Capítulo 49: Lâmpada Quebrada, Lança Fria
O isqueiro girava entre seus dedos, desmontado, remontado. Lu Chenzhou fitava a cadeira de encosto alto no centro da mesa principal, sentindo as páginas rasgadas do plano no bolso secreto queimando contra suas costelas. As pistas sobre a morte de Zhao Mingcheng estavam todas concentradas no terceiro nome da lista — Shen Moqing. Ele ainda não havia conseguido confirmar, e as luzes do banquete já brilhavam cegantes. O lustre de cristal pregava a sombra de cada pessoa firmemente no chão, como espécimes prontos para o abate.
A luz piscou.
Não era uma flutuação na tensão. Era refração. Na direção do jardim, um reflexo brilhou por um instante no telhado do pavilhão.
Mira telescópica.
O lustre de cristal estilhaçou-se.
Ele se atirou sobre a mesa, agarrou a gola de Shen Moqing e puxou o corpo idoso junto com a cadeira, derrubando-os. O som abafado de uma bala perfurando o couro do encosto da cadeira chegou quando os dois já haviam caído pesadamente no chão.
"Deite-se! Se não quiser morrer, não levante a cabeça!"
Ele pegou uma bandeja de prata de revés e a ergueu sobre a cabeça como escudo. Vidro quebrado atingiu o metal com um tinido. Um estilhaço encontrou uma fenda e cravou-se com força no dorso de sua mão, a dor penetrante como uma agulha girando em seu osso e sangue. Óleo de lamparina escaldante derramou-se de um castiçal tombado, queimando através da manga, a pele e a carne emitindo um chiado de carbonização.
As pupilas de Shen Moqing se contraíram. O anel de jadeite em seu polegar esquerdo emitia um brilho frio sob a luz de emergência, o atrito dos dedos tão rápido que beirava um espasmo.
O salão virou um caos. Gritos e o som de mesas e cadeiras tombando se entrelaçavam. O cheiro de pólvora misturava-se com perfumes e a gordura de carnes assadas, atacando as narinas. A multidão em pânico começou a pisoteamento desordenado, o rangido de solas sobre vidro quebrado arrepiando os dentes. Lu Chenzhou arrastou Shen Moqing firmemente para atrás de um pilar de sustentação, sua mente calculando rapidamente.
Dois tiros. Posição nordeste. Telhado do pavilhão do jardim.
O ângulo da trajetória da bala cobria todos os assentos da mesa principal — exceto a posição de Shen Moqing. Devido ao encosto espesso da cadeira de encosto alto, formou-se o único ponto cego de tiro.
Ponto cego. Ponto cego.
Alguém sabia que ele se sentaria ali. Alguém arranjou intencionalmente aquela cadeira, criou aquela única rota de fuga, e então vazou as coordenadas, fazendo o atirador disparar do único ângulo que não poderia acertar. Um aviso? Ou um teste de purga interna da família Zhao?
"Solte!" Shen Moqing se debateu, a voz ainda firme. "Senhor Lu, o que está fazendo?"
"Fique quieto se quer viver." Lu Chenzhou o apoiou e correu em direção à passagem de serviço. "Porão."
"Aquela posição," Lu Chenzhou sussurrou, sem parar de andar, "encosto espesso, o único ponto cego. Quem o fez sentar ali?"
A respiração de Shen Moqing hesitou por um instante. O ombro direito do velho homem sangrava, difícil distinguir se era estilhaço de bala ou corte de vidro. Sua respiração era pesada, mas a mão que agarrava seu antebraço tinha a força de uma pinça de ferro.
Escada estreita. O som pneumático de uma porta de aço fechando. O clique de uma fechadura eletrônica engatando.
A luz de bloqueio de sinal acendeu-se. As comunicações foram cortadas.
A luz de emergência do abrigo seguro lançava uma claridade pálida. Nas prateleiras do canto, pacotes de biscoitos compactos e água mineral, ao lado de um conjunto de chá de porcelana branca — o bico do bule ainda soltava vapor, uma xícara quente repousava à beira da bandeja, as paredes da xícara transmitindo um calor escaldante, como se alguém tivesse acabado de preparar o chá e saído às pressas.
Shen Moqing escorregou sentado contra a parede, pressionando a ferida no ombro
“……Gu Zhixing.” O velho finalmente falou, sua voz carregando uma aspereza como se estivesse pressionando fragmentos de porcelana. “Antes do banquete, ele veio ajustar minha cadeira. Disse que o parafuso do encosto estava solto, precisava apertar.”
Apertar o encosto. A única barreira que bloqueava a trajetória da bala. A única alteração que tornava aquela posição um ponto cego.
Lu Chenzhou fechou os olhos. O canto esquerdo do olho estremeceu.
“Você precisa estancar o sangramento, eu preciso de uma saída. Por enquanto, só temos um ao outro.”
Shen Moqing o encarou por cinco segundos. Aquele olhar era como pesar um pedaço de ouro de origem duvidosa — pureza suspeita, mas agora, não havia outra escolha.
O cano da arma se afastou.
“Documento de contato de emergência da família Shen.” O velho tirou de seu bolso interno do paletó um envelope de papel pardo, uma impressão digital ensanguentada estampada na abertura. “Só o chefe da família carrega consigo. Tome.”
Lu Chenzhou pegou o envelope, primeiro rasgou o tecido da manga, envolvendo o ferimento em algumas voltas rápidas. Shen Moqing gemeu baixamente, não se esquivou.
O sangue encharcou a faixa mais rápido do que o esperado.
Ele baixou a cabeça, examinando o documento secreto, as páginas virando sob a luz pálida e branca — contatos, coordenadas do esconderijo, linhas de fundos ocultos.
Ao chegar na terceira página, seus dedos pararam.
Uma camada oculta. Um papel de arroz fino como asa de cigarra, dobrado ao meio e enfiado na costura.
Desdobrou. Algumas linhas escritas em pequenos caracteres regulares. No final, um selo vermelho-escarlate, e —
Uma assinatura.
A respiração de Lu Chenzhou congelou por um instante.
Zhou Dezhang.
Zhou Dezhang.
Aquele nome era como um prego enferrujado, perfurando da superfície do papel fundo dentro de suas órbitas oculares. O tribunal de dez anos atrás, o baque surdo do martelo do juiz, a tinta manchando a confissão — todas as imagens irromperam em meio segundo, e foram por ele violentamente forçadas de volta às sombras.
Ele dobrou o papel de arroz, enfiou-o no bolso secreto. Dois estilhaços, cravados entre as costelas, doíam a cada respiração.
A luz do esconderijo piscou uma vez. O zumbido do duto de ventilação mudou de tom, como uma fera presa virando-se dentro de uma gaiola de ferro.
Shen Moqing estava sentado encostado na parede, o sangue no ombro já tinha encharcado a faixa, manchando o chão de ladrilhos cinza-claro com uma pequena mancha escura. As pálpebras do velho estavam caídas, o polegar ainda esfregando inconscientemente o anel de jade — a frequência rápida como se estivesse contando segundos.
Frio. O porão não tinha aquecimento, a umidade infiltrava-se por todos os lados, penetrando nas fendas dos ossos.
Lu Chenzhou caminhou até o armário de emergência no canto, puxou a porta de ferro enferrujada — biscoitos compactados, ataduras, uma garrafa térmica.
Balouçou. Ainda havia calor residual.
Ele desenroscou a tampa, o vapor subiu, envolvendo o amargor de um chá de baixa qualidade que lhe atingiu o rosto. Uma xícara de porcelana branca estava apoiada na prateleira do armário, coberta de poeira. Ele limpou-a com a manga, encheu-a até a borda.
O calor da parede da xícara perfurou sua palma. Dor. Mas aquela força quente era como um fio fino, puxando da ponta dos dedos até o peito, trazendo lentamente de volta algo congelado. Ele apertou o corpo da xícara, as pontas dos dedos sentindo a superfície esmaltada áspera, deixando a temperatura dissipar aos poucos os cacos de gelo nos vasos sanguíneos.
Lá fora, os passos pararam.
O silêncio era mais perigoso que o barulho.
Lu Chenzhou fechou os olhos. As duas folhas de papel no bolso secreto pressionavam contra seu peito, como duas chaves, inseridas na mesma fechadura. A assinatura de Zhou Dezhang. A assinatura de Qin Hongyuan. Uma selando a sentença, a outra executando o assassinato — duas linhas estendendo-se de direções diferentes, eventualmente convergindo em algum ponto.
Aquele ponto,
Shen Moqing estava encostado à parede, a mão esquerda pressionando o curativo ensanguentado no ombro, a mão direita segurando a pistola com o carregador removido. Seu rosto estava pálido como papel.
"A porta não aguenta mais três pancadas." A voz de Shen Moqing era muito baixa, mas ainda mantinha a elegância habitual. "Você vai usar minha vida como isca, Sr. Lu?"
"Os mortos são a melhor isca." O dedo de Lu Chenzhou pairava sobre o botão de chamada. "O importante é — quem virá confirmar."
Outro impacto. Um parafuso saltou da dobradiça da moldura da porta, caindo no chão com um tilintar.
"Confirmar?" Shen Moqing o encarou. "Você aposta que o traidor está dentro do prédio?"
"Aposto que o traidor precisa ver com os próprios olhos. Só assim pode prestar contas ao comprador." Lu Chenzhou olhou para ele. "Se ele não vier, você realmente morrerá."
O pomo de Adão de Shen Moqing se moveu. Ele entendia perfeitamente aquela lógica.
"Preciso da sua cooperação", disse Lu Chenzhou. "Um som apenas."
"Que som?"
"O da morte iminente."
O ritmo com que Shen Moqing esfregava o anel de gatilho acelerou subitamente — tac, tac, tac — como uma contagem regressiva silenciosa. Ele olhou para Lu Chenzhou por três segundos, então assentiu lentamente.
Lu Chenzhou pressionou o botão de chamada.
"O Patriarca da família Shen já expirou."
Sua voz era estável como se estivesse lendo um laudo de necropsia. Sem altos e baixos, sem emoção — uma declaração pura.
"Todos podem recolher a rede."
O zumbido da corrente preencheu o breve silêncio. Ele soltou o botão, seu olhar fixo na porta de aço que se deformava.
Um segundo. Dois segundos.
Shen Moqing soltou subitamente um gemido abafado — áspero, com um som de catarro, como se algo estivesse estrangulando a garganta de alguém no último momento da vida. O som escapou por entre seus dentes, ecoou no pequeno quarto seguro e parou abruptamente.
Do lado de fora, ficou quieto.
O som das marteladas parou. Os passos também pararam. O prédio inteiro, como uma criatura viva com o pescoço apertado, de repente prendeu a respiração.
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se. Ele contou os segundos: cinco, dez, quinze —
Do fundo do corredor, veio o som de sapatos de couro esmagando cacos de vidro. Não era uma corrida apressada, mas uma aproximação calma e ritmada. O ritmo dos saltos batendo no chão era estável, como alguém indo a um encontro já marcado há muito tempo.
Os passos pararam do lado de fora da porta.
"Sr. Shen?"
Uma voz masculina suave veio de fora da porta. Não era um chamado de busca, era uma confirmação.
A porta de aço foi empurrada com força, as dobradiças deformadas emitindo um guincho estridente.
Gu Zhixing entrou no quarto seguro.
Seu olhar varreu o sangue no chão e Shen Moqing encostado no canto, mas ele passou direto, parando diante de Lu Chenzhou.
O cano da arma se ergueu, não apontado para o patriarca ferido, mas firmemente pressionado contra a testa de Lu Chenzhou.
Gu Zhixing sorriu, suas palavras ainda contidas e elegantes: "Sr. Lu, é uma pena que você não tenha morrido na prisão naquele ano."