Capítulo 8: Sombra no Prédio Antigo
O carro parou na borda do bairro antigo no lado oeste da cidade. O crepúsculo já havia escurecido a ponto de parecer denso, e o halo das luzes da rua era cortado e fragmentado pelos fios elétricos cruzados entre os prédios antigos. Lu Chenzhou desligou o motor, e o calor residual dissipou-se no silêncio. Sentado no banco do motorista, ele olhou através do vidro empoeirado para o prédio residencial antigo de seis andares do outro lado da rua — a tinta das paredes descascada, revelando tijolos escuros por baixo, como cicatrizes antigas.
A janela da esquerda no terceiro andar estava fechada, as cortinas puxadas firmemente, sem uma fresta de luz.
Ele empurrou a porta do carro. A brisa noturna trouxe consigo o cheiro característico do bairro antigo — fumaça de carvão, roupas secando ao ar livre, a gordura flutuando das barracas de comida na esquina, e um cheiro mais profundo, de umidade pertencente à pedra e ao tempo. Ele atravessou a rua, seus passos soando excessivamente claros na rua vazia. Suas costas estavam rígidas como uma tábua, não por nervosismo, mas por hábito — o hábito de ajustar o corpo à postura mais capaz de lidar com situações inesperadas antes de entrar em território desconhecido.
A entrada do corredor estava amontoada com algumas bicicletas enferrujadas, as paredes cobertas por camadas de anúncios pequenos, os papéis mais antigos já amarelados e com as bordas enroladas. Ele entrou, a luz ativada por som acendeu, iluminando fracamente os degraus de concreto que levavam para cima. O ar cheirava a poeira e panos de limpeza úmidos.
Ele parou diante da porta 302. A velha porta de ferro tinha a tinta descascada e manchada, as bordas da moldura tinham arranhões sutis, não eram novos, mas também não eram antigos o suficiente para combinar com a idade do prédio. Ele levantou a mão, os nós dos dedos bateram três vezes na porta — duas leves e uma forte, um código que eles haviam usado muitos anos atrás, já há muito abandonado.
Não houve resposta imediata do outro lado da porta.
Alguns segundos depois, um leve *clique* veio da fechadura, e a porta abriu uma fresta. Dentro da fresta havia sombras, apenas metade de um rosto era visível — o rosto de Zhou Zhengping, parecendo mais de dez anos mais velho do que Lu Chenzhou se lembrava. Bochechas encovadas, olheiras pesadas, os olhos outrora afiados agora cobertos por uma névoa de cansaço turvo. Mas aqueles olhos se contraíram levemente no instante em que viram Lu Chenzhou.
Zhou Zhengping não disse nada, apenas abriu a porta um pouco mais, fez espaço ao se afastar para o lado, seus olhos rapidamente vasculhando o corredor atrás de Lu Chenzhou.
Lu Chenzhou entrou rapidamente.
A porta fechou-se atrás dele, o som da tranca sendo girada era leve, mas ecoou como uma pedra caindo em um lago silencioso e profundo. A luz dentro do apartamento era ainda mais fraca do que no corredor, apenas um abajur de pé em um canto da sala estava aceso, a lâmpada de baixa potência projetando um halo amarelado. O ar flutuava com o cheiro antigo de tabaco, e também de papel, poeira e algo mais… desinfetante? Não, mais parecido com naftalina, mas mais suave, quase ofuscado pelo tabaco.
O olhar de Lu Chenzhou percorreu o interior por hábito.
Móveis de estilo antigo, um sofá de madeira coberto por uma capa azul de pano desbotada pela lavagem, uma mesa de centro de vidro coberta por pilhas de documentos e jornais, suas bordas já enroladas e amareladas. A escrivaninha encostada na parede estava completamente submersa em arquivos e cadernos, deixando apenas um pequeno espaço para uma xícara de chá. Tudo parecia condizente com a vida de um policial aposentado, solitário e decadente.
Mas seu olhar parou ao lado do telefone.
Era um cinzeiro. Feito de cerâmica branca, bordas suaves, refletindo um brilho frio e duro de esmalte sob a luz amarelada. Era novo demais
Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Tanto tempo que Lu Chenzhou conseguia ouvir o zumbido baixo de seu próprio sangue fluindo através dos tímpanos, sentir o cheiro de naftalina na sala ficando um pouco mais claro, misturado com o odor de tabaco, como uma marca que tentaram esconder mas não conseguiram completamente.
"Fogo..." Zhou Zhengping finalmente repetiu, sua voz ainda mais baixa, quase como se estivesse mastigando a palavra, "Até onde você chegou na investigação?"
"Só sei que há uma relação." Lu Chenzhou não revelou os detalhes descobertos no estudo de Shen Yan, nem mencionou a caixa de material escolar de lata ou a planta baixa do arquivo. "Após o caso ser encerrado na época, um lote de provas cruciais foi incinerado. Não foi acidente, foi proposital. Quero saber o horário, o local, quem estava envolvido — qualquer detalhe que o senhor ainda se lembre."
Zhou Zhengping ficou em silêncio novamente. Dessa vez, seu olhar baixou, fixando-se no chá que tremulava dentro da xícara. O polegar da mão esquerda começou a esfregar uma pequena marca de batida no cabo da xícara, o movimento lento, mas constante.
"Terceiro dia após o encerramento do caso." Ele disse de repente, a velocidade da fala um pouco mais rápida, como se estivesse recitando um texto ensaiado inúmeras vezes em sua mente. "Tarde da noite. O pátio de desmanche de carros no oeste da cidade, aquele antigo pátio perto da linha férrea. Naquela noite... eu estava saindo do turno, passei de carro por perto. Vi de relance."
Lu Chenzhou não o interrompeu, apenas o observou.
"Havia faróis de carros, dois ou três, estacionados atrás de uma pilha de sucata. Figuras... não dava para ver claramente, mas com certeza não eram nossos homens. Não estavam de uniforme, moviam-se rápido, profissionais." Zhou Zhengping fez uma pausa, seu pomo-de-adão se movendo, "Eles estavam queimando coisas. Não era uma fogueira ao ar livre, havia recipientes, pareciam latões de metal. A fumaça não era muita, mas o cheiro... era forte, o fedor de plástico queimado, dava para sentir de longe."
"O senhor não se aproximou na hora?"
"Não." Zhou Zhengping balançou a cabeça, o ritmo dos dedos batendo no joelho acelerou, "Parei um momento, quis ver as placas dos carros. Mas a luz estava muito fraca, só consegui ver que eram placas locais, o último número... parece que era 7, ou 1. Não me lembro bem."
O olhar de Lu Chenzhou caiu sobre os dedos que continuavam batendo no joelho. Era um movimento inconsciente, mas o ritmo era anormalmente estável, como se seguisse uma batida interior.
"E depois?" Ele perguntou.
"Depois?" Zhou Zhengping ergueu a cabeça, seu olhar um tanto disperso, "Depois eu fui embora. Não relatei. Naquela época o caso já estava encerrado, melhor não procurar encrenca. Eu... foi o que eu disse a mim mesmo."
Sua narrativa apresentou a primeira rachadura ali. O tom, que inicialmente era de recitação acelerada, de repente deslizou para uma zona vaga de cansaço e autodefesa. Lu Chenzhou não pressionou imediatamente, deixando o silêncio se espalhar entre os dois por alguns segundos. Ele conseguia sentir o cheiro de tabaco, mais intenso, vindo de Zhou Zhengping, misturado com um leve traço de álcool barato. O tique-taque do velho relógio de parede ficou claro novamente, tique, taque, batendo no silêncio.
"O senhor tem certeza de que foi na terceira noite, tarde?" Lu Chenzhou falou, a voz ainda calma, "No pátio de desmanche?"
Zhou Zhengping hesitou. "...Sim."
"Mas eu vi em um antigo registro de patrulha," Lu Chenzhou disse lentamente, seu olhar fixo nos olhos de Zhou Zhengping, "que na madrugada do segundo dia após o encerramento do caso, houve um pequeno incêndio no depósito de trás da delegacia. O diário de plantão tem registro, a causa foi 'fiação elétrica antiga', mas o velho Sun que cuidava do depósito de provas na época — Sun Jianguo, morreu de câncer no fígado há três anos — antes de se aposentar, quando bebia, comentou com alguém que naquela noite viu uma pessoa saindo do depósito de madeira, carreg
Até o tique-taque do relógio de parede parecia ter sido devorado por esse silêncio. Zhou Zhengping estava petrificado no sofá, seu rosto parecido com cinzas sob a luz amarelada. Ele mantinha a boca aberta, como se quisesse dizer algo, mas nenhum som saía. Seu olhar começou a vaguear, desviando do rosto de Lu Chenzhou, passando pela escrivaninha, pelo abajur de pé, e finalmente pousando mais uma vez na cortina fechada.
Lu Chenzhou seguiu sua linha de visão.
A cortina era de veludo verde-escuro e pesado, puxada firmemente, sem frestas. Mas perto da parte inferior da moldura da janela, um pequeno pedaço do tecido estava levemente curvado para fora, de forma irregular, como se algo estivesse pressionando por trás. Era muito sutil, imperceptível se não se olhasse com atenção.
"Professor Zhou," Lu Chenzhou retirou o olhar, baixando um pouco a voz, "não estou aqui para forçá-lo. Mas as informações que você me deu são contraditórias, o tempo não bate, o local não bate, nem mesmo o estado da testemunha bate. Só há uma explicação — ou sua memória foi manipulada artificialmente, ou você está sendo coagido a dizer coisas parcialmente verdadeiras."
Ele fez uma pausa, deixando o peso daquelas palavras afundar.
"E eu preciso saber," continuou ele, o olhar voltando ao rosto de Zhou Zhengping, "qual parte é verdadeira?"
Zhou Zhengping fechou os olhos.
Todo o seu corpo parecia ter tido os ossos removidos, afundando-se para trás no encosto do sofá. A caneca de porcelana esmaltada em suas mãos inclinou-se, e um pouco do chá derramou, formando uma mancha escura na capa de tecido azul desbotada. Passou muito tempo, tanto que Lu Chenzhou pensou que ele não responderia, até que ele abriu os olhos. A névoa de cansaço em seu olhar de repente recuou um pouco, revelando um brilho frio e afiado por baixo, aquele que pertencia a um policial veterano.
"... Nenhuma das duas," ele disse, com voz rouca. "Minha memória não está confusa. E não estou sendo coagido — pelo menos, não do jeito que você pensa."
Lu Chenzhou esperou.
"O fogo realmente aconteceu." A voz de Zhou Zhengping era muito baixa, quase um sussurro. "As coisas... aquelas provas materiais extraídas da cena, as fotos, as cópias dos depoimentos, parte dos relatórios de perícia que não haviam sido arquivados a tempo... tudo se foi. Mas não foi na terceira noite, nem na madrugada do segundo dia."
Ele ergueu a cabeça, encarando Lu Chenzhou diretamente.
"Foi na noite do dia em que o caso foi arquivado. Queimou na sala de evidências da delegacia."
A respiração de Lu Chenzhou travou por um instante.
"A sala de evidências tem sistemas anti-incêndio, tem câmeras — as câmeras daquela época eram simples, mas havia registro," ele apontou a contradição imediatamente.
"O sistema anti-incêndio estava em 'manutenção de rotina' naquela tarde, desligado." Zhou Zhengping puxou o canto da boca, desta vez num sorriso real, um sorriso frio e cheio de ironia. "O disco rígido das câmeras 'danificou-se acidentalmente', os dados não puderam ser recuperados. O registro da escala dizia 'curto-circuito causou combustão espontânea', mas..."
Ele parou, seu olhar desviando mais uma vez para a saliência irregular na parte inferior da cortina.
"Mas o fogo foi controlado de forma muito boa," ele continuou, a voz ainda mais baixa, quase abafada pelo tique-taque do relógio de parede. "Só queimou o que deveria queimar. Os armários e prateleiras ao lado nem ficaram com a tinta enegrecida pela fumaça. Como se uma faca cirúrgica tivesse passado, precisa de uma forma assustadora. Nossa gente... não faria um trabalho assim. Tão limpo, limpo demais, como o trabalho de profissionais."
Profissionais.
Essas três palavras entraram como um picador de gelo no peito de Lu Chenzhou. Ele sentiu o canto esquerdo do olho começar a se contrair levemente, um alerta fisiológico familiar. Ele conteve o impulso de pressioná-lo, mantendo o corpo inclinado para a frente, os dedos se fechando inconscientemente sobre os joelhos.
"Você viu?" ele perguntou.
Zhou Zhengping bal
Lu Chenzhou o olhou. Olhou para esse velho policial que um dia lhe ensinou a primeira lição sobre inspeção de cena de crime, agora curvado no sofá, segurando aquele copo de chá velho, os nós dos dedos brancos de tanto apertar. Viu aquela luz fria e penetrante em seus olhos gradualmente ser coberta novamente por um temor turvo.
"Quem não quer que o senhor se lembre?" perguntou Lu Chenzhou, a voz muito suave.
Zhou Zhengping não respondeu. Seu olhar flutuou novamente em direção à cortina, desta vez pousando por mais tempo. Então, ele subitamente se levantou, o movimento um tanto trôpego, caminhou até a mesa, e de debaixo de uma pilha de documentos puxou um envelope de papel pardo, bem fino. Ele voltou e enfiou o envelope na mão de Lu Chenzhou.
"Vá embora", disse, a voz recuperando a rouquidão e o cansaço iniciais. "Não volte mais. Este lugar... não está limpo."
Lu Chenzhou apertou o envelope entre os dedos; parecia haver apenas uma ou duas folhas de papel dentro. Ele não o abriu imediatamente, mas ergueu o olhar para Zhou Zhengping. "Uma última pergunta. Quando o senhor disse 'profissionais' há pouco, a que tipo de profissionalidade se referia? Uma equipe especializada de limpeza dentro da polícia, ou... de fora?"
Zhou Zhengping parou na borda do halo de luz amarelada, as rugas em seu rosto parecendo mais profundas nas sombras. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, os lábios se moveram, e finalmente soltou apenas alguns sons indistintos: "...Como um espelho."
"Espelho?"
"Eles gostam de ver." A voz de Zhou Zhengping era tão baixa que mal se ouvia, mas seu olhar estava fixo em Lu Chenzhou. "E também gostam de fazer as pessoas verem errado."
Dito isso, ele se virou e caminhou em direção à porta, sinalizando para Lu Chenzhou sair.
Lu Chenzhou não perguntou mais nada. Ele se levantou, guardou o envelope no bolso interno do casaco e foi até a porta. Zhou Zhengping abriu a porta para ele; a luz de sensor amarelada no corredor acendeu automaticamente, projetando uma breve claridade. No momento em que Lu Chenzhou cruzava a soleira, Zhou Zhengping de repente se aproximou e disse rapidamente, bem perto de seu ouvido:
"Cuidado com o 'espelho'."
A porta fechou suavemente atrás dele, a tranca girando.
Lu Chenzhou ficou sozinho no corredor escuro, a luz de sensor começando a piscar, instável. Ele respirou fundo, o cheiro de poeira e umidade no ar invadindo suas narinas. Não desceu imediatamente, mas inclinou a cabeça para ouvir — do lado de dentro da porta, não havia passos, nenhum movimento, apenas um silêncio pesado.
Ele se virou e começou a descer lentamente.
Os sapatos de couro bateram nos degraus de concreto, produzindo um eco oco. Quando chegou à curva do segundo andar, a luz de sensor acima de sua cabeça de repente se apagou.
A escuridão veio como uma maré, engolindo instantaneamente sua visão.
Lu Chenzhou parou no lugar, sem se mover. Seus olhos se adaptaram à escuridão em alguns segundos, conseguindo distinguir vagamente o contorno do corrimão da escada. Seus ouvidos captavam cada som — o ruído distante e vago do tráfego na rua, o som baixo de uma TV em algum apartamento acima, sua própria respiração estável.
E... outro som.
Muito leve, como um farfalhar de tecido raspando na parede, vindo de baixo. Não eram passos, mais parecia alguém se movendo lentamente rente à parede.
Ele prendeu a respiração.
Na escuridão, o tempo se esticou. Alguns segundos depois, o som desapareceu. Mas outra sensação surgiu — sua pele ficou duas vezes mais apertada, como se envolvida por um ar frio e invisível. Não era medo, era um alerta, o instinto olfativo para o perigo apurado por anos de carreira na investigação criminal e pelos anos na prisão.
Ele estendeu a mão lentamente para dentro do bolso do casaco, a ponta dos dedos tocando a carcaça metálica fria do celular.
Foi então que o celular vibrou.
A vibração transmitida através do tecido era muito fraca, mas na absoluta quietude era clara e aguda. Uma, duas vezes — era uma mensagem de texto.
Lu Chenzhou não o tirou imediatamente para ver. Ele permaneceu imóvel, os ouvidos continuando a captar qualquer movimento na escuridão. Lá emba
As narrativas fragmentadas e contraditórias de Zhou Zhengping, o cinzeiro novíssimo, a protuberância pouco natural sob a cortina, o som de fricção na escuridão, aquela mensagem de alerta terrivelmente oportuna — todos esses fragmentos estavam se encaixando em sua mente para formar uma nova imagem.
Não se tratava mais de um simples confronto entre Shen Yan e a polícia, ou entre Shen Yan e ele.
Um "espelho" havia sido erguido. Ele gostava de ver, e também gostava de fazer as pessoas verem errado.
Lu Chenzhou lançou um último olhar para a janela fechada do terceiro andar; a cortina ainda estava bem puxada, sem nenhuma luz vazando. Então, ele se virou, atravessou a rua, abriu a porta do carro e entrou no banco do motorista. O som da partida do motor ecoou com clareza anormal na rua silenciosa.
Ele não partiu imediatamente.
Em vez disso, tirou do bolso interno o envelope de papel pardo e o abriu sob a luz fraca do painel. Dentro havia apenas uma folha de papel, uma página pautada arrancada de algum caderno, com uma linha escrita a lápis em letra rabiscada, como se tivesse sido escrita às pressas:
«Casa de Chá do Velho Lugar, subúrbio oeste. Toda terça-feira à tarde da terceira semana do mês, um homem de terno e óculos vai lá. No canto inferior direito de sua pasta de documentos, há um arranhão em forma de raio.»
Abaixo, havia uma linha menor, quase ilegível:
«Não acredite em nada que ele disser. O espelho reflete dos dois lados.»
Lu Chenzhou fitou aquele papel por um longo tempo. Depois, dobrou-o cuidadosamente, colocou-o de volta no envelope e enfiou-o em um compartimento oculto sob o banco.
Engatou a marcha, soltou o freio de mão, e o carro deslizou lentamente para a noite.
No retrovisor, o velho prédio de apartamentos gradualmente diminuía, até desaparecer na curva da rua. Mas Lu Chenzhou sabia que algumas coisas não desapareciam. Elas já haviam aberto os olhos e estavam do outro lado do espelho, observando-o silenciosamente.
E o que ele precisava fazer agora era discernir o contorno do espelho, antes que ele o fizesse "ver errado".
A escuridão do corredor não era totalmente negra; carregava um cheiro misto de poeira antiga e cimento úmido. Depois que a luz acionada por som se apagou, esse odor emanou das paredes, das frestas do corrimão da escada, invadindo suas narinas. Lu Chenzhou parou no lugar, sua postura corporal inalterada, apenas sua respiração desacelerou. Seus ouvidos capturavam cada mínimo som na escuridão — o fluxo distante e indistinto de carros na rua, o ruído fraco da TV em algum apartamento no andar de cima, o zumbido baixo do próprio sangue fluindo em seus ouvidos.
E havia algo mais.
Não eram passos, nem respiração. Era algo mais sutil, quase afogado pelos sons ambientes... um som de fricção. Como tecido roçando levemente na parede, ou a sola de um sapato arrastando-se extremamente devagar sobre um piso áspero. Vinha do andar de baixo, ou talvez da janela no patamar da curva da escada. O som era muito leve, impossível determinar sua direção exata.
Sua mão esquerda pendia ao lado do corpo, os dedos se contraindo e relaxando involuntariamente, um hábito de quando pensava. Agora não havia caneta à mão, apenas ar. O canto esquerdo de seu olho começou a contrair-se levemente, uma, duas vezes, como se puxado por um fio invisível.
Voltar, ou sair?
Voltar significaria enfrentar diretamente um possível observador, e também significaria arrastar Zhou Zhengping completamente para o redemoinho do perigo. O cinzeiro novíssimo, o olhar ocasional de Zhou Zhengping que vagava em direção à janela enquanto falava, e aquele aviso final e vago — «Cuidado com o 'espelho'... eles gostam de ver, e também gostam de fazer as pessoas verem errado.» Todos esses fragmentos se encaixavam para formar uma conclusão clara: a vida de Zhou Zhengping já havia sido invadida, sua memória possivelmente interferida, seu medo era real.
Sair, por
sem pontuação, sem assinatura. As palavras eram concisas como o corte de um bisturi. Lu Chenzhou encarou aquela linha de texto, a luz fria da tela refletindo em suas pupilas, sem ondulações. Ele pressionou a tecla de deletar, ajustou o celular para o modo silencioso e o guardou no bolso. Seus movimentos eram estáveis, sem tremores.
Mas o coração batia rápido e forte em seu peito. Não era medo, era outra coisa — uma certeza gelada. Essa mensagem não vinha de Shen Yan. Os avisos de Shen Moqing seriam mais diretos, mais carregados de negociações e ameaças, mencionando apostas específicas, como Lu Chenxing, como sua liberdade precária. Essa mensagem era diferente, transmitia outra qualidade: profissional, fria, sem envolvimento em desavenças pessoais, apenas declarando um fato — você ultrapassou o limite, nós vimos, agora vá embora.
Terceira parte.
A sombra da "abordagem tão limpa, tão profissional" na narrativa contraditória de Zhou Zhengping agora se ergueu das cinzas da memória, materializando-se em um aviso entregue em tempo real. Eles não apenas existiam no passado, ainda estavam ativos, ainda vigiavam, e conseguiam localizar com precisão esse corredor antigo, enviando uma mensagem em menos de três minutos após ele sair da casa de Zhou Zhengping.
Os cantos da boca de Lu Chenzhou apertaram-se em uma linha reta. Ele continuou descendo.
A saída do térreo estava logo à frente, com a luz fraca dos postes e a noite mais profunda lá fora. Ele parou na sombra dentro da entrada, não saindo imediatamente. Seu olhar varreu a rua estreita do lado de fora — do outro lado, uma fileira de pequenas lojas com portas de enrolar fechadas, um triciclo inclinado no canto, alguns sacos de lixo empilhados na calçada. Sem pedestres, sem veículos estacionados de forma suspeita.
Mas algo não estava certo.
A sensação de estar sendo observado não desapareceu, ao contrário, ficou mais clara. Não vinha de uma janela ou canto específico, mas permeava o ar de toda a rua, como uma película invisível envolvendo a área. As costas de Lu Chenzhou ficaram levemente tensas, pequenos arrepios surgindo na superfície da pele. Ele lembrou das palavras de Zhou Zhengping — "eles gostam de olhar".
Espelho. Gostam de olhar, e também gostam de fazer as pessoas verem errado.
Se "espelho" não se referisse apenas à reflexão, mas também à distorção, a uma ferramenta para criar ilusões? Então essa rua aparentemente vazia, essas sombras aparentemente normais, poderiam ser em si mesmas um "espelho" cuidadosamente disposto? Fazendo você pensar que está seguro, relaxando sua guarda, e então, no momento mais desprevenido, a imagem real emergiria por trás da reflexão distorcida.
Ele não podia ficar aqui por muito tempo.
Inspirou fundo, enchendo os pulmões com ar carregado de poeira e o frescor do orvalho noturno, e então expirou lentamente. Saiu, com uma velocidade normal, direção clara — em direção ao carro estacionado a duas quadras de distância. Sem olhar para trás, sem olhar ao redor, como um residente comum voltando tarde para casa. Mas todos os seus sentidos estavam abertos, varrendo tudo ao redor como um radar: havia passos seguindo atrás? Havia reflexos anormais nos vidros das lojas laterais? Havia uma cortina se movendo levemente atrás de alguma janela acima?
Ao passar pelo primeiro cruzamento, aproveitou o momento da curva para lançar um rápido olhar de relance pelo canto do olho para o caminho de onde veio.
Ainda vazio.
Mas, no instante antes de retirar o olhar, ele percebeu — a cerca de cem metros de distância, na janela do terceiro andar do antigo prédio de apartamentos, a janela da casa de Zhou Zhengping, a cortina parecia ter se movido. Muito sutilmente, como se fosse pelo vento, ou talvez alguém estivesse atrás da cortina, apenas afastando o olhar.
O passo de Lu Chenzhou não vacilou.
Chegou ao carro, destravou, abriu a porta e entrou. No momento em que a porta fechou, o espaço fechado isolou o ar e os sons externos, o mundo de repente tornou-se silencioso e opressivo. Ele não ligou o motor imediatamente, recostou-se no ban
Essa frase emergiu da narrativa caótica, nítida e cortante. Profissional. Não era uma destruição impulsiva por alguém de dentro da polícia, nem a eliminação brutal de evidências por subordinados de Shen Yan. Era profissional, significando que havia planejamento, técnica, um entendimento profundo da natureza das evidências físicas e do processo investigativo, capaz de destruir completamente sem deixar vestígios rastreáveis.
Que tipo de força "profissional" interveio há dez anos na destruição de evidências de um assassinato político? Para quem trabalhavam? Para Shen Yan? Ou... havia outros?
E agora, por que reapareceram? Porque a reabertura da investigação por Lu Chenzhou tocou no segredo daquela época, ou porque eles mesmos sempre estiveram nas sombras, observando todas as pessoas e eventos relacionados àquele "incêndio"? Zhou Zhengping, Li Guohua, e aqueles nomes que desapareceram nas frestas do tempo, estariam todos dentro do alcance do seu "espelho"?
Lu Chenzhou abriu os olhos.
A noite do lado de fora do carro era densa, o halo dos postes de luz se espalhava no vidro em um pequeno círculo difuso de amarelo quente. Ele ligou o carro, o ronco baixo do motor soou especialmente abrupto na rua silenciosa. A luz azul do painel iluminou a parte inferior de seu rosto, lábios apertados, linha do queixo rígida.
Ele girou o volante, afastando-se do acostamento.
No retrovisor, o velho prédio gradualmente diminuiu, fundindo-se ao contorno cinzento de edifícios. A janela do terceiro andar nunca mais acendeu. O que Zhou Zhengping estaria fazendo agora? Sentado naquela velha cadeira de vime, olhando fixamente para o cinzeiro novinho? Ou atrás da cortina, observando seu carro partir por uma fenda, calculando mentalmente as possíveis consequências deste encontro?
Lu Chenzhou não sabia. Ele só sabia que acabara de sair de um espaço possivelmente monitorado em todos os ângulos, levando consigo um monte de fragmentos contraditórios, e também levando um aviso entregue em tempo real. Em sua lista de inimigos, além de Shen Moqing, além dos possíveis obstáculos dentro do sistema, agora havia mais um "terceiro" sombrio. Quem eram eles? Qual seu objetivo? Amigos ou inimigos? Tudo eram pontos de interrogação.
Mas um fato já estava confirmado: seus movimentos de investigação já haviam provocado uma reação. Não era aquele tipo de supressão com caráter de negociação de Shen Yan, mas um aviso mais frio, mais distante, mais inquestionável. Isso significava que ele estava se aproximando de um certo núcleo, um núcleo do qual talvez até Shen Yan fosse apenas uma peça.
O carro entrou no fluxo da via principal. As luzes dos neon atravessavam o para-brisa, fluindo sobre seu rosto, brilhando e apagando. Suas mãos no volante estavam firmes, mas as articulações dos dedos ainda estavam levemente pálidas.
O caminho para reverter o caso, de uma trilha estreita cheia de espinhos, tornou-se um campo minado. À frente, não havia apenas inimigos conhecidos, mas também observadores desconhecidos. Cada passo poderia acionar uma nova armadilha, cada contato poderia expor mais fraquezas.
Mas ele tinha que continuar.
As pistas contraditórias dadas por Zhou Zhengping, aquela mensagem de aviso, e a metáfora do "espelho" — tudo isso, embora aumentasse o perigo, também apontava uma direção. Nas cinzas daquele "incêndio" de anos atrás, não havia apenas as digitais de Shen Yan, mas também outro conjunto de pegadas mais ocultas, mais profissionais. Encontrar esse conjunto de pegadas talvez fosse encontrar o ponto de apoio para deslocar toda a conspiração.
O celular no bolso permanecia em silêncio, como um pedaço de ferro frio.
O olhar de Lu Chenzhou varreu o banco do passageiro. Estava vazio, apenas sombras.