Capítulo 45: Desviando a Atenção
Quatro horas e dezessete minutos da madrugada. O celular vibrou no bolso. Lu Chenzhou acabara de deixar Zhou Zhengping instalado naquele hotel de rede no sul da cidade. Identidade falsa, dinheiro em espécie, um quarto no final do corredor, janelas voltadas para um pátio interno sombrio. Lao Zhou estava encolhido na beirada da cama, abraçando a velha caneca de esmalte, os dedos ainda tremendo incontrolavelmente, as articulações batendo na lateral da xícara, produzindo um leve tique-taque. Lu Chenzhou tirou o celular. A tela acendeu. Uma mensagem multimídia.
"Não acenda as luzes. Não atenda o telefone. Espere eu voltar."
Ele virou-se e desceu as escadas. Seus passos ecoavam monótonos na escadaria vazia, um, depois outro, como uma espécie de contagem regressiva. O canto do olho esquerdo começou a contrair — uma, duas vezes, como se um fio fino estivesse puxando sob a pele, insistindo em lembrá-lo do ponto de ruptura entre exaustão e tensão. Ele ergueu a mão e pressionou, as pontas dos dedos geladas.
Foi então que o celular criptografado reserva começou a vibrar.
Não era uma ligação. Era uma mensagem multimídia.
A tela acendeu abruptamente na escadaria escura, a luz branca ofuscante fazendo suas pupilas se contraírem, uma mancha azul como que queimada permanecendo na retina. A foto estava embaçada, como se tivesse sido propositalmente comprimida: Zhou Zhengping com os olhos vendados com um pano preto, amarrado a uma cadeira de madeira, o fundo era de chapas de ferro enferrujadas e pilares de concreto expostos — o interior típico de uma fábrica abandonada. A legenda tinha apenas uma linha:
**«Venha sozinho, o lugar de sempre, você sabe onde é. Polícia ou companhia, recolha o corpo.»**
O número remetente exibia uma sequência de caracteres aleatórios.
Lu Chenzhou discou imediatamente para a linha segura do esconderijo — aquele celular velho debaixo do travesseiro de Lao Zhou, que só recebia, não fazia chamadas. Tom ocupado. Ninguém atendeu. Discou de novo. Tom ocupado, novamente.
"Merda."
O motor rugiu baixo na rua silenciosa, então rugiu mais alto. Os pneus atritaram-se violentamente contra o asfalto, emitindo um guincho agudo, rasgando a névoa rarefeita da madrugada. Ele pisou fundo no acelerador, a agulha do velocímetro disparou para a direita, os postes de luz da janela formaram uma linha pontilhada pálida, passando velozmente para trás. A mão esquerda segurava o volante, a direita apertava o celular com força, as articulações dos dedos brancas de tanto esforço, a pele esticada, quase revelando o formato dos ossos por baixo.
Ele ampliou a foto ao máximo, as pupilas fixadas em cada pixel.
O casaco cinza-escuro que Zhou Zhengping vestia — na manga havia uma dobra virada para dentro. Lu Chenzhou se lembrava: algumas horas atrás, quando Lao Zhou tremia abraçando a xícara, a manga esquerda estava exatamente daquele jeito, torcida para dentro, como um gesto inconsciente de buscar abrigo. O ângulo e a posição da dobra na foto eram idênticos, sem a menor diferença.
O horário de envio mostrava 04:19.
Lá fora, o céu ainda estava escuro como breu, apenas uma faixa cinza-morto no horizonte leste. Calculando pela hora do nascer do sol nesta estação, se a foto tivesse sido tirada realmente dentro de uma fábrica abandonada — a luz do dia deveria estar penetrando muito mais claramente pela janela neste momento, e o interior não deveria apresentar essas sombras densas e de bordas duras, dependentes de uma única fonte de luz forte.
Mas na foto, a sombra projetada na parede atrás de Zhou Zhengping era curta e nítida. Como a luz do meio-dia.
O pé saiu do acelerador.
A velocidade caiu abruptamente, o motor passou a um ronco baixo, o carro deu uma leve sacudida. Seus dedos batiam inconscientemente no couro do volante — uma, duas vezes. A polpa dos dedos sentia a textura áspera. Estavam desviando sua atenção. Mas ele não podia arriscar. E se Lao Zhou realmente estivesse nas mãos deles? E se aquela dobra fosse apenas uma maldita
Desligou. O volante girou bruscamente, os pneus guincharam na rua vazia e silenciosa, a borracha raspando contra o asfalto, levantando um cheiro de queimado. O motor rugiu, a carroceria girou violentamente pela metade, disparando em direção à periferia da cidade.
A estrada era como uma fita preta, estendendo-se infinitamente na escuridão mais profunda que precede o amanhecer. Os dedos de Lu Chenzhou pareciam querer cravar-se no volante, a outra mão segurava firmemente o celular que monitorava a situação. A luz azul da tela iluminava metade de seu rosto, ossos salientes das maçãs do rosto, olheiras profundas. A cada poucos segundos, seu olhar varria o fluxo de dados, como se estivesse confirmando um pulso.
O coração batia contra as costelas, pesado e acelerado. Em seus ouvidos, o zumbido amplificado do fluxo sanguíneo. O interior do carro estava impregnado de seu próprio suor, ansioso, levemente ácido, misturado com o cheiro de couro e a fumaça residual da noite anterior.
De repente, a tela do celular ficou vermelha.
Uma caixa de alerta vermelha ofuscante explodiu instantaneamente por toda a tela. O espectro de frequência de vibração disparou loucamente, o pico subindo até o limite superior. O celular vibrou em sua palma. Chamada de Qin Wangshu.
"Alerta nível dois acionado." A voz dela estava tensa como arame, "Limiar ultrapassado, impactos consecutivos. Padrão: corte de metal, alavancagem. Eles entraram."
"Localização?"
"Latitude norte 31.14, longitude leste 118.22. Duração contínua: dezessete segundos."
Os dedos de Lu Chenzhou apertaram a capa do celular, fazendo-a ranger. Ele havia adivinhado certo. O preço era que o outro lado já estava dentro.
"Não vá." A voz de Qin Wangshu transmitia um aviso frio e duro, "Você sozinho, desvantagem em força. Pode haver emboscadas no local, ou dispositivos de atraso."
"É todo o meu capital."
"Lu Chenzhou!" A voz dela subiu abruptamente, com uma aspereza metálica, "Se você morrer, não sobra nada!"
Ele desligou a chamada, girou o volante violentamente. O carro disparou por uma estrada de concreto velha e mal conservada, o chassi raspando constantemente contra o asfalto irregular, emitindo um som de atrito que arrepiou os dentes, especialmente agudo no silêncio do início da madrugada. O espectro de vibração no celular parou subitamente. Mudou para outro padrão — vibrações curtas, densas, de alta frequência, como se muitas folhas de papel estivessem sendo viradas rapidamente, ou... sendo rasgadas.
A respiração de Lu Chenzhou parou por um instante. Ele pisou fundo no acelerador, o motor soltando um rugido de uma fera encurralada.
O prédio estava escondido na borda da área marcada para demolição, seis andares, a maior parte dos azulejos brancos da fachada já haviam caído, como uma crosta de sarna. O prédio estava vazio há muito tempo, as janelas estavam pregadas com tábuas. Ele nunca ia lá durante o dia.
O carro parou a cerca de cinquenta metros atrás do prédio, ao lado de um ferro-velho. Lu Chenzhou desligou o motor, abriu a porta e desceu, movendo-se leve como um gato. O vento do início da madrugada trazia o cheiro ácido e podre da pilha de lixo e o odor de enxofre vindo da fábrica química distante, inundando suas narinas. Ele se moveu colado à base da parede, sua sombra alongando-se e distorcendo-se na superfície irregular.
A entrada do porão ficava na lateral do prédio, uma porta de ferro enferrujada escondida atrás de entulho de construção. A porta estava entreaberta.
A fechadura estava arrombada. Ao redor do miolo da fechadura, havia arranhões finos e paralelos, a lingueta foi forçada a dobrar violentamente por uma ferramenta em cunha, o metal estava revirado. Lu Chenzhou agachou-se, passou os dedos pela borda do batente da porta. A poeira acumulada foi esfregada, revelando arranhões frescos no metal por baixo, brilhando sob a luz branca e fria da lanterna tática. Técnica profissional, objetivo claro.
Inclinando a cabeça para ouvir.
O armário de arquivos estava escancarado, como um esqueleto de costelas com as entranhas removidas. Milhares de papéis cobriam o chão de concreto, com uma espessura até o tornozelo. O feixe da lanterna varreu a área, a poeira suspensa dançando como neve fina. Bolas de papel encharcadas de água jaziam moles, exalando um mofo opressivo; fragmentos de papel do tamanho de unhas espalhados por todo lado; as superfícies dos papéis pisoteados exibiam marcas claras de sapatos — a pressão concentrada na parte frontal, com força extra no pé direito.
Lu Chenzhou desligou a lanterna.
A escuridão engoliu tudo. Ele se encostou na moldura da porta, prendendo a respiração. Dez segundos. Vinte segundos. Ao longe, cães selvagens latiam, mas ao seu redor só havia o rugido do próprio sangue fluindo em suas veias.
Ninguém mais.
Ele ligou a lanterna novamente, mudando para o modo difuso de baixa intensidade. Um halo amarelado e fraco mal conseguia iluminar o porão de menos de vinte metros quadrados. O ar era uma mistura de mofo, poeira e um leve traço de cheiro de água sanitária — alguém havia limpado os rastros, mas não teve tempo para fazer um trabalho completo.
Ele não tocou na pilha de papéis primeiro, observando o chão. Dois conjuntos de pegadas se estendiam da porta até o armário de arquivos, depois se voltavam para a velha escrivaninha. Aquelas com passadas longas e estáveis eram do líder; as com passos rápidos e curtos eram do responsável pela busca. As pegadas do líder permaneceram por mais tempo em frente ao armário de arquivos, o padrão da sola esmagando grafites de lápis espalhados.
Lu Chenzhou seguiu as pegadas até o armário de arquivos. A fechadura havia sido forçada com uma alicate hidráulica, deformada e torcida, onde a tinta descascou revelando a folha de ferro enferrujada por baixo, suas bordas afiadas brilhando friamente. Mais de uma dezena de caixas de arquivo dentro do armário haviam desaparecido, as caixas vazias amassadas sob seus pés. Seu olhar fixou-se na posição mais interna, no fundo do armário. Aquele pequeno dispositivo preto preso à parede interna com fita adesiva — um alarme sensor de vibração — já havia sido removido e jogado de lado. Os pontos de solda haviam sido cuidadosamente derretidos, os circuitos intactos.
Eles o encontraram. E sabiam o que era.
Fragmentos de gelo se formaram em seu estômago. Ele se virou e caminhou até a velha escrivaninha. As gavetas haviam sido puxadas e viradas de cabeça para baixo, pilhas alcalinas, pen drives criptografados espalhados entre os papéis. Mas a tábua solta na lateral da escrivaninha ainda estava lá. Ele pressionou a borda com os dedos, empurrando levemente. A tábua deslizou para o lado, revelando um compartimento estreito onde repousavam três sacos plásticos à prova d'água selados. Ele tocou cada um: o contorno rígido de um pen drive, a borda afiada de uma foto antiga plastificada, um caderno de capa dura do tamanho de uma mão. As provas materiais essenciais ainda estavam lá.
Seus ombros, tensionados, relaxaram um milímetro. Mas um frio ainda mais profundo inundou-o instantaneamente. Os invasores haviam revirado tudo à vista, mas deixaram o compartimento secreto intocado. Não o encontraram? Ou — será que eles nem sequer estavam atrás disso?
Lu Chenzhou agachou-se novamente perto da pilha de papéis, seus dedos vasculhando rapidamente os destroços. As pontas dos dedos encontraram uma massa de papel encharcada, pesada, a sensação viscosa e gelada, nauseante. O que estava rasgado eram anotações manuscritas da investigação e linhas do tempo, o que estava encharcado eram resumos de processos e recortes de jornal. Destruído completamente, com uma crueldade deliberadamente teatral — não apenas para eliminar informações, mas para humilhar o colecionador. Ele virou uma pilha de papéis encharcados, revelando por baixo uma foto em grupo esmagada, o sorriso de Shen Yanqing desfocado pelas manchas de água.
De repente, a ponta dos dedos tocou em algo duro. Ele afastou os fragmentos de papel e pegou uma presilha de metal para etiquetas, completamente amassada. A metade restante da et
O receptor só emitia um leve chiado elétrico. Dois segundos depois, o tom de Qin Wangshu mudou levemente: "De fato existem pontos duvidosos. Mas as ordens de cima são para tratar com frieza, os autos do caso serão arquivados amanhã. Agora, é minha vez de perguntar—"
"Zhou Zhengping." Lu Chenzhou a interrompeu, indo direto ao ponto crucial, "As pessoas do programa de proteção a testemunhas ainda estão vigiando ele?"
Qin Wangshu ficou em silêncio. Essa pausa era mais perigosa do que uma confirmação.
"Ele não está conosco." Ela baixou a voz, suas palavras afiadas como facas, "Desde ontem à tarde, a vigilância foi cortada. Onde você o escondeu?"
O coração de Lu Chenzhou deu um salto. Ele não respondeu, mas perguntou de volta: "Não houve registro de sequestro?"
"Não." Qin Wangshu, aguçadamente, captou algo, seu tom repentinamente se tornou tenso, "Lu Chenzhou, você está me sondando. O que você viu?"
"Uma foto." Lu Chenzhou olhava para a água lodosa no chão, sua superfície refletindo fragmentos quebrados da luz de emergência, "Zhou Zhengping amarrado a uma cadeira de madeira numa fábrica abandonada, com os números '97' ao fundo."
"Falsificada." A reação de Qin Wangshu foi rápida, concluindo de forma direta e incisiva, "Arranjei discretamente um colega veterano para monitoramento na periferia, não há anormalidades nos lugares que ele costuma frequentar. Se ele realmente tivesse sido sequestrado, certamente não deixaria de haver nem um telefoname de resgate. Alguém quer atraí-lo para lá." Ela fez uma pausa e acrescentou, "Usando '97' como isca."
Atraí-lo para lá.
Lu Chenzhou fechou os olhos. Seu coração caiu pesadamente de volta ao peito, a dor sacudindo suas costelas. Zhou Zhengping está seguro. Seu julgamento estava correto, o preço foi a exposição deste depósito secreto de evidências, foi a etiqueta "97-Jian-4" sendo usada com precisão pelo outro lado como isca.
"Obrigado." Ele murmurou baixo, as duas palavras soando como bolhas de sangue arrancadas de seus pulmões.
"Lu Chenzhou." Qin Wangshu chamou seu nome completo, despindo-se da casca profissional, seu tom revelando uma rara hesitação e investigação, "Aí do seu lado... aconteceu alguma coisa?"
A respiração dele travou.
O peito parecia ter sido golpeado por um objeto contundente, uma sensação ácida e inchada rompeu instantaneamente as comportas da razão, quente e estranha. Ele abriu a boca, mas sua garganta estava como entupida por um amontoado de papel encharcado e apodrecido, incapaz de emitir qualquer som. A luz de emergência piscou, ele viu sua própria mão apoiada no joelho, as articulações dos dedos brancas de tanto esforço, as unhas profundamente cravadas na palma, deixando uma sensação pegajosa.
"Você está bem?" A voz de Qin Wangshu ficou ainda mais suave, quase como um sussurro, mas com uma força penetrante que não permitia fuga.
"Estou bem." Ele finalmente conseguiu forçar o som, rouco como um fole rasgado, "Desligo."
O polegar pressionou com força o botão para desligar. O chiado elétrico de fundo cessou abruptamente. O silêncio mortal novamente preencheu o porão, apenas sua respiração pesada e desordenada colidindo contra as paredes. Ele manteve a posição sentada, encostado, imóvel por muito tempo, até o tremor no canto do olho esquerdo gradualmente se acalmar.
Devagar, ele soltou o punho, a palma deixando quatro marcas vermelhas profundas em forma de meia-lua, com pequenas gotas de sangue saindo das bordas. Ele se inclinou para frente, vasculhando na pilha de papéis, recolhendo os fragmentos que não haviam sido completamente encharcados e destruídos. Os movimentos eram lentos, mas extremamente firmes.
A ponta do dedo tocou numa bord