Capítulo 56: Gelo Sobre o Rosto, Olhos de Poço Espiam o Coração
A luz fria da tela da televisão era como uma fina camada de gelo, cobrindo o rosto de Lu Chenzhou.
Ele estava sentado na poltrona individual do quarto de hóspedes de Shen Yan, a coluna ereta. A mão esquerda repousava sobre o joelho, o indicador e o dedo médio batendo levemente e alternadamente, inconscientemente. A mão direita pendia ao lado do corpo, as pontas dos dedos geladas. O quarto estava impregnado do aroma característico, ligeiramente amargo, dos móveis antigos de cânfora, misturado com o ar quente e excessivamente seco emitido pelo ar-condicionado central, que ao ser inalado para os pulmões parecia engolir um punhado de areia fina.
Na tela, Shen Moqing sorria para a câmera.
Aquele sorriso, ampliado pelas lentes de alta definição e reproduzido pelos alto-falantes distorcidos desta televisão antiga, tinha uma estranha sensação de ruptura. A voz era calorosa e magnética, a terminação de cada palavra suave e perfeita. Mas os olhos na imagem — mesmo através da grade de pixels — permaneciam frios como um poço no auge do inverno.
"Simpatizo profundamente com a situação do Sr. Lu Chenzhou."
Shen Moqing inclinou-se ligeiramente para frente. Este movimento fez seu rosto parecer mais próximo na lente, mais opressivo. O anel de jade em seu polegar esquerdo emitia um verde suave sob as fortes luzes do estúdio. Enquanto falava, o polegar esfregava lentamente, com ritmo, a parte interna do anel.
"Mas a lei e a verdade nunca podem ser influenciadas por sentimentos." Ele fez uma pausa, o olhar se desviando para o entrevistador fora da câmera, depois voltando, como se ponderasse as palavras. "Notamos que alguns comportamentos do Sr. Lu após sua libertação — incluindo certas... interpretações únicas de algumas evidências no caso Zhao Mingcheng — já despertaram preocupação entre profissionais relevantes."
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente.
Muito levemente. Tão leve que apenas ele próprio podia sentir aquele sutil movimento muscular, como uma agulha extremamente fina perfurando rapidamente sob a pele. Seus dedos sobre o joelho pararam, as pontas pressionando o tecido da calça, formando uma leve depressão.
"Especialmente," a voz de Shen Moqing baixou um pouco, carregando um tom hipócrita, quase angustiado, "ele parece recentemente obcecado em coletar alguns materiais... não verificados, até mesmo tentando usar esses materiais para influenciar o procedimento normal de investigação."
A imagem cortou para um close-up. O rosto de Shen Moqing preencheu toda a tela, cada ruga claramente visível. Ele franziu levemente as sobrancelhas, a expressão como a de um ancião resignado observando um jovem que se desviou do caminho.
"Como alguém que vivenciou o caso na época, desejo mais do que qualquer um que a verdade venha à tona," ele disse. "Mas a verdade deve ser construída sobre evidências sólidas e procedimentos legais, e não sobre... suposições pessoais, ou até mesmo..."
Ele fez uma pausa.
Uma pausa longa, longa o suficiente para fazer os telespectadores diante da TV prenderem a respiração. O som de fundo do estúdio desapareceu completamente, restando apenas um leve zumbido de corrente. Então, Shen Moqing ergueu lentamente os olhos, encarando a câmera diretamente.
"Ou até mesmo sobre alguma projeção obsessiva após um trauma psicológico."
No quarto, o ritmo da respiração de Lu Chenzhou não mudou.
Mas seu punho ao lado do corpo cerrou-se. As unhas cravavam-se na palma da mão, pressionando quatro marcas brancas em forma de lua crescente, que então lentamente ficavam vermelhas, transformando-se em sulcos profundos. A pele da palma transmitia uma clara pontada de dor, como uma âncora, fixando-o na realidade.
O Shen Moqing na televisão continuava.
"Apelamos às autoridades relevantes que, pela estabilidade social e também pela saúde do próprio Sr. Lu..." ele esfregou o anel novamente, desta vez um pouco mais rápido, "é necessário realizar uma... avaliação prudente. Afinal, se alguém que já foi preso por um crime grave mostra novamente tendências prejudiciais à sociedade após a libertação, isso não é apenas uma tragédia pessoal, mas também uma responsabilidade de toda a nossa sociedade."
A imagem de fundo
Não houve sorriso. Foi apenas um movimento muscular, como uma leve ondulação na superfície de água parada soprada pelo vento, desaparecendo num instante. Ele soltou o punho cerrado, deixando quatro marcas profundas de unhas na palma da mão, com bordas já exsudando fios de sangue. Ele ergueu a mão e, com a polpa do polegar, passou lentamente sobre as marcas, o movimento muito suave, como se estivesse limpando poeira de um instrumento de precisão.
Na televisão, a entrevista especial chegava ao fim. Shen Moqing estava concluindo com uma frase final cheia de "responsabilidade social", o tom já recuperado, estável e benevolente, como se as insinuações e acusações anteriores nunca tivessem existido. A música de fundo começou a tocar, aquela melodia de piano solene e levemente compassada, típica de programas jornalísticos.
Lu Chenzhou desligou a televisão.
O controle remoto emitiu um leve clique ao ser pressionado. A tela escureceu instantaneamente, aquela luz fria que cobria seu rosto desapareceu, restando no quarto apenas a luz fraca da tarde que penetrava pelas frestas das pesadas cortinas. A luz cortava obliquamente o tapete, iluminando as incontáveis partículas de poeira flutuando no ar.
Ele se levantou.
Os joelhos estavam um pouco rígidos, havia ficado sentado por tempo demais. Ele caminhou até a janela, não abriu as cortinas, apenas parou ao lado da fresta e espiou para fora com um olho. O jardim frontal da residência dos Shen estava silencioso. Dois guarda-costas de terno preto estavam de pé perto da fonte, de costas para a direção do quarto de hóspedes, mas sua posição bloqueava todos os caminhos em direção ao portão principal. Mais adiante, o portão de ferro estava fechado, e a alameda arborizada do lado de fora estava deserta.
Prisão domiciliar.
Essa palavra deslizou para dentro de seu estômago como um bloco de gelo. Não eram correntes físicas, mas uma prisão mais refinada — cortar a comunicação, monitorar os movimentos, e então apertar lentamente o laço da opinião pública, até que ele fosse completamente moldado em um louco "mentalmente instável", "com tendências violentas", "tentando caluniar seu benfeitor". Quando chegasse a esse ponto, a polícia interviria, tratamento psiquiátrico compulsório, tudo se tornaria natural.
Ele se virou e voltou para o sofá, tirando de uma fenda do assento aquele celular reserva.
Ligou. A tela acendeu, a barra de sinal estava vazia, apenas um 'X' vermelho. Ele abriu o aplicativo de comunicação criptografada e tentou enviar uma mensagem pré-configurada — apenas três palavras: "Confirmado". Pressionou o botão de enviar, a barra de progresso se moveu lentamente, depois travou em sessenta por cento, e finalmente exibiu uma caixa de alerta vermelha:
**[Falha no envio. Verifique a conexão de rede.]**
Ele tentou três vezes. Três falhas.
O sinal do celular estava bloqueado, e era uma interferência profissional de alta potência, cobrindo toda a faixa de frequência. Shen Moqing realmente investiu pesado desta vez. Lu Chenzhou guardou o celular de volta no lugar, seus dedos tocando outro objeto duro sob o assento do sofá — aquele detector portátil de DNA, e a foto do relatório de teste mostrando uma taxa de correspondência de 99,7% presa dentro dele.
A evidência biológica de Shen Yan. Prova irrefutável.
Mas agora, essa prova irrefutável estava presa em suas mãos, como uma granada com o pino removido que não podia ser lançada.
Ele precisava de um caminho.
Um caminho para enviar a evidência para fora, um caminho para rasgar um buraco na rede de opinião pública cuidadosamente tecida por Shen Moqing. A imagem rápida do estudo na entrevista televisiva agora se repetia em sua mente — Shen Moqing insinuando o "falsificador de provas", mas com o fundo sendo o território de Shen Yan. Era uma brecha, mas também uma oportunidade. Se o público começasse a suspeitar, quem realmente forjou a evidência foi Lu Chenzhou, ou alguém dentro da família Shen?
E se... a culpa pudesse ser revertida?
Lu Chenzhou caminhou até o canto do quarto, onde estava aquele telefone antigo de disco pre
Ele se sentou na poltrona individual do quarto de hóspedes de Shen Yan, com as costas eretas, a mão esquerda apoiada no joelho, o indicador e o dedo médio batendo levemente e alternadamente, inconscientemente. A luz fria da tela da TV era como uma fina camada de gelo cobrindo seu rosto. A voz de Shen Yanqing fluía dos alto-falantes, após tratamento de redução de ruído e reverberação, com um magnetismo deliberadamente construído, compassivo e misericordioso.
"Lamento profundamente o que aconteceu com o Sr. Lu Chenzhou."
Shen Yanqing inclinou-se ligeiramente para frente diante da câmera, as mãos entrelaçadas sobre a mesa de nogueira escura. O anel de jadeite brilhava suavemente sob as luzes do estúdio. Ele esfregava o anel com uma frequência lenta e firme.
"Mas a lei e a verdade não podem ser influenciadas por emoções." Ele fez uma pausa, olhando diretamente para a câmera, como se pudesse atravessar a tela e ver cada espectador. "Notamos que alguns de seus comportamentos após ser libertado da prisão, incluindo certas... interpretações únicas de evidências no caso Zhao Mingcheng, já causaram preocupação entre profissionais."
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente.
Ele encarava a tela, suas pupilas refletindo a barra de legendas de notícias que rolava incessantemente. Aquelas palavras rastejavam como cobras venenosas na parte inferior da imagem: "Condição mental de ex-especialista em investigação criminal causa preocupação", "Família Shen pede avaliação cautelosa", "Polícia pode reabrir investigação".
"Apelamos aos departamentos relevantes", a voz de Shen Yanqing subitamente se intensificou, mas habilmente suavizou-se no final, transformando-se em um suspiro de resignação, "pela estabilidade social e também pela saúde do próprio Sr. Lu, é necessário realizar... uma avaliação cautelosa."
A imagem mudou para o fundo do estúdio. Era uma parede de livros decorada com uma estante de estilo chinês, sobre a qual estavam dispostas porcelanas antigas e livros de encadernação tradicional. Mas quando a câmera passou pela borda direita — por cerca de apenas 0,3 segundos — Lu Chenzhou viu.
Um canto do escritório de Shen Yan.
Aquele nicho de madeira de jacarandá, a posição vazia à esquerda da terceira prateleira. Quando ele invadiu na noite passada, ainda havia um Píxiu de jade verde ali.
Agora estava vazio.
Os dedos de Lu Chenzhou pararam.
Na TV, Shen Yanqing continuava: "Particularmente angustiante é que certas pessoas tentam usar métodos como falsificar evidências e espalhar informações falsas para perturbar o processo normal de investigação do caso Zhao Mingcheng. Isso não só é uma falta de respeito pelos falecidos, mas também um flagrante desrespeito à dignidade da justiça."
Falsificar evidências.
A respiração de Lu Chenzhou tornou-se extremamente leve naquele instante. No ar abafado do quarto de hóspedes, o cheiro de naftalina de repente ficou agudo, perfurando suas cavidades nasais.
Ele não está falando de mim.
Ele está falando de Shen Yan.
Esse pensamento penetrou no crânio de Lu Chenzhou como um picador de gelo. A imagem que Shen Yanqing estava construindo diante das câmeras não era a de um simples familiar da vítima. Ele estava preparando o terreno — preparando o terreno para tudo o que poderia acontecer depois. Se os crimes de Shen Yan fossem expostos, ou se Shen Yan morresse "acidentalmente", então essas palavras de hoje se tornariam o prelúdio perfeito: vejam, eu já havia dito que alguém estava falsificando evidências.
E esse "alguém" poderia ser Lu Chenzhou.
Também poderia ser Shen Yan.
Ou até mesmo os dois, empacotados juntos.
O canto da boca de Lu Chenzhou curvou-se em um sorriso extremamente leve. Frio, sem calor. Ele estendeu a mão e pegou o controle remoto na mesa de centro, desligando a TV.
No momento em que a tela escureceu, o quarto mergulhou em um silêncio ainda mais profundo. Apenas o zumbido distante da tesoura elétrica do jardineiro de Shen Yan podando arbustos do lado de fora da janela, como algum inseto em agonia mortal.
Ele precisava revidar.
Agora.
Lu Chenzhou levantou-se do sofá e caminhou até a janela. A cortina de veludo pesada foi puxada para abrir uma fenda, a luz do
O pomo de Adão de Lu Chenzhou moveu-se. Ele ouviu o próprio coração bater contra o tímpano, o ritmo estável, mas cada batida tão pesada como se fosse compactar terra.
"Alô?"
Uma voz feminina veio do receptor. Seca, incisiva, com uma frieza profissional.
Era Qin Wangshu.
A mão esquerda de Lu Chenzhou fechou-se involuntariamente, as unhas pressionando a palma da mão. Ele falou, a velocidade da fala constante, mas cada palavra parecia ter sido espremida entre os dentes: "Reclamação sobre o serviço de quarto."
Do outro lado da linha, houve dois segundos de silêncio.
"Fale." A voz de Qin Wangshu ficou ainda mais fria.
"O ar-condicionado do quarto está com defeito," Lu Chenzhou fixou o olhar na faixa de luz que atravessava a fenda da cortina, "a temperatura está descontrolada. Precisa de reparo de emergência. Além disso, encontrei no criado-mudo... itens pessoais deixados pelo hóspede anterior. Suspeita de substância proibida."
Ele fez uma pausa, ouvindo do receptor um som de respiração muito suave, e ao longe, o ruído indistinto de sinais de despacho de rádio policial. Qin Wangshu estava na delegacia.
"Os itens foram fotografados," ele continuou, baixando ainda mais a voz, "o relatório de teste mostra uma correspondência altíssima com vestígios biológicos encontrados na cena de um caso recente. Taxa de correspondência superior a 99,7%."
Outro silêncio do outro lado da linha. Desta vez, mais longo.
Lu Chenzhou conseguia imaginar a expressão de Qin Wangshu neste momento — sobrancelhas franzidas, o lábio inferior levemente mordido por dentro pelos dentes. Ela estava pensando, ponderando, avaliando se ele estava armando outra cilada.
"O proprietário está afirmando à mídia," ele acrescentou a frase final, "que eu falsifiquei as provas."
"...Endereço." Qin Wangshu finalmente falou, a voz sem emoção discernível, "Vou enviar para a caixa postal antiga."
"Preciso de uma saída."
"Não espere que eu te proteja."
A ligação foi cortada.
O sinal de ocupação soou, *tu-tu-tu*. Lu Chenzhou abaixou lentamente o receptor; quando a carcaça de plástico se afastou da orelha, trouxe uma sensação sutil e gelada de atrito. Ele ficou parado, ouvindo o sinal de ocupação ficar gradualmente mais fraco até desaparecer completamente.
O quarto mergulhou novamente no silêncio.
Mas algo havia mudado. A desconfiança e a frieza na última frase de Qin Wangshu, vindas do outro lado da linha telefônica, eram como uma agulha fina, cravada em algum lugar do seu peito. Não profundamente, mas suficientemente clara.
Ele voltou para a cama, tirou de debaixo do travesseiro aquele rolo de fita de vídeo em miniatura.
A master da "Confissão".
Carcaça de plástico preta, com uma etiqueta de papel amarelado colada na lateral, na qual estava escrita uma data e um número com caneta tinteiro. A caligrafia de dez anos atrás, sua própria caligrafia. Mas aquelas palavras não foram ditas por ele — foram eles, na sala de interrogatório, quebrando suas costelas repetidamente, ameaçando-o com as despesas médicas da irmã, e finalmente colocando as falas em sua boca, forçando-o a lê-las para a câmera.
O polegar de Lu Chenzhou esfregou a borda da etiqueta.
Se ele revelasse agora a existência desta master, insinuando que Shen Yan a possuía há muito tempo e possivelmente abusava do material de sua "confissão", o que aconteceria?
A opinião pública se inverteria instantaneamente. A persona cuidadosamente construída por Shen Yanqing de "preocupação com a saúde mental" desmoronaria. O público perceberia que esta família não apenas armou uma cilada para uma pessoa, mas também transformou sua humilhação em um espécime, guardando-o por dez anos.
Mas o custo seria que ele teria que rasgar a própria ferida mais profunda com as próprias mãos.
Aqueles "depoimentos" distorcidos, forçados a serem ditos, seriam expostos novamente à luz do dia. A mídia analisaria seus expressões quadro a quadro, psicólogos interpretariam sua linguagem corporal, e os espectadores se deliciariam em discutir como um gênio foi destruído.
E Qin Wangshu... como ela o veria?
Lu Chenzhou fechou os olhos.
Os cantos da carcaça da fita de vídeo
Rasgar sua própria cicatriz antiga, expondo o crime de Shen Yan de dez anos atrás; ou expor suas próprias ações ilegais atuais, revelando os crimes de Shen Yan?
O polegar de Lu Chenzhou esfregou inconscientemente a borda do detector. O invólucro de plástico, devido ao manuseio prolongado, já havia adquirido o calor da palma de sua mão. Ele lembrou-se do tom de voz de Qin Wangshu no telefone momentos antes — frio, profissional, mas pelo menos, ela concordou em enviar o endereço.
Ela ainda não cortara completamente o contato.
Se ele lançasse agora a fita de vídeo, revolvendo aquele lamaçal de dez anos atrás, o que Qin Wangshu pensaria? Ela acharia que ele estivesse usando uma tática de autopiedade, ou tentando ganhar simpatia através de uma autoimolação? Ou pior — ela pensaria que ele realmente era uma pessoa mentalmente instável, capaz de usar sua própria vergonha como arma.
Os cantos da boca de Lu Chenzhou apertaram-se.
Ele colocou o detector de lado, pegou a fita de vídeo e caminhou até o velho radiador de ferro fundido no canto do quarto de hóspedes. Havia uma fenda discreta na lateral do radiador, que ele descobrira ao inspecionar o quarto no dia anterior. Ele enfiou a fita de vídeo na fenda, empurrando-a até que o invólucro de plástico preto desaparecesse completamente nas sombras.
Então, ele virou-se, voltou para a cama e pegou o detector.
Seus dedos operaram os botões. Recuperou as fotos tiradas momentos antes, conectou-se ao telefone reserva — aquele velho dispositivo escondido na meia, equipado com um amplificador de sinal portátil. A tela acendeu, o ícone de sinal pulsava freneticamente entre "sem serviço" e "uma barra".
O bloqueio de sinal de Shen Yan era forte.
Ele precisava de uma oportunidade.
Passos ecoaram do lado de fora da janela. Não eram os passos firmes e deliberadamente suaves de um guarda-costas, mas o som um tanto apressado de sapatos de couro em um caminho de cascalho. Aproximando-se, parando diante da porta do quarto de hóspedes.
Lu Chenzhou rapidamente escondeu o detector de volta sob o travesseiro e guardou o telefone reserva no bolso. Caminhou até o sofá, sentou-se, pegou o controle remoto e ligou a televisão novamente.
As notícias já haviam mudado de tópico, agora transmitindo o trânsito da hora do rush matinal. Mas a legenda rolante na parte inferior da tela continuava: «Família Shen pede avaliação cautelosa da condição mental do ex-especialista em investigação criminal».
Bateram na porta.
Três batidas, ritmadas e uniformes, carregando uma contenção bem treinada.
"Senhor Lu?" A voz do mordomo veio através da pesada porta de madeira maciça, gentil, mas inegociável, "O Sr. Shen Yan pergunta se o senhor viu as notícias matinais. Posso preparar o café da manhã para o senhor?"
Lu Chenzhou fitou a tela da televisão.
Manchas de luz dançavam em seu rosto.
Ele falou, sua voz calma como um lago morto: "Vi. Agradeço a preocupação do Sr. Shen Yan."
"Quanto ao café da manhã..."
"Não precisa." Ele fez uma pausa, acrescentando, "Além disso, poderia me trazer papel e caneta? Preciso organizar alguns... pensamentos."
Houve um silêncio de dois segundos do lado de fora da porta.
"Claro, Senhor Lu. Ma San trará para o senhor."
Os passos se afastaram.
Lu Chenzhou recostou-se no sofá e fechou os olhos. Na escuridão, ele ouviu a própria pulsação, o zumbido residual da cortadora de grama do lado de fora da janela, o leve fluxo de ar da saída de ar-condicionado do quarto.
E sob o travesseiro, o último sinal eletrônico, quase inaudível, do detector antes de sua tela se apagar.
*Bip.*
Como o primeiro som suave de uma contagem regressiva.
A luz do lado de fora da janela entrava em um ângulo, projetando uma linha divisória nítida no carpete escuro. Lu Chenzhou parava na borda daquela faixa de luz, metade na claridade, metade na escuridão. Sua mão esquerda segurava o receptor do telefone ant
Seu corpo já estava em movimento, como uma sombra comprimida e liberada, dando dois passos até a janela. No instante em que a mão esquerda empurrava a tranca da janela, a mão direita já havia tirado o telefone reserva do bolso da calça. Na parte de trás do celular, colada, havia uma finíssima lâmina metálica prateada, fina como asa de cigarra — o amplificador de sinal dado por Fang Mu, com autonomia de apenas quarenta e cinco segundos.
A janela se abriu o espaço de uma mão. O vento do início do outono invadiu, trazendo o cheiro de grama cortada do jardim.
O celular foi estendido para fora da janela.
A tela acendeu, a interface do aplicativo de transmissão criptografada surgiu. O polegar de Lu Chenzhou deslizou rapidamente, selecionando a foto do papel térmico, anexando uma breve descrição textual: «Correspondência do DNA de Shen Yan com vestígios da cena do "Assassino do Espelho": 99,7%. Fonte da evidência: teste interno de Shen Yan. Remetente: Denunciante anônimo, possui mais pistas de arquivos internos de Shen Yan.»
Destino do envio: um e-mail externo de mídia pré-configurado, com sete camadas de redirecionamento. Su Mu Yu não receberia diretamente, mas seus contatos sim.
A barra de progresso começou a se mover.
1%……15%……30%……
Da porta veio a voz do mordomo, através da madeira, carregada de uma preocupação deliberada: “Senhor Lu? Está tudo bem? Precisa de ajuda?”
Lu Chenzhou não respondeu. Seu olhar estava fixo na barra de progresso. A borda prateada do amplificador de sinal começou a esquentar, queimando a ponta dos dedos. Uma contagem regressiva de quarenta e cinco segundos tique-taqueava em sua mente.
60%……75%……
“Senhor Lu?” A voz do mordomo se aproximou, uma chave girou meia volta na fechadura.
90%……95%……
Envio concluído.
Lu Chenzhou puxou a mão de volta bruscamente, no instante em que a janela se fechava, ele enfiou o celular de volta no bolso da calça, arrancou o amplificador de sinal e o apertou na palma da mão. O calor residual da lâmina metálica queimou a pele, deixando uma marca vermelha, breve e dolorida.
A porta se abriu.
O mordomo estava na entrada, terno impecável, um sorriso treinado no rosto. Seu olhar primeiro caiu sobre os cacos de vidro e a água no chão, e só então se ergueu para Lu Chenzhou. “Precisa que eu chame alguém para limpar?”
“Não precisa.” Lu Chenzhou voltou para o centro do quarto, curvou-se para pegar alguns dos cacos de vidro maiores, seus movimentos naturais como se tivesse apenas derrubado um copo acidentalmente. “Eu mesmo resolvo.”
O mordomo não se moveu, seu olhar percorreu lentamente o quarto uma volta, finalmente parando na mão direita de Lu Chenzhou, pendente ao seu lado. Aquela mão estava firme, mas na junta dos dedos havia um arranhão novo e fino — provavelmente feito ao pegar os cacos.
“O Senhor Shen Yan está muito preocupado com o senhor,” disse o mordomo, tom suave como se estivesse comentando sobre o tempo. “Ele instruiu especificamente para que o senhor descanse bem, não se… esforce demais.”
Lu Chenzhou se endireitou, jogou os cacos de vidro no lixo. “Agradeça ao Senhor Shen Yan por mim.”
O mordomo acenou com a cabeça, recuou e fechou a porta novamente. O som da lingueta encaixando foi nítido.
Lu Chenzhou ficou parado no lugar, ouvindo os passos do lado de fora da porta se afastarem gradualmente, mas não desaparecerem completamente — pararam na curva do corredor. A vigilância havia passado do claro para o escuro, mas ainda existia.
Ele voltou para a mesinha baixa, pegou aquele telefone antigo. O receptor estava gelado, o plástico da carcaça tinha arranhões finos. Ele discou um número interno, não para a central, mas um código curto que precisava ser transferido três vezes — uma linha reserva interna de Shen Yan, que ia direto para o escritório de um certo gerente de nível médio. Era algo que ele havia observado alguns dias antes, um diretor administrativo que gostava de usar essa linha para fazer ligações particulares durante o horário de almoço.
A lig
Lu Chenzhou apertou o fone com força, a ponta dos dedos pressionando o arranhão de vidro. A leve dor aguda o mantinha alerta. Ele contava os batimentos do sinal de espera: um, dois, três...
"Fale."
A voz de Qin Wangshu veio pelo fone, fria, seca, como uma grade de ferro coberta de gelo numa manhã de inverno. Ao fundo, havia o ruído sutil de um rádio policial e o leve farfalhar de papéis sendo virados - ela estava no escritório, ou talvez no carro.
Lu Chenzhou soltou um suspiro, que se transformou em um leve ruído branco no fone. "Alvo confirmado. Shen Yan. Há evidências biológicas, correspondência de noventa e nove vírgula sete por cento. Acabei de enviar pelo canal antigo."
Silêncio do outro lado da linha. No ruído do rádio, uma instrução de despacho chegou confusa: "... cruzamento do subúrbio oeste, acidente..."
"E então?" Qin Wangshu finalmente falou, sua voz sem surpresa, apenas uma cautela tensa.
"Estou sob prisão domiciliar. Shen Yanqing disse na TV que estou mentalmente instável, forjando evidências." As palavras de Lu Chenzhou saíam rapidamente, cada uma como um tiro disparado. "Ele quer me mandar de volta para dentro. Ou algo pior."
"Então você precisa de uma saída."
"Preciso de um lugar onde possa respirar. Em dez minutos, Shen Yan saberá que as evidências vazaram. Quando isso acontecer, esta casa se tornará uma verdadeira gaiola."
Qin Wangshu ficou em silêncio por mais alguns segundos. Lu Chenzhou conseguia ouvir sua respiração, leve, mas o ritmo havia mudado - ela estava pensando, pesando as opções. No ruído do rádio, uma voz masculina clara interrompeu subitamente: "Capitã Qin, o Comandante Zhao está procurando por você, diz que é urgente—"
"Diga para ele esperar." Qin Wangshu cortou a voz, então falou no fone: "Vou enviar o endereço para a caixa postal antiga. Mas Lu Chenzhou, escute bem—"
Sua voz baixou ainda mais, cada palavra parecia ser espremida entre os dentes.
"Minha responsabilidade é apenas dar-lhe um endereço. Depois que você entrar, vivo ou morto, não é problema meu. Se as coisas que você soltou acabarem provadas como falsas, ou causarem um caos maior, serei a primeira a algemá-lo de volta. Não espere minha proteção, não espere que eu acredite em você. Não há confiança entre nós, apenas uma transação. Entendeu?"
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente. Ele fechou os olhos, e quando os abriu novamente, havia apenas calma em seu olhar. "Entendido."
"E mais," a voz de Qin Wangshu revelou um tom extremamente sutil, quase imperceptível, de cansaço, "aquele e-mail que você enviou... as pessoas de Su Muyu já interceptaram. Agora há movimento começando na internet. O título é sensacionalista, 'DNA de herdeiro de família rica corresponde a cena de homicídio em série'."
Ela fez uma pausa.
"Você acendeu o fogo. Mas para onde as chamas vão, ninguém sabe."
A ligação caiu. O sinal de ocupação soou, bipe após bipe.
Lu Chenzhou colocou o fone no gancho, suas palmas completamente suadas. Ele caminhou até a janela, ergueu um canto da cortina. No jardim, tudo parecia normal - o jardineiro podando os arbustos, o som suave da água da fonte. Mas perto do prédio principal, à distância, havia várias figuras de terno preto atravessando rapidamente o gramado em direção ao prédio dos hóspedes.
Passos rápidos.
Ele recuou para o centro do quarto, tirou o telefone reserva do bolso da calça, desligou-o, removeu o chip SIM e o partiu ao meio. O slot do chip e o corpo do telefone foram enfiados, respectivamente, nas frestas do estofado do sofá e sob o papel picado no fundo da lixeira. Feito isso, ele foi até a porta, encostou a orelha na madeira.
O corredor estava silencioso.
Mas era um silêncio tenso, como a quietude que segue quando uma corda de arco é esticada ao limite. Ele ouviu, bem ao longe, o leve *ding* de um elevador chegando, suave,
Shen Yan parou na entrada, atrás dele dois guarda-costas de terno preto, como duas paredes silenciosas. Ele trocou de roupa, agora vestia um pijama de lã cinza-escuro, a gola solta, mas o cabelo perfeitamente penteado. Aquele aroma gelado de colônia chegou ao quarto antes dele, misturado com um leve cheiro de desinfetante, como um adereço de palco cuidadosamente preparado.
Lu Chenzhou não se levantou. Sentado em uma poltrona individual, a mão esquerda apoiada no joelho, os dedos indicador e médio batiam levemente, alternando-se inconscientemente — era uma mania dele quando pensava. No instante em que viu Shen Yan, os dois dedos pararam.
"Senhor Lu." Shen Yan falou, a voz muito baixa, com uma rouquidão deliberadamente contida. "Ouvi dizer que você... derrubou uma xícara agora há pouco?"
Lu Chenzhou ergueu os olhos. Sob as órbitas de Shen Yan havia duas sombras pouco visíveis, mas no fundo de suas pupilas ardia algo escaldante. Não era raiva, mais parecia o vapor que escapa quando o medo ferve.
"A mão escorregou," disse Lu Chenzhou.
Shen Yan riu. O riso foi breve, como se algo tivesse cortado sua garganta. "A mão escorregou." Ele repetiu a frase, entrando devagar no quarto. Seus sapatos macios e pretos pisavam no tapete sem fazer som. Os dois guarda-costas ficaram do lado de fora, mas a porta não foi fechada. A luz do corredor entrava em diagonal, alongando suas sombras, que se estendiam até os pés de Lu Chenzhou.
"O que meu pai disse na TV agora há pouco, você ouviu, não é?" Shen Yan parou diante da mesa de centro, inclinou-se, apoiando as mãos na superfície de vidro. A postura o fazia parecer um animal prestes a atacar, mas a linha tensa dos ombros traía sua rigidez. "Ele disse que algumas pessoas estão tentando perturbar a investigação do caso Zhao Mingcheng com evidências forjadas."
O olhar de Lu Chenzhou pousou no polegar esquerdo de Shen Yan — lá não havia anel de jade, apenas uma cicatriz muito tênue, quase imperceptível. O hábito de Shen Moqing, Shen Yan não herdara. Mas algumas coisas não precisam de herança.
"Ouvi," disse Lu Chenzhou.
"Quem você acha que ele está se referindo?" A voz de Shen Yan baixou ainda mais, quase um sussurro.
O ar no quarto ficou espesso. Lá fora, vinha o som distante do tráfego na rua, um zumbido, como um enxame de insetos presos num pote de vidro. Lu Chenzhou conseguia sentir o cheiro de suor que vazava por baixo da colônia de Shen Yan, azedo, com o odor agudo da adrenalina.
Ele ficou em silêncio por três segundos.
Então falou, num ritmo constante, cada palavra medida como com uma régua: "Ele está se referindo a alguém que forjou evidências. Alguém que tentou usar vestígios biológicos falsos para arrastar uma pessoa inocente para um caso de assassinato, criar confusão e encobrir o verdadeiro culpado."
A respiração de Shen Yan falhou por um instante.
"Você acha que essa pessoa sou eu?" perguntou Lu Chenzhou.
"Não seria?" Shen Yan endireitou-se, os dedos batendo levemente na superfície de vidro, num ritmo desordenado. "Você saiu da prisão, cheio de ressentimento. Você se aproximou de Shen Yan, aparentemente para investigar o caso, mas na verdade quer se vingar. Você invadiu meu estudo, roubou meus objetos pessoais e então — então criou essas supostas 'evidências'. DNA? Hah." Ele deu uma risada curta. "Com a tecnologia de hoje, quão difícil é forjar um relatório de correspondência? Você sabe melhor do que ninguém, oficial Lu. Você é o especialista."
Lu Chenzhou olhou para ele. O canto esquerdo do olho começou a tremer levemente, muito sutil, mas incontrolável. A mão sobre o joelho fechou-se, as unhas cravando-se na palma. A dor era uma âncora clara.
"O fluxo de dados brutos do detector tem carimbo de tempo criptografado," disse Lu Chenzhou, a voz sem inflexão. "Os parâmetros ambientais no momento da coleta da amostra, o número de série do equipamento, o registro biométrico do operador — tudo enviado em tempo real para a nuvem de terceiros. Não é uma foto, Shen Yan. É toda uma cadeia de evidências. Você pode dizer na mídia que eu forjei,
A voz subiu de tom, com um arranhado. Depois de dizer essas três palavras, ele mordeu o lábio inferior com força, os dentes afundando na carne. Mas já era tarde demais.
Lu Chenzhou capturou aquele instante — o que brilhou nos olhos de Shen Yan não era raiva, mas algo mais primitivo: o susto da traição. A rigidez de um coelho paralisado sob os faróis de um carro.
"Ele não pode?" Lu Chenzhou repetiu, misturando um toque de curiosidade na voz, na medida certa. "Por que não pode? Aquelas coisas, não foram feitas com a anuência dele?"
"Sem o consentimento dele, como eu poderia ter obtido o seu—" Shen Yan travou.
As palavras ficaram presas na garganta. Seus olhos se arregalaram, olhando para Lu Chenzhou, como se de repente percebesse que estava à beira de um precipício e o chão sob seus pés já estivesse cedendo. Suor frio escorreu de suas têmporas, brilhando em finos fios sob a luz oblíqua do corredor.
O coração de Lu Chenzhou deu um solavanco forte dentro do peito.
Conseguiu. Embora apenas meia frase, era o suficiente. Shen Yan admitira com suas próprias palavras que "obteve" — obteve o quê? A confissão daquele ano? A gravação do interrogatório? Ou algo mais, algo que apenas os membros centrais de Shen Yan sabiam, algo suficiente para prender Lu Chenzhou de vez?
Ele manteve a calma no rosto, mas o ritmo de sua respiração mudou. Muito sutilmente, mas Shen Yan percebeu. Esse homem, que herdou o poder de observação de seu pai, era assustadoramente perspicaz em certos aspectos.
"Obteve o quê?" Lu Chenzhou perguntou, a voz ainda estável.
Shen Yan deu um passo para trás. O salto do sapato bateu na borda da mesa de centro, produzindo um baque surdo. Ele balançou a cabeça, os lábios tremendo, querendo dizer algo, mas passos vindos do corredor o interromperam.
Os passos eram firmes, nem apressados nem lentos; o som dos saltos de sapatos de couro batendo no piso de mármore era claro e rítmico. Era a caminhada de Gu Zhixing. Lu Chenzhou a ouvira muitas vezes para errar.
De fato, no segundo seguinte, Gu Zhixing apareceu na porta.
Ele vestia um terno azul-marinho bem passado, os olhos por trás dos óculos de armação dourada calmos e imperturbáveis. Nas mãos segurava uma pasta de arquivos, fina. Primeiro, acenou levemente para Shen Yan: "Jovem mestre Shen Yan, o senhor Shen pede que você vá ao escritório." O tom era respeitoso, mas inquestionável.
Shen Yan, como se agarrasse uma tábua de salvação, virou-se bruscamente, quase saindo em disparada. Mas Gu Zhixing moveu-se de lado para bloquear, não com contato físico, apenas com um posicionamento sutil, fechando o caminho.
"O senhor Shen espera que você vá agora." Gu Zhixing acrescentou, seu olhar voltando-se para Lu Chenzhou. "Quanto ao senhor Lu — o senhor Shen acha que aqui está muito barulhento, não é propício para seu repouso. Preparamos um quarto mais tranquilo para você. Há alguns documentos que precisam ser examinados e esclarecidos pessoalmente por você."
Lu Chenzhou levantou-se lentamente.
Os joelhos estavam rígidos, mantidos em uma posição por muito tempo. Ele moveu os dedos, e uma pontada veio da palma da mão — o ferimento feito pelas unhas estava sangrando, úmido e pegajoso. Ele colocou a mão no bolso da calça, sem demonstrar nada.
"Que documentos?" ele perguntou.
"Alguns registros sobre você... deixar o local sem autorização esta manhã." Gu Zhixing ajustou os óculos, a haste deslizando pela têmpora com um leve ruído de atrito. "Além disso, parece que você enviou algumas informações para fora através de certos canais não oficiais. O senhor Shen espera que você possa esclarecer o conteúdo dessas informações e a identidade do destinatário."
Lu Chenzhou olhou para ele. A expressão de Gu Zhixing era impecável, mas Lu Chenzhou notou que o ded
“As informações que enviei não são apenas uma.” Lu Chenzhou disse, cada palavra pronunciada com clareza. “A primeira, é sobre as evidências biológicas do jovem Shen Yan. A segunda… é sobre a linha do tempo completa e o mapa de relações de como certas pessoas obtiveram e utilizaram uma ‘falsa confissão’ há nove anos. A segunda informação está programada para ser publicada em setenta e duas horas. Se dentro de setenta e duas horas eu não cancelar ativamente, ou se algo ‘inesperado’ acontecer comigo—”
Ele parou, deixando o silêncio fermentar por si só.
O sorriso de Gu Zhixing desapareceu. Ele encarou Lu Chenzhou, os olhos por trás dos óculos estreitando-se, como se estivesse avaliando a veracidade da afirmação. O dedo empurrou os óculos inconscientemente mais uma vez.
“Você está blefando.” Gu Zhixing disse, mas havia uma leve incerteza em seu tom.
“Talvez.” Lu Chenzhou disse. “Mas o senhor Shen ousa apostar? Apostar se tenho ou não cópias de segurança, se entreguei ou não os materiais a uma terceira parte para custódia, apostar quantas carreiras serão queimadas uma vez que esses materiais sejam tornados públicos?”
Ele deu um passo à frente.
Gu Zhixing recuou instintivamente, mas se recompôs imediatamente. Essa pequena hesitação não passou despercebida por Lu Chenzhou.
“Portanto.” Lu Chenzhou continuou, baixando a voz para um sussurro que apenas os dois podiam ouvir. “Diga ao senhor Shen para me deixar ir. Agora, imediatamente. Caso contrário, em setenta e duas horas, toda a mídia da cidade saberá que o filho mais velho de Shen Moqing — seu pai sabia desde o início, até mesmo consentiu.”
O pomo de Adão de Gu Zhixing moveu-se.
O corredor estava em silêncio mortal. Shen Yan já havia desaparecido, provavelmente indo para o escritório. Os dois guarda-costas ainda estavam de guarda na porta, mas não se moveram, aguardando as instruções de Gu Zhixing. O tempo parecia um coloide estagnado, cada segundo alongando-se interminavelmente.
Lu Chenzhou conseguia ouvir o próprio coração batendo, *tum-tum, tum-tum*, contra as costelas. Também conseguia ouvir o som do tráfego mais distante pela janela, e o vago som de uma transmissão de notícias de televisão vindo de algum andar — a entrevista de Shen Moqing ainda estava sendo reprisada? Aquelas frases cuidadosamente polidas, cheias de hipocrisia e preocupação, ainda ecoavam em inúmeras telas.
Então, Gu Zhixing se moveu.
Ele respirou fundo, levantou a mão e fez um gesto de “aguardem” para os guarda-costas na porta. Então olhou para Lu Chenzhou, a expressão complexa — havia avaliação, ponderação e um fio tênue, quase reprimido, de medo.
“Saída de incêndio.” Gu Zhixing sussurrou, os lábios quase imóveis. “Lado leste do andar de hóspedes, abaixo da luz de emergência verde. A fechadura está quebrada há três dias, ainda não consertaram.”
Dito isso, ele se virou, encarando os guarda-costas, a voz voltando ao volume normal: “O senhor Lu precisa de um pouco mais de tempo para considerar. Vocês podem descer primeiro, esperar na entrada das escadas. Eu converso mais um pouco com ele.”
Os guarda-costas trocaram um olhar, acenaram com a cabeça, recuaram, seus passos desaparecendo no fim do corredor.
Gu Zhixing não se virou. De costas para Lu Chenzhou, permaneceu ereto como uma estátua.
Lu Chenzhou não agradeceu. Ele se virou e correu em direção ao