Capítulo 12: Rastros Sangrentos Perdidos
Lu Chenzhou fitou a tela escura, a sensação gelada subindo de seus dedos até os ossos. O aroma característico da seção de jornais antigos, uma mistura de mofo de papel e poeira, envolvia sua respiração como uma membrana viscosa. As duas linhas na coluna de conclusão — "alta probabilidade de homologia" — estavam gravadas em sua retina como ferros em brasa, impossíveis de apagar mesmo de olhos fechados.
O sangue de Shen Moqing estava na garagem de Shen Yan.
Por que ele estaria lá?
Essa pergunta era como uma pedra atirada em um lago morto, suas ondulações se espalhando rapidamente, tocando margens mais profundas e sombrias. Era o assassino? Uma testemunha que entrou na cena depois? Ou... um papel ainda mais complexo? A mão esquerda de Lu Chenzhou se estendeu inconscientemente para a mesa, os dedos encontrando uma caneta esferográfica. Ele a pegou, e a polpa de seu polegar começou a pressionar repetidamente o botão na tampa. *Clique. Clique. Clique.* O som leve e regular era especialmente claro no silêncio, como uma contagem regressiva, ou uma medida da velocidade de seu pensamento.
Ele precisava integrar. A evidência de DNA era um ponto isolado; precisava de um padrão de comportamento, de um contorno de motivação para sustentá-la, para transformar "possibilidade" em "cadeia lógica". E o padrão de comportamento estava justamente escondido nos fragmentos que ele já possuía — o ambiente da cena, a posição dos estilhaços de vidro, a morfologia das manchas de sangue, e aquele anônimo persistente.
Seu celular vibrou no bolso. Não era uma chamada, mas uma mensagem. A tela se iluminou, mostrando um número desconhecido e um conteúdo breve: «Três da tarde, cabine à janela, segundo andar, Café Nuvem. Shen Qinghuan.»
A pressão da família Shen havia chegado. Mais rápido e mais direta do que o esperado. Quem fora enviada não era um advogado impenetrável como Gu Zhixing, nem um executor silencioso e violento como Lei Hu, mas sim a segunda filha de Shen Moqing, Shen Qinghuan, aquela que parecia marginalizada dentro do clã. O polegar de Lu Chenzhou parou sobre o botão da tampa da caneta. Os cliques cessaram. Ele encarou a mensagem, como se pudesse ver através das palavras os olhos que pareciam inocentes, mas que provavelmente escondiam inúmeras intenções.
Era um teste. Shen Moqing estava testando seu progresso, e também sua lealdade. Talvez, ainda estivesse testando se ele havia descoberto a pista do DNA.
Lu Chenzhou colocou a caneta de volta. O cilindro rolou até a borda da mesa e parou. Ele precisava de um discurso, um relato baseado na análise real, mas que habilmente evitasse o cerne do DNA. Precisava embrulhar a perigosa conclusão de que "o assassino poderia ser Shen Moqing" no contorno vago de que "o assassino poderia possuir certas permissões ou identidades especiais". Era arriscado, mas também uma oportunidade — uma chance de observar a reação interna da família Shen, especialmente a verdadeira posição de Shen Qinghuan.
Ele respondeu: «Entendido.»
A luz do dia lá fora mudou de um cinza-chumbo para um branco opaco e pesado. A chuva parara, mas a umidade era mais densa, pesando sobre os vidros. Lu Chenzhou desligou o computador, dobrou a conclusão da comparação de DNA impressa em um pequeno quadrado e a enfiou na capa interna de um dicionário antigo e pesado. Então se levantou e deixou a biblioteca. Ao atravessar o corredor, podia sentir olhares sutis vindos dos cantos — talvez do bibliotecário, talvez não. O ar tinha uma qualidade comprimida, como uma mola pressionada ao limite, sem saber quando iria se soltar.
***
O Café Nuvem ficava no piso térreo de um arranha-céu com fachada de vidro no novo distrito, decorado no estilo industrial minimalista da moda: pilares de concreto aparente, sofás cinza-escuro, janelas gigantescas do chão ao teto. Às três da tarde, havia poucas pessoas. A música de fundo era um jazz de piano grave, as notas caindo lentamente como gotas d'água. O ar estava impregnado do
O garçom trouxe água com limão e saiu, fechando a porta suavemente. Um leve clique, e o box caiu em uma atmosfera de privacidade cuidadosamente criada, mas a sensação de estar sendo observado não desapareceu. Pelo contrário, tornou-se mais concreta devido ao confinamento do espaço. A coluna de Lu Chenzhou ficou levemente tensa.
“O latte aqui é bem bom. Pedi um para o senhor, não sei se vai agradar ao seu paladar.” Shen Qinghuan colocou a colher de prata suavemente na borda do pires, emitindo um “tinido” claro. Seus dedos eram longos e pálidos, as pontas pintadas com um verniz de cor nude suave. Nesse momento, ela inconscientemente esfregava os padrões em relevo sutis no cabo da xícara.
“Obrigado.” Lu Chenzhou não tocou no café. Seu olhar pousou no rosto de Shen Qinghuan, calmo, concentrado, como se estivesse observando uma peça de evidência. “Senhorita Shen me chamou hoje por causa do caso?”
“Meu pai está muito preocupado com o progresso.” Shen Qinghuan pegou a xícara, deu um pequeno gole e baixou os cílios, projetando uma sombra sutil sobre as pálpebras. “O senhor também sabe, o caso do meu irmão... foi um grande golpe para a família. Com o passar dos dias, inevitavelmente surgem alguns rumores por aí, dizendo que o caso... pode envolver alguns assuntos antigos da família, ou... algumas pessoas que não podem ser mencionadas abertamente.” Ela ergueu os olhos, o olhar claro, mas carregando uma pressão flexível e inescapável. “Meu pai gostaria de ouvir algumas respostas mais claras. Afinal, foi ele mesmo quem convidou o senhor.”
A pressão chegou. Envolta em açúcar, embrulhada em preocupação e reputação familiar, mas no núcleo estavam a pressa e a dúvida. O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se quase imperceptivelmente. Ele pegou a água com limão, a parede gelada do copo pressionando contra sua palma, suprimindo aquela reação fisiológica sutil.
“Entendo a ansiedade do Sr. Shen.” Sua velocidade de fala era constante, cada palavra parecia ter sido medida com precisão. “A investigação realmente encontrou alguns... pontos que precisam ser esclarecidos.”
“Oh?” Shen Qinghuan colocou a xícara, inclinando-se levemente para frente, adotando uma postura de escuta. “Quais são esses pontos? Talvez... eu possa ajudar de alguma forma? Coisas da família, eu sempre conheço pelo menos um pouco.”
Ajudar, ou bisbilhotar? A ponta do dedo de Lu Chenzhou bateu levemente na parede do copo de vidro, muito suavemente, quase sem som. Ele começou a lançar a primeira peça do quebra-cabeça, cuidadosamente selecionada.
“Há alguns vestígios na cena,” ele disse, seu olhar não deixando o rosto de Shen Qinghuan, “que não parecem ter sido deixados por alguém de fora.”
O movimento de Shen Qinghuan mexendo o café parou por meio segundo. A colher de prata parou na borda da xícara.
“É muito provável que o assassino conhecesse muito bem a estrutura da mansão, e até mesmo a rotina diária do Sr. Shen Yan.” Lu Chenzhou continuou, seu tom como se estivesse declarando um fato objetivo. “Não o tipo de conhecimento que se adquire através de observação de curto prazo. É o tipo que... está imerso no ambiente, que sabe onde estão os pontos cegos das câmeras, que sabe qual caminho o Sr. Shen Yan costumava seguir da garagem para a casa principal tarde da noite, que sabe que há uma faca de papelaria pouco usada na segunda prateleira, à esquerda do suporte de ferramentas — esse tipo de familiaridade.”
Ele fez uma pausa, dando tempo para Shen Qinghuan digerir a informação, e também para se observar. As pupilas de Shen Qinghuan se contraíram levemente. Embora tenham se recuperado rapidamente, aquele momento de paralisia não escapou aos seus olhos. Seus dedos soltaram o cabo da xícara e, em vez disso, beliscaram suavemente a borda da manga de seu suéter de tricô. Ela estava nervosa, ou, contendo alguma emoção.
“E mais,” Lu Chen
A associação dela era muito específica, apontando diretamente para o nível de controle de informações. Isso era interessante. Lu Chenzhou não confirmou nem negou, apenas manteve um olhar calmo. "Essa é uma possibilidade. Outra possibilidade é que essa pessoa seja muito familiarizada com os procedimentos de investigação da cena do crime, até mesmo sabendo como evitar as áreas-chave da investigação convencional. Aquele fragmento de vidro," ele introduziu oportunamente uma prova material real, mas isolou a informação de DNA, "foi encontrado em uma posição muito peculiar, no fundo da fresta entre o rack de ferramentas e a parede, e havia ainda um arranhão muito superficial e direcionado em sua superfície. Não parecia ter sido arremessado acidentalmente durante uma luta, era mais como... ter sido raspado de um ângulo específico durante o transporte ou movimentação de algum objeto pesado."
Ele descreveu com extrema minúcia, criando uma forte sensação de imagem. Shen Qinghuan ouvia, seu olhar um tanto vago, como se estivesse simulando a cena em sua mente. Seus lábios se apertaram, um pouco mais pálidos.
"Transportar... um objeto pesado?" Ela murmurou.
"O peso do Sr. Shen Yan, somado a uma possível luta, ou a necessidade do assassino de mover o corpo para atingir algum propósito..." Lu Chenzhou não terminou a frase, deixando espaço suficiente para a imaginação. Ele viu a garganta de Shen Qinghuan se mover levemente; ela estava engolindo, talvez para suprimir um súbito desconforto. Era uma reação fisiológica genuína, não apenas atuação.
O cubículo ficou silencioso, apenas os sons abafados de conversas e as notas baixas da música de fundo da sala ao lado. O aroma do café tornou-se um pouco enjoativo. Shen Qinghuan ficou em silêncio por um momento e, quando finalmente falou novamente, a camada açucarada e inocente em sua voz havia descascado um pouco, revelando uma textura mais verdadeira por baixo.
"Sr. Lu, essas coisas que você disse... meu pai sabe?"
"Esta é minha análise preliminar atual." Lu Chenzhou evitou o cerne da questão. "Ainda precisa de mais evidências para ser sustentada. Mas a direção, acredito que vale a pena aprofundar. Um assassino familiarizado com o ambiente interno, com permissão ou pretexto para acessar a cena do crime precocemente, que age com frieza e meticulosidade, mas que pode ter deixado uma falha sutil durante o transporte devido a um acidente — esse perfil se alinha mais com a lógica das evidências existentes do que um assassino aleatório completamente externo."
Ele usou a palavra "perfil", não "suspeito". Vago, mas direcionado. Ele estava testando, testando Shen Qinghuan e, através dela, testando Shen Moqing. Se Shen Moqing fosse inocente, ou pelo menos desejasse parecer inocente, então esse perfil apontando para um "indivíduo com acesso interno" deveria deixá-lo alerta, e ele estaria disposto a fornecer algumas informações internas para se isentar. Se Shen Moqing fosse essa pessoa... então a pressão retornaria de outra forma.
Shen Qinghuan baixou a cabeça, olhando para o café já morno em sua xícara, e ficou em silêncio por um longo tempo. Seus dedos soltaram a barra da manga e, em vez disso, começaram a pentear suavemente um fio de cabelo que caía perto de sua têmpora. Era um hábito dela quando estava nervosa ou pensando, Lu Chenzhou lembrava de ter lido nos relatórios. Mas desta vez, sua mão teve uma pausa extremamente breve ao tocar o cabelo, como se tivesse lembrado de algo e o tivesse forçosamente suprimido.
"Vou transmitir sua análise... ao meu pai." Ela finalmente ergueu a cabeça, o sorriso retornando ao seu rosto, mas mais leve do que antes e um tanto forçado. "Obrigada, Sr. Lu. Pelo menos... isso nos faz saber em qual direção devemos ficar alertas."
Alertas. Era uma palavra bem escolhida. Reconhecia que a ameaça poderia vir de dentro, mas ao mesmo tempo posicionava a família no lado da defesa. Lu Chenzhou acenou com a cabeça e não disse mais nada. Seu objetivo havia sido alcançado — lançou o perfil, observou a reação de Shen Qinghuan e enterrou as duas palavras-chave, "canal de informações internas" e "permissão especial", no campo de visão da família Shen. A mudança sutil no olhar de Shen Qinghuan ao ouvir essas duas palavras, especialmente aquele momento de congelamento e distração, foi claramente capturada por ele. Não era apenas preocupação, parecia mais uma... defesa instintiva ao ser tocada em um ponto sensível.
Lu Chenzhou colocou a xícara de volta e preparou-se para se levantar. Ao mover os pés, ele acidentalmente tocou na borda da base do sofá. Havia algo na estreita fenda entre a perna do sofá e a parede.
Ele parou o movimento, curvou-se lentamente e estendeu a mão para dentro da fenda. A ponta dos dedos tocou um objeto liso e levemente flexível, feito de papel. Ele pegou a borda e o puxou para fora.
Era um envelope comum de papel pardo, sem assinatura, sem carimbo postal. A abertura estava colada com uma cola comum, mas não firmemente, parecendo que poderia ser aberta a qualquer momento. O envelope era fino, provavelmente contendo apenas uma ou duas folhas de papel.
O coração de Lu Chenzhou apertou-se violentamente. Ele rapidamente varreu com o olhar a porta do camarote — ninguém. As vozes e risadas do camarote ao lado continuavam. A música de fundo havia mudado para uma mais lenta e pesada.
Isso não fora deixado por Shen Qinghuan. Quando ela saiu, levava sua bolsa de mão, os movimentos eram naturais, sem pausas desnecessárias ou gestos furtivos. Além disso, se fosse ela, poderia tê-lo entregue diretamente durante a conversa.
Então, quem? Quando foi colocado lá? Antes de ele chegar? Ou durante a conversa dele com Shen Qinghuan? Embora a porta do camarote estivesse fechada, não era completamente à prova de som. Se alguém, aproveitando o momento em que o garçom trouxe água ou quando a porta foi brevemente aberta, o tivesse enfiado rapidamente de fora...
A parte anônima.
Esse pensamento desceu sobre ele como água gelada. A outra parte não apenas sabia que ele estava ali, sabia do seu encontro com Shen Qinghuan, mas também conseguia entregar com precisão o objeto em um local ao seu alcance. Vigilância contínua. Entrega precisa. E o momento escolhido foi logo após Shen Qinghuan exercer pressão e sair — isso era uma declaração, e também uma provocação.
Lu Chenzhou segurou o envelope, as articulações dos dedos levemente pálidas. O envelope em sua mão era leve como uma pena, mas pesado como mil quilos. Ele não o abriu imediatamente, mas rapidamente o enfiou no bolso interno do casaco, próximo ao peito. Então ele se levantou, abriu a porta do camarote e saiu.
O corredor estava vazio. Ele desceu as escadas, atravessou o salão principal da cafeteria, empurrou a porta de vidro e entrou no ar úmido e frio do exterior. A rua estava cheia de tráfego e pedestres apressados. Ele parou na calçada, o olhar afiado varrendo as vitrines das lojas do outro lado da rua, os veículos estacionados, cada canto onde alguém poderia se esconder para observá-lo. Tudo parecia normal, mas ao mesmo tempo, parecia que olhos silenciosos estavam escondidos em todos os lugares.
O envelope pressionado contra seu peito, através do tecido da camisa, transmitia uma sensação sutil, impossível de ignorar.
O que havia dentro? Um novo aviso? Uma pista vaga? Ou... mais uma "orientação" cuidadosamente planejada?
A parte anônima escolheu agir imediatamente após a pressão da família Shen. Foi uma coincidência, ou foi intencional, para sobrepor as duas pressões sobre ele? Para onde essa nova pista conduziria a investigação já envolta em névoa?
Lu Chenzhou ergueu a mão para parar um táxi. No momento em que abriu a porta e entrou, ele lançou um último olhar para o camarote na janela do segundo andar da cafeteria "Cloud Above". A janela refletia a luz cinzenta do céu, como um olho silencioso.
"Mestre", ele disse o endereço da sua residência temporária, a voz estável, sem nenhuma anormalidade perceptível. "Por favor, seja rápido."
O carro fundiu-se ao fluxo do tráfego. Lu Chenzhou recostou-se no banco de trás e fechou os olhos, mas seus dedos pressionavam suavemente a borda daquele envelope fino dentro do bolso. A sensação fria penetrava o tecido e se infiltrava na pele.
A mola havia sido pressionada até o limite. E uma nova variável acabara de ser lançada neste jogo perigoso.
***
O carro atravessou a densa luz solar da tarde, dirigindo-se para o norte da cidade, em dire
Lu Chenzhou não girou a chave imediatamente. Ele recuou meio passo, seu olhar varrendo a borda da moldura da porta. Sem marcas de arrombamento, sem arranhões novos. Ele se agachou, aproveitando a fraca luz do dia que entrava pela janela do corredor, e examinou a poeira sob o vão da porta.
A distribuição da poeira havia sido perturbada.
Alguém havia enfiado algo por baixo da porta.
Ele se levantou, e desta vez girou a chave. A fechadura emitiu um leve *clique*, especialmente claro no silêncio do corredor. Ele empurrou a porta, não acendeu a luz, deixando primeiro seus olhos se ajustarem à penumbra do interior.
Um cômodo único, menos de vinte metros quadrados. Uma cama, uma mesa, uma cadeira, um guarda-roupas simples. A janela estava fechada, as cortinas puxadas pela metade, os últimos raios oblíquos da tarde se espremendo pela fresta, cortando uma faixa de luz afiada no chão de cimento.
Naquela faixa de luz, no chão perto do lado interno da porta, repousava um envelope marrom.
Muito fino.
Lu Chenzhou fechou a porta, trancou-a por dentro, puxou a outra metade da cortina. O quarto mergulhou completamente na escuridão, apenas aquela linha de luz vazando pela fresta da cortina, como uma faca suspensa no ar.
Ele não foi imediatamente pegar o envelope. Ele foi até a janela, ergueu um canto da cortina e olhou para fora.
Do outro lado do beco havia um prédio residencial igualmente antigo, janelas densamente aglomeradas, a maioria com cortinas fechadas. Algumas estavam abertas, mostrando cenas comuns da vida doméstica: roupas penduradas, a luz tremeluzente de uma TV, um idoso cochilando na varanda.
Nada parecia anormal.
Mas ele sabia que a anormalidade estava lá. Atrás de alguma janela, na fresta de alguma cortina, sob o olhar de algum par de olhos.
Ele soltou a cortina e se virou.
Foi até o envelope, agachou-se, mas não o tocou. Tirou do bolso uma caneta — uma caneta esferográfica preta comum, a tampa já um pouco solta. Usou a ponta da caneta para virar cuidadosamente o envelope.
O verso estava em branco.
Sem palavras, sem marcas.
Ele se levantou, foi até a mesa, tirou de uma gaveta um par de luvas de borracha — luvas descartáveis baratas, daquelas que se compra na farmácia. Calçou-as, os movimentos lentos, o atrito da borracha contra a pele produzindo um leve sussurro.
Só então ele voltou e pegou o envelope.
Muito leve.
Ele foi até a mesa, puxou a cadeira e sentou-se. A luminária de mesa acendeu, um halo amarelado envolvendo a superfície. Ele colocou o envelope no centro daquele halo, como se colocasse um cadáver a ser examinado sobre uma mesa de dissecação.
Usou um estilete para abrir cuidadosamente a boca do envelope.
Dentro, havia apenas uma folha de papel.
Uma fotocópia de uma foto.
Em preto e branco, mas de alta definição. O papel era uma folha A4 comum de fotocópia, as bordas cortadas com precisão, sem deixar quaisquer impressões digitais ou manchas — obviamente tratada.
Lu Chenzhou achatou a foto sobre a mesa.
A imagem era da garagem, local do caso de Shen Yan.
Mas não era nenhuma das fotos da cena do crime da polícia que ele já havia visto.
O ângulo de captura era do interior da garagem, perto da prateleira de ferramentas, apontando para a direção da porta. Desse ângulo, grande parte do espaço da garagem entrava na imagem, incluindo o carro preto e, no chão ao lado do carro, a área que mais tarde seria marcada como "área principal de manchas de sangue".
Mas o foco da foto, ao que parecia, não estava no sangue.
O olhar de Lu Chenzhou caiu no canto inferior esquerdo da foto.
Lá, no chão perto da base da prateleira de ferramentas, havia um leve rastro curvo de arrasto.
Muito superficial, quase imperceptível na fotocópia preto e branco, como uma sombra deixada por umidade que secou. Mas Lu Chenzhou se lembrava daquele local — no relatório posterior da perícia policial da cena, a anotação para esse rastro era "irrelevante, possivelmente causado pelo transporte diário de objetos". Não coletaram nenh
Então, das nove da noite do dia do crime até as dez e quarenta da manhã do dia seguinte, durante essas mais de treze horas, a garagem esteve em estado de isolamento.
Mas a foto mostra a porta da garagem entreaberta.
Portanto, o momento da captura da imagem só pode ter duas possibilidades: ou foi em alguma manhã antes do crime (mas a garagem de Shen Yan geralmente só abria quando o carro era usado), ou... foi depois do crime e antes da chegada da polícia, alguém abriu a porta da garagem, entrou na cena e tirou essa foto.
Depois, fechou a porta novamente.
Lu Chenzhou abriu os olhos.
Seu olhar recaiu novamente sobre aquela marca de arrasto.
O ponto de partida da marca de arrasto estava na base do suporte de ferramentas, estendendo-se em um arco em direção ao centro da garagem, desaparecendo após cerca de um metro. A direção... não era em direção à porta, mas sim para o interior da garagem, aquela parede onde objetos diversos estavam empilhados.
Ele abriu a gaveta, tirou uma lupa de plástico barata.
O mundo sob a lente foi ampliado, detalhes emergiram.
A borda da marca de arrasto não era lisa, havia saliências granulares sutis e descontínuas — como se algo áspero tivesse sido arrastado por ali. E perto do ponto onde a marca desaparecia, no chão, havia uma pequena área de cor ligeiramente mais escura, de forma irregular.
Parecia o resíduo deixado por algum tipo de líquido depois de secar.
Mas no relatório posterior de investigação da polícia, não havia menção a qualquer vestígio de líquido nesse local. Ou foi limpo posteriormente, ou... a polícia simplesmente não percebeu.
Lu Chenzhou colocou a lupa de lado.
Ele recostou-se na cadeira, as luvas de borracha emitiram um leve ruído de atrito sobre a mesa. O ar no quarto estagnou, a poeira flutuava lentamente no halo da luz da mesa, como micro-organismos nas profundezas do mar.
Ele começou a integrar as informações.
Primeiro, evidência de DNA: o sangue nos fragmentos de vidro, que aponta fortemente para Shen Moqing.
Segundo, ambiente da cena: a garagem estava isolada, o assassino precisava de chave ou senha para entrar. Shen Moqing tinha autorização, mas isso não prova diretamente que ele seja o assassino — ele poderia perfeitamente ter entrado na garagem em outro momento, por outro motivo, e se cortado acidentalmente.
Terceiro, esta foto.
O fotógrafo conseguiu entrar na cena antes da chegada da polícia, e o ângulo da foto era profissional, demonstrando familiaridade com o layout do local. Essa pessoa, ou é o próprio assassino, ou um cúmplice do assassino, ou... uma terceira parte que conhecia os fatos, mas escolheu usar esse método para "dar uma dica".
E essa pessoa conseguiu entregar a foto com precisão em sua residência temporária.
Isso significa que o outro lado não apenas possuía materiais internos da polícia (fotos iniciais da cena), mas também conhecia seus movimentos, sabia quando ele sairia, quando retornaria, e até mesmo que ele voltaria sozinho para este quarto após o encontro com Shen Qinghuan.
Monitoramento.
Ou, mais diretamente — perseguição.
A mão esquerda de Lu Chenzhou levantou-se involuntariamente, a ponta dos dedos tocou o canto do olho esquerdo. Ali, o músculo estava contraindo-se levemente, uma vez, e outra, como se algo estivesse lutando sob a pele.
Ele forçou-se a baixar a mão.
Então, pegou um caderno em branco e o abriu.
A ponta da caneta pairou sobre a superfície do papel, parando por alguns segundos.
Caiu.
Ele escreveu duas palavras no centro da página: Assassino.
Então, com essas duas palavras como centro, começou a traçar linhas, irradiando para fora.
A primeira linha, conectada a "DNA — Shen Moqing (associação)". Ele anotou ao lado: Motivo? Conflito pai-filho? Segredo familiar? Acidente?
A segunda linha, conectada a "Autorização de entrada na cena". Anotação: Chave/senha/pessoal interno. Lista possível: Shen Moqing, Shen Qinghuan, Gu Zhixing, Lei Hu, mordomo, pessoal de manutenção diária...
A terceira linha, conectada a "Entrada inicial na cena (fotografia)". Anotação: Sensível ao tempo (antes da chegada da polícia), propósito? — Registrar a cena? Verificar omissões? Criar indução ao erro?
A quarta linha, conectada
Se o outro fosse o assassino ou cúmplice, por que fornecer pistas que poderiam expô-lo? A marca de arrasto naquela foto, que a polícia não deu importância, poderia, aos seus olhos, tornar-se a chave para resolver o caso.
A menos que…
O objetivo do outro não fosse impedi-lo de investigar.
Mas sim guiá-lo.
Guiá-lo para ver certos detalhes que haviam sido ignorados, guiá-lo para construir o perfil de um assassino específico, guiá-lo… a suspeitar de uma pessoa específica.
A ponta da caneta de Lu Chenzhou parou.
Ao lado do nó “entrega anônima”, ele escreveu lentamente duas palavras: guiar.
Depois, abaixo dessas duas palavras, escreveu mais uma linha em letras miúdas: contato de risco?
O quarto escureceu completamente.
O último vestígio de luz do céu desapareceu da janela, a noite chegou. Da rua distante, vinham esparsos sons de carros, como a respiração lenta de uma criatura gigantesca. O halo da luminária de mesa tornou-se a única fonte de luz no quarto, projetando sua sombra na parede, longa e levemente oscilante.
Ele manteve aquela postura por muito tempo.
Até sua garganta ficar seca e apertada, até os músculos das costas começarem a doer devido à tensão prolongada.
Então, ele se moveu.
Pegou o papel cheio de diagramas de relacionamentos, dobrou-o ao meio, e dobrou novamente. Depois, levantou-se, foi até o canto do quarto onde estava o simples fogão a gás de um só queimador e ligou o interruptor de ignição.
Uma chama azul surgiu com um “puf”.
Ele aproximou o papel do fogo.
A borda do papel rapidamente encurvou, ficou carbonizada e então começou a queimar. Línguas de fogo alaranjadas lambiam aquelas densas marcas de tinta e linhas, devorando-as até virar cinzas. O calor gerado pela queimação atingiu seu rosto, trazendo o cheiro característico de papel queimado, levemente adocicado e metálico.
Ele observou em silêncio, até que o fogo quase alcançou seus dedos.
Então, jogou os pedaços de papel restantes na pia e abriu a torneira.
A água jorrou, arrastando as cinzas negras pelo ralo, desaparecendo sem deixar vestígios.
Ele fechou a torneira.
O quarto ficou silencioso novamente, apenas o eco vazio da água se afastando pelos canos.
Ele voltou à mesa, sentou-se novamente, pegou um novo bloco de notas autoadesivas.
A ponta da caneta pairou no ar.
Então, escreveu algumas palavras:
«Acesso.»
«Guiar.»
«Teste.»
«Contato?»
Ele fitou essas palavras por mais de dez segundos. Depois, dobrou o papel autoadesivo ao meio, levantou-se e foi até a estante de livros – na verdade, era apenas uma prateleira de madeira simples pregada na parede, com alguns livros velhos e irrelevantes que ele havia garimpado em sebos.
Ele pegou um Manual de Princípios Mecânicos e o abriu.
As páginas exalavam um cheiro mofado de anos.
Ele colocou o papel autoadesivo bem no meio das páginas, fechou o livro e o devolveu ao seu lugar.
Feito isso, foi até a janela.
Levantou um canto da cortina.
A rua estava completamente escura, os postes de luz emitiam uma luz amarelada, alguns pedestres passavam apressados, suas sombras alongando-se e encolhendo. No prédio residencial em frente, mais janelas acenderam-se, a luz da TV tremulando atrás das cortinas.
Tudo parecia normal.
Mas ele sabia que o anormal estava escondido sob essa aparente normalidade.
Ele soltou a cortina, o tecido deslizou, isolando o olhar do mundo exterior.
Falou baixo, sua voz soando estranhamente clara e solitária naquele quarto vazio.
“O que você quer que eu veja?”
Uma pausa.
“E quem você realmente é?”
Ninguém respondeu.
Apenas de um lugar distante, vindo da janela, um som agudo e confuso, como o alarme de um carro sendo acionado, rasgou a noite, e rapidamente silenciou novamente.
**Cena Três**
O perfil estava completo.
Aqueles traços, setas, anotações, cobriam densamente todo o papel. Eles não eram mais fragmentos desordenados, mas sim conectados por uma lógica interna, apontando para um contorno que gradualmente se tornava claro. Um contorno arrepiante.
Lu Chenzhou largou a caneta.
O corpo da
Mas a pessoa traçada por esse perfil… realmente era Shen Moqing?
Um homem de sessenta e oito anos, patriarca de uma família, acostumado a manipular as coisas nos bastidores, iria pessoalmente carregar o corpo do filho, arriscaria deixar vestígios de sangue na garagem, saberia como inserir uma foto nas brechas da investigação policial?
Não era impossível.
Mas… era demasiado específico. Específico como um alvo cuidadosamente moldado.
A respiração de Lu Chenzhou desacelerou. A garganta estava seca, podia sentir a dor áspera ao engolir. Ele abriu os olhos, o olhar caindo sobre o envelope de papel pardo na ponta da mesa. O envelope já estava vazio, a foto estava presa sob o caderno, mas sua presença era mais forte do que qualquer objeto físico.
O Anônimo.
Essa sombra invisível, mais uma vez, havia entregado a pista diante dele com precisão.
Por quê?
A primeira vez foram as cópias carbonizadas, alertando-o de que alguém havia consultado os antigos arquivos do caso. A segunda vez foi essa foto, fornecendo detalhes cruciais que a polícia havia ignorado. Uma ameaça? Claro que era uma ameaça. Cada entrega estava declarando: Eu posso vê-lo, eu posso alcançá-lo, eu sei o que você está investigando, eu tenho nas mãos o que você precisa.
Mas era apenas isso?
Se fosse apenas para ameaçar, poderia usar métodos muito mais diretos e sangrentos. A foto… era demasiado "profissional". Ela não estava exibindo violência, não estava ostentando crueldade, mas sim fornecendo informação. Uma informação filtrada, com direcionamento claro, até mesmo carregando uma certa… intenção de guiar.
"O que você quer que eu veja?"
A voz de Lu Chenzhou era muito baixa, quase apenas o atrito do ar entre lábios e dentes. Não havia mais ninguém no quarto, essas palavras foram como uma pedra lançada em águas paradas, nem mesmo um eco, imediatamente absorvidas pela escuridão.
Mas ele sentiu, como se algo na escuridão estivesse ouvindo.
Não uma "pessoa" concreta, mas um olhar invisível. Como se estivesse do outro lado de um vidro espelhado, ele aqui deduzindo, e alguém ali observando cada uma de suas reações, avaliando cada passo de seu raciocínio. Aquela sensação de ser observado por todos os lados, de ter sua inteligência desafiada, até mesmo de ser tratado como um "objeto de teste", era como finas agulhas de gelo, penetrando sua coluna.
Raiva.
Uma raiva fria, reprimida ao extremo, lentamente se condensando em seu peito. O canto esquerdo de seu olho começou a contrair levemente, incontrolável. Ele ergueu a mão, pressionando com força a têmpora com as juntas dos dedos, tentando suprimir aquele leve espasmo.
Não adiantava.
A raiva não resolvia problemas. Ela apenas ofuscava a visão, fazendo-o repetir os erros do passado.
Ele precisava reavaliar.
O Anônimo… talvez não fosse um inimigo puro. Pelo menos, não completamente. Em seu padrão de comportamento, havia uma mistura de ameaça, ostentação, teste e… orientação. Como se estivesse jogando uma versão sombria de um jogo de enigmas, o outro lado era tanto o criador dos enigmas quanto aquele que sutilmente dava dicas, observando se ele conseguiria chegar ao final.
O final era o quê?
Encontrar o verdadeiro assassino de Shen Yan? Ou… expor algum segredo mais profundo e perigoso?
O olhar de Lu Chenzhou voltou para o papel cheio de diagramas de relações. A borda do papel já estava desgastada pelos dedos que ele inconscientemente esfregava. Ele fixou os olhos naquelas duas palavras no centro do papel – "Assassino" –, as linhas conectadas ao redor como uma teia de aranha irradiando, ligando Shen Moqing, acesso inicial à cena do crime, o fotógrafo, possíveis pessoas internas… tudo em uma rede.
Essas características poderiam apontar para Shen Moqing.
Mas também poderiam apontar para um "pessoa próxima" que tivesse acesso a Shen Moqing, que pudesse imitar seu padrão de comportamento, que talvez até intencionalmente deixasse seus próprios vestígios de DNA.
Ou, apontar para o próprio Anônimo que forneceu a foto.
Uma pessoa com canais internos na polícia, que entendesse de investigação de cena do
O medo era real, o isolamento era real, os perigos à frente também eram reais. Mas, nessa escuridão sufocante, ele sentiu pela primeira vez... uma direção. Embora essa direção levasse a uma escuridão ainda mais profunda, pelo menos não era mais ficar rodando no mesmo lugar. O perfil psicológico lhe deu um contorno; o comportamento contraditório do Anônimo lhe deu um ponto suspeito. Essas duas coisas eram suas únicas armas neste momento.
Ele precisava de uma estratégia.
Não podia mais ficar passivamente à mercê, não podia mais ser conduzido pelo prazo dos Shen e pelas aparições fantasmagóricas do Anônimo. Ele precisava tomar a iniciativa, mesmo que fosse apenas um passo minúsculo.
Lu Chenzhou sentou-se ereto e pegou o papel coberto de diagramas de relacionamentos. O papel estalou em suas mãos. Ele olhou por um momento, depois pegou o isqueiro.
"Clique."
A chama surgiu, alaranjada, dançando na penumbra. Ele aproximou o canto do papel do fogo. A borda imediatamente se enrolou, ficou carbonizada, e faíscas se espalharam pela superfície do papel, devorando avidamente aquelas linhas e palavras. A luz do fogo refletia em seu rosto, alternando entre claro e escuro. Sua expressão não mudou; ele apenas observou, concentrado, enquanto o fogo transformava em cinzas palavras como "assassino", "acesso privilegiado", "DNA", "foto".
O papel logo foi consumido pelas chamas, restando apenas um pequeno fragmento na borda. Ele soltou-o, as cinzas flutuaram e caíram dentro do copo de esmalte sobre a mesa. Um leve som de *ssss* foi ouvido, algumas linhas de fumaça branca subiram, carregando o odor característico, levemente queimado, da queima de papel. Ele então inclinou o copo, despejando as cinzas e a água na pia, e abriu a torneira.
A água correu com um ruído, levando os últimos traços.
Feito isso, ele arrancou uma folha limpa de adesivo do bloco de notas. Pegou a caneta, hesitou por um instante, e então escreveu algumas palavras-chave:
「Acesso Privilegiado」
「Orientação」
「Teste」
「Contato?」
A caligrafia era limpa, a pressão firme. Cada palavra era como uma coordenada isolada, marcando os limites de sua compreensão atual. Ele olhou por alguns segundos, dobrou o adesivo ao meio, depois novamente, transformando-o em um pequeno quadrado. Então levantou-se, foi até o canto do quarto onde havia uma caixa de papelão cheia de livros velhos, agachou-se e, do fundo, puxou um volume pesado de "Anuário de Ciência e Tecnologia Criminal". A lombada já estava rachada, as páginas amareladas. Ele abriu o livro e enfiou o adesivo dobrado profundamente entre as páginas, perto da costura interna.
O livro foi recolocado no lugar, coberto por outros objetos.
Ele voltou para a janela, sem acender a luz. Seus dedos seguraram a borda da cortina grossa, abrindo uma fenda.
A rua, no início da madrugada, estava vazia como um palco abandonado. Os postes de luz projetavam halos pálidos, e nem mesmo insetos voavam dentro desses círculos de luz. À distância, ocasionalmente, faróis de carros riscavam a escuridão, desaparecendo rapidamente como meteoros, deixando um silêncio ainda mais profundo. O ar frio infiltrava-se pela fenda da janela, trazendo o odor característico da madrugada na cidade: uma mistura de poeira e leve cheiro de escapamento.
Lu Chenzhou ficou parado ali, seu olhar atravessando a fenda, mirando o contorno indistinto da mansão dos Shen ao longe. Lá, as luzes eram esparsas, a maioria das janelas submersa na escuridão. Mas ele sabia que, naquela escuridão, estavam Shen Moqing, Gu Zhixing, Lei Hu, e também... Shen Qinghuan.
Shen Qinghuan.
No café, quando ela ouviu "canal interno de informação", aquele momento sutil de mudança em seus olhos, como uma rachadura sob o gelo, que desapareceu num instante. Era um alerta instintivo, ou... algo mais?
Ele lembrou-se de antes, na pista da área em "L" do arquivo, aquele ponto
Mantenha-se imóvel por enquanto. Não entre em contato ativamente com a parte anônima, não se arrisque a sondar o núcleo da família Shen. Ele escondeu profundamente os resultados da análise comportamental em seu coração, como se estivesse enterrando uma semente dormente. Ao mesmo tempo, ajustou o foco da investigação, direcionando a maior parte de sua energia para organizar secretamente aquela lista de "pessoas com privilégios especiais". Começando pelas margens, pelas fissuras menos perceptíveis, ele cavou, comparou e verificou, pouco a pouco.
Isso exigia tempo, paciência e, acima de tudo, extrema cautela.
Ele sabia que, a partir daquele momento, não era mais apenas o "detetive" contratado pela família Shen, nem apenas o "alvo" manipulado pela parte anônima. Ele havia se tornado um mergulhador que se infiltrava nas águas profundas, buscando sozinho nas escuras profundezas o fraco brilho que poderia iluminar a verdade ou detonar tudo.
O adversário não era apenas um.
E aquela parte anônima... havia se tornado uma peça nesta perigosa partida de xadrez, uma peça de identidade desconhecida, com intenções imprevisíveis, mas que não podia ser ignorada. Amigo ou inimigo? Guia ou armadilheiro? A resposta talvez estivesse escondida naqueles nomes que ele estava prestes a organizar, no próximo "presente" que poderia chegar, no próximo brilho nos olhos de Shen Qinghuan.
Lu Chenzhou voltou para a mesa e sentou-se na escuridão.
Ele não fez nada, apenas sentou-se em silêncio, deixando-se envolver pelo silêncio da madrugada. Mas sob aquele silêncio, algo já havia mudado. Como um conjunto complexo de engrenagens precisas, após uma longa paralisia, finalmente foi impulsionado por um dente crucial, encaixando-se no lugar com um "clique".
O sistema estava online.
O jogo havia entrado em uma nova rodada. E as apostas estavam subindo silenciosamente.