “que seu cúmplice, ou a pessoa por trás de você, preparou outra surpresa.”
Ele deu um passo à frente.
“Senhor Lu!” A voz do assistente carregou, pela primeira vez, uma urgência genuína. “Não pode ir lá! A estrutura no fundo do galpão é instável, pode ser perigoso—”
“Perigoso?” Lu Chenzhou olhou para ele por cima do ombro, a ponta dos lábios curvando-se em um arco extremamente raso e sem nenhum calor. “Comparado com a armadilha que você preparou com tanto cuidado, prefiro ver o que mais pode ser ‘perigoso’.”
Ele não deu mais atenção ao assistente. O feixe da lanterna cortou a escuridão à frente, e ele seguiu em direção ao fundo do galpão.
O som de passos recomeçou.
Desta vez, não era o ruído *sussurrante* de uma única pessoa, mas de duas — os passos de Lu Chenzhou eram estáveis e determinados, enquanto os do assistente, um pouco agitados, seguiam atrás, tentando alcançar, mas sem ousar se aproximar demais.
A estrutura do galpão iluminada à frente pelo feixe começou a mudar. A área de produção originalmente aberta gradualmente se estreitou, tornando-se um corredor entulhado com caixas de madeira abandonadas e tambores de óleo. O cheiro de mofo no ar foi substituído por outro — mais picante, mais artificial.
Era o cheiro de tinta barata.
Misturado com algo… semelhante a desinfetante.
O est
Lu Chenzhou segurava o volante, os nós dos dedos brancos de força.
A tela do celular já havia escurecido, mas aquelas palavras estavam gravadas em sua retina, queimando com dor. "Gostou do presente da gráfica?" — sem pontuação, sem assinatura, apenas uma saudação leve, envolta em agulhas envenenadas.
Presente?
Aquele botão agora estava preso no bolso interno de seu peito, separado pelo tecido da camisa, transmitindo um peso e um frio insignificantes. LX. Lu Xing. Eles sabiam até disso. Isso não era uma investigação, era uma dissecção. Estavam abrindo camada por camada as cicatrizes de dez anos, jogando sal nas partes mais profundas, e ainda perguntando com um sorriso como estava o sabor.
No banco do passageiro, o "assistente" ajustou sua postura, o tecido do terno sussurrando com o movimento. Seu perfil, iluminado pela luz fluida, parecia calmo e concentrado, como se aquele sorriso frio fugaz nunca tivesse existido.
"Sr. Lu", ele disse de repente, a voz estável como se lesse um relatório, "quais são seus planos depois de voltar à cidade? Posso ajudá-lo a reservar o jantar, ou... organizar os registros da inspeção de hoje?"
"Registros." Lu Chenzhou repetiu a palavra, o canto esquerdo do olho tremendo levemente. "Como você planeja organizá-los?"
"Completamente verdadeiros." O "assistente" virou a cabeça, um sorriso profissional perfeito em seu rosto. "Incluindo sua perspicaz descoberta das evidências falsificadas, e também... sua insistência em entrar em áreas não registradas, e possivelmente ter contato com itens não planejados."
"Possivelmente contato?"
"Vi o volume no bolso interno do seu casaco." O olhar do "assistente" passou pelo peito de Lu Chenzhou, então rapidamente se desviou. "Claro, isso é apenas minha observação. Como exatamente registrar, depende se o Sr. Lu está disposto a... cooperar com transparência."
Sinal vermelho.
O carro parou lentamente. No cruzamento, pedestres atravessavam apressadamente a faixa de pedestres, o fluxo de carros ao redor formando um rio de luz. Os dedos de Lu Chenzhou batiam levemente no volante, uma vez, duas vezes, o ritmo constante. Ele estava pensando, usando toda sua força de vontade para comprimir a raiva que fervilhava, transformando-a em um peso frio e calculável.
"Transparência." Ele falou lentamente. "Como a luminária de mesa na gráfica? O ângulo da rachadura era exatamente o mesmo, realmente transparente."
O sorriso do "assistente" congelou por um instante.
Sinal verde. Lu Chenzhou acelerou, o carro se fundindo ao fluxo. Ele não olhou mais para o "assistente", seu olhar fixo na estrada que se estendia à frente, a voz baixa, mas cada palavra clara: "Volte e diga à pessoa que o enviou — o trabalho de casa foi bem feito, mas há muitas falhas. Primeiro, aquela luminária de mesa era um modelo comprado em massa pelo departamento de logística do município em 2008, mas meu caso foi encerrado em 2007. As datas não batem."
A respiração do "assistente" quase imperceptivelmente hesitou.
"Segundo", Lu Chenzhou continuou, o tom como se analisasse um relatório de cena, "o grafite na parede, os padrões de spray da lata mostram um ângulo de pulverização baixo, a altura do escritor deve estar entre 165 e 170 centímetros, destro. Mas os principais investigadores responsáveis por minha sala de interrogatório há dez anos, todos tinham mais de 178 centímetros."
"Isso... pode ser apenas uma coincidência."
"Terceiro, e o mais ridículo." Lu Chenzhou finalmente virou a cabeça, olhou para o "assistente". Seu olhar não tinha raiva, nem medo, apenas uma frieza quase cruel. "Aquele botão. Na camisa da minha irmã, os botões das mangas foram todos trocados há cinco anos. Porque os botões de plástico originais eram muito frágeis, um deles estourou durante a lavagem. Os novos botões que ela costurou pessoalmente eram de madrepérola."
Silêncio mortal dentro do carro.
Apenas o leve assobio do ar-condicionado soprando ar continuamente.
O rosto do "assistente", sob a luz azulada do painel, foi perdendo a cor pouco a pouco. Suas mãos sobre os joelhos, os dedos se contraíram levemente, então ele se forçou a relaxá-los. O pomo
“Significa que”, o “assistente” virou a cabeça lentamente, o sorriso profissional em seu rosto desaparecendo completamente, substituído por um cansaço profundo e sem fundo, e por algo agudo e reluzente sob esse cansaço, “se tudo fosse perfeito e impecável, o senhor suspeitaria que isso seria muito forçado. Deixar algumas falhas que o senhor possa descobrir, fazê-lo pensar ‘olha, eu desvendei’, é assim que o senhor continuará seguindo em frente, entrando no verdadeiro… beco sem saída.”
O ar dentro do carro subitamente esfriou.
O estômago de Lu Chenzhou afundou. Não era medo, mas uma compreensão fria e tardia. Ele se lembrou do brilho refletido que desaparecera na gráfica, da expressão quase compassiva do “assistente” na entrada do corredor, daquela porta vermelha ofuscante, daquela luminária de mesa com uma rachadura, daquele botão gravado com “LX” —
Tudo isso, elo após elo.
As provas forjadas eram muito grosseiras, então ele as considerou uma armadilha. A sala de indução psicológica era muito forçada, então ele ficou furioso, mas manteve a vigilância. A falha no botão era muito óbvia, então ele pensou ter visto através da negligência do outro lado, e até sentiu um lampejo de… lamentável sensação de controle.
Mas e se, todas essas “falhas” fossem iscas?
E se seu atual “desvendamento” e “calma” fossem precisamente um passo nos cálculos do outro lado?
“Onde fica o verdadeiro beco sem saída?” perguntou Lu Chenzhou, a voz seca.
O “assistente” não respondeu. Ele olhou pela janela, as sombras das árvores *wutong* passando em listras sobre seu rosto. “Sr. Lu, eu sou apenas um executor. Minha tarefa é acompanhar, registrar e, quando necessário… guiar. Quanto a águas mais profundas, não recomendo que o senhor se aventure. Alguns redemoinhos, uma vez que você é puxado para dentro, nunca mais consegue voltar à superfície.”
“Como há dez anos?”
“Pior do que isso.” A voz do “assistente” era tão baixa que mal se ouvia. “Há dez anos, eles só queriam que você se calasse. Agora… eles querem que você desapareça. Completamente, sem deixar vestígios.”
O carro entrou no estacionamento subterrâneo do condomínio onde Lu Chenzhou morava. A luz pálida derramava-se do teto, iluminando fileiras e fileiras de veículos silenciosos. O motor parou, o mundo subitamente ficou quieto.
Lu Chenzhou soltou o cinto de segurança, mas não desceu do carro imediatamente. Ele sentou-se no banco do motorista, olhando para as manchas descascadas no pilar de concreto à frente, e falou lentamente: “A pessoa que enviou você não é Shen Yanqing.”
Os dedos do “assistente” hesitaram por um segundo na maçaneta da porta.
“Shen Yanqing quer me controlar, mas não usaria esse tipo de… guerra psicológica pessoal, cheia de malícia. Ele é mais hábil em negociações e equilíbrios de poder.” Lu Chenzhou virou a cabeça, encarando os olhos do “assistente”. “Você é do outro lado. O lado que forjou a confissão naquela época. Vocês sabem que eu investigo casos para a família Shen desde que saí da prisão, temem que eu use este caso para desenterrar o passado, então agiram primeiro, colocando seu próprio homem na posição de ‘assistente’ enviado por Shen Yanqing — podendo assim me monitorar, me desviar e, quando necessário, me empurrar pessoalmente para o buraco.”
O “assistente” manteve o olhar.
Alguns segundos depois, ele de repente sorriu. Não aquele sorriso profissional, mas um sorriso genuíno, carregado de amargura e um certo alívio. “Lu Chenzhou, você é realmente inteligente. Inteligente demais… a ponto de assustar.”
Ele abriu a porta do carro e saiu. De pé do lado de fora, ajustou a barra do paletó e recuperou aquela expressão serena e inexpressiva. “Amanhã às dez da manhã, a sala de estudo de Shen Yansheng. Por favor, seja pontual. Quanto a esta noite…”
Ele fez uma pausa, tirou um pedaço de papel dobrado do bolso e o enfiou pela fresta da janela, deixando-o cair no
Memórias fragmentadas passaram pela mente de Lu Chenzhou — o centro antigo da cidade, vielas estreitas, fileiras de casas remanescentes do período da República, a maioria alugada para trabalhadores migrantes ou pequenos comerciantes. Caótico, superlotado, com pouca vigilância por câmeras. Um lugar muito adequado para desaparecer.
Ele dobrou o bilhete e o colocou no compartimento interno da carteira. Em seguida, retirou do porta-objetos outra barra de chocolate amargo, abriu a embalagem e começou a mastigar lentamente. O sabor amargo e doce se espalhou pela boca, acompanhado pelo aroma rico do cacau, mas não conseguiu suprimir o frio que continuava a subir do fundo do seu coração.
Eles conheciam seu passado, conheciam seus pontos fracos, até mesmo sabiam que ele desmontava canetas ao pensar e que o canto do seu olho tremia quando estava nervoso. Eles haviam preparado uma armadilha sob medida para ele, camada após camada, calculando até mesmo sua reação de "perceber a armadilha".
E agora, eles entregavam outro bilhete. Outro endereço. Outra "escolha".
Ir, poderia ser uma armadilha ainda mais profunda.
Não ir, significaria recuar, significaria permitir que o outro lado continuasse controlando o ritmo.
Lu Chenzhou abriu a porta do carro e entrou no elevador. As paredes metálicas da cabine refletiam com nitidez, mostrando seu rosto pálido e tenso. A leve sensação de queda livre enquanto o elevador subia causou um mal-estar em seu estômago.
Ao chegar em casa, a sala ainda mantinha o vestígio da presença de Gu Zhixing da noite anterior — não um cheiro específico, mas uma pressão intangível, a sensação de ter sido invadido. Lu Chenzhou não acendeu a luz principal, apenas girou o interruptor de uma luminária de pé ao lado do sofá. Um halo amarelado abriu um pequeno espaço de calor, mas não conseguiu iluminar as sombras nas profundezas da sala.
Ele caminhou até a janela e ergueu um canto da cortina.
A rua lá embaixo estava vazia, ocasionalmente passava um carro. A maioria das janelas do prédio em frente estava escura, apenas algumas esparsas ainda com luzes acesas, como olhos que um monstro adormecido ocasionalmente abre. Nenhuma figura suspeita, nenhum veículo parado. Tudo normal.
*Demasiado* normal.
Lu Chenzhou soltou a cortina, foi até a escrivaninha e sentou-se. Acendeu a lâmpada da mesa, retirou um caderno novo da gaveta e abriu na primeira página. Então, pegou uma caneta.
Era uma caneta esferográfica comum, preta. Ele a segurou na mão e, inconscientemente, começou a desmontá-la — a tampa foi desenroscada, a carga retirada, a mola removida, a ponta metálica examinada cuidadosamente contra a luz. Os movimentos eram habilidosos, quase instintivos.
Ele estava pensando.
A ponta da caneta brilhava friamente sob a luz. Seus pensamentos eram como aranhas, rastejando lentamente ao longo da teia de suas memórias — o portão da gráfica, o corte novo na corrente; o pó excessivamente uniforme dentro da oficina; o brilho da tinta nos documentos falsificados; a rachadura na luminária verde de mesa; o grafite na parede; a seta de gesso; o botão; o bilhete...
Cada detalhe era um ponto.
Ele precisava conectar esses pontos, traçar o contorno da pessoa por trás disso. Não, não uma pessoa. Uma organização. Uma força capaz de colocar peças dentro da família Shen, capaz de mobilizar recursos para armar uma armadilha tão refinada, capaz de conhecer seus últimos dez anos como a palma da mão.
A caneta girava entre seus dedos.
De repente, ele parou o movimento. A ponta da caneta pairou sobre o caderno, tremendo levemente.
Ele lembrou-se do que Gu Zhixing dissera na escuridão na noite anterior: «Algumas águas são muito mais profundas do que parecem.»
O que Gu Zhixing sabia? Sobre o que ele estava alertando? Qual era sua relação com essa "assistente", com a força por trás do bilhete? Estavam no mesmo campo, ou... se contrabalançavam?
Lu Chenzhou colocou a caneta de lado e apertou o ponto entre as sobrancelhas. O cansaço subiu como uma maré, trazendo um odor metálico de ferrug