Capítulo 91: O Espinho da Inocência
O arquivista no canto no final do corredor era mais antigo que os ao redor. A superfície de metal cinza-escuro estava coberta de manchas de ferrugem finas e densas, como lágrimas solidificadas. O sistema de umidade constante parecia ter falhado ali, o ar carregado com um cheiro persistente de mofo, misturado ao odor pungente de naftalina.
Lu Chenzhou caminhou até ele, a ferida de bala na perna esquerda puxando os nervos a cada passo. Ele agachou-se, os joelhos emitindo um leve estalo. A caixa de arquivo metálica com o número "97-Abs-003" jazia na prateleira mais baixa, menor que o tamanho padrão, como um caixão em miniatura. A superfície da caixa não tinha nenhuma etiqueta, apenas o número gravado a laser, com um leve relevo ao toque.
Zhou Zhengping estava parado a dois passos de distância, de costas para ele, com o ouvido colado na parede. "O som do carrinho de logística... ainda está na ala leste. Você tem no máximo cinco minutos."
Lu Chenzhou não respondeu. Ele tirou do bolso o decodificador eletrônico — um cubo preto do tamanho de uma mão, as bordas já desgastadas. A sonda na ponta do cabo foi inserida na fechadura, e a tela acendeu com uma fraca luz azul. Ele digitou a senha inicial fornecida por Zhou Zhengping: seis zeros. A tela piscou "Erro". Na segunda vez, ele digitou os seis primeiros dígitos do número de identificação policial de Gu Zhiyuan. Ainda erro.
O cheiro de mofo no ar parecia mais forte.
"Ou então o quê?" Lu Chenzhou perguntou de repente, a voz muito baixa.
Zhou Zhengping ficou em silêncio por dois segundos. "Ou então, tente a data do falecimento do seu parceiro."
Os dedos de Lu Chenzhou pararam no ar. O canto do olho esquerdo começou a contrair-se, uma vez, duas. Ele fechou os olhos, respirou fundo, o cheiro de mofo invadindo suas narinas. Então abriu os olhos e pressionou seis dígitos no teclado do decodificador: 3, 1, 0, 5, 9, 7.
"Bip—"
Dentro do mecanismo da fechadura, uma série de ruídos mecânicos minuciosos ecoou, como ossos se rearranjando. A tampa da caixa saltou levemente, abrindo uma fresta.
Lu Chenzhou levantou a tampa. Dentro não havia documentos, apenas um envelope de arquivo de papel pardo, a abertura selada com lacre vermelho de cera, sobre o qual havia a impressão clara de um selo: uma espada, atravessando um dossiê. Abaixo do selo, uma assinatura manuscrita — Gu Zhiyuan. A caligrafia era afiada, o último traço quase rasgando o papel.
Ele pegou o envelope. Era leve. Mas no instante em que suas pontas dos dedos tocaram o papel, o som distante de rodas de carrinho rolando sobre o piso de concreto ecoou, aproximando-se.
"Vamos." Zhou Zhengping já havia aberto a porta da saída de emergência, uma rajada de vento com cheiro de ferrugem entrou.
Lu Chenzhou enfiou o envelope no bolso interno do paletó, contra o peito. A borda do papel pressionava suas costelas, com uma dureza irreal. Ele se levantou, a perna esquerda fraquejou, quase o fez cair de joelhos, e ele se apoiou no arquivista para se firmar. A estante de metal balançou, emitindo um zumbido abafado.
Os dois entraram na saída de emergência. A porta se fechou atrás deles, trancando novamente aquela "tumba" e todos os seus segredos na escuridão. A escadaria tinha apenas a luz verde fosforescente da placa de saída de emergência, iluminando os degraus de concreto que desciam em espiral. Zhou Zhengping ia na frente, os passos leves, quase inaudíveis. Lu Chenzhou o seguia, cada passo dado nas sombras.
"Depois de sair," Zhou Zhengping parou na curva, olhou para trás para ele, girando a caneca de esmalte na mão, "vá direto ao tribunal. Hoje às duas da tarde, Tribunal Número Três, sentença final."
Lu Chenzhou assentiu. Ele tocou o envelope dentro do bolso. "Isto..."
"É o seu ingresso." Zhou Zhengping o interrompeu, a voz ecoando na escadaria vazia. "E também a sua faca. Mas lembre-se ao usá
Terminando, ele deu um passo para trás, e a porta corta-fogo fechou-se lentamente. Antes que a fresta se fechasse completamente, Lu Chenzhou ouviu suas últimas palavras: "No tribunal, cuidado com Gu Zhixing. Um cão encurralado não apenas pula o muro."
O trinco da porta encaixou-se com um "clique".
Lu Chenzhou ficou parado sob a luz do sol, por três segundos inteiros. Então, ergueu a mão e parou um táxi que passava exatamente naquele momento.
***
Tribunal Popular Intermunicipal, Terceira Sala de Julgamento.
Treze horas e cinquenta minutos da tarde.
Lu Chenzhou sentava-se no banco dos réus, vestindo o terno cinza-escuro que Qin Wangshu preparara para ele — ajustado de forma excessivamente perfeita, o tecido rígido, as mangas terminando exatamente nos ossos do pulso. Seus dedos esfregavam inconscientemente a borda lisa da mesa de madeira, uma vez, e outra vez. A superfície da mesa tinha arranhões sutis, marcas de ansiedade deixadas pelas inúmeras pessoas que ali se sentaram antes dele.
O ar estava parado. A saída de ar-condicionado central emitia continuamente um zumbido baixo e constante, como a respiração de alguma fera colossal. A galeria para o público estava cheia. Na primeira fila à esquerda, Qin Wangshu e Zhao Tieshan sentavam-se lado a lado, com um assento vazio entre eles. Qin Wangshu mantinha as costas eretas, o olhar fixo à frente, mas Lu Chenzhou viu sua mão sobre o joelho, o dedo indicador batendo inconscientemente — era um hábito dela quando pensava. Zhao Tieshan parecia mais relaxado, o corpo levemente inclinado para trás, girando uma velha insígnia policial desbotada entre os dedos, para um lado e para o outro.
À direita, Shen Moqing sentava-se sozinho na primeira fila. Vestia uma túnica superior de estilo tradicional azul-marinho, a mão esquerda apoiada no braço da cadeira, o anel de jade polegar brilhando com uma luz suave sob as luzes do teto. Ele esfregava o anel, lentamente, com firmeza. Gu Zhixing sentava-se na fileira atrás dele, ao lado de um advogado de meia-idade elegantemente vestido. Gu Zhixing ajustava seus óculos de aros dourados, os dedos empurrando a armação, e empurrando novamente.
Nas fileiras traseiras estavam alguns veículos de mídia autorizados a entrar, as lentes das câmeras como olhos negros, apontadas para o centro do tribunal.
O som das teclas sendo digitadas pela secretária judicial ecoava "tac-tac", nítido e rítmico, como uma contagem regressiva.
Lu Chenzhou desviou o olhar, voltando-o para o envelope de papel pardo sobre a mesa à sua frente. O lacre de cera estava intacto, a assinatura de Gu Zhiyuan atravessando-o de forma gritante. Ele não o abriu. Algumas facas são mais afiadas antes de serem desembainhadas.
"Todos de pé—"
A voz do oficial de justiça ressoou, perfurando o ar parado.
A porta lateral do estrado dos juízes abriu-se, e três juízes entraram em fila. A líder era uma juíza de cerca de cinquenta anos, rosto sério, vestes judiciais solenes. Ela caminhou até o centro do estrado, parou, o olhar varrendo toda a sala.
"Podem se sentar."
Um ruído sussurrante de pessoas se acomodando.
A juíza sentou-se, pegou o martelo e bateu-o levemente.
"Tum."
O som foi nítido, autoritário, ecoando no silêncio do tribunal.
"A sessão está aberta. O Tribunal Penal do Tribunal Popular Intermunicipal procederá agora à leitura pública da sentença no caso em que o Ministério Público acusa o réu Lu Chenzhou do crime de homicídio doloso." A voz da juíza era estável,
Recesso de dez minutos. Esses dez minutos pareceram dez anos. O ar estava parado, cada segundo batendo nos tímpanos de Lu Chenzhou com um eco pesado. Sentado no banco dos réus, ele podia ouvir o som do sangue fluindo em suas veias. O tremor no canto do olho esquerdo começou novamente, uma vibração sutil e incontrolável. Ele fechou os olhos, pressionando as têmporas com força com os polegares, os nós dos dedos ficando brancos. Qin Wangshu não se moveu, permanecendo sentada em seu lugar. Mas Lu Chenzhou podia sentir seu olhar, como uma corda esticada, amarrada às suas costas. Shen Moqing levantou-se e saiu do assento. O som de sapatos de couro batendo no piso de mármore, nem rápido nem lento, desapareceu atrás da porta lateral. Zhao Tieshan curvou-se para pegar o distintivo de policial que havia caído, limpou-o com a manga, segurou-o na palma da mão, os nós dos dedos ficando azulados. Os dez minutos terminaram. Os guardas abriram a pesada porta de madeira. A juíza retornou ao seu lugar, sua toga preta solene. O escrivão levantou-se: "Todos de pé." Um ruído de arrastar cadeiras. Lu Chenzhou levantou-se, os joelhos um pouco rígidos. Ele viu que, no banco do tribunal, a cópia das "Notas do Dr. Wang" havia sido removida, substituída por uma pilha grossa e encadernada da sentença. A juíza colocou os óculos e começou a ler. O longo número do processo, informações das partes, resumo do procedimento... Os artigos da lei fluíam pelo tribunal como uma maré gelada, palavra por palavra. A respiração de Lu Chenzhou ficou muito suave. Ele fixou os lábios da juíza, as páginas em suas mãos, a luz fraca que brilhava nas bordas das páginas quando eram viradas. O tempo se alongou. A brisa fria do ar-condicionado soprou na nuca dele. Alguém na plateia tossiu levemente. As câmeras na área da mídia já estavam levantadas, as lentes escuras apontadas para o banco do tribunal.
Finalmente. A voz da juíza fez uma pausa, ela virou uma página. Ela ergueu os olhos, varreu o tribunal com o olhar e finalmente fixou-o no rosto de Lu Chenzhou. "Este tribunal considera," sua voz era clara, estável, carregando a autoridade inquestionável peculiar a um tribunal, "que os fatos alegados pelo Ministério Público acusando o réu Lu Chenzhou do crime de homicídio doloso não estão claros e as evidências são insuficientes." A respiração de Lu Chenzhou parou por um instante. "Quanto à confissão de culpa feita pelo réu Lu Chenzhou em 12 de abril de 2015," a juíza continuou lendo, "após verificação, verificou-se que o processo de obtenção dessa confissão apresentou falhas processuais significativas, e existem contradições inexplicáveis com as evidências objetivas do caso. Além disso, a cadeia de evidências materiais cruciais neste caso está quebrada, faltando evidências únicas e exclusivas que apontem para o réu." A cada frase que ela lia, a enorme pedra que pesava no peito de Lu Chenzhou há sete anos soltava-se um pouco. "Quanto às novas evidências e opiniões sobre a qualidade das evidências apresentadas pela defesa e pelo réu durante a sessão," o olhar da juíza voltou-se para a cópia da foto em grupo e as atas da reunião, "após deliberação do colegiado, a relevância e o poder probatório das evidências relacionadas são confirmados. Quanto à cópia das 'Notas do Dr. Wang' apresentada pelo Ministério Público durante a sessão, devido a dúvidas sobre sua autenticidade, não é aceita." Um som contido de inspiração veio da plateia. A juíza virou para a última página. "Em resumo, com
"O réu Lu Chenzhou, inocente."
"Tum."
O martelo do juiz caiu. O som claro do impacto explodiu no silêncio do tribunal, ecoando.
Naquele instante, Lu Chenzhou não conseguiu ouvir mais nada. O clamor de surpresa que explodiu na galeria, os aplausos, o barulho de cadeiras sendo arrastadas, o estouro súbito de obturadores e flashes na área da mídia — todos os sons se tornaram um ruído de fundo indistinto.
Apenas aquelas duas palavras repercutiam repetidamente nas profundezas de sua cóclea.
Inocente.
Ele permaneceu onde estava, imóvel. Nenhuma expressão em seu rosto. Apenas a mão pendente ao seu lado, as pontas dos dedos tremendo ligeiramente, incontrolavelmente.
O juiz começou a ler os procedimentos subsequentes. Lu Chenzhou não ouviu claramente.
Ele viu o oficial de justiça se aproximar e abrir a divisória do banco dos réus. O movimento foi suave, mas parecia empurrar uma porta de ferro enferrujada por sete anos.
Ele deu um passo e saiu.
Seus pés pisaram no piso de mármore, real, firme.
Ele se virou e olhou para a galeria.
Qin Wangshu já estava de pé. Ela olhava para ele, os lábios apertados, os olhos um pouco vermelhos, mas sem lágrimas no rosto. Ela apenas olhava para ele e assentiu com a cabeça, uma vez, com força.
Zhao Tieshan desviou o rosto, erguendo a mão para esfregar vigorosamente os olhos.
Shen Moqing, sem que se percebesse quando, já havia retornado ao seu assento, sentado em silêncio, sem expressão alguma no rosto. Apenas o anel de jade em seu polegar emitia uma luz fria, verde e profunda sob as luzes.
Gu Zhixing levantou-se, ajustando a frente de seu terno. Através da multidão, ele lançou um olhar para Lu Chenzhou. Seus olhos atrás das lentes estavam calmos, calmos como um lago de água morta, profundo e insondável. Então, ele se virou e, cercado por advogados e assistentes, saiu rapidamente pela porta lateral.
Os repórteres da mídia avançaram como uma maré, microfones e gravadores quase espetando no rosto de Lu Chenzhou. As perguntas caíram como uma tempestade:
"Sr. Lu, como está se sentindo neste momento?"
"Sete anos de prisão injusta, o que planeja fazer a seguir para responsabilizar os culpados?"
"Em relação ao vice-diretor Gu Zhixing, o que tem a dizer?"
Lu Chenzhou ergueu a mão, afastando o microfone mais próximo. Seu movimento foi firme, sua voz rouca, mas clara:
"Tudo deve ser baseado no veredicto do tribunal. Para outras perguntas, não tenho comentários."
Sob a escolta dos oficiais de justiça, ele atravessou a multidão agitada em direção à saída do tribunal.
A pesada porta de madeira se fechou atrás dele, isolando a maior parte do barulho.
O corredor estava muito mais vazio, apenas alguns repórteres esparsos que haviam saído em perseguição, sendo contidos pelos oficiais a alguns passos de distância.
Lu Chenzhou parou, respirando profundamente.
O ar do corredor cheirava a poeira e madeira velha, misturado com o alvoroço distante e indistinto.
Ele soltou o punho que estava cerrado o tempo todo; a palma da mão estava toda úmida com suor frio.
Passos vieram do lado.
Shen Moqing se aproximou sem pressa, e no instante em que passou por ele, seus passos hesitaram levemente.
"Parabéns." A voz de Shen Moqing era baixa, apenas os dois podiam ouvir. Seu tom era calmo, até mesmo carregando um fio quase imperceptível de riso frio. "O jogo está apenas começando."
Ele não parou, continuando a caminhar após falar. O
O ar no tribunal estava paralisado, sólido. Os dez minutos de intervalo foram arrastados ao infinito. Sentado no banco dos réus, Lu Chenzhou conseguia ouvir cada tique-taque do ponteiro dos segundos de seu relógio de pulso, _clic, clic, clic_, como uma contagem regressiva para algum tipo de fim. Sua camisa, nas costas, já estava encharcada de suor frio, colada à pele, gelada e pegajosa. Ele não a limpou, apenas colocou as mãos planas sobre a mesa, as pontas dos dedos pressionando a textura gelada e artificial da madeira, com força, até que as articulações ficassem brancas. À direita, na galeria, Shen Moqing estava sentado ereto, como uma escultura de jade. O anel de jade em seu polegar não girava mais, apenas repousava silenciosamente na base do dedo, um verde profundo e opressivo. Seu olhar atravessava a multidão e pousava sobre Lu Chenzhou, sem emoção, mais parecendo avaliar um ativo prestes a ser liquidado. À esquerda, Qin Wangshu inclinava-se levemente para frente, as mãos entrelaçadas sobre os joelhos, as articulações dos dedos apertadas até ficarem brancas. Zhao Tieshan estava de pé ligeiramente atrás dela, as mãos nos bolsos das calças, seu olhar afiado varrendo todo o salão, finalmente também fixando-se nas costas de Lu Chenzhou. Sua mandíbula se moveu, como se estivesse cerrando os dentes. Gu Zhixing e seu advogado se encolhiam do outro lado. O advogado limpava incessantemente a testa com um lenço de papel, enquanto Gu Zhixing, de perfil, movia os lábios rapidamente, sussurrando algo para o advogado, seu olhar transbordando uma ansiedade incontrolável e um último fio de esperança.
"Todos de pé." A voz do oficial de justiça cortou o ar paralisado. Todos se levantaram como se puxados por cordas. A porta lateral se abriu, e três juízes entraram em fila, retomando seus lugares no tribunal. A juíza principal, com expressão serena, segurava em suas mãos a sentença que decidiria seu destino.
Ela sentou-se, seu olhar percorrendo a sala. O tribunal estava em silêncio absoluto, até a respiração era propositalmente suprimida. "Após deliberação do colegiado, este tribunal entende que..."
A voz estável da juíza soou, começando a ler as longas razões da sentença. Termos legais, números de evidências, opiniões sobre a produção de provas... Essas palavras fluíam pelo ar. Lu Chenzhou ouvia, cada sílaba clara e distinta, e ainda assim parecia estar separado por um vidro espesso. Seu olhar pousou na última página da sentença na mão da juíza, nas poucas linhas manuscritas da parte dispositiva. A luz do sol entrava obliquamente pela janela alta, iluminando precisamente um canto da página e também as incontáveis partículas de poeira dourada que dançavam no ar. O tempo foi esticado e depois comprimido. Finalmente, a juíza chegou à parte final. Sua voz fez uma pausa, e o ar no tribunal pareceu se contrair ainda mais. "... os fatos alegados pelo Ministério Público na acusação de que o réu Lu Chenzhou cometeu o crime de homicídio doloso não estão claros, e as provas são insuficientes. A acusação do crime não pode ser mantida." Um murmúrio extremamente contido surgiu na galeria, imediatamente engolido por um silêncio ainda mais profundo. A juíza ergueu os olhos, seu olhar firme como uma balança, pousando firmemente no rosto de Lu Chenzhou. "Sentença: o réu Lu Chenzhou é declarado inocente."
*Bang!*
O martelo bateu. O som foi nítido, breve, ecoando e explodindo no silêncio absoluto, sua reverberação se transformando em uma pressão tangível sobre o coração de cada pessoa. Um vácuo momentâneo. Em seguida, uma torrente de sons rompeu violentamente as comportas. Da parte de trás da galeria veio um soluço que não pôde mais ser contido, uma voz feminina. As câmeras flash na área da mídia irromperam em uma onda prateada, o clique dos obturadoras estalando como uma chuva repentina. Alguns se levantaram, outros aplaudiram instintivamente, mas foram imediatamente repreendidos pelo olhar severo dos oficiais
Os dois grupos se encontraram na interseção do corredor em T. Ninguém parou. A distância diminuiu rapidamente, passaram um pelo outro. No instante em que as bordas de suas roupas quase se tocaram, Shen Moqing virou ligeiramente a cabeça, seus lábios quase não se moveram, um sopro frio, com uma base de sândalo, passou. "Parabéns." A voz era baixa como um sussurro, só os dois podiam ouvir. Os passos de Lu Chenzhou não vacilaram nem um pouco, seus olhos fixos à frente, as linhas de seu perfil tensionadas. "O jogo está apenas começando." Shen Moqing disse, já se deslocando meio passo adiante. Lu Chenzhou falou, sua voz igualmente baixa, mas cada palavra clara, como um cinzel de gelo batendo:
"Senhor Shen, o jogo no tribunal acabou." Ele fez uma pausa breve, deixando cada palavra afundar. "O nosso, ainda nem começou." O passo que Shen Moqing deu para frente travou por um instante quase imperceptível, quase impossível de captar. Ele não olhou para trás, nem disse mais nada, levando seus dois acompanhantes em direção à saída iluminada na outra extremidade do corredor, suas costas rapidamente engolidas pela luz e sombra. Lu Chenzhou continuou em frente. No fim do corredor, a porta que levava ao saguão do tribunal estava escancarada, do lado de fora, o rugido de vozes humanas, passos, os gritos dos oficiais de justiça mantendo a ordem, misturavam-se em uma onda de ruído caótica que vinha de encontro a ele. No chão junto à porta, a luz solar intensa do exterior cortava uma mancha brilhante e ofuscante, luminosa a ponto de parecer irreal. Ele parou na sombra, dentro da porta. Uma mão feminina estendeu-se de lado, enfiando algo frio e duro na palma de sua mão. Chave do carro. As arestas do metal pressionavam a pele. Qin Wangshu estava ao seu lado, ele não sabia desde quando. Ela não olhou para ele, seus olhos fixos na multidão agitada lá fora, as linhas de seu perfil tensionadas. "O carro está no B2, área D. Volkswagen preto, final da placa 347." Sua fala era rápida, a voz seca, como se estivesse recitando um procedimento. "Carro limpo. Tanque cheio. No porta-malas tem roupas para trocar e dinheiro em espécie." Lu Chenzhou apertou a chave, o frio do metal penetrando em sua palma. "Qual o preço?" Qin Wangshu virou a cabeça bruscamente. O branco de seus olhos tinha alguns fios de sangue, seu queixo estava firme, e em seu olhar havia algo quase resoluto. "Viver." Ela soltou as duas palavras, fez uma pausa, a voz mais baixa e mais pesada. "Viver bem.
E então... fazer o que você tem que fazer." Dito isso, ela não olhou mais para ele, virou-se e caminhou rapidamente em direção à passagem do outro lado do saguão, sua figura rapidamente engolida pela maré humana. Lu Chenzhou ficou parado no lugar, a palma da mão marcada profundamente pela chave. Ele ergueu o pé, saiu da sombra, pisou naquela luz solar intensa do saguão. Quente. Um calor real, sem barreiras, envolveu seus tornozelos, espalhando-se rapidamente para cima. Ele desceu os degraus de granito. Os repórteres da mídia, como um cardume de tubarões farejando sangue, cercaram-no com um estrondo. Câmeras e microfones quase espetaram em seu rosto, os flashes cegantes ofuscavam. Inúmeras perguntas foram atiradas, um caos de ruídos:
"Senhor Lu! Como se sente agora?" "Com a absolvição após sete anos de prisão injusta, você vai buscar responsabilização?" "O que você e Shen Moqing conversaram agora há pouco?" Lu Chenzhou não disse uma palavra, seu braço afastou os microfones quase enfiados em sua boca, empurrou a
Sete anos. Mais de dois mil e quinhentos dias e noites. As grades de ferro da cela apertada, a dor ardente da lâmpada de interrogatório no rosto, a caligrafia trêmula na confissão que nem ele conseguia reconhecer, e no corredor do hospital, aquela luz vermelha na porta da sala de cirurgia que nunca se apagava... Incontáveis fragmentos de imagens fervilhavam e colidiam em sua mente, afundando lentamente até o fundo mais profundo de sua consciência, esfriando, solidificando-se, transformando-se em algo duro, negro e pesado, como magma não erupcionado nas profundezas da crosta terrestre. Ele pisou no acelerador. A velocidade do carro aumentou, fundindo-se firmemente à faixa central. No retrovisor, o edifício cinza solene do tribunal recuou gradualmente, encolheu, e finalmente foi completamente bloqueado pelos arranha-céus, desaparecendo de vista. Ele não sabia para onde ir agora. A chave que Qin Wangshu deu tinha uma pequena etiqueta com um endereço, que deveria ser um local temporário seguro. Mas ele não queria ir lá agora. Precisava deste movimento, deste avanço sem propósito, precisava sentir o volante em suas mãos, a estrada se estendendo sob seus pés, aquela liberdade quase luxuosa. Sinal vermelho. Ele parou lentamente atrás de uma fila de carros. Seus dedos batiam inconscientemente no volante, tac, tac, tac. No banco do passageiro, a pasta de papel pardo estava quieta. O selo de lacre vermelho-escuro estava intacto, os três caracteres "Gu Zhiyuan" ainda eram irritantes. Ele não a abriu. Não agora. Algumas verdades precisam do momento certo para se tornarem armas suficientemente afiadas. O sinal ficou verde. Ele soltou o freio e seguiu o fluxo de tráfego adiante. O celular no bolso vibrou, o zumbido era especialmente claro dentro do compartimento fechado do carro.
Ele o pegou. A tela mostrava um número local completamente desconhecido. Atendeu, levou ao ouvido. Do outro lado da linha, não havia som, apenas uma respiração estável e suave, transmitida pela corrente elétrica. Três segundos. Cinco segundos. Clique. A ligação foi desligada. Lu Chenzhou encarou a tela, o registro de chamadas mostrava apenas aquela sequência de números. Seu polegar pairou sobre o botão de rediscar, hesitou por um momento, finalmente bloqueou a tela e jogou o celular de volta no banco do passageiro. O carro continuou em frente. Três minutos depois, o celular vibrou novamente. Desta vez era uma mensagem de texto. A tela acendeu, havia apenas uma linha, de outro número desconhecido:
**"Retrovisor. Buick cinza. Não pare, não olhe para trás, continue dirigindo."**
Lu Chenzhou ergueu os olhos para o retrovisor interno. No fluxo de tráfego, um discreto Buick cinza, tipo van, estava a dois carros de distância, seguindo firmemente atrás dele, bem alinhado. A pessoa no banco do motorista usava um boné, aba bem baixa. O banco do passageiro estava vazio. Ele retirou o olhar, apertou o volante com as duas mãos, os nós dos dedos levemente pálidos. A velocidade não mudou, ainda dirigia suavemente no fluxo de tráfego. No cruzamento à frente, virar à direita levava à via principal para os subúrbios, seguir em frente entrava na área congestionada do centro. A tela do GPS estava escura, ele não havia definido um destino. O Buick cinza ainda seguia atrás, mantendo uma distância precisa e profissional. Lu Chenzhou ligou a seta direita. As rodas passaram sobre a linha branca contínua, entrando na faixa da direita. No retrovisor, o Buick cinza ligou a seta quase ao mesmo tempo, mudou de faixa também, ainda mantendo a distância de dois carros. Ele pisou no acelerador, a velocidade aumentou, serpentando