Capítulo 21: Prova na Escuridão
O celular vibrou uma vez na palma de sua mão.
Lu Chenzhou sentou-se à escrivaninha, pressionando o canto esquerdo do olho com a mão esquerda — ali ainda havia um leve tremor. A luz da lâmpada de mesa fazia a anotação em caneta vermelha "127 Rua Guangming" brilhar intensamente. Ele pegou o celular; a tela estava acesa, mostrando uma mensagem criptografada.
O remetente aparecia como um código aleatório; as regras de decodificação eram um conjunto usado há dez anos entre mestre e discípulo.
O conteúdo tinha apenas duas linhas:
"Gu Mingyuan aparecerá no café 'Velhos Tempos', no sul da cidade, às oito da noite."
"Esta é sua chance de provar seu 'valor'. Estarei nas proximidades."
As palavras eram como punhais de gelo, perfurando sua retina. Ele fitou os dois caracteres para "valor", batendo a ponta dos dedos na borda do celular. Uma vez, duas vezes. Estilo de Qin Wangshu: direto, profissional, cada palavra envolta em uma casca dura de escrutínio. Oportunidade? Mais parecia um teste, ou uma armadilha. Talvez fosse ambos.
Lá fora, a noite era densa. Faltavam quarenta e sete minutos para as oito.
Ele se levantou, pegou uma caneta esferográfica preta da gaveta e a desmontou. A carga, a mola, o encaixe de plástico. As peças se desmontaram e remontaram rapidamente em suas pontas dos dedos, clic, clic, clic. O tremor no canto do olho esquerdo gradualmente se acalmou. Ele jogou a caneta remontada de volta na gaveta e puxou um casaco cinza-escuro do fundo do guarda-roupa; o forro interno tinha um bolso com uma camada costurada à mão. Ele enfiou os dedos lá, confirmando a espessura e o formato. Então se inclinou, levantou levemente a palmilha esquerda do sapato e inseriu um ímã forte, achatado e do tamanho de uma unha.
Ao recolocar a palmilha, ele hesitou por meio segundo.
Dez anos atrás, ele também escondera coisas assim. Na sala de interrogatório, no veículo de transferência, no chuveiro da prisão. Aqueles pedaços de papel aquecidos pelo calor do corpo, os microfilmes, os códigos secretos arranhados com a unha em pedaços de plástico. As memórias subiram como uma maré, trazendo o cheiro de ferrugem e desinfetante. Ele respirou fundo, empurrando a maré de volta.
Agora não era há dez anos.
***
No estacionamento ao lado do antigo mercado de materiais de construção no sul da cidade, dois postes de luz estavam quebrados. Sombras como tinta derramada cortavam o chão de concreto em manchas escuras irregulares. Lu Chenzhou chegou vinte minutos antes. Não usou carro; entrou a pé pela porta lateral. Seus passos eram leves, as solas deslizando pelo chão, quase sem som.
Ele caminhou uma volta pela borda do estacionamento.
A saída leste ligava à via principal, com câmeras de tráfego. O muro oeste tinha uma brecha, levando a um beco traseiro, cheio de formas de concreto descartadas. Ao norte ficava o prédio administrativo do mercado, de três andares, todas as janelas escuras. Ao sul, alguns caminhões empoeirados estavam estacionados. Ele memorizou a posição de cada câmera — duas nos pilares da entrada, uma na esquina do prédio administrativo, suas áreas de cobertura tinham pontos cegos sobrepostos. O vento entrava pela brecha, carregando areia e cheiro de ferrugem. Ele puxou a gola do casaco e caminhou em direção ao carro preto no centro do estacionamento.
O carro não estava desligado; o escapamento exalava uma fina fumaça branca.
Ele abriu a porta do passageiro e entrou. Cheiro de couro misturado a um toque de perfume cítrico, frio, distante. Qin Wangshu estava no banco do motorista, sem olhar para ele, seu foco no mapa aberto sobre o console central. A luz do poste entrava pela janela em um ângulo, dividindo seu perfil em claro e escuro. No lado escuro, seus cílios projetavam uma sombra densa sobre sua bochecha.
"Chegou cedo," ela disse. A voz era plana, sem emoção.
"Costume," respondeu Lu Chenzhou. Ele olhou para o mapa. A área sul da cidade,
O olhar de Lu Chenzhou pousou na marcação do beco lateral. O beco era estreito, ladeado pelas paredes traseiras de prédios residenciais antigos, sem câmeras de vigilância. No meio do beco havia uma banca de jornais abandonada, com cartazes de cinema desbotados colados. As pistas que Zhou Zhengping dera da última vez surgiram em sua mente: "O Velho K tem o hábito de deixar informações em bancas de jornais antigas de tipos específicos... na área sul da cidade, parece haver mais uma."
Seus dedos torceram inconscientemente a manga do casaco.
"Entendido," ele disse.
"Use o canal criptografado para comunicação, a frequência já enviei para seu celular. Coloque o fone e mantenha a comunicação durante todo o processo." Qin Wangshu pegou um fone de ouvido Bluetooth preto do porta-objetos e o entregou. Seus dedos roçaram a palma de sua mão, estavam gelados. "Lembre-se, nominalmente esta operação é uma investigação conjunta, mas na realidade—" ela fez uma pausa, baixando ainda mais o tom de voz, "ambos sabemos, as pessoas de Shen Yan podem estar por perto. Um passo errado, e nós dois estamos acabados."
"Entendido," ele repetiu.
Qin Wangshu olhou fixamente para ele por alguns segundos. Suas pupilas, sob a luz fraca, pareciam muito profundas, como dois poços. "Professor Lu." Ela de repente mudou a forma de se dirigir a ele, e sua voz carregava um tom extremamente leve, quase imperceptível de aspereza. "Não me faça me arrepender desta decisão."
O carro ficou em silêncio. O zumbido baixo do motor, o vento lá fora, o som distante do tráfego na via principal. O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou começou a tremer levemente novamente. Ele pegou o fone de ouvido e o colocou no ouvido direito. A carcaça de plástico gelada tocou sua pele.
"Não farei," ele disse.
Qin Wangshu desviou o olhar e ligou o carro. Os faróis cortaram a escuridão, saindo do estacionamento. Lu Chenzhou recostou-se no banco, observando pelo retrovisor aquela sombra que gradualmente se distanciava — a brecha no muro oeste, a entrada do beco lateral cheio de tábuas, e aquela banca de jornais abandonada, escondida nas pistas da memória, com cartazes desbotados colados.
Seus dedos bateram levemente no joelho.
Uma vez, duas vezes.
O Plano A era de Qin Wangshu.
O Plano B, era dele.
Lu Chenzhou jogou a caneta remontada de volta na gaveta, puxou um casaco cinza-escuro do fundo do guarda-roupa, cujo forro interno tinha um compartimento costurado à mão. Ele vestiu o casaco, seus dedos exploraram a borda do forro por um momento, confirmando a posição da abertura do compartimento. Então pegou o celular, a tela acesa mostrava a última mensagem criptografada enviada por Qin Wangshu: "19:50, Área C do estacionamento sul da cidade. Não se atrase."
Eram 19:37.
Ele desligou a lâmpada de mesa, e o quarto mergulhou na escuridão. A sensação pulsante da ferida em sua mão esquerda tornou-se clara no silêncio, como se algo estivesse rastejando lentamente sob a pele. Ele ficou parado por alguns segundos, deixando os olhos se adaptarem ao escuro, então puxou a porta e saiu.
A luz acionada por som no corredor estava quebrada, apenas a placa verde de saída de emergência projetava uma luz fraca na curva da escada. Seus passos eram leves, mas cada um caía no intervalo entre as batidas do coração.
***
A Área C do estacionamento sul da cidade ficava atrás do mercado de artigos usados, basicamente vazia à noite. Lu Chenzhou chegou dez minutos antes, não entrou diretamente. Ele deu a volta para trás da cerca de chapas de ferro ao lado do mercado, observando através das fendas.
Havia apenas três carros estacionados. No fundo, um SUV preto tinha as luzes de contorno acesas, havia uma figura no banco do motorista.
Lu Chenzhou esperou mais três minutos e meio, confirmando que nenhum outro veículo entrava ou saía, e que ninguém observava dali dos prédios próximos. Só então ele saiu de trás da cerca, atravessou o chão de concreto vazio em direção ao SUV.
Ele abriu a porta e entrou no banco do passage
“O canal de comunicação é criptografado, o fone de ouvido já está ajustado.” Ela pegou um fone de ouvido Bluetooth preto do porta-luvas e o entregou a ele. “Use no ouvido esquerdo. No canal só estamos nós dois, mas não fale coisas desnecessárias na comunicação.”
Lu Chenzhou pegou o fone de ouvido. A carcaça de plástico estava gelada, com leves marcas de desgaste nas bordas. Colocou no ouvido esquerdo; dentro do fone veio um leve chiado de estática, seguido pela voz de teste de Qin Wangshu: “Consegue me ouvir?”
“Consigo,” ele disse.
“Repita sua tarefa.”
“Vigiar Gu Mingyuan, reportar todos os movimentos, não agir por conta própria.”
Qin Wangshu olhou para ele por dois segundos, depois virou o rosto novamente, deslizando o dedo mais uma vez no tablet. O mapa diminuiu, exibindo a distribuição das câmeras de vigilância de todo o quarteirão. Sete pontos vermelhos, três deles ao redor da cafeteria.
“Essas são câmeras municipais, posso acessar os dados em tempo real,” ela disse. “Mas há dois pontos cegos no beco traseiro: quinze metros a oeste do seu ponto marcado em azul, e o canto morto dentro do terceiro desvio do beco. Se Gu Mingyuan se mover nessas direções, preciso que você descreva verbalmente.”
“Entendido.”
“Mais alguma pergunta?”
Lu Chenzhou ficou em silêncio por um momento. Seu olhar pousou no porta-copos abaixo do console central, onde havia um copo de papel vazio de café, com uma leve marca de batom na borda.
“E se encontrarmos pessoas do Shen Yan?” ele perguntou.
O dedo de Qin Wangshu bateu levemente no volante.
*Toc.*
“Isso também seria uma anomalia,” ela disse, o tom inalterado. “Reporte, mas não entre em contato. A presença de pessoas do Shen Yan significa que este encontro pode não ser apenas Gu Mingyuan encontrando um amigo. Precisamos saber o que eles pretendem, não espantar a presa.”
“Entendido.”
“Então está bem.” Qin Wangshu olhou para o horário na tela do carro. “Sete horas e cinquenta e seis minutos. Saia do carro agora, vá a pé até a posição designada. Às oito em ponto, Gu Mingyuan aparecerá. Eu estarei no segundo andar do minimercado do outro lado da rua, com visão que cobre sua área. Mantenha a comunicação.”
Lu Chenzhou puxou a porta do carro.
O vento da noite entrou, trazendo o odor característico e turvo da cidade à noite — escapamento de carros, fumaça de óleo de uma barraca de churrasco distante e o cheiro de terra úmida evaporando do concreto. Ele desceu, fechou a porta, e as luzes de contorno do SUV preto se apagaram.
Ele se virou e caminhou em direção à saída leste do estacionamento.
A voz de Qin Wangshu veio pelo fone de ouvido, muito calma: “Levará quatro minutos para chegar à banca de jornais. Atenção ao furgão branco à sua direita, placa terminando em 37, está estacionado há mais de duas horas. Se houver alguém dentro, pode ser um observador do Shen Yan, ou pode ser irrelevante. Não olhe fixamente, observe com o canto do olho.”
“Recebido,” disse Lu Chenzhou.
Seu ritmo de passos não mudou, mas seu olhar já havia varrido o furgão branco. Os vidros tinham película escura, impossível ver dentro. A pressão dos pneus estava normal, sem afundamento visível. A frente do veículo estava voltada para a direção da cafeteria.
Ele continuou andando.
Ao atravessar o beco atrás do mercado, sentiu um cheiro de água podre, vindo de várias lixeiras verdes empilhadas no canto da parede. Alguns gatos de rua correram das sombras, fazendo um som de farfalhar. No final do beco estava a avenida principal, a auréola dos postes de luz se espalhando no chão em um tom amarelo quente.
A banca de jornais ficava na esquina, já fechada, a porta de enrolar de metal coberta de pequenos anúncios. Lu Chenzhou foi para o lado da banca, encostando-se na parede; deste ângulo, podia ver tanto a porta frontal quanto a saída dos fundos da cafeteria.
Levantou a mão esquerda, fingindo ver as horas.
O mostrador do relógio em seu pulso refletia a luz do poste, os ponteiros marcando exatamente oito horas.
Qu
Oito horas e sete minutos. Gu Mingyuan olhou para o celular mais uma vez, os dedos digitando rapidamente na tela.
Oito horas e doze minutos. Ele ergueu a mão e chamou o garçom, pedindo mais uma bebida.
Oito horas e quinze minutos. A porta dos fundos ainda não apresentava nenhum movimento.
O fone de ouvido transmitia a respiração de Qin Wangshu, muito suave, mas era possível perceber que a frequência estava um pouco mais rápida do que antes.
"Ele está um pouco ansioso", disse Lu Chenzhou. "Olhou para o celular três vezes em dez minutos, bateu os dedos na mesa quatro vezes. A pessoa que ele está esperando pode estar atrasada, ou talvez não venha."
"Continue observando."
Oito horas e dezoito minutos. Gu Mingyuan subitamente se levantou, pegou o casaco pendurado na cadeira e acenou para o garçom, como se fosse pagar a conta.
"Ele vai embora", disse Lu Chenzhou.
"Por qual porta?"
O olhar de Lu Chenzhou alternou rapidamente entre a porta da frente e a dos fundos. Gu Mingyuan já havia chegado ao caixa e estava tirando a carteira. Seu corpo estava voltado para a porta da frente, mas seu olhar lançou uma rápida mirada em direção à porta dos fundos.
"Provavelmente sairá pela porta da frente", disse Lu Chenzhou. "Mas ele olhou para a porta dos fundos."
"Acompanhe de perto. Se ele sair pela porta da frente, mantenha distância e siga-o. Se ele sair pela porta dos fundos, preciso que você relate imediatamente a situação no beco. Eu darei a volta pelo lado do mercado para bloquear a outra saída."
"Entendido."
Gu Mingyuan pagou a conta, enfiou a carteira de volta no bolso e se virou —
Ele não se dirigiu à porta da frente.
Em vez disso, foi direto para a porta dos fundos.
"Ele está indo para a porta dos fundos", a voz de Lu Chenzhou permanecia calma. "Agora está empurrando a porta de ferro."
"Recebido. Estou em movimento. Entre no beco, mas mantenha uma distância de pelo menos vinte metros. Relate a direção dele a qualquer momento."
Lu Chenzhou saiu de trás da lateral da banca de jornais, atravessando rapidamente a rua. Uma moto elétrica passou raspando à sua frente, a campainha tilintando. Ele se desviou, sem parar os passos, e entrou na abertura do beco.
O beco era muito mais escuro do que a rua, apenas algumas lâmpadas de baixa potência penduradas nas partes altas das paredes. A silhueta de Gu Mingyuan estava cerca de trinta metros à frente, caminhando em direção à terceira bifurcação.
Lu Chenzhou diminuiu o passo, movendo-se junto à sombra de uma das paredes. Sua respiração estava controlada e estável, mas o coração acelerava. A pulsação da ferida em sua mão esquerda tornou-se intensa, como se algo estivesse prestes a romper a pele e emergir.
"Ele entrou na terceira bifurcação", disse ele ao fone de ouvido, baixando ainda mais a voz.
"A terceira bifurcação é um beco sem saída, termina em um muro", a voz de Qin Wangshu vinha com uma respiração ofegante; ela provavelmente estava correndo. "Chego ao outro lado da bifurcação em dois minutos. Fique na entrada, não deixe que ele se vire e o veja."
"Recebido."
Lu Chenzhou parou do lado de fora da bifurcação, encostado na parede. Podia ouvir os passos de Gu Mingyuan ecoando pelo beco, ficando mais distantes, e então —
Pararam.
Em seguida, um som de farfalhar, como se estivesse procurando algo.
Lu Chenzhou prendeu a respiração, virou levemente a cabeça e espiou para dentro da bifurcação.
O beco era estreito, com menos de dois metros de largura. Gu Mingyuan estava de costas para ele, agachado no canto da parede, mexendo em uma pilha de caixas de papelão e plástico descartados. Seus movimentos eram apressados; as caixas faziam um som estridente ao serem reviradas.
"Ele está procurando algo", disse Lu Chenzhou.
"Em que posição?"
"No fundo do beco sem saída, canto esquerdo, há uma pilha de lixo."
"Você vê o que é?"
"Ele está de costas, não consigo ver direito."
Qin Wangshu ficou em silêncio por alguns segundos. O fone transmitiu o som rápido de seus passos, que de repente pararam.
"Estou em posição", disse ela, com voz muito baixa. "Estou do outro lado da bifurcação, a uns quinze metros dele. Ele ainda está revirando?"
"Ainda está
Os passos de Gu Mingyuan estavam cada vez mais próximos, já chegando à curva da bifurcação.
A mão esquerda de Lu Chenzhou se fechou com força, as unhas cravando-se na palma. A ferida foi comprimida, transmitindo uma dor aguda e penetrante. Naquele instante, ele lembrou-se da sensação de assinar a falsa confissão na sala de interrogatório, dez anos atrás — a ponta da caneta rasgando o papel, como se rasgasse sua própria pele.
Então, ele tomou uma decisão.
Falou rapidamente no fone de ouvido: "Vejo outra figura atrás dele! No fundo do beco, estava escondida por entulho. Pode ser o contato."
"O quê?" A voz de Qin Wangshu parou de repente.
"Preciso confirmar", disse Lu Chenzhou, com uma urgência perfeitamente medida. "Você guarda a saída, eu vou dar a volta por trás. Se for mesmo o contato, não podemos deixá-lo escapar."
"Espere, Lu Chenzhou—"
Ele não esperou.
No momento em que a silhueta de Gu Mingyuan estava prestes a surgir da bifurcação, Lu Chenzhou girou bruscamente. Mas não foi em direção à bifurcação. Em vez disso, correu para o oposto — para o fundo ainda mais profundo do beco posterior, para aquele ponto cego de vigilância que Qin Wangshu havia mencionado.
Seus passos ecoaram pelo beco vazio.
No fone de ouvido, veio o som da respiração acelerada de Qin Wangshu, seguido por sua voz baixa, carregada de raiva evidente: "Lu Chenzhou! O que você está fazendo? Volte!"
Mas ele já havia dobrado em outra passagem.
A escuridão engoliu sua figura.
O beco posterior era como uma ferida esquecida pela cidade.
Lu Chenzhou se espremeu pela fresta entre dois prédios antigos, o ombro roçando a parede úmida e coberta de musgo. O ar estava pesado com cheiro de mofo, misturado ao odor ácido de lixo em decomposição e à fumaça de óleo que vinha de longe. Ele suprimiu a respiração, cada passo dado nas partes mais profundas das sombras.
No fone, a voz de Qin Wangshu soou novamente.
"O alvo ainda está no local?"
Havia um fio de pressão quase imperceptível em seu tom.
Lu Chenzhou parou, encostando-se na parede. Daqui, ele conseguia ver a lâmpada de emergência amarelada acima da porta dos fundos do café, projetando um círculo de luz difusa no chão úmido. A porta dos fundos estava fechada.
"Ainda está", ele disse no microfone minúsculo na gola, a voz tão estável quanto uma leitura. "Mas um garçom se aproximou de sua mesa há pouco, conversaram por uns vinte segundos. A expressão do alvo... mudou."
"Que mudança?"
"Ele olhou para o relógio duas vezes."
Era verdade. Gu Mingyuan realmente olhara para o relógio duas vezes.
Mas o que Lu Chenzhou não disse foi que o intervalo entre as olhadas de Gu Mingyuan fora curto, mais parecendo uma confirmação de um momento exato, e não impaciência. Também não disse que, durante aqueles vinte segundos, a mão de Gu Mingyuan havia brevemente entrado no bolso interno do paletó, saindo rapidamente — aquele movimento não parecia o de pegar uma carteira ou um telefone.
"Ele pode estar se preparando para sair", a voz de Qin Wangshu ganhou um pouco mais de tensão. "Fique de olho na porta dos fundos. Se ele se levantar e for naquela direção, me avise imediatamente."
"Entendido."
Lu Chenzhou cortou a comunicação.
Ele tirou o fone de ouvido e o guardou no bolso interno do casaco. O mundo ficou instantaneamente silencioso, restando apenas o som distante do tráfego na rua e as batidas de seu coração, como um tambor no peito. Ele olhou para o relógio de pulso.
Sete e cinquenta e dois.
Faltavam menos de três minutos para a janela teórica do "período em branco de rastreamento" que ele criara. Qin Wangshu, neste momento, provavelmente estava concentrada na porta da frente do café, esperando pelo sinal de que Gu Mingyuan poderia sair por lá — era a expectativa que Lu Chenzhou cuidadosamente plantara na comunicação.
Ele respirou fundo.
O cheiro de mofo e urina encheu suas narinas.
Então, começou a se mover.
Passos extremamente leves, rente à base da parede, como uma sombra sem substância. Os fragmentos de pistas fornecidos por Zhou Zhengping se enc
Seu olhar fixou-se na lateral da banca de jornais. A terceira placa de ferro... contando de baixo para cima, a terceira. A ferrugem na borda daquela placa parecia mais clara do que em outros lugares, como se tivesse sido tocada repetidamente por dedos recentemente.
O tempo estava passando.
Cada segundo era como um grão de areia caindo em uma ampulheta, batendo nos nervos.
Lu Chenzhou finalmente se moveu.
Ele caminhou rapidamente para o lado da banca e se agachou. A ponta dos dedos tocou a superfície da chapa de ferro — fria, áspera, com a sensação granular característica da ferrugem. Ele percorreu a borda da terceira placa com os dedos, seus movimentos firmes e precisos.
Primeira vez, nada.
Segunda vez, perto do canto inferior direito, a ponta de seu dedo sentiu uma saliência extremamente minúscula.
Não era um pedaço de ferrugem.
Ele se aproximou, quase encostando o rosto na chapa de ferro. Com a fraca luz da lâmpada de rua ao longe, ele conseguiu ver — era um pequeno encaixe soldado manualmente, do tamanho de um grão de arroz, sua cor quase se fundindo com a ferrugem. No centro do encaixe havia uma fenda quase invisível.
O encaixe secreto mencionado por Zhou Zhengping.
Lu Chenzhou prendeu a respiração.
Ele tirou um clipe de papel do bolso — aquele que ele havia pegado discretamente da pasta de documentos do carro de Qin Wangshu no estacionamento. Ele endireitou a ponta do clipe e a inseriu na fenda do encaixe.
O tato transmitiu a sensação de volta.
Havia resistência.
Ele ajustou o ângulo e aplicou uma leve pressão. A ponta do clipe deslizou para dentro de algum mecanismo, ele sentiu uma lâmina de mola sendo empurrada para abrir —
"Clique."
Um som suave.
Tão sutil quanto uma folha caindo no chão.
A borda inferior da terceira placa de ferro saltou aberta, uma fenda de menos de dois centímetros de largura. Lu Chenzhou enfiou a unha na fenda e puxou lentamente para fora. A placa deslizou silenciosamente, revelando atrás um compartimento secreto do tamanho de uma mão.
O interior do compartimento era forrado com um tecido aveludado preto.
Sobre o veludo, repousava um pen drive.
Preto puro, capa de metal, com uma série de números pequenos gravados na lateral: 871103-07. A sequência de números emitia um brilho frio sob a luz fraca.
O coração de Lu Chenzhou contraiu-se violentamente.
871103.
Aquela data. A data do incêndio no arquivo. Também a data no canto da pintura inacabada no estúdio de Shen Qinghuan.
Ele estendeu a mão.
No instante em que a ponta de seu dedo tocou a capa do pen drive, uma sensação gelada de metal subiu pela sua pele. Ele pegou o pen drive e o removeu do compartimento secreto. Era mais pesado do que imaginava, como se dentro não houvesse apenas dados, mas o peso de dez anos de tempo.
No momento exato em que o pen drive deixou o forro de veludo —
"Bip."
Um zumbido curto.
Extremamente leve, frequência muito alta, como uma agulha perfurando o tímpano. O som vinha do fundo do compartimento secreto, de algum canto que ele não conseguia ver. Soou apenas uma vez e então parou abruptamente.
Mas o sangue de Lu Chenzhou quase congelou em suas veias.
Alarme.
Um dispositivo de alarme havia sido instalado no compartimento secreto.
Ele agarrou o pen drive com força na palma da mão, a borda de metal pressionando dolorosamente sua pele. Com a outra mão, ele empurrou rapidamente a placa de ferro de volta ao lugar, um leve "clique" e o compartimento se fechou. Ele se levantou, seus movimentos um tanto rígidos devido à pressa.
A campainha tinha soado.
O que isso significava? Era um dispositivo antirroubo instalado pelo próprio Lao K? Ou era um alarme acionado por outra parte — alguém que monitorava este ponto de informação? Quão longe o som havia viajado? Alguém já poderia tê-lo ouvido?
As perguntas caíam como granizo.
Ele se forçou a se acalmar. Primeiro, sair daqui. Imediatamente.
Lu Chenzhou virou-se e caminhou rapidamente para o fundo do beco. Depois de alguns passos, parou, tirou o clipe de papel do bolso, dobrou-o com força e jogou-o no bueiro próximo. Em seguida
Ela não se moveu, apenas o observou se aproximar. A luz quente e amarelada do poste descia de cima, projetando uma sombra curta e rígida a seus pés. As mãos enfiadas nos bolsos do casaco preto, a linha dos ombros tensa e reta, como um mastro de bandeira congelado.
Seu olhar pousou sobre ele.
Sem temperatura, sem questionamento, apenas pousou. Como a luz cirúrgica sem sombras, apenas aguardando o início da dissecação.
Lu Chenzhou ajustou a respiração. O tamborilar dentro do peito ainda batia, a reverberação deixada pelo zumbido ainda ecoava profundamente em seus tímpanos. Ele caminhou até ela e parou a três passos de distância. Distância suficiente para conversar, e também suficiente para reagir.
Qin Wangshu falou primeiro.
"Quarenta e dois segundos."
Sua voz era plana, plana como uma superfície de gelo. Cada palavra era como um cinzel batendo no gelo, espalhando fragmentos finos de gelo.
"O tempo exato em que você saiu do meu campo de visão foi quarenta e dois segundos", ela disse. "A comunicação foi interrompida por dezenove segundos. O beco não tem outra saída, a menos que você escalasse aquele muro de dois metros e meio." Ela fez uma pausa. "Mas não há argamassa fresca de parede na sola dos seus sapatos."
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se levemente.
Ele se controlou.
"Eu vi uma sombra", disse ele, misturando uma dose adequada de aborrecimento ao tom de voz. "Saindo pela porta dos fundos do café, indo para o fundo do beco. A postura era familiar, parecia o capanga de Shen Yan, o Ma San. Fui atrás para confirmar."
"Confirmar leva quarenta e dois segundos?"
"Eu o perdi."
"Perdeu alguém em um beco sem saída, sem desvios?"
"No final do beco havia uma pilha de materiais de construção abandonados, ele provavelmente escalou o muro por ali." Lu Chenzhou levantou a mão esquerda e pressionou a têmpora com o polegar — o gesto podia explicar aquela leve contração no canto do olho. "Eu examinei a pilha, realmente havia marcas frescas de pisadas. Mas o homem já havia desaparecido."
Ele estava mentindo.
Metade verdade, metade mentira. Ma San realmente podia estar por perto esta noite — a informação de Zhou Zhengping mencionava que Shen Moqing havia designado alguém para vigiar Gu Mingyuan. Mas Lu Chenzhou não viu Ma San. O que ele viu foi apenas aquele quiosque de jornais abandonado, com o pôster de filme desatualizado colado, e o frio, pesado pen-drive preto no compartimento secreto.
E aquele zumbido penetrante que perfurou seus tímpanos.
Qin Wangshu não desviou o olhar.
Ela o observou, por um longo, longo tempo — cinco segundos inteiros. Os pontos de luz do poste condensaram-se em suas pupilas em duas manchas afiadas, como o centro de uma mira telescópica.
Então ela disse: "Tire o casaco."
Não era uma sugestão, era uma ordem.
O coração de Lu Chenzhou apertou-se violentamente. O pen-drive agora estava colado à sola do seu pé direito, escondido na camada inferior da palmilha, dentro de um bolso. O frio do invólucro de metal atravessava a fina palmilha, como um bloco de gelo incandescente. Ele precisava controlar qualquer reação instintiva que pudesse levá-lo a olhar para o pé direito.
Ele ergueu as mãos e abriu o zíper do casaco.
O movimento não era rápido, nem lento. Era o ritmo que qualquer "colaborador" suspeito pelo parceiro, sentindo um pouco de humilhação mas ainda assim escolhendo cooperar, deveria ter. O som dos dentes do zíper se engatando era especialmente claro na rua silenciosa, *clique, clique, clique*, como uma contagem regressiva.
Tirou o casaco, estendeu-o para ela.
Qin Wangshu pegou-o. Seus dedos eram frios, ao roçarem no dorso de sua mão provocaram um leve calafrio. Ela abriu o casaco, forro para cima, estendendo-o sobre o concreto sob a luz do poste.
Então ela agachou-se.
O movimento era profissional, como se estivesse examinando uma cena de crime. Começou pelos bolsos externos laterais, inserindo os dedos, apalpando, pressionando, sentindo a espessura do forro e as costuras. Nada. Depois a cost
Os dedos de Qin Wangshu finalmente não se adentraram. Ela retirou a mão, levantou-se e bateu levemente em poeira inexistente nos joelhos.
“Levante-se,” disse ela.
Lu Chenzhou obedeceu.
“Vire-se.”
Ele se virou, dando-lhe as costas. Essa postura fez os pelos da nuca se arrepiarem — ela estava fora de seu campo de visão, e o pendrive estava dentro da palmilha de seu sapato direito. Se ela pedisse para ele tirar os sapatos para inspeção…
“Levante os braços.”
Ele levantou os braços, estendendo-os para os lados. Como um prisioneiro aguardando revista.
A mão de Qin Wangshu se aproximou por trás dele. Não tocou seu corpo, apenas pairou no ar, passando pelos lados de sua cintura, sob as costelas, pelas costas. Ela estava verificando se ele ainda escondia algo nas roupas sob o casaco. Seus dedos ocasionalmente roçavam o tecido de sua camisa, trazendo uma sensação gelada.
O perfume cítrico agora se tornou especialmente nítido.
Não era a laranja doce e quente ou a toranja, mas algo mais frio, mais afiado, da família dos cítricos — talvez laranja-amarga, talvez bergamota. Fresco, distante, como uma gota de óleo essencial misturada ao desinfetante de uma sala de cirurgia.
Seus dedos pararam a cerca de três centímetros acima do fivela de seu cinto, na região lombar.
Ali era a área dos rins. Também uma das áreas mais vulneráveis do corpo humano, onde o suor por nervosismo facilmente aparece. Lu Chenzhou sentiu sua camisa levemente úmida naquele ponto — não era suor, era a umidade que havia impregnado quando seus joelhos pressionaram o chão molhado no beco. Mas Qin Wangshu não sabia disso.
A ponta de seus dedos pairou ali por um tempo mais longo.
Então, ela retirou a mão.
“Pode ser.”
Lu Chenzhou baixou os braços e se virou. Qin Wangshu já havia recuado para uma distância de três passos, as mãos novamente enfiadas nos bolsos do casaco. Nenhuma expressão estava em seu rosto, mas os pontos de luz em seus olhos haviam desaparecido. Em seu lugar, havia algo mais profundo, mais pesado, como a lama no fundo de um lago congelado.
“Então,” disse ela, “você gastou quarenta e dois segundos perseguindo uma sombra que ‘poderia’ ser Ma San, em um beco sem saída ‘perdeu-a’, e voltou de mãos vazias.”
“Eu confirmei que realmente havia alguém vigiando Shen Yan,” disse Lu Chenzhou. “Isso em si também é informação.”
“Informação tem um custo.” A voz de Qin Wangshu ficou ainda mais fria. “Nos quarenta e dois segundos em que você saiu do campo de visão, Gu Mingyuan saiu pela porta da frente do café. Eu não pude vigiar duas pessoas ao mesmo tempo.”
“Para onde ele foi?”
“Foi levado por um carro preto. A placa estava coberta.” Ela fez uma pausa. “Mas o motorista usava um par de luvas de couro marrom. Na posição entre o polegar e o indicador da luva esquerda, havia um sinal claro de desgaste.”
As pupilas de Lu Chenzhou se contraíram levemente.
Luvas de couro marrom. Desgaste entre polegar e indicador.
— Esse era o hábito de Gu Zhixing. Gu Zhixing usava perenemente um par de luvas de couro de cordeiro marrom sob medida, porque sua mão esquerda havia sido ferida no passado, necessitando de reforço extra naquela área. Aquele sinal de desgaste era causado por ele inconscientemente esfregar a borda da luva quando pensava, inalterado por dez anos.
Gu Zhixing em pessoa viera buscar Gu Mingyuan.
O que isso significava? Qual a relação entre Gu Mingyuan e Gu Zhixing? Primos? Ou uma conexão mais secreta? Mais importante, a aparição de Gu Zhixing aqui era uma coincidência, ou… esta “operação conjunta” de hoje à noite estava, desde o início, sob os olhos de mais pessoas?
“Você viu,” disse Qin Wangshu, “e eu também vi. Mas por causa dos seus quarenta e dois segundos, perdemos o melhor momento para rastrear Gu Mingyuan.” Ela deu um passo à frente, aproximando-se a uma distância de dois passos. Essa distância já ultrapassava a linha de segurança social; ele conseguia sentir o sabor extremamente suave de bala de hortelã em sua respiração — ela chupava balas de hortelã quando estava sob pressão. “
“O registro da ação de hoje à noite será relatado com precisão.” Sua voz retomou a monotonia profissional. “Vou continuar seguindo a pista de Gu Mingyuan. Quanto a você—” Ela fez uma pausa. “Seu ‘valor’ parece precisar de uma reavaliação.”
Ela usou a palavra “valor”.
Exatamente a mesma palavra que Shen Moqing usara. Uma leve contração agitou o estômago de Lu Chenzhou, como se algo frio ali se aninhasse e apertasse. Ele sabia o peso dessa frase — no contexto de Qin Wangshu, “reavaliação” significava degradação da confiança, redução do compartilhamento de informações futuras, significava que a dificuldade de usar seus recursos para investigar o caso antigo aumentaria exponencialmente.
Mas ele não discutiu.
Discutir só exporia mais falhas.
“Entendido.” Ele disse, apenas essas duas palavras.
Qin Wangshu olhou para ele uma última vez. Aquele olhar era complexo, mesclando escrutínio, decepção, dúvida, e talvez um traço de... cansaço que ela própria não queria admitir. Então ela se virou e caminhou em direção ao carro cinza discreto estacionado na sombra da esquina.
Abriu a porta, entrou.
O som da partida do motor era baixo e suave. Os faróis se acenderam, dois feixes de luz branca e fria cortaram a noite, iluminando o asfalto úmido à frente. O carro começou a se mover lentamente, acelerou, dobrou a esquina e desapareceu na fronteira entre os néons e a escuridão.
Lu Chenzhou permaneceu parado onde estava, imóvel.
O vento noturno estava mais frio. Ele se inclinou, pegou o casaco no chão, sacudiu-o e o vestiu novamente. O tecido ainda retinha o frio das pontas dos dedos de Qin Wangshu, e aquele leve perfume cítrico e fresco. Ele fechou o zíper, ergueu a gola para proteger a nuca.
Então, ergueu o pé direito e pisou levemente no chão.
O pen drive sob a palmilha pressionou a planta do pé, transmitindo uma sensação sólida e gelada. Aquele pequeno objeto preto agora estava colado à sua pele, como uma bala cravada na carne, ou uma chave.
Ele conseguiu o que queria.
Mas pagou um preço — a confiança de Qin Wangshu caiu ao ponto de congelamento, Gu Zhixing provavelmente já percebera, e aquele alarme sonoro significava que os “amigos” ou “inimigos” do dono original do pen drive talvez também soubessem que alguém mexera no compartimento secreto.
A semente rompera o concreto.
Mas o que brotara da terra era um broto de esperança, ou outra forma de espinho?
Lu Chenzhou se virou e caminhou em direção a outro Fang Mu. Seus passos eram firmes, pisando na superfície úmida da rua, emitindo um leve e regular som de areia. Sua sombra, atrás dele, era alongada e distorcida pela luz do poste, como um fantasma silencioso e sem rosto que o seguia.
Ele precisava voltar à sua moradia temporária o mais rápido possível.
Precisava conectar aquele pen drive ao velho laptop, pesadamente criptografado e nunca conectado à internet. Precisava ver o que realmente estava escondido ali — eram fragmentos da cadeia de evidências do caso antigo de dez anos atrás? Era uma confissão deixada por “Lao K”? Ou era um vislumbre de uma conspiração ainda maior e mais sombria?
Ou então, como o alarme sonoro sugeria...
Esse pen drive em si era a isca para outra armadilha?
A loja de conveniência na esquina ainda estava com as luzes acesas, cartazes promocionais desbotados colados na porta de vidro. A porta automática deslizou aberta com um mecânico “Bem-vindo”. Lu Chenzhou entrou, comprou um café preto quente do mais barato, pagou em dinheiro, não usou pagamento por celular.
Ao sair da loja de