Capítulo 65: A Mensagem do Gelo
A voz de Gu Zhixing veio da entrada do arquivo, estável, gelada.
Os dedos de Lu Chenzhou ainda pressionavam o atlas, as pontas dos dedos pressionando a densa área de ruas na parte oeste da cidade. Ele levantou a cabeça, o olhar se afastando das quatro pequenas palavras "Pousada Yue Lai". A sensação dolorida e inchada no dente do siso não havia desaparecido, como se um arame de ferro estivesse sendo torcido lentamente dentro de seu crânio. Ele soltou a mão, deixando algumas marcas rasas na borda do papel.
"Há uma notícia que preciso te contar." Gu Zhixing entrou, seus olhos atrás dos óculos de aro dourado não mostravam nenhuma agitação. Ele ajustou a armação, o movimento preciso, como se estivesse calibrando um instrumento. "O legista Zhou — aquele do seu caso daquela época, que emitiu uma opinião pericial auxiliar. Teve um acidente ontem à noite."
A respiração de Lu Chenzhou afundou. O batimento cardíaco desacelerou, caindo para o ritmo pesado e monótono de antes do combate.
"Acidente por embriaguez, caiu das escadas de casa." Gu Zhixing fez uma pausa. "Ele se foi. A polícia encerrou o caso como acidente."
Cada palavra era como um pingo de gelo, um após o outro, cravando-se no ar. O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou começou a contrair levemente. Ele controlou isso, apenas fechando o atlas. A capa de plástico emitiu um leve estalo seco.
"É mesmo?", ele disse, a velocidade da fala uniforme. "Que pena."
"Sim." Gu Zhixing olhou para ele, um leve arco profissional flutuando no canto da boca. "Investigar casos é uma coisa, mas assuntos antigos... é melhor deixá-los para trás. Coisas como acidentes, quem pode ter certeza?"
A ameaça envolta em informação, açúcar revestindo veneno.
Lu Chenzhou não respondeu. Ele pegou o atlas e foi em direção à porta. Ao passar por Gu Zhixing, o leve cheiro de colônia dele invadiu suas narinas — cedro misturado com um aroma químico frio e afiado. Os passos de Lu Chenzhou não pararam, indo direto até o final do corredor.
De volta ao quarto de hóspedes, os guardas do lado de fora haviam aumentado de dois para três.
Um deles era um rosto desconhecido, constituição robusta, as articulações dos dedos ligeiramente protuberantes quando as mãos pendiam ao lado do corpo — marcas deixadas por longos anos de prática de boxe. Lu Chenzhou deu uma olhada e empurrou a porta para entrar. A porta se fechou atrás dele, o som da tranca sendo engatada, claro e decisivo.
Ele foi até a pia do banheiro e abriu a torneira. Água fria jorrou, passando sobre seus dedos. A sensação quente e escorregadia da capa de plástico ainda permanecia em suas palmas — deixada pelo atlas que segurara momentos antes. Ele encarou seu próprio rosto no espelho, algumas veias de sangue nos brancos dos olhos, como ruas e vielas entrelaçadas.
Ele se curvou, estendeu a mão para baixo da pia.
A ponta dos dedos tocou um objeto duro, do tamanho de uma caixa de fósforos, fixado com fita impermeável. Ele arrancou a fita, e uma mão agora segurava um celular descartável barato e preto. A capa de plástico já estava quente pelo calor do corpo, as bordas escorregadias. A tela estava apagada.
Shen Qinghuan o havia enfiado lá. Hoje de manhã, ela entrou com a desculpa de "trazer toalhas limpas". As toalhas estavam dobradas com cuidado, e isso estava escondido embaixo.
A tela acendeu, o ícone da bateria mostrava apenas uma barra, vermelha, como o pulso de um moribundo. A barra de sinal oscilava entre zero e uma barra, fraca, como uma vela à beira da extinção ao vento. Ele fechou a torneira, e no banheiro restou apenas o zumbido baixo do exaustor, como a respiração ofegante de algum animal encurralado.
Ele entrou no box do chuveiro e puxou a porta de vidro fosco.
O espaço ficou instantaneamente apertado. Vapor d'água misturado ao cheiro de sabão barato grudava na pele. Ele se agachou, as costas apoiadas na parede fria de azulejos, e pressionou a tecla de discagem
O telefone silenciou por alguns segundos, seguido por um som de farfalhar, como se Zhou Zhengping estivesse se movendo em direção à janela. “…Cinco. Não, seis. Espalhadas perto dos pés.”
Meia hora, seis cigarros. Ansiedade, ou espera. Lu Chenzhou arranhou a junta do azulejo com a unha, produzindo um leve “zzz”.
“Ouça.” Sua fala acelerou, mas cada palavra era pronunciada com clareza. “O plano continua, mas a rota muda. Saia do quarto agora, use as escadas, não o elevador. Saia pela porta dos fundos, vire à esquerda por vinte metros, atrás da lixeira verde há um saco plástico preto. Dentro, uma peruca, um casaco de trabalho azul-escuro, uma bolsa de lona. Vista-se, depois vá até o cruzamento da Rua Hongqi com a Rua Jianshe, àquela banca de jornais abandonada.”
“A banca de jornais…” Zhou Zhengping repetiu, o tremor em sua voz ligeiramente acalmado, como se estivesse agarrando um tronco flutuante. “E depois?”
“Alguém estará lá para recebê-lo.” Lu Chenzhou disse. “Repita o local final.”
“Rua Hongqi e Rua Jianshe… cruzamento, banca de jornais abandonada.”
“Certo.” Lu Chenzhou olhou para a tela do celular; o ícone da bateria começou a piscar, o vermelho mais escuro. “Não entre em pânico. Siga a nova rota, mantenha uma velocidade normal, não olhe para trás. Nossa pessoa estará lá esperando por você.”
“Jingyuan…” A voz de Zhou Zhengping engasgou de repente. “Eu… e se eu…”
“Você consegue.” Lu Chenzhou o interrompeu, seu tom sem qualquer consolo, apenas uma certeza factual. “Há dez anos, você assinou aquele relatório porque alguém ameaçou o futuro do seu filho. Eu sei. Agora seu filho está na Austrália, terminou o mestrado, casou-se no ano passado. Você não tem mais nada a perder – exceto a verdade.”
Do outro lado da linha veio um suspiro reprimido, entre um gemido e um alívio.
“Eu… eu entendo.” A voz de Zhou Zhengping de repente se firmou, carregando uma determinação desesperada. “A banca de jornais. Eu chegarei.”
Ele encarou a tela do celular. O ícone da bateria escureceu completamente. Um segundo antes da tela apagar, ele rapidamente retirou o chip SIM, partiu-o ao meio com a unha e jogou-o no vaso sanitário. O som da descarga ecoou, os fragmentos girando e desaparecendo no ralo.
A capa plástica ainda retinha o calor do corpo. Ele se levantou, os joelhos estalando levemente por ter ficado agachado por tanto tempo. Do lado de fora da porta de vidro fosco, a sombra do guarda balançou uma vez, parou. Lu Chenzhou enfiou o celular no bolso do pijama, formando uma protuberância discreta sob o tecido.
No espelho acima da pia, seu rosto parecia excepcionalmente pálio sob a luz fraca. A contração no canto do olho esquerdo já havia parado, mas a veia na têmpora ainda pulsava. Ele abriu a torneira e lavou o rosto novamente. A água fria fez a pele contrair.
Três batidas, nem leves nem fortes, com um ritmo familiar.
Lu Chenzhou fechou a torneira, secou as mãos com a toalha e caminhou em direção à porta. Ao abri-la, Shen Qinghuan estava do lado de fora, segurando uma bandeja de prata. Sobre a bandeja havia um bule de chá preto, dois pratos de scones e um pequeno pote de clotted cream.
Ela vestia um suéter de cor bege claro, os cabelos longos soltos e presos frouxamente atrás da cabeça, parecendo uma jovem de família rica e obediente, vindo servir o chá da tarde.
A borda da bandeja tremia sutilmente, emitindo um “tinido” quase inaudível. Seu olhar encontrou o de Lu Chenzhou, então desviou rapidamente, fixando-se na xícara de porcelana sobre a bandeja.
“Senhor Lu.” Ela falou, voz leve mas com uma nota de tensão artificial. “A cozinha acabou de assar alguns scones. Meu pai me pediu para trazer alguns, disse… disse que o senhor tem trabalhado duro recentemente nas investigações.”
Seus dedos torciam inconscient
“Às duas da tarde, garagem. Ouvi Gu ao telefone. Disse ‘Yue Lai’, ‘faxineiro’, ‘acidente de trânsito’. A voz do outro lado era desconhecida, com sotaque do norte. Gu disse ‘garanta que pareça um acidente’.”
A sensação da caneta esferográfica deslizando sobre o relevo do papel, pressionando a ponta dos dedos.
Lu Chenzhou enrolou o pedaço de papel novamente, enfiou-o entre as migalhas do scone, e então mexeu um pouco com o garfo, enterrando-o completamente. Ele levantou a cabeça, olhou para Shen Qinghuan e acenou levemente.
A linha dos ombros de Shen Qinghuan relaxou um milímetro. Ela respirou fundo, os dedos soltando a borda do avental e caindo ao lado do corpo. Mas as pontas dos dedos ainda tremiam levemente, como folhas ao vento.
“O chá vai esfriar,” disse Lu Chenzhou, pegando o bule e servindo-se uma xícara. A cor do chá preto era intensa, formando círculos de ondulações dentro da xícara de porcelana. Ele tomou um gole, o líquido morno deslizando pela garganta, suprimindo um pouco o frio que subia do estômago.
“Há uma coisa,” ele começou, a voz muito baixa, baixa o suficiente para que apenas os dois pudessem ouvir, “preciso da sua ajuda.”
Os olhos de Shen Qinghuan se arregalaram um pouco. Ela não disse nada, apenas acenou suavemente.
Lu Chenzhou tirou do bolso do pijama aquele celular descartável — apenas o corpo, sem cartão SIM. Ele segurou as duas extremidades do telefone e fez força. O invólucro de plástico emitiu um estalo seco, rachando ao meio. Dentro, havia uma placa de circuito simples, a bateria, um pequeno motor de vibração.
Ele desmontou o motor de vibração, puxou um pedaço de fio de cobre fino da placa de circuito e o enrolou nos eletrodos do motor. Os movimentos eram rápidos, os dedos firmes, não como se estivesse montando um dispositivo improvisado, mas desarmando uma bomba.
Dez segundos. Um amontoado metálico grosseiro, do tamanho de uma cabeça de fósforo, apareceu na palma da mão de Lu Chenzhou. Ele o pegou e estendeu para Shen Qinghuan.
Do lado de fora da porta, vieram passos extremamente leves.
Não eram os passos regulares e pesados de um guarda, mas mais leves, mais hesitantes, parando diante da porta.
Lu Chenzhou fechou a torneira, secou as mãos com uma toalha e saiu do banheiro. Mal havia se sentado à escrivaninha quando a batida na porta soou. Três vezes, intervalos uniformes, força moderada.
“Sr. Lu.” Era a voz de Gu Zhixing, através da porta, ainda educada. “Está disponível?”
“Entre.”
A porta se abriu. Gu Zhixing ficou parado na entrada, não entrando imediatamente. Hoje ele usava um novo par de óculos de aro dourado, o olhar atrás das lentes varrendo o quarto e finalmente pousando no rosto de Lu Chenzhou, com aquela gentileza profissional e examinadora.
“Não estou atrapalhando seu descanso, certo?” Gu Zhixing entrou, fechando a porta atrás de si, mas não completamente, deixando uma fresta. O gesto era sutil — mantinha a cortesia básica de privacidade, mas garantia que os guardas do lado de fora pudessem ouvir vagamente o que se passava dentro.
“Não.” Lu Chenzhou recostou-se na cadeira, os dedos descansando inconscientemente na borda da mesa. “O advogado Gu tem alguma coisa?”
“Duas coisas.” Gu Zhixing caminhou até a janela, de costas para Lu Chenzhou, olhando para o céu cinzento lá fora. “Primeiro, sobre o médico-legista Zhou... o velho Zhou. O caso dele, a polícia já encerrou como acidente. O velho Shen me pediu para lhe transmitir que esse assunto está encerrado, não precisa se preocupar mais com isso.”
Lu Chenzhou não disse nada. Seu olhar pousou no pulso esquerdo de Gu Zhixing — lá havia um relógio, o mostrador azul-escuro, refletindo a luz fria da janela. Um modelo comercial comum, mas a pulseira parecia um pouco apertada, marcando levemente o osso do pulso.
Gu Zhixing se virou, um sorriso apropriado, levemente apologético, surgindo em seu rosto. “A segunda coisa pode exigir que o senhor se mude um pouco. O velho Shen acha que ficar sempre no quart
“Está bem.” Ele finalmente disse. “Então vou mandar alguém da cozinha vir. O senhor pode arrumar as coisas com calma, sem pressa.”
Ele se virou e saiu, a porta fechando suavemente atrás dele. O som dos passos se afastou.
Lu Chenzhou parou de se mover. Ele ficou em pé diante do guarda-roupa, uma camisa dobrada na mão, mas seus ouvidos estavam concentrados ao máximo em captar qualquer movimento do lado de fora da porta — os passos de Gu Zhixing desaparecendo no final do corredor, seguidos por outro conjunto de passos, muito sutis, se aproximando e parando diante da porta.
A porta foi empurrada levemente, abrindo uma fresta. Uma mão entrou, os dedos segurando um bilhete dobrado ao meio, que foi rapidamente colocado no carpete do lado de dentro antes de a mão se retrair. A porta se fechou novamente.
Lu Chenzhou se aproximou e pegou o bilhete. Ao desdobrá-lo, viu a caligrafia desleixada de Shen Qinghuan, a ponta da caneta esferográfica arranhando o papel, deixando marcas profundas:
«Garagem, carro preto, encontro às três. Yue Lai, faxineiro, acidente de trânsito. Eles vão agir no caminho. Eu ouvi. Acredite em mim desta vez.»
Sem assinatura. A caligrafia tremia muito, os últimos traços quase voando.
Lu Chenzhou levou o bilhete perto do nariz. Além do leve odor ácido do papel em si, havia um traço muito tênue de uma mistura de perfume e suor frio. O cheiro de Shen Qinghuan. Ele rasgou o bilhete em pedaços, jogou na privada e apertou a descarga.
A água girou, engolindo os fragmentos de papel. Ele olhou para o centro do vórtice, sua mente montando rapidamente as informações: Hotel Yue Lai, faxineiro, acidente de trânsito. As palavras-chave da conversa telefônica de Gu Zhixing coincidiam com os fragmentos que Shen Qinghuan ouvira. O horário também se encaixava — encontro às três da tarde, ação no caminho.
Era um aviso ou uma armadilha?
Se fosse um teste planejado por Shen Moqing, então o medo de Shen Qinghuan no momento, sua caligrafia trêmula, seu ato arriscado de passar o bilhete — tudo isso era real demais. Real demais para ser atuação. Mas se fosse verdade… Gu Zhixing já estava preparado para agir contra Zhou Zhengping no caminho. O tempo estava se esgotando.
Ele voltou para a escrivaninha, abriu a gaveta e tirou os restos daquele celular descartável. Bateria, placa-mãe, carcaça de plástico. Ele desmontou um capacitor minúsculo, do tamanho de um grão de arroz, da placa-mãe. Depois, pegou uma caneta esferográfica do porta-lápis, desenroscou-a e retirou a mola atrás da ponta. A mola era fina, de cobre, brilhando com um tom dourado opaco sob a luz.
Seus dedos começaram a se mover. Desmontar, dobrar, conectar. Os movimentos eram rápidos e firmes, como se ele tivesse feito isso inúmeras vezes. O espasmo no canto do olho esquerdo começou de novo, mas ele o ignorou. Toda sua atenção estava concentrada naquele pequeno espaço entre seus dedos.
O capacitor servia como uma fonte de energia em miniatura, a mola como uma antena simples, o fio de cobre como um circuito de disparo. Um interferidor de sinal grosseiro e descartável. O alcance não ultrapassaria cinco metros, a duração seria de no máximo trinta segundos. Mas usado perto do motor de um carro, seria suficiente para causar uma breve perturbação no sistema de ignição eletrônica, resultando em um atraso de alguns segundos na partida.
Alguns segundos, num momento de vida ou morte, podiam significar uma vida.
Na palma de sua mão, repousava um pequeno dispositivo grosseiro, feito do capacitor, da mola e de um pequeno pedaço de fio de cobre retirado de um cabo de dados, tudo enrolado junto. Do tamanho de uma cabeça de fósforo, discreto.
Do lado de fora da porta, o som de passos soou novamente. Desta vez, eram de duas pessoas, um leve, outro pesado.
“Senhor Lu?” Era a voz de uma jovem, carregando um tom de respeito tímido. “O advogado Gu me mandou para ajudá-lo a carregar as coisas.”
Lu Chenzhou fechou a mão, apertando
"...Ela não disse." A voz da garota ficou ainda mais baixa, com um tom choroso. "Senhor Lu, eu... eu sou apenas uma ajudante da cozinha, não sei de nada... A senhorita Qinghuan é boa comigo, por isso eu... por favor, não conte para os outros..."
"Qual é o seu nome?"
"Xiao... Xiao Mei."
"Xiao Mei." Lu Chenzhou caminhou até ela, pegou os livros de suas mãos e os colocou na sacola de lona ele mesmo. "Volte e diga à senhorita Qinghuan que eu entendi. Agradeça a ela."
Xiao Mei ergueu a cabeça bruscamente, os olhos vermelhos, olhou para ele por um instante e rapidamente baixou a cabeça novamente. "...Sim."
Ela acelerou os movimentos, logo arrumando as coisas restantes. As duas sacolas de lona estavam cheias; na verdade, não eram muitas coisas, principalmente livros e documentos. Lu Chenzhou pegou uma ele mesmo, Xiao Mei pegou a outra, e os dois saíram do quarto de hóspedes, um atrás do outro.
O guarda no corredor ergueu a cabeça, passou o olhar por eles e voltou a olhar para a tela do celular.
Para chegar ao jardim traseiro, era preciso atravessar um longo corredor coberto, ladeado por bambus. O corredor estava escuro, apenas um pouco de luz do céu penetrava na extremidade. Os passos ecoavam na calçada de pedra, vazios.
No meio do corredor, Lu Chenzhou parou de repente.
"Xiao Mei."
"Hã?" A garota se assustou e também parou.
Lu Chenzhou se virou para enfrentá-la. A luz no corredor era muito fraca, seu rosto estava meio escondido nas sombras, a expressão indistinguível. Ele estendeu a mão, abrindo a palma.
"Isso," ele disse, a voz muito baixa, mas cada palavra clara. "Encontre uma oportunidade e entregue à senhorita Qinghuan. Diga a ela: perto daquele carro preto, perto do capô, há um lugar... a temperatura será mais alta que em outros lugares. Cole isso aí, bem firme. Depois, saia imediatamente, o mais longe possível."
Xiao Mei olhou fixamente para o pequeno dispositivo, os olhos arregalados, sem ousar pegá-lo.
"O que é isso?"
"Algo que pode ajudá-la." Lu Chenzhou estendeu o dispositivo um pouco mais. "Diga a ela: depois de colar, não se preocupe com mais nada, volte direto para seu próprio quarto. O resto, deixe comigo."
A mão de Xiao Mei tremia ainda mais. Ela olhou para Lu Chenzhou, depois para o pequeno dispositivo, os lábios se moveram algumas vezes. Finalmente, como se tivesse tomado uma decisão, estendeu a mão bruscamente, agarrou o dispositivo e o apertou na palma da mão.
"Eu... eu entendi." Ela sussurrou, recolhendo o punho para dentro da manga.
Lu Chenzhou assentiu, não disse mais nada, virou-se e continuou a caminhar.
Xiao Mei o seguiu, o punho apertado firmemente dentro da manga, as unhas quase cravando na carne. Aquele pequeno e frio pedaço de metal era como um carvão em brasa, queimando sua pele e seus nervos.
Saindo do corredor, o pequeno prédio no jardim traseiro estava à sua frente. A porta estava aberta, a luz lá dentro era fraca.
Lu Chenzhou parou na porta, olhou para trás, na direção da casa principal. No terceiro andar, em alguma janela do lado leste, a cortina se moveu um pouco e logo voltou ao normal.
Ele retirou o olhar, pegou a sacola de lona e entrou no "estudo" preparado para ele.
Xiao Mei ficou parada do lado de fora da porta, olhando para aquela porta fechada por um bom tempo. Então, ela se virou e voltou rapidamente pelo caminho de onde veio. Seus passos ficaram cada vez mais rápidos, até que quase estava correndo. Dentro da manga, o pequeno dispositivo estava quente de tanto ser apertado, coberto pelo suor de sua palma.
Ela atravessou o corredor, atravessou o bambuzal e só parou de correr quando chegou à pass