Capítulo 9: Fendas e Clarões
O telefone tocou enquanto Lu Chenzhou encarava a fissura no teto.
Quatro horas e dezessete minutos da madrugada. Havia apenas três horas desde que ele retornara do antigo edifício de apartamentos de Zhou Zhengping. Por uma fenda nas cortinas, uma frágil claridade das bordas da cidade penetrava, como uma linha branca sem temperatura, cortando o pé da cama. Ele mantinha-se deitado de costas, a respiração tão leve que era quase inaudível, os olhos fixos, sem piscar. Aquela rachadura no teto estava lá desde o primeiro dia em que se mudara, sinuosa, como uma rota desenhada de forma errônea num mapa.
O celular vibrou pela segunda vez sobre o criado-mudo, o corpo do aparelho batendo contra a superfície de madeira, emitindo um zumbido urgente.
Ele estendeu a mão, o movimento lento, como se suas articulações estivessem cheias de chumbo. A tela acendeu, mostrando um número sem identificação. Ele encarou aquela sequência de dígitos por dois segundos, atendeu e não disse nada.
"Museu de Arte Municipal." A voz de Gu Zhixing veio pelo receptor, tão uniforme quanto um boletim meteorológico, mas cada palavra carregava uma dureza metálica. "Outro morto. O Sr. Shen exige sua presença em vinte minutos. O carro está embaixo."
A ligação caiu.
O sinal de ocupado foi breve, como uma respiração interrompida.
Lu Chenzhou sentou-se na cama. A luz lá fora estava um pouco mais intensa, aquela linha branca agora subira até seus joelhos, e sua pele podia sentir a fraca luminosidade e calor sob o tecido. Ele baixou a cabeça, olhando para suas próprias mãos abertas. As linhas das palmas eram indistintas na penumbra. O envelope de papel pardo que Zhou Zhengping lhe enfiara ainda estava sob o travesseiro, a borda dura pressionando a nuca. As últimas palavras do velho policial, e aquela mensagem de alerta — "Não persiga o passado" — eram como dois pregos, um de cada lado, cravados em suas têmporas, trazendo uma dor surda e constante.
Ele saiu da cama e vestiu-se.
Seus movimentos eram mecânicos, mas cada detalhe era calculado. Abotoou a camisa até o último botão, o tecido esfregando contra o pomo-de-adão quando o colarinho apertou. Aperto o cinto do sobretudo, uma pressão definida marcando sua cintura. Amarrou os cadarços com um nó corrediço, mas o comprimento deixado era exato para que, ao pisar, se soltasse facilmente. Puxou o envelope de debaixo do travesseiro e o enfiou no bolso interno do sobretudo. Seus dedos hesitaram por um instante ao tocarem o papel fino. A caligrafia no bilhete era desleixada, a tinta borrada, como uma informação ansiosa para ser transmitida, mas temerosa de ser compreendida.
"Terno, óculos, pasta com arranhões em forma de raio..."
Ele repetiu mentalmente, abriu a porta e saiu.
A luz com sensor do corredor não acendeu. Ele desceu as escadas no escuro, seus passos absorvidos pelo carpete velho, restando apenas o som de atrito do tecido. O corredor exalava um odor gorduroso de noite passada, e um leve cheiro químico, semelhante a desinfetante, que irritava as narinas. Não era o mesmo que ele sentira ao sair de manhã. Seus passos pausaram por um momento no patamar do segundo andar, seu olhar varrendo o canto da parede. Não havia nada ali, apenas uma bituca de cigarro amassada, o filtro branco.
Nova.
Ele continuou descendo, as pontas dos dedos deslizando sobre o corrimão metálico e gelado.
O carro preto realmente estava parado na entrada do beco. Os vidros tinham película escura, impossível ver o interior. A porta do passageiro dianteiro abriu-se levemente, sozinha, quando ele se aproximou. Ele puxou a porta e entrou. O cheiro de couro misturado ao aroma doce e enjoativo do purificador de ar do carro invadiu seus sentidos, quase sufocante. O motorista era um
A fita de isolamento já estava esticada, as faixas amarelas e pretas tremulavam na brisa matinal, emitindo um leve som de estalidos. Alguns carros de polícia estacionados à beira da estrada, as luzes azuis e vermelhas giravam silenciosamente, tingindo as paredes dos edifícios ao redor com uma cor inquietante e periódica. Havia um cheiro no ar — poeira seca, o odor químico pungente de tinta não seca, e um toque sutil, quase imperceptível, de um odor metálico e enferrujado, muito tênue, mas que se infiltrava em suas narinas como um gancho.
Gu Zhixing estava de pé nas sombras, fora da fita de isolamento.
Ele usava um sobretudo cinza-escuro bem cortado, sua postura ereta como uma estátua cuidadosamente polida. Seu olhar por trás dos óculos de armação dourada se fixou em Lu Chenzhou assim que ele desceu do carro, sem pressa, sem sinalização, apenas observando calmamente. Havia avaliação naquele olhar, inspeção, e uma paciência fria, profissional.
Lu Chenzhou acenou com a cabeça para ele, curvou-se e passou por baixo da fita de isolamento. A fita de plástico raspou em seu ombro, emitindo um som áspero de atrito.
Sob seus pés estava um piso de madeira antigo, a tinta descascada, rangendo levemente a cada passo, cada pisada sentindo o leve afundamento das tábuas. A luz dentro da galeria era fraca, apenas alguns holofotes temporários estavam acesos, seus feixes concentrados em uma área central, iluminando cada partícula de poeira que dançava no ar. Fragmentos de estátuas de gesso espalhados pelo chão, suas bordas afiadas como ossos quebrados. Ao longe, o som abafado de uma furadeira de construção ecoava, zumbindo intermitentemente, adicionando uma trilha sonora absurda e inacabada à cena da morte, vibrando nos tímpanos.
Técnicos forenses vestindo macacões brancos de proteção se moviam sob os feixes de luz, suas câmeras piscando ocasionalmente com um brilho branco ofuscante, cada flash deixando uma breve sensação de queimadura na retina. O local mantinha uma agitação reprimida. Ninguém falava, apenas o som de sacos plásticos de evidências sendo abertos, *ssss*, e o arrastar de solas no chão, *shhh*, como se algum artrópode estivesse rastejando.
O olhar de Lu Chenzhou passou por eles, pousando no centro da galeria.
Ali, um corpo estava parcialmente coberto por um pano branco. O pano não o cobria completamente, revelando a barra da calça do terno e um par de sapatos pretos bem engraxados. As pontas dos sapatos apontavam para o lado leste da galeria, diretamente para uma grande pintura coberta por uma lona. A moldura era enorme, quase alcançando o teto.
Seu ritmo respiratório não mudou, mas seus pulmões pareciam apertados por algo, cada inspiração com uma ligeira obstrução.
Ele calçou as luvas de látex que carregava consigo, movendo-se lentamente, garantindo que cada dedo se ajustasse perfeitamente, a sensação familiar e fria do borracha esticando sobre a pele. Então, ele caminhou em direção à área banhada pela luz. Um dos técnicos forenses o viu, alguém ergueu o olhar por um instante, com um olhar questionador, mas ninguém o impediu. Gu Zhixing provavelmente já havia dado o aviso. Ou talvez alguém da polícia também o reconhecesse — o gênio da investigação criminal de dez anos atrás, depois um prisioneiro, e agora "consultor" da família Shen.
Que identidade irônica.
Ele se agachou diante do pano branco.
Seus joelhos pressionaram o piso de madeira, partículas finas de poeira se levantaram, dançando loucamente no feixe do holofote, algumas entrando em suas narinas, causando uma leve coceira. Ele estendeu a mão, pegou suavemente a borda do pano branco com dois dedos e ergueu um canto. O tecido era áspero, as fibras esfregando contra as pontas dos dedos.
A vítima estava deitada de costas.
Homem, cerca de quarenta anos, cabelo penteado com cuidado, terno cin
Circular, diâmetro de aproximadamente dois centímetros, de latão, com desgaste nas bordas e uma pátina verde-escura. No anverso, um relevo — o contorno do antigo edifício do Museu Municipal de Arte, linhas simples, estilo comum em lembranças dos anos 80 e 90 do século passado. No verso, um alfinete de presilha, já um pouco solto.
As pupilas de Lu Chenzhou se contraíram levemente.
Ele tinha visto esse tipo de broche quando criança. Mais de uma vez. Havia um na gaveta da escrivaninha de seu pai, uma lembrança de alguma palestra sobre arte que ele participara na juventude. Depois, sumiu, não se sabia onde. Mas o desenho, esse estilo de relevo um tanto desajeitado, carregando a marca da época...
Ele segurou o broche, levantando-o sob a luz do holofote.
A pátina estava distribuída de forma desigual, as bordas muito desgastadas, como se tivessem sido frequentemente esfregadas, a superfície já perdendo o brilho original. Perto do alfinete de presilha, havia arranhões finos no metal, não de envelhecimento natural, mas mais como se tivessem sido feitos por unhas ou outro objeto duro, arranhados repetidamente, deixando sulcos rasos e desordenados. Ele virou o broche, ajustando o ângulo contra a luz. Na parte de trás, perto da borda, havia uma linha de letras minúsculas, quase cobertas pela pátina.
Ele apertou os olhos.
"...feito... 1987..."
O resto das letras não dava para ler.
1987.
Esse número entrou em sua consciência como uma agulha incandescente, de repente. O incêndio no arquivo mencionado por Zhou Zhengping também foi em 87. Coincidência? Ou...
Sua respiração parou por um instante. O ar em seus pulmões parecia solidificar-se, pesado, afundando no fundo do peito, trazendo uma dor surda. Ele se forçou a trazer a atenção de volta à cena. O broche foi colocado deliberadamente na mão da vítima, fechada. Não caiu por acidente; era uma mensagem deixada pelo assassino. Ou melhor, parte da "exibição".
Ele colocou o broche de lado, seu olhar retornando à postura geral do corpo.
De costas, pernas juntas e estendidas, pontas dos pés apontando para a pintura coberta pela lona no lado leste. Uma indicação muito deliberada. O assassino estava guiando o olhar de quem observa. Do "oculto" (o corpo de Zhao Mingcheng escondido no fundo da câmara fria) para a "exibição" (colocado no centro da galeria do museu, deixando pistas direcionais). O padrão evoluiu. O assassino não se contentava mais apenas em matar; ele começava a arranjar a cena, a transmitir mensagens.
Ou melhor, ele estava "encenando".
Lu Chenzhou se levantou. Os joelhos emitiram um leve estalo, uma sensação de cansaço nas articulações. Ele caminhou em direção à pintura coberta pela lona. Seus passos no assoalho de madeira levantavam finas partículas de poeira a cada movimento, revolvendo-se nos feixes de luz. A luz do holofote o seguia, projetando atrás dele uma longa e oscilante sombra, como outro seguidor silencioso.
Ele parou diante da pintura.
A lona era um pesado tecido à prova de poeira, cinza e empoeirado, as bordas amarradas à moldura com uma corda de sisal grosseira. Ele desfez o nó; as fibras ásperas da corda esfregavam contra as pontas dos dedos, provocando uma coceira. Então, ele pegou um canto da lona e a puxou para cima. O tecido era pesado, levantando mais poeira.
A pintura revelou-se.
Era uma cópia de *Noite Estrelada*. As pinceladas de Van Gogh, o céu estrelado distorcido, os ciprestes girando. Mas a paleta de cores estava errada. Os azuis e amarelos da obra original aqui tornavam-se sombrios; o azul tendia ao roxo, como um hematoma, o amarelo tinha um tom doentio, alaranjado-avermelhado semelhante à ferrugem. A pintura inteira estava envolta em uma atmosfera opressiva, como se tivesse sido defumada, a tinta espessa, as pinceladas frenéticas. No canto inferior direito
Incêndio no arquivo. Planta baixa carbonizada. O fogo que destruiu as provas com "técnica profissional" na narrativa contraditória de Zhou Zhengping. E agora, esta velha medalha de 1987, com sua pátina de cobre.
Todos os fragmentos começaram a tremer, aproximando-se uns dos outros, emitindo um som perigoso de fricção, como se estivessem prestes a se encaixar.
O canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se novamente. Desta vez, foi mais perceptível; ele conseguia sentir o músculo sob a pele pulsando involuntariamente, puxando os nervos de metade do rosto. Ele ergueu a mão e pressionou com força. A ponta dos dedos estava gelada, quase sem sensação de calor.
Foi então que passos ecoaram na entrada do outro lado da galeria.
Não eram os movimentos cautelosos e rentes ao chão de um perito criminal. Eram passos decisivos, com um propósito claro. Os saltos batiam no piso de madeira, produzindo um som nítido e rítmico, "toc, toc", cada passo como uma batida em um tambor tensionado.
Lu Chenzhou baixou a mão e virou-se.
Qin Wangshu saiu das sombras e parou na borda do círculo de luz do holofote.
Ela vestia uma jaqueta policial, o zíper puxado até o queixo, a puxador metálico refletindo uma luz fria. O cabelo estava preso em um coque baixo e impecável, revelando uma testa lisa. Sua expressão facial era neutra, mas os olhos brilhavam, como obsidiana polida, refletindo uma luz fria e cortante na penumbra. Seu olhar primeiro varreu o rosto de Lu Chenzhou, pausou por um instante no canto do olho dele, e então se fixou na medalha de cobre que ele ainda não havia colocado no saco de evidências.
Uma pausa de cerca de dois segundos.
Seu olhar desviou-se para o corpo semi-coberto pelo pano branco, depois para a pintura coberta pela lona. Finalmente, retornou ao rosto de Lu Chenzhou.
O pó no ar parecia ter parado.
O ruído abafado da furadeira ao longe também cessou. A galeria subitamente mergulhou em um silêncio tenso, carregado de partículas suspensas, onde até a respiração se tornou audível.
Qin Wangshu deu um passo à frente, entrando no círculo de luz. Ela trazia consigo um leve odor de desinfetante, misturado com o frio da manhã lá fora, que se aproximava com ela.
Os passos de Qin Wangshu pararam no lado leste da galeria, a cerca de três passos dele. O som das galochas de plástico esfregando no piso de madeira era suave, mas nítido naquele silêncio mortal. Ela não falou imediatamente. Seu olhar primeiro percorreu o saco de evidências transparente em sua mão – a medalha de cobre inclinada levemente no fundo, as bordas enferrujadas emitindo um brilho vermelho escuro sob o holofote – antes de retornar à pintura apontada pelos pés do cadáver. O ruído abafado da furadeira da reforma ao longe havia parado, e a galeria afundou em um silêncio ainda mais profundo, quase capaz de produzir um zumbido nos ouvidos. Apenas o som *sussurrante* das galochas de plástico dos peritos criminais se movendo permanecia, como insetos roendo madeira.
Lu Chenzhou estendeu o saco de evidências. As pontas dos dedos tocaram a superfície plástica, fria, com uma leve aderência de eletricidade estática. A medalha de cobre balançou durante a transferência, batendo contra a parede do saco com um som surdo de *toc*.
"O que você acha?" Qin Wangshu pegou o saco, sua voz plana, sem emoção discernível. Mas ela perguntou "você", não "a cena". Seus dedos apertaram a borda do saco, o plástico emitindo um ruído fino e contínuo sob suas pontas, como se estivesse esmagando algo seco.
O olhar de Lu Chenzhou desviou-se da tela. A ponta da lona levantada revelava um céu estrelado distorcido, a tinta muito espessa, o azul misturado com demasiado preto, refletindo um brilho oleoso sob a luz forte. "O mesmo assassino", disse ele, a garganta um pouco apertada,
Qin Wangshu ergueu os olhos para ele. Seu olhar ficou afiado por um instante, uma afiadez que ele conhecia muito bem — há dez anos, no corredor fora da sala de interrogatório, quando ela o confrontava com o dossiê para perguntar sobre um detalhe, era exatamente assim, o olhar como um bisturi, querendo descascar camada por camada da carne. "Naquela época..." ela começou, mas parou. Os lábios se apertaram numa linha reta, a parte interna do lábio inferior presa pelos dentes dela, deixando uma marca esbranquiçada que só lentamente recuperou a cor após alguns segundos.
Ela estava hesitante. Lu Chenzhou leu esse sinal. Ela hesitava em mencionar o caso antigo, em cruzar aquela linha de demarcação que separava "o presente" do "passado". À distância, um policial empurrava um carrinho de equipamentos, as rodas passando sobre uma junta do piso com um estalo seco.
"Naquela época o quê?" ele perguntou. A voz saiu mais firme do que ele esperava, mas o final ainda traiu um fio de tensão.
O olhar de Qin Wangshu voltou para a insígnia, os dedos esfregando inconscientemente a tira de fechamento do saco de evidências, a borda áspera da tira de plástico arranhando a pele da ponta dos dedos. "Naquela época, eu lidava com um caso, a vítima também segurava algo." A velocidade da fala dela diminuiu, cada palavra parecendo pesar o seu valor, "Não era uma insígnia, era um botão. Um botão de uniforme militar muito velho, de cobre, com um número atrás." Ela fez uma pausa, a respiração ficou mais pesada, "O relatório da cena dizia que o lote de produção daquele botão correspondia... a um ano especial."
Ano especial. O coração de Lu Chenzhou deu uma pancada forte no peito, fazendo as costelas doerem. Seus dedos se curvaram inconscientemente, as unhas pressionando as palmas, deixando quatro marcas brancas em forma de lua crescente. O ar na sala de exposições parecia ter ficado mais denso, a poeira girando lentamente nos feixes de luz dos holofotes, como uma microtempestade de neve.
"E depois?" ele perguntou. A voz estava um pouco rouca.
"Depois, o botão foi arquivado como pertences pessoais." A voz de Qin Wangshu ficou ainda mais baixa, quase um sussurro, mas cada palavra era pronunciada com clareza, "Mas antes do caso ser encerrado, o arquivo pegou fogo uma vez. O que queimou foram... alguns materiais antigos irrelevantes."
Irrelevantes. Lu Chenzhou lembrou-se do envelope de papel pardo que Zhou Zhengping enfiou em suas mãos, a sensação áspera do papel esfregando o forro do bolso; lembrou-se da frase "não persiga coisas do passado", o som agudo da notificação de mensagem no quarto à noite; lembrou-se das bordas carbonizadas das páginas nos dossiês do incêndio do arquivo. O fogo continuava queimando, dos anos 80 até agora, queimando evidências, queimando memórias, queimando todos os fragmentos que poderiam apontar para a verdade. A nuca dele começou a suar, o suor escorrendo pela coluna, encharcando friamente a gola da camisa.
"Capitã Qin." A voz de Gu Zhixing veio da entrada da sala de exposições, estável como se medida por uma régua, mas com um leve eco no espaço vazio, "A inspeção preliminar da cena está quase concluída, certo? O Sr. Shen está aguardando o relatório."
Os dedos de Qin Wangshu se contraíram bruscamente. O saco de evidências emitiu um som seco de plástico amassado em suas mãos, a insígnia de cobre balançando violentamente no fundo do saco. Ela inspirou profundamente, o cheiro de gesso no ar invadindo as narinas, fazendo-a franzir a testa. Ao erguer o olhar novamente, o rosto já havia recuperado aquela calma profissional, mas um fio de cansaço mal escondido ainda permanecia no canto dos olhos. "Está quase." Ela devolveu o sac
Qin Wangshu olhou para Lu Chenzhou. O olhar era complexo, havia um exame, um aviso, e um cansaço que ele não conseguia decifrar — aquele cansaço seco nos olhos de quem passou muitas noites em claro. "A insígnia é uma lembrança emitida entre os anos 70 e o início dos 80, a circulação não foi grande, estamos verificando a lista de colecionadores." Ela disse, a fala rápida, como se estivesse recitando um regulamento. "Mas objetos antigos assim também podem acabar em mercados de usados ou feiras de pulgas. Vai levar tempo para rastrear."
"Tempo." Gu Zhixing sorriu, o sorriso sem calor, a curvatura do canto da boca precisa como se tivesse sido gravada com um molde. "O que o Sr. Shen menos tem é tempo. Vocês dois continuem, vou providenciar o local para o relatório." Ele se virou e saiu do salão de exposições, a barra do casaco traçando um arco suave no ar, o som do atrito do tecido de lã merino era leve, mas permaneceu no ar mesmo depois que ele se afastou.
Somente quando os passos dele desapareceram completamente, Qin Wangshu falou baixo, ainda mais rápido, como se estivesse correndo contra o tempo: "A parte de trás da insígnia tem um número de série. Embora esteja desgastado, a equipe técnica deve conseguir restaurá-lo. Se o número corresponder a um registro específico de distribuição..." Ela fez uma pausa, os lábios se apertaram novamente. "Lu Chenzhou, quando você investigava casos antigamente, teve contato com algum funcionário do Museu Municipal de Arte?"
A pergunta veio direta demais. Lu Chenzhou sentiu os músculos da nuca se tensionarem, como se um arame de aço puxasse da coluna até o crânio. Ele lembrou-se da janela do ateliê de Shen Qinghuan que acendia e apagava de madrugada, a luz amarela quente na noite azul-escura como uma estrela solitária; lembrou-se do contato mencionado por Zhou Zhengping, "de terno e óculos, com uma marca em forma de raio na maleta", a sensação da borda do envelope de papel pardo cortando a polpa dos dedos. Todos os fragmentos giravam e colidiam em sua mente, mas não formavam um quadro completo. As têmporas começaram a latejar.
"Não." Ele disse. Era a verdade, pelo menos dentro dos limites de sua memória. Mas as palavras "limites da memória" eram como um espinho, cravado na base da língua.
Qin Wangshu olhou para ele por alguns segundos. Seu olhar pousou no canto esquerdo de seu olho — que ainda tremia levemente, ele não conseguia controlar — e então se moveu para sua mão segurando o saco de evidências, os nós dos dedos brancos de tanto apertar. Ela acenou com a cabeça. O gesto foi leve, como se estivesse confirmando algo, ou desistindo de algo. "Certo." Ela disse, a voz de repente muito cansada. "Então vamos deixar assim por enquanto. O trabalho de encerramento da cena fica conosco, você vá se preparar para o relatório."
Ela se virou para ir, as capas plásticas dos sapatos rangendo brevemente contra o piso. Lu Chenzhou a chamou. "Capitã Qin."
Qin Wangshu parou, mas não se virou. Sua silhueta projetava uma longa sombra sob os holofotes, a borda da sombra borrada, dissolvendo-se na escuridão profunda do salão.
"Se o número da insígnia for restaurado," Lu Chenzhou disse, cada palavra pronunciada lentamente, "você pode me informar o resultado?"
O ar ficou em silêncio por alguns segundos. De longe, veio novamente o ruído abafado de uma furadeira, desta vez mais perto, como se um inseto enorme estivesse roendo concreto dentro da parede, a vibração subindo pelo piso, uma leve sensação de formigamento na sola dos pés.
"Depende." Qin Wangshu finalmente respondeu. Sua voz já havia recuperado aquele tom reto e profissional, mas a terminação tinha um quase imperceptível tremor. "Se estiver de acordo com os procedimentos, será compartilhado com os consultores de investigação do lado de Shen Yan."
Ela foi embora. O som das capas plásticas no piso foi gradualmente se distanciando, fundindo-se aos outros ruídos de agentes se movendo, equipamentos sendo carregados. Lu Chenzhou permaneceu parado, ainda segurando a insígnia de cobre no saco de evidências.
O saco de evidências era pesado em suas mãos. A insígnia de cobre. 1987. O fogo continuava a queimar.
Ele se virou e caminhou em direção à saída da galeria. Cada passo ecoava sobre as veias do piso de madeira, as solas dos sapatos produzindo um som surdo e regular. Atrás dele, os holofotes ainda brilhavam, iluminando o corpo já frio, a pintura distorcida de *Noite Estrelada*, os arranhões frescos no piso.
À sua frente, a luz turva do corredor vinha em sua direção, envolvendo-o. Gu Zhixing provavelmente estaria esperando em algum escritório temporário. O telefonema de Shen Moqing provavelmente já estava a caminho. Relatórios. Julgamentos. Ponderações. Ocultações.
E o bilhete anônimo no seu bolso. A borda do papel cortava o tecido do forro interior, e a cada movimento ele sentia aquela presença sutil, constante.
O fogo continuava a queimar.
Agora, ele precisava entrar naquele fogo, fingindo que não seria queimado.
Os passos de Gu Zhixing pararam a um metro atrás de Lu Chenzhou, os saltos dos sapatos de couro batendo no velho piso de madeira com dois sons nítidos, "tac, tac", como uma tesoura cortando uma conversa com precisão.
"Chefe Qin." A voz de Gu Zhixing soou calma, com o respeito exato, mas que fez o ar subitamente ficar tenso. "A investigação preliminar da cena deve estar quase concluída, certo? O consultor Lu precisa dar um primeiro relato ao Sr. Shen. O tempo é curto." Os dedos de Qin Wangshu soltaram o saco de evidências, o plástico emitindo um leve som de rasgo "sss". Ela ergueu os olhos, seu olhar passando por cima do ombro de Lu Chenzhou e pousando no rosto de Gu Zhixing. Aquele olhar era como uma lâmina de gelo, fria e fina. "Pode ser," ela disse, seu tom recuperando a total profissionalidade, mas a terminação um pouco tensa. "Mas a insígnia, sendo uma evidência crucial, precisa ser levada de volta ao departamento para exames adicionais. De acordo com o procedimento, os resultados serão compartilhados simultaneamente com o consultor investigativo da parte do Sr. Shen." Ela entregou o saco de evidências ao policial ao seu lado, a borda de plástico roçando a luva do outro com um leve ruído de areia. Seu olhar finalmente varreu Lu Chenzhou. Aquele olhar foi breve, breve como a picada de uma agulha na pele — o canto esquerdo do olho de Lu Chenzhou contraiu-se quase imperceptivelmente. Ele viu os lábios de Qin Wangshu se apertarem, o interior do lábio inferior marcado pelos dentes com um sulco pálido e raso, que rapidamente recuperou a cor. Ela desconfiava, e também ponderava. Desconfiava que ele estivesse escondendo algo, ponderava se deveria continuar questionando na frente de Gu Zhixing.
"Venha comigo." Gu Zhixing virou-se de lado, fazendo um gesto de "por favor", o arco percorrido por seu braço tão padrão como se tivesse sido medido com uma régua.
No lado leste da galeria havia um escritório temporário, limpo às pressas, originalmente uma sala de reserva para o pessoal administrativo do museu. A porta era de material compensado comum, com algumas lascas de tinta nas bordas, revelando o núcleo acinzentado por baixo. Gu Zhixing empurrou a porta, e uma mistura de cheiro de papel velho, poeira e um leve mofo veio de encontro a eles, entrando nas narinas com uma adstringência envelhecida.
A sala era pequena. Uma velha mesa de escritório, a superfície com manchas escuras de café e arranhões densos e numerosos, como pele repetidamente arranhada. Duas cadeiras dobráveis, uma delas com o estofamento de espuma afundado, expondo o forro de lona em forma de rede por baixo. Não havia janelas. A única fonte de luz era uma lâmpada fluorescente antiga no teto, as extremidades do tubo escurecidas, a luz tremulando levemente no zumbido de baixa frequência, cada alternância de claro e escuro fazendo as retinas pulsarem. Gu Zhixing indicou a Lu Chenzhou para sentar na cadeira afundada, enquanto ele próprio ficou de pé ao
**Vítima masculina, quarenta e dois anos, gerente adjunto do departamento financeiro do Grupo Shen, avaliação preliminar. Ferimento fatal localizado entre a quarta e quinta costelas do lado esquerdo do tórax, arma suspeita é um instrumento cortante de lâmina única, comprimento aproximado de doze centímetros, ângulo de penetração altamente consistente com o caso de Zhao Mingcheng.** Ele fez uma pausa de meio segundo, deixando a informação assentar. A luz fluorescente zumbia, fazendo sombras dançarem sobre o dorso de sua mão. **A postura do cadáver no momento da morte foi deliberadamente arranjada.** Lu Chenzhou continuou, a voz tão estável quanto se estivesse lendo um laudo pericial, **As pernas estendidas e juntas, as pontas dos pés apontando para uma pintura, uma cópia de 'Noite Estrelada', na ala leste da galeria. Isso ecoa o padrão de comportamento do caso Zhao Mingcheng, onde o corpo foi colocado em uma posição específica no armazém, voltado para o fundo da câmara frigorífica. Mas este novo caso apresenta uma evolução clara—**
Ele fez outra pausa aqui, não por hesitação, mas para criar ritmo, como se estivesse testando o chão em um campo minado. O olhar de Gu Zhixing pousou em seu rosto, os olhos atrás das lentes sem piscar, como sondas. **O assassino passou de 'dispor o corpo de forma oculta' para 'exibi-lo publicamente'.** Lu Chenzhou disse, sem emoção na voz, apenas declarações, cada palavra pesada, **A cena do crime de Zhao Mingcheng era relativamente fechada, o corpo precisava ser ativamente procurado para ser encontrado. Já o caso da galeria de arte aconteceu em uma área prestes a ser reaberta; o assassino, sabendo que ainda havia circulação esporádica de pessoas durante a reforma, escolheu colocar o corpo no centro da galeria. É uma declaração.** Do outro lado da linha, apenas a leve respiração, amplificada pela corrente elétrica, transformada em um som de fundo rítmico e opressivo. **E mais um ponto.** A ponta do dedo de Lu Chenzhou desenhou inconscientemente um risco sobre o joelho, o tecido esfregando com um leve farfalhar, **A mão esquerda da vítima estava cerrada, segurando uma medalha comemorativa de cobre da galeria de arte. O modelo da medalha é antigo, segundo avaliação preliminar da polícia, pertence a um lote de lembranças descontinuado há dez anos. A medalha foi deliberadamente enfiada na mão do cadáver; há leves escoriações nas articulações dos dedos, indicando que foi colocada post mortem.** Ele terminou. Não mencionou "oitenta e sete", não mencionou o incêndio no arquivo, não fez qualquer associação com pontos temporais de casos antigos. Ele apenas apresentou os fatos: ferimento fatal consistente, postura ritualizada, padrão evoluído de oculto para exibido, um objeto antigo de dez anos adicionado. Como montar blocos de construção, cada peça real, mas propositalmente omitindo a peça mais crucial.
Silêncio. O ruído de estática do viva-voz do telefone tornou-se claramente audível, um assobio, como se algum inseto estivesse roendo o sinal. Gu Zhixing ergueu a mão e usou o dedo indicador para ajustar a ponte dos óculos de aro de ouro — uma vez, duas vezes. O metal dos óculos esfregando a pele produziu um som áspero quase imperceptível. Ele estava ajustando o foco, mas também aplicando pressão.
**Conectividade.** A voz de Shen Moqing finalmente soou novamente, ainda duas palavras, mas desta vez uma pergunta, como um martelo batendo em uma bigorna. **Alta conectividade.** Lu Chenzhou respondeu, ritmo constante, **Pode-se determinar preliminarmente como obra do mesmo assassino ou do mesmo grupo. A evolução do padrão mostra que o assassino está estabelecendo sua própria 'assinatura' — transmitindo algum tipo de mensagem através da postura do corpo, escolha da cena, objetos deixados para trás.** **Que mensagem?** A pergunta chegou. Lu Chenzhou sentiu o assento afundado
Seu olhar caiu sobre os arranhões na superfície da mesa — eles se cruzavam e entrecruzavam, alguns tão profundos como se tivessem sido gravados a faca, outros tão superficiais que deixavam apenas marcas brancas, como um mapa de labirinto sem saída. Os dedos de Gu Zhixing batiam suavemente na borda da mesa, as articulações tocando a superfície de madeira, produzindo um leve som "toc, toc, toc", em um ritmo lento, como se estivesse calculando algo, ou como uma contagem regressiva. Finalmente, a voz de Shen Moqing veio novamente, desta vez com um leve tom de cansaço quase imperceptível, como uma respiração contida após uma longa jornada: "O motivo? Vingança? Interesse?"
"Atualmente, as evidências são insuficientes." Lu Chenzhou disse cautelosamente, cada palavra como se pisasse em gelo fino. "Mas, pela evolução do padrão, o assassino está desfrutando desse processo. Exibir, anunciar, talvez até esperar ser descoberto. Essa característica psicológica se inclina mais para um ressentimento acumulado a longo prazo ou impulsionado por alguma crença obsessiva, ao invés de um mero conflito de interesses comerciais." Ele evitou novamente a zona de perigo do "caso antigo". Como contornar um poço profundo.
"Sua sugestão." Shen Moqing disse, não como uma pergunta, mas como uma ordem, cada palavra carregada de peso.
As pontas dos dedos de Lu Chenzhou se contraíram, as unhas quase se enterrando na palma da mão, a dor subindo claramente pelos nervos. Ele precisava fornecer uma direção operacional, que pudesse tanto avançar a investigação quanto evitar que Shen Moqing direcionasse sua atenção para onde ele não queria.
"Três coisas." Ele disse, a voz firme como um prego cravado na madeira. "Primeiro, a empresa Shen precisa urgentemente investigar todas as pessoas que tiveram contato próximo de trabalho com as duas vítimas, especialmente funcionários que recentemente tiveram conflitos ou que se demitiram subitamente. Segundo, fique atento à opinião pública. Se o assassino realmente está buscando 'exibir', então pode haver cartas anônimas, postagens na internet ou outras formas de anúncio em breve. Terceiro—"
Ele fez uma pausa deliberada de meio segundo, deixando o ar ficar levemente tenso.
"Terceiro, o emblema." Lu Chenzhou disse. "Este emblema é um item comemorativo descontinuado há dez anos, mas seu estado de conservação está relativamente intacto, a pátina de cobre é uniforme, indicando que não foi um objeto abandonado exposto por muito tempo. É provável que o assassino o tenha obtido de um colecionador, mercado de antiguidades ou local de armazenamento específico. Rastrear a origem do emblema pode ser a chave para identificar a identidade ou o histórico do assassino." Ele não disse "investigue se o ano de produção do emblema está próximo de 87", não disse "investigue se houve um evento especial na galeria de arte naquela época". Cada palavra que ele disse estava dentro do que Shen Moqing poderia aceitar e daquilo que a polícia avançaria. Um relato perfeito e seguro, como uma armadura sem fendas.
Do outro lado da linha veio um suspiro muito leve, tão leve que quase foi abafado pelo ruído da linha, como uma pena pairando sobre a água. Então Shen Moqing disse: "Continue investigando. Mantenha um relatório diário. Mas lembre-se—"
Sua voz subitamente afundou, como uma pedra enorme lançada em um poço profundo, provocando ecos gelados.
"Você serve apenas ao caso atual." Shen Moqing disse palavra por palavra, cada uma como ferro temperado ao fogo. "Não se desvie do assunto." Cada palavra era como um prego, cravado no ar e nos tímpanos de Lu Chenzhou.
Lu Chenzhou inclinou levemente a cabeça, embora o outro não pudesse vê-lo. Ao mover a mandíbula, ele podia sentir a tensão muscular.
"Entendido."
A ligação terminou. Gu Zhixing estendeu a mão, pegou o celular, deslizou o polegar pela tela, e ao fechar a interface da chamada, emitiu um leve clique. Ele não guardou o telefone imediatamente, mas segurou-o na palma da mão, esfreg
Mas ele controlou a expressão, os músculos do rosto tensionados como gesso. "As evidências são insuficientes." Ele repetiu essa razão segura, a voz estável, "Um distintivo descontinuado há dez anos pode apontar para muitas coisas — pode ser uma lembrança pessoal do assassino, um acessório escolhido aleatoriamente, ou pode realmente apontar para um ano específico. Mas sem mais evidências corroborativas, interpretações exageradas podem desviar a direção da investigação."
"Prudência é correta." Gu Zhixing assentiu, mas seu olhar não se desviou, os olhos atrás das lentes como dois abismos profundos, "No entanto, Consultor Lu, você e eu sabemos que, no campo da investigação criminal, 'interpretação exagerada' e 'intuição aguçada' muitas vezes estão separadas por uma linha tênue. Você, naquela época, foi justamente porque sua intuição era excessivamente aguçada, que..."
Ele não terminou. Mas aquela reticência pairou no ar, como uma faca ainda não caída, sua lâmina pressionando a garganta de Lu Chenzhou. A respiração de Lu Chenzhou parou por meio segundo. Ele podia sentir os pulmões como se tivessem esquecido como se expandir, o ar coagulando no peito, trazendo uma leve sensação de sufocamento. Gu Zhixing estava sondando, da maneira mais elegante, abrindo a ferida mais profunda e ainda jogando um punhado de sal nela. "O caso daquela época já foi encerrado." Lu Chenzhou disse, a voz tão estável que até ele mesmo sentiu-se estranho, como se estivesse recitando as falas de outra pessoa, "Para o caso atual, falarei com evidências."
Gu Zhixing olhou para ele por dois segundos, o olhar varrendo seu rosto como um raio-X. Então sorriu. Aquele sorriso era muito leve, como uma ondulação passageira na superfície da água, mas por baixo havia correntes ocultas insondavelmente profundas. "Claro." Ele disse, "Então, o briefing de hoje termina aqui. Você pode voltar primeiro para organizar seus pensamentos. Amanhã, no mesmo horário, preciso ver um plano de investigação mais detalhado." Ele se virou de lado, abrindo espaço na porta. O movimento era tão padrão quanto o de um mensageiro de hotel.
Lu Chenzhou levantou-se. A cadeira dobrável gemeu rangendo, o assento voltou à forma original, o forro de lona esfregando contra a estrutura metálica, emitindo um som agudo, deixando para trás uma depressão que desaparecia lentamente. Ele caminhou em direção à porta, os passos firmes, mas a cada passo conseguia sentir o olhar de Gu Zhixing grudado em suas costas, como uma película gelada envolvendo a pele, penetrando na medula óssea.
A luz no corredor era um pouco mais clara do que no escritório, mas ainda assim escura. Ao longe, vinham os sons indistintos de policiais conversando e o chiado de rádios comunicadores, como um enxame de abelhas zumbindo à distância.
Lu Chenzhou não parou, atravessou diretamente o corredor, o antigo piso de madeira sob seus pés emitindo leves rangidos com cada passo, como um velho gemendo. Ele desceu as escadas, os degraus de madeira cedendo levemente sob seus pés, como se pudessem desabar a qualquer momento. Ao empurrar a pesada porta lateral da galeria de arte, as dobradiças emitiram um rangido áspero, e uma brisa matinal fria invadiu, trazendo o odor complexo e peculiar da cidade, misturando escapamentos de carros e a fumaça oleosa de barracas de café da manhã distantes.
O céu já estava completamente claro, nuvens cinzentas pressionando baixo, como um pano de limpeza encharcado suspenso sobre a cabeça, pesado. O carro arranjado por Shen Moqing estava estacionado à beira da rua, um sedan preto, os vidros com película escura, como um besouro silencioso. O motorista estava ao lado do car